Epichurus

Natação e cia…

XXVI PEBA WORLD JACARÉ CHAMPIONSHIP – Relato de um fim de semana

As ondas tubulares com mais de três metros, quebravam sobre perigosas bancadas de corais, enquanto juízes profissionais e milhares de atentos torcedores observavam da praia dezenas de destemidos competidores disputando cada drop daquelas paredes líquidas e azuis… Obviamente, essa superlativa descrição tem mais a ver com aquelas suas revistas Fluir dos anos 80 e bem pouco em comum com o que realmente aconteceu neste fim de semana do XXVI PEBA WORLD JACARÉ CHAMPIONSHIP. Ainda assim, foram dois dias memoráveis para os Pebas de plantão. Antes que perguntem, o “XXVI” é só uma referência a uma amigável disputa de jacaré entre Pebas, no inverno de 1988, em Pitangueiras no Guarujá, quando quase apanhamos dos locais.

De qualquer forma, essa história começou mesmo há uns dois meses, logo após a Copa Brasil de Natação Master em Ribeirão Preto. Ali começamos a planejar seriamente um fim de semana na praia só com os caras. Mas precisávamos de uma desculpa diferente de uma competição de natação e uma motivação a mais para continuar treinando no inverno paulistano. Inspirados entâo pelas epicuristas histórias do Del Mar Bodysurf Club, contadas pelo nosso General (Renato Cordani) e pelos programas do Homem Peixe do Off, ficou claro que precisávamos de um encontro para “pegar jacaré”.

E porque jacaré?  Primeiro, porque isso é algo que temos em comum desde a juventude.  Lembro de pegar umas ondinhas com a galera no Rio e em Santos durante competições. Também lembro de descer para praia depois de campeonatos paulistas com os caras apenas para pegar umas ondas e voltar pra Bauru dois ou três dias mais tarde. Quase nenhum dos Pebas tinham pranchas. Nem nadadeiras levávamos. Além do mais, o jacaré é o clássico “entrar de peito”, talvez a forma mais antiga de descer ondas que o humano conhece.

Decidida a modalidade, o Champz (Ricardo Bonotti) ofereceu a casa de praia e foi proposto o formato de campeonato, apesar de uma certa resistência purista de parte do grupo. A proposta final: Um dia de dedicação as ondas, sem distrações. Como era de se esperar devido a alta concentração de PMs hoje em dia, o quórum acabou não sendo tão alto. Mas os seis Pebas “hardcore” apareceram em Camburizinho, no litoral norte paulista, juntamente com o sol e um swell de sul bem decente, o qual garantiria ondas de 1,5m, com emoção e a certeza de alguns caldos.

No sábado de manhã acordei ali pelas 7hs e aproveitei para fazer um scouting das ondas da região. Notei que em Cambury o mar estava maior, mas as ondas estavam quebrando muito distantes da praia, o que dificultava a visão e o julgamento. Depois de comprovarmos isso in loco – e não sem antes haver bastante voz fininha de um certo alguém “que não queria competição”, mas ficava se poupando – voltamos para Camburizinho. Eram mais de 10hs, mas já estávamos com as chaves sorteadas, aquecidos para as baterias de quinze minutos cada e acertados que aqueles de fora das disputas dariam as notas para os “bodysurfers” de cada bateria.

No 1º embate do dia, entrei com o LAM e levei a melhor, principalmente graças a uma boa onda inicial – um 6, que seria minha melhor nota do dia.  Na 2ª eliminatória Renato e Rrruy entraram mais perto do pico dos surfistas, garantindo ondas maiores. Aí prevaleceu o treino e condicionamento de 1 ano de San Diego do Cordani. Em seguida, Champz e Tulio entraram para a última eliminatória, bem na hora das maiores ondas do dia. Uma onda forte inclusive levou embora uma nadadeira do Champz, para desespero do Renato – o dono das Dafin semi-novas. Mas os olhos de lince do Rrruy rapidamente identificaram as mesmas na espuma e o Renato levou-as de volta ao competidor “manco”. Não houve protestos e a bateria prosseguiu normalmente e bem disputada. No fim, mesmo tendo pego um tubo, Tuliâo perdeu a série por meio ponto, e o Bonotti passou a semi final.

Apesar de cansados, acho que o nível técnico melhorou um pouco dali para adiante, pois passamos a escolher um pouco melhor as ondas, evitando as maiores “fechadeiras” de Camburizinho. Mais tarde, inclusive tivemos algumas discussões se isso foi certo ou não… será que as ondas maiores deveriam valer mais ? Provavelmente, mas aqui somos Peba!

Na repescagem, entraram na água o aparentemente desanimado LAM (era só tipo), junto com o motivado “Tublio” e um cansado Rrruy (não era tipo). Nesta altura, para quem estava dentro da água os 15 minutos já demoravam muito a passar… e o LAM levou a melhor sobre Tulio, com um desempate por meio ponto na 3ª melhor onda.

Passando para a primeira Semi, Renato e Champz se enfrentaram.  Pela segunda vez no dia, houve um incidente com a nadadeira do Champz… Dessa vez foi a minha velha Trifin, que sucumbiu ao delicado pé do cidadão ainda nos primeiros minutos da bateria. Cordani, ofereceu recomeçar o tempo do zero, sem prejuízo da disputa. No fim, a experiência do barbudo lhe garantiu vitória e vimos os primeiros protestos do dia, juntamente com uma discussão sobre os problemas da subjetividade das notas em esportes que dependem de avaliação de juízes.

Na segunda Semi, enfrentei o raçudo LAM novamente – e ninguém estava pra brincadeira. Tentei evitar o desgaste nos primeiros minutos, e acabei dividindo um par de ondas com ele, enquanto tentávamos encaixar alguns parafusos e manobras. Chegando na praia, ao fim dos 15 minutos, ainda ofegante e sob certo suspense, me avisaram que apenas a última onda havia me assegurado um espaço na final contra o Renato. Ato contínuo, já fui convidado a cair para a Finalíssima em 15 minutos… dureza. Como finalistas, pedimos dois sucos de maracujá na barraca do Jonas (ou Joca para os íntimos) e botamos na conta do “Ricardo da Eneida”, o que foi bem prático mais uma vez. Uns vinte minutos mais tarde, estávamos entrando no mar para mais uma sessão com o pulso sempre na casa dos 160…

Cordani, melhor preparado e um pouco mais descansado, começou mais forte, dropando duas ondas antes da minha primeira. Mas ele recebeu notas iniciais baixas dos duros juizes (3, 2, 3 e 3) e acabei tomando a dianteira depois de um 4 e um 4.5 na terceira onda. Com câimbras na parte posterior da coxa (as nadadeiras Viper são dureza), estava tentando escolher minhas ondas com cuidado, enquanto a produtividade do Renato continuava alta. No fim, o maior volume de bodysurf do meu adversário (pegou 8 ondas contra apenas 5 minhas) e a qualidade das suas ondas finais lhe garantiram a merecida vitória no campeonato.  Nos cumprimentamos ainda na água, e fomos ouvir as gozações costumeiras sobre estilo (ou falta do mesmo), manobras mal sucedidas, “piruetas” e eventuais afinadas para algumas ondas mais cavadas.  No fim, acho que ninguém estava se importando muito com quem ganharia, até porque o resultado mais “lógico” – vencendo aquele que treinou mais – prevaleceu.

Diante da churrasqueira (com “ventinho por baixo”) no fim do dia já começamos a planejar a próxima edição deste épico evento, torcendo para que mais Pebas embarquem nessa recém nascida tradição. E mais tarde, durante a dietética sobremesa noturna – churros com sorvete do Rochinha – já estávamos discutindo, sem chegar numa conclusão, a necessidade ou não de pontuação por notas em campeonatos de jacaré futuros. A ausência de “peer evaluations” economizaria umas discussões e mimimis, mas talvez não fique tão divertido.

No domingo, ainda fizemos mais uma sessão livre nas ondas de Cambury, dividindo o mar com o crowd de surfistas, em ondas “clássicas” e muito sol. Cansados de tanto mar e queimados de sol, subimos a serra com as boas memórias de um fim de semana sensacional e algumas reflexões. E é bom eu parar por aqui, que este post já ficou longo demais… Espero que gostem das fotos!

Sobre Rodrigo M. Munhoz

Abrace o Caos... http://abraceocaosdesp.wordpress.com

25 comentários em “XXVI PEBA WORLD JACARÉ CHAMPIONSHIP – Relato de um fim de semana

  1. Miyahara
    15 de setembro de 2014

    Sensacional! As fotos ficaram muito boas!

  2. rcordani
    15 de setembro de 2014

    Esse é o tipo do final de semana que depois que acaba a gente pensa: por quê não fazemos mais vezes?

    Decreto aqui estipularmos um mundial por ano, e outras sessões de treinamento, afinal se por um lado NO PAIN NO GAIN, por outro esse calendário até o próprio Epicuro aprovaria!

    • Rodrigo M. Munhoz
      15 de setembro de 2014

      Pois é… e o senhor ainda perdeu a Sunday Session… Mas por mim, tá aprovado! Conto com uma meia duzia de pontas firmes que sempre vão aparecer.

      • rcordani
        15 de setembro de 2014

        Até aí… o sr perdeu a Friday session….

  3. LAM
    15 de setembro de 2014

    Tsc, tsc, tsc…
    “Este esporte de criterios subjetivos não tem surpresas, sempre leva aquele com a maior cota de patrocínio”
    Voto pela profissionalização dos juízes!!

    • Rodrigo M. Munhoz
      15 de setembro de 2014

      Boa, LAM. Você contrata os juizes da federação internacional de bodysurf no ano que vem! Até lá, vamos praticar pra ver se saem umas manobras fora da espuma! 🙂
      Abrtz!

  4. Alemão
    16 de setembro de 2014

    Adorei o post

  5. Vreco
    16 de setembro de 2014

    Hehe, sensacional ! Parabens aos herois. abs

  6. Julio Rebollal
    16 de setembro de 2014

    Muito bacana o post, mas há muito tempo eu não via tantas ondas boas desperdiçadas! Devem ter tomado altas “vacas”!!

    Só pegaram espuma! E os caras que só pegavam espuma eram chamados de “sabão em pó”!!

    Tinha espuma demais até no chope!!

    Ok, ok, a última onda do Cordani foi bacana!!

    Da próxima vez, é melhor chamar um carioca da gema para mostrar como é que se faz!!

    Brincadeiras à parte, gostei muito do post!

    Parabéns para todos.

    • Rodrigo M. Munhoz
      17 de setembro de 2014

      Grande Rebollal! Pois é… as notas foram meio baixas por isso… e teve cara que reclamou! Mas proponho que no proximo evento jacarezistico-epicurista o time do RJ compareça para um amigável embate com os Pebas de SP, ok? Um abraço!

      • rcordani
        17 de setembro de 2014

        Munhoz, se a gente já tomava cacetada nas piscinas, imagina no mar!

        Melhor deixar para uma competição de pizzas, aí sim somos imbatíveis!

        Agora, chope sem colarinho, sei não….

  7. Rodrigo M. Munhoz
    17 de setembro de 2014

    Tem que ser um “friendly” por isso Renatão! Os caras moram na praia… devem pegar onda todo dia ainda por cima…

  8. Julio Rebollal
    17 de setembro de 2014

    Epa, moram na praia não!! Meu escritório é que é na praia! Por isso só não vou lá aos sábados e domingos!

    Além de serem dias de descanso, a praia fica cheia de “sabão em pó” com boias de câmara de pneu de caminhão e canja na garrafa térmica! Isso sem falar nos torneios amadores de jacaré!

    Agora falando sério: vocês estão temendo o embate sem motivo. Há quase 20 anos que moro em Belo Horizonte, ou seja, a cerca de 450km da praia mais próxima. Apesar de que, nos feriadões, indo de carro, eu chego na praia mais rápido do que vocês…

    Como quem desdenha quer comprar, é só convidar para o próximo PWJC e marcar com antecedência, assim vou treinando na Lagoa da Pampulha, que por sinal está lotada de jacarés.

    Quanto ao chope é sempre recomendável que tenha espuma. Na verdade, só fiquei preocupado: achei que já tinham engolido espuma demais para um final de semana!

    Show de fotos e show de evento!! Parabéns!!

    • anonimo
      18 de setembro de 2014

      tirando onda pra quem nao superou o cagalhasso das morras do leme. a lagoa poluida e’ mais apropriada

      • Julio Rebollal
        20 de setembro de 2014

        Demorou para aparecer “anonimo”…

        Como sou mais Voltaire do que Robespierre, “posso não concordar com nada do que você diga, mas defendo até à morte seu direito de dizê-lo.”

        Eu peguei muita onda no Leme. Em alguns dias, quando não tinha treino, acordava cedo e aproveitava o mar das 05 às 06 da manhã. Depois ia para casa, tomava um banho, comia algo e ia para a aula.

        Mas realmente, quando estão grandes, as ondas do Leme não são para qualquer um, principalmente pegando “jacaré”. Elas quebram retas, sem muita área de escape. O peso da água nas costas é enorme. Quase luxei o ombro uma vez. É de meter medo mesmo. Umas duas vezes eu deixei de entrar por achar que não ia me garantir.

        E por falar em medo, você deve ter algum (ou vários), uma vez que não pode se identificar. Talvez vergonha de si mesmo? Trauma de infância? Imaturidade?

        Engraçado, algumas vezes, quando escrevo algo, você aparece.

        Isso significa que tem alguma raiva, inveja ou algum recalque mal resolvido comigo. E isso te deixa cego.

        Porém, parece que você não consegue perceber o que está escrito nas entrelinhas.

        Cara , você não percebeu que o fato de ter sido irônico com o encontro significou que eu fiquei com vontade de ter estado lá? Mesmo que eu ficasse com medo e não entrasse na água. Eu até deixei claro quando escrevi que quem desdenha quer comprar!

        Pelo pouco que você escreveu eu suponho que você deve ter entre 40 e 45 anos. Criado na Zona Sul do Rio (Leblon, Ipanema, Gávea ou talvez Barra, que já é Zona Oeste) e provavelmente ainda mora por aí, já que usa gírias típicas. Isso sem falar no neologismo, desculpe, na invenção de palavras.

        Do Rio sinto falta de duas coisas: dos amigos de infância e da Praia de Ipanema e do Leblon. Cara, você é um privilegiado! Sem ironias!!

        Deve ter sido nadador de provas rápidas, uma vez que não tem paciência para digitar em português correto ou, simplesmente usar o corretor.

        Para ter tanta raiva, deve ter perdido muito para mim. Aposto que ficava feliz quando outro nadador me vencia, ou seja, “gozava com o pau dos outros”! Certo? Também pode ser algo passional…

        Nas competições, sempre colocava a culpa nos outros ou em fatores externos: o bloco, a água, a raia, os óculos, na meteorologia, no técnico, na cama do hotel, na viagem, na comida e por aí vai…só não conseguia olhar no espelho.

        Não sei o que fiz para que você tenha tanta raiva até hoje, mas seja o que for, peço desculpas e deixo uma sugestão:

        Resolva isso! Procure ajuda profissional! Sua vida vai melhorar demais.

      • Fernando Cunha Magalhães
        20 de setembro de 2014

        Pô, Julinho passou uma descompostura na categoria no tal do anônimo.

        A ideia da terapia é boa.
        Comecei a fazer este ano e estou achando ótimo.

  9. Fernando Cunha Magalhães
    20 de setembro de 2014

    Muito legal, Munhoz.
    Ondas grandes e ótima companhia.
    Abraços a todos.

    • Rodrigo M. Munhoz
      22 de setembro de 2014

      Valeu, Esmaga! Podemos marcar uma em Floripa ou numa praia mais proxima de CWB na próxima edição também…
      Mas mudando de pato pra ganso… Terapia é bom mesmo e achei muito boa a dica do Julio não apenas pro anônimo, mas também para o coletivo. IMHO, tudo a ver com o “Life, Liberty and Pursuit of happinness” da carta magna americana, que eu acho bem interessante.
      Abrtz a todos!

      • LAM
        22 de setembro de 2014

        Boa Julinho! Mandou bem na resposta

  10. anonimo
    22 de setembro de 2014

    Passagem cheia de presuposto. A arrogancia continua clara na presunção de alguem sente prazer de verificar suas derrotas ou garanita de recalque contigo. Palavriado xulo foi desnecessrio em vista do nivel do blog, mas se fosse gozar com pau de outro, nao seria com o seu, tao comentado, pau-fininho.

  11. Julio Rebollal
    22 de setembro de 2014

    Viva Freud!! Viva Lacan!! Viva a psiquiatria/psicologia como Ciência! Que maravilha é o inconsciente!

    Anônimo você é sensacional! Muito previsível! Reagiu exatamente como esperado! Inclusive na mesma hora do dia, um pouco antes do expediente terminar! Portanto acertei na mosca!!

    Concordo com você quando escreveu: “…mas se fosse gozar com pau de outro, nao seria com o seu…”.

    É claro que não seria com o meu. Se fosse com o meu significaria que você gostou de algo que fiz.

    Por exemplo: eu gozei com o pau dos caras que fizeram o PWJC! Foi muito maneiro! Ondas, visual, cerveja, pizza, diversão e ainda rendeu um post!! Fiquei feliz com o prazer que eles tiveram, entendeu?

    Assim, como você tem essa “coisa” mal resolvida, afinal já é a sua terceira reação, não vai nunca gozar com o meu pau. Só vai ter prazer quando eu me der mal, certo?

    Agora, só não entendi você chamar de “tão comentado”. Epa, peraí: deve ser lance de ex-namorada!!

    Por isso essa raiva toda…

    Mas como diz o meu vizinho do 802: “Vamos em frente!” Afinal já tem outro post aí!!

    • .
      23 de setembro de 2014

      talvez quem pegou o bluffe foi tu, sangue. Concordo com o 802, bola pra frente.

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