Epichurus

Natação e cia…

O Privilégio e a Maldição do Maglischo

É difícil explicar o fascínio americano pelo NCAA. Reescrevi esse parágrafo várias vezes, e a melhor explicação que encontrei foi compara-lo com o sonho dos brasileiros de ir para as Olimpíadas. O sonho de nadar um NCAA para os americanos, pelo menos até a década de 90, era muito parecido com esse desejo olímpico brasileiro e assim como para nós, na cabeça deles era algo bem difícil de alcançar. Ouso dizer inclusive que na fase pré-internet, por mais absurdo que isso possa parecer, o sonho da grande maioria dos nadadores americanos não era olímpico, mas sim universitário (NCAA). Algo enraizado desde criança pela sociedade americana.

Durante quatro anos o NCAA foi tudo que eu respirei enquanto treinei nos Estados Unidos. A temporada inclusive só começava oficialmente com uma palestra sobre as responsabilidades do atleta e tudo que era proibido para o nadador universitário: patrocínio, aceitar presentes, dinheiro, tirar notas ruins na faculdade e muito mais. Quando cheguei nos Estados Unidos em Julho de 1990, todas as minhas metas de longo prazo eram olímpicas e inocentes. Eu ainda acreditava na medalha, mas pra alcança-la eu precisava de metas de curto prazo e essas eram o ouro no Troféu Brasil e Finkel. Essas metas no entanto foram trocadas rapidamente para metas do NCAA, graças a minha rápida adaptação a esse mindset americano.

A temporada sempre começava com algum representante do NCAA num pódio explicando todas as responsabilidades do atleta.  A palestra era longa e muito sacal!

A temporada sempre começava com algum representante do NCAA num pódio explicando todas as responsabilidades do atleta. A palestra era longa e muito sacal!

O NCAA era cheio de regras, a maioria ultrapassada, mas mesmo assim éramos instruídos pela comissão técnica e pelos profissionais da universidade a segui-las à risca. De todas elas, apenas duas eu via como benéficas: os exames antidoping aleatórios durante a temporada e a necessidade de manter uma boa performance acadêmica. Essa última facilmente burlada por muitos atletas (utilizada extensivamente por jogadores de basquete e futebol americano) que escolhiam cursos facílimos e muitas vezes ajudados, de maneira questionável, pelos professores. Eu mesmo quando fui nadar o Mundial perdi um mês de aulas e não sofri nenhuma sanção, aliás muito pelo contrário, conversei com todos os professores para explicar a situação e todos, sem exceção, facilitaram a minha vida com provas em datas alternativas ou trabalhos para se fazer em casa. Uma professora inclusive parou a classe para comunicar, orgulhosa, a minha participação no Mundial, arrancando aplausos da classe e me causando muita vergonha.

Uma outra regra controversa limitava a participação no NCAA em 18 nadadores. A regra não fazia sentido para 99% dos americanos. Os índices para o NCAA eram absurdamente fortes e beirava o impossível qualquer equipe ter 18 atletas com índice.

Para se ter uma ideia de quão fortes são, pegando a prova nobre da natação mundial, os 200m Peito, segue os índices (em piscina de 25 metros) para a temporada 2014/2015 do NCAA, para cada divisão:

Divisão I: 2’06’87

Divisão II: 2’10’29

Divisão III: 2’12’31

Acho que agora dá para entender a comparação com o sonho olímpico. Na minha época, o índice dos 200m Peito para Divisão I era em torno de 2’14 e Divisão II girava em torno de 2’17.  Para ser justo no entanto, os índices em jardas, embora fortíssimos também, sempre me pareceram um pouco mais fáceis do que esses índices em metros.

De qualquer forma era quase impossível qualquer equipe americana, independente da divisão, ter 18 atletas com índice, menos para a equipe de Bakersfield do Maglischo. Em todos os anos que nadei por Bakersfield classificamos mais de 18 atletas, “privilégio” esse somente de Bakersfield na divisão II e de Kenyon na divisão III. Das centenas de equipes inscritas no NCAA (Div I, II, e III) somente essas duas equipes classificavam mais de 18 atletas no início da década de 90.

Escrevi privilégio acima entre aspas porque, segundo o Maglischo, grande parte dos técnicos americanos lhe admiravam e lhe parabenizavam por esse feito quase impossível, mas pra ele era a pior parte de ser técnico de natação. Pra ele esse “privilégio” significava destruir o sonho de infância de alguns nadadores de nadar a competição mais importante de suas vidas, simplesmente por que escolheram treinar numa equipe que classificava mais de 18 atletas para o NCAA. Se esse nadador “cortado” tivesse escolhido qualquer outra universidade, seu sonho seria realizado, mas não em Bakersfield. Em Bakersfield esses caras tinham seus sonhos despedaçados, muitas vezes por questão de centésimos, embora cientes que esse era o preço de treinar com o Maglischo. Inclusive cansei de vê-lo queixando-se desse “privilégio” e no meu primeiro ano onde apenas 19 se classificaram, sua decisão de qual atleta cortar foi, no meu ponto de vista como mero nadador espectador, a que mais lhe amargurou. Nos anos subsequentes mais atletas foram cortados, mas nenhum corte foi tão dramático como aquele de 1991 e essa história eu conto a vocês abaixo:

Embora os índices para o NCAA pudessem ser feitos em qualquer competição oficial entre Agosto e Fevereiro, na realidade os nadadores tinham duas chances verdadeiras de supera-los. A primeira era no início de Dezembro, em algum dos “Invitationals” que rolavam pelos Estados Unidos. O mundo da natação universitária americana é feito de dual-meets, que basicamente são competições da Universidade A x Universidade B. 90% das competições antes do NCAA são nesse formato. Por isso os Invitationals eram muito aguardados pois eram competições com a participação de várias equipes e portanto ofereciam um nível técnico muito superior aos dual-meets. O Maglischo gostava do Long Beach Invitational, que de fato era muito forte, com participação de vários olímpicos, já que era utilizado por boa parte dos nadadores que treinavam na Califórnia, Oregon, Nevada e Arizona para obtenção de índices para o NCAA. No caso especifico de Bakersfield, o Maglischo fazia um polimento relâmpago pra essa competição (coisa de uma semana no máximo). Chegávamos lá semi descansados, raspávamos e torcíamos para que fosse suficiente para obter o índice. No meu 1º ano apenas 5 nadadores conseguiram o feito em Long Beach. Eu entre eles. Essa média foi muito parecida nos anos seguintes. Para o resto da galera a última chance se daria no mês de Fevereiro, no CCAA (O campeonato “estadual” da Califórnia). Para essa competição todo nadador sem índice para o NCAA fazia um polimento completo, desde aqueles com chance de índice, até os ultra PEBAs que nunca chegariam perto. Para a grande maioria (que não conseguia índice) era a competição mais importante do ano. Para os “seniors” (aqueles no 4º ano de elegibilidade do NCAA) que não conseguissem o índice, seria a última competição de suas vidas. Particularmente nunca gostei do CCAA. Nunca nadei polido e raspado e portanto acabava tomando pau de vários PEBAs, mas não nego que minha primeira participação foi interessante. Cheguei na piscina e vi um painel montado na grade lateral da arquibancada com os seguintes nomes estampados: Ondrej Bures, David Huston, Marcelo Menezes, Rodrigo Messias, Brent Kaiser e Chris Perier. Exatamente os 6 que já haviam alcançado os índices (Messias conseguiu o índice nos 1500m durante o Troféu Brasil em Dezembro). Ondrej Bures era tcheco e o principal nadador da equipe com tempos na longa que lhe credenciavam a brigar por final olímpica em 1992. Tinha 15’19 de 1500m Livre, 2’00 de 200m Borboleta e 4’26 de 400m Medley. Um dia escreverei um texto sobre ele. Sua história é tão triste quanto é interessante. David Huston mencionei num comentário nesse texto do Renato aqui. Foi meu principal adversário em Bakersfield. Kaiser e Perier eram fundistas e alcançaram o índice nas provas de 500y e 1650y livre (equivalentes ao 400m e 1500m Livre em jardas). Perier era capitão da equipe (um papel quase inexistente no Brasil, mas muito importante para os americanos) e foi um dos caras mais sérios que conheci. Era extremamente comprometido e acho que nunca o vi sorrindo. Ele dividia o papel de capitão com mais 2 nadadores: Jim Glinn que tentaria o índice nos 200y Costas e Brent Imonen que tentaria o índice nas provas de 500y e 1650y. Jim me ajudou muito no início, foi o cara que me ensinou como as coisas funcionavam na faculdade, me mostrou os “points” importantes da cidade e garantiu que eu tivesse a melhor adaptação possível nos Estados Unidos. O Brent e o Jim eram roommates (moravam juntos). Brent era extremamente tímido, mas um cara bem sensato. Assim como Perier era muito sério, mas diferentemente desse estava sempre sorrindo. Tinha em torno de 23 anos e já estava de casamento marcado. Esse era seu último ano tentando o sonho do índice. No primeiro ano passou longe, mas chegou muito perto nos dois anos seguintes. No ano anterior não fez o índice por centésimos na prova de 500y. Treinou como um louco na temporada de 1990/1991. Era sua última chance de alcançar o sonho de infância.

Bom, o CCAA começou e à medida que os dias foram avançando, mais nomes eram escritos no painel. Esse papel (de escrever os nomes) era da equipe feminina, que nesse ano conseguiu classificar 2 meninas para o NCAA (o dobro do ano anterior) e faziam uma baita festa a cada nome que escreviam.

13 nadadores alcançaram o índice na competição, entre eles o Imonen, nos 500y, levando a prata na prova, atrás somente do Bures, que venceu mesmo sem polimento. O bronze foi para Lee Hendrick, um freshman (calouro) que surpreendeu a todos com índices nos 500y e 1650y.

O Domingão terminou com 19 atletas indo pra casa felizes, sonhando com o NCAA que aconteceria em 4 semanas, embora alguns estivessem bem apreensivos, afinal, um atleta seria cortado pelo Maglischo.

Eu, também freshman, não tinha noção da dimensão desse corte. Cheguei na piscina na segunda-feira e esse assunto estava na boca de todo mundo. A grande maioria acreditava que o Lee (Hendrick) seria cortado. Era seu primeiro ano e com certeza teria outras oportunidades. Fui bater um papo com o Lee que estava aparentemente tranquilão. Perguntei se ele estava receoso sobre o corte e ele respondeu “No way! I can score more points than a few people”.

Maglischo chegou na piscina com a cara fechada e chamou a todos para a sala de reunião. Para aumentar o drama hollywoodiano, estava chovendo muito forte. O clima na sala era pesado, mas a reunião começou com uma bela surpresa.  Alinhado com os capitães, Maglischo decidiu homenagear Charles Von Winkle. Charles era um fundista, sênior, que era pra lá de PEBA, mas foi o primeiro nadador do Maglischo que em quatro anos não faltou e nem se atrasou para nenhuma sessão de treinos. Era extremamente comprometido e um cara de um astral magnifico. Decidiram levar o cara para o NCAA, como auxiliar do Maglischo, em reconhecimento pela sua dedicação nos seus quatro anos de nadador. A galera foi ao delírio e o Charles, ali só para cumprir tabela porque não chegou nem perto do índice, quase morreu de felicidade.

Passada a empolgação, o clima sombrio voltou. Maglischo iniciou seu discurso falando do privilégio de ser técnico de uma equipe que classificava mais de 18 atletas para o NCAA, mas também falou sobre a sua “maldição” de ter que cortar alguém, e garantiu que o corte seria puramente técnico e que nenhum aspecto pessoal fora usado na decisão. Disse também que já havia comunicado os capitães. Olhei imediatamente para a cara dos três. Estavam sérios, mas a expressão do Jim Glinn era de velório. Na hora desconfiei que o Imonen, seu melhor amigo, tinha rodado.

O Maglischo começou reiterando a convocação de 12 atletas, eu entre eles. Disse que esses estavam “acima” de uma análise complexa, pois a quantidade de pontos que fariam no NCAA lhes credenciava a nada-lo. Dos sete que sobraram, passou a falar sobre cada indivíduo, entrando em detalhes sobre cada prova que nadariam e qual era a expectativa que ele (Maglischo) tinha sobre o tempo que fariam, a posição que deveriam ficar e consequentemente quantos pontos trariam para a equipe. Falou sobre cinco, garantindo a participação de cada um. O alívio era imediato, com suspiros e tal, embora o clima na sala continuasse tenso e o silencio quase sepulcral.

Sobraram os dois que todo mundo esperava: Lee Hendrick e Brent Imonen. Maglischo começou falando do Imonen e na hora achei que o Lee tinha se ferrado. Foi um discurso meio emocionado, raro pro Maglischo, enaltecendo a carreira do Brent, assim como seu caráter e influencia que teve durante seus dois anos como capitão.   Terminou o discurso dizendo que Brent tinha chances de ficar entre os 16 tanto no 500y, quanto no 1650y e disse quantos pontos achava que ele deveria fazer. Imediatamente começou a falar sobre o Lee e foi direto ao ponto, dizendo que o Lee tinha também chances de ficar entre os 16 nas mesmas duas provas, mas analisando o que viu no CCAA, disse que Lee errou sua estratégia de prova, podendo abaixar entre 5 a 10 segundos no 1650y e portanto acreditava que ele poderia alcançar 2 pontos (sim, míseros 2 pontos) a mais que o Brent, e portanto a decisão estava tomada. O 18º nadador seria Lee Hendrick.

Na hora ouvi um soluço bem alto vindo do Brent. O cara botou as mãos no rosto e deitou de costas, claramente chorando. Uma galera foi até lá consolar. O Maglischo já estava de pé e saiu da sala. Eu achei aquela cena toda desnecessária e nunca entendi porque os “cortados” não eram avisados com antecedência e no particular. Coisas do Maglischo. Eu era muito mais próximo do Lee, que inclusive me dava carona para os treinos de madrugada, do que do Imonen, mas senti que a decisão foi errada. (N.A.: O Lee melhorou quase 15 segundos nos 1650y no NCAA e ficou entre os oito, provando que o Maglischo, tecnicamente, estava certo). Eu teria levado o Imonen sem pestanejar, dado todo o histórico dos dois nadadores, um com chance de nadar mais 3 NCAAs e o outro na última chance da vida de nadar seu primeiro e único. Os tempos eram muito similares. Fiquei impressionado com a frieza do Maglischo.

Curiosamente nunca mais falei com o Imonen. O vi andando pelo campus uns dois meses depois do NCAA. Foi a última vez que o vi. Soube que se formou e mudou-se para o Havaí onde virou triatleta. Uma breve pesquisa na Internet e achei um link para sua carreira com os seguintes dizeres: “Imonen, a professional triathlete, last competed in Kona in 1998, finishing in 9 hours, 56 minutes and 55 seconds. He recorded his best time (9:04:58) in 1996 when he placed first among local entries and 29th overall. Injuries forced him out of the sport. Today Imonen acts as the Great Aloha Run race’s diretor”.

Brent Imonen, nos dias atuais

Brent Imonen, nos dias atuais

Nos dois anos seguintes que nadei por Bakersfield, o ritual de corte foi o mesmo, assim como o discurso do Maglischo. No meu 2º ano os “cortados” foram caras no 1º ou 2º ano de elegibilidade, ou seja, com outras chances no futuro e consequentemente menos drama. Um desses foi um grande amigo meu, peitista também de nome Don Justice. Infelizmente ele nunca mais conseguiu o índice, mas em 1992 ninguém tinha bola de cristal. No 3º ano um outro peitista foi cortado, Marc Brown, mas Marc já tinha nadado 2 NCAAs e assim como Charles, decidiram leva-lo como auxiliar do Maglischo.

Nesses 3 NCAAs que nadei por Bakersfield, fui o 2º nadador que trouxe mais pontos para a equipe. Em todas as edições perdi somente para o tcheco Ondrej Bures, que praticamente levava 4 ouros para casa em todas as edições. Consegui, junto com a equipe, o 6º, 7º e 8º título consecutivo de Bakersfield.

No meu último ano de elegibilidade Maglischo se transferir para a Arizona State University, e me convidou para ir com ele. Aceitei!

Em Março de 1994 recebi o convite de alguns amigos de Bakersfield para uma festa pós-NCAA. Fui de carro com o Messias e fomos recebidos com frieza. Bakersfield perdeu o título para Oakland e muita gente, mesmo que indiretamente, colocou a culpa da derrota na nossa saída. Olhando hoje vejo que foi um equívoco voltar logo em seguida da derrota, mas o trauma não durou tanto assim. Tenho ainda muito contato com a galera de Bakersfield e ano passado me encontrei com vários deles em San Francisco, numa “reunion” que foi muito gostosa.

Hoje mais de 20 anos depois, continuo sem uma explicação plausível sobre o porquê da utilização de uma maneira tão medieval para comunicar os cortes. Acho que tem a ver com o estilo ultra transparente do Maglischo. Transparência é uma qualidade muito admirada em gestores no mundo corporativo e é essencial nas relações interpessoais e até no casamento, mas assim como o ditado diz que “muita água mata a planta”, acho que transparência em excesso nem sempre funciona tão bem assim.

9 comentários em “O Privilégio e a Maldição do Maglischo

  1. rcordani
    20 de outubro de 2014

    Lelo, espera só um minuto. Se os dois tinham índice em 500Yd e 1650Yd, não dava para escolher simplesmente o que tinha feito melhores tempos no CCAA? Você disse “tempos similares”, mas o Lee estava na frente? Então a escolha foi correta!

    Quanto à forma de contar, meio dura, mas compreensível para quem tem horror a fofocas e versões. Ele queria que prevalecece a versão dele.

    Sobre NCAA, você chegou a nadar no seu quarto ano pelo AZ?

  2. Lelo Menezes
    21 de outubro de 2014

    A escolha não era fácil. Imonen foi melhor nos 500y, enquanto o Lee foi melhor nos 1650y. A diferença no entanto entre os dois nas duas provas era bem pequena.

    Não nadei no meu 4o ano graças a uma ineligibilidade acadêmica. Pisei na jaca no 2o semestre de 1993 (1o semestre no Arizona) e bombei de Cálculo IV, além de ter ido muito mal em alguma outra materia (não lembro mais qual), levando meu GPA pra baixo de 2.0 naquele semestre, o que, pela regra do NCAA lhe torna inelegivel. O Maglischo foi bem bacana inclusive e escreveu uma carta ao NCAA tentando reverter a situação, mas foi em vão. Perdi meu último de elegibilidade. Taí outro arrependimento…

  3. Fernando Cunha Magalhães
    21 de outubro de 2014

    Lelo,

    Sobre os professores terem facilitado sua vida para ir ao mundial, acho correto.
    Buscaram alternativas, fizeram vc preparar trabalhos e deram opções para provas em outros dias.
    Você perdeu conteúdo? Tornou-se um profissional pior por aquelas adequações?
    Se a resposta é não, então está o que fizeram está certo.

    Quanto a professora que anunciou seu feito em alto e bom tom para toda a sala… essa é das minhas!
    Temos que enaltecer as virtudes, mas infelizmente a cultura do nosso povo prefere ter fofoca na ponta da língua e barraco do que enaltecer virtudes. E lá vai o BBB para sua enésima edição.

    Quanto ao Maglischo, nesse caso, um torturador.
    Concordo plenamente com sua análise.

    Texto muito bom para dinâmicas de grupo em processos de desenvolvimento de lideranças.
    Geraria belas discussões.

    Abraços.

    • Lelo Menezes
      22 de outubro de 2014

      Boa Esmaga. Quanto aos professores, eu não necessariamente acho que estavam errados, mas as exceções me pareciam se aplicar somente para os atletas, o que me parece não ser muito ético.

      Quanto a tortura, aí estamos 100% de acordo. Não dava pra colocar aquele tipo de pressão em moleques de 18 a 23 anos. Dava pra ter conduzido melhor esses cortes.

      abs

      • Lelo Menezes
        22 de outubro de 2014

        Aqui acho que vale uma explicação: No caso especifico do Imonen, eu acho que ele já sabia do corte. O Maglischo disse que tinha avisado os capitães e ele era… capitão. Só que a ficha só caiu quando o corte foi anunciado aos demais nadadores. Ali o cara desabou. No ano seguinte quando o Don foi cortado, o Maglischo não avisou mesmo, mas o Don sabia que seria cortado. Conseguiu o indice nos 200y Peito por 1 centésimo e só nadava essa prova. No 100y era meia boca, então o corte não foi surpresa. O Marc Brown foi cortado quando era senior, mas já tinha nadado o NCAA anteriormente e era capitão também, portanto deve ter sido comunicado previamente. Um outro cara de nome Tim Murphy também foi cortado no meu 2o ano. Era velocista e só nadava 50y Livre e aparentemente recebeu a notícia com relativa tranquilidade. O Maglischo não lhe avisou do corte previamente, mas imagino que ele, assim como o Don, já sabia que ia rodar…

  4. Rodrigo M. Munhoz
    22 de outubro de 2014

    Lelo,
    Eu gosto muito das historias do Maglischo! Ele era um cara “peculiar” e parece tinha uma ética de trabalho muito especial … Além disso foi um visionario da tecnologia aplicada a natação (os livros dele eram referencia, lembra?)… Pergunta: Ele ainda está vivo? Envolvido com natação ou aposentou-se de vez? abrtz!

    • Lelo Menezes
      22 de outubro de 2014

      Sim, os livros do Maglischo são referencia. Ele inclusive está no Hall of Fame da natação pela carreira de sucesso que teve como técnico. Ele ainda está vivo e mora em Phoenix. Está aposentado. O Maglischo tinha uma parceria muito grande com a esposa, Dr. Cheryl Maglischo. Ela era uma acadêmica condecorada no campo da biomecanica e trabalhavam juntos em pesquisas voltadas à natação. Ela infelizmente faleceu, se não me engano em 2002, e acredito que depois disso ele deva ter perdido bastante da vontade de continuar dando treinos. Um cara peculiar sem dúvidas…

      Uma vez ele me disse que a Cheryl foi uma das primeiras mulheres nos Estados Unidos a ter o título de PhD. Não sei a veracidade da informação no entanto.

  5. Coach Alex Pussieldi
    22 de outubro de 2014

    Lelo e amigos,
    História fantástica. O Maglischo é e sempre será referência. Seus livros até hoje estão entre os mais cotados e vendidos. Swim fast, faster, fastest hyper fast e por ai vai.
    No ano que a Cheryl faleceu, os dois iriam se aposentar. Iriam curtir a vida, ela teve um derrame e ele, sem ter o que fazer, voltou a dar treino. Foi para Oakland, mas não resistiu ao frio e voltou para o Arizona. Ficou menos de um ano por lá.
    Vive pesquisando, adora natação, ainda frequenta algumas clínicas da ASCA e está em grande saúde. Um gênio.

    • Lelo Menezes
      23 de outubro de 2014

      Boa Coach! O Ernie realmente era um cara diferenciado. O seu conhecimento de natação era sem limites e sua vontade de inovar era algo que o apartava dos demais técnicos da época! Tinha lá suas excentricidades, mas quem não as tem?

      grande abraço

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Publicado em 20 de outubro de 2014 por em Natação.
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