Epichurus

Natação e cia…

Obstinação ao quadrado

1985. Em um ano inteiro, não perdi nenhum treino, não matei nenhum metro, mais que isso, combinei com Kaminski de chegar meia hora antes e nos dedicávamos as séries de flexibilidade que sentíamos que nos fazia falta

A temporada na praia já havia terminado. Os treinos ainda não haviam começado, mas voltei a frequentar o clube diariamente. Caia  na água junto com o Renato (Ramalho) que treinava sozinho para o Sulamericano de Rosário. Não fazia os treinos inteiros, até porque eram bastante longos, pois preparavam meu amigo para a prova de 400m medley. Se a série era de 10 tiros de 200m, eu nadava descansado os segundos 100m de cada tiro para puxá-lo. Ficava envolvido em um ambiente de realização e sonho, com a primeira convocação dele para uma Seleção Brasileira. Alimentava os meus e aproveitava para fazer uma manutenção na forma física visando a nova temporada.

SULAMERICANO EM ROSARIO

Edu sula 85 seleção

Delegação Brasileira no Sulamericano de Rosario (acervo família De Poli)

Foi um grande e inédito feito para a natação paranaense ter 5 atletas convocados. Isso já foi uma injeção de ânimo para a natação do nosso estado, mas além disso, Betina Kleiner, Felipe Michelena, Luiz Fernando Graczyk e Eduardo De Poli do Clube do Golfinho e Renato Ramalho do Clube Curitibano deram um show.

Extinto Jornal Correio de Notícias. Acervo Luiz Fernando Graczyk, como todos os outros recortes do sulamericano.

Extinto Jornal Correio de Notícias. Acervo Luiz Fernando Graczyk, como todos os outros recortes do sulamericano.

Felipe Michelena melhorou quase 7 segundos do tempo que lhe garantiu o ouro na prova de 200m peito no Campeonato Brasileiro, ganhou a prova, quebrou o recorde do campeonato e garantiu o melhor índice técnico da competição.

De Poli e Graczyk  fizeram dobradinha nos 400m e 1500m livre. Ouro e recorde para o Edu, que fizera 4m12s nos 400m livre no Julio de Lamare, 3 meses antes. 4m08s no Troféu Brasil. 4m05s na Argentina.

200m livre. Ouro para Rebollal, bronze para Graczyk.

200m livre. Ouro para Rebollal, bronze para Graczyk.

Betina venceu e quebrou recorde na prova de 200m peito.

O Renato teve sua primeira vitória num confronto direto com Julio Rebollal. Levou o ouro nos 400m medley, também com uma evolução impressionante: 4m50s para o ouro em Juiz de Fora. 4m46s8 para garantir a convocação no Troféu Brasil. 4m41s em Rosario.

062

Enchemos um ônibus e fomos ao aeroporto Afonso Pena, de faixa nas mãos, receber o colega campeão. O voo atrasou muito mas não diminuiu a festa.

Dias depois, a Rede Manchete foi ao clube fazer uma reportagem, às vésperas do aniversário de Ramalho, os colegas organizaram um corredor na lateral da raia e na filmagem, ele chegava sprintando enquanto os colegas cantavam “parabéns”. Entrevista dele. Entrevista minha. Escolhido para responder o que significava para os colegas a conquista do amigo. Celebrei a vitória dele e afirmei que vê-lo chegar lá, me fazia acreditar que eu poderia ser o próximo.

QUEBRANDO A BARREIRA DOS 2 MINUTOS

No começo de temporada, evolui nas provas mais curtas. Estacionei nas mais longas. Foi o ano em que percebi que não era fundista. Mas continuei treinando entre eles (por vários anos). Acreditava no “quanto mais, melhor”.

No primeiro Regional Sul em piscina curta, no antigo Esporte Clube Pinheiros de Curitiba, hoje Paraná Clube. Nadei muito bem o 200m livre e fiz 1m59s6. Venci a prova na categoria Juvenil B. Na série seguinte, Kaminski quebrou o recorde paranaense absoluto 1m57s.

Fomos os principais destaques da equipe na competição e foi engraçado ver a turma formando duplas, após o anúncio do recorde do Kaminski, para fazer alongamentos, como nos viam fazendo nas semanas anteriores.

FINKEL GELADO NO CLUBE CURITIBANO

Começo de julho, piscina aberta em Curitiba. Um gorro vermelho foi o símbolo para o Troféu José Finkel. E não deu outra: um frio de lascar!

O critério de participação ainda era de dois atletas por clube, por prova. Não eram todas as equipes que participavam do torneio, que tinha um nível técnico bem abaixo do Troféu Brasil.

Nas arquibancadas, uma divertida disputa de gritos de guerra e pequenas esquetes entre as equipes do Flamengo, liderados por Jorge Fernandes e a turma do Pinheiros de São Paulo.

Nadei 200m, 400m, 800m e 1500m livre. Os 800m ao lado do Rojer Madruga. Só consegui acompanhar os primeiros 50m. Fiquei fora da final nos 400m e em 8o nas outras três provas.

O Curitibano conquistou várias medalhas. Ouro para Ramalho e Kaminski. Marcia Resende voltou ao pódio e Tite Clausi chegou lá pela primeira vez. Depois de marcar 58s56 na eliminatória dos 100m borboleta, garantiu o bronze na final.

Fechando a competição, o 4x100m medley. Ramalho, Kaminski e Clausi deixaram nosso time na disputa, mas Christian Carvalho caiu para fechar com Jorge Fernandes, André Fiore Luis Osorio Anchieta Neto e Marcus Mattioli. O chumbo era muito grosso para resistir: 4º lugar.

(NA. Cordani lembrou-me que Fiore foi em borboleta, e Luis Osorio fechou em crawl. Mesmo após a vencer a prova de 1500m, ainda teve forças e gás para segurar Jorge Fernandes – tarefa dificílima).

Veja aqui os resultados desta competição.

BIONDI SUPERA ROWDY GAINES

A principal notícia do ano no cenário internacional foi a quebra da barreira dos 49s nos 100m livre. No início de agosto, Matt Biondi marcou 48s95 no US Open, superando os 49s36 que Rowdy Gaines havia marcado em 1981.

UNIVERSÍADES DE KOBE

Os Jogos Mundiais Universitários foram disputados no Japão em Setembro. Biondi estava lá, nadou para 49s e foi o principal destaque da competição.

Pradinho também estava e levou o ouro nos 400m medley com excelentes 4m20s 4m19s83.  (N.A. ao escrever o post lembrava do tempo 4m20s37. O sempre atento leitor, Renato Cordani, lembrou-me que o tempo que eu lembrava também foi obtido no Japão, quando Prado venceu o Pan Pacific, semanas depois, marcou novamente o melhor tempo do mundo no ano na Universíade).

Leonardo Del Vescovo, nosso técnico, foi um dos responsáveis pela delegação brasileira. Newton Kaminski e Marcia Resende foram competir. Voltaram cheios de histórias.

Kaminski trouxe de presente para mim uma sunga da Speedo, que foi a minha titular por um bom tempo. O Léo trouxe de presente informações técnicas, muito importantes.

Kobe 85

MUDANÇA DE ESTILO, NO RASTRO DO RECORDISTA

Depois de ouvir histórias da cultura do povo, da organização dos Jogos, dos colegas de outros clubes, das provas, e dos grandes atletas da competição, o Léo me chamou para falar detalhadamente do nado de Matt Biondi.

Não tínhamos nenhuma gravação em vídeo, apenas os registros da memória dele: “Maga, o tempo de braçada é diferente. Enquanto faz a extensão plena do braço que está a frente, já inicia a recuperação do braço que finalizou a braçada. É assim que Biondi nada. Vamos tentar fazer igual”.

Adaptei-me bem a mudança. Estava mais forte. A posição do corpo mudou na água, o quadril subiu e com isso, conseguia manter a pernada em 6 tempos por mais tempo.

Em pouco mais de um mês foi testar o novo estilo em outro Torneio Regional, agora em piscina longa, no Clube do Golfinho.

Época em que ainda se aceitavam largadas em falso, lembro-me que na prova de 100m livre, alguns adversários queimaram a primeira largada. Meus colegas na arquibancada começaram a puxar um coro de “desclassifica, desclassifica!” – eu estava tão confiante que virei para eles atrás do bloco e comecei a sinalizar “não, não”, balançando os dedos – nenhuma desclassificação.

Dominei a prova desde o início, abri um corpo de vantagem, melhorei meu 57s08 para 55s97 – novo recorde paranaense para a categoria Juvenil B. Mas, nessa prova, não estavam nem o Graczyk, nem o Edu, e ainda tínhamos o estadual e o brasileiro pela frente.

ESTADUAL NA UEL

Não havia a possibilidade de fazer segunda chamada nas últimas provas do ano letivo e perdi a primeira manhã do Campeonato Estadual em Londrina. Não nadei a eliminatória dos 100m livre. Léo conseguiu uma autorização para eu nadar a final em observação na raia A.

Nadei em 56s5. Cheguei em 4º, atrás dos dois citados anteriormente e ainda Luiz Fernando Queiroz, um londrinense muito rápido, do Canadá Country Club. Estava convicto de que poderia vencê-los e foi uma ducha de água fria.

Pior, ao chegar no hotel, lembro de encontrar um dirigente com a edição de O GLOBO com os resultados do Cariocão. Levei um choque quando soube que Gilberto Silva, do Flamengo havia ganho os 100m livre no Juvenil A, com 54s69. 1,3s abaixo do meu melhor tempo e uma categoria abaixo.

DE OLHO NO JULIO DE LAMARE

E foi com esse baque, que entrei nas últimas semanas de preparação para o Campeonato Brasileiro, Troféu Julio de Lamare, que seria disputado no Clube do Golfinho.

JD85 - Cópia (2)

Em mente, o objetivo fixado no pacto com meu amigo Luiz Alfredo Mäder uma ano antes ao final do brasileiro de Juiz de Fora. Chegar às finais.

O que aconteceu, você saberá no próximo post.

 

Compartilhe suas lembranças do ano de 1985 e dessas competições. Será muito bom lembrar com vocês.

Forte abraço,

Fernando Magalhães

 

Sobre Fernando Cunha Magalhães

Foi bi-campeão dos 50m livre no Troféu Brasil (87 e 89). Recordista brasileiro absoluto dos 100m livre e recordista sulamericano absoluto dos 4x100m livre. Competiu pelo Clube Curitibano (78 a 90) e pelo Pinheiros/SP (91 a 95). Defendeu o Brasil em duas Copas Latinas. Foi recordista sulamericano master. Trabalha como gerente da Academia Gustavo Borges e consultor da empresa Vendas 3i. É conselheiro do Clube Curitibano.

33 comentários em “Obstinação ao quadrado

  1. rcordani
    27 de outubro de 2014

    Muito legal Esmaga.

    Esse Finkel de 85 não foi o meu primeiro, foi o segundo, mas ao contrário de 1984 (que eu só nadei porque foi no Pinheiros), nesse eu já era um quase nadador. Fui DQ nos 400M, e também nadei os 800L. O Charlão obteve a seguinte programação: 1500, 800, 400, 400M e 200B, tá bom ou quer mais? Nos 200 peito fiquei em décimo primeiro, não muito longe da final, nadei ao lado do Maviael e fiquei empolgado ao ver que os “bons” não estavam tão longe assim. Tava uma friaca na faixa de 2-5 graus! Eu tenho os resultados da Aquatica e te mando para você postar um dia desses junto com o TB de Campinas que fiquei devendo.

    Quanto ao 4×100 4 estilos: no ECP o Banana nadou costas, Chico peito, Fiore borbola e o Luis Osorio fechou de crawl. Eu lembro bem da cena quando o Luis pulou na frente do Jorge, o Luis tinha acabado de ganhar uma prova de fundo (800 ou 1500) mas em 1985 para segurar o Jorge era preciso estar meia piscina na frente, vantagem que o ECP não tinha. Deu FLA.

    Os tempos dos flamenguistas do Juv A do Flamengo eram mesmo impressionantes, Fabrizio Perricone, Emannuel, Gilberto Silva e cia formaram uma das melhores equipes juvenis de todos os tempos – o Vreco falou isso outro dia. Vou deixar os outros comentários para o post ref ao JD (ou vai que eu me empolgo e faço um post sobre o meu JD de 1985).

    Abração

    • Fernando Cunha Magalhães
      27 de outubro de 2014

      Alô Cordani,

      minha memória indicava Raul Vianna de borbola e Fiore em Crawl, mas pensando agora nesse lapso de memória, acho que foi nesse Finkel que o Raul quebrou o dedo em uma chegada de prova.
      Tite confirmará o pódio dos 100m borbola enquanto a Aquática não chega.

      • rcordani
        27 de outubro de 2014

        A Aquatica chegou, está em casa, mas não vai ter o nome dos caras do reveza.

        Outra coisa dessa competição foi os peitos. O Chicão não sei se não estava treinando muito ou se estava meio de brincadeira mesmo, mas nos 200P ele deixou o Kaminski abrir uns 2-3m até os 150m, depois deu um tiro de 50 e passou, ganhando o ouro.

        Aí foi fazer o mesmo nos 100P mas não deu tempo e acabou ficando com a prata. Cito isso de memória, de noite olharei as Aquaticas!

      • Fernando Cunha Magalhães
        27 de outubro de 2014

        Confere com as minhas memórias.
        Chico venceu de virada os 200m.
        E perdeu os 100m.
        Agora, se tinha mesmo essa intenção e domínio, não sei.

      • LAM
        29 de outubro de 2014

        acho que o Raul Vianna quebrou um dedo na chegada da eliminatória dos 50 Li do Finkel do ECP. eu tinha apostado nele p pódium …

      • Fernando Cunha Magalhães
        29 de outubro de 2014

        Realmente não lembro LAM.
        Vamos ver pelos resultados que o Cordani vai publicar se ele aparece até uma parte da competição e some na sequência.

    • rcordani
      27 de outubro de 2014

      (Eu poderia editar o comentário mas seria trapaça, então vai a ERRATA)

      Acabo de ver nos resultados do Finkel de 1985 que o ECP ganhou o 4 estilos, ou seja, o Luis segurou o Jorge logo após ganhar os 1500L. A minha memória do Jorge passar o Luis deve ser do 4×100 L, que o Fla ganhou.

      Os resultados completos desse Finkel serão postados na quinta feira.

      • Fernando Cunha Magalhães
        28 de outubro de 2014

        Caro amigo,
        muito obrigado pelas observações.
        Erratas aplicadas e agora temos o texto fidedigno.
        Vai ser legal reler os resultados na 5a.

    • Ricardo firpo
      28 de outubro de 2014

      Vreco que me perdoe, mas vou puxar uma sardinha….
      comparativamente, nosso reveza do FFC de 80/81 também era…. No JD daquele ano, não teve para ninguém.

      • Fernando Cunha Magalhães
        29 de outubro de 2014

        Vou deixar essa discussão para vocês dois… rsrs

      • Vreco
        30 de outubro de 2014

        Firpo, as confluencias dos anos anteriores levaram o Flamengo em 85 a ter uma equipe gigante. Por um lado foi legal q conseguimos nos unir e aproveitar o ano mas por outro a falta de competitividade entre os clubes ficou grande tirando um pouco da graca e da essencia do esporte. Eu vi final de carioca masculina Juv A em q os 8 eram do Fla. Os revezs masc tiravam 1o e 2o. Igual a isso eu to p ver de novo, apesar de achar malefico e talvez jah significar o 1o sinal da diminuicao da natacao do Rio. Em 86 perdemos o Juv A p a Gama Filho (muito por causa do rec sulamericano da Dani Lavagnino q valia muitos pontos). Acho q foi o canto do cisne da Gama. Nadei no Flu em mirim, sai em 80, quem era o tec inf e juv ? Meu pai (Alvaro Pires) foi tec inf e juv do Flu na dec de 70.

  2. Rodrigo Bardi
    27 de outubro de 2014

    Muito legal ler suas histórias Maga, realmente …fazem toda diferença para os amantes da natação saber dos detalhes de nadoa técnicas que vocês usavam, e claro se nossa natação está aí hoje. deve-Se A esta geração de vocês que fazer parte de uma grande engrenagem no ciclo da natação.

    A parte que mais gostei de ler, foi você virando para arquibancada e gestual izado.
    Não desclassifica. rs
    Na minha mente eu imagino você dizendo “quero a prova completa, ninguém sai daqui queime quantas vezes for , vai nadar”
    É isso aí um verdadeiro campeão, prefere as melhores disputas e não as vitórias fáceis.
    abs
    Bardi

    • Fernando Cunha Magalhães
      27 de outubro de 2014

      Exatamente Bardi.
      Era um momento em que a confiança estava em alta, queria todos ali.
      Um momento bem marcante.

  3. Rodrigo M. Munhoz
    27 de outubro de 2014

    Muito legal, Esmaga! Eu nunca consegui nadar uma temporada inteira sem faltar durante a infancia e juventude… sempre tinha umas amigdalites e sinusites com febre e coisas do tipo que me causavam paradas de 3-5 dias. Em Curitiba isso deveria ser ainda mais dificil com o frio que fazia por lá…
    Depois de adulto, consegui fazer uma temporada sem faltas nos EUA, mas não serviu pra muita coisa 🙂
    Além das memórias, curti os recores da Gazeta do Povo de Curitiba… muito parecidas com jornais que viamos em Bauru.
    Abraços,

    Munhoz

    • Fernando Cunha Magalhães
      27 de outubro de 2014

      Esses jornais antigos são mesmo muito bacanas.
      E nesse post, um gringo, graças ao arquivo do Graczyk.
      Muitas vezes a sinusite ou amigdalite e a cobrança do organismo pela dedicação exagerada.

  4. Lelo Menezes
    28 de outubro de 2014

    Excelente Esmaga. 1985 foi uma ano muito especial pra mim. Foi o ano que voltei pra São Paulo, depois de duas temporadas astronomicamente PEBAs em Ribeirão Preto. Foi o ano que a puberdade realmente me pegou. Cresci bastante e esse Finkel foi o meu primeiro. Não consegui o indice mas fui para nadar o revezamento. Me lembro bem dele e do frio absurdo que estava. Boas recordações!

    • Fernando Cunha Magalhães
      28 de outubro de 2014

      Deve ter sido muito bacana estrear no absoluto e assistir grandes craques da nossa natação.

  5. Ricardo firpo
    28 de outubro de 2014

    Eu sempre me confundo com as datas, apesar de achar que tenho boa memória! E costumam me confundir, pois, geralmente, o JD e TB costumavam ocorrer em janeiro do outro ano. Eram o final da temporada.
    Não consigo me lembrar deste Finkel em curitiba. Lembro o de 86, no Pinheiros.
    E por último, vc observou o tempo do Juvenil A, mas não se preocupou com o Juvenil B. Segundo me lembro, o tempo do carioca desta categoria foi maior, mas ainda menor que o seu.
    Espero que vc continue o post, pois como foi a prova para vc. Não vou estragar teu post, perguntando se quem me lembro ganhou naquele ano….

    • Fernando Cunha Magalhães
      29 de outubro de 2014

      Alô Firpo,

      sem estragar surpresas, posso adiantar essa: ouro nos 100m livre JUV B no Julio de Lamare de 85 em Curitiba foi para o Julinho Rebollal.

      Confere com sua memória?

  6. Ricardo firpo
    28 de outubro de 2014

    E espero o próximo post.
    naquele JD, vc era jedi e eu era o “outra lado da força”…..

  7. Vreco
    29 de outubro de 2014

    Bacana o post. Mais ou menos como p o Lelo, 85 foi o ano da virada p mim. Estava desanimado ateh agosto, nadando muito mal, longe dos indices de JD. O Eleandro, tec do juv A, teve cancer, se afastou e o Alberto assumiu o A e o B do Fla. Eu n sei dizer qtas pessoas treinavam mas acredito q eram umas 100. O espirito de uniao foi enorme num ano em q tinham vindo varios atletas de outos clubes, muita gente do Tijuca e de fora do Rio. Anselmo Amim, Ronaldo Herszenhaut, Claudio Rosa, Perisse, Eduardo Toledo, os Jinkings e muitos outros. Nossa equipe no JD tinha mais de 60 atletas. Uma conversa do Alberto primeiro comigo e depois c minha mae mudou tudo. Nao falo da parte tecnica mas do educador. Em alguns minutos ele me convenceu q eu era capaz de fazer qq coisa se acreditasse em mim e ele acreditava. Olhando hj parece mentira a transformacao em mim. Baixei quase 10s nos 200L em 3 meses e fiz o indice do JD. Eu via os tempos q os caras faziam nos tiros pra tempo de madrugada e parecia mentira. Faziam 25/26 nos 50 e 55/56 nos 100L. Pra juv A na epoca as 5:30/6 da matina era sinistro. O legal da historia eh q vendo de perto, vc acaba achando q eh possivel fazer os mesmos tempos. No ano seguinte fiz tempos proximos do Gilberto (fiquei a 0,1s do rec est dos 50L e 0,5s nos 100L) mas o patamar no Brasil baixou muito c a entrada em cena do Michelena e do Jr. Mas isso eh outra historia … gr ab

    • Vreco
      29 de outubro de 2014

      Soh completando sobre o patamar de tempos na epoca. Se nao me engano ateh este carioca de 85 o rec est e bras Juv A de 100L era do Jorge c 56″1. O Gilberto nadou sozinho na elim (pq tinha prova na escola) e fez 56″05. O (Renato) Pinho baixou jah na elim p 55 e depois na final o Gilberto fez os 54″69, q era um tempo sensacional. E os dois bateram tb o de 50L e o de 200L tb (c 25 baixo e 1:58 baixo).

      • Fernando Cunha Magalhães
        29 de outubro de 2014

        Alô Vreco,

        naquela época, os recordes de 100 livre no Julio de Lamare eram:

        JUV A – Custodio Ribeiro 55″80 – que caiu no JD85 em que o Castor foi bronze com 55″77 (acho que o próprio Gilberto bateu. Vamos aguardar a Aquática do Cordani)

        JUV B – Jorge Fernandes 52″85 – que caiu no JD88 – Castor quem bateu com 52″13

      • Ricardo firpo
        30 de outubro de 2014

        Vreco, vc não está tão errado assim…. O tempo do Jorge de 56’1 foi recorde brasileiro de JD. Quando nadei o JD de 81′, era esse o tempo a ser batido. Em 85, acho que o tempo já era outro. Digo isso pq o recorde do Jorge estava no programa, e era minha ambição chegar bem perto dele. Porém, com uma b…. de passagem lá nos 50, a vaca foi pro brejo, e o Rubão ganhou a prova!

    • Fernando Cunha Magalhães
      29 de outubro de 2014

      Belo relato Vreco,

      lembro de vc já ter mencionado esse papo com o Alberto no comentário de algum outro post.
      Sempre bom relembrar, educadores fazem grandes diferenças na vida das pessoas.

      Quanto a estar entre caras de grandes performances, faz mesmo uma grande diferença. A turma que foi treinar na América falou várias vezes sobre isso, sem contar a Animal Lane mencionada pelo Djan na entrevista dele ao Epichurus.

      • Vreco
        29 de outubro de 2014

        Belo esclarescimento sobre os recordes Maga. Como nao guardei quase nada e a memoria n eh tao fotografica cometi o deslize. De qq forma era o enfoque no absurdo nivel de melhora nos tempos. O recorde do Jorge era estadual entao. Foquei demais no carioca do ano. Num ano 55 depois 54 (os 3 primeiros fizeram abaixo do rec), 53 (o 2o foi o JR c 54″2 e eu quase n classifiquei c 55 na elim) e se n me engano alguns poucos anos depois o Eduardo Coelho fez 52 (mas n vou me atrever a cravar). O Castor veio baixando os tempos assustadoramente desde o infantil. No ultimo JD q nadei em 89 (JuvB) o Gustavo fez (se n me engano) 51″4 e o Castor 51″5 ou coisa parecida. abs

      • Fernando Cunha Magalhães
        29 de outubro de 2014

        Suas lembranças vão muito bem, Vreco.

        JD 86 – Porto Alegre – JUV A – Castor 53″70, JR 54″15
        Também lembro que o Coelho quebrou o recorde do Castor, que o Cheiroso não conseguiu, e também acho que foi 52s, porém também não posso cravar.

        JD 89 – Goiânia – JUB – Gustavo 51″44, Castor 51″59

        Ou seja, a única derrapada foi atribuir recorde brasileiro ao tempo do Jorge. O resto está tudo certo.
        Veja que eu cometi dois erros lá em cima no post… hehe, “tamo junto”.
        Abraço.

    • Ricardo firpo
      30 de outubro de 2014

      Vreco,
      Apesar de nunca ter sido treinado pelo Alberto, ele sempre me pareceu um cara muito bacana.
      E sempre sendo de um clube rival, e onde a competitividade estava sempre presente, ele me demonstrou em duas pequenas atitudes o seu modo de pensar.
      1. eu tinha uns quinze, e estávamos numa clínica no cefan, realizada pela SulAmérica. Um bando de garotos. À noite, estávamos sentados numa grande mesa, batendo papo, e o Alberto levanta e pergunta onde tinha um orelhão, pois queria ligar para a mãe.
      Alguém quis fazer alguma brincadeira, “naquela idade ligando para a mamãe….”. E ele disse, bem sério, “quando vc chegar na minha idade, e só vc tiver ela, a sua única, vc vai dar valor e compreender o que eu estou falando e fazendo. Ela não vai estar ali pra sempre e é a única que eu tenho. Silêncio. Isso, sem nem levantar a voz e sem nenhum sinal de aborrecimento.
      2. Tinha uns dezesseis, e ele era prof. Da Santa ùrsula, de Educação Física. Na época, eu estava treinando ao meio-dia no FFC. Eram trÊs seções por dia….
      Os alunos tinham que atravessar a piscina, como prova final da matéria. E eu só olhando – pelo que estava observando, não ia demorar muito para eu parar o treino e ter que puxar um do fundo. Mas de alguma maneira, eles consseguiam atravessar…. Lá do outro lado, o Alberto gritava: fulano, nove…. sicrano, oito e meio…. zé, dez….. joão, nove. Para mim, era um festival de gente se debatendo na água.
      Terminou a prova, eu terminei o treino, e meio de gaiatice, falei: “o, Alberto, que notas são essas? Esse pessoal estava se afogando…. se eles tiraram esses notões, eu ia tirar quanto? Vou fazer ed. Física!”. E ele bem sério: “Talvez vc tirasse sete, seis e meio, sete e meio….”.”pera aí, como assim?”.”Vc nada há quantos anos? Tá vendo aquele ali, do nove? No início do período, ele mal sabia nadar, e agora atravessou a piscina melhor que muita gente. Eu tenho de premiar o esforço do cara….. Vc, eu sei que sabe! Então, minha exigência contigo vai ser muito maior, e vc iria ter que ralar….”
      Simples, assim!

      • Vreco
        30 de outubro de 2014

        Bacana Firpo, o q ficou p mim foram as licoes. Os resultados estao nos recortes, fotos nas paredes e nas medalhas e muitos nós acabamos esquecendo mas o aprendizado estah dentro da gente p o resto da vida. gr ab e ve se n esquece de mandar o ab do Ronaldo “Firpinho”

  8. Pingback: Os resultados do Finkel do gorrinho (1985). | Epichurus

  9. Tite Clausi
    12 de novembro de 2014

    Grande Magalha!!!
    Troféu José Finkel 1985. Inesquecível para mim. Frio terrível, lembro de correr em volta da piscina para iniciar o aquecimento. Gorro de lã e luvas o tempo inteiro.
    Classifiquei os 100 borbo com 58.56, baixando de 1 minuto pela primeira vez na vida. Na final, arquibancadas cheias e tivemos 2 saídas em falso, só valendo na terceira. Cada vez q tinha q sair da água, passar a toalha no corpo e voltar pro bloco era um sacrifício. Piorei o tempo mas garanti o bronze e a primeira das poucas medalhas em brasileiros que obtive. Emoção total!!!! Não lembro com certeza mas acho q ouro e prata foram para Marcelo Jucá (certeza) e talvez Jorge Fernandes ou Andre Fiore????
    Na competição ainda fiz quarto (ou quinto) nos 200 borbo, melhorando o meu tempo de 2.18 para 2.13 na eliminatória e depois piorando na final.. Talvez aonde tenha surgido o apelido carinhoso de “Rei da eliminatória” que me seguiu por algum tempo.
    Tambem nos 50 livre fiz final e cheguei em quarto ou quinto….
    Obrigado pelas lembranças que começam a sumir da memória…
    Grande abraço!!!!
    Tite Clausi

  10. Tite Clausi
    12 de novembro de 2014

    Opa.. acabo de confirmar os resultados. 200 borbo fui 6º e 50 livre fui 4º …Abraxxx

    • Fernando Cunha Magalhães
      30 de novembro de 2014

      Legal Queridaço,

      O “Rei da eliminatória”, pelo que me lembre, veio no ano seguinte – Finkel em SP – após a classificação na raia 4 para a final dos 200m MEDLEY.

      Quanto aos 100m borboleta de Curitiba – bronze com 59s13.
      Ouro para Fiore e prata para Jucá.

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