Epichurus

Natação e cia…

Djan fala com exclusividade ao Epichurus

Após o reconhecimento no Hall da Fama da Natação Brasileira, Djan Madruga conta ótimas histórias de sua brilhante trajetória

As primeiras notícias que me lembro de ter assistido na televisão sobre natação, são dos Jogos Panamericanos de San Juan de Porto Rico em 1979, quando eu tinha 9 anos. Lembro somente do anúncio do recorde mundial de Jesse Vassalo, do resultado de Rômulo Arantes Jr e de ter ouvido muito falar do nome de Djan Madruga.

Vibrei ao ouvir na abertura do Jornal Nacional num dia de julho de 1980: “Brasil conquista sua primeira medalha nos Jogos Olímpicos de Moscou” e fiquei ainda mais contente ao saber que vinha da natação. Djan estava lá.

Segui treinando, competindo e torcendo pelos nossos representantes em competições internacionais e foi com grande prazer que em janeiro de 1986, ao participar do meu 1º Troféu Brasil, vi o Djan nadar ao vivo e vencer os 200m costas e os 400m medley em sua última participação no principal torneio do nosso calendário. Quanta admiração!

Portanto, para mim, foi motivo de grande satisfação ser escolhido como redator do post de reconhecimento deste ícone do nosso esporte no Hall da Fama da Natação Brasileira, publicado essa semana.

Recebi ajudas importantes, em especial quando o pessoal do Swim Channel se juntou com nosso grupo do Epichurus para formar o comitê de gerenciamento do HFNB e Daniel Takata enviou-me o áudio de um papo de 1 hora que teve com o Djan quando preparava a matéria – “Um caso de amor com o esporte” que foi publicada na 4ª edição da revista Swim Channel.  A pesquisa revelou vários detalhes que eu desconhecia e que fizeram com que eu o admirasse ainda mais.

Riccione, Italia - 2004. Luciano D'Agostini e eu com o ídolo Djan.

Riccione, Italia – 2004. Luciano D’Agostini e eu com o ídolo Djan.

Entrei em contato com o Djan e perguntei se ele topava responder algumas perguntas que sempre tive curiosidade de fazer. Ele diz-se honrado pela homenagem e aceitou prontamente, caprichou nas respostas e hoje tenho a satisfação de compartilhar essas histórias.

Estou muito contente com a repercussão da publicação no HFNB, por deixarmos esse registro histórico e principalmente pela maneira como o próprio Djan e sua família receberam a homenagem.

Com vocês, as percepções do Djan sobre a trajetória que ele construiu e que acaba de ser reconhecida pelo Hall da Fama da Natação Brasileira:

[Epichurus]  Começo com uma curiosidade. Em tempos de Facebook, ao digitar qualquer nome na barra superior aparecem vários homônimos e o seu é quase exclusivo. Qual a origem do nome “Djan”?

[Djan] Na verdade acho que sou o primeiro pois a maioria é de gente mais nova, inclusive fiz contato com alguns que me disseram que seus pais ouviram meu nome  na TV e decidiram assim nomear seus filhos. O meu surgiu da imaginação do meu pai, Dirceu Madruga, um sujeito extremamente racional, engenheiro por formação, com alto QI, que por sinal, cometeu na vida poucos “desvios” da sua lógica, um foi me nomear Djan, outro foi o registrar meu irmão Rojer com J, ele um dia justificou isso como sendo uma vontade de nos diferenciar da massa. Acho que conseguiu! 

[Epichurus] Essa entra meio fora de ordem, mas é para empolgar nossos leitores mirins: você sabe ou estima quantas medalhas ganhou ao longo da sua carreira, desde criança até os dias de hoje?

[Djan] Não tenho ideia ao certo, mas com certeza passam de 1.000. No início eu colocava todas em uns quadros grandes que ficavam expostos em casa, mas com as muitas mudanças passei a espalhar pelo meu escritório na academia. Como continuo ganhando medalhas no master, fica mais difícil ainda contá-las. Talvez valha mais a pena falar da qualidade do que da quantidade, por exemplo: tenho 50 de ouro em Troféu Brasil, 11 em Pans sendo 5 pratas e 6 bronzes, 8 em Universíadas sendo 1 ouro, 3 pratas e 4 bronzes, 4 no US Open, sendo 2 ouros e 2 pratas e, obviamente, o bronze olímpico. Nunca ganhei medalhas em mundiais, mas tenho 2 ouros na 1a Copa do Mundo realizada pela FINA e agora como master tenho 11 ouros em Mundiais da FINA e 10 ouros nos jogos Mundiais Master.

[Epichurus] Seus pais foram esportistas? Como foram seus primeiros contatos com o esporte e por que escolheram a natação?

com Rojer [Djan] Meus pais nunca competiram, mas meu pai, quando jovem, costumava nadar sozinho na praia do Flamengo. Tinha, segundo ele, grande resistência, e obviamente, eles nos deram uma tremenda herança genética de fibras vermelhas próprias para nadar fundo e meio fundo. Digo “nos” por que meu irmão Rojer também nadava muito bem  essas provas, sendo inclusive finalista em mundial num 400 medley e nadou 1500 em Pan Americanos, também foi finalista no NCAA  nas 1650 jardas e 400 medley fazendo melhores tempos que os meus.

No meu caso diria que sai geneticamente composto de fibras rosas, pois acabei nadando bem fundo, meio fundo e velocidade. Na minha 1ª Olimpíada fui finalista nos 1500 e 400 livre, na do meio fui  finalista nos 400livre e 400 medley e na última quase fui a final nos 4×100 livre e fiz semi (final B) nos 200 costas.

 Meu 1º  contato com a natação foi meio trágico pois com 6 anos quase morri afogado numa vala na praia de Copacabana, dai meus pais decidiram que eu tinha que aprender a nadar como  auto defesa pois a praia era nosso playground, fui então matriculado na escolinha da Universidade Federal na Urca, lá após alguns meses de aulas logo detectaram que era acima da média e me encaminharam ao Botafogo para entrar nas competições federadas. Lá tive uma boa iniciação para natação competitiva. 

[Epichurus] Você teve destaque logo nas primeiras competições?

[Djan] Sim, lembro-me que já na minha 1ª competição fiz pódio e foi assim por alguns anos até estagnar entre 11 e 12 anos. Nessa época eu nadava costas e medley. Teve um episódio que foi decisivo na minha carreia e mudou tudo a meu  favor: houve uma seletiva para um campeonato sul americano entre 3 garotos ( eu entre eles) que empataram na soma de pontos no brasileiro de categoria. A Confederação, na época CBN, resolveu fazer uma seletiva para ver quem era o mais eficiente e que levaria a última vaga da seleção. Essa seletiva foi marcada para o Botafogo, a minha casa, mas eu fiquei em segundo e perdi a vaga. Óbvio que fiquei arrasado. Minha mãe foi conversar com treinador, que provavelmente estava num dia ruim e disse a ela o seguinte: “minha senhora, seu filho foi muito bem, afinal ele tem suas limitações e portanto fique feliz com esse resultado”. Bem, isso caiu feito uma bomba lá em casa – eu  era limitado? E quem dizia isso era o treinador chefe do Botafogo e da Seleção Brasileira! Diante disso, resolvemos buscar outra alternativa de clube onde eu não fosse visto como “limitado”.

O Fluminense havia me convidado para nadar por eles algumas vezes. Aceitamos a proposta, mas bastante sentidos, pois o Botafogo era um clube pelo qual tínhamos profundo carinho, tanto que meu irmão Rojer continuou nadando lá. Só eu saí.

Sulamericano aos 15anosFoi a primeira grande decisão da minha carreira! Sou muito grato a esse treinador por ter me encaminhado mesmo sem saber. Foi excelente treinador, e repito, foi pego num dia ruim. Até hoje nos encontramos e mantemos ótima relação. Tenho muito respeito pelo muito que fez pela natação brasileira. Em resumo foi um mal que veio para o meu bem, pois quando mudei para o Flu encontrei outro tipo de treino, mais  voltado para o fundo, foi perfeito e onde me encontrei como nadador.  Descobri que tinha muito talento nessa área, logo explodi, passando a ganhar na minha faixa etária no Brasil. Dois anos depois disso fui vice-campeão brasileiro de adultos nos 1500m e com 15 anos bati meu 1o recorde absoluto nessa distância entrando na seleção brasileira de adultos pela  primeira vez  e onde fiquei até me aposentar das competições internacionais aos 25 anos. O curioso é  que nunca fiz uma seleção infanto-juvenil e acabei entrando direto nas absolutas. 

[Epichurus] Em que momento você percebeu que poderia tornar-se um dos melhores nadadores do mundo?

djan de costas[Djan] Isso se deu gradualmente, em três fases. Aos 16 anos quando quebrei pela primeira vez a barreira dos 16min nos 1500m e com esse tempo entrei no top 5 do ranking mundial. Nesse momento percebi que se treinasse forte dava para chegar junto dos gringos. Depois, na minha primeira Olimpíada aos 17 anos. Tirei 4º  lugar nos  1500m e nos 400m batendo o recorde olímpico na eliminatória, decidi então que na próxima traria uma medalha. Por fim,  só tive certeza que cheguei lá quando ganhei o US Open, um título que persegui por 6 anos e só consegui aos 21 anos.

[Epichurus] Como surgiu a oportunidade de ir treinar nos Estados Unidos? Por que escolheu Indiana?

Counsilman[Djan] Surgiu no ano da minha primeira Olímpiada, eu fazia o último ano do  ensino médio e o governo federal atendeu um pedido meu e do meu técnico Denir de Freitas para que eu fizesse um estágio preparatório de 3 meses nos EUA para os Jogos Olímpicos de Montreal, com isso, treinei nas universidades do Sul do Illinois (SIU) com o Bob Steele e depois em Indiana (IU) com o Doc Counsilman. Ambos quiseram muito que eu voltasse no ano seguinte para cursar a suas universidades, mas a formalização do convite veio com os bons resultados naquela Olímpiada. Em minha decisão, pesou muito o fato do meu amigo Rômulo Arantes estudar e treinar  em Indiana, que se tornou a Meca dos brasileiros. Foi  muita gente, inclusive o também medalhista olímpico Marcus  Mattioli. Indiana foi na década de 80 o que hoje é Auburn para os nadadores brasileiros.

[Epichurus] Na época em que não havia limite de participação em provas individuais no Troféu Brasil você chegou a nadar e vencer 9 provas individuais e 3 revezamentos em uma única edição em 1978. Era um sacrifício em prol do clube ou havia um forte propósito nessa conquista? Como eram esses dias para você?

Nado Livre No2 1979 (2)[Djan] Isso era normal naquela época, nadar muitas provas para fazer pontos para o Fluminense não era nenhum sacrifício, muito pelo contrário, eu adorava isso.  Mas esse Troféu  Brasil de 1978 em que eu ganhei 12 medalhas de ouro, tudo foi atípico: ele aconteceu no Fluminense, a nossa piscina, onde nunca havia  sido realizado um Troféu Brasil e queríamos ganhar de qualquer jeito. Eu estava tinindo, pois não havia participado da edição anterior para descansar e estava com sede  de nadar. Além disso, havia uma rivalidade muito grande  com o Flamengo do meu  amigo Rômulo Arantes e eles disseram que iriam ganhar da gente na nossa casa. A resposta se deu nas 12 de ouro e o título do Troféu! Depois disso a Confederação começou a limitar o número de provas por nadador. Acho que não deveria, mas foi feito e as histórias anteriores viraram folclore da natação brasileira.

 [Epichurus] Houve algum ajuste em seus treinamentos para que você se tornasse recordista sulamericano nos 100m livre monopolizando os recordes dos 100 aos 1500 ou foi algo que aconteceu naturalmente sem deixar o foco das provas longas?

Nado Livre No3 1979 (1)[Djan] Isso aconteceu naturalmente, sem dúvida minha constituição muscular com muitas fibras rosas ajudou e eu transitei bem em todas as distâncias e estilos. Nadei 400 e 1500 livre em minha primeira Olimpíada aos 17 anos, na segunda, aos 21,  essas mesmas e mais os 400 medley e 4×200 e na última, aos 25, nadei os revezamentos 4x100m livre,  4x200m livre e os 200m costas.

Brinco com isso dizendo que fui ficando esperto com o passar dos anos e saindo do fundo e caindo na velocidade.

Na época em que quebrei o recorde de 100m livre, eu treinava em Mission Viejo um volume muito grande, de até 20 km por dia. Treinava fundo para poder nadar todas as distâncias, inclusive os 100m livre e 100m borboleta, provas que ganhei no Troféu Brasil. Nadar provas de velocidade me ajudava nas provas de 400, assim como as provas longas ajudavam as curtas, pois eu tinha a resistência necessária para segurar o ritmo no final das provas de velocidade. Em síntese, tudo se encaixou naturalmente em minha carreira.

 [Epichurus]  Pedro Junqueira publicou um post no Best Swimming em junho de 2008 em que mencionou o seguinte: “Neste último ano pré-olímpico, por ocasião de uma estada no Brasil, o Djan terminou uma sessão de treinos na piscina do Fluminense com uma série que parou as outras raias. Sob o comando e incentivo de Denir de Freitas, este de cronômetro na mão, o tricolor partiu para os 10 de 150m, na longa, a cada 1m45s. Estas eram épocas em que a série apertada era muito usada, ignorantes que éramos da necessidade do nadador praticar, em treinos, um ritmo um pouco mais rápido daquele da competição. Mesmo assim, saindo a cada 1m45s, ele veio arrancando 1m29s, logo passou pra 1m28s, e no último, 1m26s. Quem viu aquilo só poderia concluir que aquele super-nadador poderia encarar qualquer um”.  Absolutamente impressionante. Você lembra desse dia? É a série mais marcante da sua carreira? Poderia mencionar mais uma ou duas das quais você se orgulha e se impressiona?

[Djan] Realmente esse dia foi muito marcante. Antes do mundial de 1978 fiz 6x150m  na longa a cada 1:35 e 20x100m a cada 1:05. Nós trabalhávamos exaustivamente com intervalos muito curtos como muito bem relatou o Pedro Junqueira . Mas isso não era suficiente, a razão é que naquela época diferente de hoje, onde se acha tudo na web, nós  só recebíamos informações do que se treinava nos EUA e na Europa com muitos meses ou até mais de um ano de atraso. Só descobríamos os treinos quando chegava uma revista de natação do hemisfério norte. O mais grave nessa questão dos intervalos é que desconhecíamos totalmente a prática de se repetir séries de 100m em velocidade mais rápida que a média da prova de 1500m com intervalos mais abertos, coisa que os soviéticos treinavam bastante, motivo esse porque Salnikov conseguiu baixar os 15min nos 1500m antes de todo mundo, inclusive dos americanos, que também desconheciam essa forma de treinar. 

[Epichurus] Qual foi a prova em que você mais se surpreendeu com o seu resultado? Aquela em que nem nas previsões mais otimistas você imaginava que faria o que fez?

 Djan Montreal 76[Djan] Foram duas, os 1500m na final Olímpica de Montreal 76 com 15:19, pela facilidade com que nadei a prova e cheguei sentindo que daria para ter ido mais rápido e os 7:59  nos 800m ao ganhar o US open de 1980. Nadei essa prova na série fraca, pela manhã, não tinha ninguém me puxando, fiz a prova negativamente e quebrei a barreira dos 8 min sendo o 2º atleta do mundo a alcançar esse feito.

[Epichurus] Se você tivesse a chance de escolher um único momento para voltar atrás e fazer algo diferente, qual seria e o que você faria?

[Djan] Sabendo o que sei hoje, na final dos 400m livre da Olimpíada de Moscou eu  teria nadado para tirar segundo ao invés de  ter partido para disputar o ouro com o Salnikov, com isso, acabei ficando em quarto, perdendo para os outros 2 russos que sabiam que nunca ganhariam dele e fizeram a prova toda em cima de mim. Como passei forte, nos 300m já estava cansado e acordei para disputa da prata e bronze, foi tarde pois os outros dosaram melhor a prova do que eu e acabei perdendo a medalha por alguns centésimos.

Na  máquina do tempo, teria esquecido o Salnikov, feito um “negative Split” nos  outros  2 russos e levado a medalha com alguma  facilidade . Por outro lado, sempre que vejo uma final olímpica de 400m livre, me lembro disso, mas também penso que seria muito difícil  mudar aquela atitude guerreira de estar numa  final olímpica tendo a chance única de ganhar uma medalha de ouro. Sinto que não daria para não arriscar. Não me contentaria com a prata sem ter tentado o ouro, alí é tudo ou nada, não há espaço para dúvidas, tem que partir pra cima e acreditar!

No final das contas,sou muito grato por ter vivido essa experiência única e por ter saído de uma Olimpíada com uma medalha de bronze no peito.

[Epichurus] Houve uma relação bem distinta entre as provas do nado livre em Montreal e Moscou. Uma grande melhora nos 400m e o inverso nos 1500m. A que você atribui isso? Valeu a pena nadar os 1500m em Moscou?

Montreal, 1976

Moscou, 1980

400m livre

4º lugar, 3m57s18

4º lugar, 3m54s15

1500m livre

4º lugar, 15m19s84

14º lugar, 15m56s20

[Djan] Mudou muito o meu treinamento de uma para a outra. Antes de Montreal -76, eu treinava no Brasil com o Denir de Freitas, pouca quantidade e muita qualidade em cerca de 11km por dia em duas sessões de 5,5km. Eram 11 treinos por semana num ritmo absurdo. Fazia séries de 3000 m com velocidade próxima ao ritmo da prova de 1500m, pouquíssima velocidade só de final de série quando o pulso passava frequentemente de 200 bpm. Naquela época não se hidratava durante treinos, nem água eu bebia, e a reposição energética era um queijo quente e um suco de laranja depois do treino.

Já em 1980 eu treinava com os 2 papas da época: no período universitário com o Counsilman em Indiana e no verão com o Mark Schubert na Califórnia. Lá o bicho pegava pois eu treinava junto com os melhores fundistas do mundo, a exceção dos alinhados com os soviéticos que faziam um trabalho secreto de treinamento. Em Mission Viejo a nata de fundo dos EUA treinava na famosa “raia dos animais” onde só caía quem aguentava os treinos mais casca grossa possíveis, tanto em quantidade, quanto em qualidade. A média girava em torno de 18km por dia chegando várias vezes a 20km ou mais. No meu caso, a intensidade lá não era tão grande quanto em 76, mas as séries chegavam tranquilamente a 5 ou 6 km, e os tempos no final das séries eram  muito rápidos, principalmente pelo fluxo de corrente na raia, pois nadavam até 10 caras nessa “animal lane”. A saída se dava a cada 5s, quem tomava volta era expulso da raia. Uma vez o Schubert jogou  uma menina na raia, ela entrou numa série nossa de 400m e nadou abaixo do recorde mundial feminino no fluxo, acho que foi a Chintia Woodhead que mais tarde foi recordista mundial dos 200m livre. Em resumo, em 80 fiquei mais forte em função do volume de treino somado a preparação física que não havia  feito antes e a dura competição no dia a dia de treinos.

Djan Madruga, Mark Schubert, Jesse Vassalo e Rafael Escalas. Reencontro de 3 guerreiros da Animal Lane com o técnico, décadas depois.

ASCA 2013: Djan Madruga, Mark Schubert, Jesse Vassalo e Rafael Escalas. Reencontro de 3 guerreiros da Animal Lane com o técnico, décadas depois.

Sobre ter nadado os 1500m em Moscou, eu estava preparado para fazer um grande resultado, só que minutos antes das eliminatórias dei uma topada num banco e abri o dedão, fui atendido no posto médico da piscina e acabei  nadando machucado, com dor, sem força total numa perna, por isso fiz esse tempo e acabei fora da final.

[Epichurus] Qual é a sensação de ter um bronze olímpico? Onde está a sua medalha?

[Djan] É uma sensação de realização indescritível, foi muito emocionante, a gente  no pódio, vendo a bandeira do Brasil subir, é o que mais me lembro quando penso nisso.

Tive um sentimento de realização muito grande, de ter conseguido atingir meu maior objetivo de vida, que me custou muitos anos de treino, de superar muitas dificuldades inclusive financeiras, pois não havia profissionalismo naquela época, tudo o que fazíamos era puramente por amor . Minha  medalha está num quadro na parede lá em casa.

[Epichurus] Essa é sua conquista que mais te orgulha?

[Djan] Sem dúvida é o meu maior feito, depois só o recorde olímpico dos 400m livre em Montreal que foi o primeiro de um brasileiro nos Jogos e a  primeira vez que alguém nadou abaixo de 4min em Olimpíadas.

Aos 55 anos Djan exibe orgulhosamente a sua medalha - um metal olímpico é para a vida toda!

Aos 55 anos Djan exibe orgulhosamente a sua medalha – um metal olímpico é para a vida toda!

[Epichurus] Olhando para os resultados do 4x200m em Moscou, observamos uma diferença de 2,2s do 2º ao 7º colocados. Vocês sabiam que a prova seria tão equilibrada assim?

[Djan] Tínhamos ideia que seria muito difícil mas acreditávamos que iríamos chegar junto de qualquer equipe naquela piscina naquele dia especial. Não tínhamos noção que seria tão apertado, na hora você só pensa em fazer a sua  parte,  torcer para os companheiros fazerem a deles e na medalha. O clima ali na borda é surreal, você se isola do mundo e só existe aquilo no universo, o nível de concentração é muito grande e a felicidade na hora que apareceu  o resultado no placar foi indescritível. Foi espetacular!

 [Epichurus] Quanto tempo antes da Olimpíada vocês perceberam que poderiam chegar ao pódio? Vocês conversavam muito sobre isso? Faziam análises sobre os adversários? Depois que o Jorge, Cyro e Mattioli nadaram para 1m54s na prova a confiança chegou a ser abalada? Como foi definida a ordem para a final?

 [Djan] Já sabíamos que o revezamento iria brigar pela medalha pela comparação  dos tempos internacionais, principalmente quando houve confirmação do boicote  americano, tivemos certeza da chance. Trabalhamos muito duro pra isso durante anos, nadamos juntos várias competições nos anos anteriores: Copa Latina, Pan Americano e Sulamericano. Sempre medalhando e as vezes ganhando. Quando fomos prata no Pan de Porto Rico, um ano antes de Moscou, decidimos treinar juntos nos EUA. Eu , Jorge e Cyro fomos para Mission Viejo na California treinar com o Schubert e o Marquinhos foi para Indiana com o Counsilman e isso nos uniu muito.

Quanto a confiança, sem dúvida o resultado deles na prova mostrou que os treinos tinham sido corretos e todos estavam em ponto de bala e havia chance concreta de medalha, só que antes tínhamos que passar para as finais.

Sobre a ordem foi a que estávamos praticando normalmente há anos, isso ajudou no toque e mergulho sincronizado de cada um. Já funcionava quase perfeitamente e não me lembro de termos sido desclassificados nenhuma vez .

 [Epichurus] Tenho uma grande vontade de ler um relato seu sobre essa prova, você poderia contar para mim e todos os leitores do Epichurus?

[Djan] Bem vou dizer o que me lembro, pois minha memória da prova não é completa. Classificamos em terceiro, mas sabíamos que tínhamos que nadar muito mais forte a tarde. A coisa apertou pois foi muito embolado o tempo todo, não dava  para dizer quem levaria medalha. Ficamos junto das equipes brigando pela prata, pois o ouro estava para a União Soviética que estava bem a frente. Lembro que recebi basicamente junto com a Suécia, Austrália, Inglaterra e Itália com a Alemanha Oriental um pouco a frente, ou seja, 6 equipes para 2 medalhas. O que se passou na minha cabeça fechando aquele revezamento foi o seguinte: tinha ido mal na prova anterior os 1500m quando machuquei o pé e não passei às finais. Tinha dúvidas se o pé estava 100%, mas logo que caí na água vi que estava bem e pude só me concentrar em nadar rápido. Aproveitei a saída no limite conforme havíamos treinado o toque,  passei forte os 50m ciente que estaria atrás, procurei nadar bem no meio da raia e passar os 100m em contato pois sabia que minha volta ia ser melhor que a dos caras, e foi o que aconteceu, quando virei nos 150m  estava junto, então usei a melhor impulsão possível na parede graças aos treinos que havia feito disso lá em Mission Viejo, onde até  fundista tinha que virar bem, e nos  últimos 50m encaixei a perna e pensei que não podia perder aquela medalha por nada. Era a chance da minha vida. Acelerei tudo o que podia e na hora que bateu o endurecimento só conseguia pensar em manter a forma e não deixar o corpo  afundar, no fim bloqueei o máximo e perdi noção da posição que estava pois podia ver embaixo d’água 3 nadadores basicamente junto comigo. Quando toquei não tive noção imediata da medalha mas ao ver a vibração dos companheiros na borda entendi que tínhamos alcançado nosso objetivo. Olhei pro placar e vi o que aconteceu: 1º União Soviética(7:23.50), 2º Alemanha (7:28.60) nós em 3º (7:29.30) seguidos da Suécia (7:30.10), Itália (7:30.37), Inglaterra (7:30.81) e Austrália (7:30.82), provavelmente a final de revezamento mais apertada da história do Jogos Olímpicos. Uma diferença de 2,2s do 2º ao 7º! No fim os meus amigos me cumprimentaram dentro d’água mesmo e  foi tirada uma foto desse momento que parou na capa dos principais jornais do Brasil. Essa foi a 1ª medalha do Brasil nos Jogos de Moscou. A delegação brasileira conquistou 4 medalhas em todos os esportes naqueles Jogos. Sou muito grato aos meus companheiros de medalha Marcus Mattioli, Cyro Delgado e Jorge  Fernandes , mantenho  contato com todos até hoje, afinal temos uma fantástica história de vida juntos.  

 

[Epichurus] Sua trajetória provoca admiração nos amantes do esporte que reverenciam suas conquistas mais de 30 anos após o pódio olímpico. Muitos leem os mais de 200 treinos já postados no Facebook e celebram  cada postagem que relembre seus feitos. Qual é o significado que a natação e esse carinho das pessoas tem para você?

[Djan] Bem, agora já passam de 250 treinos no meu Facebook. É uma forma de ajudar os atletas master que querem treinar e não tem treinador, ou treinadores que queiram usar umas ideias diferentes.

Treino publicado em 01/10/2013. Visite a página do Djan no Facebook e confira os demais.

Treino publicado em 01/10/2013. Visite a página do Djan no Facebook e confira os demais.

O significado da natação pra mim é muito grande visto que sou o que sou por causa dela. Em verdade tive uma infância pobre, com grandes dificuldades e vi no esporte uma oportunidade de melhorar de vida, de ter uma boa educação. A natação me proporcionou uma bolsa de estudos, fui estudar nos EUA, me formei e fiz um mestrado, trabalhei e fiquei 7 anos por lá. Voltei ao Brasil, consegui construir minha academia com piscina semiolímpica, trabalhei todos esses anos com esporte adquirindo uma certa independência e hoje estou na CBDA com a oportunidade de dar um retorno a comunidade aquática por tudo que a natação me deu, e, quem sabe abrir portas para uma garotada se beneficiar como eu consegui nesses quase 50 anos de água .

O carinho que recebo talvez seja uma percepção das pessoas do amor que eu tenho pela natação. Sou muito grato a Deus por essa oportunidade que Ele tem me dado ao longo de toda a minha trajetória.

Sobre Fernando Cunha Magalhães

Foi bi-campeão dos 50m livre no Troféu Brasil (87 e 89). Recordista brasileiro absoluto dos 100m livre e recordista sulamericano absoluto dos 4x100m livre. Competiu pelo Clube Curitibano (78 a 90) e pelo Pinheiros/SP (91 a 95). Defendeu o Brasil em duas Copas Latinas. Foi recordista sulamericano master. Trabalha como gerente da Academia Gustavo Borges e consultor da empresa Vendas 3i. É conselheiro do Clube Curitibano.

25 comentários em “Djan fala com exclusividade ao Epichurus

  1. rcordani
    3 de outubro de 2013

    Espetáculo de entrevista! Eu tive um contato mais próximo com o Djan em 1992, quando ele idealizou e organizou o Meeting Cleybon no Rio de Janeiro entre a seleção brasileira e o time da Universidade de Michigan e eu fui convocado por ele.

    Outra que me lembro foi o TB de 1984 que ele chegou nos 200 costas em segundo (atrás do Prado) já olhando para o placar do Julio de Lamare. Como o mesmo não havia parado, Djan observou que o terceiro lugar (Rebollal) ainda não tinha chegado e (por via das dúvidas) deu uma cotovelada no ômega amarelo, garantindo a prata. Essa também era uma das histórias que o Pancho adorava repetir, mostrando como é importante o nadador ter inteligência além de nadar rápido.

    Muito legal também a foto da chegada do revezamento. Quem sabe um dia o vídeo dessa prova apareça!

    Obrigado Djan e Esmaga pela entrevista.

    • Fernando Cunha Magalhães
      3 de outubro de 2013

      Valeu Cordani,
      também estive em 2 meetings Claybon que envolviam os duelos em 50m livre – precursores do Raia Rápida. Muito legais e ainda teremos posts sobre eles.

  2. Sidney N
    3 de outubro de 2013

    Belíssima entrevista! Além de apresentar detalhes da trajetória do grande atleta, o texto também revela detalhes que ajudam a contextualizar as grandes conquistas, O que mais me chamou a atenção foi a serenidade com que o Djan avalia suas principais provas. Fiquei curioso em saber se a visão que ele teve foi sempre essa ou mudou ao longo do tempo. Abraços e parabéns ao entrevistado e entrevistador.

    • Fernando Cunha Magalhães
      3 de outubro de 2013

      Obrigado Sidney pelos parabéns e vamos torcer que o Djan passe por aqui para esclarecer sua dúvida.

  3. Rodrigo M. Munhoz
    3 de outubro de 2013

    Gostei demais da entrevista e de conhecer um pouco melhor a carreira desse fantástico nadador. Aliás, depois dessa “semana Djan” , com homenagem no HFNB e esta entrevista – vejo que sabia muito pouco da carreira dele. Os feitos, em número e grandeza são maiores do que eu imaginava. E tudo parece que transcorreu dentro de um grande plano, muito bem desenhado. Parabéns ao Djan por toda carreira maravilhosa e ao Esmaga pela entrevista! Tenho a impressão que vamos cruzar ainda muitas vezes com o Djan nas competições de Master e cumprimenta-lo pessoalmente, o que é um “plus”. Abraços!

    • Fernando Cunha Magalhães
      3 de outubro de 2013

      Legal Munhoz,
      O que são essas séries, hein???
      Animal mesmo, espero que os técnicos vejam esse post e façam a garotada ler.
      Vai ter muito rapagão que anda “se achando” baixando a bola e mergulhando a cabeça na água pra treinar pra valer.
      Quanto aos master, tenho andado ausente, um dia volto, mas estou na torcida para que o Djan participe, no mínimo, até o 90+.

  4. Miyahara
    3 de outubro de 2013

    Sensacional Smaga!!!! Parabéns pelo post. e Parabéns Djan, que inspirou toda nossa geração e continua inspirando as novas!

    lugar merecido no Hall da Fama!

    • Fernando Cunha Magalhães
      3 de outubro de 2013

      Valeu Miyahara, obrigado pela leitura e elogio.

  5. Luiz Claudio de Souza
    3 de outubro de 2013

    Essa reportagem feita com o ex- Nadador Olímpico Djan Madruga, nos revela o quanto devemos buscar os nossos sonhos e quanto podemos sermos protagonistas de nossas próprias historias. A natação brasileira, assim como os nadadores de forma geral merecem todo o respeito. Pois somos exemplos, que o Brasil, pode ser uma potencia Olímpica.

    • Fernando Cunha Magalhães
      3 de outubro de 2013

      Sem dúvida, Luiz.
      E o Djan é um dos maiores exemplos disso.

  6. charlaodudo
    4 de outubro de 2013

    Excelente entrevista Smaga!
    Não conhecia quase nenhuma dessas histórias. Muito legal o Djan ter compartilhado isso conosco.
    Essa história dos 12 ouros em Troféu Brasil eu tambem não sabia. Será que mesmo com a redução no número de provas alguém conseguiu 8 ouros depois?

    • Fernando Cunha Magalhães
      4 de outubro de 2013

      Charles, acho que o Castor ganhou 8 de ouro no TB de janeiro de 88, defendendo o Flamengo, na piscina do Golfinho: 100, 200, 400, 800 e 1500m livre e 4×200 tenho certeza. 4x100m livre e medley, acho que sim, mas ele precisa confirmar.

      • rcordani
        4 de outubro de 2013

        Verdade, aqueles 4×200 do TB do Golfinho são difíceis de esquecer. Castor pulou muito atrás do MTC que fechava com um medalhista olímpico, mas naquela época segurar o homem era quase impossível! Também não lembro se o FLA levou o 4×100 e o 4x100M.

  7. Omar Gonzalez
    4 de outubro de 2013

    Meus respeitos a Djan um nadador com MAIUSCULAS,abs

  8. djan Madruga
    4 de outubro de 2013

    Amigos
    obrigado pelas palavras carinhosas, respondendo ao Sidney sobre ter serenidade nas provas, sempre foi assim comigo, quando tinha 14 anos fiz meditacao transcendental e isso me ajudou muito a relaxar entre treinos e para as competicoes, depois aos 21 treinando com o Schubert faziamos exercicios de visualizacao o que tambem me ajudou muito na melhor fase da minha carreira, o Jorge Fernandes outro dia aqui no epichurus fez um comentario da visualizacao que fizemos antes de conquistarmos a medalha olimpica o quanto nos ajudou a todos do reve, depois aos 23 fiz um trabalho espetacular de yoga com o prof. Orlando Cani que me ajudou demais a esticar minha carreira na natacao e irradiando para o triathlon, ali aprendi a respirar pelo diafragma, atraves de 10 min diarios de posturas que mantenho ate hoje e me ajuda muito no master. A soma disso deu meditacao+ visualizacao+ respiracao= excelentes resultados esportivos e saude pro resto da vida, tai uma boa receita que pode ser usada por qualquer pessoa que goste de pratica esportiva, abs

    • Sidney N
      8 de outubro de 2013

      Djan, obrigado pelo esclarecimento e parabéns mais uma vez pela merecida homenagem.

  9. Luiz Renato (Rena)
    7 de outubro de 2013

    Sensacional a entrevista. Parabéns Djan e Smaga. Fiquei muito curioso para saber quem eram os integrantes da “raia dos animais” e qual normalmente saía primeiro para puxar os demais. Imagino num dia que vc não está tão bem para aguentar um ritmo desses, deveria ser pesado demais. Amplexos aos ephicuristas!

    • Fernando Cunha Magalhães
      7 de outubro de 2013

      Boa Rena, mais uma para o Djan, não tinha pensado nessa e agora também fiquei curioso.

      • Fernando Cunha Magalhães
        20 de outubro de 2013

        Olha só: o Djan enviou hoje um email contando quem eram os mais famosos da Animal Lane. Confiram!

        Brian Goodell (Eua) ouro nos 1500 na Olimpiada de Montreal(76) c/ 15:02.40

        Jesse Vassalo (Eua) recordista mundial dos 200 e 400 medley em 1978 c/ 4:20.05

        Casey Converse (Eua) 1o homem abaixo dos 15min nas 1650 jardas em 1977 c/14:57.30

        Max Metzker (Aus)bronze nos 1500 na Olimpiada Moscow (80) c/ 15:14.49

        Rafael Escalas (Esp) 6thnos 1500 na Olimpiada Moscow (80) c/ 15:21.88 , depois ganhou os 1650 no NCAA de 1981 com o tempo recorde de 14:53.90

        Comentou que normalmente liderava a raia e que haviam outros atletas que encaravam o desafio, mas os listados são os que tiveram maior projeção internacional.

        Ainda mandou a foto do reencontro com Schubert, Vassalo e Escalas na ASCA em 2013, que me apressei em inserir no post.

        Fantástico!

  10. Lelo Menezes
    7 de outubro de 2013

    Espetacular a entrevista. Uma das mais completas e verdadeiras que eu já vi com nadadores. Parabéns!

    • Fernando Cunha Magalhães
      7 de outubro de 2013

      Bacana Lelo, foi muito legal a disposição do Djan em encher as respostas de detalhes.

  11. cristiano viotti de azevedo
    11 de outubro de 2013

    Estava louco para achar este tempo para ler a entrevista. Parabens, Smaga. Voce foibum brilhante redator. Djan eh para toda nossa geracao a maior inspiracao. Como mineiro, e quase irmao dos Mattioli, cresci tentando fazer cutuvelo alto e suportar as provas de fundo. Combinar a tecnica com a resistencia, ate que no TB de 1986 estava lado a lado com Djan nas provas dis 100 e 200 costas. Ganhar os 100 foi um sonho. Ouvir pelo radio que Djan desistira do mundial de Madrid foi minha vaga. Ter Djan na minha historia, minha honra. Obrigado, Djan, foram 20 anos de muito treino que sem voce, e o Marquinhos, nao teriam tanto sentido.

    • Fernando Cunha Magalhães
      16 de outubro de 2013

      Belíssimo relato Cristiano, daqueles que reforça o propósito da existência desse blog. Grande abraço e obrigado, meu amigo.

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Publicado às 3 de outubro de 2013 por em Natação e marcado , , , , .
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