Epichurus

Natação e cia…

Peba em longa, eu? (e o RB do Lelo)

Clube Internacional de Regatas, Santos, julho de 1995, Troféu José Finkel. Com a palavra, Mario Xavier:

Podemos pré-anunciar que Marcelo de Vasconcelos Noronha e Menezes do Corinthians, supermercado Extra, acaba de superar o recorde de campeonato! E atenção, podemos informar também que Marcelo Noronha e Menezes acaba de superar o recorde brasileiro da prova! Vamos aplaudi-lo! O recorde anterior 2:16.51 a nova marca 2:16.41. …

E assim o saudoso locutor coroava e encerrava na prática a turbulenta mas extremamente vitoriosa carreira de Marcelo Menezes (Lelo). Mas vamos ao começo, e como tudo terminou aí.

Confesso que relutei muito em escrever sobre os detalhes da carreira do Lelo aqui no Epichurus pois, ao fazê-lo, teria que acabar divulgando que o cidadão era PEBA em piscina longa, e poderia ser acusado de inveja ou despeito. Porém o leitor atento do Epichurus já está cansado de saber que (1) PEBA por aqui não é pejorativo, afinal fora o Phelps e o Spitz, todo o resto é PEBA mesmo, (2) se estou revelando que o Lelo era PEBA em longa, imagina a minha pessoa, que perdia dele em curta e longa e (3) a verdade dói mas tem que ser dita. Não sei como o referido reagirá a essa revelação bombástica, mas depois que até o grande Cícero Torteli admitiu certa pebisse, eu considerei que já era hora de acabar com o tabu e contar direitinho essa história.

O começo da carreira do chegado já foi citado en passant em alguns posts como esse ou esse, e seu primeiro título de Julio de Lamare já foi contado em detalhes aqui. Então, conforme relatado, em janeiro de 1989 o indivíduo obtinha seu primeiro (e único) Julio de Lamare nos 200 Peito. Mas tinha um senão.. era age group, uma etapa importante, mas ainda muito longe do ouro olímpico almejado. Era necessário galgar para o absoluto o mais rapidamente possível, o que ocorreu apenas um ano depois no ora famoso TB da Tragédia do Ibirapuera, no qual ele obteve o bronze nos 200 Peito e uma convocação para o sulamericano adulto. Veja que nesse TB o jovem Lelo de apenas 18 anos fez 2:25.54, tempo na época considerado muito bom para a sua idade.

O título de Julio de Lamare em 1989

Depois desse bronze, Lelo partiu para concretizar o seu sonho olímpico treinando e estudando nos EUA. Os primeiros frutos da temporada americana vieram apenas em junho de 1991, quando ele obteve a prata do Finkel (que foi em longa), mas apesar do metal e do ano treinando no exterior, ele não melhorou o tempo de 1990.

Por causa da falta de melhora, Lelo (que fazia 1:07) e seu treinador Maglischo fizeram as contas e concluiram que nos 200 Peito seria muito difícil conseguir a vaga olímpica, mas que nos 100 Peito talvez fosse mais fácil, “bastando” melhorar cerca de 3s e fazer 1:04, tempo que eles imaginavam ser suficiente para integrar o revezamento 4×100 4 estilos. Observando grandes performances do Lelo em jardas, Maglisho considerou 1:04 um objetivo mais do que possível, quase uma barbada.

Daí que Lelo priorizou os 100m peito para a seletiva olímpica de 1992 no Fluminense, mas (como sabemos) não obteve a vaga, fazendo um tempo que na época ele considerou horroroso (1:06). Depois vimos que em longa ele nunca passou muito disso mesmo, seu melhor é 1:05.69 feito nos EUA em 1993, então olhando hoje aquele tempo nem foi tão horroroso assim. A derrota pré-olímpica no entanto causou-lhe um trauma tão grande que mudou sua forma de enxergar a natação, e se isso por um lado lhe tirou parte do entusiasmo e motivação, por outro lhe tirou um enorme peso das costas, que lhe permitiu nadar mais relaxado e obter melhores resultados.

Peba em longa?

Nadando o NCAA por universidades americanas, Lelo tipicamente cumpria a temporada daquele país e objetivava o NCAA que era em meados de março. Por isso, ou ele não aparecia ou vinha mal (até sem raspar) para os TBs em longa que eram no final ou no início do ano. Essa é a razão alegada para os maus tempos em longa, ao contrário dos Finkels, em que ele fazia uma extensão da temporada com o Willian e chegava polido, raspado e com maiô de papel para nadar bem.

Seja por essa razão ou outra qualquer, o fato é que o melhor do Lelo nos 200 peito foi dado nos EUA (2:23.69), e no Brasil ele nunca baixou o tal tempo feito com 18 anos no TB do Ibirapuera, 2:25.54. Nos 100 Peito também ele fez dezenas de vezes 1:06, mas só meteu aqueles 1:05.69 uma vez. Até seu técnico americano Maglischo se decepcionava com os tempos em longa do Lelo, pois os caras de quem ele ganhava em jardas faziam tipo 1:03 e 2:19 em longa, muito melhor do que o Lelo produzia.

Já em curta a história era diferente. No Finkel de 1993, por exemplo, já livre do peso de querer ser ouro olímpico, Lelo fez sua primeira competição de gala, metendo 1:02 nos 100m e 2:17 nos 200 peito. Pegou pela frente porém um adversário na ponta dos cascos, Oscar Godoi, que venceu as duas provas, deixando Lelo com as duas pratas. A contusão de Oscar Godoi em um acidente que o tirou da piscina por vários meses deixou o caminho livre para o Lelo participar do Mundial de Palma de Mallorca, ganhar os 200 peito no TB de janeiro de 1994 (2:25.70) e também amealhar aquela medalha que viria a ser a sua grande sorte e título mais importante: o sulamericano absoluto em Maldonado 1994.

Explico: aquele sulamericano foi a primeira vez que teve 50 peito, mas a seleção brasileira não fez seletiva para essa prova, e escalou os dois caras de 100 peito, Lelo e Gustavo Lima, para nadarem os 50. Lelo pressentiu a oportunidade única (ninguém ali era especialista em 50) e não a desperdiçou: ganhou o ouro na marra com um tempo que não vou mencionar aqui, que aquilo não é tempo para ganhar sulamericano nem há 20 anos atrás. De qualquer forma, o ouro tá na parede do Lelo e ninguém tasca!

sula Maldonado

O ouro de Sulamericano absoluto.

A redenção, o alívio e o recorde brasileiro.

Em resumo: o Lelo ou nadava muito bem como no Finkel de 1993, mas levava a prata atrás do Oscar Godoi, ou ganhava o TB (200) e um sulamericano (50) sem a presença do Oscar e com tempo médio, que não o elegiam (ainda) para o panteão da natação brasileira. Será que o talento que o Maglisho percebia iria ficar apenas no potencial? Veja, não é que a carreira dele até aqui fosse ruim, tinha título de TB, tinha título sulamericano, várias seleções, mas faltava o grand finale.

E aí chegamos ao Finkel de 1995, a prova de 200m peito foi logo no primeiro dia. Tive a oportunidade de dar-lhe o meu “boa sorte, vai que essa é sua” na banqueta, eu que nadei aquela final B. Nadando pela raia 3, com Oscar Godoi (então recordista brasileiro) na 6 e Gustavo Lima na 8, Lelo fez a prova da sua vida, deu um show e venceu a prova com facilidade, de ponta a ponta, empolgando a sua mãe, a torcida do Corinthians (argh) e batendo de forma sensacional o recorde brasileiro! O Epichurus traz o filme dessa prova na íntegra (6:48) abaixo.

Ainda na piscina, ouvindo as mágicas palavras de Mario Xavier, o filme da sua carreira passou na sua cabeça com a velocidade de um flash: Lelo cumpria sua sina, fazia um tempo à altura do seu talento, derrotava finalmente seu maior adversário Oscar Godoi, completava a tríplice coroa e entrava para a história da natação brasileira. Tudo o que viesse depois seria irrelevante e, de fato, depois não veio mais nada mesmo!

Fica aqui eternizado o RB em sua homenagem e meus parabéns à invejável carreira: valeu Lelão.

Sobre rcordani

Palmeirense, geofísico e nadador master peba.

27 comentários em “Peba em longa, eu? (e o RB do Lelo)

  1. Vreco
    6 de outubro de 2014

    Parabens ao Lelo pela batalha de anos e as conquistas decorrentes dela. Depois de muito tempo o q fica sao as boas lembrancas e a certeza de ter feito o q podia. Belo post camarada, escrever sobre um amigo rival nem sempre eh facil. abs

    • rcordani
      7 de outubro de 2014

      Sim, camarada Vreco, batalha de anos, e o fato de ter a coragem de largar tudo e tentar fazer o máximo indo para os EUA. Tenho amigos (Esmaga por ex) que se arrependem de não ter ido. Eu quase fui em 1988, mas uma contusão no ombro acabou cancelando a oportunidade.

    • Lelo Menezes
      9 de outubro de 2014

      Valeu Vreco! Realmente o que fica são as boas lembranças e continuo vencendo o Renato, só que agora no Poker!

      abs

  2. ptorresbr
    6 de outubro de 2014

    Simplessmente S E N S A C I O N A L!!! Não tenho como descrever esta reportagem feita pelo grande Renato Cordani, falando do seu adversário mas principalmente amigo Lelo, que eu vi se desenvolver, amadurecer e ganhar muitas provas.

    E a filmagem, o que foi aquilo… a torcida de duas pessoas tão queridas. arrepiou

    • rcordani
      7 de outubro de 2014

      O baú do JGM é sensacional mesmo. Tem algumas pérolas como essa, que acabam justificando toda a escrita de um post só para incluí-lo no final. E se o Oscar Godoi aparecer por aqui e se manifestar, eu prometo postar os 100 peito de 1993, que foram memoráveis também.

      Grande abraço Paulinho, sábado eu arreguei naqueles 12×100 mas vi que você ficou firme – haha!

    • Lelo Menezes
      9 de outubro de 2014

      Boa Paulinho! Com certeza você foi testemunha de muitas histórias da galera do peito.

      Grande Abraço

  3. Marina Cordani
    6 de outubro de 2014

    Eu nem torcia pelo Lelo, mas torci no vídeo! Me emocionei, até! Parabéns, Lelo!

    • rcordani
      7 de outubro de 2014

      Opa, torcer para o adversário do irmão não vale! 🙂

      • Lelo Menezes
        9 de outubro de 2014

        Aqui fica uma pergunta de cunho moral: Quando o irmão é mega PEBA, será que não é perdoável torcer para o adversário?

  4. Lelo Menezes
    6 de outubro de 2014

    Opa! Sensacional R. Agradeço a homenagem de coração e me sinto menos PEBA tendo um post escrito sobre minha pessoa. Enfim, o sumário da carreira foi exatamente isso ai e voltar a assistir o vídeo do Recorde Brasileiro, depois de tantos anos, e com a “narração” da minha saudosa mãe realmente me dá um nó na garganta, mas fecha o post com chave de ouro. Seguem algumas explicações e curiosidades:

    – Até o inicio do Juvenil B eu detestava nadar em piscina curta. Eu torcia para acabar logo a temporada de inverno para as competições passarem para a piscina longa. Eu acreditava que PEBAs em geral até arranhavam na curta, mas na longa só os non-pebas se sobressaiam.

    – Minha cabeça começou a mudar quando vi o Vicente (Mello) nadar pra 1’05 no Defe da Água Branca (piscina curta). Naquela época que chuto ter sido por volta de 1988, o 1’05 era um tempo emblemático, meio místico pra mim. Depois daquela prova, com arquibancada quase vazia, passei a ter objetivos na piscina curta também. Um dia eu hei de fazer esse 1’05.

    – Eu nunca fui bom de viradas (vide o “esporro” da minha própria mãe no vídeo do Finkel de 1995) e portanto a pebice na longa em comparação com meus tempos na curta é, a primeira vista, quase inexplicável, mas tentarei abaixo elaborar alguns “porquês” que pelo menos hoje em dia, fazem bastante sentido pra mim:

    1. Eu cheguei nos Estados Unidos em 1990 ainda muito ingênuo e com sonhos de medalha olímpica. Fui treinar com um cara ultra conceituado (Ernest Maglischo) e acreditava piamente em tudo que ele dizia. Os americanos e o Maglischo não era exceção, pelo menos na década de 1990, tinham uma enorme obsessão pelo NCAA que era em jardas. Um dia tentarei escrever sobre essa obsessão, mas ouso dizer que na era pré-internet muitos americanos, se pudessem escolher, escolheriam vencer o NCAA do que pegar uma medalha olímpica, por exemplo. Portanto durante anos eu treinei quase que exclusivamente em jardas e no principal período da minha carreira (1991 a 1995) eu acabei dando muito mais importância ao NCAA do que qualquer outra competição, com exceção talvez da eliminatória para as olímpiadas de Barcelona e mesmo para essa eu treinei somente a partir de Abril em piscina longa, ou seja, coisa de 2 meses apenas.

    2. O NCAA era sempre em Março e portanto o Troféu Brasil que era em Dezembro/Janeiro, acabava interferindo com o treinamento. No meu tempo nos Estados Unidos eu nadei vários Troféus Brasil, mas cheguei a não vir nadar um deles e nadei outros sem polir e/ou raspar. Em 1994, já mais macaco velho e sem ilusões sobre medalhas olímpicas, consegui convencer o Maglischo, a duras penas, a fazer um micro polimento para o Troféu Brasil. Levei o ouro nos 200m Peito, mas os tempos foram bem aquém do potencial. Hoje me arrependo muito de não ter priorizados essas competições. O fato no entanto permanece: Durante os principais anos da minha carreira de nadador, eu não cheguei a nadar uma dúzia de competições em piscina longa.

    3. Por essa “lavagem cerebral” acima, eu sempre gostei mais de nadar o Finkel no meio do ano, por dois motivos. O primeiro era porque eu tinha pelo menos um mês de treinos com o William (Lima) e foco total nessa competição. O segundo foi porque desde 1990, o Finkel me parecia uma competição muito mais forte, competitiva e interessante do que o Troféu Brasil. Por mais que possa parecer heresia, eu fiquei infinitamente mais feliz de ter vencido o Julio Delamare e o José Finkel do que o Troféu Brasil, que eu encarava muito mais como uma competição de “meio de temporada” e portanto sem muita importância.

    4. Quanto aos meus melhores tempos em longa, tenho convicção que são muito piores do que eu tinha potencial de fazer. Concordo com o Maglischo quando ele disse que eu deveria nadar pra 1’04 no 100m Peito. Tenho quase certeza que se tivesse melhor me preparado teria nadado pra esse 1’04. Nos 200m Peito eu acho que daria pra nadar pra 2’20, ou quem sabe até quebrar essa barreira. O Dave Huston, meu amigo, companheiro de treinos e principal adversário nos Estados Unidos nadou as eliminatórias das Olimpíadas de 1996 para 1’04 e 2’19. Treinamos na mesma raia por 4 anos e em competições sempre “batalhávamos” cabeça a cabeça, com a vitória hora de um, hora de outro. Não posso racionalmente pensar que não nadaria para tempos semelhantes se tivesse uma melhor cabeça. Digo isso porque não consigo explicar de maneira racional porque desisti de tentar vaga olímpica em 1996. Essa é a outra coisa que me arrependo. A explicação mais próxima que tenho é que anos e anos de treinos intensos demais (principalmente quando ainda treinava no Brasil) chegam uma hora e te dão uma sensação de que não dá mais pra levar a vida dessa forma e alia-se a isso uma vida fora do Brasil, sem supervisão nenhuma e na fase áurea da vida onde as tentações do mundo universitário são enormes e taí a formula para um fim de carreira precoce.

    Enfim, os arrependimentos são pequenos perto do que foi alcançado através da natação, dentro e fora das piscinas. Valeu de novo pelo post e pelo vídeo do recorde brasileiro.

    Abraços a todos

    • rcordani
      7 de outubro de 2014

      Valeu Lelo. Em 1995 eu já torcia por você e veja que inclusive dei-lhe meu “boa sorte, vai que essa é sua na banqueta”. Aliás, a final B aquele dia foi antes da final A, então eu nadei, e na saída eu disse essas palavras.

      Com relação à seletiva olímpica de 1996, quando você desistiu? Você estava treinando para ela? O Oscar participou?

      • Lelo Menezes
        9 de outubro de 2014

        Me lembro bem de você, em pé atrás do bloco quando eu cheguei. Acho que foi a primeira pessoa que eu vi. Quanto a 1996, não é que literalmente eu desisti. Eu nadei aquela seletiva no Julio Delamare. Nadei os 200m Peito sozinho inclusive, mas já tinha desistido mentalmente muito antes. Dois dias antes dessa seletiva fui numa mega balada no Rio de Janeiro, fato esse que nunca teria acontecido 4 anos antes. Eu não sei dizer ao certo quando a natação parou de ser prioridade pra mim. Em 1995 eu já não podia mais nadar o NCAA e com isso eu não podia mais treinar com a equipe da universidade. O Maglischo fez cambalacho e me deixava treinar com a galera com a disclamer que se aparecesse algum “fiscal” eu teria que dizer que fui treinar só aquele dia, pra matar saudades, ou algo assim. Só que esse esquema não funcionou porque como eu não fazia parte oficial da equipe, eu também não era cobrado por ele. Passei a não mais nadar 2 períodos e comecei a faltar com frequência nos treinos da tarde quando em troca escalava a “A” Mountain com o Dudu e depois descia pra tomar cerveja na Mill Avenue. Fui nesse esquema de Agosto de 1994 até Março de 1995, quando decidi abandonar de vez o Maglischo e tentar a vida num clube local com a premissa que precisava de um técnico que me cobrasse de perto. Fui eu e novamente o Dudu treinar com um técnico bem jovem muito gente boa que treinava uma molecada entre 12 e 17 anos. Gostei no início porque os treinos pareciam aqueles do Brasil, dois períodos, com muito volume e intensidade. Levei assim até Agosto, mas o Brandon (nome do técnico) foi despedido e eu desisti com ele. De Agosto de 1995 até Dezembro treinei com o Ron Johnson, ex-técnico da ASU, que agora dava treino para uma galera Master. Não gostei dessa fase porque o Ron claramente estava só no banho maria, um hobby para passar o tempo e os treinos eram mais recreativos do que treinos propriamente ditos. Então tomei a decisão de treinar sozinho. O William me passava os treinos por e-mail e eu treinava no fim da tarde depois da equipe principal. No começo ainda tentei fazer os treinos, depois fui cortando os treinos cada vez mais até o ponto onde eu nadava 200m solto, fazia a série principal, soltava 200m e ia embora. Foi com esse tipo de treinamento que eu encarei a seletiva olímpica de 1996. Eu vejo hoje que perdi uma oportunidade de ouro. Se tivesse mesmo focado, teria terminado o NCAA em Março de 1994 e migrado os treinos para o Phoenix Swim Club, onde treinava o Gary Hall e outros olímpicos. Se tivesse a cabeça no lugar teria ido pra lá, focado somente nos 100m peito, abandonando de vez os 200 e as provas de medley com foco 100% em tentar fazer o time olímpico de 1996. Essa ideia, na época nem passou pela minha cabeça. Too bad!

      • Oscar Godoi
        13 de outubro de 2014

        Cordani, fantastico o video pois eu nao tenho muitos e e sempre muito legal rever as provas. Durante minha carreira tive muitas boas batalhas com voce e o Lelo. Respondendo a sua pergunta sim nadei a seletiva, e se voce se recorda no trofeu brasil de dezembro de 95 que tambem contava como seletiva, havia batido o recorde do Cicero que ja estava desde 88 para os 100 peito, o tofeu foi no corinthians e o ECP venceu o geral.
        Fiquei muito desiludido com a politica da CBDA de nao levar o nosso revezamento 4×100 med o mesmo revezamento com os mesmos integrantes que pegou prata no Pan da Argentina no mesmo ano, e que estava rankiado em 7 do mundo, mais nao tinhamos o bendito tempo do 11 das olimpiadas de 92. Depois disso resolvi partir aos EuA ja com a intencao de estudar e me estabelecer por la, acabei tendo uma histora nos EUA muito parecida com a do Lelo pois tive grandes competicoes de NCAA e acabava nao nadando bem nos Brasil. Meu ultimo Trofeu foi em 98 em Sao Paulo.
        Uma curiosidade com relacao ao Finkel de 95, 3 semanas antes do Finkel fui atropelado por ume perua kombi, no cruzamento da cardeal e faria lima, estava atrasado para o treino e sai do onibus para ir correndo, fui atravessar e booom, acordei no meio da rua com um monte de gente em volta, nao quebrei nada mais acabei levando 163 pontos na cabeca e pescoco, note que nadei sem touca pois ainda esta cicatrizando. Acabei vazendo um polimento obrigatorio meio longo, mais ainda deu para ganhar os 100 e o rev com o ECP. Em fim grandes memorias de uma epoc que eramos todos highlanders. Abraco

      • rcordani
        14 de outubro de 2014

        Boa Oscar, sim, recordo do seu RB de longa no SCCP, o Alberto desceu até a sua raia e ficou lá por um bom tempo comemorando contigo.

        Fique atento que daqui a algumas semanas postarei mais alguns vídeos do BAÚ.

        Grande abraço

  5. Rodrigo M. Munhoz
    6 de outubro de 2014

    Muito legal o post e especialmente o vídeo ! Em 95 eu já estava trabalhando e não pude vir a este Finkel, então foi a 1a vez que vi sua prova histórica. E seu comentário foi quase um novo post… Muito bom.
    Sigo o que a torcida gritou depois da prova: “Valeu Lelo!”
    Agora levar a bandeira do Corinthians pro podium e para a posteridade no fim precisava mesmo? He he
    Abrtz!

    • rcordani
      7 de outubro de 2014

      Realmente a bandeira da SCCP é meio repugnante, acho que não vou mais convidar o Lelo para os jogos do Verdão. O que será que o Danilo vai dizer disso?

    • Lelo Menezes
      9 de outubro de 2014

      Boa Munhoz, mas é importante separar a MSI natação da MSI futebol, né! kkkkkk

  6. Caio Costa Prado
    7 de outubro de 2014

    Parabéns, Lelo, pelos resultados e conquistas em toda a sua vida.

    Parabenizo também o Renato Cordani pelo site e pelo post (muito bem escrito!)

    Finalmente agradeço tanto ao Renato quanto ao meu grande amigo Bruno Sevá Pessôa (também ex-nadador, e que me enviou o link desta página) pelo prazer indescritível de assistir (pela primeira vez) um vídeo desta prova, que talvez não tenha sido a minha maior conquista na natação, mas que certamente foi uma das mais (se não a mais) marcantes provas (pelo menos para mim) que já nadei!

    Gratidão imensa de reviver esse momento!
    Abraços,
    Caio

    • rcordani
      7 de outubro de 2014

      Muito bom te ver por aqui, Caio.

      Imagino que essa tenha sido a sua primeira medalha de Finkel, correto? Realmente a primeira é a mais emocionante. E a sua prova foi muito boa, passou controlado e chegou forte, comemorando. O Alemão na 8 acabou te ajudando também.

      Esse foi meu último Finkel, e nadei meu último TB no final do ano, e não acompanhei mais a natação brasileira, mas conta pra nós: você chegou a ganhar Finkels e TBs posteriormente?

      Abraços

    • Lelo Menezes
      9 de outubro de 2014

      Valeu Caio. Muito legal te ver por aqui! Parabéns também por essa prova muito bem nadada e as curiosidades do Renato abaixo também são as minhas. E aí como foi sua carreira depois desse Finkel?

      • Caio Costa Prado
        11 de outubro de 2014

        Na verdade, eu fiquei tão focado “brigando” com o Oscar ao meu lado, na raia 6 (inclusive porque minha visão estava bloqueada por ele e não havia como ver o Lelo, lá do outro lado), que só vi o Gustavo na última piscina, e daí não havia a menor possibilidade de ir atrás dele, mesmo que (hipoteticamente) eu estivesse na minha primeira piscina. Até o anúncio do RB do Lelo, eu achava que tivesse ficado na segunda posição!

        A vida de atleta foi se complicando a partir desse ano. Terminei o ano com lesão nos dois joelhos e passei boa parte do ano seguinte (1996, ano em que fiz 16) nadando apenas provas de crawl. Consegui alguns bons resultados na temporada de inverno (sempre fui fraco na piscina longa), com destaque para o campeonato paulista de inverno, que foi no Tênis Clube de Campinas (como eu havia retornado para lá, competi em casa), em que eu consegui excelentes colocações e tempos no 50m (3º lugar, com 24″ médio), 100m (1º, com 52″ baixo), 200m (1º, com 1’53”) e 400m (2º, 4’02” ou 4’03”, não tenho certeza). Os 200m foram especiais, pois meu tempo foi melhor que o do Cassiano Leal, que ganhou no absoluto. Nesse ano eu havia recusado um convite do Pinnheiros pelo 3º ano consecutivo (e pela última vez).
        Em 1997, parei de treinar logo no início do ano. O apoio que tinha em casa acabou (meus pais cobravam que eu passasse no vestibular, etc…) e eu mesmo fiquei bastante desanimado por ter deixado de ser a referência na minha categoria em provas de peito para ser mais um atleta competindo (entre os melhores, é verdade) entre tantos outros.

        Fiquei 4 anos sem ver uma piscina na minha frente (naquela época, achava que qualquer chance que eu poderia ter de ir a uma olimpíada tinha sido desperdiçada; Nós acreditávamos que a carreira de nadador terminava com 20 e poucos, não era comum ver atletas “velhos” com mais de 25 anos). Hoje penso que se tivesse ido para uma equipe maior, teria tido orientação e/ou exemplos que poderiam ter me ajudado a continuar, mas como a maioria dos atletas de “equipes do interior”, fiquei pelo caminho.
        Em 2001 voltei a treinar no meio do ano para participar de um Jogos Regionais por Paulínia. Treinava por conta em uma academia em São Carlos. Nos Jogos Abertos do Interior (foi em Rio Preto aquele ano, na piscina curta), eu estava barrigudo, porém os joelhos não doíam mais e consegui um tempo até então inédito para mim nos 100m peito (1’03” baixo). Ganhei a prova! O Raphael Camargo e o Antônio Henrique Barbosa (e a maior parte da concorrência) estavam “pesados”, treinando para alguma outra competição e isso acabou me motivando a voltar.

        Em 2002 fiquei em 4º nos 100m peito no Finkel (lá no Inter, novamente) com 1’02” alto. Tirando o de 1995, essa foi a melhor colocação que consegui nessa competição. Os 200m foram mais complicados. Repeti os 2’18” de 1995 na final B e fiquei em 10º ou algo assim… Nessa época, os grandes nomes eram Eduardo Fischer, Henrique Barbosa e Marcelo Tomazini, e muitos outros… Estávamos começando a ficar mais competitivos nas provas de peito. Na etapa brasileira da copa do mundo (no Rio), fiquei em 8º nos 200m peito, com os mesmos 2’18”.

        Depois disso, levei a natação “em banho maria” e “fogo baixo” (participando bem pouco) até 2009. Nesse ano (já com 29), consegui o melhor tempo de longa da minha vida (na piscina do Santa Cecília) nos 200m peito, com 2’20″91, o que me garantiu uma medalha de vice-campeão paulista.

        Acho que não há muito mais do que isso… Cada pensamento leva a uma outra estória ou a outro sentimento, e se deixar, não páro de contar muito cedo! Rsrs!

        Abraços!

      • rcordani
        13 de outubro de 2014

        Incrível a amplitude da carreira! Precisamos perguntar para o Munhoz, mas creio que Epicuro aprovaria o que você fez, aproveitou o talento para se divertir com a natação mas sem saturação.

        E incrível também que seu melhor resultado objetivo tenha sido esse bronze de Finkel com 15 anos, que deve ter sido surpreendente de repente ter a oportunidade de assistir, graças ao famoso BAÚ.

        Abraços e volte sempre

  7. Alemão
    7 de outubro de 2014

    Uau. Eu não lembrava tao bem dessa prova.
    Eu nadei mal pela manhã. Me sentia cansado e pesado. Levei um baita Esporro do Reinaldo por quase ter ficado fora da final. A ordem foi passar mais forte porque eu aguentaria voltar. Acho que deu certo. Se tivesse na raia ao lado do Lelo ambos poderíamos ter feito melhor, mas eu lembro de conseguir ve-lo nas viradas.
    Não lembrava que o tempo era recorde. Eu também cheguei na casa dos 2’16”. Acho que nunca fui recordista brasileiro absoluto. Deve ter sido o maia perto que cheguei.
    Nessa época começavam a surgir novos garotos bons. Rafael Vieira, Rafael Amendoim, Diogo Yabe, Caio (era bem novo mas não lembro de muitas outras finais depois) e Tomazini.
    O Oscar foi meu maior adversário. Lembro de vários “duelos” desde o juvenil A. Essas imagens não fazem jus a ele. Ele deveria estar se recuperando do acidente ainda.
    Boas lembranças.
    Parabéns Renato pelo post e Lelo pela brilhante carreira.
    Alias, quero mencionar o que maia impressionou em relação ao Lelo foi ver ele treinando (muito) nos intervalos de um Paulista em Marília (89 ou 90?) e mandando bons tempos na competição. Lelo e o outro animal daquele paulista foi o Oscar Hogemboom.
    Um abraço a todos.
    PS: em matéria de ondas (jacaré) acho que ponho vocês no chinelo. Renato: o desafio está lançado.

    • rcordani
      8 de outubro de 2014

      Grande Alemão.

      Com relação à prova, depois que vi pela segunda vez é que percebi a sua pessoa na raia 8 (a filmagem não mostra muito), e de facto a vitória do Lelo não foi fácil. No baú do pai do Lelo tem o filme do TB de dez 1994 no MTC, talvez sua melhor atuação, um dia desses eu posto.

      O Oscar pós acidente focava mais nos 100 peito, e teve no final de 1995 sua melhor atuação quando bateu o RB de longa nos 100 peito no TB do Corinthians. Acho que ele ganhou os 100P nesse Finkel também.

      Quanto ao jacaré: sei não sobre essa sua habilidade, no Gonzaga não tem muita onda – hehe. No próximo a gente constata!

    • Lelo Menezes
      9 de outubro de 2014

      Boa Alemão. Acho que sua carreira foi bem parecida com a minha então o parabéns é reciproco. Sabe que nessa prova eu só notei sua presença nos 150m e me assustei pra casseta. Eu até então achava que estava bem sozinho na frente!

      abs

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Publicado às 6 de outubro de 2014 por em História da natação, Natação e marcado , .
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