Epichurus

Natação e cia…

A Tragédia do Ibirapuera – Saga dos 200 Peito parte III.

Após dois quartos lugares seguidos em Troféu Brasil, com toda a certeza havia chegado a minha hora. Afinal, conforme já dito, eu tive problemas em jan 1988 (vestibular, Benzetacil, etc – parte I) e mais problemas ainda em fev 1989 (ombro, pernas, frontal – parte II).

Mas o TB de janeiro de 1990 era caixa. Seria no Ibirapuera,piscina da qual eu conhecia cada azulejo, tive um ano de treinos inteirinho, sem contusões, sem doenças, nada. Piscina longa novinha em folha inaugurada e devidamente utilizada no Paineiras. Treinando com o Willian, mas ainda mantendo a importante presença de Nenê. Dez treinos por semana, sem praticamente nenhuma falta. Eu não ia tentar finalmente “uma medalhinha”.

Meu nome era o ouro.

Treino típico. Esse foi no dia 09/01/1990, 22 dias antes da competição: 8×100 Peito c/ 2:00 forte de manhã, 6×200 Medley c/3:00 + 6×200 Peito c/ 3:30 à tarde. Tudo em longa. Até eu me surpreendi quando vi esse treino agora!

São Paulo, piscina do Constâncio Vaz Guimarães (Ibirapuera), 31 de janeiro de 1990. Polido, raspado e com maiô de papel. Voando no aquecimento. Nas eliminatórias pela manhã, ganhei a primeira das três séries fortes e meti 2.28 nadando relativamente fácil. Mesmo um pouco mais cansado do que gostaria de estar, pensei na hora: “É tóis, vou na raia 4”. Qual não foi minha surpresa ao ver Alex Hermeto, Marcelo Menezes (Lelo) e Carlos Victor Araújo (Cacá) nadando respectivamente para 2.26, 2.27 e 2.27, deixando para mim apenas a raia 6. Ainda estavam nessa final A dois importantes personagens das partes I e II: Luiz Alfredo Mader (LAM) e Vicente Pinho de Melo.

Lelo o qual treinava junto comigo no CPM e não obstante fizesse frente a mim nas séries importantes (que eram pau a pau), faltava em algumas sessões, sobretudo de madrugada, completando uma média estimada de oito treinos semanais. Na época eu não tinha noção de que o “ajuste” que o Lelo fazia nos treinos só lhe fazia bem. A gripe que ele pegou duas semanas antes do TB não ajudaram em nada a minha percepção sobre a sua forma física, cheguei a pensar que ele não estava legal. Posteriormente verificaria dolorosamente que o mesmo estava escondendo o jogo!

Como eu dizia, embora eu houvesse nadado fácil, terminei as eliminatórias mais cansado do que gostaria e ainda vi três adversários nadarem melhor do que eu.

Um adicional: justamente nesse TB, a CBDA resolveu contratar um árbitro geral argentino, um tal de Salinas. Do qual diziam que era um carrasco, que desclassificava a torto e a direito, que não tinha conversa, que era ultra-rígido, que se o ombro estivesse um milímetro sem paralelismo o nadador estava fora. Além de tudo isso o próprio Salinas apresentara uma novidade nas regras: disse ele no congresso técnico que não era permitido dar aquela meia braçadinha final sem a pernada só para entrar na virada, e que se não houvesse a pernada ele desclassificaria o nadador sem dó nem piedade e eventualmente até mandaria prender!

Pois bem, estava uma bela tarde de sol e o Mario Xavier em excelente fase anunciou: e aí estão senhoras e senhores aqueles que, selecionados entre centenas e centenas de nadadores, se constituem nos oito melhores nadadores do Brasil nesta prova. “Hoje é meu dia”, pensei. Partida.

Demos a saída e até os 80 metros o plano dourado ia razoavelmente bem. Depois da virada dos 100m eu certamente assumiria a liderança e o ouro. Lelo já havia ficado para trás, o cara da raia sete sumira, e de rabo de olho notei que o Hermeto e o Cacá estavam próximos. Demos a virada, e qual não foi a minha surpresa ao verificar que aproximadamente nos 125 metros um louco desvairado (seria o Hermeto? seria o Cacá? Talvez os dois?) abria grande dianteira à minha esquerda. Como isso era possível? Aumentei o ritmo fortemente e, em retrospecto, vejo quão equivocado foi esse aumento, apenas explicado pelo desejo do ouro. Ocorre que eu aumentei tanto o ritmo de forma afobada que ao chegar próximo à virada dos 150m além de não ter diminuído em nada a diferença para os inalcançáveis Cacá e Hermeto (nessa hora já percebi que eram os dois), estava completamente exausto. Pior: precisava da tal meia braçadinha para chegar na borda! Devo ter hesitado uma bela fração de segundo antes de resolver que era impossível dar a braçada inteira mais pernada, de forma que resolvi mandar ali mesmo o fdp do Salinas para aquela parte e dei a tal meia braçadinha, chegando na borda hesitante, arfante, ofegante, preocupado com uma desclassificação (que não houve) e já com ganas de pelo menos segurar o bronze (peloamordedeus, quarto de novo não, né?). Bronze esse que ficou a perigo, pois o Lelo vinha forte e já era percebido pelo rabo de olho.

Dei a última filipina exausto, desesperado com a perspectiva de terminar logo essa porcaria dessa prova antes que fosse ultrapassado pelo Lelo, já conformado (e puto) com a improbabilidade de ganhar o ouro. Em vão. Lelo veio forte, disputamos centímetro a centímetro o bronze, mas o miserável acabou batendo na frente, 2.25.56 para ele contra meus 2.26.00. O ouro ficou com Cacá – 2:22.57 e a prata com um chateado Hermeto – 2:23.71.

Não ganhei o ouro, não ganhei a prata, não ganhei o bronze, não abaixei de 2.26 (zero zero é f…), e fiquei a apenas 44 centésimos do Lelo, que ganhou a vaga no Sulamericano absoluto com esse resultado. E o pior de tudo, pela primeira vez concluí que talvez eu não fosse talentoso o suficiente para ser olímpico.

Foi praticamente o final de um sonho em 146 segundos cravados.

(Nunca mais baixei esse tempo, de forma que o meu melhor tempo de 200 Peito em longa terminou sendo esse mesmo, e essa prova desgraçada acabou ficando com o paradoxal melhor tempo em longa e a pior relação expectativa/resultado da minha vida, como uma lembrança indelével para sempre comigo. Não deve ser à toa que não tenho NENHUMA foto do evento, acho que eu tentei inconscientemente apagar essa péssima recordação da minha memória, no entanto, como vimos acima, não consegui.)

OK, eu já sacara que dificilmente seria olímpico, mas felizmente eu ainda não havia perdido a motivação de pegar uma seleção ou uma medalhinha de TB.

Mas nem tudo está tão ruim que não possa piorar…

… no próximo episódio a inacreditável IV e penúltima parte da saga.

Sobre rcordani

Palmeirense, geofísico e nadador master peba.

48 comentários em “A Tragédia do Ibirapuera – Saga dos 200 Peito parte III.

  1. Pingback: Sonho adiado – Saga dos 200 Peito parte II. | Epichurus

  2. Vladimir Ribeiro
    4 de outubro de 2012

    Lembro desta final. Meia braçada é uma M….Vide os fenomenos mundiais não encaixando a braçada, Biond, Phelps e quantos mais. Um abraço aos velhos amigos de piscina.

    • rcordani
      4 de outubro de 2012

      O Phelps ao menos encaixou uma (2008) e não encaixou a outra (2012), e não trocaria essa ordem por nada, já o Biondi deve lembrar daquela prova (1988) todo dia, estava meio corpo na frente do Nesty e perdeu!

      Grande abraço Vlad.

  3. Anônimo
    4 de outubro de 2012

    Eu tava fazendo o que todos fazem nas provas de peito… Descansando.
    Fralda – que nao viu a prova.

    • rcordani
      4 de outubro de 2012

      Fralda, segundo testemunhas oculares o sr. estava sim assistindo e torcendo para o Vicente contra mim e o Lelo!

  4. Caca'
    4 de outubro de 2012

    Fantastica Cordani! Agora deu ate’ arrepio… Melhor prova da minha vida, sem duvida alguma. Melhorei 4 segundos literalmente da manha pra tarde. Mau sabia que em menos de 1 ano muita coisa iria mudar.

    Tenho esta prova gravada la’ em casa. O pai da Patricia Amorim gravou e mandou pra minha mae, que ate’ hoje se arrepende enormemente por ter sido o unico campeonato brasileiro que ela nao pode ir.

    Abs galera!

    Caca’

    • rcordani
      4 de outubro de 2012

      Boa Cacá. Tragédia para uns, júbilo para outros!

      Me lembro que na banqueta você não parava de falar, estávamos todos uma pilha de nervos! Em benefício da memória da natação digitaliza e coloca esse vídeo no youtube para a gente ver, eu nunca tive o desprazer de ver essa prova – haha.

      • Caca'
        5 de outubro de 2012

        Haha, e’ sempre assim, ne’? Lembro que no JD em Goiania eu nao nadei bem, estava puto. So’ o reveza que salvou, onde batemos o RB. Fui para o TB sem ter nocao de como seria. Aqueles 200m Peito foi quando tudo deu certo. Passei com 1:09 alto, ou quase 1:10 e voltei com 1:12. Ali eu descobri que minha prova era mesmo 200m, e os 100m era so’ pra marcar ponto e tentar pegar um reveza.

        Vou procurar a fita de VHS e mandar digitalizar. Assim que ficar pronto eu coloco no YouTube e posto o link aqui. Faz um bom tempo que nao assisto. O pai da Patricia fez ate’ uma producaozinha, colocando musica de funda, a chegado em slow-motion… Nada mal para 20 anos atras.

        ABRACO!

  5. Raul
    4 de outubro de 2012

    Po, depois de ler esse relato, quero ver essa prova. Ótima narrativa. Depois da Saga dos 200 peito, inventa outra! rsrs. Grande abraço

    • rcordani
      4 de outubro de 2012

      Raul, depois desta interminável saga, se alguém ainda estiver vivo, deixarei os relatos para os outros. Veja que até agora já foram três TBs, mas ainda faltam quatro! Com relação aos relatos, quero ver o seu, por exemplo.

      • Raul
        8 de outubro de 2012

        rsrs, vou providenciar, Cordani.

  6. Lelo Menezes
    4 de outubro de 2012

    Rsrsrsrs! Eu não escondi o jogo não! Eu fui para o Júlio Delamare de Goiânia para defender meu título nos 200m peito embora tivesse combinado com o William que o foco seria o TB, justamente porque o JD não era seletiva pra nada e o TB era para o sulamericano absoluto (o famoso da guerra da farinha). Eu fiquei tão doente que tive que abandonar o JD e retornar a São Paulo. Não foi uma gripezinha qualquer. Foi uma virose com febre e tudo mais. Fiquei um tempo “de molho” e de fato abalou minha confiança pra nadar o TB. Como 200m peito era no 1º dia, eu entrei nas eliminatórias mais nervoso que o normal, mas após o 2’27 segurando um pouco, a confiança retornou para a final! O bronze me deixou muito feliz e a convocação para minha 1ª seleção brasileira absoluta com apenas 18 anos foi um baita orgulho!

    • rcordani
      4 de outubro de 2012

      Além dessa doença de novembro (JD GO) o sr. ainda ficou doente de novo e não participou do Camp. Paulista no mesmo Ibirapuera nos primeiros dias de janeiro. Seu nariz inclusive estava machucado de tanto assoá-lo. Praticamente um zumbi, porém, como vimos, estava escondendo o jogo! hahaha

  7. Pedro Costa
    5 de outubro de 2012

    Muito bom, mais uma vez Renato! Excelente relato. Parabéns! Aguardando a próxima parte! Abraços!

    • rcordani
      5 de outubro de 2012

      Valeu Pedro. Você que pelo jeito também nadava essa prova, inclusive ganhou do Gustavo Borges nos Jogos Regionais – hehe!

      • Pedro Costa
        5 de outubro de 2012

        Sim, essa foi minha maior contribuição ao esporte olímpico brasileiro, pois “dizem” (numa estória tipicamente forrestgumpiana) que depois desses jogos o técnico chamou o Gustavo Borges e batendo no seu ombro (ou na sua cintura…) disse: _” Tá vendo Gustavo? Peito não dá!” A partir de agora vamos nos focar nas provas de 100 e 200 LIVRE!”…

  8. Rodrigo Munhoz
    5 de outubro de 2012

    Renatão, é muito interessante mergulhar na sua psique competitiva filtrada por estes anos de afastamento. Pena que eu não gostava tanto dos 200 Peito… aliás, do TB do Ibirapuera não lembro nada … devo ter afundado mesmo (?). Alguém sabe? Abraços!

    • rcordani
      5 de outubro de 2012

      O Luso fez um ótimo TB em fev 1989, mas foram mal no Ibirapuera, algo deve ter acontecido em Bauru nesse ano.

      E o sr. aparece em TRÊS fotos na parte IV. E o sr. era magro!

  9. Mauricio
    5 de outubro de 2012

    Este blog é o mais legal que conheço sobre natação. Aliás, não é apenas sobre natação, é mais sobre a figura do nadador. Parabéns, Cordani!

    • rcordani
      5 de outubro de 2012

      Obrigado Mauricio, na verdade obrigado a todos que nos leem, pois não fosse essa receptividade a gente provavelmente não estaria escrevendo!

  10. Eduardo Hoffmann
    5 de outubro de 2012

    Renato, muito emocionante esse seu relato, sobre aquela que é, possivelmente, a prova mais nobre da natação! Como ex-nadador de peito, que abandonou o esporte anos antes desses fatos ocorrerem, é possível se identificar com o narrador… Só não sei como a coisa pode ficar ainda pior no próximo capítulo… Aguardarei a hecatombe final… Abraço! Hoffmann

    • rcordani
      5 de outubro de 2012

      Valeu Hoffman, creio que todos os nadadores se identificam com uma ou outra parte, é exatamente essa a graça da saga, pois a minha história particular (como dito no preâmbulo) não tem nada de mais, é só a minha. Abraços

  11. Edmundo Arthur Foschini
    6 de outubro de 2012

    Renatão, não guarde o veneno da saga dos 200 peito do Ibirabuera, vc é um verdadeiro medalhista
    de ouro. Vc é um Campeão ! Excelente nadador até hoje, tem uma familia maravilhosa, um grande
    profissional… Parabéns Meu, pelo seu exemplo de vida.

    • rcordani
      6 de outubro de 2012

      Haha, muito obrigado pelo comentário Edmundo. Eu admito que estou sendo um pouco dramático, mas eu prometo que tudo melhora na quinta e última parte! Isso se eu sobreviver à quarta…

  12. Pingback: E o improvável acontece – Saga dos 200 Peito parte IV. | Epichurus

  13. Alex
    8 de outubro de 2012

    Nao sei nem por onde comecar…… venho lendo esta saga e sempre tenho boas recordacoes… Nesta epoca, ja morando no EUA, tinha focado meus treinos do 200 peito e nos 400 medley. No primeiro dia estava sentindo tao bem que conversei com o Daltely (meu tecnico no Flamengo depois do Alberto ir para SP), e decidimos mudar meu modo de nadar. O Daltely era um tecnico bem diferente e tive um enorme prazer de aprender muito com ele. Me lembro da conversa..”Dalt, acho que vou nadar diferente na final, nao estou me sentindo muito veloz, mas nao fiquei nem um pouco consado nas eliminatorias… ” A resposta foi a seguinte, “Mineiro, seu estilo nao e passar forte e aguentar, mas sim aumentar sua velocidade de 50 em 50…mas se vc esta se sentindo tao bem, vai pr’a cima” e com essas palavras e a minha ilusao de que estava pronto para mudar, tive a minha maior decepcao em campeonatos brasileiros da minha carreira aquatica. E tive tambem, minha maior aula de humildade pois aquele famoso piano que amarram no seu pe na virada dos 150 era muito grande e assitindo esta prova, so meu nariz aparecia quando respirava e eu via o Caca aos poucos se distanciar….(Caca, eu tenho a mesma filmagem e esta em DVD, assim que achar vou criar um channel no YouTube e fazer um upload the varias provas, principalmente as de 200 peito e 400 medley). Abr a todos, Mineiro/Hermeto

    • rcordani
      8 de outubro de 2012

      Sensacional comentário, Hermeto. Que bom saber que você também travava – hehe! Eu me lembro de ver você chateado, eu também estava, mas nesse dia fui falar contigo e você disse: “não aguento mais fazer 2:23!”. De fato, no final do mesmo ano você faria os famosos 2:21.67. Agora, pensando a posteriori, você devia ter tentado ou só os 200P ou só os 400M, não as duas, concorda? Eu também cometi o mesmo erro!

      • Lelo Menezes
        8 de outubro de 2012

        Acho que na época quase todos nos cometíamos esse erro!

      • AHermeto
        9 de outubro de 2012

        Cordani, nao sei se diria um erro nosso treinar para mais de uma prova…. contanto que nao houvesse conflito de terem 2 provas no mesmo dia, acho que era ate uma norma para os nadadores de peito e costas sempre nadassem os medleys….Naquele ano, posso pensar que treinando para as duas me atrapalharam, mas na verdade gracas aos medleys posso olhar para aquele TB com uma certa satisfacao! Lembro de estar bem chateado depois da prova (mais nobre da natacao brasileira! – 200P) e nao por ter perdido (pois perdi muito mais do que ganhei na minha vida aquatica), mas simplesmente pelo fato de ter perdido com uma das maiores TRAVADAS da minha vida! Naquele ano tinha tambem o fato que queria ir a Copa Latina e pensava que o 200 peito seria a prova que mais tinha chance de vencer..Como estava errado!

      • rcordani
        9 de outubro de 2012

        Sim, tem a vantagem de se não for bem em uma prova, tem a opção da outra – como foi seu caso no Ibirapuera, que você perdeu os 200P mas ganhou os 200M e 400M.

        Mas especificamente no meu caso, eu treinava de tudo, e acabava fazendo pouco trabalho específico de peito. Acho que eu me beneficiaria em treinar só peito em vez de ficar variando muito entre medley, peito e borbola. Inclusive no finalzinho de carreira (96-98) eu nadava só peito e por isso conseguia treinando muito menos chegar perto do meu melhor de 200P em curta.

        Ou seja, não me refiro especificamente a competir, mas sim a treinar. Por isso defendi o treino do Cielo específico para 50L em 2012, ainda que para ele não tenha dado totalmente certo (não por ele ter pego o bronze, mas por causa do tempo um pouco pior do que ele esperava).

  14. Fernando Magalhães
    9 de outubro de 2012

    Mais um belíssimo relato.
    Sobre os comentários do Mineiro, foi um choque vê-lo quebrar a sequencia de vitórias do Renato (Ramalho) na prova de 400 medley, que não perdia no Brasil desde o Finkel de 87. Aliás, o Renato sempre estava bem, mas nesse TB estava mau… foi muito estranho.

    Fiquei impressionado com o treino do dia 9/jan/1990 – grande performance. Esse 2.33 fechando a série de 6×200 peito a cada 3:30, depois de ter nadado tudo aquilo manhã e feito outros 6×200 medley antes da série de peito são a prova escrita que 2.26.00 foi realmente muito ruim. Você estava pronto pra fazer muito melhor.

    Desta vez não apareceu a lista dos 8 primeiros, mas novamente o LAM estava lá. 89 foi mais um ano de super dedicação do meu amigo. Mais forte do que nunca, super treinado, chegou ao 1o dia do TB certo que faria o melhor tempo da vida – muito melhor que os 2.27 relatados no episódio 2 da saga. A eliminatória foi muito ruim e quase que ele fica de fora da final. Acho que pegou raia 1. A forma de nadar a eliminatória foi a mesma de sempre. Diante do tempo muito ruim e natação sofrida, conversamos nos questionando: “o que aconteceu?” e após concluir que não adiantaria nadar da mesma forma, sugeri: “passa no gás, LAM. Você treinou demais e uma estratégia diferente pode trazer um resultado diferente”. Assim ele fez, passou com 1.09.1 e na volta sofreu demais. Acho que o tempo final foi 2.29. Avaliando a relação, parece que o piano do Mineiro ficou pequeninho. LAM, desculpe pelo palpite furado.

    Os 222 do Cacá foram muito impressionantes.

    Disso tudo, tem uma resposta que eu nunca encontrei, como pôde aquela japonesinha pequenina que levou o ouro em Barcelona aos 14 anos fazer 2.26?
    Certamente, tinha algo muito errado no treino e polimento do meus amigos.
    Caras grandes, fortes, extremamente dedicados. Era pra ter nadado muito mais rápido que isso.

    • rcordani
      9 de outubro de 2012

      Boa Esmaga, concordo com boa parte, mas é preciso uma correção, o último de 200 tanto de P quanto de M era 4×50 com 10″ int, o que ainda mantém a série boa mas não tanto quanto você mencionou.

      E eu NUNCA soube que o LAM tinha passado com 1:09! Eu passei com 1:10.8 e sempre pensei ter passado em terceiro! Como eu estava na 6, pelo jeito ele estava na 1. Lembrando que bizarramente no Ibirapuera as raias cresciam da esquerda para a direita, ao contrário do JD.

      • Fernando Magalhães
        9 de outubro de 2012

        o video do Mineiro mostrará a passagem suicida do LAM.

    • rcordani
      9 de outubro de 2012

      Ah, e outra coisa: para os paranaenses da época, o limite era 2:27 :-)!

      • Fernando Magalhães
        9 de outubro de 2012

        Pois é, Fabiano Justus Costa fez prata no JD de 85 com 2.26. Parou em 87 sem melhorar essa marca e após ter sido derrotado pelo LAM em 86.
        Para a turma do Curitibano o limite de 2.27 foi respeitadíssimo: Newton, Felipe, Ramalho e LAM tentaram mas ninguém conseguiu.
        Sua tripudiada tem todo fundamento.

  15. Pingback: A vida não é um 200 Peito! Parte V – Epílogo da Saga. | Epichurus

  16. Ahermeto
    17 de dezembro de 2012

    Faz muito tempo que prometi este video….. espero que funcione: http://youtu.be/lBDK1CH6otE

    • rcordani
      17 de dezembro de 2012

      Sensacional Hermeto! Obrigado! Não deu para ver a minha chegada, mas foi possível verificar que eu estava correto, nos 150m eu estava bem na frente do Lelo.

      E que travada espetacular a sua, hein?

  17. Ahermeto
    17 de dezembro de 2012

    Cordani, eu tive muitas travadas na minha vida…mas essa foi a pior de todas…o que salvou a minha cabeça neste campeonato foram os medleys (200 e 400) que fui muito bem… tenho outros videos que vou colocar no youtube e mando as links depois. grande abraco e feliz natal e ano novo!!!

  18. sandbagging
    17 de dezembro de 2012

    O coracao veio parar na boca agora… parecia ate’ que estava la’… Arrepiou ate’ os (poucos) fios de cabelo da nuca… hahahaha!

    Valeu demais por colocar isso no youtube mineiro! Sem duvida, este foi o melhor dia da minha vida de nadador. Ate’ hoje me lembro que nos ultimos 50m, quando eu (e todo mundo que conheco) tambem travava, mas naquele dia isso nao aconteceu.

    [ ]’s

    Caca’

  19. Fernando Cunha Magalhães
    17 de dezembro de 2012

    Sensacional Mineiro, valeu a postagem.
    Cacá, vc deu um show e deixou todos de queixo caído.
    Cordani, tirou um tempinho pra olhar o parcial do LAM? Então tira outro pra ver que não rolou filipina na virada dos 150m.
    E de fato, vc estava MUITO na frente do Lelo nos 150m. E o cara ainda chegou 46 centésimos na frente.
    Mitropoulos também carregou um piano violento.
    Muito bom relembrar.
    Esmaga

  20. Pingback: Patrícia Amorim: a nadadora. Epílogo Parte II | Epichurus

  21. Pingback: O Renato tirou segundo, pelo menos? « Epichurus

  22. Pingback: Meus 400 medley: do nada para lugar nenhum (mas com algum recheio) « Epichurus

  23. Pingback: Vinte e seis anos em um dia: de Jorge para Cristiano para Gustavo. « Epichurus

  24. Pingback: Peba em longa, eu? (e o RB do Lelo) | Epichurus

  25. Pingback: Use e abuse da sua determinação… em seu favor | Epichurus

  26. Pingback: O maior (não olímpico) vencedor de brasileiros. | Epichurus

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 4 de outubro de 2012 por em Natação, Saga dos 200 Peito e marcado , , , , .
Follow Epichurus on WordPress.com
outubro 2012
S T Q Q S S D
« set   nov »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  
%d blogueiros gostam disto: