Epichurus

Natação e cia…

Azarados Inocentes ou Malandros Culpados?

Eu não queria escrever novamente sobre o doping na natação brasileira.  Acho que não tenho mais o que falar sobre o tema sem soar repetitivo, mas esse último caso que provavelmente fará o Brasil perder as três medalhas de ouro do último Campeonato Mundial, como também o título inédito da competição me motivou a escrever um texto daqueles curtos e grossos onde basicamente gostaria de discutir uma única pergunta:

Alguém realmente acredita na inocência dos nossos atletas? 

É praxe no esporte profissional o “dopado” nunca confessar que usou o doping como trapaça.  Todos são vítimas das mais curiosas circunstâncias.  As desculpas em alguns casos seriam bem cômicas e criativas, se o assunto não fosse trágico.  Tem desculpa de creme de depilação, de remédio para aumentar o pênis, de beijo em mulher que tinha cheirado cocaína, de produção massiva, mas “natural” de testosterona, de remédio pra calvície e de creme pra hemorroidas.  Tem também aqueles “inocentes” que compram qualquer remédio sem consultar o médico e agora a mais usada delas:  A incompetência absoluta das farmácias de manipulação.  A famosa contaminação cruzada.

E para evitar as famosas respostas “em cima do muro”, ou seja, aquelas que a pessoa diz que é melhor aguardar o julgamento do caso, ou a famoso jargão que todo mundo é inocente até ser considerado culpado, vamos assumir que legalmente todo atleta pego no doping é de fato inocente até que se prove o contrário e que todos eles tem direito a defesa. O importante nesse post é realmente discutir opiniões e imagino que nesse assunto seja dificil ficar em cima do muro, a não ser para aqueles que zelam em demasia pelo politicamente correto.  Afinal, nossos dopados são vitimas das circunstancias ou malandros tentando trapacear?

Eu começo com a minha opinião.  Hoje em dia a natação é um negócio bem rentável e os atletas de ponta ganham belos salários.  Isso aumenta a pressão por resultados e obviamente a tentação por “chegar lá” a qualquer custo.  Alia-se a isso a completa dependência das drogas lícitas (suplementos) para se manter competitivo e você tem ai uma combinação explosiva.  Em outras palavras, o acesso ao doping é fácil e a tentação deve estar sempre cochichando no ouvido.  Tenho convicção que na grande maioria dos casos (mais de 30 só nesse inicio de seculo na natação brasileira) o atleta se dopou propositalmente e o diurético (doping de pena mais leve) é usado para mascarar o anabólico.  As desculpas já estão preparadas na manga, em um eventual resultado positivo no exame anti-doping.

Antes que alguns me crucifiquem, sim, acredito que deve haver um ou outro caso onde o atleta foi descuidado e é inocente, mas acredito que são minoria e em respeito a isso não usei nenhum nome de atleta nesse post.  O mais triste dessa historia é que embora seja claríssimo que estamos no meio de uma epidemia de doping na natação brasileira, a CBDA ao invés de combater o problema trata publicamente todo atleta como vítima e tapa o sol com a peneira.

Guilty

Deixo vocês com esse artigo aqui de Ademir Valério, presidente da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais, que saiu no Lance e que deixa bem claro o quão improvável é a contaminação cruzada por diuréticos.  Ou a trapaça ta rolando solta ou somos os nadadores mais azarados do planeta…

35 comentários em “Azarados Inocentes ou Malandros Culpados?

  1. rcordani
    9 de fevereiro de 2015

    Curto e grosso: quem foi pego e posteriormente teve direito à ampla defesa e mesmo assim foi julgado culpado pela Wada para mim é culpado, já quem nunca foi pego é inocente.

    Não corroboro a opinião de que “todos tomam”.

    (e esse artigo do Valério mostra quão improvável é a contaminação cruzada por diurético, quase uma impossibilidade estatística!)

    • Lelo Menezes
      9 de fevereiro de 2015

      Pra deixar claro eu também não concordo com a opinião que todos tomam. Posso ser ingenuo, mas acho improvável que os americanos se dopam, dado a quantidade de testes surpresas que são submetidos. Já sem suplementos é impossível se manter competitivo, infelizmente!

  2. Leonardo Ribas Gomes
    9 de fevereiro de 2015

    Acredito que todos são inocentes, até que sejam pegos. Não acredito em teoria da conspiração onde todos tomam, então devo tomar também. Ao mesmo tempo, porém, acredito que se foi pego, tem que provar que é inocente. Ou seja, vira culpado até provar o contrário. E contaminação cruzada… bem, digamos que essa desculpa não passa mais, como bem colocado no link do Renato Cordani.
    Acorda natação, acorda CBDA, que deveria ter postura diferente da atual, onde sem saber da culpa ou não do atleta, o defende com unhas e dentes. Existe um limite de casos de doping para um país poder disputar as Olimpíadas… A natação precisa acordar antes que o Brasil fique de fora dos Jogos Olímpicos do Rio.

    • Lelo Menezes
      9 de fevereiro de 2015

      Pois é… falta pouco mais de um ano para as Olimpíadas e os casos não param de aparecer. Vergonha alheia…

  3. Patricia Angelica
    9 de fevereiro de 2015

    Por mais proximidade e amizade que eu tenha com alguns dos últimos nadadores pegos no anti-doping e assumido com a minha opinião a perda desta mesma amizade (que pelo jeito nem deveria ser tão grande da parte deles), continuo afirmando, como já foi dito pelo Renato aqui nos comentários: ” quem foi pego e posteriormente teve direito à ampla defesa e mesmo assim foi julgado culpado pela Wada para mim é culpado, já quem nunca foi pego é inocente”.

    Corroboro esta opinião e acho o fim da picada (na falta de expressão melhor) quando temos uma confederação que acoberta (dizendo que um teste positivo é AZAR), atletas que ficam na defensiva com relação ao assunto (acusando quem opina sobre o assunto como “não conhecedores da história do atleta” e blá blá blá) e uma mídia que em muitos momentos também só defende os atletas (vide o caso do Anderson Silva recentemente e as matérias da Globo que só faltavam chamar a Comissão Atlética de Nevada e o laboratório que fez do teste de “feio, bobo e chato”) ao invés de tentar se aprofundar no assunto…

    Infelizmente, apesar de torcer pelo contrário, não consigo ver uma luz no fim deste horrível túnel do doping, não só no Brasil, mas no mundo.

    Sobre o uso dos diuréticos para mascarar substâncias, não consigo conceber que ninguém na WADA ou no CAS ou na instância responsável que seja não pense em aumentar a pena para eles. Afinal, é mais do que de conhecimento geral que o uso mais comum deles é esse e, sendo assim, pode-se quase afirmar categoricamente que quem usa diurético usou alguma droga de performance antes ou junto.

    Sobre o artigo que foi publicado no L!, me dá um certo alívio… pois desde o primeiro grande caso no Brasil que usou como desculpa a contaminação cruzada, eu fiquei bastante duvidosa, pois na minha família usamos muitos medicamentos manipulados e conhecemos bastante o meio. Chega a ser de má fé acusar uma farmácia de displicência na confecção dos fármacos. Ou esses nossos atletas só escolhem farmácias ruins (o que duvido), ou as farmácias contaminam seus suplementos de propósito (como são maus!!!), ou são apenas descuidados e podem estar contaminando medicamentos de diversos pacientes, colocando muitas vidas em risco… IMAGINA contaminar o remédio de um hipertenso com alguma substância perigosa para esse tipo de doente? É uma questão que se abre e não gosto nem de pensar… minha avó tem sérios problemas cardíacos e toma VÁRIOS remédios manipulados… =/

    Enfim… basicamente é isso… desculpem pelo imenso comentário! 🙂

    • Lelo Menezes
      9 de fevereiro de 2015

      Boa Patricia! Concordo com tudo! Tá na hora de punir os diuréticos da mesma forma que se pune os anabólicos. E quanto ao corporativismo que vem acontecendo, isso me preocupa bastante. Na minha época se um nadador fosse pego no doping, duvido que a comunidade sairia em sua defesa, alias, muito pelo contrário. Nadador profissional defendendo dopado passa a impressão que no meio, o doping é bem aceito, porque é muito, muito, muito difícil mesmo acreditar nessa história de contaminação cruzada…

    • Flávio Barbosa
      12 de fevereiro de 2015

      Sinceramente, Patrícia, certa você está. Não precisa dizer mais nada. Embora respeite a trajetória destes atletas, é mais justo você defender a verdade embora corra-se o receber de volta uma perda de amizade no Face.

  4. Viviane Motti
    9 de fevereiro de 2015

    Para o nível que esses atletas alcançaram já não cabe mais essas desculpas. não acredito na inocência deles e p esses casos não acredito em azar! Se já aconteceu antes c outros atletas pensaria 1000 vzs antes de continuar manipulando medicações ! Se prefiro correr riscos também sou culpado!!

    • Lelo Menezes
      9 de fevereiro de 2015

      Pois é Viviane… as desculpas são terríveis nesse nível profissional e a CBDA não ajuda em nada passando a mão na cabeça dos atletas. Me lembra a piada do sofá: Marido chega em casa e pega a mulher com outro no sofá da sala e ao invés de brigar com a mulher, decide botar fogo no sofá…

  5. Julian Romero
    9 de fevereiro de 2015

    Traço um paralelo à reportagem que acabei de ver no Bom Dia Brasil, onde o goleiro Cássio do Corinthians levou cartão amarelo e, depois, vermelho por “fazer cera” e atrasar o jogo propositalmente. Sua declaração caminhando ao vestiário: “eu não vi a outra bola reserva”.
    Nos olhos do juiz, ele atrasou o jogo. O goleiro tem sua “desculpa” mas é, por força da cultura futebolística brasileira, taxado de malandro, ixperto, sagaz. A torcida do Palmeiras viu justiça ser cumprida. A torcida do Corinthians, assim como o PT no caso da Petrobrás, culpa o juiz e diz que tudo não passa de uma conspiração, uma arrogância do juiz e, claro, um erro de julgamento, pois “tava na cara que ele não viu a bola reserva, mano!”.
    Agora relembremos três casos clássicos de doping na natação brasileira: Hugo, Laura e Rebeca. Onde estavam os advogados da Confederação naquele momento, para apelar, brigar pela inocência dos atletas, da mesma forma que está ocorrendo agora?
    Gosto do código anti-doping porque no código existe um tratamento igualitário entre as partes que hoje não existe mais em código penal e civil. Vê-se a bagunça cotidiana. Mas estranha-se que uma Confederação venha a dar esse suporte para a defesa dos nadadores, quando não houve equivalência no passado ou ainda para outros casos menos famosos. Pra mim parece estar claro: ela defende seus interesses (que não é necessariamente o interesse do atleta). Perder um título do quadro de medalhas em Campeonato Mundial é um desastre. Perder um campeão olímpico e mundial é dar adeus a medalhas certas. Fica um estigma que, uma vez que você é peça importante no quebra-cabeça da seleção, a Confederação o defenderá pelo bem da nação.

    • laurivalshita
      9 de fevereiro de 2015

      Caro Julian,

      Acho que você não foi feliz no seu paralelo, no caso do goleiro Cássio existe a possibilidade do mesmo não ter visto a bola, no dos nadadores inexiste a possibilidade deles não terem tomado uma substância ilegal. Você apenas pode questionar SE o doping foi ciente ou inconsciente que neste post o Marcelo chama de “azar”.
      Quanto ao papel da CBDA vou pesquisar mas não sei se é papel da CBDA defender um nadador pego no doping. Na verdade o papel da CBDA é testar seus nadadores para não levar para as competições aqueles que usam doping.
      No caso da Rebeca Gusmão já ficou amplamente comprovado que ela só conseguiu fraudar os exames do Panamericano com ajuda “interna”. Obviamente que ninguém foi atrás do criminoso que ajuda a Rebeca nesta empreitada.

      att.

      • Julian Romero
        9 de fevereiro de 2015

        Laurival, sua resposta é exatamente o que citei: existe a possibilidade, o subjetivo, a conclusão que é diferente de cada ponto de vista.
        Li diversos comentários no famoso caso Cielo e incrivelmente é a mesma coisa que aconteceu com o Anderson Silva: pessoas defendendo-o pelo simples fato de ser brasileiro e campeão mundial, pessoas crucificando-o porque “eu sempre soube que todos eram dopados”, pessoas ponderando que foi uma fatalidade, pessoas acusando adversários e empresários de manipular o resultado.
        Mas pouquíssimos questionam a existência de um código anti-doping, que é muito claro em dizer que o atleta é responsável pelo que consome.
        Ponto.
        Preto no branco.
        Daí começam a contratar advogados, recolher “análises independentes”, para anexar ao processo de defesa. Já já estarão convocando testemunhas, canais de televisão vão querer transmitir os julgamentos, advogados serão estrelas, júri popular… E vira a bagunça que é a justiça comum. Ou seja, acaba-se o preto no branco e o esporte se vê num mundo cinzento, dependendo da subjetividade humana.
        Concordo com o Piu: existe muita informação disponível e a punição tem que ser muito mais rigorosa.

    • Indiani
      9 de fevereiro de 2015

      Positivo na A = Positivo na B ! Praticamente infalível, praticamente…
      Contaminação “CRUZADA” = “TALK to BULL sleep…”
      Positivo COM MEDALHA OLÍMPICA = “Money talks and bullshit walks…”
      Positivo com pouco $ = Suspensão pesada…
      Positivo com um pouco mais $$$ = Suspensão branda…
      Positivo com muito $$$$$ = Advertência…
      ESTE É O MANUAL DE JULGAMENTO DO DOPING MUNDIAL !
      Pra quem vive de esporte, isso esta mais que provado. Pra quem ama esporte, é difícil de acreditar. Pra quem pratica esporte, decepção. As amigos que tenho graças ao esporte e aos que vivem do esporte como Eu, digo que 1-Esta mais que provado que o $$$$$ é que manda(podem discordar o quanto quiserem); 2-Continua sendo difícil de acreditar; 3-Extrema decepção.
      Boa semana e um forte abraço aos EPICHURUS Guys !

      • Rogério Romero
        9 de fevereiro de 2015

        Muito bom, Indiani! Concordo com suas equações. Senão, como justificar tanto tempo, tantas pessoas enganando o público, patrocinadores, federação, no caso do Lance Armstrong?

        Money talks, sim! Imagine a repercussão de pegar Phelps, Bolt, Federer, para ficar apenas em alguns destaques individuais? A mídia ia gostar de ver sua audiência minguar? Os patrocinadores iriam publicar uma nota dizendo que era um p* azar? As federações lidariam tranqüilamente com a destruição de um mito? Familiares e amigos finalmente iam começar a declarar que o atleta tinha atitudes estranhas, estava muito agressivo ultimamente, etc?

        Em se tratando de doping, sou favorável ao radicalismo. Com todos estes casos e informação disponível, não há mais margem para erro. Ou eles querem arriscar a “adivinhar” o tiro na segunda oportunidade?

  6. Lelo Menezes
    9 de fevereiro de 2015

    Tem esse lado mesmo Julian. A CBDA nunca presou pelo tratamento igualitário de seus atletas. Quem não lembra das pré-convocações na década de 90. Quem não era PEBA era pré-convocado, independente da fase que estava passando e já estava garantido na seleção brasileira, para desespero de todos que nadavam aquela prova…

  7. Vreco
    9 de fevereiro de 2015

    Excelente tema Lelo. Eu respeito as opinioes anteriores mas acredito na massificacao do doping. Qdo Cielo foi pego eram 4 q treinavam juntos. E jah teve o Busquet q tb jah treinou c o Cielo. A confederacao sempre tratou diferente as esperancas de medalhas. Afinal as medalhas n dao dindin soh p os atletas, a confederacao ganha uma fatia bem maior do din publico por (bons) resultados. No caso da Rebeca a confederacao fechou os olhos durante muito tempo mas depois ficou muito escancarado e eles deixaram rolar. Americano sempre se dopou muito no atletismo, ciclismo, lutas, basquete, baseball, football e outros esportes mas serah q a natacao passa ao largo disso ? Casos e mais casos de cancer nos testiculos (inclusive do nadador de peito e do Nene q ganhou 20 Kg de massa muscular) acontecem. O doping inegavelmente anda na frente do controle e as confederacoes americanas (tal e qual as brasileiras) fecham os olhos p isso ha muito tempo. Isso qdo n encobrem os atletas, como no famoso caso do Carl Lewis. Laboratorio Balco e outros casos muitas vezes vao a frente gracas a promotores e jornalistas investigativos. Papai Noel, Coelhinho da pascoa, FHC n comprou a reeleicao, Lula n sabia de nada, Qatar n comprou a copa de 2022 e contaminacao cruzada. Me perdoem a sinceridade mas eh dificil acreditar q n existe nada soh pq alguem n foi pego ainda. Gr ab

    • Lelo Menezes
      10 de fevereiro de 2015

      Pois é Vreco, eu ainda tento manter as esperanças que o negócio não tá tão disseminado assim, mas confesso que a cada dia que passa estou menos convicto que o doping não é utilizado por grande parte dos atletas.

      abs

  8. laurivalshita
    9 de fevereiro de 2015

    Caro Lelo,

    Acho que você foi muito feliz abordando novamente este tema de uma forma tão elegante.

    Infelizmente o Brasil hoje vive uma epidemia de contaminação cruzada e gostaria de oferecer uma história ficcional sem nenhum vínculo com a realidade.

    Imaginem vocês que um ótimo nadador, já herói nacional, é pego no antidoping. Acontece que estamos no ciclo olímpico e a grana está começando a entrar que é uma beleza, um escândalo neste momento não seria do interesse de absolutamente ninguém.

    Com a ajuda de um farmacêutico amigo e um “bom advogado” os caras desenvolvem a teoria da contaminação cruzada e vendem esta história não só para a mídia como para os órgãos fiscalizadores.

    Não é que a teoria funciona e toda a turma é absolvida…qui beleza….nasce aí a epidemia de contaminação cruzada e com ela a CBDA contrata um “advogado” especialista em “contaminação cruzada”.

    A maioria dos brasileiros já deveriam ter entendido que toda ação causa uma reação e defender os atletas pegos no doping tem o indesejável efeito de dar as costas para a realidade o que cria um incentivo perverso para os atletas honestos.

    abs,

    Mr. Shita

    • Patricia Angelica
      9 de fevereiro de 2015

      Melhor história!!! HAHAHAHAHA!

  9. jorge fernandes
    9 de fevereiro de 2015

    Boa noite pessoal… tentarei ser breve (começar assim é ridículo não ?)… mas pelo menos objetivo serei, e me desculpem determinada dureza/rispidez que por acaso fale… pode ser até por falta de mais informação sobre os assunto… na real, o que quero dizer é que odeio doping no mais fundo do meu ser…

    Me desculpem os que dizem: “quem nunca foi pego é inocente !”… para mim não é inocente… é um sortudo e um “cagão” por não ter sido pego… simples assim…

    porque se for pego vem aquela ladainha toda de referencias cruzadas, contaminação cruzada, e sei lá mais o que cruzado… que leve um cruzado no queixo e tome vergonha… assuma… bote o galho dentro, aceite a punição, e se por acaso se ache tão bom assim, espere o final da punição e retribua com resultados…

    citaram muito bem o Carl Lewis… sortudo do cacete… e o Ben Johnson sifu, porque foi pego,,, se não tivesse, bye bye Carl Lewis… outro caso, na cara de todos e nunca pego: Florence Griffith Joynner (ou vulgarmente Flo-Jo)… e muitos outros por aí…

    quanto ao papel da CBDA, independente de estar certa ou não, num país como o nosso que contamos nos dedos ter atletas capazes de disputas olímpicas com previsão de medalha, eu “entendo” o papel que cumpre em procurar defender, nos casos de maior relevancia… vejam bem: entender não quer dizer que aceito…

    é complicado quando todos sabem que quem “produz os componentes dopantes” está sempre pelo menos uns 3 a 4 passos à frente de quem fiscaliza…

    a pergunta que faço é: o que voces acham que deve ser feito ? não sómente a nível Brasil, mas a nível global ?…

    E eu começando a responder, me desculpem a ignorancia:

    que se estabeleça quais produtos/suplementos que podem ajudar, sem interferir em crescimento ou surgimento futuro de lesões ou qualquer indício de os produtos possam acarretar problemas… definido os produtos, que se estabeleça um limite de concentração que possa ser encontrada/aferida nos examens… qualquer coisa além disso, PUNIÇÃO SUMÁRIA, de acordo com determinados percentuais, para variação da pena… e banir sistemáticamente os diuréticos utilizados para mascarar… apareceu diurático, a pena é agravada…

    tipo:
    – pode-se utilizar os produtos A, B, C… e as concentrações permissíveis parra cada um são 5%, 10%, 20%… percentuais fora/acima disso teria penas graduais, sem direito a recurso… e se apareceu diurético na parada, a pena mais grave…

    já que o esporte movimenta tanto dinheiro assim, entendo que proibir sistemáticamente todo e qualquer produto seja inviável, principalmente devido a carga a que são submetidos…

    mas que se tenha regras claras, sem margens a malabarismos… isso deve vir de cima (WADA) como uma regra a ser cumprida pelas confederações e que se estas não cumprirem o acordado, que sejam penalizadas também, principalmente em $$$… atingiu no bolso, pode contar que a música muda de tom… e todos acertam o compasso…

    um abraço, e volto depois para ver a reação…

    p.s.: fui breve ?… kkkkkk

    • Lelo Menezes
      10 de fevereiro de 2015

      Boa resposta Jorge. O que acho que deve ser feito? Pra mim a solução está na punição, ultra severa, independente se o doping foi ou não proposital. Como o Julian bem disse, o atleta tem que ser responsável pelo que ingeriu. Sou e sempre fui a favor do banimento do esporte já na 1a incidência de doping por anabólicos.

      abs

  10. Rodrigo M. Munhoz
    10 de fevereiro de 2015

    Lelo,

    Nem vou entrar na crítica aos que foram pegos, julgados e condenados. São um mal exemplo pras crianças e representam um desserviço para a imagem do esporte. Trapaça não deveria ter lugar em nenhum esporte – “voluntária” ou “involuntária” – se é que esta última existe (talvez devesse ser chamada de “negligencial”). Acho que as punições devem ser mais duras a ponto de coibir ou atemorizar o menor desvio ou conduta arriscada (ou negligëncia). A razão? Porque o esporte não é apenas sobre performance, mas também sobre seguir um código moral e ético no qual os melhores competidores seguem as mesmas regras dos piores. Se esse sistema ruir ou for posto em cheque, o esporte morre. Vira outra coisa. Vira vale tudo (e não estou falando de UFC ou similar, mas da ausência de propõsitos claros, impostos por regras).
    Acho que é isso que está ameaçado pelo doping. Como pai, você colocaria um filho numa disputa de qualquer coisa onde o “vale tudo” impera? Eu não e acho que muitos outros pais estariam nesse mesmo lado.

    Abraços,

    Munhoz

    • Lelo Menezes
      10 de fevereiro de 2015

      Bom ponto esse dos filhos. Eu sempre sonhei em ter um filho nadador, mas hoje em dia já não tenho tanta convicção assim. Agora, você não respondeu a pergunta: Você acha que os caras pegos no doping o fizeram voluntária ou involuntariamente?

      • jorge fernandes
        10 de fevereiro de 2015

        para mim, se foram pegos, é porque faziam/tomavam algo e correram o risco… logo fizeram voluntariamente…

        se acham santinhos, e/ou vítimas de uma fatalidade cruzada ?… no nível que se disputa as grandes competições ainda se acha os que seguem as regras, mas em número cada vez mais reduzido… pode-se dizer que quase uma raça em extinção…

      • Rodrigo M. Munhoz
        11 de fevereiro de 2015

        Acho que o “involuntariamente” é bem difícil de aceitar, a não ser em caso de sabotagem ou intevenção de terceiro muito bem provada… Por isso citei o termo “negligencia”… e quem é negligente, tem culpa.

  11. Ana Paula Filippini
    10 de fevereiro de 2015

    Os comentários anteriores e toda materia que fala sobre dopping levanta e coloca em pauta a questão ética, mas nao comentam sobre os sérios riscos que essa pratica trás à saude dos atletas.
    Atividades físicas tem como objetivos principais praticamente 3 pilares: Manutenção da Saúde (foco da velha guarda de Pebas), Estética e Performance.
    Infelizmente, para estetica e Performance criou-se uma cultura muito forte da suplementacao e do uso de anabolizantes como se fosse algo sem contra indicacoes, o que esta longe de ser verdade.
    Jovens sem a devida orientação, que mesmo sem grande destaque ganham mais para praticar esporte do que para trabalhar, e acabam utilizando desses artificio pata prolongar sua vida como atleta, pensando apenas no agora, e nao no futuro breve que o aguarda logo ali.
    Não é so questão de auto superação ou coisa do tipo. Isso ja virou um mal cultutal.
    Foi-se o tempo que o tempo em que a seleção brasileira vivia de banana com aveia.
    Quanto à sentença: Pegos ou nao nos exames anti dopping, quem faz uso das substancias ilegais sera julgado pelo menos pelos seus rins, durante toda sua vida.

    • rcordani
      13 de fevereiro de 2015

      Muito bem colocado Ana Paula. Saúde é mais importante do que todas as outras coisas!

  12. Eduardo F. Hoffmann
    11 de fevereiro de 2015

    Lelo, muito interessante a discussão…

    Gostaria de fazer uma colocação adicional a tudo o que já foi dito. Eu acredito que a propensão de um atleta se dopar aumenta em direta proporção à dependência financeira que o mesmo tem em relação ao esporte. Já se falou um pouco no Epichurus sobre a mudança de perfil do nadador de alto rendimento de hoje, no Brasil, em relação a um passado… mais especificamente, no que se refere à busca de educação formal de nível superior (de qualidade, ao menos, razoável), e, consequentemente, uma “viabilidade econômica” maior, no pós-natação… Passamos de um modelo de “white collar swimmers”, para “blue collar swimmers”, ou, em português, “operários da natação”. Seria como mudar do modelo Americano, onde a imensa maioria faz faculdade, para um modelo Chinês/Russo, onde a natação é, para muitos, uma oportunidade única de segurança financeira, e ascensão social (mais análogo ao serviço militar nesses países).

    Claro, que sempre haverá exemplos de atletas com “college degrees” que trapacearão, mesmo quando o futuro financeiro estiver mais ligado à educação, do que natação. Mas, como regra geral, há correlação não insignificante entre dependência financeira do esporte, e propensão ao doping. Especialmente em caso de atletas que já passaram do “pico” da carreira, e, lutam para permanecer em nível ainda capaz de gerar recompen$as… fundamentais para seu sustento…

    Em suma, não que esse seja o único fator, nem o mais importante, para o aumento do problema por aqui, em terras tupiniquins… Entretanto, que contribui algo, contribui…

    É esse meu pitaco…

    • rcordani
      13 de fevereiro de 2015

      Excelente Hoffman. Acho que vou aproveitar seu comentário em um post futuro! Abraços!

      • Lelo Menezes
        13 de fevereiro de 2015

        Realmente esse ponto é muito importante e vale um post futuro, embora infelizmente não acredito que tenha solução…

  13. Lelo Menezes
    13 de fevereiro de 2015

    O interessante dos comentários é que além de ótimos, foram unanimes na “condenação moral” dos nossos nadadores. Nenhum comentário sequer corporativista ou acreditando na inocência. Isso mostra quão em baixa está a credibilidade da nossa natação. Triste pra caramba!

    PS: Os comentários no Facebook também foram na mesma linha, com gente aparentemente leiga, ou seja, a credibilidade está em baixa não somente com aqueles que viveram a natação e que frequentam o Epichurus, mas aparentemente entre o público geral também…

    • Fernando Cunha Magalhães
      15 de fevereiro de 2015

      Lelo,
      Excelente texto.
      Concordo com os comentários e também acho que ninguém é “santo” nessa história.
      O assunto cansa e percebo que me afasta do dia a dia do esporte.
      Hoje nem cogito ir ao Rio assistir as Olimpíadas. Anos atrás queria atravessar o mundo para assistir uma.
      Interessante, que lembrando do último mundial de curta, é só parar em frente a TV, assistindo um grande evento, que torço para os brazucas indistintamente. Mas já é diferente – antes era como se fossem amigos próximos, colegas de treino – levantava na sala, ficava nervoso, torcia, gritava, comemorava os grandes feitos.
      Maldito doping.

      • jorge fernandes
        18 de fevereiro de 2015

        como sempre Esmaga, voce brilhante…
        o envolvimento que tinhamos com o grupo (fosse clube ou seleção) antigamente, era muito maior do que é hoje em dia…
        sempre torcerei quando houver um brasileiro na disputa (até mesmo de cuspe em distancia), mas ter aquela emoção de vibrar como tinhamos na nossa época, difícil de se ver hoje em dia…

  14. Antonio Carlos Orselli
    23 de fevereiro de 2015

    Com relação ao tema, sempre empolgante e passível de discordâncias, publico o que ocorreu com triatleta de minha cidade que teve a honradez, de, pelo menos, declarar-se culpada, sem apresentar subterfúgios e passar a culpa a terceiros: A triatleta brasileira Sílvia Fusco foi suspensa pelo uso de EPO (Eritropoetina) após exame realizado no Ironman do Havaí, em 2014. Provavelmente, Silvia será suspensa por 2 anos pela WTC, empresa organizadora do Ironman.
    Em carta, a atleta – melhor amadora geral no Ironmna Florianópolis 2014 – apresentou os motivos que a levaram a tal decisão:
    “Não me omiti em nenhum momento sobre o que houve. Fui eu mesma quem comuniquei a WTC diretamente em carta, sobre o que ocorreu, antes mesmo do contato telefônico deles.
    Fiz uma besteira desesperada pra aguentar fazer a prova porque meu médico me disse 2 semanas antes da prova que não suportaria fazê-la pelas muitas lesões que mantive depois do Ironman Brasil e perda de condicionamento físico. Fiquei parada praticamente dois meses. Tomei analgésicos aos montes e o hormônio pra tentar treinar essas duas últimas semanas antes da viagem e aguentar chegar ao fim do Ironman. Não quis ganhar performance, mesmo porque seria impossível no estado que eu estava. Queria apenas terminar a prova. Minha condição física era muito abaixo da normal.
    Sei que foi uma asneira sem tamanho. Culpo-me muito por não ter tido cabeça.
    Quero deixar claro que tomei a decisão e fiz tudo sozinha. Meu ex-técnico nem sonhava com isso.
    Assumo meu erro e vou cumprir a pena em todo seu rigor. É triste ver mais de 20 anos de Triathlon serem agora julgados por um erro infantil que cometi, por não conseguir lidar com minhas infindáveis lesões e com a frustração de não poder fazer a prova.
    Desde que parei profissionalmente (algumas pessoas do meio sabem disso) faço um tratamento psiquiátrico bastante caro pra saber lidar com a diminuição do volume de treinos e o fato de ter recebido em 2011 o diagnóstico de Transtorno Obsessivo Compulsivo pela preparação física. Foi uma falha muito grande. Kona era um sonho e passei do limite. Vou me recuperar com a ajuda de amigos e da família.
    O teor desse depoimento é exatamente o mesmo que remeti à WTC, para a Kate Mittelstadt, que é uma pessoa espetacular e é quem cuida de meu processo. Eles foram extremamente humanos comigo. Ela publicará minha carta no site da WTC de forma resumida.
    Agradeço ao MundoTRI pela oportunidade de expor o que realmente aconteceu. Peço desculpas a todos.”

  15. Pingback: Use e abuse da sua determinação… em seu favor | Epichurus

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Publicado em 9 de fevereiro de 2015 por em Natação.
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