Epichurus

Natação e cia…

Na Olimpíada do ao contrário ficamos com três ouros, uma prata e dois bronzes

Agora que os jogos Olímpicos de inverno acabaram acho oportuno analisarmos como foi a participação brasileira. Queria começar olhando o que as confederações responsáveis acharam de nosso desempenho.

No site da CBDN lemos o seguinte destaque: Image

CBDN celebra sucesso de Sochi-2014 pensando em promissor futuro

“Feitos inéditos nos Jogos Olímpicos de Inverno colocaram o Brasil como destaque latino-americano nas modalidades de neve.”

O site da CBDG segue no tom ufanista com o seguinte destaque:

Campanha históricaImage

Blue Birds voaram baixo nas pistas de Sochi. (Foto: Getty Images)

“O Brasil lutou, mas não conseguiu chegar à final do Bobsled masculino”… “O resultado não foi o esperado, mas”… “Nós sempre fomos conhecidos como uma equipe desorganizada, que fazia tudo errado. Todos agora estão nos parabenizando. Estamos conquistando nosso respeito…”

Bom lendo estes sites fiquei animado, mas como curioso que sou resolvi olhar os resultados das provas em detalhe para entender o que a CBDN chama de feito inédito e a CBDG chama de campanha histórica.

Listo abaixo as provas onde tivemos participação verde amarela com a colocação e número de atletas que concluíram as provas:

Atleta Modalidade

Coloção

Número de Atletas

Edson Bindilatti

Odirlei Pessoni

Edson Martins

Fabio Silva

Bobsled

29

30

Isabel Clark Ribeiro Snow Board Cross

14

23

Fabiana Santos

Sally Silva

Bobsled

19

19

Maya Harrison Giant Slalom

Slalom

54

39

67

49

Jonathan Longhi Giant Slalom

58

72

Jaqueline Mourão Biathlon 7,5 Kmts

Biathlon 15 Kmts

Cross Country Sprint

77

76

65

84

78

67

Leandro Ribela Cross Country Sprint

80

85

Joselane Santos Esqui de Estilo Livre

22

22

Isadora Williams Patinação Artistica

30

30

Este quadro me parece auto explicativo, participamos de 12 provas, ficamos em último em três, penúltimo em uma, antepenúltimo em duas e conseguimos uma colocação mediana em apenas uma das modalidades com a experiente Isabel Clark Ribeiro no Snow Board Cross.

Vamos então olhar mais delicadamente duas provas uma de cada confederação:

Queria começar pela participação de Joselane Santos que como expliquei no meu post anterior substituiu a Laís de Souza no Esqui de Estilo Livre. Bom, Josi ficou em último lugar, na verdade ficar em último nem descreve muito bem o que aconteceu, deixa eu tentar colocar a prova dela em perspectiva.

A vencedora da prova realizou com quase perfeição um triplo mortal com três parafusos recebendo pelo salto 98,01 pontos. Josi realizou um mortal simples marcando 49,60 pontos no melhor de seus dois saltos. Pior do que isto, Josi não usou a mesma rampa que as outras atletas, ela usou uma rampa lateral muito mais baixa que as outras. Sinceramente eu ainda não entendi se era uma rampa para aquecimento ou se era para os atletas café com leite.

Vamos agora olhar o desempenho dos blue birds que a CBDG classificou como campanha histórica e um de seus integrantes diz orgulhosamente que agora não são mais conhecidos como uma equipe que faz tudo errado.

Bom parece que nem todo mundo concordou com esta opinião, pelo menos foi o caso do ex presidente da CBDG Eric Maleson que abertamente criticou a equipe brasileira por treinar com um trenó com “aspecto de sucata”.

Image

O tal trenó brasileiro durante o treino e antes da funilaria e pintura

Parece que a CBDG nunca teve um trenó e que finalmente resolveu comprar um usado da equipe de Mônaco. Como a equipe de bobsled tinha que se dividir entre os treinos para a competição, o hino de rap oficial de Socchi e a pintura do trenó vemos bem o que ficou por último. Pelo menos foi esta a discussão que travaram no Facebook  o ex-presidente Eric Maleson e os atuais membros da equipe de bobsled .

Um observador astuto poderia até dizer. Vocês podem até criticar, pelo menos não ficamos em último !!!

Nada mais verdadeiro que isto, o que a CBDG classifica como “Campanha histórica” se traduz em um penúltimo lugar 0,04 segundos à frente do terceiro trenó do Canada. Aqui novamente um pequeno detalhe, o Canada 3 capotou no meio da segunda descida e foi de cabeça para baixo até o final, perdendo 4,74 segundos em relação a sua primeira descida, num clássico nós capota mas não breca, tão comum nesta modalidade.

Parafraseando um dos maiores pensadores brasileiros, nosso querido Barão de Itararé:

De onde menos se espera, é justamente daí que não sai nada mesmo.

O que quero dizer com isto é que nem vou entrar no mérito dos atletas, competir no mais alto nível esportivo morando num país onde nem neve tem deve ser uma tarefa para lá de Hercúlea. Não acho que eles devam ter vergonha do resultado pois estou certo que se dedicaram para mostrar o melhor desempenho possível.

O que realmente me incomoda nesta história é esta emenda de uma meia verdade na outra, este uso de adjetivos absurdamente mal colocados para tentar oferecer ao grande público uma realidade paralela e fantasiosa.

Para que isto? Por que não falar a verdade?

Por que não falar o famoso “Não fui feliz, prometo melhorar”?

Isto pelo menos eu conseguiria engolir. O que está particularmente difícil é ver esta turma torrando dinheiro público sem dar nenhuma satisfação para a sociedade, ou melhor, dando uma versão pra lá de Marrakesh na tentativa de aumentar ainda mais seus benefícios e zonas de influência.

Eu adoraria saber o quanto realmente custou mandar estes 13 atletas e sei lá quantos dirigentes, técnicos e agora a famosa equipe multidisciplinar nesta empreitada no mínimo questionável.

Olhando no site da CBDN podemos ver que em 2012 tiveram receita de R$ 2,3 mio através de diversas fontes públicas e algumas privadas. No caso da CBDG a coisa é mais complicada, esta confederação sofreu intervenção federal em Novembro de 2012 sendo indicado como interventor Emílio Strapasson que acabou se elegendo presidente seis meses depois. O ex-interventor e agora presidente ainda não teve a gentileza de publicar um balanço no site.

Coincidência ou não, em Junho de 2012 o então presidente da CBDG Eric Maleson tentou disputar a presidência do COI para o quadriênio de 2013-2016 contra a chapa encabeçada por Carlos Arthur Nuzman. Ele não conseguiu os votos necessários para concorrer e Nuzman venceu o pleito em chapa única. Não sei o que vocês acham mas chapa única é complicado…

Este fórum contém atletas, muitos inclusive que participam/ participaram de competições internacionais usando o dinheiro público. Será que este modelo do tudo pode é saudável? Será que devemos continuar torrando dinheiro sem foco e sem objetivos palatáveis?

Minha opinião pessoal é que mais uma vez fomos enganados e me entristece ver que isto está se tornando bastante recorrente.

Não poderia terminar este post sem dar uma atualizada na situação de nossa querida Lais dos Santos Souza. Ela foi transferida para o Jackson Memorial Hospital em Miami e acaba de deixar a unidade de terapia intensiva. Ela já está respirando e comendo sozinha e já aprendeu a dirigir sua cadeira elétrica e tem passeado pelos corredores e jardins do hospital. Fica aqui o meu voto de melhoras.

19 comentários em “Na Olimpíada do ao contrário ficamos com três ouros, uma prata e dois bronzes

  1. Ricardo Firpo
    5 de março de 2014

    há um tempo atrás, foi discutido aqui se o competidor iria a Olimpíada por qualquer país, e se o importante era ir – pelo menos, assim me pareceu…. Parece-me um caso parecido! Apesar da cobertura na tv ter sido muito mais fraca do que os jogos anteriores (talvez fuso?), acompanhei tb pelos sites especializados, e sempre me pareceram jogos muito legais, tendo neve ou não no país.
    No caso do Brasil, passamos pelo mesmo problema do malandro que vai aos jogos somente para sacudir a bandeirinha no desfile e eu me pergunto quem iria falar para o cara da natação “Pô, cara, vir na olimpíada para fazer um minuto e tanto, nos 100….”. Ou para o judoca que toma ippon na primeira luta. Ou para o cara que toma uma sova na primeira partida de tenis de mesa (que para mim sempre foi o bom e velho pingpong). Não somos só nós…..
    O que acontece – na minha opinião – é que como um reflexo do governo que temos, onde sempre aparecem três dirigentes para cada atleta competidor. E isso acontece até em clubes! Já vi muito isso acontecer…. Não vou citar aqui onde isso aconteceu, mas já tive viagem em que acreditava que o dirigente ia para facilitar a minha vida, e na hora eu não encontrava o cara pq ele vivia passeando, e só apareceu no último dia para receber o troféu de campeão do torneio! E melhor, pegou o MEU agasalho do clube para presentear um outro dirigente….
    Mas, voltando – o problema de alguns dirigentes é que o poder parece corromper absolutamente….. E outra coisa: meu técnico de natação dizia uma coisa muito interessante! Ele dizia que o cachorro é o melhor amigo do homem pq não conhece dinheiro…. O dia que vc der 10 reais para ele ir almoçar na esquina, ele vai passar a te morder todo dia para ter mais! É mais ou menos o que acontece. Rolou dinheiro, aparece bicão!
    E por último:
    Meus sobrinhos me mostraram uma propaganda de uma firma de artigos esportivos que brinca justamente com isso. Dá uma procurada numa propaganda sobre o rugby do brasil em comparação com o da argentina. É a mesma coisa. Dessa posição só podemos subir…..

    • laurivalshita
      5 de março de 2014

      Caro Ricardo,
      Muito pertinente o seu comentário.
      Minha opinião é que o Brasil deve sim ser representado numa Olimpíada de Inverno.
      Acho saudável mandar um ou outro atleta que consiga ter um desempenho mediano. É importante levar a nossa bandeira para esta festa tão bonita.
      O que não é natural é levarmos a maior delegação da america do sul e ter um desempenho ridículo. O que não é natural são as fontes oficiais acharem que nosso desempenho foi histórico tentando vender gato por lebre.
      Não conheço um atleta que iria negar um convite para participar de um jogo Olimpico, por isso é importante contar com o discernimento dos cartolas o que neste caso claramente não existe.
      O que esta acontecendo é que houve um aumento gigantesco nas verbas do COB e este dinheiro tem sido usado de forma as vezes muito questionáveis, como me pareceu ser este caso.
      É uma pena pois dinheiro definitivamente não esta sobrando neste país.
      Quanto aos seu ultimo comentário, você provavelmente não sabe, mas o time de rugby feminino do Brasil é eneacampeão sulamericano de Rugby e coincidentemente ocupa atualmente a nona posição no ranking MUNDIAL da categoria.
      Neste caso parece que as verbas publicas estão sendo bem aplicadas.

      • Ricardo Firpo
        6 de março de 2014

        realmente não sabia das meninas do rugby….. Citei a propaganda pq a achei bem bolada, e por eles brincarem com o progresso do time. Dá uma procurada para vc ver! Na verdade, eu quis falar sobre como, Às vezes, tentam nos passar atestado de pateta. Veja só o que quero dizer: Brincavam que a propaganda russa na época a guerra fria era pesada, e sempre exaltando os soviéticos…. Pois bem, resolveram fazer uma competição entre o símbolo da industria automotiva americana contra o símbolo soviético. Pelos EUA, veio o mustang da ford – motor enorme, v8, potência pura. Pela URSS, um Lada (lembra dele?) – carrinho feio, só lata, motor horrível…. No dia seguinte, os jornais soviéticos comemoravam o resultado “O Lada chegou num honroso segundo lugar, com ótimo desempenho, enquanto o carro americano somente chegou em penúltimo.”
        É mais ou menos por aí.
        Também concordo contigo quanto ao “desempenho mediano”.
        mas tb gostaria de um certo critério nestas convocações. Não se se houve alguma coisa parecida com isso. Confesso que não tenho idéia de como foram chamados.
        No caso do bobsled, parece que juntaram uma certa experiÊncia com velocistas do atletismo. No salto, já foi comentado no blog….A menina do snowboard, se não me engano, nos jogos passados vinha bem atrás e umas competidoras se embolaram e ela passou pelo lado, chegando numa boa colocação. Sorte? Com certeza! Mas, parece que ela continua tentando….
        Quanto a verbas do governo, acho que elas devem existir, sim. O problema, como já disse, é o critério meio esquisito. E acaba repetindo o que acontece no dia-a-dia do governo. Acho que acaba sendo o mesmo caso da destinação de emendas ao orçamento da camara – acaba recebendo quem é mais amigo do rei!

  2. Aécio
    5 de março de 2014

    Bom, vamos ver se meu pensamento é certo…….. As federações e Confederações devem apoiar de todas as formas possíveis as bases dos seus esportes (eventos de qualidade, aperfeiçoamento dos treinadores, equipamentos de primeira linha, etc) tentando dali descobrir os mais talentosos, mas não deve haver pagamento de governos ou federações para atletas. Essa questão de salários eles devem se entender com seus clubes e patrocinadores.
    Por outro lado, essas mesmas Federações e Confederações devem sim enviar nossos melhores atletas para as grandes competições do planeta oferecendo a eles o que existe de melhor em preparação.

    Só que usando os fracos índices estabelecidos pelas organizações internacionais que controlam os esportes corremos o risco de mandarmos gente que nem atleta em formação é, como aconteceu agora nos Jogos de Inverno. E como já disseram em outro post aqui do Blog, usando padrão FIFA nas despesas.
    Dos 13 que foram, no máximo TRÊS deveriam ter ido. Passamos vergonha!

    E como solucionar? Bom, há uns anos atrás, conversando com o Alberto Klar em Santa Bárbara D’Oeste, ele me afirmou que a natação do Brasil só evoluiu em relação aos grandes do mundo quando optou por levar menos gente de média qualidade para passear e focou nos melhores nomes. A Natação do Brasil passou a usar índices próprios para os grandes campeonatos, como ou oitavo tempo do mundo no mundial anterior (naquela época) ou o tempo do último semifinalista da Olimpíada. Nada de índice B! Assim, só vai quem merece e se esforçou muito para ir.

    Quanto ao discurso ufanista, acho que não engana ninguém, pois quem lê notícias destes esportes no Brasil é só quem sabe o que se passou por lá.

    E o Bobsled do Brasil continua fazendo tudo errado sim. Quem viu notou que o piloto nem conseguia entrar dentro do trenó! Tropeçou na lateral, ficou meio enroscado, atrasou os parceiros, deu de bico na parede, e tudo isso aconteceu quando ainda não tinham chegado na primeira curva!
    E se querem saber, e já escrevi isso aqui, ainda acho que a menina dos aéreos foi o Eric Moussambani dos esquis.

    • laurivalshita
      5 de março de 2014

      Hoje o país paga bolsa atleta para cerca de 6.000 atletas. Isto não seria o mesmo que salário ?

      • Ricardo Firpo
        6 de março de 2014

        mas como te falei, o problema é critério e avaliação de desempenho, realizados com competência e menos politicagem…. Se não, vira bolsa família!!!

  3. pacheco
    5 de março de 2014

    Muito bom post e concordo com tudo.
    Chega de engambelacao!!!
    Que tal o governo focar nos inumeros problemas reais que o pais tem, em vez de circo?
    Qual externalidade positiva se consegue extrair de investimento nisso? Nenhuma!

  4. rcordani
    6 de março de 2014

    Muito bom Laurival.

    Na minha opinião o esporte deveria ser usado com propósito educional, e nesse contexto os olímpicos servem como guia e são muito importantes. Tipo o Cielo é importante porque ajuda a colocar a massa na piscina. Já esportes de neve não tem esse propósito, então deveríamos gastar muito menos dinheiro com essa festa.

    Uma vertente interessante que o Lolô escreveu no caralivro foi o incentivo de esportes de pista de gelo no Sul. Aí sim. Mas neve?? Os caras só podem estar de brincadeira!

    • Alexandre Lomonaco
      6 de março de 2014

      É isso mesmo Cordani, acho que não faz sentido o Brasil pôr dinheiro público em esportes com neve já que não temos atletas nem neve, isso acaba sendo uma forma de propaganda e divulgamos para o brasileiro ir esquiar ou seja viajar para Argentina, Chile, Europa e America do Norte. Quem deve se preocupara com isso são esses países. Mas realmente podíamos desenvolver de forma séria (isso que é difícil) esportes como patinação e curling nos estados “gelados” do sul e atrair turismo e negócios para lá. Hoje tem até um parque chamado snowland lá, que fabrica neve mas algo bem longe de uma montanha esquiável.

  5. Antonio Carlos Orselli
    6 de março de 2014

    Permitam-me destoar do tom educado dos que me antecederam nos comentários. Mandar equipe, com 1 ou 13 para a Olimpíada de Inverno é palhaçada.

    • laurivalshita
      7 de março de 2014

      Caro Antonio,
      Como falei no post, acho importante participar da festa e honrar o espirito do Barão de Boubertin, onde o importante é competir. Fora isto, acho que a Isabel Clark teria todo o direito de carregar nossa bandeira, como fez na Olimpíada passada. Sou sim a favor de mandar os atletas medianos.

  6. Rodrigo M. Munhoz
    6 de março de 2014

    Muito educativo este post! Não havia visto nenhuma análise dessas na imprensa… E o ponto não é apenas que aparentemente essa participação em Sochi foi um péssimo investimento, mas também não deve trazer nenhum benefício social ou educacional futuro. E esse negócio de CBDN e CBDG é simplesmente ridículo! Eu estou com o Orselli nessa avaliação geral: Palhaçada! Abraço ao Laurival!

  7. Patricia Angelica
    7 de março de 2014

    O pior, na real, é como disse o Munhoz acima: a imprensa assumindo o discurso ufanista, sem um mínimo de pensamento crítico!

    E quando se pergunta porque no “jornalismo” esportivo (aspas porque hoje esse “jornalismo” tem mais cara de entretenimento e assessoria) tudo tem que ser positivo, pachecada, dizem que é assim que as notícias vendem…

    E assim, o povo vai vivendo na ignorância, no Pão & Circo… porque tudo é lindo, nosso país não tem nenhum problema e somos mais ricos que EUA e UE juntos!

    Obrigada, Laurival, por trazer a visão crítica que a nossa mídia não foi capaz!

    • laurivalshita
      7 de março de 2014

      Cara Patricia,
      Se você fosse uma jornalista escalada para cobrir os Jogos Olímpicos de Inverno com passagem e estadia paga, credenciais para todos os eventos e nenhum chefe por perto, você falaria a real ou ia tentar vender uma realidade dourada para manter seu trabalho e a boquinha ?
      No atual sistema de capitânias hereditárias do esporte brasileiro, falar mal do ixquema deve ser profissionalmente muito complicado. Digo isto porque não acho que jornalista esportivo pode se dar ao luxo de falar mal do governo.

  8. Julian Romero
    7 de março de 2014

    Pertinente este comentário. Estou acompanhando as notícias dos Jogos Sul-Americanos da Folha de S.Paulo, do Paulo Roberto Conde, que viajou a Santiago com despesas pagas pelo COB. Tenho convicção que vocês não lerão nenhuma notícia negativa envolvendo o COB durante estes Jogos. Não existe uma obrigação para os convidados rasgarem seda para quem está bancando, mas é uma situação diplomatico-jornalística: vai cuspir no prato que está comendo?

    • rcordani
      7 de março de 2014

      Jornalista da Folha pago pelo COB? Tá assim hoje em dia, é? 😦

  9. Lelo Menezes
    7 de março de 2014

    Excelente Laurival. Compartilho vossa opinião. Acho que o atleta tem direito de ir para as Olimpíadas, caso ele seja o melhor do Brasil, mesmo que seja para ficar em último. Acho digno! Acho justo! Agora, dinheiro público patrocinar esporte de inverno é o fim da picada. E essa de jornalista pago pelo COB é absurdo hein! A que ponto chegamos!

  10. Julian Romero
    7 de março de 2014

    Não se espantem, é natural isso acontecer. A Adidas, por exemplo, pagar as despesas dos jornalistas para conhecer a nova chuteira ou uma construtora lançar um novo prédio de luxo. Além disso, não é tudo ruim, o Comitê Paralímpico também banca as despesas de alguns jornalistas nas viagens para Mundiais e Olimpíadas com o intuito de ajudar na promoção. Faz parte da estratégia de comunicação de quem contrata. O conflito sempre vai existir SE houver o fato negativo contra o contratante…

    • laurivalshita
      8 de março de 2014

      Caro Julian,
      O seu comentário mostra o quanto ainda é difícil diferenciar o publico do privado.
      Se a Adidas, em sua estratégia de marketing, coloca no custo de um novo produto o “convite” para uma inauguração acho que é um direito deles. Afinal é uma empresa privada que faz com o seu dinheiro o investimento que quiser. Isto não pode ser comparado ao COB levar jornalistas para cobrir a Olimpíada de Inverno. Porque não ? Porque o COB usa dinheiro publico. O ixquema se tornou tão profissional que os caras estão fabricando loucuras, embalando e entregando via mídia chapa branca. Enquanto isto a maioria de nós acha isto quase normal. Olha que coisa impressionante, os caras PAGAM para um jornalista ir para o outro lado do mundo fazer propaganda chapa branca. As questões que este fato levantam são inúmeras, quem escolhe o jornalista amigo? Quanto custa esta brincadeira? Qual é a verba de propaganda da CBDN e CBDG ? Tem algum tipo de concorrência para tomar esta grana? Infelizmente o esporte brasileiro esta flertando com as paginas policiais há algum tempo e a Copa do Mundo e Olimpíada estão fazendo estas questões emergir de uma forma, espero eu, definitiva.

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Publicado em 5 de março de 2014 por em Natação.
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