Epichurus

Natação e cia…

Egoísmo, Medo e Comodismo

O que é preciso para um jovem atleta olímpico desistir de seu esporte? Sendo Peba, eu não saberia dizer exatamente, mas imagino que não seja pouco. Uma dura rotina de treinos, somada com eventuais resultados decepcionantes, não deve ajudar, mas creio que atletas de alto nível  encaram isso como parte do “acordo”. Natação é aquele esporte “brutalmente honesto”, lembram? Se o cara treinou e treinou pra cacete, há uma chance de melhora no fim da temporada. E melhorar o tempo é ótimo, mas se outro chegar na sua frente, aquele metal já era (para não falar da “fama e fortuna). Normal. O que deve ser absolutamente infernal é se sentir trapaceado, incompreendido e não respeitado no esporte. Esse tipo de sentimento deva ser altamente tóxico e uma justificativa perfeitamente plausível para afastamento.

No final de Janeiro,  a nadadora Joanna Maranhão anunciou sua aposentadoria aos 26 anos de idade.  A menina que foi ao Panamericano de Santo Domingo (2003) com 16 anos de idade e que pegou um 5º lugar Olímpico em Atenas 2004 desistiu de continuar tentando  chegar novamente em seu auge. Depois de dezenas de seleções, 3 Pans e 3 Jogos Olímpicos,  cheio de altos e baixos, não acho que  ela seja “nova demais para isso”, ou o fez “desistindo cedo demais” – como vi em alguns comentários de araque, mas certamente, ela parece estar deixando o esporte bastante desapontada. Suas declarações de hoje no UOL, deixam também a clara impressão que se mantendo fiel ao estilo conhecido, ela quer sair de cena atirando. E os alvos agora não é apenas a CBDA, que ela chama de “ditadura da natação”, mas também seus ex-colegas de seleção – “estrelas”, que aparentemente não estariam apoiando mudanças no meio como poderiam.

Joanna - Dominio do Medley no Brasil

Joanna – Dominio do Medley no Brasil

Não posso deixar de simpatizar com a Joanna, pelo menos em boa parte deste debate. Apesar da fama de “reclamona”, a moça é uma lutadora, que já passou por maus bocados na vida desde muito nova e apesar de algumas decepções depois de Atenas, ela certamente é não é Peba. Além do mais, obviamente há razão (e bom senso) em criticar a falta de renovação na CBDA. Joanna, que nasceu mais ou menos ao mesmo tempo em que começava a gestão Coaracy, há tempos vem metendo o pau na (falta de) estratégia, ações e planejamento da confederação. O próprio Epichurus,  já fez críticas parecidas… repetidamente. Não adiantou nada , e o esporte nacional – especialmente em sua base – parece realmente não estar melhorando como deveria em face de tantos investimentos… Então a decepção – dela e nossa – é natural.

E ela não para por aí… De acordo com o artigo do José Ricardo Leite, sobram críticas de Joanna para as “estrelas” e nadadores, “que se calam” por egoísmo, medo ou comodidade e “se vendem” aos interesses financeiros de patrocinadores. Agora, por partes: Parece que temos mesmo uma situação na qual poucos criticam a atual gestão da confederação. Claro que quem está legitimamente feliz com a situação, não é obrigado a criticar, então um pouco de egoísmo deve justificar parte do marasmo mesmo. Mas o controle político e das verbas de patrocínio da CBDA devem explicar a maior parte desse silêncio. Uma luta inglória que tire a possibilidade de ajuda financeira ou crie situações complicadas para uma equipe (por maior que seja) em um ambiente  esportivo cada vez mais profissionalizado, devem meter medo em um monte de gente. Devem ser poucos aqueles incomodados e não acomodados que não tem o suficiente a perder para  de se indispor com o status quo.

Mas quando a Joanna parece incluir críticas a nadadores com patrocinadores, eu acho que a coisa fica um pouco mais complicada. Qualquer atleta, a partir de uma certa idade, precisa de grana para se manter. Pelo que me lembre, a própria Joanna teve algum apoio do Flamengo e continuou aguerrida até em pódios que subiu. Em 2012/2013 ela reclamou – com razão, acredito – da falta de critério da CBDA coordenando o apoio dos Correios, pois sentia que aquilo a prejudicava. Essa reclamação resultou na divulgação pela CBDA dos critérios do patrocínio “Projeto Pódio” em Março de 2013. Apesar de não ter beneficiado diretamente Joanna, esse episódio poderia ser interpretado até como uma vitória dela, em nome da transparência na natação brasileira.  Em resumo, não acho que aqueles que conseguem apoio de patrocinadores sejam necessariamente “vendidos”. Inclusive, acho que o patrocínio certo no atleta certo, pode ajudar no fortalecimento da classe nadadora.  Aliás, se não me falha a memória, até Cesar Cielo, com ouro no bolso, cheio de razão e pouca cautela, criticou dirigentes da CBDA, num momento agora longínquo…

Apoio financeiro cria obrigações de imagem, mas não transforma ninguém em alienado político. Contudo, concordo com Joanna Maranhão no que tange a classe de nadadores não parecer lá muito unida hoje em dia. A simples insinuação de uma greve de nadadores parece absurda. Algo que ela não falou, é que talvez faltem líderes que ajudem os egoístas, medrosos, acomodados e incomodados a se unirem em torno de idéias e projetos para uma natação melhor. Acho que a Joanna tentou, mas obviamente, a própria sociedade de hoje é bem diferente daquela dos anos 80, na qual a União de Nadadores acabou com “Dinardstia” e botou o Coaracy onde ele ainda está – para nossa atual tristeza…

Por fim, não me ficou muito claro se as críticas de Joanna ligadas a um esporte que não é mais tão “limpo e justo” podem ajudar também na busca de soluções pragmáticas para a melhora. Infelizmente, acho que não há nada tão estruturado, mas no mínimo, as reclamações e críticas feitas por ela, deixaram marcas.  A parte ruim é que casos de doping precoce, custos crescentes, categorias de base minguadas e a sede por resultados começando cada ano mais cedo fazem a gente imaginar que o ambiente não esteja caminhando para ficar mais saudável.  Se a aposentadoria de Joanna das piscinas for pra valer – e tudo indica que seja, só espero que ela seja bem sucedida em seus próximos objetivos, começando pela sua última competição/festa de despedida em Abril, na qual tentará angariar fundos para a ONG Infância Livre. Desejo boa sorte, sucesso e que seja muito feliz.

Foto: Satiro Sodré

Sobre Rodrigo M. Munhoz

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24 comentários em “Egoísmo, Medo e Comodismo

  1. Rogério Romero
    10 de fevereiro de 2014

    Muito bom, Munhoz!

    A primeira lembrança que me veio sobre este assunto foi a bolha Vasco-Flamengo. Logo após estourar, a natação brasileira perdeu alguns talentos, desmotivados pelos baixos salários ou mesmo a falta deles, após anos de bonança onde finalista C do campeonato carioca estava ganhando 2 mil reais.

    Aqueles que aguentaram o tranco, procuraram estruturas mais sólidas, em detrimento de mega salários que nunca chegavam.

    A natação cambaleou, mas voltou forte e com novas medalhas olímpicas, apenas fico com receio se realmente aprendeu algo com o episódio. O ano pre-olímpico (quando os espertalhões de plantão dão as caras) vai dizer.

    No caso da Joanna, pelo que li, foi algo natural, afinal ela não tinha mais a gana necessária para treinar e, principalmente, competir.

    Sorte para o terceiro setor, que ganhou uma guerreira.

    Abraço.

    • Rodrigo M. Munhoz
      10 de fevereiro de 2014

      Valeu, Piu.

      Bem lembrado o lance dos altos salários. Eu já não estava mais tão prõximo da natação nessa época das vacas gordas, mas lembro do after shock dessa bolha. Me lembro inclusive de ouvir de uns calotes que pareciam até pertenceram as notícias de futebol. Espero que pelo menos os técnicos com memória da época tenham aprendido algo. Por outro lado, vejo o governo federal hoje fazendo um papel de financiador da elite ol~impica, que não tenho certeza de ser sustentável no longo prazo. O tempo dirá.

      Quanto a aposentadoria da Joanna, concordo com você: Ganham as crianças e o 3o setor local.
      Abraços!

  2. Samuel Tocalino
    10 de fevereiro de 2014

    Oi Munhoz!
    Não vou comentar a respeito do ponto central do seu texto, a aposentadoria da Joanna Maranhão. Concordo com seus argumentos.
    Você abre seu artigo com uma ótima pergunta: “O que é preciso para um jovem atleta olímpico desistir de seu esporte?”
    Coincidentemente, a revista The Atlantic publicou essa semana o artigo “How Olympians Stay Motivated”. Não é a resposta para sua pergunta inicial, motivos para a desistência, mas fala sobre o outro lado da moeda, como continuar.
    O link está abaixo e a leitura é ótima!
    Abs
    http://www.theatlantic.com/health/archive/2014/02/how-olympians-stay-motivated/283643/

    • Rodrigo M. Munhoz
      10 de fevereiro de 2014

      Valeu, Samuel!
      O artigo que você recomenda é ótimo, como a maior parte daquilo que é escrito nesse ícone do jornalismo do pensamento literário que é a velha The Atlantic (percebo que não é mais “monthly”…). Interessante notar como nenhuma das 7 dicas dadas no texto (e que podem ser úteis para a carreira de qualquer um) nem chega perto de recomendar “envolvimento direto com politica esportiva” comoo parte de um plano para se manter motivado… por outro lado aqui no Brasil isso seria importante para a evolução do esporte como um todo, já que se formos depender dos dirigentes somente… fica complicado. Abraços!

  3. Lelo Menezes
    10 de fevereiro de 2014

    Boa Munhoz! Tocou num ponto interessante e pouco explorado. A natação brasileira nunca foi lá muito politizada. Pelo menos no nosso tempo não era. Em todos meus anos de nadador, e não foram poucos, só vi um protesto mais formal. Aquele das meninas que ficaram fora das Olimpíadas (se não me engano de 1996) por 1 centésimo no 4x100m Livre. Ganhei até camiseta da Tania Schu. E na verdade o protesto foi mal direcionado. Se não fez o índice, seja por 1 centésimo ou 1 segundo, não tem que ir mesmo. A crítica deveria ter vindo antes, contra uma convocação por índices, ou pelo menos contra índices muitas vezes absurdos e fora da realidade brasileira. Não é a toa que nenhum nadador de peito brasileiro nadou uma Olimpíada no período de 12 anos (1988 – 2000). Eu acho isso triste e certamente equivocado, mesmo sabendo que ninguém nesse período tinha chance de medalha. E convenhamos que chance de medalha mesmo são sempre no máximo 2 ou 3.

    Relembrando alguns poucos casos da nossa época, todos eles sem protesto: A minha 1a seleção brasileira foi em 1989 (Sul-americano Juvenil) e naquele evento quase não fomos, por causa de falta de verba da CBDA. Inclusive fiquei sabendo disso enquanto descansando em Penedo, no Rio de Janeiro, logo após o Troféu Brasil (consegui uma semana de férias). Quando li no jornal quase desesperei. Acabamos indo, mas no avião da FAB, sem muito dos confortes que precisávamos.

    No 1o Mundial de Curta em Palma de Mallorca, o critério de convocação foi tão ridículo (os 10 melhores índices técnicos do Finkel), que fomos para a Espanha sem NENHUMA menina na delegação. Mas pergunta quantos cartolas foram??? Inúmeros, inclusive um carteiro que ganhou a viagem por ter se destacado no serviço.

    O que me parece estranho no entanto é que falamos sempre de nadadores e CBDA. Mas e os técnicos?? Uma coisa que eu nunca entendi e fui me dando conta quando fui ficando mais velho é que vários dos critérios de convocação eram feitos e/ou validado por uma junta de técnicos. Ou seja, me parece que para poder ser convocado como técnico da seleção, era importante não fazer muita marola contra a CBDA também. Porque vi alguns atletas como a Joana e o Fischer por exemplo batendo de frente com a CBDA (O próprio Cielo o fez também, como o Munhoz mencionou), mas técnico mesmo eu não lembro de ter visto.

    No caso especifico da Joana, concordo 100% com o comentário do Piu lá em cima. A aposentadoria me pareceu algo natural. Não deve ser fácil continuar motivada quando seu melhor resultado é de praticamente 10 anos atrás. Desejo sorte a ela e que continue a lutar por melhores condições para nadadores agora que está fora das piscinas.

    • Rodrigo M. Munhoz
      10 de fevereiro de 2014

      Oi Lelo! Não conhecia essa história das meninas que rendeu até camisetas… Interessante…mas certamente aquela nossa viagem a Rosário abordo do 707 da presidência – o famigerado sucatão – foi mais memorável. Pra não dizer traumática… Lembra na volta que várias máscaras de oxigênio ficavam caindo?
      Quanto aos índices e falta de grana, transparência, cartolas, estranhas regras, etc…nada muito diferente das brigas que a Joanna encarou, hein? E isso deve cansar… Abraços !

  4. rcordani
    10 de fevereiro de 2014

    Boa Munhoz. O sr. me desculpe o longo comentário mas eu já tinha esboçado um texto similar (não tão bom quanto o seu), então aproveito o espaço aqui.

    Joanna Maranhão foi a melhor nadadora brasileira de todos os tempos (estou considerando seu quinto olímpico junto com a Piedade Coutinho), mas embora muito, não foi esse o seu maior legado.

    O maior legado de Joanna Maranhão foi a exposição pública da sua coragem.

    Coragem de peitar a CBDA usando seu prestígio, mesmo sabendo que se ficasse quieta e jogasse o jogo da cartolagem ganharia muito mais.

    Coragem de denunciar (e não esconder) quem abusou da proximidade e a molestou com 9 anos.

    Coragem de lutar para que meninas menos corajosas tenham mais prazo para adquirir essa coragem de denunciar abusos, com a mudança do Código Penal na lei que leva seu nome.

    Coragem de criar uma ONG e doar seu tempo e dinheiro para uma causa que lhe era tão cara.

    Coragem de defender o seu treinador, o seu clube e o seu estado deixando de ter vantagens financeiras em outras agremiações “sudestinas”, como ela gostava de sacanear.

    Coragem de torcer para o Sport, eterno freguês do meu Palmeiras 🙂

    Eu não conheço a Joanna, mas acompanhei e vibrei com sua carreira, e ainda mais com suas disputas inglórias contra a CBDA. Tenho orgulho do comentário que ela fez nesse blog quando concordou comigo sobre o “caso Coaracy”.

    Estou entre aqueles que acredita que Joanna poderia ter melhorado as marcas que obteve tão jovem e obtido resultados ainda melhores em Pequim e Londres, ou seja, eu creio que por uma razão ou outra ela acabou não atingindo todo o seu potencial técnico, mas sinceramente, poucos conseguiram essa proeza.

    Posso afirmar que se eu tivesse o destaque que ela teve, eu seria provavelmente um seguidor da máxima “nadador tem que nadar, política é para os cartolas”. Para o nadador, obviamente esse comportamento mais cordato só traz vantagens, enquanto que o nadador que briga, aponta injustiças e se expõe, acaba beneficiando a todos. Joanna possivelmente se prejudicou mas beneficiou a todos com sua coragem.

    Por isso a comunidade da natação deve muito a você: obrigado, Joanna.

    • Rodrigo M. Munhoz
      10 de fevereiro de 2014

      Bela e merecida homenagem! E de certa forma, sinto muito ter atravessado seu texto 🙂
      A Joanna com certeza não pegou leve nas críticas: sempre mostrou coragem pra brigar pelo correto, e isso é raro em qualquer meio. Deve fazer falta em espaços além das provas de Medley…e merece sucesso nos próximos desafios. Acho que ainda ouviremos dela bastante no futuro.
      Abraços!

    • Jorge Fernandes
      13 de fevereiro de 2014

      RC… nesse final de comentário seu, sobre “se tivesse sido destaque….”, permita-me em parte discordar, pois creio que é de responsabilidade dos destaques da natação, apontar os problemas existentes… quem é destaque não pode se furtar a colaborar com o desenvolvimento e melhoria do esporte, pois ele é que aparece na mídia e que os jovens ouvem, ele é que tem condições de dar voz a uma comunidade sofrida e que deseja mudanças (para melhor, claro)…
      os atletas querem ser como Cielo, Neymar, Bolt, etc.. e não como “zé das couves”, “pé de pato” ou “laranjinha”… rsrsrs…

      do mais, parabéns a Joana, e parar é sempre uma decisão difícil, mas ela demonstra saber o que quer da vida, e contribuir de outras formas para o desenvolvimento não só de atletas, mas também de seres humanos…

      • Lelo Menezes
        14 de fevereiro de 2014

        Como será que o Jorge descobriu que o apelido do RC era Zé das Couves?

  5. Fernando Cunha Magalhães
    10 de fevereiro de 2014

    Belo texto, Munhoz.
    Aspectos políticos bem explorados e discutidos, reservo-me a celebrar a grandiosa carreira de Joanna Maranhão, uma super craque das nossas piscinas.
    Que supere rapidamente o grande desafio de afastar-se do esporte competitivo e alcance sua realização nos caminhos em que se aventurar.

    • Rodrigo M. Munhoz
      10 de fevereiro de 2014

      Valeu Esmaga! Acho que a Joanna já está com um pé bem fincado nesse novo desafio longe das piscinas. Só resta sacramentar a despedida em Abril e mandar ver no “resto da vida” …o que é algo engraçado de falar sobre alguém tão jovem…melhor pra ela!
      Abraço!

  6. Jorge Fernandes
    12 de fevereiro de 2014

    opa… alguém gerou polemica aí ?… rsrsrsrs…
    bom, para começar, eu tenho uma profunda admiração pela Joana não só pelo que conquistou na natação (acho que seus resultados falam por si), mas principalmente pela atitude de denunciar os abusos por ela sofridos… nesse ponto tiro meu chapéu, e digo que teve muita coragem para encarar essa barra que não tenho nem como imaginar o que deve ter passado…

    falando sobre os atletas serem unidos “de fachada”, nessa geração que está aí, acho que ela pode falar com responsabilidade, pois participou…

    na minha humilde opinião, as reclamações devem ser feitas por todos, pois mesmo sendo um esporte individual, é uma comunidade imensa que tem-se por trás, e muitos jovens se espelham nos resultados daqueles que elegem para seus ídolos… eu acho muito fácil (não estou dizendo que ela esteja incluída) alguns de ponta em determinado período, por terem tido seus ganhos comprometidos, vir a público, falar e depois sair de fininho…

    felizmente (ou infelizmente, sei lá) sou de uma época apaixonada pelo que se fazia (eu pelo menos sempre me considerei um apaixonado pela natação), e onde num determinado tempo, abriu-se o verbo contra problemas existentes na época e clamou-se por mudanças… esse processo demorou anos… e nem por isso, os que estavam à frente do movimento sendo na sua maioria os melhores do Brasil, se acomodavam com os resultados (ganhando em sua maioria) ou por convocações merecidas através de resultados…

    e nesse ponto, me desculpem quem me conhece, fiquei chateado com a declaração dela (transcrita aqui do site do UOL):

    “As pessoas têm direito de pensar e falar o que bem entendem. Agora me aponte um nadador que foi a três Olimpíadas, nunca perdeu suas principais provas dentro de casa e nunca se vendeu a ditadura da confederação? Me mostre um”, rebateu.

    bem Joana, nunca fui de querer aparecer, mas quando eu queria (ou ainda quero) afirmar algo fora do meu tempo, eu procuro sempre ter um embasamento, e nesse ponto, parece que para voce, a natação só começou a acontecer sómente na geração Gustavo Borges, Fernando Scherer, e outros… se quiser posso fazer uma relação, onde eu me incluo: 3 Olimpíadas, 3 Mundiais, 3 Pan Americanos, 4 Mundiais Universitários, diversos títulos Nacionais, etc… temos Djan, Prado, Cyro, Luiz Francisco, Mattiolli, Jucá, entre muitos outros, que foram ponta da natação Brasileira e não nos vendemos… se for pouco, posso citar mais alguns…

    ((( por favor me desculpem este pequeno desabafo, mas alguns que aqui leem, podem não saber e acabar generalizando)))

    se forem esperar alguma coisa por conta dos técnicos, todos podem tirar o cavalo da chuva, pois pelo muito pouco que conheço, eles nada irão fazer (DEUS queira que eu esteja errado em minha avaliação)…

    a natação no Brasil perdeu uma oportunidade de ouro quando dos resultados da geração de 90, não sómente pelos resultados, mas pela afluencia maior de dinheiro bancando atletas e a própria entidade… devemos lembrar que os atletas deveria ter sido aproveitados de forma a divulgar mais o esporte e aumentar a base seja em Escolas e/ou clubes…

    natação é um esporte difícil, a geração de hoje está muito imediatista, com acesso a muito mais informações e facilidades do que minha geração )por exemplo)…

    e digo que não é só a natação que está decaindo, mas boa parte dos esportes em geral, pois nossa estrutura baseada em clubes (falidos) não avança, e o maior provedor de material humano (escolas) são deixadas de lado em sua grande maioria…

    volta e meia voce pode observar um resultado mais expressivo de uma modalidade, mas porque foi procurada uma alternativa imediatista, sem planejamento de longo prazo, que é o que falta a nós brasileiros: PLANEJAMENTO DE LONGO PRAZO…

    do mais, desejo todo o sucesso do mundo para a Joana nessa nova fase da vida dela, com seus projetos…

    e cruzo os dedos para que em 2016, consigamos pelo menos 1 (UMA) medalha… não sou otimista para resultados melhores do que isso… mas isso é papo para outra hora…

    abraços a todos…

    • rcordani
      13 de fevereiro de 2014

      Boa Jorge. O artigo que você menciona pode ser lido aqui. Eu poderia mencionar vários tri-olímpicos que “não se venderam”, e você é certamente um deles. Quem sabe ela não se retrata por aqui?

      Abraços!

      • Jorge Fernandes
        13 de fevereiro de 2014

        RC… não é necessário retratar, pois acredito piamente que ela falou por falta de conhecimento… isso acontece… só que pense e/ou pesquise…

        afinal, tivemos natação antes da geração de 90… kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    • Rodrigo M. Munhoz
      13 de fevereiro de 2014

      Obrigado pelo comentário, Jorge! Sua experiência como olímpico e como líder te credenciam bem para responder as “provocações”. Me lembro bem dos nadadores unidos (fins dos anos 80) e politicamente engajados para fazer mudanças na natação e no Brasil…. e você sempre estava lá. Adicionalmente você toca em alguns pontos que eu negligenciei, em especial no lance da diferença de geração… fundamental para entender o porque de não vermos essa falta de investimento no longo-prazo ser acatada hoje. E concordo com você que as perspectivas poderiam ser melhores para 2016. Uma pena.
      Abraço!

      • Jorge Fernandes
        13 de fevereiro de 2014

        Rodrigo… o movimento surgiu (chamávamos de UNN), aproveitando um período de preparação Olímpica… em todo o grupo sempre existirão divergencias, os mais exaltados querendo colocar pra F, os mais comedidos pensando “fora da caixa” e argumentando para o melhor aproveitamento das idéias, principalmente tendo-se um respaldo (seja de informação, ação conjunta e organizada) e no caso de atletas, o ideal é que seja feito de cima para baixo (extrapolando essa imagem, seria “dos TOP para os PEBAS”, rsrsrs)…
        não se colocou ninguém contra a parede nem nada… simplesmente lançou-se um movimento com idéias claras, onde na época o principal objetivo era uma troca na gestão… e nós mostrávamos por a+b da necessidade e com isso a comunidade apoiou e o movimento foi manchete por um bom tempo…
        nas competições de ambito nacional procurávamos solidificar o movimento, reunindo os atletas de todos os clubes (que desejassem participar, era expontaneo o movimento)…
        e pedíamos que eles, nos seus clubes divulgassem o movimento…

        sinceramente, foi muito gratificante o movimento realizado… talvez por ingenuidade tenhamos pecados em alguns momentos, mas foi inédito nos esportes “amadores” da época…

        a mídia foi um veículo essencial para o movimento (UNN)…

    • Julian Romero
      13 de fevereiro de 2014

      Atleta é atleta: a responsabilidade dele é treinar e competir, quando “profissional”, quando recebe pelo que faz. Então quando entram no lado político, sentem-se enfraquecidos pelo poder financeiro, mas isso porque entram sozinhos ou aos poucos, não através de um grupo. E daí o atleta tem tudo a perder. Já passou da hora de existir uma representatividade maior dos interesses do atleta na Confederação. Um atleta fazendo política é difícil. Com uma centena o trabalho fica mais dividido, mais leve e com certeza atrapalhará menos o treinamento que, repito, é o que o atleta tem que realmente se preocupar.

      • Jorge Fernandes
        13 de fevereiro de 2014

        sim, concordo… atleta tem é que treinar…

        e os clubes tem que dar condições para isso, fato que muitos clubes não tem condições ideais…

        a CBDA tem que fazer o que ?… acho que prover as seleções com os melhores atletas do momento, mediante regras estabelecidas, e justas…

        acredito que com o fluxo de dinheiro que “entra” pela CBDA, o papel dela acaba se confundindo um pouco com os clubes (em termos de remuneração), envolvendo até verbas governamentais, através de projetos, ajudas de custo, bolsas disso e daquilo, etc… necessitando de beija mão de um e de outro, e outras coisas mais… e quem cuida dessa divisão ? quais critérios ? são coerentes os critérios ? a verba está sendo bem direcionada, para aqueles de potencial, e principalmente os de potencial de baixo poder economico ?

        o critério de convocações é índice, correto ?
        quem estabelece estes índices ? acredito que uma comissão técnica, correto ? (não creio que seja alguma secretária ou assistente)…

        e acredito que outros pontos devem existir, não sómente estes acima citados…

        então deve-se estabelecer uma prioridade e cair em cima… com propriedade e consciencia, e não simplesmente ficar atirando em tudo quanto é direção…

        se for necessário uma representatividade de atletas, que eles (falando da comunidade toda) se organizem e criem um conselho temporário, visando determinadas competições e/ou temporadas…

        digo temporário, pois sei de cadeira que ninguém terá condições de “doar” seu tempo, durante muito tempo…

        complicada a situação, mas a meu ver, boa parte destes problemas seriam de menor importancia, se tivermos agremiações fortes, comprometidas com a evolução da natação e não sómente “ter” atletas… digo “ter” pois hoje o atleta está num clube e amanhã por melhores ofertas troca de clube… isso é mercado, eu sei, só que as agremiações não capitalizam em cima de suas equipes, não realizam trabalhos de longo prazo de desenvolvimento do atleta, o próprio atleta não se organiza em ter um histórico de seu desenvolvimento, e por aí vai…

        acabei me empolgando e falando demais… fora do tópico inicial… desculpem-me

      • Rodrigo M. Munhoz
        14 de fevereiro de 2014

        Oi Julian! Acho que você está certo. Idealmente, um atleta não precisaria se envolver em política nem se colocar em uma posição que comprometesse sua performance ou mesmo seu foco no esporte. Contudo, não deixo de pensar que antes de atletas (ou concomitantemente a isso), somos cidadãos e queremos justiça, um ambiente esportivo adequado e que a confederação pense não apenas no presente, mas também no futuro do esporte… Imagino que não seja fácil criar um movimento de centenas de atletas, mas com certeza isso facilitaria essa politização, mas mesmo as vozes individuais, são importantes – especialmente nos momentos em que a inércia é maior.

        Fico muito curioso com a história da criação da UNN, citada pelo Jorge. Talvez ele possa contar a história completa por aqui um dia? Seria oportuno. Eu sei que os tempos eram diferentes, os jovens nos 70-80 eram mais politizados, o esporte mais pobre de recursos, o país estava tentando sair de mais de 20 anos de ditadura… ainda assim vejo algumas semelhanças com o momento atual de descontentamento e questionamento no Brasil. Puxa… temos até um “Bom Senso Futebol Clube” conseguindo forte projeção midiática! Não lembro de ter visto isso antes no esporte brazuco-bretão…

        Um abraço e obrigado pelos comentários.

      • Julian Romero
        14 de fevereiro de 2014

        a função da cbda está desvirtuada: de gestora e planejadora ela se tornou primariamente executiva. basta notar que NENHUM campeonato brasileiro pode ser executado pelos seus – teoricamente – braços direitos, as federações. ora bolas, eles precisam deslocar mais de 10 pessoas do escritório da cbda para realizarem funções que em torneios regionais (sudeste, norte-nordeste etc) as federações rodam. um gasto inútil. ainda contratam empresa de marketing para tratar da marca correios nos brasileiros. ora bolas, isso já não é permanente na cbda? mais gasto “especializado” que nos faz pensar se isso é realmente necessário ou se isso aconteceria em época de vacas magras.
        agora discordo que o clube tem que dar condições, porque se o atleta não dá resultado a culpa é do clube que não deu condições mas que também ou é mal gerido ou é sugado financeiramente sem receber retorno, pois veja: levar uma equipe de 40 atletas pra competir, por exemplo, em Brasília (uma sede escolhida principalmente por “questões técnicas”), por 8 dias, com hotel, transporte e alimentação, não creio que o patrocinador do clube – se existir – achará que ficar com o vice-campeonato depois desse gasto todo (nem pode-se chamar de investimento) foi um mau retorno.
        a mentalidade hoje é “venha a mim todo o reino” e quando se exige do atleta “não sou profissional”, como bem já li aqui no epichurus. e ele apenas tá dançando a música que o governo criou, dá bolsa-qualquer-coisa sem olhar para a meritocracia, sem cobrar pelos resultados (afinal, está recebendo, então é um profissional como um mecânico, um jardineiro, um engenheiro) e sem metas quanto a estes resultados! estão distribuindo dinheiro à rodo e tem a convicção que isso compra medalha. poliana okimoto já reclamou: dinheiro tá bom, falta a sustentação, a estrutura, a divulgação.
        a solução existe mas ela tem que vir DE CIMA, não DE BAIXO. se vem DE BAIXO chama-se REVOLUÇÃO. DE CIMA chama-se EVOLUÇÃO.

  7. Sidney N
    13 de fevereiro de 2014

    Legal Munhoz. ótimo tema para discussão! É totalmente compreensível que a motivação de um atleta se esgote depois de tantos anos de sacrifício. No caso da Joanna, certamente fatores extra-piscina também contribuíram para o desgaste.

    Por outro lado, fico pensando se os motivos que levaram à decisão da aposentadoria relativamente precoce, ao menos para os padrões atuais, são um caso isolado ou tendem a se repetir com frequência cada vez maior dada a aparente insatisfação de muitos atletas com a CBDA. Talvez a Joanna tenha pago um preço alto por expor publicamente seu descontentamento; mas também seria interessante saber se outros nadadores de potencial olímpico abandonaram o esporte em função da falta de apoio e transparência na distribuição de verbas, autoritarismo etc.

    De qualquer forma, é uma pena que, às vésperas das Olimpíadas “em casa”, a comunidade aquática pareça mais dividida do que nunca. Ou será que foi sempre assim?

    Abraços

    • Rodrigo M. Munhoz
      13 de fevereiro de 2014

      Oi Sidney,
      Ao seu último ponto: Acho que a comunidade não está necessariamente “dividida”. O problema parece ser uma certa apatia para encarar e promover mudanças na CBDA – o que já vimos que não é fácil e as reclamações da Joanna apenas confirmam isso. A questão é que os nadadores não estão unidos (aparentemente) como já foram ou como poderiam ser – fator necessário para gerar mudanças de longo prazo.
      Abraço!

      • Sidney N
        13 de fevereiro de 2014

        Boa Munhoz, talvez devesse ter usado o termo “fragmentado” para descrever a situação que vemos. A impressão que dá é que existe um vácuo de liderança. Talvez um conselho de ex-atletas notáveis, oficialmente reconhecidos pela CBDA e com mandato fixo, ajudasse a facilitar o diálogo e contribuísse com o desenho de um projeto de longo prazo, tal qual o Jorge mencionou em seu comentário.

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Publicado às 10 de fevereiro de 2014 por em História da natação, Natação e marcado , , , .
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