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Natação e cia.

Não Fomos Longe Demais?

Em Outubro de 2018, uma atleta recebeu uma notificação da ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem), dizendo que ela passou a compor o grupo alvo de testes para controle antidoping seguindo o Código Mundial Antidopagem.  À primeira vista parece um ótimo exemplo de controle.  A moça se destacou numa competição e agora fará parte do grupo alvo de testes.  A guerra contra o doping precisa ser feita de maneira diligente e incessante e depois de tantos casos na natação brasileira, parece que a ABCD está levando a sério esse combate.

A ABCD, para quem não sabe, substituiu a Ladetec, depois desse laboratório ter sido descredenciado pela WADA pouco antes dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

A notificação diz que a atleta terá que informar a sua localização e rotina de treinos no sistema, a fim de garantir que seu paradeiro seja conhecido para administrar os tão “temidos” testes surpresa.  Nada mais justo, afinal esses testes aleatórios são importantíssimos para garantir que o atleta mal-intencionado não inicie o ciclo de doping, conhecido no meio por “ciclagem”.

O “catch” da história é que a atleta em questão, que é casada com um ex-nadador amigo nosso, é atleta amadora, já passou dos 40 anos, é médica e o esporte é apenas um hobby.   Agora está preocupada porque gosta de competir no máster, mas sua rotina de treinos não é bem rotina.  Treina quando dá por causa da profissão.  Seu paradeiro também é difícil de informar o tempo todo porque os plantões podem acontecer a qualquer momento.  Em outras palavras, uma atividade física amadora com participação em provas na categoria máster, que tem como finalidade a qualidade de vida e o simples prazer do esporte, passou a ter um lado burocrático e complexo que pode, não apenas punir a atleta amadora pela falha na divulgação da sua localização e rotina de treinos, mas também impossibilitá-la de participar das competições que ela tanto gosta.

Inicialmente imaginei que a notificação foi feita por engano, mas conversando com gente do meio, parece que não houve erro não.  Qualquer destaque, mesmo em provas amadoras ou máster e até infantil, podem chamar a atenção da entidade antidoping e o atleta, independente da categoria, idade ou talento, precisa se adaptar as regras ou pode sofrer as sanções devidas.

Ora, não fomos longe demais não?  A logística para os exames antidoping deve ser bastante complexa e cara, dado o nível de controle necessário.  Realmente precisamos controlar o uso de substancias ilícitas em atletas amadores?  Em atletas máster?  Entendo que a ABCD é bancada pelo Governo Federal.  Em outras palavras, quem paga a conta sou eu e você! Não estamos jogando dinheiro fora que poderia ser melhor empregado no controle de atletas profissionais e categorias de base de federados onde existe forte boato que o doping corre solto?

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Atletas que claramente precisam ser monitorados mais de perto!

10 comentários em “Não Fomos Longe Demais?

  1. Rodrigo Bardi
    29 29America/Sao_Paulo outubro 29America/Sao_Paulo 2018

    Que bacana o artigo, e que o mesmo possa ser levado a toda a cadeia de nadadores, de idade dos nadadores, Infantil a Masters. Sou totalmente a favor para que estes programas cheguem e o façam acontecer em todas as categorias ,
    Uma quantidade de nadadores Masters, são ex nadadores, e ainda e por muito tempo, irão carregar o consigo o DNA Competitivo, Mas que o façam dentro das, regras aliando a saúde e bons hábitos e condutas do esporte também.

    • Lelo Menezes
      30 30America/Sao_Paulo outubro 30America/Sao_Paulo 2018

      O FairPlay é fundamental em todas as categorias! A pergunta é se realmente necessita de um programa antidoping sofisticados nas categorias amadoras!

  2. rcordani
    29 29America/Sao_Paulo outubro 29America/Sao_Paulo 2018

    Boa Lelo.

    O esporte “age group” cresceu muito desde a nossa época.

    Tem muito dinheiro envolvido (os atletas age group são ricos e pagam as inscrições, produtos, suplementos, viagens. etc) e esse mercado é o que mais cresce no esporte. Portanto, torna-se importante, e por isso aparece a celeuma do doping.

    Para quem foi atleta de elite parece impensável se dopar para ganhar uma medalhinha 45+, mas dentro do esporte age group o doping é uma realidade, infelizmente.

    • Lelo Menezes
      30 30America/Sao_Paulo outubro 30America/Sao_Paulo 2018

      Renato, entendo a ascensão do Age Group e tenho convicção que tem trapaceiro em todas as esferas! A pergunta que fica é se devemos gastar dinheiro público pra coibir o doping nessas categorias! Se o circuito é rico, que tal usar parte do dinheiro das inscrições para um programa antidoping “privado”, nas competições, mas mais light no controle do que o da ABCD ??

  3. Rogério Romero
    29 29America/Sao_Paulo outubro 29America/Sao_Paulo 2018

    Lelo,
    Concordo com o Cordani, mas também com você. Acredito que os ditos amadores devem ter algum tipo de controle, uma vez que são regidos pelas regras das mesmas federações internacionais. Lembrando que alguns viajam inclusive com recursos públicos via projetos incentivados (ao menos a Bolsa Atleta veda, desde o seu início, o Master).
    Talvez, pelo ponto econômico, se os exames não tivessem o rigor “olímpico” e fossem mais baratos e sem esta burocracia mencionada por você, a conta custo-benefício feche.
    Abraço a todos.

    • Lelo Menezes
      30 30America/Sao_Paulo outubro 30America/Sao_Paulo 2018

      Opa Piu! Particularmente não concordo com verba pública para bancar nenhuma viagem de categoria master e também não me parece relevante gastar dinheiro público pra controlar doping em gente 40+. Entendo que deve rolar o doping nessas categorias, o que é lamentável, mas o controle devia ser privado e bem mais light, por exemplo, sem a necessidade de um sistema que monitore o paradeiro do cidadão!

      Abraços

  4. Rodrigo M. Munhoz
    31 31America/Sao_Paulo outubro 31America/Sao_Paulo 2018

    Semaninha infernal e só estou conseguindo comentar agora…
    Boa discussão e estou com o Lelo nessa: prevenção e educação nas categorias de base e profissionais me parece ser um melhor investimento de recursos anti-doping. Ainda que o problema exista nos age groups e amadores hobbystas, um ambiente de recursos likitados ( e muito aparentemente) requer foco. Um chute: Acho que um simples programa de amostragem (mais barato e simoles) já ceifaria uma boa parte dos dopados e liberaria recursos para um programa anti-doping forte na base. Mas é só palpite… testar e lutar contra o doping continua sendo importante.
    Abraços!

    • Lelo Menezes
      7 07America/Sao_Paulo novembro 07America/Sao_Paulo 2018

      Boa ideia essa da amostragem Munhoz! Coibiria o uso com uma fração do custo! Abraços

  5. Sérgio Rossa
    4 04America/Sao_Paulo novembro 04America/Sao_Paulo 2018

    Vou radicalizar na minha opinião (embora eu nunca tenha sido atleta e dizem que pinto de fora não pia) : Absurdo 1: um master usar um recurso deste para competir!!!! (não entendeu nada o espírito da coisa!!), Absurdo 2: A ABCD pensar em monitorar competidores amadores!!!!!(deveria focar aonde o controle é realmente necessário). ” A amarelinha e a pelada não precisam de juiz”. Exageros à parte, mas respondendo o título: ” É ir longe demais”!!
    Parabéns pelo texto e pela reflexão.

    • Lelo Menezes
      7 07America/Sao_Paulo novembro 07America/Sao_Paulo 2018

      Obrigado Sérgio e concordo contigo. Um atleta master se dopar beira o ridículo, embora aparentemente parece que acontece, mas utilizar dinheiro público para controlar atleta amador me parece uso indevido da nossa grana!

      abs

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Publicado em 29 29America/Sao_Paulo outubro 29America/Sao_Paulo 2018 por em Natação.
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