Epichurus

Natação e cia…

Seletiva Olímpica Fluminense 1988 – 5 índices e um alento

Patricia Amorim, Renato Ramalho, Eduardo De Poli, David de Castro, Vladimir Ribeiro e a glória de chegar ao Olimpo

Contextualizando: com os fracos resultados do fim da temporada de 87, não obtive vaga na Seleção Brasileira que foi ao Sul-americano de Medellin. Também não havia perspectiva de chegar ao índice olímpico. Planejei junto com meu técnico Leonardo Del Vescovo três semanas de férias – relaxamento total – após o Troféu Brasil disputado em janeiro em Curitiba. Para a temporada de 88, um macrociclo voltado a dois picos de rendimento nos Troféus José Finkel e Brasil.

Quando retornei das férias, acompanhava os treinos do Renato, que estava focado em alcançar o índice olímpico na Seletiva do Fluminense marcada para o mês de maio.

Aniversário Edu 001

Relaxando nas férias: aniversário de 18 anos do Edu no Restaurante Madalosso. A direita: Tia Rose, Taís, Edu, Rogério Morozowski e eu. À esquerda: Estou na dúvida lá no fim da mesa, mas do meio para cá, Cristiane Santos (Spika), Laércio Morozowski e Renato Ramalho.

Tenho recordação de um treino que por algum motivo ele teve que fazer na piscina do Clube do Golfinho. Não lembro qual o impedimento com a piscina do Curitibano. O Léo não estava, e o Golfinho estava vazio. Naquele dia eu nadei 5km, no mesmo período em que o Renato nadou 10km. Eu nadava 100m junto com ele, ficava na borda os 100m seguintes, e novamente saía para nadar junto. E foi assim sucessivamente, ajudando a pegar os tempos e incrementando aquele entusiasmo, que nem o silêncio quebrado somente pelo barulho das suas próprias braçadas e a solidão poderiam proporcionar. Era muito foco! Havia uma couraça emocional protegendo-o desse risco. De qualquer forma, tenho convicção, minha presença ajudou muito.

Em Medellin, Renato conquistou seu terceiro título Sul-americano nos 400m medley. Embora eu não estivesse lá, fui impactado por outro resultado: Zé Geraldo, ouro no Troféu Brasil anterior com 24s18, melhorou muito sua marca pessoal. Fez 23s86 e conquistou a prata, vencido por Anthony Nesty – o atleta negro do Suriname que era campeão panamericano e tornar-se-ia em poucos meses, campeão olímpico nos 100m borboleta.Havia um tempo que nenhum brasileiro nadava os 50m livre na casa dos 23s, o último havia sido Goldenstein em janeiro de 1986. Minha melhor marca era 24s30 e os quase 0,5s atrás da performance do Zé Geraldo, aumentava o desafio na busca por novos títulos nacionais.

Sulamericano Medellin

De Poli, Cícero Tortelli, Julio Rebollal e Helio Celidônio representando a Seleção Brasileira no desfile de abertura do Sulamericano de Medellin (acervo Família De Poli)

Não estava na minha programação ir ao Rio para a Seletiva Olímpica, porém, uma correspondência do Projeto Mesbla no final do mês de março fez com que Léo e eu mudássemos os planos. Era um convite para eu participar da Seletiva, com todas as despesas pagas, a fim de tentar alcançar o índice para o Sundown Swim to Seoul, competição preparatória para a Seletiva Olímpica Americana, que contaria com a participação da Seleção Australiana e dezenas de astros da natação mundial no final do mês de maio em Mission Bay, um centro de treinamentos que existia na Flórida.

50m livre

Índice para Seoul     23s57

Índice para Sundown Swim to Seoul    23s99

Esse 23s99 “soou improvável, mas possível”. Discutidos eventuais impactos para o programa de treinamento do ano e sem o comprometimento financeiro, Léo e eu resolvemos arriscar. Léo ajustou o planejamento dos treinos e eu fiquei contentíssimo em acompanhar o Renato no Rio.

Quando chegamos ao Flu, na manhã de 13 de maio de 1988, tivemos um encontro marcante com o Cícero Tortelli, que havia acabado de sair da piscina. Havia muita energia no olhar, na expressão facial e dessa vez, pouquíssimo interesse em estender o papo, como sempre acontecia em nossos encontros: “Eu tô voando… agora vou pra casa raspar TUDO e à tarde volto para fazer o índice!”. Fiquei surpreso. O índice para o Cícero era a melhor marca pessoal dele – 1m04s64 – recorde brasileiro absoluto na época. Quase dois anos haviam se passado e ele não havia nem se aproximado daquele tempo. Havia vencido o Troféu Brasil com 1m05s99, raspado e polido. Muito longe do índice… como almejar tanta melhora em tão pouco tempo?

No início das provas seletivas, tive certeza que o movimento para aumentar a lista dos convocados ia além do excelente preparo dos atletas. O disparo do placar eletrônico não estava conectado ao dispositivo que dava o sinal de partida. E mais, o sinal de partida não era dado com um tiro, buzina ou apito “seco”, mas com o apito que na época os árbitros gerais usavam para indicar que os atletas poderiam subir no bloco de partida, após a apresentação da prova. Nesse 13 de maio, foi a única etapa de competição da minha vida, em que esse apito longo foi usado como sinal de partida. Sabe-se lá em que momento do  “puuuuuuu” o responsável por acionar o placar eletrônico com uma “perinha” apertava o botão – constrangedora (para alguns, não tenho como afirmar se muitos ou poucos) forma de garantir alguns centésimos a menos no tempo final. A partir do segundo dia de provas, o placar voltou a ser disparado no mesmo instante do sinal de partida.

Logo na primeira prova da Seletiva, o esperado índice de Patrícia Amorim. Eu relatei da seguinte forma o que aconteceu no post Patricia Amorim: a nadadora. Epílogo. Parte II, que Renato Cordani publicou no Epichurus em 28 de fevereiro de 2013.

“A 1a prova da seletiva do Flu foi os 200m livre. Patrícia caiu na água e saiu para uma passagem bem mais agressiva do que estávamos habituados a assistir, uma conferida no parcial dos 100m e a atmosfera do Parque Aquático de transformou… “vai dar!!!”, arquibancada de pé, o atletas que estavam na sombra da arquibancada correram pra borda da piscina e todos torciam pela conquista. O final pesou mas a performance era incontestável: 2:04:27 – índice olímpico e recorde sulamericano para Patrícia Filler Amorim. A galera gritava e ela comemorava muuuuuuuuuuito… uma festa merecida que contagiou toda comunidade aquática!“

Em seguida Cícero caiu na água, passou abaixo de 30s e voltou nadando forte e sentiu no final. Bateu na placa, o cronômetros manuais diziam “sim”, todos voltaram-se para a cabine de controle e o placar eletrônico disse “não”: 1m04s68 – quatro centésimos acima da sua melhor marca pessoal, quatro centésimos do recorde brasileiro absoluto, quatro centésimos do índice olímpico.

E a outra prova que me marcou foi os 100m borboleta. Edu De Poli, tinha 56s65 como melhor marca pessoal. Como o índice era 55s71, imaginava que seria melhor ele nem nadar, poupar-se para os 200m borboleta no domingo, mas não foi o que ele fez. Nadou para 55s97, segundo brasileiro a nadar a distância em menos de 56s. Ganhou uma incrível confiança para o domingo e quando eu fui abraçá-lo disparou: “Maga, eu vou para Seoul nem que seja a pé”.

No sábado era o dia dos 50m livre e dos 400m medley. Estava balizado na raia 5, ao lado do Zé Geraldo. Após a saída e os primeiros  em que percebia uma natação muito consistente, vibrei ao me perceber lado a lado com ele. A chance de alcançar a meta era real. Cheguei nadando forte: 23s98 – índice para o Sundown Swim to Seoul, passaporte carimbado para minha primeira viagem aos EUA – fiquei eufórico. Finalmente melhorei meu tempo e quebrei a barreira dos 24s! Na raia ao lado, Zé Geraldo repetiu os exatos 23s86 de Medellin, demonstrando que o degrau que subira era consistente.

Telegrama Mission Bay

Pegar passagens na loja da Mesbla para voar de Transbrasil e Panam.

Pouco depois os 400m medley: Renato foi conservador no parcial do borboleta – 1m03s – dosou para ter energia para toda a sequência da prova. Cumpriu os parciais programados para o costas e peito, e teve energia para segurar a perna 6 tempos no parcial de crawl: 4m31s07 – Índice Olímpico! Ele sorria comedido na água, a arquibancada aplaudia, eu abracei o Léo, cerrei e balançava os punhos olhando para ele. Era como um irmão, realizando um dos maiores sonhos do atleta de alto nível. Foi muita emoção e comecei a chorar, despreocupado em esconder, corri em direção a cabeceira da piscina para abraçá-lo. No caminho, cruzei com Cristiane Santos, que estranhou minha reação e disse: “não chore, na próxima você também vai conseguir”- estranhei o fato dela não ter entendido, não parei para explicar, segui em frente.

Bilhete Léo 001

O Léo tinha um compromisso à noite e eu e o Renato saímos para comemorar com a Renatinha Carneiro, que era a namorada dele. Quando voltamos ao Guanabara Palace Hotel, o Léo havia deixado esse bilhete em cima do meu travesseiro. Foi muito legal receber. Também achei que quebraria a barreira dos 53s, mas acabei nadando em 53s24. Fiquei em 4o na série vencida por Jorge, seguido do Julio e Manu.

No último dia, De Poli precisava nadar em até 2m04s12 e foi perfeito. Parcial de 58s baixo, tempo final 2m02s02 – índice olímpico. O melhor dele até então era 2m04s80, foi um tempaço: Carlos Alberto Chitão garantiu seu segundo atleta na Olimpíada, e a incrível carreira do Edu chegava ao seu auge.

Edu de borbola

O olímpico Eduardo De Poli.

No apagar das luzes, com a noite caída, David de Castro começou a demonstrar consistência no parcial de 1m02s e a torcida foi se animando, a cada virada, uma projeção que vislumbrava a possibilidade do índice. Todos de pé, eu já o conhecia de vista havia muito tempo, nos cumprimentávamos, nunca havíamos conversado, mas quando me vi, estava do lado oposto da piscina incentivando-o. Uma corrente nacional pra frente. David marcou 15m37s22 – índice olímpico.

Os quatro atletas com índice juntaram-se a Ricardo Prado, Cristiano Michelena e Rogério Romero na relação e ainda havia o Interfederativo, o Sundown Swim to Seoul, o Troféu José Finkel e o Campeonato Brasileiro Juvenil de inverno na Fonte Nova, em Salvador, para que outros pretendentes buscassem suas marcas.

Chitão mais três

Chitão, Ramalho, De Poli e Romero.

São mais algumas preciosas lembranças que divido com vocês.

 

Forte abraço,

Fernando Magalhães

Jornal indice EP e RR

Sobre Fernando Cunha Magalhães

Foi bi-campeão dos 50m livre no Troféu Brasil (87 e 89). Recordista brasileiro absoluto dos 100m livre e recordista sulamericano absoluto dos 4x100m livre. Competiu pelo Clube Curitibano (78 a 90) e pelo Pinheiros/SP (91 a 95). Defendeu o Brasil em duas Copas Latinas. Foi recordista sulamericano master. Trabalha como gerente da Academia Gustavo Borges e consultor da empresa Vendas 3i. É conselheiro do Clube Curitibano.

12 comentários em “Seletiva Olímpica Fluminense 1988 – 5 índices e um alento

  1. rcordani
    2 de maio de 2016

    Espetáculo Esmaga esses detalhes da lendária seletiva do Flu. Perguntas e comentários:

    1) há alguns anos lembro de ter lido que a piscina do Flu era mais curta. Mas é justo ressaltar que ninguém sabia disso na época.

    2) O Ramalho nadou sozinho? O David nadou com o Grangeiro do lado?

    3) O índice do Cícero era RB por mera coincidência ou foi justamente o tempo dele no Mundial de Madrid que era o índice?

    4) Incrível após você ter feito 1:55 nos 200L em dezembro de 1986 ter abandonado essa prova na seletiva olímpica. Você e o Léo consideraram que aquele 1:55 foi uma anomalia que não poderia ser repetida nem superada? Na minha cabeça suas chances nos 4×200 eram maiores do que nos 50L. Se não me engano o Jorge acabou indo com 1:54.

    5) Eu mesmo (que tinha alguma vã esperança de me aproximar do índice nos 200P – era 2:20, eu tinha 2:27) sofri uma contusão fortíssima no ombro algumas semanas (talvez um mês) antes dessa seletiva, estava recolhido e nem fui e nem fiquei sabendo dos detalhes dessa seletiva. Acabei perdendo o ano por conta dessa e de outras contusões.

    6) Patrícia chegou a nadar 400? Ou depois que fez o de 200 retirou o time de campo?

    Abração

    • Fernando Cunha Magalhães
      2 de maio de 2016

      Salve, salve, meu nobre!

      1. Havia esquecido disso. Parece que foi na era do Facebook que essa constatação foi revelada, não é?

      2. Não, minha recordação é de que haviam 3 na série do Ramalho. Não tenho certeza mas arriscaria Sperb e talvez Maurício Cunha. E sim, Grangeiro nadou com o David. Havia mais gente na série;

      3. A CBDA definiu como índice o tempo de uma determinada posição do Mundial de Madri. O LAM digitou 16o, eu arriscaria 12o. Fato é que no caso dos 100m peito, coincidia com a colocação do Cícero, na prova em que ele quebrou o recorde brasileiro. Para ele o índice era sua melhor marca pessoal;

      4. Pergunte para mim: “Em que prova, meu caro Esmaga você gostaria de ter sido mais bem sucedido na natação?” – eu responderia 200m livre, depois 100m livre, depois 100m borboleta. Eu fiz esse 1m55s em dezembro de 86 e depois, inexplicavelmente, não conseguia nem chegar perto: 1m59s no TB87, 1m58s no Finkel 87, 1m58s no Estadual 87, 1m57s61 no JD87, 2m01s no TB88. Treinava na turma de fundo para melhorar isso aí, mas a cada competição a frustração aumentava. Antes da seletiva, pensar em nadar 200m livre lá, seria como dar murro em ponta de faca. Além disso, era no primeiro dia e o 50m livre no segundo. Evidente que ao ver o Manu vencer a seletiva, acho que fez 1m54s23, eu olhava e pensava: “uma melhora mínima razoável de 86 para cá me colocariam nos Jogos”, mas não rolou.
      Na sequencia eu fui prata no Interfederativo com 1m57s18, melhorei minha marca pessoal no Sundown Swim to Seoul com 1m55s78, fui 4o no Finkel com 1m56s04, quando o Jorge fez 1m58s na final B, e na semana seguinte nadei junto com ele na Fonte Nova – só nós dois – passei um pé na frente os 100m, viramos juntos no 150m, eu no limite, ele segurando – soube em seguida porque, amigo, o cara meteu uma perna 6 tempos absurda nos últimos 50m, fez 1m53s85 e ficou com a terceira vaga. Eu fiz o melhor da minha carreira: 1m55s27 e fiquei de fora;

      5. Dureza essas contusões;

      6. Não, não… ela nadou os 400m e os 800m. Não recordo ao certo, mas acho que não fez os índices nas outras provas.

      • Fernando Cunha Magalhães
        2 de maio de 2016

        LAM estava certo, 16o.

      • Fernando Cunha Magalhães
        2 de maio de 2016

        Uma outra passagem interessante foi que na passagem dos 150m dos 200m borboleta, já bem atrás do Edu, o Manu deixou de ver sentido naquele esforço e parou.

  2. Rodrigo M. Munhoz
    2 de maio de 2016

    Incrível essa sua memória de máquina do tempo, Esmaga! O que mais me chamou a atenção foram as lembranças do treino com Ramalho na piscina do Golfinho (e a descrição do som das braçadas na piscina deserta e ao ar livre me “levaram” para lá) e o momento do engano da Cristiane ao te ver descendo da arquibancada com lágrimas nos olhos – Por esta e por outras que digo que você sempre foi um amigo muito querido e nadador respeitado nas piscinas brasileiras.

    Abraços!

    Munhoz

    • Fernando Cunha Magalhães
      2 de maio de 2016

      Munhoz, esse me “levaram” para lá é a grande recompensa do contador de histórias. Fico contente em perceber sua sensibilidade em relação aos momentos ressaltados… muito significado para mim.

  3. LAM
    2 de maio de 2016

    Renato, só sei a resposta da 3) Cícero foi o 16o. no Mundial de MAdri e o índice do COB para Seoul era exatamente o 16o. tempo do mundial de 86

    • Fernando Cunha Magalhães
      2 de maio de 2016

      Quem sabe o Cicerone passa por aqui para tirar a dúvida. Mandarei a pergunta inbox no Facebook.

      • Fernando Cunha Magalhães
        2 de maio de 2016

        LAM, você está certo: Cícero Tortelli is a former breaststroke swimmer from Brazil.
        Participated at the 1986 World Aquatics Championships in Madrid, where he finished 16th in the 100-metre breaststroke consolation final, and 25th in the 200-metre breaststroke.
        He was at the 1987 Pan American Games, in Indianapolis, where he won a bronze medal in the 4×100-metre medley. He also finished 6th in the 100-metre breaststroke, and in the 200-metre breaststroke.
        At the 1988 Summer Olympics, in Seoul, he finished 18th in the 4×100-metre medley, 37th in the 100-metre breaststroke, and 44th in the 200-metre breaststroke.
        After retiring from professional swimming, turned entrepreneur. He opened a company called Paggo, and implemented the system for paying bills of the giant Brazilian mobile phone operator Oi, known as Oi Paggo. After the brand Paggo was bought by Oi, Tortelli took his company Freeddom to Nigeria, seen by him as a place to expand the company’s operations, what the market calls for mobile banking

  4. Luiz Carvalho
    3 de maio de 2016

    Grande texto! Abracos!

    • Fernando Cunha Magalhães
      9 de maio de 2016

      Valeu Chico!

  5. Pingback: Interfederativo 1988 – “Eu saio e você pega!” | Epichurus

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