Epichurus

Natação e cia…

1987, a memória está fraca, perdoem se esqueci alguns detalhes e personagens, mas…

… como o Lord Carrasco está em licença médica, cabe a mim entretê-los nesta semana com outra face da natação: conhecer o Brasil de graça.

Primeiro ano de faculdade era bem diferente do colegial, numa sala de oitenta só havia duas meninas, uma delas era a cara da garota propaganda das ervilhas Jurema, a outra subia na mesa quando jogava truco. Ainda não conhecia direito ninguém quando emendamos mais de cem dias de greve na Federal, favorecendo os treinos do primeiro semestre.

Com esta rotina de moleza e depois de um bom Finkel, melhorando tempos, surgiu a melhor competição do ano: JUB´s em Belém do Pará. A galera mais velha do CC sempre contava maravilhas destas viagens (Natal 84, não sei onde em 85 e Maceió 86) e Smaga e eu estávamos muito no clima para ir.

Dividimos as provas entre a turma do Curitibano, convidando Petito do Amaral, Garanha, Polenta e Carlinha Sprengel do Golfinho, além de umas meninas do CEFET, pegamos nossos colchonetes e embarcamos em três ônibus bancados pela FPDU a meia noite de um dia qq de julho. Quem conhece Curitiba sabe como estava a temperatura e quem conhece Belém também pode imaginar para onde íamos.

No nosso ônibus estava também o vôlei feminino, com várias gatinhas loirinhas e talvez o handebol ou vôlei masculino nos quais não prestamos muita atenção (até que o Tio Sam invadiu o país da Ursa, gerando bastante ciúmes de nossa parte). Com 3.200 km para percorrer ficamos bastante surpresos com a primeira parada em Ponta Grossa para reabastecer a cerveja do ônibus da cartolagem, comandado pelo Paulão.

Para dormir nesta viagem o lance é revezar com seu colega ao lado, algumas horas ocupando os dois bancos, outras deitado no chão na transversal do corredor, assim vc tem a chance de pegar um ventinho da janela OU esticar as costas. Quando pegamos a Belém-Brasília o tal ventinho da janela se transformou num bafo quente que não dava nem vontade de abrir mais a janela. Seguindo as orientações deixadas pelos nossos gurus Tinho e Calígula, que naquele ano já tinham terminado a faculdade e estavam pescando na Suécia, não perder tempo nas paradas com esta besteira de chuveiros, aproveitando para comer ou simplesmente andar para esticar. Quando faltava pouquíssimo, uns 400 km apenas, Petito comprou meia dúzia de abacaxis muitos doces pelo preço de um único refrigerante e distribuiu entre a galera, a experiência de comer um destes inteiro me rendeu aftas até a volta para Curitiba.

Mais de 400 palavras e ainda não chegamos ao início? Mas o leitor deve perdoar, ele precisa sentir que levamos pouco mais de sessenta horas para chegar na UFPA e aí vai entender como gostamos tanto de lá. Um Campus com gramados e árvores enormes entre as salas de aula térreas, todas com grandes portas de correr que ficavam permanentemente abertas para amenizar o clima local (30.C a noite, 45.C de dia) e colchões espalhados pelo chão. As passarelas cobertas entre as edificações tinham tapumes e chuveiros, que frequentávamos várias vezes ao dia.

Crachá JUBs 87

Crachá do amigo. Além de garantir a apresentação para a prova, um facilitador para conseguir caronas pela cidade.

 

Nossos companheiros de quarto eram os caras do Volei Masculino, cujo veterano e capitão do time, queria aplicar trotes nos calouros da natação já no primeiro dia. Por sorte nossos veteranos, Jacozinho e Malburguinho, são excelentes negociadores e obtiveram um salvo conduto que garantiu nossa integridade física. Além disso o Rubão estava lá também e informou que o pessoal da natação era amigo dele 😉

Já na primeira noite fomos para a Cerimônia de Abertura, festa grandiosa, com todos os atletas de todas as federações, iniciando dez dias de jogos, vimos umas morenas muito bonitas por lá.  Como a natação era apenas nos quatro últimos dias, tivemos bastante tempo livre seguindo a regra vigente a época na natação universitária paranaense, não cair na água.

Encontrávamos sempre nossos colegas de sala de aula quando escovávamos os dentes, oito da noite quando eles estavam indo dormir e nós indo para as baladas, seis da manhã quando eles estavam indo treinar e nós indo dormir, duas da tarde quando eles iam para os jogos e nós íamos conhecer a cidade, Ver-o-Peso, Emílio Goeldi (que eu vacilei e não fui), Cerâmica Marajoara (onde compramos um jogo de feijoada para Nair) etc… com o passar dos dias nos integramos com estes caras e fizemos amizade com o cara do violão e outro que fazia flexões com um braço apenas.

No quadro negro, acima do colchão de um dos nossos atletas, foi desenhada por eles uma grande flecha com a legenda “AQUI JAZZ”, alusão aos efeitos que as altas temperaturas causavam ao rapaz, mantendo sua pressão sanguínea tipo 6×9… desmaiado 😉

O time paranaense de vôlei estava muito bem na competição, vencendo vários jogos e certa tarde fomos assistí-los, descobrindo que nossos amigos Cotô e Stalone, eram os melhores jogadores. Com mais uma vitória neste dia, fomos para semifinal, que seria jogada no sábado à tarde. Voltamos lá para torcer novamente e perdemos… Cotô é Adventista do Sétimo Dia e estava rezando no Templo Local. A noite conversamos com ele no alojamento, enquanto tocava “um azul” melancólico no violão.

Para disputa do bronze tivemos uma grata surpresa, além do Cotô na quadra, todos os jovens Adventistas de Belém estavam na arquibancada torcendo pelo Paraná, numa das mais belas partidas de vôlei que assisti na vida.

Certa tarde tomávamos uns sorvetes locais, cupuaçu, graviola, enquanto o Petito devorava uma Banana Split “Creme, Morango e Chocolate, SEM Banana por favor” quando vi uns cartazes anunciando o Primeiro Triathlon de Belém. Dito assim, não parece importante, mas quando lemos que o prêmio para o vitorioso seria uma passagem aérea Belém- Rio de Janeiro, a coisa mudou de figura imediatamente.

Malburguinho disputou diversos torneios NO-NE na época em que morou em Rondônia, e tinha um amigo na cidade, este amigo tinha uma casa em Mosqueiro, balneário ribeirinho onde seria disputada a prova e ainda arrumou duas caloi 10 emprestadas. 600 metros de natação no auge da forma, uns 10 km de bicicleta? Nós pedalamos desde crianças, e 3 km de corrida, todo mundo sabe correr certo? A única ameaça era o boato de que o super campeão do De Lamare de 84, André Teixeira Pereira, estava treinando em bicicletas ergométricas.

Primeiro dia da competição, venci os 100 Peito com facilidade com Malburguinho em segundo e confesso que não lembro de nenhum outro resultado, estava preocupado com o segundo dia… viajamos à tarde para Mosqueiro e nossos anfitriões dormiram nas redes, deixando duas confortáveis camas para nós.

Saímos bem do rio mas o ciclismo, além do nosso óbvio despreparo, tinha outros percalços inesperados, tráfego, semáforos e nenhum copo de água. Na corrida vi, o que me pareceu ser uma competidora, uma centena de metros à frente e correndo com muito sacrifício. Era o Malburguinho, naquele clima quase saariano eu não devia estar raciocinando nem enxergando direito, no fim de suas forças. Consegui ultrapassá-lo e chegar em … quarto, passagem de ônibus garantida para Curitiba.

Terceiro dia, mal conseguíamos andar direito, tanto que o Orseli perguntou se eu estava machucado ou se mancava assim mesmo normalmente. Como estava muito bem naquele ano e podia controlar a prova, passando bem fraco e voltando negativo a ponto de passar os demais no final. Resultado: Smaga desce correndo as arquibancadas dizendo: “LAM, seu tolo, vc estava tão devagar no início que fez pernadas de crawl pra não afundar…” Quem conhece as medalhas do JUB´s sabe o tamanho desta perda. Fiquei transtornado com isso e não cedi minha vaga no reveza para o Petito, como havia sido combinado previamente, esta é a razão deste post: pedir desculpas pública e tardiamente ao grande amigo e companheiro.

Ouro_JUBS

A medalha de ouro do JUBS, que o Petito ficou sem…

Num dos passeios pela cidade, Jacozinho, Smaga e eu encontramos o Cotô e fomos almoçar num restaurante bonito, onde fui barrado pois estava sem camiseta, um garçom emprestou a dele e pudemos nos sentar. Escolhemos um óbvio Pato no Tucupi e ficamos decidindo um segundo prato, pedimos ajuda ao meu amigo da camiseta:

– Qual a sua sugestão de um bom prato para completar nosso pedido? – indagou o Christian

– Este peixe grelhado é bem gostoso e tem um bom preço. – respondeu o atendente

– Este peixe tem couro ou escamas? – perguntou Cotonete, surpreendendo a todos

– Não senhor, não se preocupe, o peixe é servido limpo e grelhado!

– Ah sim, mas quando você pesca este peixe, lá no mar, ele tem escamas ou pele? – insistiu o volibolista

– Ah senhor, este peixe não é do mar não, é peixe de rio!

Ao fim conseguimos convencer nosso colega de que devia ser um peixe de escamas mesmo e que ele poderia comer sem desobedecer suas convicções religiosas.

Leitor que esteve em Belém por favor comente e complemente.

1987 JUBs diploma

 

 

Sobre LAM

31 comentários em “1987, a memória está fraca, perdoem se esqueci alguns detalhes e personagens, mas…

  1. Rodrigo M. Munhoz
    9 de maio de 2016

    Parabéns pelo post de estréia, LAM! Eu consegui imaginar você falando enquanto lia o post, até porque já conhecia algumas das partes mais clássicas, como a do Triatlon, por exemplo… hilário!
    Belo pedido de desculpas, com um delay surpreendentemente… faístico! Espero que funcione.
    Apesar da viagem de ida ter ocupado metade do texto, não vi menção ao retorno. Imagino que a viagem de volta tenha sido tranquila e super divertida, ON? Nooot!
    Abrtz!

    • rcordani
      9 de maio de 2016

      Aposto que a playboyzada voltou de avião!

      • LAM
        9 de maio de 2016

        Como eu escrevi no princípio: conhecendo o Brasil de graça. Imaginem que vocês entraram no ônibus no horário em que saíram da minha casa, sábado a meia noite. A esta hora estaríamos passando por Brasília, com previsão para chegar em casa amanhã na hora do almoço.

  2. rcordani
    9 de maio de 2016

    Excelente LAM. Esse de 87 não fui, eu ainda estava na escola, mas 1988 e 1989 eu fui e foram memoráveis. Essa do triatlon foi impagável, mas afinal, como foi o paraense André PEREIRA?

    O Petito aceitou as desculpas? O Polaco só tem a me agradecer, em 1989 eu liberei a vaga do 4 estilos para ele. Já o Barrão em 1995 deve seu bronze do quatro estilos ao Oscar.

    Estreia de peso, espero que o sr escreva novamente, e garimpe algumas fotos ANTES.

  3. LAM
    9 de maio de 2016

    André Pereira ganhou com facilidade, no Triathlon não basta acreditar, é preciso Treinar

  4. Carlos Pingarilho
    9 de maio de 2016

    Estimados,

    Sou um leitor frequente do Blog por indicacao do Munhoz.

    Achei muito legal ver ese post. Eu como MEGA PEBA, ia para os Brasileiros e JUBs de passeio. Entao conheco muitas das historias nadando nas eliminatorias e algunas finais de revezamentos pelo Remo ou pela Selecao do Pará nos JUBs de Belém e Joao Pessoa.

    Voces ficaram na casa de meus pais no Mosqueiro e eu participei to triatlon também. saí muito bem da água no bloco de lideres, no fim da bicicleta estava entre os 5 primeiros, acabei abandonando no kilometro da corrida, pois estava morto e tinha que nadar 1500m no dia seguinte do JUBs. Nao preciso dizer que no dia seguinte fiz uma das piores provas da mina vida.

    Até onde me lembro o Andre Pereira nao participou dessa competicao.

    Abraco aos amigos.

    • LAM
      9 de maio de 2016

      Carlos, fico realizado que a história tenha alcançado um dos participantes e que pode confirmar a veracidade dos fatos, me perdoe por não lembrar seu nome nem do outro nadador que estava junto na sua casa, realmente faz tempo.
      Se o André Pereira não estava, quem será que ganhou as passagens?

      • Carlos Pingarilho
        9 de maio de 2016

        Agora estou em duvida de qualnfoi o outro colega que foi conosco a Mosqueiro. Poderia ter sido o Luiz Otavio Silva ou o Elton Medeiros. Ambos do Remo que encaravam essas aventuras comigo na época.
        Desculpa mas eu também nao lembrava do seu nome. Lembrava mais do Malburg com quem encontrei una meses depois em Curitiba numas férias que passei por lá.
        Corrigindo meu comentário, o Andre Pereira participou do tiatlon e acho que ganhou. Ele não estava no JUBs.

      • Fernando Cunha Magalhães
        10 de maio de 2016

        Essa foi sensacional!

    • Rodrigo M. Munhoz
      9 de maio de 2016

      Faaala, Pinga! Não acredito que a famosa casa no Mosqueiro era dos seus pais! Você não imagina quantas vezes ouvi essa historia do LAM sem saber desse detalhe… Sensacional! Grande abraço!

      • Carlos Pingarilho
        9 de maio de 2016

        Grande Munhoz
        Como diz um amigo, esse mundo é pequeno e mal frequentado. Hahaha
        Um abraço

  5. Luis (Petitto) Boscardin
    9 de maio de 2016

    LAM! Obrigado pelo pedido formal de desculpas. Formalmente aceito! 🙂
    Só o Smaga pra guardar a carteirinha até hoje!
    Algumas lembranças:
    Apelido do Christian: Parísh
    “Aqui Jaz”, escrito pelo prórpio Christian no quadro, pode falar que era pra mim mesmo… 🙂
    Lembro do isopor de comida que o Malburguinho levou no ônibus, que tomava 2 assentos… Não lembro como ficou isso no final dos 3 dias de viagem…
    Abs!

    • LAM
      9 de maio de 2016

      ufa, perdoado! hoje vou dormir finalmente…

  6. Fernando Cunha Magalhães
    10 de maio de 2016

    Engraçadíssimo que o LAM escreve no Epichurus como se estivesse sentado só entre amigos, na sala da casa de qualquer um de nós. Talvez seja interessante começar por um sumário das personagens:

    – Lord Carrasco – Marcelo Menezes, o Lelo, escritor frequente do Epichurus;
    – Paulão – dirigente do Vôlei peso-pesado, sentava no último banco do ônibus, uma figuraça. Comeu e bebeu tudo o que pôde. Faleceu 10 anos depois devido aos excessos, coincidentemente, no mesmo dia do acidente que vitimou minha irmã;
    – Tinho e Calígula – Newton Kaminski e Dulcidio Caldeira, colegas do Curitibano um pouco mais velhos, que se encontraram na Europa, logo após a Universíade de Zagreb, e fizeram de tudo por lá;
    – Jacozinho – um dos apelidos do Christian Carvalho, devido a forma de se expressar semelhante a do ponta direita do CSA de Alogoas, apresentado ao país por Marcio Canuto e que chegou a jogar pela Seleção Brasileira em algum amistoso;
    – Rubão – Rubens Tempski – judoca de altíssimo nível, medalha de bronze no mundial universitário;

    Quem estava lá também era Renatão Schwanke, que fechou o 4x100m medley e levou o Paraná ao ouro. Você lembra que estava no costas e borbo?
    Também ganhamos o 4x100m e o 4x200m, aliás, só perdi os 50m livre nessa competição, para o Laércio Silva.

    Lembro bem do André Pereira se preparando para o triathlon e de fato, não estava no JUBs.

    O árbitro geral da competição era o Julinho, carioca, técnico da Raquelzinha Finizola, ambos patrocinados pelo Banerj. Ele virou pra arquibancada enquanto o LAM passava em último, fazendo aquele movimento vertical para sustentação das pernas no longo intervalo entre cada pernada, com um cara de “não vai ter jeito, eu não queria, mas vou ter que desclassificar” – a volta foi linda e a prova negativa de fato, pena que em vão.

    Até essa viagem eu encontrava o Rubão direto no clube, cumprimentava mas nunca havíamos sentado para bater papo. Aconteceu na viagem de ida. Achei o cara sensacional. Astral maravilhoso. Fomos assistir suas lutas. Pegou um catarina encardido, rival de longa data, mas com estatística favorável a nós, o cara engrossou e ganhou, se não me engano por yuko. Após a saudação, o lazarento vai em direção ao Rubão e dá um beijinho na testa. Ficamos putos!
    No dia do absoluto, Rubão só tinha um objetivo, cruzou na chave com o catarina novamente, deu o troco nos pontos e no beijinho, para cair na luta seguinte, estava meio desanimado, fato que motivou o surgimento da expressão: “Rubão no dia do absoluto”.

    Nossa integração com o time do vôlei foi de fato sensacional. Tinha o Paulinho, o levantador baixinho de Maringá – figuraça, esse que você equivocadamente chama de Stalone, não era Stalone, era o Gilmar – enorme, que depois pegou uma amiga da Poli em Curitiba. O Mengele era um garoto grande, de 16 anos, que não estava na faculdade e falsificaram documentos para ele jogar o JUBs. Época sem celular, ligações caras, o cara escreveu uma carta para a namorada, os cruéis amigos interceptaram, leram e jogaram na mão da galera, no texto ele tentava se vitimizar ao máximo, usava superlativos para demonstrar que se percebia em uma roubada, num trecho dizia: “O refeitório fica há uns dois quilometros do alojamento, caminhamos no sol escaldante e quando chegamos lá, ainda temos que enfrentar uma fila mais longa que de campo de concentração para comer a lavagem do bandejão” – como era a época em que estavam investigando se a ossada encontrada no litoral de São Paulo era do carrasco nazista, o Christian lançou e o apelido pegou. Também tinha o Fona, um cara divertidíssimo, boa pinta, que suava horrores e no intervalo dos sets torcia a camiseta de algodão no canto da quadra e formava umas poças enormes. O cara tinha uma coleção de pólos chiquérimas, que emprestava para o Christian dar umas voltas a noite. Aliás, um dia também catei um dockside do Paulinho que combinava melhor com a minha roupa, para dar uma volta. No retorno da viagem de ônibus, desembarcamos antes das 7h da manhã na Praça Santos Andrade, em frente ao teatro Guaíra e o Fona gritava: “não deixa esfriar a amizade, hein!?!?” – nunca mais vi.
    O Cotonete, se não me engano Denilson, virou Parish para o Christian e o Christian virou Parish para o Cotonete. Esse cara nos ensinou muito, inclusive a olhar através dos olhos do interlocutor, uma viagem.

    Foi nos corredores da UFPA, que conheci o jogo de tabuleiros MASTER. Os caras chamaram o LAM, eu não entrei, fiquei batendo papo por ali. Quando voltei para olhar o jogo vi o peão do LAM muito a frente dos demais, o cara puxou a carta e perguntou: “nome da ciência que estuda as cavernas?” – eu não sabia, e o LAM, sem mudar o semblante: “espeleologia”. O cara ficou puto… Porra, o cara é o Einstein, e na manhã seguinte, ao lado do AQUI JAZ no quadro negro, havia uma caricatura do Einstein desenhada no giz branco, que ficou até o último dia.

    No desfile de abertura, a porta bandeira do Paraná era uma menina linda, loirinha de olhos claros, de 11 anos… pasmem, a galera considerou a hipótese… pasmem, um dos nossos colegas começou a namorar a gatinha. O Cotonete a apelidou de “8 anos”. Eu estava vendo a hora em que iria aparecer um pai louco da vida para colocar fim naquela história, mas nada, dia após dia, surgia a petiz serelepe, louca para desfrutar da paixão com data para acabar.

    Paralelo a isso, eu investia minhas fichas numa garota linda, Karina, essa quase da nossa idade. Mal sucedido, próximo ao final dos 10 dias, ainda deu tempo do amigo terminar com a “8 anos”, apaixonar-se pela Karina, viver uma paixão daquelas de deixá-la chorando desesperada ao lado do ônibus que partia para o sul, e pasmem… “8 anos” ao ser trocada, deu uma tripudiada na rival “aproveite esse finalzinho que eu já fiquei uma semana com ele!” – ô mel!

    Foi o que lembrei por hora… hum, a propósito, caro Cordani, para João Pessoa e São Luís, também fomos e voltamos de ônibus. Dos 6 trechos, o mais rápido levou 57 horas e o mais longo, 67.

    • rcordani
      10 de maio de 2016

      Boa Esmaga, quase um outro post!

      • LAM
        10 de maio de 2016

        não basta acreditar, é preciso nascer com o dom para ter uma memória assim 😉

        Mas acho mesmo que o Gilmar foi apelidado de Stalone pelo Grey.
        No 4 estilos arrisco Schiochet de costas e Polenta de borbo.
        Pinga, o nome que eu tentava lembrar era do Laércio, que foi quem agitou as bikes e o contato contigo.

    • anonimo
      11 de maio de 2016

      11 anos… pedofilia.

      • Fernando Cunha Magalhães
        30 de maio de 2016

        Não sei qual a extensão do namoro você está imaginando, meu caro anonimo, nem se considerou que um percentual grande das pessoas entra na faculdade antes de chegar a maioridade. Cuidado com julgamentos apressados, meu caro.

  7. Paula Marafeli Mader
    10 de maio de 2016

    Gostei muito do post apesar do ciuminho das Loiras e Morenas citadas!!! Essas viagens são inesquecíveis.

    • LAM
      11 de maio de 2016

      Tutu, a prescrição é vintenária… pelo menos no INSS 😉

  8. Ruy Araujo
    11 de maio de 2016

    Eu ia participar da seletiva da FUPE (São Paulo) para o JUBs de 1989, mas esqueci minha carteirinha do CEPEUSP (Centro de Praticas Esportivas da USP,onde seria realizada a prova) e não pude nadar. Como era meu primeiro ano na faculdade, pensei; “Beleza, tenho mais 3 anos para ir. No próximo eu vou.”
    Mas, o que eu não contava era com uma briga entre FUPE e JUBs onde a equipe paulista boicotou os 4 JUBs seguintes, so voltando em 1995 quando havia saído da faculdade.
    Como é pedido de desculpas públicas, acho que Carlão “Charles” Dudorenko, me deve essa pois era diretor da entidade paulista na época.
    PS: Boa história LAM.

    • LAM
      11 de maio de 2016

      FUPE tomou “fumo” da FPDU na natação até 87, tanto que a Marina nem comentou nada aqui. Este domínio paranaense acabou em 88 quando a FURJ foi beneficiada pela presença da seleção olímpica de natação em Johnny People. Talvez eu possa contar histórias desta edição no futuro, se os Editores do Epichurus me convidarem novamente

  9. Marina Cordani
    12 de maio de 2016

    Essa Marina que o Lam citou sou eu??? Eu fui para Jubs em 86 Maceió, 87 Belém e 88 João Pessoa, como técnica já. Mas não lembro nada do que vocês relataram… Minha viagem foi outra… Também não vi quase nenhuma menina citada aí. Em Maceió arranjei namorado, fiquei meio ocupada. Em Belém lembro de visitar a Ilha de Marajó. Em João Pessoa frequentava os pagodes do atletismo. Ah, tenho essas medalhas também! Umas 3.

    • LAM
      13 de maio de 2016

      Marina, vc tem alguma foto de Belém?

      • Marina Cordani
        13 de maio de 2016

        Em algum lugar… faz muuuuito tempo que não vejo, se achar mando.

  10. Denilson menegusso
    30 de maio de 2016

    Olá pessoal, estive com vcs neste JUBS 87 e tenho alguns relatos tbem. Bem, nunca me conformei Q eu não conseguia dormir naquele calorão e ao mesmo tempo o “garanha” dormia de cobertor com jeito de estar passando frio. Eu Sempre fui mais cedo para o alojamento tentar dormir mas quando vcs chegavam na madrugada ,estava eu acordado ainda e tbem me lembro de ser chamado de “corujão”pois sempre estava de olhos bem abertos e perguntando como tinha sido a noitada de vcs. Esta interação do vôlei com vcs da natação realmente foi algo inusitado pra mim. Demos altas risadas juntos. Fico contente tbem por ser lembrado neste post de uma forma carinhosa pelos nobres colegas. Encontrei o SMAGA hoje no CONDOR o qual me contou deste blog Q apartir de agora tentarei colaborar com fotos e lembranças Q estavam um pouco esquecidas mas Q agora poderemos reviver. Um grande abraço do COTÔ.

    • LAM
      30 de maio de 2016

      Excelente ler aqui aqueles que viveram a experiência…
      Se os exigentes editores do Epichurus permitirem escreverei sobre Johnny People

      • rcordani
        30 de maio de 2016

        LAM, pode parar com esse mimimi, já está autorizado há tempos…

    • Fernando Cunha Magalhães
      2 de junho de 2016

      Barish,
      Comentaste com o Ê-milho, sobre nosso encontro?
      Logo que o reconheci no Condor, apliquei a técnica que você me ensinou, de olhar através do outro, achei que estava percebendo e não havia se lembrado… parei, rsrs.
      Vi que o post teve mais alguns leitores nos últimos dias, você divulgou entre a galera do vôlei?
      Comentei com o Polenta, também friorento, riu, e disse que iria te adicionar no Facebook – Paulo Carvalho.
      Mandei audio para o Christian sobre nosso encontro, estranhamente ignorou.
      Enfim, estou ansioso pela foto do quadro negro… vasculha aí que será super comemorada. Forte abraço!

  11. Márcio J Capristo Oliveira
    17 de julho de 2016

    Olá, estivemos juntos em 87, jogando pelo volei.
    Tenho uma fotos da época e gostaria de enviar, até mesmo para identificar alguns dos participantes, como o cotonete, por exemplo.
    Como posso enviar?
    Era e sou de Maringá. Márcio Capristo.

    • LAM
      25 de julho de 2016

      oi Marcio, pode mandar prá mim que eu vou editar o post e colocar. Vou te mandar um e-mail particular.

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Publicado em 8 de maio de 2016 por em Natação.
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