Epichurus

Natação e cia…

A relatividade nem sempre é um e=mc2

Sempre achei sensacional a relatividade das conquistas na natação. Já soube de casos de depressão por causa de uma prata olímpica e já vi explosão de alegria com a conquista do índice para o Troféu Júlio Delamare. Essa relatividade tem um lado ainda mais interessante. Dependendo das circunstâncias, muitas vezes uma conquista teoricamente pequena nos traz mais felicidade e melhores recordações do que um título expressivo. Eu tenho uma história dessas pra contar.

Sempre acreditei que a prova mais nobre da natação (tirando o 200m peito que é hours concour) é o 4x100m Medley. Nenhuma outra prova tem a participação do melhor nadador de cada estilo de uma equipe ou seleção, e particularmente pra mim, nenhuma outra prova me dava tanta vontade de superação e foi justamente nessa prova que um título Paulista me deu uma das maiores alegrias da minha carreira de nadador. Só que pra entender a façanha, preciso começar lá atrás, no Infantil A, pra deixar claro o “relacionamento” conturbado que tive com essa prova.

Em 1982, a equipe Infantil A do Esporte Clube Pinheiros destruiu o recorde paulista do 4x100m Medley e estabeleceu um novo recorde estadual que perduraria por muitos verões. Ali, há 30 anos, iniciava-se minha história com o 4x100m Medley. Quem imaginaria inclusive que daquele revezamento de moleques de 10 e 11 anos do Pinheiros, sairiam três campeões individuais de José Finkel e Troféu Brasil, recordistas brasileiros absolutos, campeões sul-americanos e figuras constantes na seleção brasileira. Dois deles seriam olímpicos e um, onze anos depois, consagraria-se campeão mundial de curta nos 4x100m livre, com novo recorde mundial numa das provas mais sensacionais que tive o orgulho de assistir in loco!

Equipe do Brasil levando o ouro no Mundial de 1993 – Palma de Majorca.

Mas voltando a 1982, Cassiano Leal nadou o costas, eu nadei o peito, José Carlos Souza Jr o borboleta e Miguel Florestano fechou de crawl. O Pinheiros não levava a categoria Infantil A para o Torneio Maurício Becken, temendo um excesso de pressão nas crianças. Ouso dizer, no entanto, que esse revezamento muito provavelmente levaria o ouro no brasileiro infantil. Só que eu não me importava com isso! Era muito moleque pra entender de quebras de recordes e o significado de ser campeão paulista ou brasileiro. Eu tinha o complexo de Mutley onde só me interessava a medalha. Não importava se era de Brasileiro, Paulista ou Regional. O tamanho do metal era mais importante que o campeonato. Por isso o orgulho enorme de ter vencido o Chico Piscina e levado pra casa a gigantesca medalha com o rosto do velhinho estampado em alto relevo.

Sensacional medalha do Chico Piscina, já meio “machucada” no meu quadro de medalhas!

Em 1983, meu pai foi transferido para Ribeirão Preto e por isso nadei toda a fase de Infantil B pela Sociedade Recreativa de Ribeirão Preto, onde fiz amigos que guardo até hoje. Só que o tempo foi cruel comigo e a puberdade não chegava. Sai de atleta de ponta no Infantil A para um baita PEBA no Infantil B. Se não bastasse, a inocência do infantil A ficou pra trás e eu já gostava e entendia bem de natação e minha pebice me incomodava deveras. A ruindade era tanta que para poder nadar o Mauricio Becken de Vitória, fizemos uma tentativa de índice na piscina de 25m do Palestra de Ribeirão Preto e graças a falcatrua das autoridades locais, publicaram oficialmente que os tempos foram feitos na piscina de 50m do Complexo Moura Lacerda e assim consegui o índice para o brasileiro infantil. Meu primeiro brasileiro. Tenho poucas lembranças dele a não ser que a Endira Cordeiro ganhou tudo, mas me lembro de ter me orgulhado de estar lá.

O Infantil B ia passar em branco se não fosse o 4x100m Medley me salvar. Fomos para o Paulista de Verão de 1984 e eu tinha chance zero de medalha embora sonhasse com uma final. Foi sonho mesmo, bem distante, porque a final não veio e não passou perto. O melhor resultado da Recra foi do Mauricio Benedetti que ficou, se não me engano, em 5º lugar nos 100m costas. Claudinei Cesar Pereira, o famoso Traqueta, foi finalista nos 100m peito e o Edmilson Dezordo finalista nos 100m borboleta. Com três finalistas, o 4x100m medley parecia promissor. Mas pera só um minuto, não tínhamos nenhum nadador de livre! Eu só sabia nadar peito e o Traqueta tinha me dado um pau absurdo. Minha esperança é que me botassem pra nadar peito e improvisassem o Claudinei no crawl. Ele era rápido. Com certeza seria melhor do que eu nos 100m livre. Só que o técnico Joãozinho não pensou assim. Chegou pra mim e disse “Amigão, você vai fechar o 4x100m medley”! “Como assim”? Pensei com meus botões. Eu nunca tinha nadado 100m livre na vida a não ser por uma tomada de tempo na própria Recra quando tinha feito míseros 1’07 na piscina curta. O sonho da medalha ficou longe! Sem outra opção, fui encarar o desafio.

A prova começou bem. O Pinheiros de Cassiano e Brucolli brigava com o Luso de Bauru de Zé Guilherme e Munhoz pelo ouro. A Recra estava com um sólido 3º lugar, mas o Espéria e o Paineiras estavam próximos. A distância foi mantida no peito e borboleta e eu iria pular em 3º. A responsabilidade era enorme, até porque do meu lado estava Marcelo Vitorino do Espéria, nome forte da velocidade infantil. Pulei e nadei como se fosse uma final olímpica. Virei os 50m ainda em 3º. O Paineiras já era, mas o Espéria estava somente meio corpo atrás. Não sei como eu segurei o Vitorino, mas o que importa é que eu segurei o Vitorino. Fechei com 1’02 e garanti o bronze. Eu não acreditava, nem no meu tempo, nem no bronze. A molecada de Ribeirão pulava ao lado da baliza (única medalha de estadual na vida para dois dos nossos integrantes) e tive ali, naquele momento, a primeira grande emoção com a natação. Dormi com a medalha de bronze no bolso.

Revezamento Bronze no Infantil B – Paulista de 1984. Claudinei, eu, Dezor e Bene

Premiação do 4x100m Medley. Pinheiros, Luso e Recreativa.

Em 1985, já no 1º ano de Juvenil A, voltei a São Paulo e por causa do William decidi não voltar ao Pinheiros e ir nadar no Paulistano. Foi um decisão bem difícil, mas graças a “amiga” puberdade que finalmente bateu a minha porta, comecei a melhorar sensivelmente meus tempos. Em 1986, no Paulista de Inverno um bronze na inédita (pra mim) prova de 1500m. Bronze que virou ouro no Paulista de verão. Em 1987 eu já era assíduo nos pódios paulistas e finalista de brasileiro e parece que com ciúmes, o 4x100m Medley me abandonou. Alias, não apenas me abandonou como me amaldiçoou. Tirando as vezes que nadei pela seleção brasileira, eu nunca consegui uma medalha sequer de Júlio Delamare, José Finkel ou Troféu Brasil no 4x100m Medley. Honestamente, não cheguei nem perto. A sina de não ter um nadador de ponta de costas nos clubes que representei me perseguiu pelo resto da vida.

Eu sonhava com o William anunciando, de surpresa, um bom nadador de costas para o Paulistano. Eu não to brincando não. Eu de fato sonhava (com certa frequência) com um anúncio do William apresentando algum nadador de ponta de costas, ali nas arquibancadas do Paulistano mesmo. Esse sonho nunca se realizou e nadei com todo o afinco dezenas de vezes pulando quatro, cinco, seis corpos atrás dos meus adversários. Só que uma prova histórica reascenderia minha esperança no 4x100m Medley.

No início de 1988 colocamos na cabeça que venceríamos o Pinheiros na contagem geral no Campeonato Paulista. O Pinheiros não perdia um titulo estadual há a mais de 20 anos e seriamos nós que derrubaríamos essa hegemonia. O objetivo era vencer já no Paulista de Inverno no meio do ano. Não deu! A desclassificação do nosso revezamento feminino e mais uma ou outra zebra nos deixaram próximos, mas o caneco pela enésima vez foi pro ECP! Vencer o Paulista de Verão passou a ser questão de honra.

Eu nunca nadei uma competição (sem polir ou raspar) com tanto afinco quanto o Paulista de Verão de 88. Sai da competição com 6 ouros e 1 prata. Para alívio geral, chegamos na última e mais esperada prova da competição, o 4x100m medley, já campeões. A sensação era de dever cumprido e a alegria era absoluta. Resolvemos fazer um cartaz com os dizeres “Paulistano Campeão” para levar na apresentação do 4x100m Medley. Ao anunciarem o Paulistano, o (Marcelo) Grangeiro subiu na baliza com o cartaz. A torcida foi a loucura, mas a galera do Pinheiros não gostou muito. Ouvimos imediatamente um comentário de um integrante do revezamento pinheirense: “O que adianta ganhar a competição se nunca conseguem fechar com chave de ouro”. O comentário feriu e o Grangeiro ficou nervoso, como era de costume, e partiu pra tirar satisfação. A turma do “deixa-disso” apartou o possível arranca-rabo e a competição acabou paralisada por alguns minutos. Vale lembrar que o Cassiano tinha vencido o 100m costas e o Dalton Uehara, nosso “especialista” no nado, tinha nadado pra 1’07, coisa de 7 segundos atrás do campeão. Os outros três estilos eram relativamente parelhos. Eu tinha vencido o 100m peito, mas o Minguez tinha um tempo muito parecido com o meu. O Luis “Salsicha” Pinho e o Mauricio “Santinho” de borboleta eram também equivalentes, e embora haja controvérsias de quem fechou para o ECP (Salsicha garante que foi o saudoso Mane e eu tenho quase certeza que foi o Polaco) o Grangeiro era teoricamente mais forte que ambos. De qualquer forma, mesmo com a visão mais otimista do mundo, a diferença de 7 segundos do costas poderia no máximo cair para uns 4 segundos. Ou seja, era absolutamente impossível vencer o Pinheiros no 4x100m Medley!

Com adrenalina a mil, chamamos o Dalton no canto e botamos uma pressão absurda nele. Falei “Dalton, se você abrir com 1’05 eu vou buscar o Minguez, doa o que doer” O Grangeiro então berrava com o japonês “Japonês, você vai fazer 1’05. Eu não quero nem saber! Não tem outra opção. É 1’05 ou 1’05 PHORRA!” Dei uns passos pra trás pra verificar em que pé estava a paralisada competição. Enquanto verificava a situação nas arquibancadas eu só via o Grangeiro e o Salsicha gesticulando com o Dalton e o japonês com um rosto sombrio. Na hora me passou pela cabeça que a pressão ia fazer o cara piorar o 1’07 e iriamos passar vergonha. Me aproximei pra tentar por um basta na “bronca” e pra minha surpresa vi o Dalton ficar de pé e dizer “Pode deixar comigo, vou fazer 1’05 com certeza!” Aquela frase do Dalton foi uma das frases que mais me surpreenderam na vida e minha motivação que já estava alta, se transformou em determinação absoluta. Acho que nunca tive tanta vontade de ganhar uma prova como naqueles minutos que precederam o 4x100m Medley do Paulista de 1988!

A prova começou e o Cassiano abria vantagem, mas ela não parecia tão absurda quanto eu esperava. Na verdade os primeiros cinquenta foram até bem parelhos. Eu não sei quanto o Cassiano fez (acho que piorou o tempo da prova individual), mas o Dalton fez 1’05 e eu pulei na água com sangue nos olhos. Eu estava um corpo e meio atrás do Minguez. Nadei pra buscá-lo…e busquei. No 75m eu já estava só meio corpo atrás. Entreguei atrás na batida de mão. Salsicha e Santinho pularam praticamente juntos e nadaram lado a lado a prova toda. Grangeiro pulou junto do ultimo homem pinheirense e ali eu tive a certeza absoluta da vitória. Segurar um Grangeiro numa final de revezamento era papel para poucos… pouquíssimos. O Grangeiro abriu mais de um corpo nos últimos 50m. Chegou e numa atitude meio antiesportiva (mas justificada pelo precedente) saiu da água antes mesmo do Pinheiros bater na borda. Agente pulava junto! A desclassificação (que não houve) não importava mais! Ganhamos o Paulista e fechamos com a impossível chave de ouro.

Cinco anos depois eu nadaria a final do 4x100m Medley no Campeonato Mundial (de curta) de Palma de Majorca para um 5º lugar e recorde sul-americano. O maior feito da minha carreira ao lado daquele mesmo Junior de 1982 e dos grandes Romero e Gustavo. Foi a ultima vez que nadei o 4x100m Medley em grande estilo. Tenho plena consciência que um 5º lugar de Mundial é muito, mais muito mais relevante que um titulo paulista, dos quais tenho dezenas. Quando olho em retrospecto, tenho muito orgulho dessa 5ª colocação, mas felicidade igual aquele ouro no Paulista de 88 eu não tive outra, salve talvez pelo recorde brasileiro nos 200m peito, no Finkel de 1995, com o pré-anúncio do Mario Xavier. Pesos bem diferentes sem dúvida, mas agente não escolhe nossos momentos de maior alegria! Essa imprevisibilidade ou relatividade da vida e’ sem duvida a que a torna tao fascinante!

27 comentários em “A relatividade nem sempre é um e=mc2

  1. Lelo Menezes
    18 de outubro de 2012

    Opa, é preciso ressaltar que falei com o Polaco hoje pra averiguar se foi ele quem fechou o revezamento. O mesmo disse que “apagou” aquele Paulista da memória e que honestamente não lembra. Obviamente isso reforça a tese que foi ele sim que fechou pra prata! Rsrsrsrs!

    • Polaco
      19 de outubro de 2012

      VSF Lelo, disse que não lembrava mesmo deste reveza, mas que lembrava de outros 2 4x200l onde fechei com o granja pulando atras, me buscando e ganhando.
      Realmente aquele paulista foi bem engraçado, com algumas pessoas bem alteradas. Muito bem escrito Lelo.

      • Lelo Menezes
        19 de outubro de 2012

        Calma Polaco! Já fazem 24 anos! Supera o trauma! Rsrsrsrs! Mas agora falando serio! O 4x200m nesse Paulista ganhamos com certa facilidade. Já no de inverno (6 meses antes), o Messias abriu junto com o Luis Soares. Eu cheguei uns 2 segundos atras do Miguel Florestano. Salsicha diminuiu a distancia do Santinho e o Grangeiro te buscou e passou! A sua lembrança deve ter sido desse Paulista de Inverno de 88.

  2. Danilo
    18 de outubro de 2012

    Excelente relato Lelo, lembro desse paulista como se fosse hoje, a competição mais marcante que eu vivi na natação!

    • Lelo Menezes
      19 de outubro de 2012

      Boa Danilão! É fato que você viveu todos esses momentos com a gente!

  3. Rodrigo Munhoz
    19 de outubro de 2012

    Sensacionais lembranças, Lelo… e aquelas fotos de 1984 estão impagáveis! Também tínhamos (tenho) muito orgulho daqueles revezamentos da Luso! Valeu!

    • Lelo Menezes
      19 de outubro de 2012

      Valeu Modena! Eu sabia que tinha essas fotos em algum canto. Demorei pra acha-las! Nós chegamos muito atras de vocês nesse Paulista! Como eu fechei eu não sei a distancia que vocês chegaram do ECP, mas até o meio do borboleta a prova estava pau a pau pelo ouro!

  4. rcordani
    19 de outubro de 2012

    Boa Lelo, tenho alguns bronzezinhos de reveza que foram sensacionais. Nessa prova aí que você mencionou pegamos o bronze com o Edmundo, eu, André Nosé e Amendoim, e me lembro de comemoramos bastante.

    Agora um ponto que sempre achei esquisito era a sua melhora muito grande em revezamento. Isso mostrava seu espírito de equipe (isso era bom), mas ao mesmo tempo mostrava que o sr. nadava a prova dos 100 peito abaixo do seu potencial. Se o sr. nascesse de novo precisaria melhorar isso aí!

    • Lelo Menezes
      19 de outubro de 2012

      Valeu R. Seu ponto é interessante! Nunca parei pra pensar sobre o assunto! Vale uma auto-analise. Um fato curioso é que eu tinha estratégias diferentes pra nadar prova individual e revezamento! Na prova sempre gostei de passar muito forte, já em revezamentos, até por causa da saída livre, eu segurava mais a passagem e tinha mais gás pra volta! Usei essa estratégia uma única vez em prova individual: 200m peito no Finkel de 1995. Coincidentemente (ou não) quebrei o recorde brasileiro!

  5. Marina Cordani
    19 de outubro de 2012

    É isso mesmo, Lelo, é essa relatividade que eu já comentei por alto aqui no blog. Dá para ter as mesmas emoções, mesmo tendo sido mega-peba! E essa emoção é difícil sentir sem ser no esporte. É um natural high!
    Sobre revezamentos, minha geração feminina no Paineiras sofreu… Tinha anos inteiros que a única menina da categoria era eu… E no ano seguinte, 3 nadadoras no primeiro ano de categoria… Eu também tinha sonhos secretos de revezamentos bons… O Paineiras foi ficar bom no feminino na época da Endira, Luciana Fleury, Deborah Nespatti e Vaninha!

    • Lelo Menezes
      19 de outubro de 2012

      Gracias Marina! Me lembro bem da equipe feminina do CPM, que era bem forte inclusive. Essa Vaninha não lembro quem era, mas além das que você mencionou, tinha a Aninha Lee e a Liene Carla Pires que mandavam bem!

      • Marina Cordani
        19 de outubro de 2012

        A Liene e a Aninha eram um ano mais velhas que essas daí. O revezamento de ouro eram essas quatro, e as 3 que você conhecia eram as top mesmo.

  6. Raul
    19 de outubro de 2012

    Esse blog é bom pra c#*%#*! Parabéns, galera.

    • Lelo Menezes
      19 de outubro de 2012

      Valeu Raul!

  7. Rodrigo G
    20 de outubro de 2012

    Se vocês, com tantas participações em Brasileiros e até em campeonatos internacionais, se auto-intitulam PEBAs, como eu poderia me classificar se nem federado cheguei a ser? Parei de nadar aos 16 anos e as minhas melhores lembranças vem do Projeto Nadar.

    Apesar da diferença de estágios que chegamos no esporte me identifico muito com as histórias que vocês escrevem aqui, porque entendo que a riqueza de detalhes e a memória viva de fatos tão distantes só existem porque são fruto de um amor pelo esporte e pelos momentos que foram vividos.

    De certa forma, a natação moldou nossas vidas e nos fez quem somos hoje, tanto nos aspectos positivos quanto negativos, porque acredito que também ficam as frustrações. Muitas vezes quando lembro de passagens em competições e treinamentos, é recorrente que me venha um desejo enorme de voltar no tempo e levar comigo a capacidade de análise e reação que tenho hoje, aos 34 anos, e mudar atitudes decisivas que tomei na minha amadoríssima “carreira” lá nos longínquos 12/13 anos de idade.

    Tudo poderia ter ido além, ter sido melhor, mas apesar disso tenho muito orgulho e muita satisfação dos momentos, dos amigos e das lembranças que a natação me deu.

    Parabéns pelo blog, pelas histórias, pela amizade de vocês que sobreviveu a rivalidade dos clubes e acima de tudo, ao tempo.

    • rcordani
      21 de outubro de 2012

      Prezado Rodrigo, seu questionamento é muito interessante. Tangenciá-lo-ei em um post na próxima quinta feira. E obrigado pelo comentário.

    • Lelo Menezes
      21 de outubro de 2012

      Opa Rodrigo! Muito obrigado pelo comentário! A questão do PEBA é brincadeira! Ou pelo menos parte brincadeira! Aqui no blog temos grandes nadadores (tanto os escritores quanto os que aqui visitam e comentam). Acho que ser PEBA é absolutamente relativo! Convenhamos que se o Phelps chegar amanha e dizer “Everyone is PEBA but me”, acho que ninguém vai poder contestar o cara! Rsrsrsrs!
      Abraços e apareça sempre!

  8. Alvaro Pires
    22 de outubro de 2012

    Bacana demais o texto, soh li hj. Identifiquei varios pontos em comum p variar. Sobre a relatividade de conquistas, fiquei mais feliz qdo fiz indice p o JD de Curitiba 85 do q em todos os cariocas q ganhei. Foi o ano da virada p mim e a tal puberdade tb chegou tarde (o meu padrasto na epoca falava isso p mim mas eu nao aceitava de jeito nenhum, soh entendi qdo o Alberto Klar me falou tb – na minha cabeca, como eu podia perder de varios caras q eu cansei ganhar qdo era mais novo ??? Passei o inf B penando).
    No Fla, era uma briga interna grande e um orgulho entrar nos revez. Era uma emocao maior do q nadar as individuais. E a pressao era sempre muito grande, pela necessidade e, muitas vezes, obrigacao de ganhar, jah q muitos campeonatos se decidiam ali. Tiveram alguns cariocas q dividiamos os revez e ficavamos nos sacaneando p ver quem ganhava. Uma vez no meu 1o ano de senior num revez 4 estilos estavamos Padilha de costas, Paulinho Costa de peito, Fiuza de golfinho e eu de crawl e no outro Zequinha de costas, Renato (Alves) de peito, Julinho (Rebollal) de golfa e o Babalu (Edmundo Jinkings ) de crawl. Cai 1s atras, busquei mas perdi por 0,09, foi uma das maiores decepcoes q tive na natacao !!! Qdo fui ver meu tempo, nao acreditei, depois de 3 anos no Juv B fazendo os mesmos pebas 54″ polido e raspado (e eu sempre abria os revz nos JD, entao nao tinha nocao dos tempos em mov), fiz 53″2, q mesmo saindo em movimento era surpreendente p mim s polimento e raspagem.
    E os duelos c o Pinheiros eram sensacionais !!! Teve um Tancredo Neves, acho q em 87 mas nos 4X100L, q o Alberto me chamou no dia (o Manu – Emanuel Nascimento – , tinha feito 57″ na prova dos 100l, – como ??? – e desistiu da competicao) jah q eu nao ia nadar. Me ligou em casa e falou raspa e vem nadar a tarde. Soh me lembro de falarem p eu abrir o revez e chegar junto c o Polaco, o q eu acho q cumpri direitinho. Pena q no final perdemos por 0,09 e se nao me engano o Fabrizio fechou com o Americano. No JD deste mesmo ano tb duelamos nos 4X100L e ficamos c o recorde brasileiro por alguns anos. Neste o Paulo Jinkings, q era outro cara q nadava p burro os revez, fechou c 52″6 depois de fazer 54″2 na prova, fechando brilhantemente c o Jr vindo p cima dele. Nunca entendi esses caras q nadavam tao melhor o revez mas tinha um respeito enorme.
    Dava tudo p ver o Granja nervosinho no paulista, jah q qdo ficamos amigos ele jah tava mais relaxado e a carreira jah nao era tao importante. E p fechar pena o Pinheiros nao ir ao Mauricio Becken, a medalhinha de bronze no MB de 1981, eh uma das minhas melhores recordacoes da vida de atleta.
    gr ab

    • Lelo Menezes
      22 de outubro de 2012

      Boa Vreco! Você tocou num ponto interessante e que eu nao tinha considerado! Eu nunca nadei num clube que lutava por título brasileiro. Talvez por isso tenha dado tanta importância pra esse título paulista no 4x100m Medley. Pensando bem acho que o Paulista de 1988 foi meu 1º e único título por equipe (sem contar título paulista com o ECP no Infantil A ou títulos sulamericanos pela seleção). O gostinho de ganhar uma competição é muito bacana!
      Abracos

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  10. Carlos
    19 de fevereiro de 2013

    Oi, estudei com o Mauricio Benedetti no colegial, alguém tem notícias dele?

    • Lelo Menezes
      22 de fevereiro de 2013

      Opa Carlos. Infelizmente eu não vejo o Benedetti há uns 25 anos! Talvez alguém de Ribeirao possa te responder!

  11. Fernando Cunha Magalhães
    19 de março de 2013

    Lelo,
    histórias sensacionais. Parabéns pelo relato e superações.
    Gostei muito, além de finalmente entender porque alguns pijamas tem bolso.
    O estilo do ED no pódio está engraçadíssimo.
    E agora tenho minha resposta de que o Chico Piscina já existia há muito tempo. Não sei se era uma competição regional até minha época, fato é que só ouvi falar dela quando já não era mais elegível.

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  15. Carlos Renato Florentino Rodrigues
    22 de agosto de 2017

    Boa tarde. O Bene que voce se refere é o Maurício Benedetti? Pela foto achei que fosse. Vc tem noticias dele por favor? Estudamos juntos no colegial e nunca mais o vi.
    Obrigado.

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Publicado às 18 de outubro de 2012 por em Natação e marcado , , , .
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