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Natação e cia…

Pebas na Copa 3 – Pebas dentro e fora de campo no Mineirão

Eu já não estava botando fé que iria assistir um jogo desta Copa do Mundo no Brasil. Para mim a Copa já tinha sido aquele jogo amistoso contra a Sérvia no semi-saudoso Morumbi, com minha família. E estava até de bom tamanho.

Mas então, de repente num domingo a noite, checando e-mails em Juquehy, vejo que o Renato está desistindo de ir ao jogo da grande “revelação PEBA” desta Copa – a Costa Rica , contra uma das decepções europeias – Inglaterra. Tudo bem que esses súditos da rainha já estavam desclassificados, mas a oportunidade de viver o clima da copa in loco no Mineirão me pareceu algo imperdível (ou “once in a lifetime opportunity” como disse minha esposa a um gringo mais tarde). Depois de checar que não havia pegadinha nenhuma, demonstrei interesse e peguei os dois ingressos de meu generoso amigo no dia seguinte, ainda sem saber se a patroa iria junto ou como chegaríamos em BH na manhã seguinte…
Me senti de volta as aventuras da época de faculdade (mas agora com internet)… Dirigir seria muito arriscado, voar era caro demais e a volta só seria possível na Quinta… O negócio era pegar um ônibus durante a noite, acordar em BH e voltar pelo mesmo modo na noite seguinte. E fomos nós assim.

O primeiro desafio já apareceu na rodoviária do Tiete. Na pressa de comprar passagens as 3 da tarde daquele dia, tendo que escolher entre escassas opções, compramos a ida de uma tal de UTIL, sem notar que o ônibus sairia de… Guarulhos! Saimos correndo para pegar outro taxi. Uns 30 minutos depois, chegamos nessa pérola do transporte rodoviário paulista e conseguimos pegar o ônibus… errado. Já sentados num lindo Leito Mix Plus, fomos informados que aquele não era ainda nosso horário e fomos convidados a esperar um pouco mais. Infelizmente o novo bumba já não era um leito mix plus, mas sim um velhusco Itapemirim convencional, circa 1983 com um persistente cheiro de xixi e barulhos no molejo. Mas felizmente chegamos bem depois de uma 8 horas de viagem na madrugada mineira.

O clima de Copa do Mundo já se fazia presente. Ao descermos do ônibus o motorista nos mostrou um passaporte indiano perdido e tocamos a procurar o dono – que se veria em maus lençóis sem o mesmo. Pois não é que o próprio ainda estava calmamente saindo do ônibus? Achado o camarada, seguimos nossa rota em busca de um bom café com pão de queijo.
Rodamos um bocado… manhã linda de sol, deliciosa para uma caminhada pela Savassi. Depois de checarmos uns 2 buffets de hoteis bem caídos, escolhemos uma simpática padoca, onde passamos umas boas horas aproveitando os quitutes e o wifi grátis da Kibon. O clima de Copa só aumentava: servimos de tradutores algumas vezes para americanos, ingleses, vietnamitas, israelenses e indonesios … a essa altura já queríamos vestir nossas camisas do Brasil e denunciar de vez o motivo de nossa visita à cidade. Não antes de tentar ajudar (sem muito sucesso) um amigo que teve sua carteira surrupiada na padoca… felizmente os ingressos dele não foram levados, mas o prejú não foi pequeno.

Transporte para o Mineirão? Bumba, claro! Aquela maravilha do improviso brasileiro (que deve ter custado uns milhões, mas pelo menos ajudou os turistas a tempo da Copa)… é a maneira mais rápida de chegar, foi o que nos disseram. O duro foi entender onde comprar os ingressos pro tal ônibus BRT e depois entender de onde ele saia… ainda bem que pelo menos a língua local a gente entendia. Imaginamos o quão confuso estava para os demais…
A opção por ônibus da linha 50 da “MOVE” se mostrou acertada! Corredor expresso com ônibus voando ao lado de alguns quilômetros de congestionamento… mas ao descermos do ônibus descobrimos que a caminhada ainda era longa! Por medida de segurança, ruas fechadas e corredor de acesso apenas para torcedores… mas andamos uns belos 2 Km na subida até o famoso “Colosso da Pampulha” – renovado e enfeitado.  Ali, o verdadeiro clima de Copa sob o sol de inverno. Ao nosso lado, todas as nacionalidades possíveis. Bacana mesmo ver a galera se confraternizando – torcedores diretos e indiretos. Um mar de camisas amarelas se confundindo com outras vermelhas e brancas.

Dentro do estádio, ter assistido uma partida da Copa do Mundo, sem dúvida me trouxe um pouco mais próximo do esporte. A vibração no Mineirão era inacreditável e a visibilidade ótima para os quase 60 Mil presentes naquele lindo dia. O jogo, do qual vou me abster de grandes comentários, foi equilibrado e bom, apesar da falta de gols. Acho que por estar torcendo pelos ingleses (por conta principalmente do bolão) achei que eles mereciam ter feito um golzinho. Mas o espetáculo mesmo ficou por conta da torcida. Os ingleses cantaram e gritaram MUITO!  Deram força pros jogadores, ainda que as vezes sob vaias da torcida brasileira, predominantemente a favor dos “Ticos” até o fim. O canto mais repetido foi inclusive direcionado aos britanicos: “EH – Liminados”.   Mas os caras ficaram ali até depois do fim da partida, na verdade, mesmo depois do 0 x 0, sob os olhares da tropa de choque mineira. Não vi hooliganismo nenhum, apesar da exaltação.  E assim, melancolicamente, mas com fleuma, se encerrou mais uma nova decepção inglesa no Brasil, 64 anos depois da zebra de perder para os EUA, num 1×0 que os mandou para casa cedo em 1950.

Isso tudo (e 3 cervejas) me fez refletir um pouco sobre a Pebisse desse grupo da morte, no qual uma Zebra saiu em 1º lugar. Não podem ser considerados Pebas o Uruguai, 1º campeão mundial e dono do Maracanazo – que tomou um susto inicial, mas se recuperou com ajuda de um estropiado raçudo chamado Suarez. Ou a Itália, tetracampeã mundial, com jogadores famosos e preparo, mas que se mostrou ineficaz mais uma vez e já não ameaça a hegemonia brasileira. Mesmo o milionário selecionado da Inglaterra, que não ganha nada há mais de 4 décadas, mas ainda arrasta multidões e dá esperanças a todo um império, obviamente não pode ser chamado de Peba… Já a Costa Rica, pode sim ser considerada um Peba legítimo… mas mesmo sem tradição e tipo 3 vitórias em Copas anteriores, dominou totalmente o grupo D e jogou de maneira convincente. Mas o Peba que bate no bam bam bam, continua sendo Peba por quanto tempo ? E quem fica sendo o Peba afinal ?

Por sorte, pude refletir mais sobre esses fatos depois de uma caminhada, degustando um gigantesco filé surpresa no restaurante Casa dos Contos, num tardio almoço na região da Savassi. A minha conclusão pessoal é que não podem haver muitos Pebas nas Copas. E isso pode até estar relacionado com o supremo cliche da caixinha de surpresas… Mas falando sério: Aqueles que estão ali, fazem parte da elite do esporte mais popular da Terra e, quando entram em campo, tem a chance de mostrar algo surpreendente para todo o planeta. Dessa maneira, podem valorizar seus passes em milhões no pós-Copa, como vem fazendo (pelo menos por enquanto) nossos amigos da Costa Rica.

Pessoalmente, estou apostando neles contra a Grécia nesse próximo duelo improvável nas oitavas. Boa sorte na próxima rodada aos Ticos!

 

Sobre Rodrigo M. Munhoz

Abrace o Caos... http://abraceocaosdesp.wordpress.com

5 comentários em “Pebas na Copa 3 – Pebas dentro e fora de campo no Mineirão

  1. Rogério Romero
    25 de junho de 2014

    Munhoz, ainda bem que estava na minha Londrina, senão ia ficar chateado por não ter me procurado e oferecido um café decente e acompanhar no filé surprise da tradicional Casa dos Contos.

    Em todo caso, tive impressão semelhante na oportunidade que tive no primeiro jogo aqui no Mineirão e andar aquele tanto com meninas pequenas não foi a melhor experiência, mas valeu.

    Abraço.

    • Rodrigo M. Munhoz
      25 de junho de 2014

      Meu caro Piu,
      Nossa visita foi corrida “demais da conta” e sem planejamento algum! Mas eu juro que da próxima vez eu aviso, ok? Sobre o café, na verdade achamos um lugar ótimo: Uma confeitaria de bom astral chamada Bonomi. E, de quebra, na volta pra Rodoviária, ainda paramos no Palácio das Artes para ver as ótimas fotos do Sebastião Salgado. BH nos tratou muito bem, pena que ficamos pouco!
      Abratz!

  2. rcordani
    25 de junho de 2014

    Que bom que fez bom uso dos ingressos. Eu e meu pai preferimos ficar em São Paulo mesmo e acompanhar o jogo que valia alguma coisa, Uruguai e Italia. Por sinal, o miserável (que é italiano) apostou nos uruguaios e acertou o bholão na mosca.

    Outra coisa, você não encontrou nenhum ex-nadador? Vi no FB que ao menos a Angela foi.

  3. Rodrigo M. Munhoz
    25 de junho de 2014

    Meus sinceros agradecimentos, Renato!
    Apesar da falta de gols, foi muito emocionante assistir um jogo da Copa. Ainda mais que me parecia bem possivel que os Ingleses fizessem um golzinho que me levaria a subir várias posições no bholão… Mas aquele goleiro da CR era bom…
    Não vi nenhum ex-nadador, mas a Angela já me disse que também estava lá… uma pena!
    Sobre a vossa (nossa) Italia… Mi dispiace molto!

  4. Rossa
    28 de junho de 2014

    Sou admirador do site e nadador master de raia 8(acho que me entende) e Ontem tive a oportunidade de visitar a exposição Esporte movimento com peças da coleção pessoal do Dr. Roberto Gesta de Melo ou Mello, que está em S. Paulo no espaço Caixa Cultural, Pça da Sé 111.São 3 andares e cerca de 2000 peças, de arrepiar para quem curte esporte. Uma pena a falta de divulgação.
    Sorry por nào comentar sobre o post publicado, logo n precisa publicar o comentário, mas acho que vale a divulgação da exposição.
    PS. Conversei com vc.na vermelhinha (Santos) do ano passado. Nadei no Espéria qdo criança.
    Abço

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Publicado às 25 de junho de 2014 por em "Causos" fora d'agua, Epicuro, Futebol e marcado , , , , , .
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