Epichurus

Natação e cia…

Previsões olímpicas! Ou: será que teremos um time?

Atenção para a previsão realista de medalhas na natação brasileira: UMA, para Bruno Fratus.

Antes de continuar, gostaria de relembrar que aqui no Epichurus a gente não faz da contagem de medalhas um critério exclusivo de excelência olímpica (veja um exemplo aqui). Pegar uma medalha, pegar final, bater um recorde sulamericano ou até melhorar o próprio tempo (*) são critérios que, em ordem decrescente, indicam ótimo papel olímpico.

(*) Sobre melhorar o tempo, parece pouca coisa para uma olimpíada, mas não é. Melhorar o tempo nas olimpíadas, sobretudo na final olímpica, como fez o Steve Lundquist, é coisa para poucos e bons. Sim, claro, você treina especificamente para aquele momento, mas na hora a pressão é muito grande e acaba atrapalhando um pouco, então o cidadão tende a piorar um pouquinho. Aqueles que melhoram aquele meio segundo (a cada 100m) na final são os que em geral surpreendem e acabam levando o metal para casa.

50L de Bruno Fratus

Como dizíamos, na seleção brasileira temos apenas UM favorito à medalha, o Bruno Fratus nos 50L. Se ele meter o tempo de abertura do revezamento do Open, 21:37, é quase certo que leva metal para casa. Mas sabemos também que meter 21:37 em uma final olímpica com Manadou, Erwin, Adrian, McEvoy e cia é MUITO MAIS DIFÍCIL do que meter esse tempo na abertura de um revezamento. Espero que ele consiga!

Foto de Satiro Sodré

Esperamos ver Bruno Fratus assim de novo, Foto de Satiro Sodré

 

Todos os outros brasileiros tem que melhorar aquele meio segundinho (a cada 100m) do melhor tempo para tentar beliscar o metal. Vejam abaixo as nossas melhores chances na minha modesta opinião.

 

100 Peito

Aqui a Sports Illustrated previu o João Gomes Jr como medalha de bronze, mas eu não vou tão longe. João Gomes e Felipe França (*) precisam do tal meio segundinho, pois o ouro tende a ficar com o Adam Peaty, que está na casa dos 57, e o Kevin Cordes e o Van Der Burgh já estão rodando para 58.

(*) o França parece estar voando, li outro dia que ele fez 59:90 em uma tomada de tempo, mas não achei mais o link…

100 Livre

Aqui é o caso clássico do meio segundinho. Se Marcelo Chieriguini consegui-lo, tem muitas chances de metal. O Coach acha que ele consegue (aqui).

Meio segundinho, Marcelo! Foto de... Satiro Sodré, claro.

Meio segundinho, Marcelo! Foto de… Satiro Sodré, claro.

100 Costas

Guilherme Guido tem a excepcional oportunidade de nadar para abaixo de 53”, o que seria recorde sulamericano, no entanto para a medalha ainda faltaria um pouquinho. Mas uma final nessa prova seria tão sensacional quanto inédita, já que nem o Rômulo conseguiu.

Guilherme Guido, foto de Satiro Sodré

Guilherme Guido, foto de Satiro Sodré

200 Medley

Thiago Pereira foi PRATA no último mundial (2015), e se voltar a nadar para 1:55 tem chances de bronze, dependendo de como estiver o Lochte. E se ele melhorar um segundinho e nadar para 1:54 (meio segundo a cada 100m), aí a medalha é certa, com chance até de ouro.

400 Medley

Brandonn Pierry talvez seja a minha maior aposta, depois do Fratus. Ele é jovem (19), e portanto com MUITO potencial de melhora ainda. Ele precisaria melhorar mais do que meio segundo a cada 100, mas um salto desse porte ainda é possível para os jovens como ele.

Thiago Pereira e Brandonn Pierry, foto de Danilo Verpa

Thiago Pereira e Brandonn Pierry, foto de Danilo Verpa

 

4×100 Livre e 4×100 4 estilos

SE o quarteto obtiver uma performance similar à do 4×200 de Moscow ou do 4×100 Livre de Sydney, podemos sim obter metal nesses revezamentos. Tipo cada um melhorando meio segundo, com a torcida, empolgação e muita raça. O normal seria não obtermos esses metais, mas esses dois bronzes de 1980 e 2000 também eram improváveis…

Acredito também em finais para Léo de Deus (200B), João de Lucca (200L) e Henrique Rodrigues (200M). Seria sensacional!

Léo de Deus, foto de Satiro Sodré

Léo de Deus, foto de Satiro Sodré

 

Natação feminina

Nenhuma chance de medalha, nem com a hipótese de melhora de meio segundo a cada 100m, mas qualquer final, repito, QUALQUER FINAL terá muito valor. Acredito em finais para Etienne (50L e 100C), Joanna (400M) e para o 4×200.

Etienne Medeiros, foto de Satiro Sodré

Etienne Medeiros, foto de Satiro Sodré

 

Por fim, eu tenho pensado aqui com os meus botões que a seleção brasileira nada em casa e pode surpreender se formar um TIME, com um incentivando o outro e formando uma onda positiva e não, isso não é impossível, quem é ou já foi nadador sabe. Aí nesse caso podemos conseguir finais e até pódiums inesperados, com o tal meio segundinho de melhora. Senão, ou seja, se ficar um para cada lado pensando apenas em si, é provável que dê um desânimo geral e aí não tem melhora e portanto dificilmente teremos alguma surpresa positiva.

De forma que entendo que se a seleção conseguir formar um TIME, com a arquibancada inteira a favor e a corrente para a frente, aí de meio em meio segundinho podemos surpreender. Por exemplo, em Dubai 2014 tivemos um TIME, já em Londres 2012 não.

E então, querido leitor, será que no Rio 2016 teremos um TIME?

Sobre rcordani

Palmeirense, geofísico e nadador master peba.

29 comentários em “Previsões olímpicas! Ou: será que teremos um time?

  1. Alvaro Pires Vreco
    1 de agosto de 2016

    Eu assino aonde ? Concordo integralmente c todos os pontos. Abs

  2. Rodrigo M. Munhoz
    1 de agosto de 2016

    Leitura obrigatória para ganhar do Polvo Paul no bolão deste ano! Valeu, R!
    Apenas acho que a Etienne pode beliscar um pódium nos 100C, diferente de você.
    Adicionalmente, acredito num metal (chance de ouro inclusive) da Ana Marcela Cunha nas águas abertas e acho que você também vê boa chance de metal nela, dado seus comentários recentes sobre prováveis condição do mar, estilo, histórico; etc.
    De qualquer forma, nas piscinas eu to torcendo por muitas finais. Ter brasileiros nadando entre os 8 melhores a noite, seria sensacional, inclusive porque estarei assistindo as finais dos dias 6, 7 e 8 pelo menos.
    Natação apenas parece um esporte individual… na verdade o efeito “coletivo” do time é importantíssimo. Bom sinal foi que vi uma matéria da galera jogando War e Imagem e Ação na concentração entre os treinos. Gostei da recomendação de pegar leve nos celulares ensimesmados.
    Vai Brasil!
    Abraços!

    • rcordani
      1 de agosto de 2016

      Claro que adorarei um pódium da Etienne nos 100C mas… ela vai precisar melhorar bem mais de meio segundinho!

      Águas abertas eu volto na quarta feira.

  3. Cassiano Leal
    1 de agosto de 2016

    Renato, concordo muito com seus comentários. Sabemos que final olímpica é bem diferente, que para conseguir um metal o nadador precisa muito da parte mental.
    O que eu queria comentar é algo que ouvi e achei muito estranho. Hoje em dia a vila olímpica está cada vez mais cheia, mais atletas tem participado dos jogos e com isso a logística fica mais complicado, ao ponto de quando um atleta termina sua participação ele tem que deixar a vila, e com isso essa ideia de time cai por água abaixo literalmente. Estranho né. Fora que desde minha época, em 1996, não tinha lugar suficiente para todo o time na arquibancada destinada aos atletas. Tínhamos 18 componentes na equipe, por exemplo, entre atletas e comissão técnica, e apenas 12 lugares destinado à equipe do Brasil. No final deu tudo certo pois alguns ficavam na piscina de aquecimento, outros iriam nadar, etc.
    Não contaria com o fator time mas sim e MUITO MAIS com o fator CASA, com a torcida dando aquela energia, como no Pan de 2007.

    • rcordani
      1 de agosto de 2016

      O TIME poderia se formar já nos treinamentos conjuntos, tipo uma liga, mesmo que não dê para todos torcerem na arquibancada. E sim, claro o fator CASA será crucial. Estarei lá em dois dias para dar a minha contribuição.

  4. Pedro Alqueres
    1 de agosto de 2016

    Concordo que as medalhas para o Fratus e para o Thiago Pereira nos 200M estão maduras. Os dois são caras experientes, frios e que sabem explodir na hora que o negócio para valer. Exatamente o que vem faltando no resto da turma. Em um degrau abaixo, o acredito que o 4×100 livre também vai brigar. Com o afastamento dos nadadores russos, especialmente do Morozov, eliminamos um rival direto pela briga por um bronze. Vamos brigar pau a pau com um ou dois.

    Nas águas abertas, vamos brigar em qualquer situação na prova feminina por uma ou duas medalhas. O mar anda estranho em Copacabana na última semana, muito alto, muito vento … Continuando assim, o Alan do Carmo entra na briga pela medalha também no masculino. Acho que para ele, quanto pior o mar, melhor. Se ficar aquele mar muito liso vai favorecer outros caras mais rápidos em piscina. Estou ansioso para isso tudo.

    Abraços Cordani, vamos ver se nos encontramos por aqui.

    • rcordani
      1 de agosto de 2016

      Sim, o mar está mexido e com previsão de mexedeira nos dias 15 e 16. Você vai nas Águas Abertas e/ou na natação?

      • Pedro Alqueres
        2 de agosto de 2016

        Estou trabalhando de voluntário na Maratona Aquática. Fui designado como assistente do árbitro de alimentação. Vou ficar na balsa de largada, que também vai ser o ponto de alimentação a cada volta. Ela vai estar ancorada ali na altura da nossa bóia fixa!

        Natacao vou assistir as finais nos dias 6, 7 e 12 !

    • LAM
      2 de agosto de 2016

      o tal do Morozov entrou no tapetão e parece que vai comparecer

  5. Aécio
    1 de agosto de 2016

    Concordo com as previsão. Acho que chance real mesmo, na piscina, somente com Fratus.
    Sinto que temos uma Seleção velha, e ninguém surge no cenário mundial aos 23, 24 anos. Com essa idade já deveriam estar internacionalmente consagrados e medalhados.
    Os grandes surgem bem novinhos… Phelps, Sarah Sjostron, Ruta, Ledecky, todos surgiram perto dos 15 anos.
    Thiago ainda tem alguma chance, mas muito remota…..
    Mas, prá me contrariar, tem um que foi campeão aos 20, e agora, aos 37 ainda vai pegar final. Torço muito para o Antony Ervin perder só do Bruno Fratus.

    • rcordani
      1 de agosto de 2016

      Sim Aécio, cadê os nossos novos? O Matheus Santana fez 48 com 17 anos, agora tem 19 mas continua fazendo 48…

  6. Luis Mascarenhas
    1 de agosto de 2016

    Olá Cordani, como grande conhecedor da natação brasileira você fez uma análise bem criteriosa dos fatos e dos nadadores. Contudo acredito que o Cassiano acerta ao colocar fator CASA. Mas destaco que o primeiro dia de prova será essencial para que os “meios segundos” acontençam.

    • rcordani
      1 de agosto de 2016

      Olha Luis, nem tanto assim. Em Londres 2012 o primeiro dia foi espetacular (prata do Thiago), mas depois não engrenamos, né?

  7. Bianca Abud
    1 de agosto de 2016

    Oi Cordani, gostei do seu blog! Bjos Bianca

  8. Luiz Carvalho
    1 de agosto de 2016

    Ok, minhas observacoes: Acho que medalha, so Fratus e maratona (2 ou 3!). Nao vejo chance com Thiago (nao vejo como ganhar de Phelps, Hagino e Lochte) e nao vejo chance no 4x100L (US, Aus, Fra) apesar de apostar num excelente 4o lugar. Quanto a Etiene, acho que nao faz final nos 100C. A surpresa pode ser os 100P masculino. Aposto numa final com recorde e otimo desempenho no 4x200m feminino.
    Pegunta, minhas previsoes ja estao prontas….para onde mando?

    • rcordani
      1 de agosto de 2016

      Chicão, mande os palpites para desafiepolvopaul@gmail.com .

    • rcordani
      1 de agosto de 2016

      O Thiago não nadou muito bem ultimamente, mas o Lochte também não está lá essas coisas, né? Águas Abertas farei um post específico.

      • Luiz Carvalho
        2 de agosto de 2016

        Verdade, nao achei o Lochte muito bem….mas acho que o Thiago teria que nadar para 1.55 para ter chance real, tempo que nunca fez pos-trajes. Em Londres, quando estava muito bem, fez 1.56.7 (4o.). Acho bem dificil, mas vou torcer muito.
        Voce recebeu minhas previsoes?

      • rcordani
        2 de agosto de 2016

        Sobre as previsões, o polvo Paul está sendo ajudado pelo Charlão Dudorenko, então não é comigo… Eu mandei os meus e o polvo confirmou o recebimento.

  9. silvasidney1
    2 de agosto de 2016

    Acredito que so com um espírito de TIME, os resultados podem ser diferentes e surpreendentes. Mas estando em casa ,torcida, expectativas, cobranças, alguns poderão sentir positivamente o envolvimento e melhorar as marcas.Não ha mais o que realizar em termos físicos. Agora é profunda determinação e raça. Nada mais ha fazer.

  10. LAM
    2 de agosto de 2016

    acho que já houve um post aqui sobre o valor do TIME, é aquele que conta como o CC venceu o Finkel de 89 sem nenhum favoritismo prévio…

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