Epichurus

Natação e cia…

Fechando a competição com (bom) ódio!

Na minha opinião, Thiago Pereira nos deu hoje mais uma amostra do quão forte está mental e físicamente. Mesmo sem treino específico para os 400 Medley, meteu bronca, suou para entrar na raia 8 da final e, no fim, trouxe um ótimo Bronze, seu segundo na competição.

O mais interessante da prova me pareceu o fechamento, ou seja, os últimos 50m… Nem sempre Thiago brilha neste fundamento e por isso, muitos epichuristas nem se animaram tanto com a virada dos 300m dele em terceiro, atrás dos dois japoneses. Era de se esperar um quinto ou algo do tipo (o que ainda seria ótimo, diga-se de passagem) com o Kosuke Hagino disparando na frente. Qual o quê?! Dessa vez o Pavarotti foi dar as caras justamente com o favorito:  O versátil (mas cansado) Hagino teve a pior parcial dos últimos 50m na final por mais de 1 segundo, ficando apenas em quinto…Como se diz “travada” em japonês ? Ver aqui: Total_Ranking400MedBCN2013

Melhor para o brasileiro, que não apenas fechou forte, mas teve o melhor parcial final da série, com um respeitabilíssimo 28″04. Tamanha força chegou a ameaçar a prata do americano Chase Kalisz e se tivesse mais uns 10m, ameaçaria o ouro do japonês Daiya Seto. Tudo bem… talvez eu esteja exagerando, pois se houvesse mais 10m, acho que uma poderíamos é ver uma tragédia na piscina, tamanha a dor que estava estampada no rosto do Thiago.

Mas, como eu disse mais cedo, nessa prova, a dor é uma certeza. Creio que deve ser por isso que tantos atletas de talento – como o próprio Thiago – a odeiam. Mas, apesar de sermos testemunhas desse sofrimento, é uma bela prova de se assistir. (N.do A. Será que somos epichuristas/sádicos? Vejo um novo tema de post para o futuro). Hoje então… fomos testemunhas de maestria na água, muito bem recompensada pelo pódium, belamente fotografado pelo Satiro Sodré, por sinal.

Hoje o Thiago reafirmou que apesar da conquista, ainda odeia os 400 Medley e já anunciou que essa foi a última vez.  Tudo bem que Phelps e Cseh se aposentaram e o Lochte está menos focado na natação, o que daria um campo menos “crowded” para 2016… mas não posso culpá-lo, pois realmente há provas mais prazeirosas para se nadar. Especialmente para quem tem talento e versatilidade incomuns esse “ódio” é perfeitamente compreensível, já que opções estão prontamente disponíveis.

Contudo, um amigo epichurista sempre tenta nos fazer perceber que o amor e o ódio às vezes andam juntos. Por isso, digo: Continue odiando, caro Thiago, pois está funcionando!

E assim, com um ódio que rendeu bom fruto, chega ao fim esse 15o mundial de esportes aquáticos. Apesar de não ter se equiparado às 18 finais de Roma, nem aos 4 ouros de Shanghai, creio que o Brasil foi bem: 12 finais, 10 medalhas e 11o lugar. Pelo menos, foi bem melhor que minha previsão de 6 finais.

Minha opinião sobre a performance brasileira, tem altos e baixos. Para começar, acho que a seletiva única sempre será uma boa. Nossos nadadores, treinadores e cartoals tem que se acostumar com isso. Os meus HIGHLIGHTS vão para (sem nenhuma ordem específica):  O time de águas abertas, que traz 5 das 10 medalhas conquistadas ; Cesar Cielo que mostrou – com duplo ouro – que o lance do joelho está totalmente superado e a confiança está merecidamente em alta; para as meninas (devo tomar um pescotapa por essa) que obtiveram não só uma coleção completa de metais nas travessias, com a Poliana e Ana Marcela, mas também uma marca histórica com o 4o lugar da Etiene Medeiros; o número de provas e finais nadadas, com 4 recordes sulamericanos  e Thiago Pereira – duplo bronze nos medley, na experiência e com raça. (N.do A. Em um faux pas homérico, esqueci de apontar um dos maiores highlights deste mundial: O histórico  Bronze no Peito do Felipe Lima. Obrigado ao Hoffman por apontar a falha nos comentários aí embaixo)  Para os LOWLIGHTS, penso em poucas coisas: Queda no ranking da competição – que era um risco óbvio vindo de um 4o lugar meio absurdo em 2011; Revezamentos que foram até que bem, no caso do 4x100Liv (7o) mas pareceram incompletos; vários tempos piores do que em competições locais.

Acredito que a natação brasileira passe por algumas renovações e mudanças, mas temos boa parte do time de líderes para o RIo 2016 já formado. Com menos de três anos para a competição mais importante da história da natação brasileira, a esperança deve ser que aprendamos com toda a experiência oferecida. E que, com o aprendizado, melhoremos. Boa sorte e ainda mais sucesso para todos!

Sobre Rodrigo M. Munhoz

Abrace o Caos... http://abraceocaosdesp.wordpress.com

22 comentários em “Fechando a competição com (bom) ódio!

  1. Patricia Angelica
    5 de agosto de 2013

    Munhoz, adorei o post… agora vamos aos comentários:

    HIGHLIGHTS
    – Águas abertas foi um show à parte do Brasil! Sensacional é a palavra! Mostra um trabalho REAL dos atletas, técnicos e até da CBDA
    – Cesar Cielo realmente mostra que é O CARA… e digo mais: hoje ele falou ao SporTV, da cabine da emissora em BCN, que voltará a nadar os 100 livre e quer os reves… custo a acreditar, pelo perfil já mostrado por ele… o que, pra mim, faz as duas bronzeadas MUITO MAIS valiosas do que as douradas do Cesar…
    – Meninas do Brasil nadaram revezamentos por pré-classificação da CBDA… só achei realmente positivo o recorde do 4×100 livre. Sobre o número de provas nadadas, muitas delas (como Manu Lyrio baixando dos 2min nos 200 livre, Carol Bilich nos 400 e 800, Daynara nas suas provas individuais, Etiene nos 100 costas e outras), só nadaram por estarem pré-classificadas em outras provas (no caso, os revezamentos)
    – Poliana e Ana Marcela são um caso à parte… sonho em ver algo parecido com as águas abertas na natação de fundo…
    – Etiene Medeiros foi quarto lugar em prova não olímpica… o quinto lugar da Gabi em 2009, nesse ponto é mais valioso…
    – Thiago Pereira, como disse acima, pra mim, teve mais valor com suas duas de bronze do que os ouros do outro!

    LOWLIGHTS
    – Queda no ranking da competição, como vc disse, já era mais q esperado…
    – Revezamentos é aquilo: complicado, no caso das meninas, principalmente, você colocar as meninas, com tampos tao díspares do resto do mundo pra competir assim… num acho que isso dê a experiência que tanto querem… falo disso no meu TCC, espero que vocês leiam no Loucos Por Natação! a partir de quarta-feira… hehe!
    – Vários tempos piores do que em competições locais: isso é um problema quase crônico da natação brasileira… num consigo entender… quer dizer… tentei entender… também tem algo sobre isso no meu TCC… 😉

    Enfim… é só a minha opinião… =)

    • Rodrigo M. Munhoz
      5 de agosto de 2013

      Valeu, Patrícia. Ótimos pontos de quem realmente acompanha de perto a natação. Alguns highlights carecem de profundidade – na falta de melhor palavra. Forte o seu ponto sobre os bronzes do Thiago, mas a Cesar o que é de Cesar, pois ouros no Mundial são muito importantes. Sobre a declaração dada no calor do fim da competição… espero que ele tenha sido sincero e que ele nade os revezas… vai ser fantástico e acho que o time vai brilhar ainda mais. Não vamos esquecer, certo? Abraço!

      • Patricia Angelica
        5 de agosto de 2013

        Não tiro de Cesar o que é de Cesar… mas acho que a história do Thiago, há tanto anos batendo na trave tem um valor inestimável… haha!

        Tb torço pro Cesar voltar aos revezamentos, pois, sem dúvidas, a presença dele, além de melhorar os tempos, dá uma amedrontada nos adversários, né? =)

      • DDias
        5 de agosto de 2013

        Acho que se o Cielo nadar os revezas, vai tirar a pressão dele de nadar os 100 individual.O mais engraçado nos 50 livres dele é que ele passou os primeiros 15 metros apenas em quinto(5.28). Se o joelho dele voltar ao seu melhor e ele passar para 4.9s(como no Pan Pacífico), a marca dos 21 segundos será ameaçada.
        Também acho que o Thiago tem que focar nos 200IM.Mas acho que se ele treinar 100costas/borbo, nosso reveza agradece.Coach Alex Pussieldi acredita que o Thiago tem um BOM 48 nele nos 100 livres, o que vocês acham?

      • Fernando Cunha Magalhães
        8 de agosto de 2013

        Olha, minha memória pode falhar, mas pra mim, a Cristiane Santos também foi 4a colocada nos 50m costas no mundial de Perth em 1990. Foi a 1a vez que a prova foi disputada e mesmo que se confirme, estou com a Patricia, o 5o da Gabi vale mais.

  2. Julian Romero
    5 de agosto de 2013

    Como declarou Thiago, quando ele virou os 350m e viu que estava junto, “resolveu forçar”. Quer dizer, e se não tivesse ninguém ali do lado, ia fechar com 31s e ficar nisso mesmo? Achei que faltou um objetivo maior pro Thiago. Ele não estava em busca da medalha, porque parece que ele só acreditou nela nos 350m. Eu acho que está na hora do Thiago tentar outras provas, renovar seus desafios. Os 200m peito e os 100m costas, além do já utilizado 100m borboleta, me parecem ser as escolhas mais óbvias.

    • rcordani
      5 de agosto de 2013

      Eu gosto muito da meta a que ele se propôs: o ouro nos 200M no Rio – 2016.

      Se vai conseguir é outra história, mas acho muito legal ele focar seu programa olímpico nessa meta.

      • Lelo Menezes
        5 de agosto de 2013

        Acho que faltava isso pro Thiago. Acho que talvez ele tenha vivido muito tempo com a “síndrome de Phelps”, ou seja, o ouro é impossível. Só que agora o Phelps já era, o Lochte não nada mais os 400 e acho que dá pra sonhar com o ouro…porque não!

  3. Rodrigo M. Munhoz
    5 de agosto de 2013

    Oi Julian,
    Só um cara com muito talento e uma considerável rejeição a prova poderia dar uma declatação dessas sobre uma final de mundial, não? Por isso eu disse pra ele continuar odiando e me refiro ao que quer que seja. De resto, concordo com você e inclusive achei o 100 Borbo bem promissor. Vamos ver no que dá.
    Abração!

    • Patricia Angelica
      5 de agosto de 2013

      Thiago é muito versátil… sou da teoria que o que colocá-lo pra nadar, ele nada bem… mas, por exemplo, no caso do 10 borbo, a estratégia é que falhou um pouco. Ainda acho que ele deveria se focar no peito (melhor estilo dele de longe) e até no crawl… seria um belo reforço no reve 4×200, por exemplo…

      Mas é aquilo: tem que analisar bem as provas, pra não acontecer como com o Hagino que nadou TANTAS provas que na que ele tinha mais chances acabou nem subindo no pódio… mas isso o Albertinho sabe fazer muito bem! =)

    • Lelo Menezes
      5 de agosto de 2013

      Eu acho que o Thiago não tem mais idade e sinceramente não acho que tem “talento” pra lutar por medalhas em provas que não sejam as de Medley. E o que valeria pra ele ficar em sétimo num 200m peito ou num 100m borboleta? Se eu fosse ele abandonava tudo em prol dos 200m Medley mesmo. O Hagino não vai fazer a mesma burrada no Rio e deve vir forte nos 400 e daqui a 3 anos o Thiago já vai estar com idade meio avançada pra nadador. Então eu jogaria todas as minhas fichas nos 200m Medley, quem sabe até lá o Lochte já não desencanou da prova ou não está nos seus melhores dias…

      • Patricia Angelica
        5 de agosto de 2013

        É uma também, Lelo…

  4. rcordani
    5 de agosto de 2013

    Parabéns ao Thiago, foi sensacional mesmo. Quando ele passou os 300 em terceiro, e os 350 em quarto, confesso que já me preparei mentalmente para considerar o quarto ou quinto lugar como muito bons. Mas a arrancada final dos últimos 50 foi espetacular, similar ao que ele fez nos primeiros 50 peito dos 400medley em Londres.

    • Patricia Angelica
      5 de agosto de 2013

      Me senti exatamente como você, Renato… e comecei a gritar: “não morre, Thiago! Não morre!”, fiquei tão empolgada que até meu namorado resolveu torcer junto (ele odeia natação e morre de ciúmes dos nadadores)… hahahahahaha!

  5. Eduardo F. Hoffmann
    5 de agosto de 2013

    Não quero ser chato, mas a galera já está esquecendo do Bronze nos 100 Peito… Caramba! O feito já foi homenageado pelo Lelo no seu “post” sobre o Peito brasileiro, e já estão esquecendo? E não dá pra dizer que é “intriga da oposição”, pois há peitistas aí acima…rs… Munhoz e Renato, por favor, corrijam logo essa falha imperdoável!…rs…

    • rcordani
      5 de agosto de 2013

      Opa, concordo contigo Hoffman, e me tira dessa! O post é de responsabilidade integral do Munhoz!

      O bronze do Felipe foi uma das melhores coisas desse mundial.

      • Rodrigo M. Munhoz
        5 de agosto de 2013

        Caracas… é verdade Hoffman! Esse bronze foi um highlight animal!. Que furo meu, ainda mais como ex-peitista.. Vou até editar o post. O mais espantoso é que o Renato também esqueceu!

  6. Patricia Angelica
    5 de agosto de 2013

    Sobre o Felipe Lima, a questão nem é só a medalha, mas o fato de ele ter sido um dos únicos (fora o Cielo e a Manu Lyrio, se não me engano) a fazer, nesse momento importante, os melhores tempos da sua vida… um dos lowlights que o Munhoz apontou e que eu concordei é exatamente o fato de quase ninguém conseguir fazer isso…

    • Fernando Cunha Magalhães
      8 de agosto de 2013

      Chiereguini melhorou alguns centésimos nos 50 livre.

      • Patricia Angelica
        8 de agosto de 2013

        Pois é… mas foram poucos nadadores que fizeram isso de qualquer forma…

  7. Fernando Cunha Magalhães
    8 de agosto de 2013

    Munhoz, meu caro, que texto bacana. Muito bem escrito. Parabéns!

    • Rodrigo M. Munhoz
      8 de agosto de 2013

      Valeu, Esmaga!
      Sobre o “valor” do 4o da Etiene vs o 5o da Gabi vs a Cristiane,(não achei esse resultado) acho o seguinte: Se a FINA colocou-as no Mundial, as provas de 50m estilo estão valendo igual a qualquer outra ali. Uma colocação dessas numa Olimpiada é mais valiosa? Acho que sim, pois as Olimpiadas são mais raras e parecem oferecer mais pressão. My two cents…

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