Epichurus

Natação e cia…

Meu Medo de Oferecer Natação para os Filhos

“Vou nadando até aquela ilha e já volto…” Naaaão!!!

Sim, sou um pai babão. Mas apesar de ter ficado contente com a evolução aquática dos meus filhos no último fim de semana (até escrevi sobre isso), já faz um tempinho que não tenho mais a certeza absoluta de que gostaria de vê-los seguindo (ou tentando) a carreira de nadadores. Acho que a razão foram os boatos de que haveria anúncios de casos de doping no Juvenil, ventilados inicialmente em Agosto aqui no Blog do Coach.

Apesar dos rumores já terem sido desmentidos pela CBDA no começo de Setembro, não fiquei tranquilo. Afinal de contas, em janeiro de 2012 o Rogerio Romero já havia escrito no seu blog sobre nossas estatísticas alarmantes de doping. Adicionalmente, como bem me lembrou o Lelo, a natação do Brasil no século XXI tem mais que o dobro de casos de doping do que o “segundo colocado” neste triste ranking…  Será que as coisas mudaram tanto assim nestes últimos 20 anos? No mínimo, a se julgar pelos comentários de pais, atletas e aficionados sobre os posts “Não acredito, não acredito, ou melhor, não quero acreditar…” e “CBDA emite nota oficial” no referido blog do coach Alex Pussieldi,  a polêmica e a discussão sobre a existência de doping entre os nossas futuras promessas olímpicas da natação permanece.

Tenho como princípio acreditar na inocência de qualquer um até que se prove o contrário. Posso ser chamado de ingênuo às vezes, mas simplesmente não consigo acreditar por exemplo que a maioria dos grandes atletas trapaceia, como já comentei neste blog. Contudo, um pai como eu (ex-nadador e totalmente contra qualquer tipo de doping) a simples suspeita de que esteja acontecendo algo “estranho” no meu esporte favorito, me deixa com a pulga atrás da orelha, em especial quando o assunto envolve a prole.

Eu sei que o que os meus desejos não significam muito em termos do que meus filhos vão fazer de esporte efetivamente. A preferência pessoal, o biotipo, o talento e a disciplina (entre outros fatores) de cada um, irão determinar se algum deles se fará nadador, ginasta, corredor de meio-fundo, ciclista ou sei lá o que… Mas me lembro claramente de quando morava no Rio e minha mãe me levou para as primeiras aulas de natação no Bandeirantes T.C. das quais não gostei, por sinal. Depois de um tempo ela insistiu, me levando na Gama Filho (com o ótimo Professor Tião) onde finalmente descobri meu esporte favorito, com quase 8 anos de idade. Se não fossem meus pais terem tomado a iniciativa e dado uma insistida no meio aquático, minha vida (e da minha família) teria sido bem diferente com toda certeza. A influência que os pais têm não é desprezível… pro bem e pro mal, eu suponho.

calma…

Mas um pai não pode ter medo apenas. Os navios em geral ficam mais seguros no estaleiro, mas são construídos para cruzarem oceanos. Criamos filhos para que eles corram seus riscos longe do nosso “porto seguro”. Uma abordagem pragmática seria pesar os prós e contras que a natação traz… Rapidamente pensei no seguinte:

•Positivos: Saúde, Possibilidade de se tornar um ser humano melhor, segurança aquática, criação de amizades para a vida, oportunidades de conhecer novos lugares, possibilidade de bolsas de estudo, experiências positivas para uso na carreira profissional. Ok, tá meio genérico e seve para quase qualquer esporte, mas acho que deu pra entender…

•Negativos: Pressão pela vitória, dor da derrota, risco de lesões, overtraining, técnicos mala, risco de doping (e doping, no minimo é um risco para a saúde). Também tá meio genérico, até porque a natação tem baixo impacto negativo geral, mas meu ponto vem a seguir…

Ao meu ver, os potenciais benefícios ainda são bem maiores que os riscos percebidos. Mas se considerarmos o histórico da natação brasiliera e mundial nos últimos anos, começo a achar que a exposição ao doping deve ser a maior ameaça e, de longe, o pior “downside” a que se expõem os praticantes da natação no país (e, sendo justo, de vários outros esportes), complicando a vida de pais interessados em um esporte saudável para os filhos. Note-se que já acho inaceitável que crianças estejam tomando “suplementos” sem conhecimento e consentimento dos pais, mas simplesmente não consigo nem conceber como podem exisitir pais que compactuem com o doping do filho, como vimos no triste caso do marchador italiano eliminado da Olimpíada de Londres. Ser pai não é isso.

E o que fazer então? Creio que uma educação sólida, a criação de uma forte capacidade de discernimento no jovem e atenção redobrada à rotina de treinos, com acompanhamento daquele filho-atleta, podem e devem mitigar possíveis riscos. Não há garantias, claro, mas imagino que essa mesma fórmula possa controlar uma série de outros comportamentos auto-destrutivos.

Obviamente, criar filhos não é algo que caiba em “receitas de bolo”. É uma tarefa de longo prazo mais complexa do que qualquer desafio esportivo já vivido. Ao mesmo tempo que a natureza é sábia, nenhum “treino” realmente te prepara para as situações que viveremos com a paternidade. Por isso mesmo, creio estar dividindo estes medos e ansiedades com vocês. Ainda assim, acho que ser pai é a experiência mais fantástica que existe e independentemente do esporte e dos caminhos que meus filhos escolham, tenho apenas uma preocupação principal: Não me importo que sejam campeões, mas quero muito que sejam felizes e saudáveis. Aos amigos e parentes, fiquem tranquilos que ainda devo manter a molecada na natação… mas honestamente tenho questionado até mesmo este caminho de longo prazo, que considerava óbvio até pouco tempo atrás.

Será que é só mais uma neura pessoal minha ou outros pais (e futuros pais) estão pensando nisso também?

Sobre Rodrigo M. Munhoz

Abrace o Caos... http://abraceocaosdesp.wordpress.com

25 comentários em “Meu Medo de Oferecer Natação para os Filhos

  1. Marina Cordani
    20 de setembro de 2012

    Munhoz, a gente nunca para de se preocupar com os filhos, nem quando eles saem de casa! No meu caso, eu queria que ambos fossem nadadores, ou pelo menos esportistas de competição. Coloquei o João na Dolphins com 3 anos e ele gostava muito. Depois ficou maior e foi para o Paineiras. Já não gostava tanto. Quis sair, insisti, insisti, nadei muito com ele no mar, ensinei a nadar borboleta eu mesma, e no final cedi. Daí ele tentou futebol (pressão social, ele mesmo não gostava muito), judô (ficou muito tempo), tênis, handball, voleyball, skate. Ele nunca foi extremamente hábil (a não ser no skate, que ele é bom) e nunca era chamado para fazer parte de equipes competitivas. Hoje em dia ele sabe jogar tudo, se diverte em tudo (inclusive futebol, que ele joga ok). Participou da seleção brasileira de um esporte novo, Tchoukball, que foi para o mundial na Áustria e depois para a Itália. Anda de bicicleta em São Carlos, skate a lot, e escala paredes nas horas vagas. E é um ótimo ser humano, mesmo!!
    A Ana é hábil. Sempre se destacou na educação física da escola, era chamada para as equipes competitivas de todos os esportes que fez quando pequena: nado sincronizado, natação (mesmo só sabendo nadar crawl e costas foi chamada para a equipe), basquete, peteca, volleyball e tênis. Resolveu se dedicar ao tênis, e nós incentivamos muito. Treinava todos os dias, campeonatos no fim de semana, uniformes, viagens, aquela história. Só que nunca foi feliz. Se cobrava demais, reclamava de não ter muita vida social, não queria faltar na escola em caso de viagem, não se dava com a equipe de tenistas, seus grandes e muitos amigos eram todos da escola (roqueiros, não esportistas). Ficava triste se perdia o jogo, e ok se ganhava. Só a vi meio feliz uma vez ao longo desses 5 anos, que foi quando ela chegou a uma semi-final do Brasileirão em Curitiba. Precisou de coragem, mas ela falou em parar, após uma lesão no ombro que demorou a sarar (fisioterapia, musculação, ortopedistas, exames, etc, etc). Acho que foi a melhor coisa que aconteceu na vida dela. Está muito mais leve, curtindo os amigos, cheia de programas, faz aula de guitarra, francês e desenho (acaba de sair do teatro), faz cupcakes para distribuir na escola, curte muito ler e ir ao cinema. Está curtindo um sabático de esportes, mas espero que volte a praticar alguma coisa (fala em boxe!).
    Resumindo: Nenhum filho meu quis ser esportista de verdade, com os sacrifícios que isso exige. E eu, que achava que a vida de esportistas era a mais legal de todas, aprendi com eles que há várias vidas mais legais de todas. Cada um, cada um!

    • rmmunhoz
      20 de setembro de 2012

      Que legal o seu depoimento, Marina! Você menciona uma coisa que não explorei muito no meu texto: O sacrifício diário do esportista competitivo. Será que isso é um “positivo” ou “negativo”? Para os jovens tenho quase certeza que é algo muitas vezes percebido como uma barreira para a feliciade (ou seja, negativo), apesar de alguns benefícios de longo prazo que traz (ensinamentos como resiliência, paciência, disciplina). E o seu resumo é sensacional: Acho que aprendemos na prática com nossos filhos que a percepção da individualidade de cada um e a busca pela caminho mais adequado é o grande lance… No fim, assim como você, eu não quero que minhas verdades prevaleçam, mas que cada criança ache a sua. Adoro a natação, mas acho que estou começando a entender que o qe eu acho não importa tanto… O bom é que há muitas outras opções e boas escolhas podem ser feitas em várias dimensões diferentes. Obrigado pelo comentário, de coração! Beijo, Rodrigo.

    • rcordani
      25 de setembro de 2012

      Marina, pelo que o João tem andado de skate daqui a pouco estará no X-games!

  2. rcordani
    20 de setembro de 2012

    Sim, infelizmente acho a preocupação extremamente válida. Veja que no passado (20 anos atás), se dopar ou não era uma questão de ganhar uma medalhinha aqui ou ali a mais. Hoje, pode significar uma profissão com mais ou menos salário, ou seja, o estímulo para o doping é muito maior hoje em dia.

    Como disse a Marina, quem escolhe são os filhos, mas eu ficaria (ficarei) bem preocupado se um dos meus seguisse (seguir) a carreira competitiva.

  3. Fernando Cunha Magalhães
    20 de setembro de 2012

    Munhoz,
    certa vez estava numa festa numa casa de dois andares. A maioria das pessoas estava no Térreo, passei a maior parte do tempo por lá, mas num dado momento resolvi subir. Quando entrei na cozinha vi uma pessoa que eu nunca tinha visto na vida passando um cigarro de maconha para um amigo meu. Ele devolveu imediatamente e disse “na frente desse cara eu não vou fumar”. Eu disse que ele podia ficar à vontade – senti que ele queria – e que eu iria descer, mas meu amigo recusou novamente e desceu comigo. Provavelmente deve ter usado em outras oportunidades.
    Estive em shows, em outras festas, nunca procurei e ninguém nunca me ofereceu maconha. E caso tivessem oferecido eu agradeceria e diria: “não”.
    Ou seja, não considere o fato dos seus filhos terem acesso ao doping para decidir se vai ou não vai incentivá-los a nadar. Considere os outros prós e contras que você e a Marina tão bem enumeraram. Considere como você e eles se sentirão ao ter que competir limpos contra um ou outro adversário que eventualmente poderá estar dopado.
    Se não tiverem acesso a drogas (doping) na natação, terão na vida, e a origem da decisão de procurar ou aceitar um oferta, será a mesma… os valores pessoais que você a Dani estão construindo junto com eles dia após dia.
    Tenho fé que minhas filhas dirão não.
    Tenho fé que seus filhos dirão não.
    Forte abraço,
    Esmaga

    • rmmunhoz
      20 de setembro de 2012

      Grande Esmaga! Pode deixar que eles serão incentivados a nadar, no mínimo pelo valor dos “positivos” que listei, mas com certeza a natação pode entregar muito mais. Sei que escolhas complexas aguardam os pequenos e espero que estejamos fornecendo a base certa para que no futuro tomem as melhores decisões… acho que na construção dessa base pode ter contribuição do esporte, mas temo o “peer pressure” como algo potencialmente negativo. Acho que o jeito é ficar de olho, conversar bastante e passar bons valores, certo? Abração!

  4. rmmunhoz
    20 de setembro de 2012

    Valeu, Renato. Sem dúvida os tempos são outros e a pressão e o risco de decepção, potencialmente muito maiores… Obviamente não é isso que me interessa no esporte. Quanto a preocupação, parece que essa vem junto no pacote com os filhos (juntamente com coisas boas também). Uma alternativa é descobrir um esporte de pouca pressão que a molecada goste… Abraços!

  5. Alvaro Pires
    20 de setembro de 2012

    Muito bacana o post, Munhoz e o depoimento da Marina tb muito legal. Tenho 2 filhos um de 7 e outro de 4 e a pergunta q mais ouco eh se eles jah estao nadando. E eu respondo q estao nadando na escola, junto c Judo e futebol. Vejo a decepcao dos outros c minha resposta. Todos esperam q eles jah estejam numa equipe grande. Eu digo q eles ficam na escola em tempo integral e estao experimentando os esportes nela. Minha mae, q era quem me levava p o treino religiosamente as 5 da matina, quase todo inicio de ano fica engendrando uma maneira de levar o mais velho p o Marina (q eh uma das melhores equipes de garotos do Rio) mas nunca dah certo. E ela ainda reclama (as vezes) q nao faco forca p isso. Na verdade quero q eles nao se afoguem no Mar e tomem gosto pelos esportes de uma maneira geral. Realmente nao faco questao de uma equipe competitiva em qq esporte, a nao ser q haja vocacao deles. Me preocupo c o vale qq coisa pelos resultados (ai incluido o doping, q julgo, mesmo s provas, q eh totalmente disseminado no meio !!!), pelo culto a celebridade instantanea, pela perda de fases da infancia e outras do mundo moderno. Claro q existe muita coisa legal. O ambiente, as viagens, os amigos etc. Mas qdo parei de nadar aos 20 vi q isso existia tb fora do esporte. Jah ateh tinha dito em outro post do proprio Munhoz (de uma viagem d ferias) do meu alivio qdo parei de nadar aos 20 e pude viajar muito mais. Eu tento sempre nao cobrar muito dos meus filhos a nao ser em relacao aos valores e estudos mas em varios momentos fico me questionando se em algum momento nao vale uma empurradinha maior na pratica esportiva. Se esse meu “relaxamento” nao farah os meninos perderem alguma oportunidade mais a frente.
    Agora falando de vc, nao sabia q tinha comecado na Gama c o Tiao. Encontrei c ele algumas vezes no Recreio, no calcadao da praia, na padaria, andando pela rua etc. Ele sempre faz a maior festa qdo me encontra. Tive varios amigos da Gama, o Alberto (Oliveira) q nao vejo ha muito tempo, o Marcio (Santos) q p mim foi o melhor nadador mirim/petiz/infantil q jah vi, o Max, o Alexandre (de Paula), Fabinho (Costa), (Marcelo) Galvao, (Eduardo) Berendonk. Guima (Marcelo Guimaraes) e outros. Legal dividir o espaco c pessoas bacanas. gr ab

    • rcordani
      21 de setembro de 2012

      Vreco, você parou logo após a Universíade 1991?

      • Alvaro Pires
        21 de setembro de 2012

        Renato fiquei 30 dias viajando pela Europa depois e voltei fora de forma total. No tb do final da temporada no Minas fiz tempos horrorosos. Nos 50L fiquei em 11o depois do 4o do ano anterior, nos 100 fiz tempo pior q qdo tinha 15/16 anos !!! Coincidiu tb c a doenca do Dalty e entrada do Pradinho jah em setembro. Nao me adaptei aos treinos dele. Ele nao teve tempo de conhecer os atletas, pq pegou o bonde andando. P vc talvez fosse bom, muito de treino de medley e golfinho em longa. A piscina do Fla tem 1m de profundidade, ai vinham series de 10X400m, 10X200B e varias outras assim, alem d q nao havia divisao entre os atletas de fundo e velocidade. Soh no polimento ele separou um pouco, mesmo assim os velocistas nao descansaram o suficiente. O Pradinho cortou muita gente e nao queria nem me levar mas no carioca fiquei em 3o ou 4o e fui o melhor do Fla nos 50 e 3o nos 100 ai nao teve jeito. Na volta das ferias de verao nao tive mais animo p continuar e parei. Acabou q fiquei muito amigo do Granjeiro q tb nao voltou depois da mononucleose. Passamos a sair direto e a vida de atleta passou a nao combinar mais c a nossa. A verdade tb eh q vendo a olimpiada se distanciar achei q a minha carreira jah tinha chegado perto do limite. Neste ano de 1991 perdi de garotos mais novos despontando dentro do clube, como o (Fernando) Saez e o (Andre) Teixeira, coisa q nunca acontecera antes e nao tive forca mental p continuar.
        Renato vc sempre antenado c a linha de tempo. Valeu gr ab

  6. rmmunhoz
    20 de setembro de 2012

    É isso aí, Alvaro… Acho que vou passar por conflitos semelhantes aos seus, mas com certeza a oportunidade de “exposição” a natação eu quero que eles tenham. Se vão ser competitivos e em qual nível, vai depender deles, mas como o Renato disse, talvez hoje eu nem faça muita questão disso.
    Quanto a Gama Filho, foi uma grande escola… Fiquei chateado ao ouvir que a piscina da UGF na Taquara (ou o Campus todo?) foi demolida pra dar lugar a sei lá o que… Uma parte da minha infância que se foi. Enfim, reconheço vários nomes dos citados por você, logicamente! Alguns deles estão no Facebook e vi umas fotos ótimas daquela época n’outro dia… abração!

  7. Rosely de Souza
    21 de setembro de 2012

    Quando comecei a frequentar as arquibancadas a intenção era exclusivamente formativa. Pois, vinhamos de familia de atletas campeões.Época em que o esporte era formador aonde os princípios éticos,educacionais vinham em primeiro lugar. Haja visto sua preocupação em seu blog. (Como vem mudando de postura informativa, que na minha opinião está sendo bem melhor).Passado 13anos nossa filha continua no esporte e nós depois de tudo que já vivênciamos e estamos vendo posso lhe dizer que sentimos muito por ela.Mas não esmorecemos em desmotivá-la, porque o sonho é dela de ser atleta.Nós sofremos,, mas estamos tranquilos com a formação e orientação que demos a ela.Quanto ao externo desde que o mundo é mundo tem o mal, basta como cada um o administra.Fique tranquilo.Deixe o rio seguir o seu curso ele achará o seu próprio caminho.

    • rmmunhoz
      24 de setembro de 2012

      obrigado, Rosely. Pois eh… os tempos mudaram, mas a motivaçao dos pais permanece a mesma (ou quase). Beijo, Munhoz

  8. Claudio Martino
    23 de setembro de 2012

    Munhoz,
    Moro nos EUA ha 11 anos, tenho 5 filhos (4 nascidos aqui). Gostaria de compartilhar alguns pensamentos em função do interessante artigo escrito por você. Mesmo sem saber qual será o destino de meus filhos (profissional ou esportivo), considero a natação como sendo o nosso esporte oficial em casa. Moramos no Texas, ao norte de Houston, aonde a natação competitiva é extremamente difundida, em função de times que migraram da California para o Texas na década de 70, a partir de relocações de gigantes empresas de petróleo que trouxeram para cá nadadores e, pricipalmente, o espírito da natação como uma atividade profundamente vinculada com a participação e envolvimento da família.

    Meus três filhos mais velhos (de 11, 9 e 7 anos) começaram a nadar aos 3 anos e hoje nadam pelo menos 4 vezes por semana, durante o ano inteiro, inclusive durante férias e feriados. Sempre que possível, eles fazem aulas particulares com seus técnicos durante os fins-de-semana e atendem clínicas e workshops de natação. Em média, eles participam de uma competição por mês (envolvendo normalmente 6 a 12 clubes) e também competem desde 2010 por um outro time (que só opera no verão) por 8 fins-de-semana em seguida, durante a liga de verão, na primeira divisão de Houston.

    No sábado passado, por exemplo, eles tiveram a chance única e impagável de participarem de uma clínica organizada (e patrocinada) pelo Mutual of Omaha (patrocinador oficial do USA Swim Team) exclusivamente oferecida para o nosso time (The Swim Streamline of Northampton, que ganhou o Divisional no Texas em Julho passado). Em resumo, 75 nadadores entre 8 e 14 anos do nosso time tiveram a honra de passarem 5 horas com dois ícones da natação mundial: Josh Davis (3 ouros e uma prata em olimpíadas) e Misty Hyman (ouro histórico em Sidney nos 200 fly). Pelo menos duas vez por ano eles tem a chance de conhecer e interagir com nadadores olímipcos. Em julho passado, por exemplo, fomos assistir as eliminatórias olímpicas e meu filho mais velho teve a chance de ser avaliado pelo Bob Bowman (técnico do Michael Phelps).

    Escrevi tudo acima para te dizer que mesmo sem saber como seria conduzir a educação de meus filhos sem a presença da natação em nossas vidas, a coisa que mais me peocupa é se eles vão um dia se “burn-out”, e eventualmente desisitr desse esporte maravilhoso. Então, sempre tento conciliar alguns dos sacrifícios que eles já tem que fazer para treinarem (como brincar com os amigos na rua, horário para fazerem a lição de casa, escolha de lugares e períodos para passarmos nossas férias) com suas outras prioridades, de forma que continuem crescendo e gostando deste esporte.

    A natação, como estou seguro você concordará, molda princípios e uma forma de vida muito mais amplos do que simplemente ir atrás de tempos, estilos e índices. Ela ensina as crianças a serem humildes, focadas e disciplinadas; a se procuparem com alimentação e sono; além de proporcionar um excelente ambiente para as primeiras experiências com o sucesso e o fracasso. Quantas e quantas vezes tive que tirar meus filhos dos decks aos prantos, porque não conseguiram melhorar seus tempos ou porque foram cortados de um relay ou colocados em outros estilos (do que seus preferidos) no I.M. Por outro lado, cada vez que ganham uma medalha e, principalmente, melhoram seus tempos e recebem elogios dos técnicos, voltam para casa com a genuina sensação de que trabalhar duro sempre recompensa.

    Não me lembro de quantas e quantas vezes tivemos que forçar as crianças a irem na marra para os treinos, pricipamente no inverno (eles nadam em uma piscina aquecida, mas aberta, e faz muito frio aqui em Janeiro). Porém, é uma alegria vê-los hoje traçarem suas metas de resultados para os próximos 3, 6 e 12 meses e dividirem a satisfação quando lideram as “lanes” em seus treinos.

    Por tudo o exposto acima, queria compartilhar contigo que, deste lado do mundo, aonde para se destacar na natação é equivalente a se destacar em futebol no Brasil, a última das minhas preocupações é com o doping ou qualquer outra medida extrema que um nadador (ou qualquer outro atleta de alto nível) possa vir a fazer para atigir suas metas. A realidade de se tornarem atletas de competição de alto nível ainda está muito remotamente longe para minha família. Isso me assegura que ainda teremos muitos anos pela frente de satisfação com a natação. Espero que eles cresçam e amadureçam nesse esporte e, Deus permita, entendam que nunca precisarão recorrem a medidas ilegais para melhorarem seus resultados, pois qualquer que seja qualquer tempo que obtenham em qualquer condição, eu sempre estarei por lá para incondicionalmente suportá-los.

    Um grande abraço,

    Claudio Martino

    • rmmunhoz
      24 de setembro de 2012

      Oi, Claudio. Uau! oportunidades realmente impares essas que seus filhos estao vivenciando! Fiquei curioso pra saber se todos vao para o caminho da nataçao ou tambem vai ter algum gostando de outro esporte, ja que o futebol americano, baskete e beisebol tbem sao enormes nessa regiao… mas de qualquer forma, espero que continuem aproveitando muio! abraços!

      • Claudio Martino
        24 de setembro de 2012

        Ola Munhoz,
        Voce tem razao, ha uma pressao muito forte aqui nos EUA para as criancas se envolverem desde cedo em varios esportes, principalmente com o futebol (americano) aqui no Texas. Por sorte, como disse em minha ultima nota, a natacao tambem e muito difundida por aqui (a Universidade do Texas, por exemplo, tem mais de 20 medalhistas olimpicos e seu head coach e um dos mais renomados tecnicos da USA SWIM). Eu me lembro de um dia em 2005, quando eu estava andando de bicicleta com minha esposa e na epoca com 3 filhos (com 5, 3 e 1 anos), logo nas primeiras semanas apos termos nos mudado para o Texas (vindo de Massachusetts), fomos parados por um morador de nosso bairro que se apresentou e de imediato perguntou se as criancas ja estavam inscritas em algum time de natacao (na epoca os dois mais velhos ja haviam comecado a nadar no YMCA de Boston, mas ainda nao tinhamos um time formal no Texas).

        Tentamos alguns times ate encontramos o Swim Streamline at Northampton que, na minha opiniao, tem os melhores tecnicos da regiao para a natacao competitiva ate o nivel universitario. Ate o dia em que as criancas fizeram o teste e foram aceitas pelo time de Northampton, pelo menos 4 outros times manifestaram interesse em treinar nossas criancas. Esse assedio acontece ate hoje. Sempre que levo os meninos as competicoes de nivel um pouco mais alto (como os invitationals, aonde so podem nadar criancas com tempo BB, ou A, por exemplo), alguns times de alto nivel da nossa regiao ficam de plantao na porta da piscina, distribuindo folhetos oferecendo algumas vantagens para os nadadores que aceitarem trocarem de time (acho que e’ o capitalismo selvagem, aplicado a natacao…).

        Entao, voltando a sua pegunta, eu tento fazer os meninos verem a natacao como uma necessidade basica diaria (quase como comida), completamente suportada pelos pais. Qualquer outro esporte e’ secundario, na medida em que tento demonstrar que a natacao deve ser vista justamente como base para outros esportes. Se, no futuro, quiserem trocar de esporte, sem problemas, mas vamos esperar o mesmo nivel de interesse e dedicacao que temos com a natacao.

        Acho muito dificil para nos, pais, balancearmos a pressao de outros esportes e o proprio interesse de nossos filhos pelos mesmos. E e’ ai que, talvez por simplicidade, eu tente mostrar aos meus filhos que eles tem a vida inteira para se divertirem e “brincarem” com qualquer outro esporte. Porem, eles so tem mais alguns poucos anos pela frente para demostrarem se tem interesse e condicao para se tornarem atletas de elite e se beneficiarem de todos os respectivos resultados e recompensas, apesar dos sacrificios. Entao, se essa for a vontade deles, seguramente terao o suporte necessario da familia nas varias frentes necessarias.

        um abraco,

        Claudio Martino

    • rcordani
      24 de setembro de 2012

      Legal Claudio, acho também que essa é uma experiência muito legal, afinal vivi isso. Entretanto, preocupar-se é inevitável, ainda que não impeça que os filhos sigam esse caminho…

      • Claudio Martino
        24 de setembro de 2012

        Olá Cordani!
        Eu ainda me lembro de várias histórias que o meu irmão (Ede) me contava sobre seus treinos e os do Henrique Americano, ainda na época do Santa. Sei que vocês conhecem o esporte por dentro e por fora!
        Forte abs,
        Claudio

      • Rodrigo Munhoz
        25 de setembro de 2012

        Claudio, Gosto da abordagem do esporte sendo visto (ou entendido) como uma “necessidade básica diária”.Até hoje acho que acabo vendo a natação dessa maneira e fico meio chateado numa semana quando não consigo nadar … Mas não sabia que o assédio sobre as crianças com os times esperando a competição acabar para recrutar a galerinha. Pesado isso! Me faz pensar um pouco mais… Abraços e obrigado pelos comentários profundos e pensados.

      • rcordani
        25 de setembro de 2012

        Ah, que bacana, boa sorte para os jovens nadadores! Abraços

  9. Ruy
    24 de setembro de 2012

    Eu penso muito a respeito de incentivar ou não meu filho a praticar algum esporte competitivo. Os pais com filhos mais velhos, caso do Renato, ja colocaram que a escolha é do filho e nao do pai. Como ex-nadador nao cogito a menor possibilidade de meu filho nao fazer algum esporte até determinada idade mas me preocupa colocar em esportes mais “profissionalizados”. Nao me incomoda (nesse momento) a questão de doping mas me preocupa a ingestao desses suplementos legais. Hoje em dia, tem capsula de cafeina equivalente a, sei la, 40 doses de cafe, e parece que estao dentro da legalidade. OK, mas e sua saúde? Para quem foi criado no arroz com feijão, fica dificil apoiar seu filho a ficar tomando 400 suplementos diarios para melhorar a performance. Agora, entre natação (ou outro esporte competitivo) e musculação em academia, fico com o primeiro disparado. Alem dos beneficios aqui citados, quem é “rato de academia” está muito mais exposto a produtos de melhoria de performance sem necessariamente ter um controle disso.

  10. Rodrigo Munhoz
    25 de setembro de 2012

    Ruy, o “arroz com feijão” já não existe na natação competitiva. Isso não é necessariamente ruim, mas eu entendo seu receio’, já que é mais ou menos o mesmo que me levou a escrever este post. O tempo e nossos filhos dirão se a preocupação é válida ou só mais uma ansiedade paterna. Abraços!

  11. charlaodudo
    29 de setembro de 2012

    Eu acho que é importante incentivar a prática do esporte para os filhos e para que esse incentivo dure, não tem outro jeito que não seja o esporte competitivo. Se não tem desafios, o interesse vai diminuindo com o tempo e o interesse muda. Lembro muito bem da minha época de treinos quando minha mão acordava às 4:30 da manhã para me levar no treino, meu pai passava o sábado e o domingo nas competições, dormindo em pé em algumas ocasiões. Se eles não gostassem e não tivessem incentivado, seria com certeza mais difícil seguir treinando e competindo.
    Hoje eu procuro incentivar o esporte para as crianças e a correria acaba sendo grande. A Bettina ainda tem 3 anos e por enquanto ela só vai na natação 2 vezes por semana e essa tarefa fica com a Alícia. O Breno, de 8 anos, faz natação 2 vezes por semana e futebol 3 vezes por semana. Ele gosta mesmo é de jogar futebol, mas está melhorando bem na natação. Ele gosta bastante de competir e acertamos bem o clube, pois o time é bem competitivo e participa com chances nos campeonatos da cidade de Valinhos. O duro é que todo final de semana temos jogos e o programa fica amarrado a esses eventos. Hoje’o Breno teve competição de natação em Campinas e amanhã as 8 da manhã ele tem que estar no campo para mais um jogo do campeonato de futebol. Ele adora as competições e isso motiva ele bastante a treinar. Hoje ele até faltou no treino de futebol para participar da competição de natação!
    Acho que em breve você vai achar o esporte ideal para cada um dos seus filhos e você e a Dani vão conseguir incentivar muito as crianças nessa fase. Espero que você dê sorte e todos optem pelo mesmo esporte, senão vai ser difícil levar cada um em uma competição em um mesmo final de semana.

    • Rodrigo Munhoz
      1 de outubro de 2012

      Valeu, Charles!
      Teremos realmente dificuldades em acompanhar os 3 caso pratiquem esportes diferentes no mesmo fds… então a torcida fica para um esporte “partilhado” :-).
      Graças aos seus videos no YT, eu pude ver o Breno jogando bola e parece que ele leva jeito! Pelo menos pareceu já bem melhor que você e eu… Ainda não o vi nadando, mas espero que vc conserte isso logo. Abraços!

  12. Pingback: Retrospectiva de um ano de Epichurus | Epichurus

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Publicado às 20 de setembro de 2012 por em Natação e marcado , , .
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