Epichurus

Natação e cia…

Eu não teria as manhas de ser nadador hoje em dia (provavelmente)

Almoçando com um amigo, ex-campeão brasileiro das antigas e também nadador Master (ele muito mais sério que eu), comentei que, se começasse hoje, eu talvez não chegasse a ser considerado um bom nadador… Possivelmente nem conseguiria ser um nadador muito sério. As razões são várias, mas acho que principalmente não teria saco para o tipo de treino feito hoje em dia. Acho que as expectativas atuais sobre um nadador de alto nível e o estilo de vida relacionado com a natação “profissional” também não me ajudariam a levar o esporte a sério como levei na minha juventude.  Claro que alguém pode argumentar que, começando hoje, eu me acostumaria com a natação de hoje. Eu honestamente, não tenho certeza, pois me conheço…. Isso me fez pensar sobre a “sorte” que tive nos idos de 1980, quando comecei a nadar.

Mission Bay, FL Fev 1987

Equipe Kibon de Natação em Mission Bay, FL (da esq p/ dir: Marcelo Grangeiro, Ana Julia Borel du Vernay, Patrícia Amorim, eu, Katerine Silva, Alexandre Hermeto, Rogerio Romero)

Olhando o tipo de treino que gosto de fazer, eu já deveria ter desconfiado da minha incompatibiliade com a natação do século XXI. Explico: Na semana passada, fiz um treino “solo” do qual me senti orgulhoso. Nadei cerca de 3000m (uma metragem algo acima da minha média atual), com duas séries principais: 16×50 liv dd 45” (35″ med) e 9×100 peito dd 2’ (1’36+” med) e o resto foi a “perfumaria” usual, com um longo aquecimento, perna, uma pequena série de velocidade, além de algum “solto” pós-séries. Entre os PEBAs, chamamos esse tipo de treino de PNSPN (sigla para “Pena Que Não Serve Prá Nada”)… O que queremos dizer é que apesar do tempo dedicado, dificilmente melhoraremos (ou sequer manteremos) os tempos atuais no Master fazendo treinos deste tipo – puramente aeróbicos.  Mesmo sabendo disso, não consigo mudar, pois é assim que gosto de nadar. Minha auto-justificativa é “pelo menos é uma atividade saudável”… Treinos aeróbicos e simples são o meu número.

Penso que isso talvez seja algum efeito dos treinos com o mestre Sidão (Prof Sidney Aparecido da Silva) na Associação Luso Brasileira de Bauru, nos quais sempre havia uma “tarefa” aeróbica, que frequentemente era o principal desafio do treino.  Quase toda segunda-feira, por exemplo, tínhamos uns 10×400 Livre dd 5’30-6’. Muitas quartas, guardavam as famigeradas séries de 8 x 200 Borboleta (mesmo para quem não nadava borboleta). E ai daquele que resolvesse dar uma tungada numa virada ou num intervalo e fosse “pego” na mira do Sidão… Os 8 tiros viravam 10… 12… 15… as vezes para a equipe toda! Seguindo a escola dos anos 80, treinávamos metragens altas (8-14K por dia, como exemplifica este treino de 9K do Renato Cordani de 1990) em ciclos longos (25 semanas ou mais) e o polimento tinha que ser perfeito no timing e intensidade, pois nadadores como eu não tinham mais que duas chances para resultados no ano.

O meu “auge” de volume de treino deve ter sido na época numa viagem de 2 semanas para Mission Bay (FLA) em 1987, sob a batuta do futuro head coach da seleção americana, Mark Schubert, chegamos a treinar 17-18,000m em algumas sessões duplas de treino.  Uma boa parte da “elite jovem” da natação brasileira estava representada nessa clínica, já que os times do Projeto Kibon de Natação (do qual eu fiz parte, dos 14 aos 17) e da Mesbla Natação estavam lá.   Isso era normal na época… Diziam que o Vladimir Salnikov fazia treinos na casa dos 20K regularmente… as longas séries com intervalos relativamente curtos predominavam.  Sabíamos das séries de 100×100 dadas ao pessoal do Golfinho em Curitiba e outras barbaridades como essas. Eu, apesar de dar aquelas reclamadas básicas, não me importava de nadar séries longas e é disso que eu gosto ainda hoje. Lógico que as séries anaeróbicas de intensidade e de velocidade já existiam – essas sim eu detestava com toda força… mas em geral eu sofria muito em séries de acúmulo láctico e não conseguia desempenhar no mesmo nível % de outros colegas. Ficava de mau humor até… Por sinal, foi nessa época que a equipe do Projeto Kibon começou a fazer testes de lactato sob supervisão do Prof. William Urizzi de Lima e de um médico Argentino de Rosário, chamado Dr. Mazza.  Eu aparentemente acumulava ácido láctico rapidamente e me recuperava relativamente rapido também. Talvez isso explicasse minha aversão pelas séries de potência… sei lá. Só sei que insistíamos. Lembro de sair destes treinos/testes (na Argentina, na USP, no Rio, no CPM…) com a orelha toda furada, bravo (hipoglicemia?) e muito cansado. Tudo muito high tech para a época… Mas íamos aprendendo, eu suponho, e os treinos iam se aperfeiçoando.

É interessante notar que esse aprendizado fisiológico e metodológico do qual fiz parte nos anos 80/90, tornou os treinos de natação algo completamente diferente hoje em dia. Obviamente, a natação de alto nível evoluiu, e não só nos “calções de papel” dando lugar a trajes tecnológicos e no uso de melhores “complementos alimentares” para atletas … E isso se vê nos resultados.

Swim PQ

Paraquedas na piscina pra quem pode…

Os treinos dos caras de ponta são compostos por muita coisa que eu nem sequer imaginava: Paraquedas, nadadeiras diferentes – até para nadar peito, Snorkel, palmares assimétricos, elásticos de alta resistência…  e, ao meu ver, principalmente MUITA intensidade em séries complexas, com objetivos de tempo precisos.  E é aí que a coisa “pega” para mim. Eu gosto de “rodar” e não tenho apreço por “porrada” no treino. Pelo que vejo hoje, a combinação de séries muito fortes com musculação também focada em potência e uso de acessórios para trabalhar velocidade tornou a prática de natação algo bem estranho para um nadador como eu.  Os treinos são bem mais curtos em metragem – especialmente para os velocistas e meio fundistas, mas muito mais especializados (de acordo com estilo e prova) e muito mais fortes em intensidade.  Seja pelo foco em resultados durante as séries (sei que alguns de nossos nadadores olímpicos fazem tempos de nível internacional em treinos), seja pelo uso de acessórios que forcem o nadador a se empenhar ainda mais na velocidade, a prática de natação ficou mais intensa em vários aspectos.

Nadadeira de Peito Speedo

Nadadeiras para Peito da Speedo … esquisito.

Veja que não estou fazendo nenhuma crítica: Obviamente a tecnologia e a ciência aplicadas à natação e aos treinos de hoje dão muito mais resultado e permitem que os nadadores de ponta nadem mais forte, mais vezes ao ano, por mais tempo.  Ou seja, não só os nadadores hoje são bem mais rápidos, mas também conseguem mais consistência nos reultados e são mais longevos. O melhor exemplo deve ser inclusive a minha melhor prova do passado – os 100 Peito, cujo recorde brasileiro evoluiu mais de 5 segundos em menos de 25 anos. Com meu melhor tempo, eu não passaria de um grandessíssimo perna de pau, hoje em dia.

Acontece que treinar assim forte, não me atrai. Preciso daquele lance “zen” do treino de ritmo, olhando a risca preta no fundo e repetindo os tiros na mesma intensidade e tentando dar os mesmos tempos, apesar dos intervalos curtos. Não careço de séries que simulam um ataque cardíaco, apesar de acreditar no motto “no pain, no gain”.  Adicionalmente, nunca gostei de musculação e não consegui pegar gosto por acessórios na piscina, com exceção do bom e velho palmar (que nem uso tanto, por conta do ombro) e talvez das nadadeiras curtas (prefiro as da Speedo – mais flexíveis, do que as Zoomers). Ou seja,  fatalmente ficaria para trás nos treinos de hoje. E eu sei o que isso significa.

Para complicar, a vida de um nadador de ponta no Brasil de hoje é muito mais complicada e focada na natação. Eu fui sortudo de ser parte de uma minoria na natação “semi-profissional” do Brasil. Sou até hoje muito grato pelo patrocínio da Kibon, que dava uma ajuda tremenda e um incentivo importante para que um jovem nadador como eu continuasse no esporte, apesar dos momentos difíceis. Contudo, vejo que o compromisso dos bons nadadores de hoje está num nível acima: As campanhas de marketing e os patrocinadores realmente profissionalizaram expectativas e o a rotina seguiu o mesmo caminho. Um certo ROI (Return on Investment) é esperado da imagem dos atletas – e, pelo que entendo, no curto prazo.  Nadadores de elite se dedicam 100% a natação, pararam de estudar, não trabalham (além dos treinos) e limitam suas vidas sociais ao que encontram por perto das piscinas e nas viagens. A coisa é séria mesmo. Nada de errado com isso, mas parece que a vida de alguns nadadores é posta “em pausa” em nome do sonho olímpico – o que apesar de justificável sob vários aspectos, nunca foi algo para mim. Acho que eu não teria essa coragem de colocar todos ovos na mesma cesta, talvez até por saber que, no fundo que eu não era tão bom assim.

Admito que meus sonhos iam além de fazer parte da Seleção Brasileira, ser bi-campeão Sulamericano, ter bolsa para estudar nos EUA, etc, como demonstra uma entrevista que dei aos 13 anos de idade… mas acho que sempre vi a natação como um “meio”, mais do que um “fim”. Tudo bem que eu tive a sorte de encontrar um “meio” com o qual me identifiquei e me liguei fortemente, mas vejo que até o timing de começo nos anos 80 foi bom para o meu temperamento de um nadador de 100 peito que gostava de fazer treinos longos…

Atenção out85

Revista Atenção – Bauru, Outubro 1985

Os filósofos alemães depois de Hegel, falaram sobre os homens como parte da história e do “ser” como parte do tempo, cunhando o conceito de “zeitgeist” (algo como “espírito da época”). O termo foi até usado recentemente com uma conotação social / política para falar de como alguns políticos estão mais ou menos sintonizados com o momento atual do planeta e seus habitantes. Acho que os atletas também  tem isso e são sintonizados com o “jeito” do esporte na época em que o praticam, de modo que acabam se tornando ligados com um “modus operandi” que eventualmente se torna antiquado .  Acontece que o esporte evolui (para que os resultados melhorem) e a prática do esporte consequentemente muda. Isso altera atletas, treinadores, ambiente esportivo e seus arredores.  Mais do que por saudosismo apenas, antigos atletas podem tender a se distanciar da maneira que o esporte é praticado na atualidade, permanecendo romanticamente ligados com o esporte que praticavam, agora desatualizado. Acho que me incluo entre estes, mas nem por isso vou deixar de gostar do esporte que me trouxe até aqui e me transformou (pelo menos em parte) no que sou… E é por isso que peço desculpas aos mais ‘modernos”, mas vou continuar nadando meus treininhos rodados no Paineiras. PQNSPN…

Sobre Rodrigo M. Munhoz

Abrace o Caos... http://abraceocaosdesp.wordpress.com

43 comentários em “Eu não teria as manhas de ser nadador hoje em dia (provavelmente)

  1. Miyahara
    22 de outubro de 2012

    estou viciado em treino QNSPN….

    • rmmunhoz
      22 de outubro de 2012

      Eu também… inclusive fiz um desses QNSPN hoje!

  2. rcordani
    22 de outubro de 2012

    Por partes:
    1- discordo que o sr. não seria nadador ou não quereria sê-lo hoje em dia. Acho que seria, e dos bons.
    2- eu acho que o correto para nós hoje em dia é fazer esses treinos QNSPN no dia a dia, até é melhor para a saúde, mas não custa nada dar um gás de 4-6 semaninhas uma vez por ano antes de competir, nem que seja para ser um pouquinho menos peba.
    3- esse agasalho amarelo da Kibon era hediondo.

    • rmmunhoz
      22 de outubro de 2012

      Caro Renato, vamos lá: 1. Obrigado, mas não tenho tanta certeza. 2. Concordo, mas essas 4-6 semaninhas fortes são difíceis hoje em dia, não? 3. Creio que o objetivo dos agasalhos amarelos era chamar a atenção… nisso eram bons! Abrtz!

      • Lelo Menezes
        23 de outubro de 2012

        Eu concordo com o Renato. Você seria um nadador de ponta hoje, assim como foi na década de 80/90. E também acho que se adaptaria aos treinos de hoje. Um garoto de 15 anos se adapta a qualquer coisa! Já com 40 é bem mais difícil!

  3. Eduardo Hoffmann
    22 de outubro de 2012

    Munhoz, muito interessante isso que você escreveu. Como eu (ainda) não aderi à natação Master, minhas reflexões sobre a natação, geralmente, estão relacionadas aos meus dois filhos, e o caminho deles no esporte.

    Assim como em relação ao doping, assunto por você já abordado anteriormente… há uma série de outros aspectos que me preocupam. Vou, aqui, me concentrar no primeiro de minha (longa) lista:

    Essa “profissionalização” total da natação de alto rendimento, com abandono de estudo, foco 100% somente em nadar, é, na minha opinião, uma tremenda distorção. Nos USA, e outros países de “modelo Ocidental”, por uma série de diferenças em relação ao Brasil, é possível conciliar esporte e estudo, até mesmo em escolas de primeira linha, como Stanford, Berkeley ou Michigan – Ann Arbor, que contam com fortes equipes de natação, e atletas de nível olímpico.

    Infelizmente, parece estamos seguindo o “modelo Chinês”. Pelo menos no que se refere aos que não aproveitam o talento, e vão estudar e nadar nos USA, com bolsa de estudo… Num esporte em que pouquíssimos “Superstars” conseguem realmente ganhar $$$ suficiente para se estabelecerem financeiramente, não estudar pode ser extremamente perigoso…

    Talvez seja o preço inevitável de uma estrutura Brasileira em que o “esporte universitário” se resume a algumas competições divertidas, em que ex-atletas defendem as cores de suas faculdades, e vão tomar cerveja depois… Talvez seja realmente impossível conciliar esporte de alto rendimento com o estudo no Brasil… Porém, isso não torna o “modelo Chinês” menos preocupante, para um pai de dois pequenos nadadores, que podem (ou não), ter talento para nadar nesse nível…

    Só sei que eu ainda lembro de uma época em que um cara ainda conseguia fazer medicina na Escola Paulista de Medicina, e ganhar provas de livre e borboleta no Troféu Brasil (o Raul Vianna). E me pergunto se o preço da natação Brasileira ter melhorado de padrão, não foi, em parte, pelo menos, deixar o estudo e a vida profissional pós-natação quase inteiramente de lado…

    E isso me preocupa bastante… se um dos meus filhos tiver o talento que o pai não tinha…rs…

    • rmmunhoz
      22 de outubro de 2012

      Ótimo comentário, Hoffmann! Sem dúvida, e, na minha opinião infelizmente, não temos o modelo de esporte universitário aqui no Brasil. Os atletas dependem de clubes, patrocinadores e/ou das federações para alcançar um alto nível e até permanecer no esporte já no início da idade adulta. Isso no mínimo coloca em risco um monte de talento desenvolvido desde a infância. O pior é que eventualmente coloca em risco uma viabilidade econômica do atleta que colocou a vida ‘on hold’, depois da aposentadoria esportiva. Mas acho que nesse aspecto podemos estar vendo um momento de transição, até porque os pais como você (e eu eventualmente) e os próprios atletas terão melhor consciência dos problemas deste “modelo” no futuro, não acha? Abração!

      • Eduardo Hoffmann
        22 de outubro de 2012

        Pois é… só que tenho minhas dúvidas de que esse modelo atual se reverta, a menos que se entenda a necessidade de criar um verdadeiro esporte universitário no Brasil. O “modelo Chinês” é bem na linha do “dirigismo” do Camarada Aldo Rebelo, e da Presidenta… Ao invés de produzirmos atletas universitários, estamos produzindo “operários do esporte”… O legado de Rio 2016 certamente não incluirá nada que mude isso. A prioridade é, no melhor estilo totalitário, uma maior contagem de medalhas, para mostrar a “Grandeza Nacional”. E nada mais.

    • rcordani
      22 de outubro de 2012

      Exato Hoffman, uma tremenda distorção. O sujeito com 20-25 anos ganha uma fortuna, porém abraça um futuro extremamente incerto, ou pior, quase que certamente ruim!

      • Eduardo Hoffmann
        22 de outubro de 2012

        Aí é que está… estivéssemos falando de grana do tipo que se ganha numa NBA, a aposta na profissionalização poderia até fazer sentido. Entretanto, o que pode parecer uma fortuna para um brasileiro de 20-25 anos, na maioria dos casos, não é, de forma alguma, o suficiente para compensar a falta de estudo nos 60 anos a serem vividos pós-natação. Mesmo no Team USA, a diferença de $$$ que um Phelps ou Lochte ganham, e o que um “mero finalista” Olímpico qualquer ganha é imensa… e esse “mero finalista” vai ter que monetizar uma educação para viver depois…

      • rmmunhoz
        22 de outubro de 2012

        Só posso concordar com a “análise de risco” do Hoffmann (desfavorável ao atleta na maioria dos casos). E gostei do termo “operários do esporte”… só espero que de alguma forma os atletas continuem evoluindo não apenas nas piscinas, mas também nas aspirações fora d’água. Abraços!

    • Pedro Costa
      24 de outubro de 2012

      Excelente post do Munhoz, como todos deste blog. “Comento o comentário” do Hoffmann, por tratar deste aspecto específico de esporte e estudo. Primeiro tenho que revelar uma ignorância: Realmente há atletas de ponta brasileiros “abrindo mão” de cursar uma universidade para dedicar-se exclusivamente aos treinos? Confesso que fico surpreso (mesmo!) Isso é preocupante mesmo. Sei do Cielo (não sei se é exemplo) que, ao que me consta retornou ao Brasil, entre outras coisas porque concluiu seus estudos (em nível de graduação) não foi? Claro há um prejuízo profissional em não exercer a profissão, mas creio que seja relativamente menor que “não ter uma profissão”
      Sabem os pedagogos cunharam o termo ensino-aprendizagem, para mostrar que uma coisa não existe dissociada da outra. Eu ousaria criar o termo “esporteducação”. Embora sejam coisas que existam isoladas, elas ganham muito mais força se estão juntas, principalmente (e aí desculpem por fugir um pouquinho ao tema) quando se refere à educação básica e ao esporte massificado (sim, me afastei do esporte de alto-nível e ensino superior, mas espero me reaproximar…). Se falamos de políticas publicas, de ações de governos, temos que começar realmente pelo básico. Gosto muitíssimo de torcer e vibrar com os brasileiros no esporte, notadamente na natação, mas justifica-se muito pouco um nadador de alto nível receber “bolsa” (seja de R$ 5 mil ou 50 mil) para “ser nadador”.
      Por outro lado, somos testemunhas de quanto o esporte foi decisivo na nossa formação como cidadãos. Vejo na reportagem de 1985 sobre o Munhoz, que ele estudava na “EEPG”. Escola estadual. Também estudei em uma até a 8ª série. E não foi porque meus pais fossem “pobres”. Que aconteceu com estas escolas? Enfim creio que o esporte seja uma peça fundamental numa reestruturação da educação básica no país que já passou da época de acontecer. Não quero que isso soe agressivo, mas parece que qualquer discussão que envolva dinheiro público para o esporte e que não envolva a educação básica e o esporte de massa constitui-se numa inversão de prioridades.
      Ok, mas e o esporte de alto nível então? Este embora possa até contar com (algum, pequeno e decrescente) incentivo dos governos, deve se sustentar pela iniciativa privada. Assim é nos EUA, por exemplo. Talvez o caso americano seja muito pontual, pois o esporte universitário (e até do nível médio) é realmente muito forte.
      Não vejo problemas em termos um “modelo de inserção” que envolva termos nadadores de ponta treinando nos EUA, mas podemos ter 10 com potencial de medalha em vez de 2. Além disso, podemos ter nadadores de ponta treinando e estudando aqui e podemos te, mais no longo prazo um maior envolvimento das universidades com o esporte (e aí os governos também possam dar sua contribuição, via universidades publicas). Mas esse envolvimento só acontecerá se tivermos uma “cultura esportiva” de forma que os investimentos no esporte possam ser revertidos em reconhecimento por parte do público. E essa mudança de cultura passa, NMHO, (e voltando ao basico) pela massificação do esporte, lá na base…
      Abraços!

      • Eduardo Hoffmann
        24 de outubro de 2012

        Concordo com você. Já que é para repensar a integração de educação e esporte, que já seja feita desde o início do ensino fundamental… Eu só não esperaria para mexer com o esporte universitário somente depois disso. Acho que seria plenamente possível fazer em paralelo.

      • rcordani
        24 de outubro de 2012

        Legal Pedro. A resposta para a sua pergunta: “Realmente há atletas de ponta brasileiros “abrindo mão” de cursar uma universidade para dedicar-se exclusivamente aos treinos?” infelizmente é SIM. Pior, tem gente abandonando o Ensino Médio. Claro que se o sujeito for o Cielo ou o Thiago Pereira, poderá viver da imagem e a faculdade não seria tão importante. Já para o semi-peba…

  4. Viviane Motti
    22 de outubro de 2012

    Pela descrição dos treinos preferidos pelo Munhoz eu nao sei pq vc não pediu para fazer um estagio com o Sérgio na Bahia,o que certamente não faltaria eram treinos rodados…10×400 pq não 15 ou até 20,5x 800,3 x 1500,20 x 200 faziam parte da minha rotina quase q diariamente.E engraçado que assim como vc Munhoz ,eu preferia muitos milhões de vezes essas series do que os famigerados 5×200 descansando milhões de minutos p tempo.Queria me matar era ainda a serie ser saindo do bloco .As series pela Kibon com o Maza , Sérgio ainda aprimorava,ao invés de ter descanso longo eu so tinha uns míseros segundos(que era o tempo certo de furar a minha orelha para medir o lactato) e já sair para um novo tiro.Essa modalidade foi apelidada por ele de Pit Stop.Para o meu desespero meu lactato meu pulso nunca subiam muito e ele sempre achava que eu podia mais.Nunca invejei os treinos dos velocista exceto por saírem antes de mim da piscina, o que eu contornava começando o treino antes rsrsr.
    Nao sei como me inseriria na natação atual,mas com certeza as cobranças e os investimentos são outros.ainda nadei até o inicio do segundo ano de medicina ,mas na verdade nao dava para levar as duas coisas bem,teria que alguma coisa ficar em segundo plano,e eu optei pela medicina.Na minha ultima copa Latina recebi um sabão do Coaraci pq eu falei que iria parar de nadar.Ele disse que eu deveria esperar a cidade da natação que teria universidade,e isso e aquilo.Nao foi para mim,mas não tenho arrependimentos.E tb me pergunto caso algum filho meu queira seguir se eu incentivaria abrir mão dos estudos….hoje que eles ainda estão bem pequenos eu digo que de novo optaria pelos estudos.Mais tarde….
    Quanto ao agasalho da Kibon tínhamos ainda um mais feio.Era um mostarda se eu nao estiver errada de helanca.Esse da foto até q eu gostava.Boas lembranças.

    • rmmunhoz
      22 de outubro de 2012

      Querida Viviane! Saudades dos tempos da Kibon também.. Lembro de você fazendo os testes e os caras discutindo como fazer para você gerar mais lactato… fazendo séries cada vez mais fortes! Dava até um pouco de dó (ou raiva). Como você, tenho dúvidas de como ajudarei meus filhos a priorizarem esporte vs estudos… Acho que vai depender do talento percebido, condições do esporte e muitas outras variáveis, que teremos que ficar atentos. Mas no fim, a decisão será deles, então nos cabe dar a informação e educação da melhor qualidade possível para que tomem boas decisões, acho. Sobre o uniforme: Guardei um (surrado) desses amarelões, assim como uma daquelas toalhas clássicas do projeto Kibon. O cor de mostarda (feito de Helanca) se desfez no armário da minha mãe… 🙂 Beijos!

    • Lelo Menezes
      23 de outubro de 2012

      Eu sempre tive pena do pessoal da Bahia pelos treinos longos demais. Me lembro uma vez em Rosário que fomos aquecer numa piscina muito gelada que ficava ao lado do rio. Eu devo ter nadado uns 800 mts com muito sacrifício. Me lembro de ter ficado cerca de uma hora, já agasalhado, vendo o treino de vocês. Era insano! Lembrando que era um sulamericano e todos estavam no auge do polimento!

  5. Alvaro Pires
    22 de outubro de 2012

    Bacana as reflexoes a q o texto levou. Estudo X esporte eh uma questao central na minha visao !!! A dinheirama colocada no COB e o esporte universitario do jeito q estah eh um contra senso total !!! Ah Coaracy, deixe os caras irem estudar lah fora ! Se ateh hj ele faz forca p nao irem p fora. q dirah a pessoa dizer q ia estudar aqui e nao mais nadar. Bom, espero q meus filhos possam ter sempre o melhor (nos estudos !!!)!
    Qto aos treinos, me adaptaria muito mais facil aos treinos de hj, nunca entendi pq os velocistas tinham q fazer aqueles treinos longos na minha epoca. Jah a maneira como o esporte eh encarado nao me agradaria de jeito nenhum,

  6. rmmunhoz
    22 de outubro de 2012

    Oi Alvaro! Concordo que a “dinheirama” tem um lado preocupante, principalmente por que é grande parte para o esporte de alto nível. A base fica descoberta assim como não parece haver foco em formar melhores pessoas adultas com ajuda do esporte.
    Sobre os treinos, você confirma uma desconfiança minha de que alguns velocistas iriam se adaptar bem aos treinos mais “modernos” de hoje. O engraçado é que nadando 100 peito eu era considerado velocista por alguns… eu mesmo sempre me considerei meio fundista já que gostava dos 200 Medley e boa parte de meus treinos eram focados nessa prova… O que em retrospecto, talvez tenha sido um erro… sei lá… Abraços!

  7. Carlos Vieira de Moraes
    22 de outubro de 2012

    Olá à todos !

    Apenas alguns tópicos para conhecimento :

    – A CBDA definiu a data do Campeonato Brasileiro Júnior no mesmo final de semana da 1a. fase da FUVEST. Ou seja , a opção está clara : ou nada ou estuda !

    – em relação ao treinamento penso que houve mesmo uma evolução. Neste fds tivemos o Paulista Júnior no SESI ( piscina de 25 m … peguem todos a tabelinha do Lelo ). Só por curiosidade os campeões na prova dos 200 m peito ( 17 anos – Junior 1 – nadou na casa de
    2 ’16 ” ; 18 anos -Junior 2 2’13 ” ) . Aquele 2 ’26 ” ( piscina de 50 m) do Cordani não me saiu da cabeça…

    – Munhoz, não sabia que vc era sócio do CPM . Vamos combinar um café e uma reportagem na revista do clube. Fizemos no passado uma com o Renato Cordani e ficou bem legal !

    Abraços,

    Carlos

    • rcordani
      23 de outubro de 2012

      Carlos, a natação melhorou muito mesmo, é incomparável com a minha época, mas meu melhor em curta era 2:20 e na época não podia dar golfinhadas, bota aí uns 3s a mais no tempo dos caras por conta disso.

      Com relação ao vestibular, não é novidade que as competições coincidem com o mesmo, isso sempre aconteceu, embora fosse plenamente evitável.

      Por fim, é triste que hoje em dia o cara tenha que ser exclusivamente nadador. Talvez por isso no paulista que terminou anteontem tinha tão pouca gente….

  8. Marina Cordani
    22 de outubro de 2012

    Munhoz, eu também acho que não seria nadadora. O que teríamos sido? Talvez jogadores de peteca, biribol, ou tchoukball, ou algum outro esporte que ainda não exige essa mega dedicação. Ou, talvez, eu seria nadadora mesmo, do jeito que eu fui mesmo, sem nenhuma pretensão de Olímpíadas, apesar de muito, muito séria e dedicada no meu treinamento.
    Vocês já discutiram, e muito bem, a questão do dinheiro, e se deve-se parar de estudar ou não. Porém, o que também me chama a atenção nessa natação de ponta de hoje é a falta da parte lúdica. Tenho certeza de que a preparação física ás quintas-feiras é produtiva, e não aquele futebol de 20 contra 20 no Paineiras. Também não sei se eles disputam quem come mais pedaços no rodízio de pizza (Grupo Sérgio), ou se vão para travessias no meio do semestre, mesmo sendo nadador de piscina. Isso sem falar das festinhas, bolos de aniversário, aniversário do Pancho (nunca tinha treino!), viagens para São José do Rio Preto em amistosos onde só tinha a prova que você não nadava, férias em julho e depois do Brasileiro de verão (geralmente em dezembro) e muitas outras coisas. Vários nadadores da equipe às vezes ameaçavam “sair da natação”, mas voltavam atrás ao se dar conta do que teriam que abdicar. Claro, ninguém nadava perto dos níveis mundiais, principalmente as meninas, mas também tínhamos nossos objetivos e nossas imensas felicidades, como lembra o Lelo no último post.
    Acho que eu não troco o mais e o menos que tínhamos…

    • rmmunhoz
      22 de outubro de 2012

      Putz, Marina, você lembrou de uma coisa na qual o Renato era imbatível (pelo menos sempre pegava podium, na minha memória) – detonar o rodízio de pizzas no Grupo Sergio! Épico!
      Assim como você e apesar da retórica, não trocaria o que tínhamos por nada diferente… talvez isso seja a tal ligação com nosso tempo, sei lá. Eu, honestamente, não sei que esporte faria se não fosse nadador. Depois de parar de nadar competitivamente com 23, comecei a gostar muito de esportes de aventura e de velejar, mas nunca dediquei o tempo, vontade ou recursos para realmente descobrir a fundo até onde poderia ir além do “nadar”. Uma coisa é certa: Não seria jogador de futebol devido ao fato de possuir “dois pés esquerdos” aparentemente…aliás, nadador perna de pau no futebol é algo que abundava, ainda que alguns se considerassem herdeiros do Pelé nas partidas de recreação por aí… Ops.. quer ver que isso vai gerar uns protestos entre meus amigos? Paciência. Beijos!

    • rcordani
      23 de outubro de 2012

      Opa, Grupo Sérgio era sensacional. No Rio, fazíamos em um rodízio que tinha no Leme. O Charlão era um grande freguês.

  9. rmmunhoz
    22 de outubro de 2012

    Oi Carlos!
    Obrigado pela informação! Realmente uma pérola essa da CBDA. Será que temos tão poucos nadadores prestando FUVEST assim hoje em dia?! Não reclamaram? Contudo, dado o que já comentamos aqui, não me causa grande surpresa (infelizmente)… Sobre os resultados do Paulista Junior, me chamou a atenção no Blog do Coach o novo recorde dos 100 Peito Junior I do Pedro Cardona, nadando para 1’00! Uau!
    Fico a disposição para este café e conversa no Paineiras. Tenho estado lá quase todo dia pela manhã. Abraços!

    • rcordani
      22 de outubro de 2012

      Carlos, cuidado! O Munhoz vai tentar deixar a conta do café para você!

      • rmmunhoz
        22 de outubro de 2012

        Poxa, Renato… O Carlos convidou… nada mais justo! 🙂

  10. Kiki
    22 de outubro de 2012

    Eu acho que eu já não tinha as manhas desde aquela época! ainda bem que apareceram outros Pebas no meu caminho. Agora, gente, a CBDA é dirigida pela mesma pessoa desde que eu nadava. niguém aqui (eu inclusive) nunca moveu (que eu saiba) uma palha por qualquer mudança na política da natação competitiva brasileira em todo este tempo. não faz sentido achar que o problema é um suposto “modelo chinês” do Ministro que está no cargo há menos de dois anos, né? Quem realmente se importa precisa debater não apenas neste blog, mas junto às federações, clubes, confederação, secretarias, ministério, fazer a disputa nesses espaços.

    • Eduardo Hoffmann
      23 de outubro de 2012

      Kiki,

      Completando o que o Munhoz colocou, é verdade que as Confederações de esportes, neste país, são realmente feudos… e isso é um problema… entretanto, políticas públicas não são responsabilidade primaria delas… Há inúmeras críticas que podem ser feitas à CBDA (a começar dessa vergonha de marcar campeonatos em datas dos principais vestibulares do país…), mas, promover o desenvolvimento de um verdadeiro esporte universitário, por exemplo, seria atribuição dos ministérios de Esportes e Educação. A CBDA teria papel secundário nisso… até porque isso valeria para vários esportes, e não somente a natação.

      Nenhum governo antes do Sr. Lula e da Sra. Presidenta fez nada nesse sentido, isso é verdade, porém, também não “bancaram” uma aventura ufanista caríssima, como sediar uma Olimpíada… O Ministro Aldo Rebelo estar lá faz só dois anos não é desculpa para 10 anos de administração contínua por parte daqueles que “bancaram” a Rio 2016 não terem conseguido mostrar, de forma clara, qual será o legado desse enorme gasto de recursos públicos… Fica muito explícito que esse “modelo Chinês” poderia ser também descrito como “modelo Geisel”, porque as semelhanças com o ufanismo do regime militar são extremamente pertubadoras… Se tivéssemos sediado uma olimpíada nos anos 70, a contagem pura e simples do número de medalhas também teria sido a única preocupação (e tanto o Sr. Rebelo, qto a Presidenta, manifestaram claramente essa “obsessão” em falas recentes, por acasião da Londres 2012).

      Eu tenho seríssimas dúvidas se sediar uma Olimpíada era prioridade para o país, mas, já que se optou por tal empreitada, que o legado vá além das tais 30 medalhas que o Sr. Rebelo e a Presidenta “querem”… A fortuna gasta (sim, “gasta”, porque “investir” é um verbo que requer um escopo diferente…) deveria produzir efeitos mais duradouros, e uma revolução na maneira de se integrar Esporte e Educação… No mínimo…

      Finalmente, eu discordo frontalmente que debater num blog crie, necessariamente, uma “obrigação” de “sair lutando” pela CAUSA… Numa democracia saudável, com plena liberdade de expressão, as críticas em fórum público, por si só, já acrescentam. O “brainstorming” que aqui ocorre, pode vir a inspirar, influenciar, melhorar, etc… seja lá de que forma isso aconteça. Até porque, nem sempre aqueles que geram as idéias, são as pessoas mais indicadas para a fase “bélica” da execução…rs… inclusive porque, aparentemente, mudar o Esporte e a Educação neste país, requer quase uma propensão Quixotesca… infelizmente…

      • Lelo Menezes
        23 de outubro de 2012

        Hoffman, sensacional sua resposta. Concordo 100% com ela!

      • pacheco
        23 de outubro de 2012

        Excelente Hoffman.
        Concordo totalmente!

  11. rmmunhoz
    22 de outubro de 2012

    Oi Kiki! Ponto válido sobre a CBDA estar estagnada faz tempo e também sobre nossa falta de capacidade (habilidade? vontade?) em mudar algo na natação ou na política esportiva brasileira. Mas acho que nunca é tarde pra mudança e tenho certeza que muita gente aqui se importa bastante com os rumos que estão sendo tomados..Por fim, críticas em blogs são parte da discussão e do debate, imho… quem sabe essas conversas e trocas não nos levam a uma atuação mais “engajada” junto aos órgãos competentes? Valeu! Bjos.

    • Kiki
      23 de outubro de 2012

      Debate é válido, não é esse o ponto. Beleza falar. Mas as empresas onde cada um aqui trabalha vão gerar negócios com a Copa e as Olimpíadas. Alguém vai se recusar a montar o plano de negócios? A vender os produtos em função dos eventos? Vai deixar de assistir às partidas, em protesto? Não vai querer levar os filhos para assistir? Vai achar bom que não sejam batidos recordes, ou que os atletas não se superem? Ser contra algo no discurso é fácil, principalmente quando parece estar bem longe da gente a capacidade de interferir. Será que está tão longe assim?

      Investimentos. Tem uma série de projetos de mobilidade urbana e condições de infraestrutura para as cidades sede que ficam sim como legado. E tem coisa que não fica como legado físico, nem aqui, nem em Sydney onde tive o prazer de trabalhar, nem em lugar algum. Mas o fluxo de turismo na Austrália, por exemplo, já superou em muito o investimento feito nas Olimpíadas. Aqui, estão rolando iniciativas para melhorar os serviços de hotelaria, gente aprendendo a falar inglês/espanhol em função dos eventos, instâncias de governo aperfeiçoando a forma de tocar projetos que aproveitam para melhorar a gestão de outras iniciativas. E nada disso impedindo que educação ou saúde recebam investimentos, duas áreas que têm aumentado a sua capacidade de fazer um bom uso do orçamento e que têm recebido mais recursos ano a ano em função disso. Vejo uma evolução clara na capacidade do Estado em fazer investimentos. Por outro lado, vejo muito pouca evolução nas confederações, de todos os esportes. E martelo nisso pq “chinês” é pensar que uma ordem é dada pelo poder central e de repente tudo acontece. Estados e municípios são entes autônomos, participam se querem das políticas federais. as federações e confederações atuam de maneira pouco transparente, e são elas as especialistas em cada esporte. SP tem piscina olímpica em cada CEU. Como é que isso pode ser usado para aumentar a base? A FPN tem alguma proposta pra isso?

      Parcerias Educação e Esporte. A maioria das referências de quem nadou são as universidades americanas, o modelo americano de quase todos os esportes. A Austrália tem pisicina pública em cada esquina, é um modelo diferente. Precisa pensar um modelo para o contexto brasileiro, com certeza. Mas não imagino hoje as universidades públicas brasileiras, que têm um longo caminho de melhoria de gestão a percorrer, aceitando mais este desafio. As privadas toparam este tipo de desafio em alguns esportes (vôlei, basquete).

      Por fim, eu brinco que para a política de TI andar, tem que ter uns nerds em posições importantes. Mas não sei se o mesmo vale em relação a ex-atletas e a política de esporte. Só vi a Magic Paula fazendo algo de bom neste sentido. O resto…

      • Eduardo Hoffmann
        24 de outubro de 2012

        Vamos por partes:

        1) Seu primeiro parágrafo, sinceramente, é incompreensível… por favor, elabore melhor… porque senão, a impressão que fica, é que, se um carrinho de pipoca for vender mais pipoca na Rio 2016, e uma criança sorrir com a vitória de um atleta Brasileiro, então o gasto público já está justificado…

        2) Recursos públicos têm que ser ultilizados sob uma ótica de retorno sobre o investimento. Custo x Benefício. Olimpíadas são notórias por representarem uma péssima equação para ambos… Não há evidência NENHUMA de que, em toda a história dos Jogos Olímpicos, esse gasto de recursos públicos tenha tido algum benefício superior a outras formas de alocação (como investimentos focados em educação, saúde, etc…). Há ampla literatura acadêmica sobre o assunto… É só procurar… Sediar Olímpíada é somente massagem no ego, resultado de visão nacionalista, ufanista… E coisa para país que pode torrar dinheiro… se é que ainda existe algum nessas condições… o correto seria re-utilizar sedes anteriores, em cidades já bem equipadas, para minimizar os gastos (especialmente dada a situação da economia mundial).

        3) “Vejo uma evolução clara na capacidade do Estado em fazer investimentos”… Sério mesmo??!! Só se for sob uma ótica partidario-ideológica… Na minha ótica apartidária, agnóstica e pragmática, o que se vê é exatamente o contrário… Um CAOS na capacidade de se formatar os projetos, de se definir marco regulatório, de se utilizar até mesmo recursos já aprovados… e por aí vai…

        4) Modelo Australiano, Americano, Alemão ou Sueco… Tanto faz… Sou a favor de se usar qq um desses, ou uma combinação de vários, como “benchmark”… Só não gosto das influências Cubanas, Venezuelanas, Bolivianas, Argentinas e Equatorianas… e Chinesas…rs…

        5) Por quê não as Universidades Públicas também??? Se são verdadeiramente públicas, são OBRIGADAS a colaborar e abraçar políticas públicas decididas dentro de um sistema democrático… Senão, se igualam às Confederações dos esportes, constituindo somente mais um tipo de feudo…

        6) Ex-atletas com bastante estudo (e os há… por esforço individual…) são muitíssimo adequados para gerir o esporte… Já um Ministro que se diz Comunista, mas se juntou à Bancada da Motosserrra na questão do Código Florestal, e tentou criar o “Dia do Saci-Pererê”, para se “contrapor ao Halloween”, me parece inadequado para qualquer cargo público…

        Enfim, eu já percebi que há uma clara inspiração partidária na sua argumentação. Para deixá-la mais tranquila, informo que não sou filiado a nenhum partido político, e sou totalmente a favor de que se aplique os mesmos critérios usados contra os criminosos do Mensalão federal, contra o Mensalão mineiro e o do DF. Talvez assim essa “defensiva” se reduza… Só quero o bem do país… E se a “coisa certa” for feita pelo PT, terá o meu apoio…

      • Eduardo Hoffmann
        24 de outubro de 2012

        Complementando minha resposta: em relação aos CEUs e suas piscinas olímpicas, a analogia é a mesma à questão de responsabilidades dos Ministérios de Esportes e Educação, versus a CBDA. Em outras palavras, a FAP (e não mais FPN… mudou de nome…) não tem NADA a ver diretamente com isso… Pode até ser consultada, e vir a colaborar com “know-how”, mas, há uma IMENSA confusão aí sobre questões de Administração Pública, Administração Financeira e Orçamentária e até de Direito Administrativo…

        Quando os CEUs foram construídos, as piscinas olímpicas certamente tornaram as obras mais lucrativas, e as fotos da Prefeita, então no poder, em frente à elas, ficaram mais bonitas na inauguração… O “tailleur” Chanel vermelho certamente fez melhor contraste com o azul da piscina, do que com o cinza do concreto aparente das outras estruturas… Entretanto, se esses caros equipamentos foram construídos sem haver planejamento de uso adequado, por parte das Secretarias Municipais de Educação e de Esportes daquela administração, é algo que só confirma nossa tendência de desperdiçar recursos públicos. O correto seria já estarmos colhendo resultados disso, na forma de nadadores vivendo e treinando na periferia…

        Mas nada disso me surpreende… num país em que “investimento em tecnologia”, por exemplo, é mandar um oficial da Aeronautica “passear” em órbita, ao preço módico de 20 milhões de dólares, sem retorno algum sobre o “investimento”, fora a foto com o Presidente, na volta…

      • Kiki
        26 de outubro de 2012

        (Estou postando aqui para ficar junto ao comentário do Hoffman, pq não tá aparecendo Comentar” lá abaixo dele).

        É óbvio que temos visões opostas. Blog serve pra isso: um coloca a sua opinião, o outro coloca uma diferente. E por aí vai. Me divirto com essas diferenças. Estudos, textos em blogs e ações cotidianas sempre refletem opiniões, visões de mundo. Vc vê as ações dos governos de fora deles, eu vejo de dentro, evidentemente são pontos de vista (no sentido “standup view points”) completamente diferentes. Não tenho a pretensão de mudar suas opiniões, mas tenho as minhas.

        Dos pontos que vc levanta: 1 – vc entendeu, sim, o argumento. Ações cotidianas de cada um, e não apenas dos “poderosos”, alimentam esse movimento pelos jogos/copa. Quando eu, pessoalmente, sou mto contra algo, acho coerente boicotar, fazer um movimento contrário, atuar para que não dê certo. Se não estou boicotando, não é algo péssimo o suficiente. Gosto de chacoalhar os incômodos dos outros para ver até onde se incomodam de verdade. Mas é claro q nem todo mundo pensa e age assim, ou precisa ser assim. É só um ponto de vista. 2 – esse seu cálculo desconsidera que as pessoas são movidas por outras relações custo-benefício que não se mede na ponta do lápis. e não estou me referindo a ufanismo/nacionalismo. Minha mãe começou a praticar esporte pq foi assistir a um panamericano em São Paulo sei lá em que ano. Ela achou aquilo lindo (um jogo de vôlei, nem era do Brasil, ela adorou o jogo em si). Estimulou a prática do esporte nela e certamente influenciou a forma como ela educou os filhos. Isso é incalculável. Fora isso, o clima de uma cidade sede no momento dos jogos é sensacional. Falo pela experiência que tive em Sydney, de trabalhar na organização dos jogos. Viver isso não deve ser privilégio de meia dúzia de cidades e também me parece incalculável. Há muitos ganhos que não se consegue colocar numa planilha. 3- Vc não tem noção de como era em 2002… Na verdade, o Estado nas três esferas tinha perdido capacidade de gestão, pq o foco era não gastar nada (pela conjuntura da época, não vou nem entrar no mérito partidário). Qdo se resolveu (e foi possível) voltar a investir, nada estava organizado pra isso. Ainda há muito a fazer, sem dúvida. Mas só tem noção real da evolução quem diariamente tem que se esforçar para mover a máquina pública. Até o Bresser reconhece que houve melhora do ponto de vista da gestão pública nos últimos dez anos. 4- Quanto medo ideológico! Benchmarking é benchmarking, não pode ter preconceito, não 😉 5- Precisa melhorar muito a gestão antes de qq outra coisa ser obrigatória nas públicas. A “autonomia” de cada universidade gerou um monte de distorções (autonomia com o “bolso” alheio, no caso, o Tesouro Nacional). E juntando com seu comentário posterior, não me parece muito eficiente que cada esfera de governo (União, Estado, município) tenha um setor especializado em cada esporte para pensar e executar a política específica daquele esporte. Por isso insisto nas federações e confederações, que são quem, teoricamente, compreende bem o esporte, suas necessidades, e poderiam propor as melhores políticas para aquele esporte ao poder público, articular os agentes envolvidos, enfim, fazer girar. O gov deve dar estrutura, recursos. Os CEUs eram muitíssimo bem utilizados para promover cultura, educação física e lazer na gestão Marta. Foi para isso que foram criados, não para a política de esporte competitivo. O que não significa que não poderiam integrá-la, mas não dá para pensar de maneira isolada, a meu ver.

        Longe de mim querer esgotar essa discussão. São só algumas opiniões que achei importante contrapor. E sem patrulhamento ideológico ou partidário, pelamordedeus. As opções político-partidárias são meras consequências da visão de mundo construída pela experiência de vida de cada um 🙂

  12. Carlos Vieira de Moraes
    23 de outubro de 2012

    Prezados, a política na natação competitiva é bem parecida com a que vemos em nossa política nacional : dirigentes que se perpetuam, escolha de locais de campeonatos sem condições técnicas ( piscina sem aquecimento , locais distantes , infra-estrutura ruim ) e por aí vai !

    No CPM temos feito a nossa parte …

    Munhoz , te procuro num sábado pela manhã com o pessoal do master.

    A conta do café ficará para um amigo comum , Renato Cordani, que por sinal precisa voltar a frequentar as piscinas aonde aprendeu a nadar …

    Carlos

    • rmmunhoz
      23 de outubro de 2012

      Uma otima ideia, Carlos! Por sinal estou no CPM agora com crianças, prestes a fazer um QNSPN na piscina de cima. Abraços,
      Rodrigo

  13. Pingback: A lição de Felipe Muñoz | Epichurus

  14. Ruy
    25 de outubro de 2012

    Excelente ponto Hoffmann. Só complementando, nossa aventura espacial não foi de toda desperdiçada pois uma das pesquisas levadas pelo brasileiro foi o crescimento do feijão em um copinho com algodão úmido na falta de gravidade. Deve ter sido de muita valia para comparar o tempo de crescimento com as experiências geradas por milhões de crianças aqui no Brasil que também plantaram um feijão nesse copinho.

  15. Eduardo Hoffmann
    29 de outubro de 2012

    Bem, acho que vamos ter que “concordar em discordar”, não é? Argumentos de ambas as partes apresentados, “we will have to agree to disagree”… Saudações!

  16. Pingback: Retrospectiva de um ano de Epichurus | Epichurus

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Publicado em 22 de outubro de 2012 por em Natação.
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