Epichurus

Natação e cia…

Seletiva Fonte Nova 1988 – “No way to Seoul”

Campeonato Brasileiro Juvenil de Inverno em Salvador, no estádio da Fonte Nova, e no intervalo de algumas provas, a última seletiva para os Jogos Olímpicos de Seoul.

Chegamos a Curitiba depois do Troféu José Finkel, descansei no domingo e na 2ª feira fui para o Clube Curitibano, sentei na sala do Léo, conversamos um pouco sobre a competição em seguida, sobre a seletiva da Fonte Nova, sobre a qual, não havíamos comentado anteriormente.

Consenso de que eu deveria ir até Salvador, mas a dois dias da viagem, não havia como solicitar verba ao Clube Curitibano, nem ao Projeto Mesbla. Também não havia como eu pedir aos meus pais, o valor era muito alto e diante da situação financeira da família, eu não me sentia confortável para fazer o pedido.

Léo pensou um pouco, consultou a agenda, passou a mão no telefone e discou. Quando o interlocutor atendeu, explicou a situação e atendeu ao pedido de aguardar alguns minutos. O retorno veio rápido, quem estava na linha era César Lacerda, pai do meu amigo e colega de equipe Fred, que trabalhava – entre outros negócios – com agência de turismo. Conseguira uma passagem promocional, se ofereceu a arcar com 50% do custo e restou um valor bem acessível para eu pedir em casa. Grana das minhas economias para as refeições e a estratégia de entrar no hotel junto com os quase 20 atletas da equipe e ficar como clandestino em um dos quartos. Deu certo. Importante frisar que não me orgulho disso e não faria novamente.

Fiquei no quarto com os dissidentes do Guarani Esporte Clube de Ponta Grossa – Paulo Nascimento, Sandro Ruppel e Fernando Takemura – que haviam se transferido para o Curitibano no início do ano. A clandestinidade durou um único dia, já que no aquecimento do primeiro dia de competição, Takemura colocou o pé em cima da grade para alongar e o joelho do pé que estava no chão cedeu, fez uma lesão grave e ele teve que voltar naquele dia mesmo para operar em Ponta Grossa. Herdei uma cama.

Da competição da garotada lembro de duas coisas:

  1. Disputa contagiante entre Teofilo Laborne e Leonardo Gomes nos 100m costas Juvenil A, com vitória do prodígio do Curitibano, ultrapassando em final empolgante;
  2. Todos os dias no aquecimento, tocava repetidamente o hit soteropolitano da hora: O gato Tico / Tico Mia. Desesperador.

 

Sobre a seletiva, fatos inusitados:

– Cristiano Azevedo com índice na prova dos 100m costas, mas em 3º no ranking brasileiro tentando superar a marca do colega Vladimir Ribeiro nadando ao lado de Débora Costa Reis, em crawl, para ter com quem puxar;

– a presença de Jorge Fernandes?!?! Encontrei o amigo Jorge, fiz festa, mas não entendi. Há menos de uma semana ele havia ficado em 8º nos 100m livre e havia pego final B nos 200m livre do Finkel com 1m58s. O revezamento 4x100m livre não classificava para a Olimpíada e para entrar no 4x200m era preciso nadar abaixo de 1m54s2. Ou seja, ele teria que melhorar o tempo em mais de 4 segundos para garantir sua terceira participação em Jogos Olímpicos.

Caímos para os 200m livre só nós dois. Resolvi nadar mais dosado que no Finkel, passamos juntos e me surpreendi com o crescimento de produção do Jorge em uma semana, seguimos juntos em direção aos 150m, mas dessa vez, sentia que teria mais gás para fechar, após a virada mantive a pegada e o Jorge aplicou uma inacreditável perna 6 tempos, começou a abrir distância, abriu quase um corpo e marcou 1m53s85, garantindo a terceira vaga para o 4x200m. Fiz a melhor marca da minha vida: 1m55s27. Aplaudi e reverenciei o surpreendente feito daquele monstro sagrado da história da nossa natação, que tive convicção que venceria naquele dia.

Noutro dia, fui sozinho para os 50m livre. Silêncio absoluto no Parque Aquático, somente eu na raia 4 e o índice 23s57. Nadei com tudo. Bati na borda, o locutor anunciou: “tempo do nadador da raia 4: 23s89”. O público aplaudiu, Ruben Marcio Dinard, o árbitro geral estava na cabeceira, não falou nada mas me acolheu com o olhar, acenei para o público em agradecimento e pensei: “estou fora… acabou!”.

Fiquei a 29 centésimos do índice nos 50m livre e a 1 segundo da vaga dos 4x200m. Não é tão pouco tempo assim, tanto que segui me dedicando obstinadamente a natação nos anos seguintes e nunca fiz, em nenhuma das duas provas, os tempos que teriam me possibilitado ir a Seoul.

A regularidade das minhas performances no 50m livre é impressionante, vamos relembrar as competições de 1988:

COMPETIÇÃO TEMPO
Seletiva no Fluminense 23s98
Interfederativo 23s90
Finkel – eliminatória 24s05
Finkel – final 23s86
Seletiva na Fonte Nova 23s89

 

Vida que segue… dia seguinte saímos para um dia de turismo na Bahia. Água de Côco em Itapuã, Elevador Lacerda, Pelourinho, Mercado Modelo, Farol da Barra e a quebra do regime de  atleta com um acarajé às margens da Lagoa do Abaeté – aquela infecção intestinal também não sai da minha memória.

Forte abraço ao amigos do Epichurus, e em especial aos brasileiros que sonharam chegar ao Rio 2016, lutaram até a última seletiva, mas ficaram de fora.

Fernando Magalhães

 

Sobre Fernando Cunha Magalhães

Foi bi-campeão dos 50m livre no Troféu Brasil (87 e 89). Recordista brasileiro absoluto dos 100m livre e recordista sulamericano absoluto dos 4x100m livre. Competiu pelo Clube Curitibano (78 a 90) e pelo Pinheiros/SP (91 a 95). Defendeu o Brasil em duas Copas Latinas. Foi recordista sulamericano master. É conselheiro do Clube Curitibano.

23 comentários em “Seletiva Fonte Nova 1988 – “No way to Seoul”

  1. Rodrigo M. Munho
    28 de julho de 2016

    Boa, mas meio triste este post… apesar de eu saber que a tua história continuou eque isso foi parte da jornada que te fez a pessoa bacana que é hoje, não deixei de ficar um pouco chateado.
    Interessante ver o improviso para ir nessa viagem de ultima hora… nada raro na nossa época. E nada pra se envergonhar, especialmente num pais sede de Olimpíada que escalou um time de encanadores e eletricistas para terminar obras dias antes do começo dos jogos.
    Abraços, meu amigo!

    • Fernando Cunha Magalhães
      28 de julho de 2016

      É Munhoz, um sonho tão significativo não alcançado e de chatear mesmo.
      Mas foi uma bela trajetória de experiências e aprendizados, que posso contar em detalhes de cabeça erguida.
      Forte abraço!

  2. Lelo Menezes
    28 de julho de 2016

    Boa Esmaga! Eu me lembro bem dessa competição porque era também a última chance do Grangeiro conseguir o índice dos 1500m. Não deu também pra ele! Alias, a canção Tico Mia marcou muito! Eu nadei esse brasileiro juvenil de inverno como “juvenil”. Meu interesse não era as Olimpíadas, mas sim o brasileiro. Eu lembro que nadei mal, inclusive passei mal depois da prova de 200m peito, com mal estar e ânsia…

    Meu irmão nadou bem e se sagrou “campeão brasileiro de inverno”, seu principal título da carreira, embora sinceramente eu ache que o 4o lugar no Julio Delamare seja um highlight mais importante!

    abs

    • Fernando Cunha Magalhães
      28 de julho de 2016

      De fato , Lelo, Julio de Lamares muito mais concorridos que esses de inverno. Mas um metal para celebrar faz diferença.Deixa o Menê curtir o ouro.
      Abraços!

  3. Alvaro Pires Vreco
    28 de julho de 2016

    Que relato bacana Maga. Lembro de algumas coisas da competicao. Fomos em 4 atletas juv B sem tecnico. As colocacoes eram o q menos importava, foi soh diversao mesmo. Abri um revez 4 estilos de costas (1a e unica vez q fiz isso) p 1;06, morrendo no final. Acho q ficamos em 5o, mesma colocacao q tive nos 50 e 100L, alem de um 4o nos 4x100L. Competicao muito fraca p mim como quase todo o ano de 88. O vestibular atrapalhou bastante os treinos. Lembro q foi a 1a vez q vi um tal de Gustavo Borges nadando. Lembro de ter ficado muito feliz pelo Jorge ter conseguido a vaga. O idolo conseguiu se superar e chegar a 3a olimpiada. Acho q o (Leonardo) Browne, unico juv A do Fla na competicao e q foi c o pai dele, ganhou o indice tecnico juv A c vitoria nos 200B por poucos centesimos sobre o Marcelo Ferreira.
    Mas principalmente Maga, parabens pela perseveranca e pela elegancia c q vc tratou essa “derrota” na sua brilhante carreira. Coloquei entre aspas pq na verdade nao ir a olimpiada e nao ter realizado este sonho nao eh uma derrota, apenas uma pequena lacuna q serviu e imagino q sirva ate hj p lhe tornar mais forte. Nao ter tentado eh q seria a verdadeira derrota.
    ab gr Vreco

    • Fernando Cunha Magalhães
      29 de julho de 2016

      Vreco,
      acho bacana que ativamos sua memória e você sempre tem histórias boas pra contar das mesmas competições.
      Por mais sem importância que uma competição fosse, eu não conseguia não levar a sério e fazer o meu melhor naquele momento. Excesso desnecessário, mas era assim.
      Sim, sim, Leonardo Braune era muito forte nos 200 borbo, posteriormente treinou nos EUA e também se transferiu para o Pinheiros.
      Muito obrigado pelas palavras do último parágrafo, é de fato, assim que eu sinto.
      Forte abraço!

  4. dado borell
    28 de julho de 2016

    Salve querido amigo. Você é realmente uma pessoa ímpar, nosso abraço no estadual master semanas atrás após o 50 livre foi muito bacana, e preciso destas imagens. Eu já tinha parado de nada há anos, mas lembrar da turma de Ponta Grossa e desta contusão do japa trouxe para mim saudáveis memórias. bj no coração cara!!!!

    • Fernando Cunha Magalhães
      29 de julho de 2016

      Dadão,
      Gustavão precisa liberar as imagens. Nossa foto após os 50m livre precisa ser incluída no post “um rival para chamar de seu”. Foi um momento muito especial, que surpresa bacana te encontrar lá. E engraçado… você nadando pelo Curitibano e eu não… ô mundo que dá voltas!
      Valeu a leitura e o comentário, fazia tempo que você não deixava um por aqui.
      Beijo!

  5. rcordani
    28 de julho de 2016

    Sigo o coro e dou-lhe os parabéns pela excelente trajetória até então (1989 ainda iria melhorar…). Pena não ter sido olímpico, mas realmente você pode dizer que foi quase.

    Quanto ao 4×200, entendo que o COB priorizou o 4×200 por este ser melhor que o 4×100, e aó o 4×100 nadaria com os mesmos nadadores, correto? Bom, o Castor, o Julio e o Manú estavam com os três primeiros tempos, o Castor e o Julio do Pan 1987 (ambos 1:51), e você sabe qual era o tempo do Manu?

    E por último e mais importante, quem foi o quarto nadador que estava com 1:54.2 e que o Jorge desalojou no último minuto, pegando a vaga? Era o Luís Osório? O Grangeiro? E porque eles não nadaram os 200 em Salvador?

    Grande abraço e parabéns de novo pela quase olimpíada!

    • Fernando Cunha Magalhães
      29 de julho de 2016

      Cordani, meu nobre.
      Sim, esse era o critério: o 4x200m seleciona, os mesmos nadam o 4x100m.
      De fato o Castor e o Julio tinham tempos do PAN – 1.51.71 e 1.52.15, respectivamente.
      O Manu tinha 1.54.2 e acho que o 4o tempo era do Jorge, arrisco 1.54.3 na seletiva do Fluminense – não tenho certeza.
      O Lelo mencionou que o Granja estava em Salvador, não lembro. Se foi, focou nos 1500m, porque nos 200m, só eu e o Jorge mesmo.
      Luís Osório, depois de ter sido prata no Finkel e ver o que o Jorge fez, deve ter se arrependido de não ter ido tentar.
      Obrigado pelos parabéns!

      • Alvaro Pires Vreco
        29 de julho de 2016

        Engracado na minha memória o granja nadou a competição entrando no pódio dos 100L … Será q ele tah lendo os textos ? Hehe

      • rcordani
        29 de julho de 2016

        Eu não fui para Salvador e nem nadava com ele em 1988 (Granja só foi para o CPM em 1989), mas o que tenho na minha memória é que ele encerrou a carreira nos 1500 no Interfederativo do ECP, quando ele estava no ritmo do índice junto com o David até os 800-900m e depois cansou, o David deu o índice com 15:37 e o Grangeiro nunca mais nadou 1500.

      • rcordani
        29 de julho de 2016

        Também achei estranho, será que o Luis Osorio não se sentia capaz de tentar 1:54.3 em Salvador?

      • Fernando Cunha Magalhães
        30 de julho de 2016

        Deve ser isso, Vreco.
        Granja ainda era juvenil B, deve ter tentado o índice nas provas oficiais do evento. Como Jorge e eu éramos Seniores, nadamos em série extra.

  6. Jorge Fernandes
    28 de julho de 2016

    Esmaga meu rei…
    cada vez mais me impressiono com sua ampla e lúcida memória… e principalmente a graciosa e envolvente narrativa que você impõe…

    A diferença de tempo (4s) deveu-se principalmente à opção feita por mim e Daltely e focar na seletiva, última chance e fazendo valer mais do que nunca o nosso lema do revezamento 4×200: se der deu, se não der fu@#u …

    Para falar a verdade meses antes eu estava desanimado e sem muita esperança… volta e meia pensava comigo mesmo: será que já deu ? vale a pena tantos anos de esforço e não ter atingido meu objetivo ? o que fiz de errado ao longo destes anos ? será que realmente mereço ir a mais uma Olimpíada ?

    E eu já não era nenhuma criança, fazendo meu trabalho de fim de curso (pela segunda vez, pois antigamente usávamos disquetes, e tanto original como backup foram perdidos e com isso pedi extensão de prazo que foi até o meio de abril/maio creio eu), trabalhando… meu ritmo era totalmente diferente de todos… a Rosana minha esposa até hoje, sabia bem como era meu dia a dia…

    e como sempre, surge Daltely e em conjunto traçamos um plano para tentar ir a Seul… alguma coisa diferente deveria ser feita… acertamos tudo e tocamos o barco…

    Sempre exaltei que gostava mais de nadar os 200 que os 100… muito provavelmente você deve ter nadado do meu lado esquerdo quando completávamos os 100 e os 200… e mais provável ainda eu ter escolhido para ser dessa forma… detalhes táticos e técnicos como estes é o que eu procurava passar para alguns no flamengo… fosse através de desafios e/ou brincadeiras… coisas que o tempo nos faz perceber e que seria egoísmo de minha parte caso não transmitisse para os outros…

    Esmaga, você sempre teve e terá minha admiração, pois independente do resultado, você nunca negligenciou um aperto de mão por mais simples que fosse… as conquistas esportivas são efêmeras (e lembradas sómente em ocasiões especiais), mas as amizades adquiridas para mim sempre valeram muito mais…

    Aliás, na sua geração, a galera de Curitiba sempre teve um lugar especial no meu coração… atletas dedicados, unidos, verdadeiros e amigos…

    Fica aqui um enorme abraço no seu coração.

    • Fernando Cunha Magalhães
      29 de julho de 2016

      Jorge Luis,
      seu articulador frio e calculista, me colocou à sua esquerda!!!
      Sim, era ali que eu estava…
      Conversamos lá mesmo em Salvador sobre a incrível diferença de 4,5s, e você contou assim mesmo, com grande crédito ao Dalty… muito legal.
      Muito obrigado por enriquecer com um comentário tão rico esse post, e especialmente, pelo seu carinho e amizade.
      Forte abraço, amigão!

  7. Marina Cordani
    28 de julho de 2016

    Ai, vocês emocionam uma mega peba como eu…

    • Fernando Cunha Magalhães
      29 de julho de 2016

      Mega não, Marina… semi!
      Bacana, né… esses caras são demais 🙂

      • Marina Cordani
        29 de julho de 2016

        Sempre cavalheiro! Um Lord!

  8. LAM
    29 de julho de 2016

    este é um post recheado de novidades para mim, lembrava de pouquíssimos detalhes desta ida súbita a Salvador, até o tempo do 200 Li ter sido o melhor da vida foi surpresa

    • Fernando Cunha Magalhães
      30 de julho de 2016

      Não imaginava, LAM.
      Será que não conversamos sobre isso?

  9. Samuca
    31 de julho de 2016

    boas lembranças desta viagem, revezamentos disputadíssimos, meus companheiros de Ponta Grossa medalhando pela primeira vez no Brasileiro, passeio turístico e mergulhos no mar ao lado do clube onde almoçavamos todos os dias. Lembranças não muito boas mesmo do Acarajé e do rompimento do ligamento cruzado anterior do Takemura no primeiro dia, voltando de cadeira de rodas para casa e deixando a disputa pela vaga no revezamento 4 x 100 medley que levou prata ( por muito pouco). Tenho fotos desta. Grande abraço e foi um prazer em revê-lo aqui em PG.

    • Fernando Cunha Magalhães
      31 de julho de 2016

      Alô Samuca,
      Muito legal você ter ido nos visitar no Master!
      Sobre o local do almoço, o que mais me lembro, é que a comida era bem boa, mas demorava demais, e o Becker ficava louco da vida.
      Para mim, ficar no quarto com o Nego e o Sandro foi divertidíssimo, e essa do Takemura, foi mesmo uma judiação. Não lembrava qual era a lesão.
      Manda as fotos que coloco no post.
      Abraços!

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Publicado às 28 de julho de 2016 por em Natação e marcado , , , .
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