Epichurus

Natação e cia…

Desafio ou Raia sem Saída?

Na última semana o Epichurus teve uma de suas maiores audiências de todos os tempos. O tema “quente” da (falta de) sucessão na CBDA iniciado pelo Renato Cordani com o agora famoso post “Obrigado por tudo, Coaracy” – gerou talvez alguns dos comentários mais relevantes de nossa curta história. Em seguida, veio um ótimo “reality check” do Jorge Fernandes, com informações dos bastidores da UNN e mais lembranças da eleição do Sr. Coaracy Nunes em 1988. A falta de transparência atual e a unanimidade em torno da necessidade de alternância no poder ficou mais clara. Nomes surgiram. Rolou um bom debate. Ficamos contentes. Já dissemos antes que achamos que o debate é positivo e pode ajudar a criar um futuro melhor para a natação brasileira. É um começo. Mas será que  entramos numa jornada quixotesca? Será que há alguma saída honrosa possível?

Talvez não.

Pelo menos, não nos próximos quatro anos.

placar17051985

Revista Placar Maio 1985 – o duro começo da transição de uma longa gestão para outra ainda mais longa

Ao ser alçado à liderança da CBDA, o atual presidente contou com o apoio de nadadores, dirigentes, interventores e de políticos para bloquear a “Dinardstia” vigente. Ao chegar a presidência, Coaracy elevou o nível da natação brasileira, mas mesmo os ex-atletas que o apoiaram no passado parecem ter dúvidas sobre a validade de tanto tempo sem oxigenação do poder na entidade.

Ao visitarmos o passado, notamos que infelizmente as mudanças na política desportiva dos últimos 25 anos tornaram ainda mais improvável uma mudança de liderança para breve. A grana cresceu e as federações se tornaram cada vez mais alinhadas com o a confederação. Apesar das óbvias ameaças ao futuro da natação, há o sucesso sem precedentes – inclusive na forma de metal olímpico – da Natação Brasileira. Tudo bem que, como sempre, 5 ou 6 individuos fora de série garantiram a maior parte desse sucesso… mas no balanço geral, parece que essas últimas duas décadas e meia ajudaram o presidente da CBDA não só a se apropriar de um legado invejável de conquistas aquáticas, com os investimentos que se seguiram, como praticamente cristalizaram o poder da entidade, enquanto ele assim o desejar. Ficou patente que na CBDA atual não há espaço e nem preocupação com oposição alguma.

Na próxima eleição da CBDA em Março, o Sr. Coaracy Nunes vai levar mais quatro anos de presidência, muito provavelmente sem oposição e, salvo imprevistos, terá a garantia de chefiar o maior orçamento de patrocínio da natação (com ajuda do COB) de todos os tempos, assim como a cartolada aquática nacional nas Olimpíadas do Rio. Se o Brasil for bem em 2016 (e mesmo que não for), a situação ainda tem chances de emplacar a sucessão, já que Coaracy disse que irá se aposentar em 2017.

Mas, na minha opinião, isso não significa que precisamos parar de discutir assuntos importantes para a natação, dentro de um espírito republicano e democrático (e epicureano, porque não?). Coisas como:

– Quais são os planos e objetivos estratégicos para a natação no próximo ano? E nos próximos quatro anos?

– Como está sendo investido o dinheiro dos patrocínios? Como será investido a verba “aquática” do COB, etc neste próximo ciclo olímpico?

– Como garantir a melhoria contínua nas próximas gestões da CBDA (formação da base, melhora da performance e desenvolvimento do esporte) enquanto se evita a estagnação no poder da entidade?

– Como melhorar a transparência nos mecanismos de gestão do esporte, aumentando a participação de partes vitais (nadadores, técnicos, dirigentes) sem perder eficiência?

– Como construir uma oposição / sucessão de maneira responsável e produtiva?

Eu realmente não tenho as respostas para as perguntas acima, mas seria desejável que alguém da CBDA as tivesse e pudesse dividí-las com o público. Talvez seja improdutivo achar que a CBDA vai mudar já… É praticamente certeza que outra vez veremos notícias como as de 2009 e dos 4 quadriênios anteriores. Mas uma hora vai ter que mudar. E antes tarde que nunca.

Em breve, este blog deve voltar a sua “vida normal”. Temos alguns artigos novos, com histórias, memórias, pontos de vista e filosofadas esperando. Mas o debate em torno da CBDA não termina aqui e apesar do debate gerado sem uma “solução”, estamos ok com isso. O duro seria aguentar assistir mais quatro temporadas sem ver nada diferente acontecendo. E dar um empurrãozinho no “diferente” talvez seja a parte que caiba a nós, fãs da natação.

Sobre Rodrigo M. Munhoz

Abrace o Caos... http://abraceocaosdesp.wordpress.com

12 comentários em “Desafio ou Raia sem Saída?

  1. rcordani
    4 de fevereiro de 2013

    Meu caro Munhoz, parabéns pelo texto. Achei-o um pouco conformista, e não é sem razão: tá difícil mesmo.

    Porém como dizia o governador mineiro Magalhães Pinto “a política é como uma nuvem: você olha e ela está de um jeito; olha de novo e ela já mudou.” .

    Uma ideia prática já para essa eleição: se houver uma irregularidade na candidatura do Coaracy, novas eleições poderiam ser programadas e a chapa de oposição poderia ter tempo para conseguir cinco adesões. Só cinco!

    De qualquer forma, seja para 20 de março de 2013, seja para 2017, nossa humilde contribuição para a mudança da nuvem já teve seu pontapé inicial, ou melhor, seu tiro de partida!

    • Rodrigo M. Munhoz
      4 de fevereiro de 2013

      Oi Renato!
      A minha mensagem certamente não era o conformismo e sim pragmatismo – algo importante em tempos nebulosos. E nessa linha, acho que você acerta no alvo quando sugere atenção nas próximas eleições. Boa! Recomendo apenas que não dependamos de “se houveres”, afinal de contas, “Hope is not a strategy” …fucemos.  Aproveitando: Que tal mais uma ação para nós mesmo e os leitores do blog? Podemos começar a conhecer melhor as federações locais, seus planos e idéias para mobilizar mais gente que queira e possa contribuir com alternativas saudáveis para a natação brasileira no futuro. Podemos fazer com zelo, já que pelo visto teremos algum tempo.
      Abraços,
      Munhoz

  2. Fernando Cunha Magalhães
    4 de fevereiro de 2013

    Munhoz,
    Todas as mudanças provêm do questionamento do “status quo” e acredito, parecem “quixotescas” a maioria dos que avaliam o trabalho que vai dar mudar o rumo das coisas.
    Quanto há de significado no coração daqueles que criticam e almejam mudanças?
    Que nível de esforço estão dispostos, ou principalmente, tem a possibilidade de dedicar a causa?
    Dezenas já deram sua contribuição ao debate e certamente o assunto veio a tona em outras rodas, mas concordo com o Cordani:.é um tiro de partida.
    Espero que hajam pessoas aptas a responder “MUITO” nas questões anteriores, para que a partir do engajamento possam ampliar suas competências e quando houver a mudança, ela seja, efetivamente para melhor.

    • Rodrigo M. Munhoz
      4 de fevereiro de 2013

      Concordo, Esmaga. Nos preparemos para que venha muito engajamento em mudanças positivas, então. E que os moinhos se tornem apenas figuras de linguagem.
      Abratz,
      Munhoz

  3. Alvaro Pires
    4 de fevereiro de 2013

    Boa Munhoz, esse pragmatismo eh realmente muito necessario. Tb concordo c o Esmaga q p fazer acontecer alguma coisa, teriamos q ter muita gente c tempo, dinheiro e vontade jah q viagens e visitas por todo Brasil teriam q ser feitas durante um bom tempo p viabilizar as mudancas (ou tentativas de mudanca). Isso s a menor garantia de q havera gente nas federacoes c vontade de aderir a causa. Bom, nosso debate jah traz luz ao problema pelo menos. E mostra q existem inumeros insatisfeitos.
    Para finalizar neste fim de semana nosso polo aquatico masculino conseguiu a proeza de nao se classifcar p o mundial !!! A CBDA p nao passar um vexame monstro na olimpiada vai ter q importar $$$$$ muita gente. Jah podemos imaginar q parte dessa dinheirama do COB serah p isso..
    ab

    • Rodrigo M. Munhoz
      4 de fevereiro de 2013

      Oi Vreco,
      Tarefa complicada realmente… Agora com ironia ON: Muito tempo, muita gente, muita grana… Isso me lembra alguma entidade…

      Chatas as notícias do Polo Aquático… Me parece que aquelas manchetes de repatriar talentos do estrangeiro começam a fazer mais sentido agora. Meio tarde, de qquer forma.
      Abraço!

  4. Sidney A Silva
    4 de fevereiro de 2013

    Enquanto a politica não muda, devemos buscar outras alternativas para combater os altos custos e infinitas discordancias dos rumos das entidades CBDA e FAP. Por aqui, criamos a alternativa da Liga Paulista de Natação. Hoje no estado de São Paulo, há pelo menos tres ligas atuantes.A Liga do Alto Tiete, a de Mococa e A LPN, da qual estimulamos a fundação e fazemos parte do processo. Esta é uma maneira de gradativamente construirmos a natação para muitos que não tem a oportunidade e apresentarmos novos caminhos,pois os custos da FAP são alissimos´e ela se apresenta como prestadora de serviços, que não é o proposito do estatuto. Entretanto continuamos nossa atuação politica, para a mudança principal; a forma de votação dos presidentes das confederações no Brasil. Quem vota não são as entidades, são as federações. São Paulo com mais de trezentos clubes filiados tem um voto. A Federação doe Roraima, como exemplo, que tem menos que uma dezena de filiados tem o mesmo peso do voto. Quem vota são os presidentes que são premiados durante todo o tempo com viagens e estimulos para a manutenção de sua fidelidade.
    Fico feliz com a postura e pensamentos de possíveis novos dirigentes. É muito importante a atuação de novas proposituras e debates para melhorar o esporte que os embalou e auxiliou na formação de muitos.
    Veja nosso site http://www.ligapaulistadenatacao.com.br.
    Um grande abraço a todos.
    Sidney Bauru

    • Rodrigo M. Munhoz
      4 de fevereiro de 2013

      Grande Sidão!
      Interessantes informações! Bom sabe que há mais gente conversando sobre um futuro diferente para a natação. E no interior de SP, que está próximo, em mais de um sentido para mim. Concordo que o esquema de eleições para a CBDA parece estar entre as principais causas (ou seria mais um sintoma?) da falta de mudanças na liderança dos esportes aquáticos, com suas consequências mais ou menos obvias nessa altura. Como mudar isso? Tem jeito? Vou checar o link e ver se tem mais dicas.
      Um abração!

  5. Cristiano Viotti
    4 de fevereiro de 2013

    Sidney tocou no ponto: a representatividade. Exatamente como no Senado da República. Estados mais pobres, que recebem mais emendas, elegem o Presidente. Cínica semelhança! Como mudar? A regra da eleição do COB e Confederações está aonde? Em Lei ou nos Estatuto das respectivas entidades? Alguém sabe? Ligas privadas montadas pelos clubes, universidades, associações de treinadores entre outros PROFISSIONAIS me parece ser a saída ou ao menos uma transição, que no mínimo atraíria os olhos da nação em tempos de jogos olímpicos. Resta saber se os grandes clubes apoiariam essa iniciativa. Do pouco que eu acompanho hoje, mas do muito que lembro do meu tempo na ativa, as Confederações Estaduais também não devem estar plenamente satisfeitas com o status quo. Muito bom ler as inclusões para refletir. Abs

    • Rodrigo M. Munhoz
      4 de fevereiro de 2013

      Oi Cristiano,
      Acho que teremos que primeiro perguntar, pesquisar e estudar mais para descobrir “se” e de onde viria apoio para mudanças. Clubes, federações são um bom começo. Mas lembro do Maviael e Jorge contarem que a UNN teve apoio político em 87. Imagino que não deve ter sido simples … e me preocupa o fato de que acabamos de ver o Senado eleger alguém (novamente) que certamente enfrentará sérios questionamentos éticos durante sua gestão. Que mensagem… Mas pelo menos os problemas da natação nacional encontram uma perspectiva que os faz menores. Ou não?
      Abraço,
      Munhoz

  6. Lelo Menezes
    5 de fevereiro de 2013

    Ótimo texto Munhoz! Eu também tenho uma visão muito pragmática da vida e tem horas que acho isso ótimo e horas que nem tanto. Quanto a CBDA a minha visão é mais pessimista do que pragmática, principalmente quando falamos do futuro da entidade.

  7. Roberto Veirano
    15 de fevereiro de 2013

    Ótimo texto e comentários.

    Com tantas boas idéias e preocupações sinceras (essa comunidade não parece pensar em benefício próprio ao defender melhoras nos esportes aquáticos brasileiros), realmente me causa preocupação não ter aparecido ninguém da CBDA para debater, como sugerido pelo Munhoz. Certamente há coisas boas sendo feitos, potencialmente ofuscadas por outras nem tanto.

    Em minha opinião um debate aberto com a participação da Confederação seria extremamente útil, e poderia inclusive ser o catalizador de algumas mudanças interessantes. A atitude de se encastelar e não expor suas contribuições é pouco transparente. Será que há algo para esconder?

    Uma hipótese para esta ausência seria de que o blog não tem audiência na gestão dos esportes aquáticos. Acho pouco provável. Em primeiro lugar, alguns dos mais destacados atletas brasileiros do passado apareceram por aqui – ou seja, há boa repercussão. E em segundo lugar, na minha visão, se alguns epicuristas se entitulam semi-PEBAs na natação (discordo, senão eu fico na categoria de sub-semi-PEBA B, dada as minhas incontáveis finais B), com certeza são craques nas letras!

    Deixo uma sugestão ao meu colega Vreco – vale a pena fazer um texto sobre a morte das piscinas do Rio. Pelo que entendi o Julio de Lamare está condenado em função da Copa, e outro dia li no Globo que a piscina do Vasco seguirá o mesmo destino. Não vejo ninguém da CBDA ou da FARJ demonstrar qualquer pesar em relação a isto… Precisamos massificar o esporte (ou não?).

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Publicado em 4 de fevereiro de 2013 por em "Causos" fora d'agua, Natação, Olimpíadas.
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