Epichurus

Natação e cia…

“Banzo” Pós Olímpico

bassetdepret

O que? Acabaram os Jogos mesmo?

Não sei sobre vocês, mas eu já estou ficando meio chateado… Apesar de propositalmente ter diminuído o ritmo de assistir jogos olímpicos nos últimos dias (além de muitas reuniões fora, estava e muito cansado para acordar cedo), já sinto certa depressão chegando com o anuncio do inicio da cerimônia de encerramento em poucas horas… Acho que as emoções finais, principalmente a frustração com a virada da Rússia seguida da prata no vôlei masculino e a alegria do bronze inesperado (por mim pelo menos) no pentatlo moderno feminino ajudaram num dia olímpico interessante para a audiência brasileira.
Pra mim, estes foram um dos melhores jogos em memória. Não só porque a festa foi bonita, mas principalmente porque pude acompanhar várias das provas olímpicas pela primeira vez acompanhado dos meus filhos… Posso pré-anunciar que minhas crianças de três anos já sabem o que são “Jogos Olímpicos”. Tudo bem que eles não têm paciência para ficar assistindo muito tempo, mas aquela prova de 400 Medley do Thiago no 2o dia – na qual minhas crianças torceram comigo – vai ficar marcada pra sempre na minha memória. Acho que hoje, sendo dia dos pais no Brasil e tudo mais, deixa um impacto ainda maior nessa minha percepção… Além disso, ter um “insider” amigo PEBA na Vila Olímpica foi sensacional e ajudou a acelerar o Epichurus de uma maneira que eu não imaginva!

Meu balanço? Londres fez um trabalho fenomenal de preparação: Entregou eventos bonitos, construiu marcos para o mundo dos esportes e permitiu um espetáculo do esporte com uma cobertura sem precedentes.  E fez isso seguindo o orçamento estabelecido – um exemplo a ser seguido nesses tempos bicudos. Ouvi dizer que alguns eventos estavam meio vazios e que a população local (e alguns atletas) sofreu um pouco com o trânsito e problemas de circulação perto das arenas, mas obviamente não acho que isso prejudicou muito os Jogos.

Com relação a equipe do Brasil, a performance geral foi um pouco melhor do que eu esperava. Apesar do numero “reduzido” (para as expectativas do COB e do governo aparentemente, não minhas) de três ouros, chegamos pela 1a vez em 17 medalhas (uma acima da minha previsão), ultrapassando as 15 de Atenas.  Isso dá orgulho, apesar de eu ainda achar que medalha não é um bom indicativo de evolução no esporte. Esse lance de medalhas de ouro é apenas um critério arbitrário para julgar o “creme de la creme” dos esportes.  No ranking do COI ficamos atrás de países com PIB per capita pior que o nosso (Cuba, Jamaica, Coréia do Norte…) mas, imho, isso não diz muito.  Preocupante é o fato de termos participado de menos finais olímpicas do que em Pequim. Mas no fim talvez tenhamos  “caímos para cima” – termo usado pelo Rogerio Romero sobre a natação japonesa num texto recente.  Certos “novos esportes” medalhados podem até ajudar a montar um caminho interessante para chegar nas 30 medalhas no Rio 2016. Mas não podemos nos enganar e nem relaxar:  Queremos o longo prazo para além do Rio… Então, creio que vamos ter que cobrar ainda mais atenção para os investimentos nas bases  se quisermos continuar vendo essas surpresas acontecendo no boxe, judô, ginástica e outros… Recomendo também que não se dê atenção excessiva as nossas novas estrelas, pois já vimos que a cobrança (que vem depois e principalmente na véspera) pode “sufocar” mesmo o mais centrado dos atletas.   Tudo bem que tivemos alguns esportes que, a despeito do investimento, incentivo, atenção adequada, etc. não trouxeram o resultado que esperávamos. Isso é esporte. Se alguém estiver melhor no dia, você perde. Ponto final.  Mas em compensação, tivemos  surpresas que não foram poucas: Ouro nas argolas… Três medalhas no boxe e esse bronze no apagar das luzes olímpicas de Londres, Pentatlo Moderno… Muito legal!  Ou, parafraseando a manchete sensacional (e sensacionalista)  do Jornal Meia Hora – Rio sobre as nossas campeãs olímpicas do volei … os Jogos Olimpicos são do garay!

Pra terminar, segue uma lista (totalmente pessoal) de meus 5 pontos altos e baixos desses jogos:

High Lights

  1. Antes da Olímpiada: Um amigo ser anunciado como um dos técnicos da natação brasileira. Baita orgulho do Amendoim Olímpico!
  2. Thiago Pereira começando a natação com uma sensacional prata nos 400 medley!
  3. Michael Phelps, o maior atleta olímpico que já existiu, terminado os jogos com com 22 medalhas olímpicas na carreira, sendo 18 de ouro. Fim da zica do Tri-Olímpico em 2 provas individuais. É sobre humano, como já disse o Renato.
  4. Vôlei feminino Brasileiro – duplamente – uma na virada estupenda sobre a Rússia na semifinal e depois pegando o ouro de maneira convincente sobre os EUA
  5. Yane Marques, brasileira do pentatlo moderno – nunca tinha assistido ao evento e fiquei amarradão nesse bronze no fechamento. Espero que vire tradição.

Low Lights

  1. Entrevista deprimente do Italiano ex-campeão Olímpico da marcha, após ser pego no antidoping. Aliás, todas histórias de doping (pelo menos 11 atletas banidos em Londres) são deprimentes e eu devia parar por aqui, pois todos outros pontos abaixo são apenas histórias esportivas que não tiveram final feliz para mim… mas continuemos…
  2. Brasileiros que tinham tempo para pegar final na natação, mas não chegaram perto dos melhores tempos.  Uma pena.
  3. Ah… a virada dos Russos do volei sobre o Brasil na final… Os caras ficaram tão perto do 3×0… Esse na verdade foi muito perto de um high light, mas deixo aqui, porque sei que foi uma prata “amarga”…
  4. Uma prata com sensação de derrota foi a do Futebol masculino, que perdeu para um Mexico inspirado que marcou o primeiro gol aos 30 segundos. O que dizer senão parabéns ao Mexico?
  5. Uma que é polêmica: Usain Bolt desacelerando e colocando o dedo nos lábios para desdenhar (?) de seus concorrentes. O cara pode ser um gênio da velocidade, mas acho esse tipo de atitude desrespeitosa e antidesportiva.

É isso aí… Que venha Rio 2016!

Sobre Rodrigo M. Munhoz

Abrace o Caos... http://abraceocaosdesp.wordpress.com

13 comentários em ““Banzo” Pós Olímpico

  1. rcordani
    12 de agosto de 2012

    De facto, o Epichurus deixou essa olimpíadas muito mais legais. Consequentemente, o banzo é maior.

    Não assisti os jogos hoje e não sei se chegaram a falar isso na TV ou em algum lugar, mas a Yane começou na natação e em criança era colega de treinos da Joanna Maranhão. E os 2:12 dela em longa foram bem respeitáveis para uma pentatleta, hein?

    • rmmunhoz
      12 de agosto de 2012

      A única coisa que eu sabia da Yane era que ela foi a última atleta brasileira a chegar em Londres… A marca dos 200Liv dela garantiu um 6o lugar – a melhor colocação obtida, juntamente com outro 6o na esgrima… o interessante foi notar que a consistencia dela (6o, 6o, 9o e 12o) desde a natação já a colocou na briga por medalha….
      Em outro assunto, acabo de ver na ESPN um estranho chilique do Nuzmann antes da coletiva de encerramento…praticamente um LL cartolistico…

      • Anônimo
        13 de agosto de 2012

        dá tempo de trocar uns cartolas em quatro anos?

    • Marina Cordani
      13 de agosto de 2012

      Renato. você está parecendo os Britânicos, que há uns 20 anos atrás ao darem a notícia de que o túnel havia ligado a Inglaterra e a França diziam: “Europe joined us!”
      As Oímpíadas ficaram mais legais por causa do Epichurus ou vice-versa?

      • rcordani
        13 de agosto de 2012

        Hehe, acho que até a Rainha acompanhou os Jogos Olímpicos com a gente!

  2. Alvaro Pires
    13 de agosto de 2012

    Faltou nas baixas a entrevista da Dilma !!! E tb as entrevistas do (vaidossimo) Marcus Vinicius culminando c essa do Nuzmann no final. Engracado ver o MV dizendo q nao nos interessa saber o qto foi pago ao consultor americano. E mais, q ninguem entende mais de esporte no pais q ele ???? E as conclusoes do consultor q caimos nos numeros de finais e q o problema sao as seguidas reeleicoes nas entidades.Depois dessa soh o COB mandando o cara embora !
    Como ponto alto esse blog c certeza !!! E o interesse de muitas pessoas em discutir seriamente o esporte no Brasil.
    E na TV o segredos do esporte e o busao do Bonfa !
    Bacana !!! abs

    • rmmunhoz
      13 de agosto de 2012

      Valeu a participação, Alvaro! Eu estava me perguntando quem estava assistindo a entrevista do MV ontem a noite (só vi depois de ter postado): Realmente uma aula de auto-crítica, sensibilidade e visão estratégica (NOT!)… Vamos ver se algo (que não seja o “consultor gringo” na rua) vai mudar. Até agora, nenhum sinal.

  3. rmmunhoz
    13 de agosto de 2012

    Anônimo,
    Dá tempo de trocar uns cartolas ainda nesta semana! Mas precisa haver vontade para tanto…
    Agora, se a pergunta for – se eu acho que vão trocar uns cartolas das confederações até 2016… Bom, acho que em geral eles vão dificultar muito suas saídas imediatas, pois até 2016 é que eles vão ter a “chance de ouro” que esperavam… Ao mesmo tempo acho (espero) que alguns vão ter que sair – querendo ou não – pois já estão há tempo demais e/ou não entregaram os resultados que a Presidente Dilma cobrou e/ou estão começando a enfrentar mais resistência das federações e atletas. Se isso não acontecer, tem algo mais errado ainda (além da forma e timing) com a cobrança feita. A hora e a chance de renovação é agora. Em compensação, tenho a impressão que depois de 2016 vai ter um monte de cartola querendo se aposentar… Abraços!

  4. Lelo Menezes
    13 de agosto de 2012

    Boa Munhoz! Acabei de chegar em casa e tive que por a TV num rerun de Seinfeld! Assistir as Olimpíadas é sensacional e quando acaba da uma sensação de vazio mesmo! Eu achei espetacular o ouro da Sarah Menezes. Acompanhei todas as lutas ao vivo e fiquei impressionado com a determinação dela. O que falar da prata do Thiago! Estava deitado na cama assistindo e quando reparei tava pulando do lado da cama! O bronze da Yane também acompanhei e achei sensacional! Como ponto negativo a péssima preparação de alguns de nossos atletas lidando com a mídia chamou atenção. Na derrota algumas desculpas esfarrapadas e alguns palavrões, na vitoria um show de má educação da nossa libero Fabi mandando um CALA BOCA que aparentou ser pra todo povo brasileiro. Fizeram a mesma coisa em Pequim! Não sei o que é pior. Não saber perder ou não saber ganhar!

  5. rmmunhoz
    13 de agosto de 2012

    Pois é Lelo… “Cala a boca” foi feio ou no mínimo esquisito… mas notei que o clima das meninas era de desabafo ainda hoje… Pelo que disseram, receberam muitos xingamentos e provocações quando perderam as 2 partidas na 1a fase. Não justifica a falta de modos, mas de um certo angulo (torto) parece que isso até as incentivou… tiveram que provar que tinham maturidade para se reinventar durante o torneio, mas nem tanta maturidade para responder as criticas com elegância. Fazer o que?

  6. Fernando Magalhães
    14 de agosto de 2012

    A depressão pós-olimpíada passou por aqui também.
    Não vi a entrevista do MV.
    Ponto altíssimo para a cobertura da TV fechada: muito legal poder assistir o que quiser e co ótimo nível de comentaristas.
    Essa curtição e torcida com os filhos (no meu caso, filhas) também é muito legal.
    Tive uma passagem muito bacana: não pude assistir a final do vôlei feminino, estava dando um treinamento. Quando terminou fui a um ponto de táxi. Estava começando o hino da cerimônia de medalhas. Cantei e me emocionei junto com 3 taxistas numa calçada qualquer do bairro do Morumbi.
    Show o texto Munhoz… abração.

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Publicado em 12 de agosto de 2012 por em Olimpíadas.
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