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Natação e cia…

Minha Experiência Olímpica…

Os jogos Olímpicos do Rio de Janeiro foram os primeiros que vi presencialmente e resumo minha experiência assim: “Se eu tivesse assistido, in loco, os jogos de Barcelona, tenho hoje convicção que não teria desistido do sonho olímpico tão prontamente como fiz depois do mau resultado nas seletivas de 1992”.  Acredito que essa frase define perfeitamente o quão sensacional foram meus dias no parque aquático assistindo as finais de natação.

O Parque Olímpico, com suas várias arenas, ficou pra lá de bonito e foi uma experiência sensacional perambular por ali vendo gente do mundo todo se divertindo e torcendo por todo tipo de esporte.  A entrada foi rápida, a revista foi rápida, a verificação do ingresso foi rápida e pra mim, o mais importante, comprar cerveja foi relativamente rápido.  O transporte até o PO foi tranquilo, embora voltar pra casa estivesse meio caótico com filas homéricas para pegar o BRT por volta das 2 da matina, mas esperto e brasileiro que sou, logo conheci um “morador” credenciado e o contratei para o translado da volta e minimizei o possível perrengue.

Arena da natação

Arena da natação

Os meus Highlights:

  • A entrada pela primeira vez na piscina foi um momento épico. Fiquei alguns segundos ali parado, contemplando tudo!  Foi um momento bem emocionante.   Caiu a ficha instantaneamente que em minutos eu presenciaria história no esporte que dediquei boa parte da minha vida.
1ª foto na piscina

1ª foto na piscina

 

  • A organização é perfeita, a apresentação dos atletas, narração, premiação e volta olímpica totalmente coreografadas.
Organização foi top

Organização foi top

  • O Phelps realmente é um cara de outro mundo. Simpático e emocionado em todas as premiações, mesmo depois de ter subido no degrau mais alto do pódio mais de 20 vezes.  Impossível não torcer pelo cara!  Tive o privilégio de assistir sua última participação olímpica.
A lenda

A lenda

  • Eu nadei dois Mundiais e treinei muitos anos nos EUA, portanto, já tinha convivido com o ambiente multicultural de atletas do mundo todo, mas quando se é atleta não se presta muita atenção nas arquibancadas. Dessa vez, como espectador, a torcida é um show à parte.  Segue algumas histórias curiosas que eu presenciei:

 

  • Sentei muito próximo ao Prince Albert II de Mônaco e o vi vibrar timidamente com o WR de Sarah Sjostrom no 100m Borboleta.

 

  • Dan Stulbach sentou atrás de mim no dia da semifinal dos 200m Medley. Tirou muitas fotos, mas segundos depois da prova do Thiago, saiu correndo e não voltou mais.  Nesse mesmo dia vi o hollywoodiano Matthew McConaughey.

 

  • Um inglês, sentado bem na minha frente, com bandeira nas costas estava nervosíssimo antes da prova do 100m peito. Andava de um lado pro outro e pensei em mandar um “SENTA” pro cara.  Adam Peaty destruiu o WR e o inglês, mais pra Elton John do que pra Mick Jagger foi à loucura!  Minha esposa, perguntou se ele queria que ela tirasse uma foto dele com a piscina ao fundo e ele recusou dizendo “No, thanks!  I need to get down to talk do Adam or he will be mad with me!” e desceu correndo as escadas.  Será que…

 

  • Também na prova de 100m peito, a minha esquerda, um moleque solitário se enrolava na bandeira do Cazaquistão. Pensei “Caraca, o Cazaquistão, país do Borat, existe! ”.   Demorei pra perceber que tinha um nadador deles na raia 8.  O que eu não sabia é que esse mesmo nadador, na mesma raia 8 nos 200m Peito, levaria o ouro olímpico.
Ouro pro Cazaquistão

Ouro pro Cazaquistão

  • No dia da Final dos 200m Livre feminino, um tiozinho italiano berrava feito um louco pra Federica Pellegrini. Cheguei a achar que fosse o pai da moça, mas notei que o italiano estava pra lá de Bagdá de bêbado e assumi que era só um chato mesmo.  Durante a apresentação das finalistas, virou pro lado onde sentavam 3 americanos, um deles com cara pintada de azul e vermelho e disse num inglês horroroso “Today Fede (pelo visto o apelido da Pellegrini) gonna win Ledecky.  You see!”  Os americanos deram um sorriso amarelo, mas não caíram na provocação.  A prova começou e o tiozinho passou a berrar feito um louco, mas uma garotinha ao lado dele (provavelmente a filha) deu uma bronca no cara, e ele se acalmou.  Fede acabou em 4º e o italiano sumiu depois da prova.
Ouro da Ledecky nos 200 Livre

Ouro da Ledecky nos 200 Livre

  • Foi muito bom rever alguns amigos nadadores que não via a muito tempo, mas foi especial rever meu técnico de longa data, o William, agora como comentarista da ESPN e o atual técnico da seleção brasileira, bi olímpico, Amendoim, amigo de décadas, PEBA de coração, mas grande técnico de natação.
Com William e Junior

Com William e Junior

  • Teve também o lado negativo. Vi muitas vaias para os atletas russos, em especial para a Efimova.  O curioso é que as vaias não partiam dos brasileiros, até porque não temos moral para vaiar dopados, mas sim de americanos, suecos e franceses.

E a performance brasileira?

Não achei que o Brasil foi esse show de horror que muita gente pintou.  Foi abaixo das expectativas como quase sempre é em Olimpíadas, mas não deu vexame dentro d’água, talvez fora dela, com declarações pra lá de equivocadas.  Não ganhamos medalhas (não vou considerar as águas aberta porque é outro esporte), mas tivemos número recorde de finais (oito).  Acho essa informação significativa, embora deveríamos ter ido melhor… bem melhor.  Julian Romero fez uma análise sensacional da performance técnica da nossa equipe.  Você pode ler aqui, mas adianto que somente 8% das atuações brasileiras alcançaram melhores marcas.  O objetivo máximo de qualquer nadador é atingir seu melhor resultado da vida nos jogos olímpicos e falhamos miseravelmente nisso, mas é importante frisar que, dada a realidade brasileira, não é uma tarefa das mais fáceis.

Primeiramente nossa equipe é velha.  Não é pouco velha!  É velha pra cassete!  Provavelmente a mais velha entre todos os países participantes.  Velhos tem mais dificuldade de melhorar tempos.  É uma questão fisiológica.  Assim como a CBDA precisa de renovação, nossa equipe também.

Precisamos de mais investimento na base, mas o Renato já escreveu detalhadamente sobre isso aqui.  Enquanto isso não vem (se é que um dia virá) precisamos mudar o claro objetivo de “ir para as olimpíadas” para o muito melhor “ir bem nas olimpíadas”.  Podemos começar com uma mudança simples:  A seletiva única como faz os americanos.

E vale frisar, triste que é, que 40% dos nossos finalistas olímpicos em provas individuais tem histórico de doping.  Um número estarrecedor.  O combate ao doping tem que fazer parte da agenda da CBDA e tem que ser incansável.

Pois é, temos muito a melhorar e olha que o futuro vai ser bem árduo, porque a grana pública vai secar e a estreia dos nossos jovens talentos em Olimpíadas, Brandon Pierre e Matheus Santana foi desastrosa.  Em 4 anos muita coisa muda, mas o prognóstico pro Japão não é nada bom!  Se não der pra melhorar os tempos, que pelo menos melhore nossos discursos pós-prova, já que pra isso um cursinho de mídia training resolveria! Pelo menos Lotche não é brasileiro!

Phelps com ouro no 4x100 Livre

Phelps com ouro no 4×100 Livre

 

PEBA no telão

PEBA no telão

 

Parque Olímpico sensacional

Parque Olímpico sensacional

 

4x100 Livre

4×100 Livre

 

Arena

Arena

5 comentários em “Minha Experiência Olímpica…

  1. luizcarvalho1
    20 de agosto de 2016

    Ótimo comentário! Acho que estivemos lá nos mesmos dias. Vi 3 recordes mundiais em uma noite: 100B fem, 100P masc, 400L fem e o primeiro ouro do Phelps no 4x100L. Na noite seguinte, grandes provas também. Encontrei pouca gente conhecida, achei a piscina nota 9. Não dou 10 porque o erro de projeto que deixou uns 10-15% da arquibancada com visibilidade zero foi infantil. Não dei a mesma sorte nas filas, sempre demoradissimas. Ambiente geral nota 10.
    Participação brasileira achei ruim. Não pela falta de medalha mas pela piora significativa de tempo de vários atletas. Coisa de piorar 1 a 2 segundos em prova de 100 não é “normal”….piorar 3 segundos em prova de 200 também não é.
    Minha maior decepção foi a mesma que a sua. A fraca atuação dos “novos” Brandonn Pierre e Mateus Santana. O Mateus não fazia 48 e baixo uns 2 anos atrás? Agora nada no meio do reveza para 48 e alto… O que se passou?

    • Fernando Cunha Magalhães
      24 de agosto de 2016

      Se soubéssemos o tempo do ouro do 4x100m livre, há dois anos, e não soubéssemos o país vencedor, daria fácil para acreditar que poderia ser o Brasil… mas o potencial se esvaiu.

  2. Pingback: Quem não foi, perdeu… | Epichurus

  3. rcordani
    24 de agosto de 2016

    A pior parte do seu relato é quando você constata (acertadamente) que a nossa seleção é velha e que o prognóstico para o Japão não é nada bom. Isso mostra que o investimento MACIÇO nos atletas que já eram bons (altiutude, estrutura, salários, etc) tende a envelhecer a seleção, gastar muito dinheiro e não resultar em resultados e nem em renovação. Enfim, uma lástima!

  4. Fernando Cunha Magalhães
    24 de agosto de 2016

    Sensacional Lelo! Uma super experiência, e que relato bacana. Valeu!

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Publicado em 20 de agosto de 2016 por em Natação.
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