Epichurus

Natação e cia…

Dilma e as Medalhas

Indo direto ao ponto: Acho que a cobrança feita pela presidente Dilma em Londres, antes do início dos Jogos, foi um desserviço para o esporte brasileiro. Lembro que na época da declaração, me lembrei de uma tia avó, muito querida, que sempre que me encontrava depois de alguma competição importante perguntava: “E aí, ganhou?!” com aquela cara de quem esperava que eu tivesse sido o “campeão” da família,  mas, se eu não tivesse “ido bem”, ela estaria ali para me consolar…

não funcionava para o Mutley…

Aquilo me constrangia um pouco, não apenas porque frequentemente eu me via justificando um 2º lugar ou mesmo uma final (dos quais eu havia ficado orgulhoso anteriormente), mas também porque eu tinha em mente as lições clássicas dos meus pais e técnicos, que diziam que “ganhar não era tudo” …  Mais maduro, passei a encarar com bom humor a pergunta e sempre respondia a mesma coisa, ganhando ou perdendo: “Ganhei sim, tia…Ganhei muita experiência!” ela ficava meio brava, mas ao pouco foi se habituando e logo começou a mudar a pergunta para “Como foi na competição, meu querido?” .

Entendo que na mente pragmática da presidente, acostumada a cobrar mais produção da Petrobrás e da Vale, uma maior produção de “metais olímpicos” seria o retorno correto e esperado para os Bilhõe$ em investimentos feitos no esporte nestes últimos anos. Notem que nos quatro anos que antecederam Pequim 2008 o investimento foi de R$1.2Bi – não achei dados confiáveis mais recentes, a não ser que em 2011 “queríamos triplicar o investimento olímpico” – seja lá o que for isso. Claro que mais medalhas fazem bem para a autoestima coletiva, trazendo alegria e provavelmente, mais votos.  Medalhas olímpicas brasileiras também parecem complementar docemente o lado psicológico de uma boa distribuição de Bolsa Família e outros benefícios sociais.  Isso não é só no Brasil, mas na oferta de “pão e circo” contemporânea e global, quanto maior o número de medalhas Olímpicas, maior a exposição positiva na mídia e melhor o tom médio usado pela imprensa e formadores de opinião ao se referir ao governo durante o período olímpico. Ou seja, as medalhas são quase um indicativo direto de desempenho da imagem pública de uma gestão. Correndo o risco de criar um discurso pós – Londres para o Excelentíssimo Ministro Aldo Rebelo ou para o Sr. Nuzman, digo porém que medalhas (de qualquer tipo) são talvez um indicativo pobre da performance esportiva de um país. Na minha opinião, o número de jovens praticantes de um esporte, o número de atletas federados e a participação de jovens em eventos esportivos são indicativos melhores, já que é dos grandes números que se extrai – no longo prazo – mais qualidade. Adicionalmente, não se pode esperar e principalmente não se pode cobrar na véspera da competição, que o investimento feito  no corpo de atletas olímpicos se reflita ali em mais medalhas.

Acredito que não cobrar medalhas seria de bom tom por dois motivos principais: 1) Não adiciona mais pressão desnecessária aos atletas e técnicos em um momento crítico pré- competição 2) A cobrança não acrescenta nada de motivação, já que os atletas olímpicos – os “alvos” da mensagem – já sabem de seus objetivos no evento, sendo que a grande maioria sequer tinha chance de medalha. Ou seja, a mensagem no mínimo é inócua e no limite, atrapalha o psicológico do atleta. O atleta olímpico, como já se disse aqui, deve ficar orgulhoso e animado para competir e não pensar algo do tipo “Será que não sendo medalhista serei menos valorizado?”. Além disso, no esporte de alta performance, a medalha significa “apenas” bater um maior número de concorrentes competentes naquele “campo”. O metal é apenas uma consequência da melhora de resultados, decorrente de uma longa preparação, da qual só o atleta sabe os detalhes. Por fim, a cobrança de medalhas pura aliena atletas que estão nos jogos para tentar obter uma final ou simplesmente uma melhor marca pessoal – que pode às vezes até significar um recorde continental… De onde venho, o esperado de um líder seria motivar os atletas e não cobrar, pois os atletas não nos devem nada.  Seria ótimo lembra-los que eles já são exemplos para todos nós, e que esperamos que possam dar o melhor de si nas disputas, buscando seus melhores resultados e não se importando com os concorrentes e sim com suas próprias marcas.

Nesta altura, apesar de duas surpresas positivas, deve ser bem difícil que a grande delegação brasileira passe ou iguale o número de “ouros” de Atenas-2004 (5).  Talvez o Brasil chegue nas 15-16 medalhas esperadas pelo COB, mas a equipe provavelmente não chegará nas 20 esperadas pelo governo. Nos resta torcer para eu estar sendo pessimista.  Claro que não terá sido por culpa da cobrança por metais, mas isso não ajudou. O que irá ajudar, porém, é se ensinamentos forem aprendidos pelos nossos dirigentes em Londres, já que os próximos jogos serão no Rio. Vale a pergunta: O que os britânicos fizeram para crescerem como força olímpica? O que quer que seja, o resultado está comprovado pelo mais recente quadro de medalhas com UK ocupando um 3º lugar inédito … Tenho certeza que não foi cobrança de véspera. Aliás, o tom da visita da Rainha aos atletas da vila Olímpica foi outro, de muito bom humor, enquanto o Primeiro Ministro Inglês está mais preocupado com a audiência fraca de alguns eventos.

Em resumo, os líderes ingleses deixaram os atletas fazerem o trabalho deles nos jogos (até porque nesta altura, toda preparação já estava feita). Tenho certeza – e o nosso amigo M.B.E. Pacheco pode confirmar – que anos antes dos jogos, o país também fez algo diferente mais nas linhas de investimento de longo prazo no esporte de base e em educação. Aliás, a preocupação com educação deve até vir antes, até para evitar que grandes atletas se aposentem e não tenham mais o que fazer. Uma das menores preocupações para o triunfo olímpico deveriam ser as medalhas do esporte de alto rendimento, que por sinal em grande parte já recebe ajuda da iniciativa privada, que ganha associando suas marcas com atletas bem sucedidos. Repetir o lema dos Jogos Olímpicos da era moderna  – Citius, Altius Fortius, já indicaria o caminho para todos os atletas e o resto é apenas consequência. A minha tia eventualmente aprendeu uma coisa ou outra sobre motivação esportiva. Espero que nossos governantes aprendam também.

Sobre Rodrigo M. Munhoz

Abrace o Caos... http://abraceocaosdesp.wordpress.com

33 comentários em “Dilma e as Medalhas

  1. Alvaro Pires
    7 de agosto de 2012

    Belo texto Munhoz. Concordo q a postura da presidenta estah errada mas acho condizente c a postura COB/Nuzman por mais paradoxal q possa parecer. Na hora da distribuicao da grana dah p imaginar o q acontece. Imagina o q o COB nao usou de argumentos p ficar c a maior parte do bolo das loterias (me dah 1 bi q nos trazemos um monte de medalhas !) e tb para o convencimento da disputa pela sede olimpica. Alem disso a divisao do bolo do COB pelas confederacoes eh em cima do resultado olimpico. Nesse pensamento ha uma cobranca do COB em cima das confederacoes. Tipo te dei 40m esse ano e vcs soh trouxeram 1 medalha, ano q vem te daremos 20. Isso eh velado claro. Mas eh tudo um absurdo ! E o COB mente qdo diz q espera 15 medalhas. Eles tb esperam 20 pelo menos. A revista americana previu 25 p a gente. Acho q ninguem deveria dar numero nenhum e a presidenta embarcou na expectativa real q foi passada p ela, provavelmente por alguem do proprio COB.
    Os ultimos 2,5 anos tivemos 1,25 bi soh do estado, eh um dos maiores orcamentos do mundo. A preocupacao deveria ser o desenvolvimento do esporte. Quem melhor desenvolve seu esporte ganha mais. Assim as medalhas viriam sem ninguem ficar contando antes.
    ab

  2. Rodrigo Munhoz
    7 de agosto de 2012

    Obrigado pelo comentário, Alvaro. Se o COB prometeu medalhas (algo não condizente com gente que entende de esporte competitivo, na minha opinião) em troca de verba, merece realmente ser chamado as contas. Também concordo que o investimento no esporte deveria trazer desenvolvimento no mesmo. O que não concordo é que medalhas olímpicas são uma boa medida para esse desenvolvimento enquanto a cobrança na véspera me pareceu no mínimo “uma gafe” como disse um amigo…

    • Alvaro Pires
      7 de agosto de 2012

      Investimento grande e mal feito e falta de cultura esportiva. Enquanto houver essa combinacao fica complicado. O dinheiro nao eh usado p desenvolver o esporte mas p perpetuar presidentes de federacoes e confederacoes. Tb concordo q numeros de medalhas nao dizem muita coisa. Nao acho q a natacao, estah pior pq nao ganhou o ouro c o Cielo. Mas nao vejo muita evolucao em relacao a Atlanta, por exemplo. E lah se vao 16 anos.
      Agora a falta de esporte na escola diz tudo !!!.
      Bela discussao essa ! Eh do tipo q acrescenta muito. \
      gr ab

      • Rodrigo Munhoz
        7 de agosto de 2012

        Valeu, Alvaro. Concordo com você: Aparentemente a natação não está melhor, mas não é por culpa do Cielo. Espero que estejamos errados e que haja um movimento grande de evolução que não estamos vendo.Vale a discussão e vale o alerta.

  3. Flávio Amaral
    7 de agosto de 2012

    Como sempre belo comentário Rodrigo.
    As cobranças familiares de quando éramos crianças é o mesmo em qualquer família, mas também é um reflexo de como o povo cobra seus atletas.

    Eu acho interessante o que se diz como o maior investimento, como na casa dos R$ 1,2 Bi.
    O que precisa saber o que desses 1,2 (se confiáveis) realmente são revertidos a atletas, técnico e infra voltadas a preparação.

    Se considerar as viagens de dirigentes (que não são poucas) com suas equipes administrativas com hospedagem, alimentação e eventos, vai muito $.
    Se considerar investimentos na equipe olímpica de futebol (que tem valores milionários) também vai muito $.
    se considerar construção de estádios (que não virado ao esporte olímpico) aí vai longe.

    O importante é saber o que é realmente investido nas bases.

    O que vejo são ex-atletas vitoriosos investirem em escolinhas, (como o Guga fez em Floripa), que são bons, mas pontuais. Não é feito nada organizado e conjunto para todos os esportes com o objetivo de Olimpíada.

    Nenhum governante vai se propor em realizar um trabalho para desenvolver novos talentos e especializar os atuais, pois são trabalhos que demoram de 5 à 10 anos no mínimo e correr o risco dos frutos serem colhidos pela próxima administração que pode ser comandada pela oposição em caso de perda da eleição.

    A velha fórmula imediatista de nossos governantes (de todos os partidos) não nos dão esperanças de ver um Brasil forte nas Olimpíadas sendo que boa parte dos resultados ser fruto de trabalhos específicos e as vezes individuais de atletas, técnicos, exs, patrocinadores e alguns poucos dirigentes de clubes e afins.

    Muitos me vêem como pessimista, porém me considero realista para ter esperança de mudança. Otimismo dificilmente traz mudanças eficazes.

    Não há cabimento da cobrança por medalhas de nossa presidente, pois isso claramente é um comentário populista como você já disse.

    Um grande abraço e parabéns.

    • Alvaro Pires
      7 de agosto de 2012

      Exato !

  4. Rodrigo Munhoz
    7 de agosto de 2012

    Boa, Flavio: Expectativas de curto prazo e esporte de alto nível não combinam muito bem… Mas cidadania e esporte de base tem tudo a ver.

  5. Avelino Amaral
    7 de agosto de 2012

    Caro Munhoz
    Parabéns pelo excelente texto. Após as suas ponderações fico a me perguntar se cobranças como estas não serão feitas pelo Governo, e mesmo pela imprensa, antes das Olímpiadas de 2016, porém com o peso de toda a infra-estrutura prometida…
    Não queria estar na pele dos atletas desta Olímpiada, que desde já, fica recebendo comparações sobre o número de escolas, hospitasi, creches e etc, que poderiam ser contruídos com o dinheiro que será aplicado para a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
    Sabemos que estes pontos são importantes e que merecem respeito e atenção do Governo e de toda a sociedade, mas em razão disso temos que parar com tudo e sentir vergonha de ter condições de competir em alto nível ou desejar melhores condições de espaços para competir e treinar, e ficar aguardando enquanto “todas as agruras do mundo” não são solucionadas?
    Abs
    Abelha

  6. Rodrigo Munhoz
    7 de agosto de 2012

    Grande Abelha, valeu pela visita e comentario. As comparações são válidas, mas ainda assim acredito que o investimento no esporte de base é parte importante de qualquer programa de desenvolvimento social. Não temos que sentir vergonha e nem precisamos ficar aguardando… mas acho que precisamos votar melhor e talvez nos envolvermos mais nas soluçôes… Abração!

  7. LAM
    7 de agosto de 2012

    O número de medalhas mostra o número de expoentes esportivos que o país tem.
    Querer aumentar o número de medalhas aplicando recursos APENAS nos expoentes conhecidos é o mesmo que achar que é possível aumentar a produção de leite ordenhando várias vezes ao dia a mesma vaca.
    Massificação é o nome do jogo!

    • rmmunhoz
      7 de agosto de 2012

      pois é, LAM… nem sei se a grana está apenas nos expoentes (e até acho que não), mas espero que entendam que a teoria dos grandes números deve funcionar pro nosso benefício.

  8. rcordani
    7 de agosto de 2012

    Legal Munhoz. Também acho que medalha medalha medalha é um objetivo bacana do ponto de vista do entretenimento (a gente adora ver um brasileiro no pódium) mas como você disse um “indicativo pobre”. Acho que uma boa performance (entre os oito) de quase todos os times de futebol, basquete, handebol e voleibol (seis desses oito ficaram entre os oito melhores do mundo) são melhores indicativos do que medalhas na Vela ou hipismo, por exemplo.

    • rmmunhoz
      7 de agosto de 2012

      Bom ponto, Renato… Se o foco se der apenas no quadro de medalhas, a “métrica” fica ainda mais pobre, pois este prioriza as medalhas de ouro… claro que não podemos desprezar o potencial de “entretenimento” adicional que uma medalha pode gerar, mas pode ser que tenhamos bons resultados sendo desprezados…

    • Alvaro Pires
      8 de agosto de 2012

      Essa discussao aqui no blog eu vejo como primordial como jah falei antes. Tem gente q se importa e eh isso q faz as coisas mudarem.. Recortei um pedaco do depoimento do Joaquim Cruz q nesta olimpiada trabalha p o comite americano e diz na entrevista q p 2016 pode voltar
      No Terra hj – Antes de se despedir, ele ainda fez críticas ao tratamento dado aos jovens no Brasil. “Nós estamos fazendo um trabalho muito bom no alto rendimento, mas a nossa base ainda deixa muito a desejar. Não tem trabalho nenhum. Não tem esporte na escola, onde constrói a base”, afirmou. – eh um campeao olimpico falando !!!
      O resultado puro e simples das medalhas de 2016 (q serah melhor do q este c certeza) vai continuar nao sendo parametro de educacao esportiva nossa. Temos q impedir reeleicoes indeterminadas em clube, federacoes, confederacoes etc e colocar esporte na escola !!! Todas as federacoes e confederacoes (COB incluido) deveriam focar nas parcerias c as escolas. Aqui no Rio estao abrindo escolas e faculdades em shoppings !!!!!!!!!!!!!!!!!!!
      Gostaria q vcs lessem se possivel a coluna do Francisco Bosco do 2o caderno do globo de hj sobre as olimpiadas. Eh a visao de alguem de fora do esporte. Isso eh ter cultura esportiva. Precisamos de mais coisas assim, soh q para isso temos q massificar. As pessoas soh vao dar o devido valor qdo tiverem um filho competindo e ele tirar 7o lugar depois de muito esforco !!!
      E p fechar ainda bem q o Americano nao era da minha escola ! Mas tb cansei de chegar de campeonato brasileiro, me perguntarem do resultado e depois debocharem de mim dizendo q eu acordava as 5 da manha, e me raspava p ficar em 5o, 6o, 7o ou 8o lugar. Teve um Julio de Lamare q fiquei em 8o nos 100L no primeiro ano (de3) de juvenil B, achar excelente e ser sacaneado pelos amigos.
      Vamo q vamo !

  9. Rogério Romero
    7 de agosto de 2012

    Parabéns Munhoz, por mais este texto. Identifiquei-me no início, pois quando sou apresentado por campeão olímpico, sempre corrijo com um “quem me dera”. Sinto um certo ar de decepção e aí completo: “Sim, tenho cinco medalhas. De participação.” Geralmente o que percebo então é um ar de: “Perdedor.” Fazer o quê? Abraço.

    • rmmunhoz
      7 de agosto de 2012

      Valeu, Piu! É meio doido saber que essa sensação se passe com você, que foi um dos maiores nadadores da nossa história. Será que é tão difícil assim pro público geral entender o valor e importância de ser finalista olímpico? Esperaria que não, mas como vc disse, “fazer o que?”… Educar é a saída, acho. E por falar em educação e história, gostei muito da sua análise sobre “EUA vs Australia vs UK” na natação Olímpica em http://colunistas.ig.com.br/rogerioromero/ – em especial o ponto da natação universitária norte americana (grandes números) – do qual muitos brasileiros (eu me incluo) tiraram proveito e da “falta de exatidão” do esporte. Boa! Um abração!

    • rcordani
      8 de agosto de 2012

      E quando a gente tinha que faltar na aula para ir a um brasileiro ou similar, e na volta a moçada perguntava: e aí, ganhou? Para mim esse problema era amplificado, pois frequentemente o Henrique Americano havia efetivamente ganho!

  10. Anônimo
    7 de agosto de 2012

    Munhoz, concordo com a crítica a quem só enxerga campeões no ouro, mas como alguém que não confia na Folha de S.Paulo pra nada, notei que na matéria não há aspas, apenas o jornalista dizendo o que foi dito. Então, fui atrás de alguma declaração textual da Presidenta cobrando medalhas. A informação divulgada oficialmente é muito mais diferente da matéria da Folha. Segue o link do “outro lado” a quem interessar: http://blog.planalto.gov.br/queremos-fazer-uma-olimpiada-perfeita-no-brasil-em-2016-afirma-dilma/.
    O que se quer é um maior número de atletas participando, formação de base, isso aí tudo. Colocar em prática dá um trabalho danado, depende de boa gestão em todas as partes envolvidas: governos das três esferas, confederações, federações, escolas, clubes. Vamos combinar que nenhum desses mencionados são grandes exemplos de boa gestão. Mas sou daquelas pessoas que insistem que o “mundo não é, o mundo está sendo”. E cabe a nós todos, principalmente atletas e ex-atletas, buscarmos mudar essa cultura do “só o ouro interessa” em todos os lugares onde a gente possa atuar.

    • Kiki
      7 de agosto de 2012

      Ops, saiu anônimo sem querer. Fui eu que escrevi isso aí em cima 🙂 Relevem please os erros de português, esse negócio de tablet dá mto trabalho…

      • rmmunhoz
        8 de agosto de 2012

        Valeu, Kiki.
        Realmente é complicado entender algumas partes, sem contar com as perguntas… (qual a dificuldade de colocar microfones para os jornalistas afinal?)… mas ali pelo 3o minuto a presidente realmente cobra mais resultado dos esportes individuais – talvez não com a veemência que foi passada nos artigos. Mas na comunicação pública o desafio é esse e acho que a mensagem que saiu foi diferente da intenção presumida do governo. Eu estou ok em “concordar em discordar” de vc neste assunto. Adicionalmente, note que tem gente (amigos nossos inclusive) que gostaram da “cobrança” da Dilma – intencional ou não, logo a minha opinião é apenas isso: uma opinião. Beijos!

  11. rmmunhoz
    7 de agosto de 2012

    Boa, Kiki! Nós mesmos já criticamos a imprensa por aqui então é sempre bom dar uma olhada “no outro lado” sim. Contudo, note que o lance da cobrança não estava apenas na Folha. Lendo o blog do planalto, acredito que talvez o tom crítico que foi reproduzido na imprensa não tenha sido a intenção inicial da presidente ou do governo, apesar de ter sido o que acabou tendo destaque. Foi bom ler o blog também para aprender um pouco mais sobre o Bolsa Atleta e os investimentos em infra-estrutura de base – bem em linha com o que acredito ser o caminho necessário. Por fim, vc tem bons pontos também no que se refere a falhas de gestão em várias partes dos mecanismos de formação e no nosso papel como ex-atletas em educar e mudar a cultura de valorizar apenas os “metais preciosos”… Espero estarmos fazendo nossa parte por aqui 🙂 Beijo.

    • Kiki
      8 de agosto de 2012

      Por ter sido jornalista e ver ainda hj como jornalistas cobrem entrevistas coletivas (muito desatentamente, e compartilhando anotações uns dos outros, o que leva a manchetes idênticas), prefiro sempre o material bruto. É meio sacal, mas permite tirar conclusões sem intermediários. Tá aqui a coletiva na íntegra: http://www.youtube.com/watch?v=x0kW9WZODAI&sns=em . Não dá pra ouvir as perguntas dos jornalistas, o que prejudica o entendimento de algumas respostas, mas ainda assim, depois de assistir, continuo discordando da edição da Folha. E portanto da abertura do seu post, Munhoz 😉 Bjs

  12. Marcelo Menezes
    8 de agosto de 2012

    Bom texto Modena! Eu acredito que o dinheiro publico tem que financiar o esporte de base. O esporte é muito importante na formação de um indivíduo, ainda mais um que não tenha uma boa estrutura familiar, situação tão comum no Brasil. Assim naturalmente teremos mais medalhistas em olimpiadas futuras, de acordo com sua lei dos grandes numeros. Já o governo não deve patrocinar nossos atletas profissionais. Esse papel tem que partir da iniciativa privada!

    Quanto ao reconhecimento dos não medalhistas o buraco é infelizmente mais embaixo. Tirando ex-atletas e uns poucos mais esclarecidos, nosso povo é completamente ignorante quando se trata de esportes olímpicos. O próprio critério de pontuação olímpica não ajuda. Só medalha conta. Um 4º lugar tem o mesmo valor de uma 137ª colocação. Nossa mídia esportiva não ajuda. Ontem a menina Geisa estava eufórica ao bater o recorde sul-americano no arremesso de peso e ficar na 8ª posição na final. A primeira pergunta do repórter da SportTV foi “E aí Geisa, você esta decepcionada por não ter pego uma medalha?”. Até nossos atletas muitas vezes não ajudam. Falta preparação pra lidar com a imprensa, tanto na vitoria quanto na derrota.

    Convenhamos que pra 90% dos brasileiros, ao assistirem um final Olímpica de natação e verem um brasileiro ficar em 8º lugar, o que passa pela cabeça é decepção com a “ultima” posição. Não chegam nem perto de entender a grandiosidade e raridade do feito. Mais fácil ganhar na megasena! Como diz a música “sad but true”!

  13. rmmunhoz
    8 de agosto de 2012

    Valeu, Lelo. Eu vi a entrevista com a Geisa Arcanjo e apesar da provocação do reporter, achei legal que ela não se abalou e continou contente, pois tinha sido o melhor da vida dela. Isso é ótimo exemplo de superação e evolução esportiva que realmente será valorizado apenas por uma minoria. Pena.

  14. Lolo do Pinheiros
    8 de agosto de 2012

    Este ano o Brasil ganhará algo entre 15 e 20 medalhas e chegará perto ou até ultrapassará as 5 de ouro. Mas para 2016 aposto com quem quiser que o aumento de medalhas será sensível, pois o maior investimento já foi feito, trazer os jogos para cá.
    Pegando as estatísticas dos quadros de medalhas olímpicos é fácil notar que sempre , desde o fim da guerra, quem organiza os jogos ganha mais medalhas do que nos jogos anteriores com uma única excessão, os Estados Unidos de 1996.que não conta muito para esta análise.
    Também ganhará mais ouros e aqui fogem da regra a Finlândia de 52 e o Canadá que em 76 ganhou nenhuma dourada como em 72. Também melhorará sua colocação como atesta a mesma análise só tendo falhado com a Finlândia que perdeu duas posições em 52 (esta olimpíada provavelmente teve bem mais competidores que a de 48) , o Canadá que continuou na mesma colocação e a União Soviética que continuou em primeiro.
    Resumindo o gde resultado de 2016 já é certo e o Governo poderá muito se orgulhar do seu incentivo ao esporte. É também quase certo que caso o Governo mude para 2020 o atual poderá falar da falta de apoio deste pois todos os países ganharam menos medalhas no posterior ao que organizaram e a maioria também perdeu posições.

  15. Rodrigo Munhoz
    8 de agosto de 2012

    Interessante análise Lolo! Apesar de performance passada não ser garantia, espero de verdade que você esteja certíssimo em tudo – tanto no curto como no longo prazo. Seria animal (não apenas para o “governo” mas para os brasileiros) ver o Brasil no topo do quadro de medalhas, como UK está fazendo… Ressalto, porém, que não basta apenas “acreditar” – como já foi dito aqui. Vamos ficar de olho. Abraço!

    • Lolo do Pinheiros
      8 de agosto de 2012

      Não estou dizendo que o Brasil vai figurar no alto do quadro mas sim que vai melhorar sensivelmente , não por algum gde ato do governo mas sim simplesmente pelo fator CASA, baseio minha “adivinhação”apenas nas olimpíadas passadas e não no trabalho dos países. Aproveitando, o Lolo apesar de meio gay é macho , ou será o contrário?

  16. rmmunhoz
    8 de agosto de 2012

    Opa, desculpe Lolo. Corrigido o gênero no comentário 🙂 . Quanto a sua previsão, a especialidade de adivinhação no Epichurus é do Polvo Paul (Carlão) … talvez ele se manifeste… Abraços!

  17. Kiki
    8 de agosto de 2012

    Alguns outros 5 cents:
    – Assumindo que, no caso do Bolt, as aspas das matérias jornalísticas conferem com o original, tem desserviço maior ao espírito esportivo/ olímpico do que o cara? A mídia deita e rola, audiência garantida. Espero que as crianças estejam fora da sala nessas horas.
    – Sobre performance: é ingenuidade minha querer que se avalie com base nas expectativas e condições de cada modalidade, ou seja, no contexto? Porque me parece plenamente plausível cobrar ouro do futebol masculino. Ou nos frustarmos com o vôlei feminino que já foi melhor, ao mesmo tempo que nos emocionamos ao passar pela Rússia no aperto. E ficarmos muito felizes com todas as medalhas dos esportes individuais, em que temos muito menos tradição e em que queremos evoluir cada vez mais. Concordo com a Presidenta que precisamos melhorar neles, o que não significa pressionar os atletas que conseguiram chegar lá, e sim buscar ampliar a base para que muitos mais cheguem, aumentando as chances de medalhas. Afinal, elas fazem bem pros atletas, pras equipes técnicas, pros torcedores, além de estimular as gerações mais novas e dar mais gás ao próprio esporte.

  18. Kiki
    8 de agosto de 2012

    Claro que sobre o Bolt, não me refiro à balada comemorativa, que parece mais desopilação num sentido que alguém, acho que o Miahara, já comentou aqui. Estou falando das declarações do Bolt em que ele se considera praticamente um semi-deus. Terrível.

  19. Rodrigo Munhoz
    8 de agosto de 2012

    Assumindo que a imprensa faz bem seu papel no caso da cobertura do Bolt, ele presta um papel anti-esportivo (chega a ser escroto mesmo) fora das pistas… mas o cara corre muito, hein?! E gera notícia como um show man, pro bem ou pro mau.
    Sobre avaliação de performance, acho que é justo avaliar resultados de acordo com as expectativas, e isso era parte do meu ponto inicial, assim como a necessidade de melhorar o trabalho de base. De resto, continuo achando que pareceu cobrança .e que medalhas olímpicas não são um bom indicativo de sucesso do investimento feito – ainda que seja bem vindo. Por último acho que não adianta só ter bons exemplos de medalhistas se a base do esporte não se renova. O interessante é que surgem mais “medalhas surpresas” de esportes sem muita tradição local e sem grandes medalhões… e que venham mais! Bjo.

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Publicado em 7 de agosto de 2012 por em Natação, Olimpíadas.
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