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Quando foi que “choro” virou notícia?

A CAPA do UOL de hoje às 09:28 indicava o choro de duas atletas brasileiras, uma delas com a foto das próprias lágrimas. Uma chorava pela derrota (Rafaela) e outra chorava pela vitória (Joanna). O técnico também chorava. Praticamente um enterro!

Chororô

Não tem nada de mais chorar, sobretudo depois da participação. Ao contrário, mostra comprometimento. Rafaela chorou por que queria muito ter ido melhor do que foi. Chorar antes da semifinal, como no caso da Joanna, a meu ver já não é tão indicado, pois mostra um pouquinho de descontrole antes da hora mais importante, mas vamos dar o desconto para a Joanna pelo que ela passou desde sábado quando caiu e não pôde disputar sua principal prova, os 400 medley.

Mas o assunto aqui é outro. Quando foi que inventaram que choro é notícia? Tipo, meu filho fraturou a tíbia e chorou. A notícia é a tíbia quebrada ou o choro? No caso de Rafaela e Joanna, a notícia relevante certamente não era o choro, e sim os respectivos resultados. Na TV não é diferente, o que mais se vê é repórter tentando forçar a barra e extrair choro dos atletas, se preciso colocam até o pai desaparecido no ar ao vivo para conseguir mais lágrimas!

Não sou analista de mídia, mas pela quantidade de lágrimas e usando um pouco de lógica elementar, é óbvio que “choro” deve dar audiência. Segundo o Munhoz, essa moda desprezível começou com o Galvão Bueno, considerado um “gênio (do mau) de passar emoção”. Pelo jeito essa estratégia deu certo e está se espalhando por toda a imprensa. Será assim nos outros países? Há algum canal onde essa papagaiada não ocorre?

Se o Cielo ganhar os 50 Livre (Ave Cesar), já posso ver a manchete: Cielo é bi e chora… Bom, esse choro eu quero ver!

OBS: Joanna avançou para as Semis do 200 Medley. Sem choro e sem dar muita explicação, duas boas chances de final, Léo de Deus e Kaio Marcio ficaram nas eliminatórias dos 200 Borba. Se fizessem o índice que detinham estariam nas semifinais. Uma pena.

Sobre rcordani

Palmeirense, geofísico e nadador master peba.

19 comentários em “Quando foi que “choro” virou notícia?

  1. rmmunhoz
    30 de julho de 2012

    Boa. Não me importo de ver o cara se debulhar de chorar quando ganha, mas a “história” do ponto de vista jornalístico não deveria ser o choro e sim o que há por trás das lágrimas. As vezes tem uma história de superação bacana, às vezes um trauma, etc. Obs: Nos caso da Rafaela, acho que ela chorou mais por ter feito algo errado… Perdeu, já era. Chato. Segue o jogo. Mas a imprensa falha e fica no superficial. Eu queria entender mais detalhes do porque daquela desabada em pleno tatame. No Judo – um esporte muito legal, nobre e honrado – normalmente não é assim…

    • rcordani
      30 de julho de 2012

      Sei lá se a imprensa falha, Munhoz. Os caras estão na deles, adquirindo maior audiência. De repente quem falha é a gente, que quer ver a notícia mais fria e exata…

  2. Ruy
    30 de julho de 2012

    Acho que a exploração do choro nao foi invenção do Galvão, mas isso é indiferente. O que me incomoda é vincular um pouco a imagem do choro com os atletas brasileiros, onde mostrariam que são mais emotivos em relação à frieza de atletas de outros países. Essa suposta frieza pode fazer a diferença (a favor) numa disputa. Finda a prova, acho que o choro é um desabafo, tanto na alegria quanto na tristeza, e está valendo. Mas o fato de chorar não quer dizer também que se esforçou mais de quem não chorou.
    PS: Me incomodou a atitude da Rafaela em não se levantar e cumprimentar a adversária. Por pior que tenha sido aquele momento para ela, deveria seguir o ritual do judô em respeito a adversária.

    • rcordani
      30 de julho de 2012

      Podicrê, Ruy, a imagem que fica com essa exposição de lágrimas é claramente essa: os brasileiros choram mais e são mais emotivos.

      • Lelo Menezes
        30 de julho de 2012

        A Rafaela depois xingou meio mundo no Tweeter mostrando que ta longe da “honra” que prega o judo!

  3. YesMSG
    30 de julho de 2012

    Vi uma jornalista chorando quando Sarah ganhou. Nao sei se isto e aceitavel. Pelos atletas — to ok. Munhoz chora quando completa 200m de peito no clube dele!

    • rcordani
      30 de julho de 2012

      YesMSG, acho que é aceitável sim, afinal é humano e involuntário. Só não é (ou não deveria ser) notícia!

      • rmmunhoz
        30 de julho de 2012

        He he… YesMSG é um conhecido blogueiro internacional que gosta de “carregar nas cores” enquanto observa e comenta as idissincrasias locais 🙂 . Mas ironia off, acho que ele não considera aceitável ter um jornalista chorando, pois indica uma óbvia perda de objetividade no ato da reportagem. Concordo com isso e repito: A imprensa falha.

  4. Alvaro Pires
    30 de julho de 2012

    Eh possivel q choremos mais tb. Na maioria dos casos no Brasil ser atleta olimpico eh quase um milagre. Chegar a medalha em determinados casos eh uma superacao enorme, bem maior do q em muitos paises. Um caminhao de dinheiro eh colocado em determinados alvos previamente estabelecidos e consagrados mas como fazer p chegar a esse ponto ? Agora o choro de crianca da Lituana do peito foi muita bacana (dela e da mae tb). Jah o dos nossos ufanistas midiaticos nao cabe ! O Munhoz chorou agora em Ribeirao ou chorava qdo era garoto ? Pq se for agora eh tao justo qto do Kitadai !!!!!!! hahaha

    • rmmunhoz
      30 de julho de 2012

      Em Riberião eu chorei apenas ao saber dos 100 peito do Renato… 🙂

      • Lelo Menezes
        30 de julho de 2012

        Foi uma cena muito triste mesmo Munhoz! Me escorreram lagrimas também!

      • rcordani
        31 de julho de 2012

        Seus chorões. Eu não sou olímpico, sou peba!

  5. Anônimo
    30 de julho de 2012

    Uma das minhas filhas ainda acha que o choro traz uma solução mágica pra seus problemas, mas ela tem seis.

  6. Fernando Magalhães
    30 de julho de 2012

    Eu sou chorão. Chorei ao assistir a conquista de Sarah, de Cielo em Pequim e me emociono em muitas outras situações, mas concordo plenamente com os argumentos do texto.

    • rcordani
      31 de julho de 2012

      Haha, vai sair na Gazeta de Curitiba: “Cielo é bi e Esmaga chora”!

  7. pacheco
    31 de julho de 2012

    Quem pode chorar sao os atletas da Coreia do Norte.
    O cara chora ja pensando no proprio funeral quando ele voltar derrotado.
    O resto e’ firula.

    • rcordani
      31 de julho de 2012

      Eu acho que eles mentem para o ditador dizendo que ganharam o ouro, falam que o cara da Coréia do Sul perdeu e fica tudo certo.

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Publicado às 30 de julho de 2012 por em Natação, Olimpíadas e marcado , .
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