Epichurus

Natação e cia…

Jorge Fernandes solta a caneta em “A Resposta”.

O post de segunda feira gerou bastante repercussão, e não só aqui no blog. Foi republicado várias vezes, pelo Coach, pelo Juca, pelo Alberto Murray, pela Swimittup!, pelo Tomazini, entre outros. Muito da discussão que se seguiu foi pública, mas várias discussões foram feitas inbox. Particularmente, uma dessas inbox foi tão bem construída que pedi ao cidadão que escrevesse um texto para publicar aqui, já que valorizamos a discussão e achamos que essa poderá dar bons frutos. E ele topou!

seu (…)! colocou minhoca na minha cabeça… parei 1 horinha e escrevi… to te mandando abaixo…

Jorge Fernandes dispensa maiores apresentações em um blog de natação. Mas se você for muito jovem e com déficit de informação histórica – vá lá – cito apenas uma conquista dele: o cara é bronze olímpico, amigo. Sem mais delongas, segue a resposta dele na íntegra. Ah, ele deixou um desafio no final do texto!

“Amigos do Epichurus.

Nosso amigo Renato Cordani pediu para que falasse um pouco o que foi a transição da gestão anterior (Dr. Ruben Márcio Dinard) para a atual (Dr. Coaracy Nunes), e que “instigasse” uma discussão (sadia) sobre a necessidade (urgente ou não) de renovação na gestão dos desportos aquáticos.

Por se darem em épocas bem diferentes, as oportunidades, competições, e não podemos deixar de destacar, PATROCÌNIO (afinal, o vil metal move o mundo). Sou péssimo em datas e nomes, portanto antecipadamente peço desculpas por eventuais falhas.

Década de 80, nosso esporte vindo de décadas sob gestão de Ruben Dinard, que por eleição pelas federações passou para seu filho Ruben Márcio. Vivíamos um início de incentivo de empresas ao esporte (vôlei com Pirelli e Bradesco, nosso antigo futebol de salão – hoje futsal, etc) e nós nadadores ansiando pelo mesmo incentivo, só que sómente poucos (2 ou 3) conseguiram bons patrocínios individuais. Tínhamos pouco intercambio, restringindo-se a Sul Americanos (2 / 2 anos) Copa Latina (anual), Pan (4/4), Mundial (só de longa de 4 em 4) e Olimpíadas (4/4). E mais nada. Mas uma coisa era certa: os melhores (vencedores) sempre iam, inclusive outros países até 89 sempre mandavam seus principais atletas. Mas isso é outro caso.

Então um determinado grupo de nadadores (eu inclusive) formou uma entidade em que tentaríamos implementar mudanças através de sugestões para planejamento de competições e o que fosse de interesse dos atletas. Claro que houve objeção por parte da entidade maior (CBN, hoje CBDA) não reconhecendo a UNN (União Nacional dos Nadadores, registrada com CNPJ e utilizando espaço cedido pela FARJ) que procurava também “lutar” pelas outras modalidades. A princípio sem cunho político, mas como todos sabem, fica difícil separar, e com o tempo passou a “bater de frente” com o presidente. Veio a eleição em 84 e nada mudou. Mas como nadador é insistente, continuamos “tentando” lutar por mudanças. E claro, nada (ou quase) conseguíamos.

Já na próxima eleição, elege-se o Coaracy, e o Ruben Márcio vai para a FINA, conselho arbitral (acho) tornando-se um dos melhores árbitros gerais do mundo, super conceituado, etc. E entra na CBN (ou já seria CBDA ?) o Coaracy, implementando um ritmo mais acelerado em alguns setores, chamando alguns técnicos para determinadas funções, e abriu um canal de comunicação com os atletas. E numa dessas reuniões inclusive (em 89), me peguei fazendo crítica velada a uma convocação, pois feria o princípio básico de formação de uma seleção: vai o GANHADOR de prova. Me desculpem o mistério mas não vou citar nomes, pois os atletas envolvidos são queridos por mim e de forma alguma quero criar controvérsia. Só sei que em determinado momento me levantei e falei: “saudade do velho Dinard, pois com ele o critério sempre foi mantido!!!”. Todos ficaram pasmos, mas mesmo tendo sido convocado um excelente nadador (e com o melhor tempo ) ele não foi o vencedor!!! Posso estar errado? Posso, mas critérios e regras são para serem cumpridas, esse sempre foi e será um de meus lemas.

Em uma nota para você, quando do seu artigo agradecendo o Coaracy, comentei sobre a eleição. O Coaracy foi eleito sim, dentro da legalidade como sempre ocorreram todas as eleiçõesda CBDA, devido a tipo um “acordo” (não sei se é apropriado utilizar este termo) com ele sendo candidato único e o Ruben Márcio indo para a FINA. Falo isso de cadeira, pois sou amigo de pessoa ligada ao Rubem Márcio. Alguns podem indagar: como isso poderia ser possível ? Respondo com outra pergunta: como uma gestão que sempre contou com o apoio da maioria (se não sua totalidade) das federações estaduais simplesmente abre mão de tudo ? E complemento: foi aconselhado pelos seus articuladores a não disputar e ingressar na FINA. Uma situação em que TODOS SAÍRAM GANHANDO, O QUE FOI ÓTIMO. Vim a saber sobre este fato, anos depois. Tenho um carinho especial pela pessoa que me revelou este fato, e me reservo o direito de não divulgar o n ome. Inclusive esta pessoa (e seu grupo) trabalhou em prol do Coaracy, dando uma certa sustentação política (no início).

Veio década de 90 e com isso parei de nadar. Pouco tempo depois me afastei do convívio de pessoas que estimo imensamente (até hoje), por conta de fofocas, mas isso é outro assunto. Me afastei completamente, acompanhando pela mídia Gustavo Borges, Fernando Scherer, e outros mais. Vibrei como nunca com nosso Edvaldo “Bala” Valério, um exemplo de determinação, com as conquistas que obteve (medalhas, recordes, e muito mais), e acima de tudo, uma pessoa simples, de caráter.

E reparava que infelizmente o Brasil sempre iria depender internacionalmente de 1 ou 2 nomes. Nossa história prova isso: Maria Lenk, Piedade Coutinho, Tetsuo Okamoto, Manoel dos Santos, José Sílvio Fiolo, Rômulo Arantes, Djan Madruga, Ricardo Prado, Gustavo Borges, Fernando Scherer, César Cielo, Thiago Pereira. A primeira medalha olímpica de “um grupo” foi em Moscou 80, no 4x200m livre, com a próxima vindo em Sidney 2000. Muito pouco para um país de dimensões continentais, clima propício, mas pecando como sempre em sua organização, planejamento, e principalmente capitalizar em cima dos resultados, através de clínicas, palestras, demonstrações, com os principais nadadores em regiões onde pudesse incentivar os jovens. E uma questão que acho importantíssimo, seria utilizar os atletas que parassem e com a experiência obtida, oferecer uma formação acadêmica onde possibilitasse a transferência dos conhecimentos para nova geração de atletas e técnicos. Vocês poderiam perguntar: e quem não quisesse ? Eu responderia: tudo bem, mas que fosse dada a opção e incentivo para que atletas de alto nível, tivessem uma formação técnica e que fossem aproveitados. Com certeza muitos poderiam não ser bons técnicos, mas outros sim. A partir do momento em que nada é feito, não podemos cobrar nem arranjar culpados. A falha é de quem gere/administra.

As gerações que se seguiram a minha, tiveram oportunidades que não tivemos: patrocínios, viagens, clínicas, etc. Não posso ser injusto e deixar de comentar que a minha teve acesso a mais coisas que as gerações anteriores.

Anos se passam e já há algum tempo escuto novamente aquela velha conversa conhecida de que precisamos de mudanças, mudanças essas que devem começar pela troca da presidência, pois nos deparamos novamente com uma pessoa já há algum tempo presidindo a entidade.

Quero deixar bem claro uma questão daqui pra frente: não sou contra nem a favor, mas minha opinião é de um observador neutro. Em algum momento poderão observar uma tendência ora para um lado, ora para outro.

Hoje em dia, a CBDA é gerida com uma empresa. E acredito não ser fácil administrar, tendo que fazer malabarismos (no bom sentido) conciliando: interesses políticos diversos (a nível nacional – acho que são 27 federações, e internacional), financeiros (patrocínios, etc), relações humanas (atletas e seus familiares, técnicos), projetos, competições, etc. E o principal: agradar a todos, fato impossível, até mesmo para DEUS (sim, pois vai ter sempre um descontente, revoltado, etc).

Levando tudo em conta, e o que foi feito ao longo destes mais de 25 anos à frente da entidade, acho que foram mais acertos do que erros, e as outras modalidades usufruíram indiretamente dos bons resultados obtidos pela natação (óbvio também porque o universo de praticantes é infinitamente superior).

O sistema esportivo no Brasil está falido: baseado em clubes com dívidas astronômicas, sem planejamento, com administrações duvidosas, em outras com seus presidentes notadamente interessados em sugar o que podem até 2016 (alguns que estavam afastados, retornaram devido ao grande volume de dinheiro que será disponibilizado). Após a Olimpíada, quem se estruturou, se preparou (clubes e empresas) conseguirá espaço e sobreviver, e quem não o fez, acredito que será quebradeira quase que generalizada.

E nesse mesmo tempo em que ouço clamor por mudança, sempre perguntei e faço aqui a mesma pergunta, com meu posicionamento:

Quem seria a melhor pessoa para suceder o Coaracy ? Eu respondo: no momento NINGUÉM.
Não vejo no MOMENTO nenhum nome capaz de substituí-lo e fazer igual ou melhor o que ele tem feito ao longo dos anos (fazer pior, a fila é enorme!!!).

É triste ? Sim, e muito, não sermos capazes de “produzir” alguém com as características necessárias para dar conta e melhorar a situação do desporto aquático no Brasil.

Me digam! Me convençam!, por A+B, que o nome que vocês falarão é “O CARA”, considerando todo o ambiente que envolve a CBDA.

Não estou dizendo de forma alguma que não necessitamos de mudanças, pois precisamos sim, mas tenho que pensar que a pessoa que for assumir, vai cumprir plenamente o seu papel igual ou melhor do que foi até hoje. E no momento infelizmente não vejo ninguém.

Termino aqui, com o desafio lançado.

Um abraço a todos.

Jorge Fernandes.”

Sobre rcordani

Palmeirense, geofísico e nadador master peba.

65 comentários em “Jorge Fernandes solta a caneta em “A Resposta”.

  1. Ruy Araujo
    30 de janeiro de 2013

    Fiz um comentário “in box” onde dizia que o assunto era de baixo interesse para mim assim como o conhecimento no funcionamento da “empresa” CBDA. Mas acredito ser mais plausível uma mudança capitaneada pelo próprio Coaracy do que uma oposição sem experiência apenas denunciando o que estaria errado. Veja que a própria mudança de comando da CBDA na eleição do Coaracy foi articulada internamente, como lemos agora. Porque não buscar o mesmo caminho com o Coaracy?

  2. Marina Cordani
    30 de janeiro de 2013

    Como disse o Renato, o grande mérito do Coaracy é a paixão que ele tem pela natação. Paixão que vem de antes de ser político, imagino. Acho que precisamos sim de mudanças, mas quem se habilita a abdicar da vida pessoal para ficar na beira das piscinas na competição? Viajar com as delegações? Vários entendem de natação, mas será que querem o cargo? Acho que é isso que o Jorge Fernades (que honra! um dos ídolos da minha época) diz quando aponta que não vê ninguém habilitado. Eu estou por fora, não saberia dizer, mas se for esse o caso, melhor esperar…

    • rcordani
      30 de janeiro de 2013

      Outro ponto importante é que o cargo é não-remunerado. Resulta que o sujeito tem que estar com a vida ganha…

      • Fernando Cunha Magalhães
        31 de janeiro de 2013

        Não vejo sentido no fato de um cargo que exige tantas competências, tanta dedicação e que pode proporcionar um impacto tão grande na sociedade não ser remunerado.

      • Lelo Menezes
        31 de janeiro de 2013

        Se o cargo nao é remunerado, do que vive o Coaracy nos últimos 25 anos?

      • Jorge Fernandes
        31 de janeiro de 2013

        Lelo, o Coaracy (quanta intimidade hein!!… rsrsrs) é advogado…

  3. ANTONIO CARLOS ORSELLI
    30 de janeiro de 2013

    Marina, esperar é o que temos feito há 25 anos. E continuamos atrás de países com populações inferiores à da Bahia nos grandes campeonatos internacionais.E, como disse o Jorge, ainda dependemos de um número bastante restrito de nadadores, veja-se o caso do feminino que não teve, nos últimos 20 anos, uma moça para ganhar da Fabíola. Não sei quanto é a remuneração do Coaracy para exercitar a presidência. A me basear pela confederação do futebol, deve ser algo considerável. Assim, cercado de assessores, secretárias, diretores -técnicos, etc., sobra para o presidente comparecer e querer aparecer mais que os nadadores nas competições. Deveríamos ver como funcionam as confederações australiana, alemã, holandesa, francesa, russa, sem falar na americana e verificar se seus cartolas-mores são semideuses e permanecem na sinecura por tanto tempo. O eterno, e bem comentado pelo Julian, patrocínio dos Correios, dão ao Coaracy uma zona de conforto muito grande e permanente. Enfim, sou um nadador máster que não se conforma com a falta de um número muito maior de praticantes, isto é, com uma base bem ampla da pirâmide para que possamos ter um ápice mais alto. Campeonatos nacionais de juvenis com apenas 3 ou 4 nadadores para os 1500 livre é o fim da picada.
    E esse é só um exemplo. A falta de um centro olímpico para a natação (a Austrália tem três) é outro. Não penso que seja necessariamente um ex-nadador a comandar a CBDA. Para isso existem administradores profissionais na área esportiva que dariam conta da empreitada, sem o cansaço de materiais visível hoje. abraço para todos
    Em tempo: Sem a interferência do Coaracy, a natação brasileira máster vai muito bem, obrigado.

    • Marina Cordani
      30 de janeiro de 2013

      Olá Orselli! Como vão seus filhos, em especial a Adriana, que foi minha conterrânea? Até fomos a um Jebs juntas! (Talvez Jubs também?).
      Você, obviamente, está muito mais por dentro do que eu se há algum nome plausível ou não. Estou meio afastada da natação há 15 anos, quando deixei de ser técnica. Não sei se os administradore profissionais teriam essa paixão, mas é uma possibilidade. Não sou contra a mudança, acho que tem que ocorrer. Fico preocupada com a sucessão… Mas reconheço que pouco sei pra dar palpite…

    • rcordani
      31 de janeiro de 2013

      Orselli: “Campeonatos nacionais de juvenis com apenas 3 ou 4 nadadores para os 1500 livre é o fim da picada.”

      É sério isso?

  4. rcordani
    30 de janeiro de 2013

    Meu post de anteontem dizia “Muda CBDA”, mas não sugeria nome algum para sucessão. De forma resumida, Jorge Fernandes (e também Ruy e Marina) argumentam que se não houver um nome tão bom quanto foi o Coaracy da década de 90, é melhor deixar ele mesmo.

    Minha resposta é aos três.

    Primeiro, sim, tenho vários nomes que acho preparados para assumir a tarefa, mas não acho que seja o caso de nomeá-los aqui, pois exceto um deles, nenhum apareceu publicamente com essa intenção, e portanto nomeá-los seria indelicado, além de contraproducente.

    Segundo, na minha opinião não é uma questão de nome. Há vários vícios na Confederação que certamente não serão atacados pela atual direção, vícios esses que foram citados largamente pelo Jorge e pelo Orselli acima e naturalmente no meu post.

    Então não acho que seja o caso de “esperar pelo Messias” (e naturalmente aqui não me refiro ao José Rodrigo 🙂 ) . É uma questão de processo.

    O primeiro passo a meu ver seria facilitar (ou ao menos não impedir) a existência de uma oposição. Em ela existindo, a própria situação automaticamente produziria ações (e nomes) capazes de dar uma resposta a essa oposição. Talvez até o próprio futuro nome da situação seja melhor do que o futuro nome proposto pela oposição!

    Então precisamos de uma oposição, mas seria demais pedir que um órgão crie a sua própria oposição! Então o meu esforço é no sentido de ajudar a PRODUZIR e ESTIMULAR a EXISTÊNCIA de uma oposição, de forma que as eleições não sejam quase automáticas como são, inibindo a necessidade da atual gestão de dar satisfação a seu público – nós!

    • Lelo Menezes
      30 de janeiro de 2013

      Disse tudo! O mais importante é a existência de uma chapa de oposição. Melhor dizendo, o importante é criar condições para que essa chapa exista. Imagino que é a CBDA que repassa verbas para as federações estaduais e isso pode torna-lãs reféns da gestão atual. Imagino que o medo de boicote financeiro pode levar a perpetuação no poder. O critério para a candidatura nao pode ter com pré-requisito o crivo de “n” federações estaduais cuja sustentação depende da atual gestão!

      • Jorge Fernandes
        30 de janeiro de 2013

        vou mais além… porque necessáriamente precisa ser uma OPOSIÇÃO ?… acho que pode-se chegar a um modelo de transição consensual, trabalhada… onde quem seja a pessoa tenha ciencia de tudo (modalidades, funcionamento, contatos políticos que é essencial, contato com patrocinadores, bom transito com as entidades superiores – COB, COI, FINA)…

      • Jorge Fernandes
        31 de janeiro de 2013

        Lelo, com relação â necessidade de se ter o “crivo” de determinado nº de federações, se deve ao fato de se obrigar a “mostrar” os planos/projetos que pretende implementar… imagina qualquer um, chegar lá e se candidatar ? você sendo presidente de uma federação votaria nessa pessoa ? sinceramente, eu não… em suma, bem complicado, que exigirá investimento de quem de fora quiser se candidatar, pois terá de viajar a todos ou quase todos os estados e explanar seus projetos… complicado…

      • Lelo Menezes
        31 de janeiro de 2013

        Concordo Jorge! O que eu quis dizer é que independente dos requisitos (Business plans, etc) esses podiam ser avaliados por uma comissão independente!

        Abraços

    • Fernando Cunha Magalhães
      1 de fevereiro de 2013

      Recomendo a leitura de JOGO DURO, biografia de João Havelange que entre excelentes histórias, conta a estratégia aplicada para a improvável vitória sobre o favoritíssimo inglês Stanley Russ nas eleições para a FIFA em 1974.
      Ele cumpriu com rigor os pré-requisitos que o Jorge espera de um candidato.

  5. Clara Grazzo Mercadantes
    30 de janeiro de 2013

    O texto do Jorge Fernandes estava indo bem até quando disse: “…e as outras modalidades usufruíram indiretamente dos bons resultados obtidos pela natação…” Quais modalidades? Só se for o futsal, pois o saltos, o nado e o pólo-aquático ficaram quase esquecidos, pra não ser injusta com algum patrocínio que recebeu que poderia se dizer até como um doce que o pai dá pro filho pra enganar a fome. Nem dá pra comentar a fome que as “outras” modalidades passaram e passam na casa do pai da natação.
    Tirando esse detalhe, que pra maioria é só um detalhe que coloca as “outras” modalidades aquáticas no mesmo saco, o texto está bom, bem feitinho e pra todos os efeitos defendendo a situação.
    Até Fidel teve que sair, porque não o Coaracy? São novos tempos, já acabou a ditadura faz algum tempo, e porque não mudar?

    O outro ponto importante é saber que ninguém é insubstituível, portanto, respondo a pergunta do Sr. Jorge.
    Existem milhares de profissionais competentes, habilitados, capacitados para trabalhar no desenvolvimento do Esporte no Brasil. E inclusive esses profissionais têm grande conhecimento da natação, vc acredita?
    Nunca se esqueçam que cada modalidade da CBDA tem o seu valor que não é menor que o da natação. Esse foi o grande erro do Coaracy, apesar de tantos acertos com a natação ele só trabalhou 1/4 ou menos, do que poderia em prol dos esportes aquáticos sob sua direção.
    Pra mim, é pouco.

    Obrigada

    • Jorge Fernandes
      30 de janeiro de 2013

      Oi Clara… provavelmente não me expressei corretamente ao colocar daquela forma… meu intuito era dizer que as outras modalidades usufruiram foi de que pela natação ter conseguido bons resultados e com isso mais dinheiro de patrocínio, uma parte desse dinheiro era e ainda é destinada às outras modalidades, agora se foram suficientes ou não, realmente não posso te dizer, mas acho que foi possível propiciar viagens, intercambios, clínicas, etc… concordo qua a forma que escrevi deu margem à sua resposta… e acredito que essa “discussão saudável” é necessária… novas idéias e propostas são sempre bem vindas, desde que embasadas, e não simplesmente jogadas no ar…
      ninguém é eterno (só DEUS)…

  6. Cristiano Viotti
    30 de janeiro de 2013

    Saludos ao colega e campeao Jorge Fernandes, com quem tive o privilegio de compor revezamento 4×100 MD no Sul Americano de Lima, em 1986, e ser companheiro de equipe no mundial de Madrid. A ferida foi por ele escancarada. O esporte nacional sempre foi contaminado pela politica na pior acepcao da palavra. Em muitos casos, inclusive, afetando resultados e determinando campeonatos. O doping atual eh a pior faceta deste mesmo caldeirao. Devia ser empresa, mas eh pura politica. Em empresa se remunera e preserva aqueles que controem resultados e, principalmente, fazer sucessores. Na politica a sucessao eh de pai para filho, irmao e outros laranjas que esquentam a cadeira em favor de grupos. Na natacao nao eh diferente, e o exemplo vem de cima. Dr Nuzman ja cansou de afirmar em alto e bom som que nao tem ninguem melhor do que ele entao ele fica ate morrer. Em todas confederacoes e a mesma coisa. A culpa eh sim dos presidenrtes, incapazes de construirem uma evolucao consistente que permita que seu legado fique nas maos de alguem mais jovem e mais capacitado. Nao e tao complicado citar nomes capazes, por que muitos que fizeram da natacao sua vida e que ao longo da carreira profissional tiveram oportunidades de aprender e praticar a boa gestao, o respeito as leis e ao interesse publico podem se candidatar tranquilamente. Mais uma vez o Epicurus arrebenta a boca do balao e acerta no alvo. Esporte eh cultura e educacao. Politica e outra arte. Abs. CRISTIANO VIOTTI DE AZEVEDO

    • Cristiano Viotti
      30 de janeiro de 2013

      Desculpem, preciso acrescentar: Rubem Marcio nao eh falecido. Morei na Urca por dois anos e o encontrava regularmente no Iate e nas ruas do bairro. Abs

      • Jorge Fernandes
        30 de janeiro de 2013

        ótimo saber dele… coloquei uma interrogação pois realmente não sabia, e nem tive tempo de me informar… obrigado por esclarecer e peço desculpas ter colocado o termo…

      • rcordani
        30 de janeiro de 2013

        Opa, já editei e tirei o termo errado!

    • rcordani
      31 de janeiro de 2013

      Valeu Cristiano. Com relação à sua última frase, só lembro que gostando ou não de política seremos governados por políticos! Grande abraço.

      • Jorge Fernandes
        31 de janeiro de 2013

        verdade RC… e por conta disso, nos envolvemos e nós mesmo acabamos fazendo “nossa política”… com idéias, discussões, etc… só que bem diferente das que nos governa… e torçamos para que destas trocas de idéias possamos vislumbrar sugestões práticas que possam ser executadas…

  7. Rodrigo M. Munhoz
    30 de janeiro de 2013

    Ótimo debate. Obrigado Jorge! Me parece não haver muita duvida que 25 anos a frente de uma confederação é uma aberração. Contudo, o desafio de substituir um elemento desses (talvez em parte até pela longa permanência no cargo, mas também pela experiência e conexões adquiridas) não deve ser tarefa fácil. Concordo, mas acho que certamente não será impossível, até porque vai ter que acontecer um dia, dado que somos todos mortais, até os presidentes de confederação. Proponho que comecemos a tentar influenciar em algo nessa inevitável renovação. Chamemos para que opinem aqueles que não apenas conhecem as piscinas e bordas, mas também aqueles que conhecem de política esportiva. Pessoas que já comentaram por aqui poderiam dar dicas de como proceder e indicar nomes “disponíveis” e preparados. Amigos e conhecidos das Federações e porque não da atual gestão da CBDA poderiam opinar também, já que uma transição suave talvez seja não apenas a melhor opção, mas também a única alternativa de mudança. Mas que haja ao menos uma mudança assim que possível é o meu desejo para a natação . abraço a todos!

    • Eduardo Fugiwara
      31 de janeiro de 2013

      Rodrigo,

      É um alivio saber que tem gente preocupada com o futuro da Natação no Brasil, é difícil assistir de fora, especialmente estando envolvido com a natação aqui nos EUA.

      Eu sempre me pergunto qual será a direção que a CBDA vai tomar com as futuras transições, e com as oportunidades geradas pelos recursos que estarão disponíveis nos próximos quatro anos vão influenciar os rumos da natação brasileira.

      Alguém mencionou a necessidade de se estruturar e maximizar os recursos econômicos que estarão disponíveis nestes próximos quatro anos, e usar estes recursos para melhorar a estrutura administrativa e de incentivo ao atleta, para garantir o futuro do esporte e das instituições.

      O momento para mudança será nestes 4 anos, por que os recursos disponíveis até de 2016, serão os maiores recursos monetários disponíveis na história do esporte brasileiro, fundos virão do governo, dos parceiros dos jogos olímpicos e do setor imprensariam brasileiro.

      Este é o momento para repensar a estrutura dos clubes, das federações e da CBDA.

      Aqui nos EUA, a USA Swimming tem um departamento exclusivamente criado para ensinar os clubes a ser administrados
      como empresas, e os técnicos a se tornarem CEOs. Toda a ênfase é o desenvolvimento da capacidade de gerenciar os clubes.

      Todos vocês tem ponto de vistas muito relevantes e são todos apaixonadas pela natação brasileira.

      Espero ouvir no futuro notícias de que vocês estão envolvidos com os clubes, federações e a CBDA.

      grande abraço.
      Eduardo

      • Jorge Fernandes
        31 de janeiro de 2013

        Eduardo e Rodrigo… bom ler os posts de voces… mas lembrem-se de que é uma confederação que congrega 4 modalidades: natação (piscina e águas abertas), põlo aquãtico, nado sincronizado e saltos ornamentais… os EUA tem um modelo excelente com participação massiva de escolas e universidades, há décadas… um excelente exemplo que pode ser adaptado… e se eles promovem cursos para esse tipo de administração, porque não aproveitá-lo ?…

      • Rodrigo M. Munhoz
        31 de janeiro de 2013

        Eduardo: Bons pontos e dicas… este debate está gerando idéias, nomes e o que parece mais bacana: vontade de participar mais (pelo menos em mim).
        Jorge: concordo com você sobre podermos aprender algo (aproveitar/adaptar) do modelo norte americano, ainda que este não seja totalmente aplicável por aqui. Não sei se essa colaboração com USAS já existe, mas não vejo como algo impossível. Vou estudar um pouco mais e tentar entender o que poderia ser legal por aqui…só de olhar a missão deles em http://www.usaswimming.org já dá umas idéias para tropicalização…Build the Base… Promote the Sport… Achieve Competitive Success…

  8. Alvaro Pires
    31 de janeiro de 2013

    Grande Renato, excelente texto sobre a CBDA. Caramba fiquei ateh c inveja de nao ter sido escrito por mim. Entendo a preocupacao do meu amigo Jorge c nomes. Aqui no Rio temos uma federacao de futebol q ficou anos e anos gerida por um sujeito chamado Eduardo Viana vulgo Caixa Dágua. Todos achavam q seria impossivel piorar o q existia mas como nada eh impossivel, este q jah estah ha alguns anos consegue ser pior do q o anterior.
    Em relacao a nossa confederacao, em minha opiniao, os esportes deveriam ser separados. P mim deveria ser uma confederacao de cada esporte aquatico. Defendo isso c unhas e dentes. As prioridades e o esportes em si sao muito diferentes. O Coaracy nao fez nada pelos outros esportes, ficaram sempre na rebarba da natacao. O polo aquatico hj eh muito pior do q era na epoca do meu pai, muito pior ! Em qtos estados brasileiros sao praticados polo aquatico, nado sincronizado e saltos ? Acho q dah p contar nos dedos de 1 mao. Cade o gestor q massifica ? Cade a parceria c escolas e universidades ? Coloca uma parte dessa dinheirama das loterias lah.
    A confederacao fecha os olhos qdo interessa (nos casos de doping) e em outros joga aos leoes, eh escancarado isso.
    Em relaco aos resultados, nao acho q hj sejam tao melhores. Fomos a Moscou c chances parecidas c as de Londres. Quase todos os melhores resultados dos ultimos 35 anos foram conquistados por atletas treinando fora do pais, !!! Tem indicador melhor do q este p avaliar
    o trabalho da confederacao ??? E o Coaracy ainda faz uma forca enorme p o cara treinar aqui. Coloque 10 mulheres treinando lah fora e depois de 2 anos monta uma equipe soh c elas q ganha o trofeu brasil c pe nas costas.
    Acho o corpo tecnico da confederacao fraco, existe falta de renovacao lah tb.
    Acho q falta intercambio maior aos nossos tecnico de bera de piscina tb. Acho q se formam poucos profissionais ligados ao nosso esporte. Pq nao existe uma escola de tecnicos ?
    Bom p comecar minha participacao no ano tah otimo.
    ab gr em todos e feliz 2013 !!!

    • rcordani
      31 de janeiro de 2013

      Vreco, o polo aquático brasileiro realmente patina, são meia dúzia de clubes e apaixonados que ainda mantém o esporte vivo por aqui.

      Na minha opinião a natação brasileira de elite é sim melhor do que antigamente, já com relação à base não tenho tanta certeza. Lembra da década de 80 os Pernambucanas, Programa Ricardo Prado, Bobs, Jovem Pan e etc? Eram milhares de crianças praticando o esporte, hoje em dia não se vê mais essas coisas! O Maurício Becken e Julio de Lamare estão esvaziando!

      Apoio para o cara que já é bom é legal, mantém esse cara na piscina, mas em geral esse cara tem imagem suficiente para angariar seus patrocinadores privados, correto?

  9. Eduardo Fischer
    31 de janeiro de 2013

    Caro Jorge Fernandes.

    Tenho grande respeito pelo senhor. Muito mesmo! Assim como tenho por todos atletas olímpicos brasileiros. E ainda respeito maior por aqueles medalhistas olímpicos, como você.

    É preciso muita dedicação, disciplina e treino para chegar nesse resultado.

    Seu texto foi bastante esclarecedor, trazando informações desconhecidas e interessantes.

    É muito bom saber a opinião de quem esteve tão próximo daquela tão comentada “troca” da CDN para CBDA.

    Entretanto, vejo-me obrigado a discordar do senhor quando diz que não existe ninguém capaz de substituir o Sr. Coaracy na presidencia da CBDA. Aliás, desculpe-me a ênfase, mas discordo veementemente!

    Posso vislumbrar várias pessoas aptas e melhores que o Sr. Coaracy para gerir a CBDA. Inclusive, a nossa chapa (MUDA CBDA), que traz o Sr. Julian Romero como presidente, é prova viva e real disso. Creio que o Sr. Julian é MUITO mais capaz de gerir a CBDA.

    E veja, não estou falando de “conexões políticas”, pois isso não mede capacidade de administração de ninguém. Aliás, é óbvio que o Coaracy tem mais contatos políticos do que o Julian, o cara vive em Brasília!

    Quando falo em capacidade de gestão, falo com conhecimento técnico! É isso que a CBDA precisa. E é isso que carece, e muito, o Sr. Coaracy.

    Para administração financeira, existe cargo, tesoureiro, advogado e contador.

    O presidente não precisa entender de gestão contábil, basta ele contratar alguém que saiba fazer. E nem precisa ser “puxa saco de político”. Temos essa ideia erronea no Brasil… Que para conseguir as “verbas” precisamos de “contatos políticos” e as vezes “deixar cair algum no chão”! Bullshit! Pode até ser que seja assim que a banda toca no momento, mas depende somente de nós (brasileiros), para mudar esse panorama absurdo.

    Já conhecimento técnico, ele não tem, não delega e não admite lhe carece. A grande falha do “todo poderoso” Coaracy.

    Enfim, posso ficar aqui discorrendo horas e páginas sobre o tema, mas preciso trabalhar.

    E com muita humildade afirmo, se não fosse o Julian o candidato, eu poderia ser. E me considero MUITO mais capaz do que o Coaracy.

    Mas isso é opinião de cada um. Sendo essa a minha.

    UM abraço!

    Eduardo Fischer.

    • Clara Grazzo Mercadantes
      31 de janeiro de 2013

      Ganhou meu voto. Aliás, quem pode votar? Só as federações? Poderíamos começar a mudar por aí, né? Voto aberto, voto do povo, voto democrático. Assim não correríamos o risco de ter outro presidente durante mais 25 anos no poder da CBDA.
      abs

    • rcordani
      31 de janeiro de 2013

      Legal Fischer, aceitou o desafio do Jorge. Parabéns pela sua bi-olímpica carreira!

      A discussão livre de ideias é o exato propósito do blog, muito obrigado por expressar aqui as suas.

      Clara, quem vota são os presidentes das Federações estaduais apenas. Que eu saiba, TODAS estão com o Coaracy. Pergunte ao presidente da Federação do seu estado em quem ele vai votar.

      • Julian Romero
        31 de janeiro de 2013

        Tenho minhas dúvidas com relação a “todas”. Onde estão as tais cartas de apoio então? Por que não divulga isso no site ou em outro meio de comunicação? Um adendo ao comentário do Fischer: acho que ele hiper-valorizou minha capacidade! Além disso, o que quero é o que o Lelo já comentou: uma chance de existir oposição, não uma “eleição” chapa única dando a entender que tudo está lindo e maravilhoso. Que seja um voto contra numa eleição com duas chapas, esse voto contra teve ao menos a opção de não votar na situação, ao contrário de nem ao menos ter a chance de votar, já que a “aclamação” é sugerida logo no começo por falta de adversário.

      • Jorge Fernandes
        31 de janeiro de 2013

        hehehe… viu RC ? já surgiram 2 nomes…
        Eduardo, ótimo voce ter escrito… minha postagem foi justamente para instigar uma troca de idéias… isso aí… sinceramente não conheço pessoalmente o Julian (desculpe-me a pretensa intimidade) mas se você diz e confirma sobre a capacidade dele, porque não ?… e quando falei que não havia ninguém NO MOMENTO, é porque EU não conhecia (como ainda não o conheço), e por conta disso não posso e nunca vou simplesmente falar que o cara é bom pra kct simplesmente por ouvir falar ou por ser meu amigo (por ser meu amigo, eu falaria diretamente para ele caso eu tivesse a menor dúvida, pois acho que amigos são para isso)… e acredito piamente que não seja esse o caso, e que você deva conhecer e muito o Julian para poder citá-lo… desculpem-me a tosca comparação mas seria quase igual a um namoro/casamento, tendo que conhecer bem a pessoa para poder defender as idéias, explaná-las com sabedoria, e convencer a quem de direito… que ótimo !!!
        confesso que temia um pouco pelo tema, mas está me interessando um bocado…

      • Jorge Fernandes
        31 de janeiro de 2013

        Sr. Julian… bom tê-lo aqui incrementando o assunto… como não participo em nada na CBDA (hoje em dia sou árbitro CBDA/FINA de pólo aquático), acredito que sempre exista a possibilidade de se ter uma oposição, afinal estamos numa democracia ! Como você bem disse: que seja um voto !!! esse voto já significa que não há unanimidade, e que um bom gestor deva correr atrás para que a “empresa” esteja andando redonda (sem alusão à propaganda)…

    • Jorge Fernandes
      31 de janeiro de 2013

      só teve uma coisa que não gostei no seu post…

      me chamar de SENHOR… aí quase tive um piripaque… do resto, ótimo ver sua participação…

  10. Gustavo Pedrazzi
    31 de janeiro de 2013

    Realmente o assunto é muito polêmico e nada melhor do que bons debates para novas propostas de gestões esportivas surgirem e mudanças para melhor – ou não – acontecerem. O que posso afirmar é que no contato que tenho com o Sr. Coaracy (anualmente), sem sombras de dúvida, ele se mostra um grande apaixonado pela natação e sim, apresenta uma vocação política muito grande para exercer o cargo (não estou afirmando que isso seja suficiente para uma boa gestão esportiva) e suas “conexões adquiridas” (conforme mencionou Munhoz) com governo federal e entidades afins são fortíssimas. Porém, acho que além dos fatos apresentados pelo Renato Cordani, fica a indignação de todos quanto à falta de clareza/modelo do regulamento/estatuto, sobre como ocorrem às eleições na CBDA, a qual tem grande poder (financeiro) sobre a maioria das federações no meu ponto de vista.
    Quanto à troca de comando, me parece que fica claro, nesse modelo eleitoral, que dificilmente a situação não se mantenha no cargo, até pelo que escuto em conversas de bastidores, o Sr. Coraucy já está “treinando um ex-nadador e medalhista olímpico” para assumir sua posição na próxima gestão (o que tb parece não agradar a todos presidentes das federações, repito, assim escutei), alegando já estar cansado para exercer o cargo que é muito desgastante e, e até onde sei, não é remunerado.
    No mais, acredito que grandes conquistas foram realizadas na gestão Coaracy, mas, com certeza, há muita coisa a ser feita ainda. Tb concordo plenamente com aqueles que acreditam que sempre deve existir oposição (ou, “um rival para chamar de seu”) no intuito de gerar novas propostas, debates, críticas construtivas, desconforto…etc…para que, o que hoje se tem de bom, possa evoluir e melhorar…
    Parabéns ao Blog e que ele proporcione (como agora) sempre boas discussões (debates) em prol da natação…abs a todos!!!

    • Jorge Fernandes
      31 de janeiro de 2013

      isso aí Gustavo…

    • rcordani
      1 de fevereiro de 2013

      Bons ventos daí, Pedrazzi. Se for isso aí mesmo avançaremos! Obrigado pela contribuição.

  11. Roberto Veirano
    31 de janeiro de 2013

    Li o post e os comentários com muito prazer. Saudades de bons tempos e de vários amigos (apesar de um ter sido um tremendo PEBA, treinei com muitos bons nadadores – em particular deixo um grande abraço ao Jorge).

    Apesar de ter me afastado há muito tempo do mundo da natação, os dirigentes são os mesmos da época em que eu treinava muitos km por semana e nem sonhava em ter barba na cara. Nem na antiga URSS os dirigentes duravam tanto! Claro que não pode dar certo.

    Se com 16 anos os brasileiros podem votar para presidente da República, por que os atletas a partir dos 16 anos não podem eleger seus representantes? Talvez seja necessário uma transição para se chegar lá, mas é o caminho.

    Tenho ainda uma pergunta para os estudiosos do tema: o voto de cada Federação tem o mesmo peso? Será que faz sentido que alguns Estados que possivelmente não tem representantes nas principais competições de esportes aquáticos do país possuam o mesmo peso na determinação dos rumos da CBDA? Creio que não.

    Por último, como um apaixonado por natação, e irmão de uma atleta olímpica de nado sincronizado, peço que tanto situação como oposição exagerem no quesito transparência (e que a oposição se lembre das suas bandeiras se e quando chegar lá). Esse quesito nunca é demais. Funções não remuneradas e orçamentos vultosos são uma combinação explosiva, e na qual não acredito – portanto a solução é transparência, transparência, e finalmente um pouco mais de transparência.

    PS 1 – Deixo uma pergunta que o Renato certamente vai responder em algum post em breve: como trabalhar melhor a base? Como realmente massificar o esporte? Qualquer melhora dos nossos esportes a longo prazo depende fundamentalmente desta resposta.

    PS 2 – Não falo com o Coaracy desde que parei de nadar no início dos anos 90, mas se o encontrasse na rua, depois dos agradecimentos pelos serviços prestados à natação (e não aos esportes aquáticos) pediria para ele se aposentar. Arejar é preciso!

    • rcordani
      1 de fevereiro de 2013

      Veirano, em primeiro lugar, tremendo peba não: SEMI-peba.

      Concordo que transparência é condição sine-qua-non para os dias de hoje, infelizmente ainda não chegamos lá, e isso obviamente não ocorre apenas na CBDA.

      Grande abraço duzentospeitiano!

  12. Maviael Sampaio
    1 de fevereiro de 2013

    Meus amigos nadadores, aficcionados, e querido amigo Jorge Fernades,

    Me permitam acrescentar mais alguns capítulos na história da mudança da CBN para CBDA.

    A da criação da UNN (União Nacional dos Nadadores) se deu em Campinas, durante o Troféu Brasil de 1985, em uma reunião após uma das etapas da competição no Círculo Militar de Campinas. E esse foi um momento importantíssimo para a evolução do esporte.
    As condições da competição eram terríveis, e isso foi a “gota d’água” para o início da UNN.
    Com uma participação massissa dos atletas (mais de 70%), foi eleita uma comissão para legalizar a associação, e para defender os direitos dos atletas junto à CBN (Jorge Fernandes, Djan Madruga, e esse que vos escreve). Mas a nossa missão imediata era a de apoiar a oposição nas eleições da CBN qua ocorreriam alguns dias (ou semanas ???) após o campeonato.

    A eleição ocorreu na sede do COB (centro do Rio), com uma grande cobertura jornalística. Infelizmente a situação ganhou a eleicão. Porém, algumas irregularidades no processo de votação foram detectadas, e nós (UNN) fomos à luta.

    Contactamos o Ministério da Educação (na época as federações esportivas eram ligadas ao Ministério da Educação), e conseguimos intervir na CBN 3 vezes. Esssa luta durou por volta de dois anos. Tivemos audiências diretas com os Ministros da Educação (Marco Maciel, e Jorge Bornhausen). Interventores assumiam o comando da CBN por algumas semanas, mas as intervenções eram revogadas por meio de liminares, e o Ruben Marcio voltava à CBN.
    O caso foi parar em Brasilia, no Tribunal Superior de Justiça Desportiva. Mas nós (UNN) perdemos.

    O bom disso tudo foi que a direção da CBN (Ruben Marcio, e cia) chegaram a conclusão que seria melhor “sair”. Com isso veio a “negociata” que o meu amigo Jorge se refere: o Ruben Marcio foi pra FINA, e o Coaracy assumiu a CBN (CBDA).
    Para finalizar, quero deixar a minha opinião: O Dr Coaracy entrou na CBDA com uma bandeira política: a de dar melhores condições aos atletas, com mais intercâmbio e competições internacionais. E isso ele fez, e muito bem. Quanto a ter (ou não) sucessores à altura, tenho certeza de que temos mais de uma pessoa capaz de fazer um bom trabalho à frente da entidade.

    Parabéns pelo debate, e espero que isso só ajude a crescer o nosso esporte no país.

    Um abraço.

    Maviael Sampaio

    • Jorge Fernandes
      1 de fevereiro de 2013

      Mavi, voce como sempre nos brinda com uma memória excelente… obrigado.

    • rcordani
      1 de fevereiro de 2013

      Obrigado pela contribuição, Maviael, concordo contigo que temos muito a agradecer ao nosso presidente, mas creio seja hora de oxigenar um pouco isso aí!

      E principalmente eu concordo contigo que o debate está excelente!

      Grande abraço duzentospeitiano!

    • Luiz Carvalho
      11 de outubro de 2016

      Grande Mavi! Abracos duzentospeitianos pra voce!

  13. Alexandre Lomonaco
    1 de fevereiro de 2013

    Antes de creditar a melhoria dos atletas ao presidente da CBDA, tendo sido essa sua bandeira, ou não, eu me pergunto:
    – Quanto desses resultados deve ser compartilhado com familiares, técnicos e Clubes, e aqui falo daquele momento em que a Confederação nem ao menos sabia da existência do atleta. Acho que depois que o atleta já começou a brilhar fica bem mais fácil e “barato”pegar carona no sucesso.
    – Quanto do intercâmbio foi facilitado simplesmente porque em 25 anos a melhoria dos transportes, comunicações e etc.. influiu? e aqui lembro que qdo fiz uma viagem com a equipe do Pinheiros para os USA aos meus 15 anos , para todos , ricos ou não, era a primeira vez que íamos para lá, e agora sou capaz de apostar que quase todos aqueles que lá estavam levaram seus filhos para lá muito antes dessa idade. Qto a competições, elas se multiplicaram inclusive com circuitos e copas que duram o ano todo.
    Os esportes aquáticos precisam é de alguém que ajude a multiplicar o número de praticantes com aumento de associações, clubes, escolas, times ,etc.. Os campeonatos de pólo tem menos times que na década de 60 qdo inclusive o Brasil foi ouro nop Pan. No saltos, a mesma falta de equipes. E na natação lembro que quando íamos ao Rio para competir no século passado e assistir as performances do Jorge Fernandes , Ciro Delgado, Mattioli,Chicão, etc… encontrávamos equipes completas e competitivas do Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco e Tijuca, enquanto hoje o Flamengo até o ano passado tinha uma equipe de “aluguel” e agora nem isso.
    Qto a força política do Coaracy com outras esferas e empresas, lembro do pai de uma amigo que enquanto exercia determinado cargo público recebia grandes cestas todo o Natal e qdo se aposentou no primeiro ano nem telefonema recebeu.
    Desculpem mas acho que passou da hora de trocar e se não há opção estamos perto do fim. A boa notícia é que acima vi que há gente querendo participar e mudar e esse é o caminho.
    Abs,
    Lolo

    • rcordani
      2 de fevereiro de 2013

      Boa Lolô.

      Na minha visão para a natação olímpica ele foi razoavelmente bem. Os nadadores olímpicos brasileiros tem hoje todas as condições estruturais de competir, treinar, aclimatar, medicar, etc, etc.

      No que eu concordo com você é a famosa falta de atenção à base, o grande volume de gente que vai probilisticamente aumentar a presença olímpicos no nosso país. Falta de piscinas. Competições esvaziadas. Poucos pólos de importância. E como “efeito colateral” extremamente salutar, o investimento da base colocaria o povo para praticar esportes.

      Grande abraço

  14. Roberto Veirano
    1 de fevereiro de 2013

    Mavi,
    Ótimos comentários! Esse TB foi o meu primeiro, com 14 para 15 anos. E, claro, me filiei à UNN – lembro da minha carteira de sócio da entidade, que infelizmente já se perdeu há muito tempo. Nadar os 200p junto com você e os outros nadadores de ponta foi uma das coisas mais legais que me lembro deste período. Como um bom representante desta nobre estirpe (os caras que só sabem nadar 200p…), também tentei algo nos 100p – mas neste caso é melhor nem comentar o fiasco!
    Espero que se houver uma mudança na CBDA os novos gestores se comprometam a sair antes de 25 anos (quem sabe conseguimos ter a saudável alternância de poder a cada 2 termos, no máximo).
    Grande abraço,

    • rcordani
      2 de fevereiro de 2013

      Veirano, 4 com possibilidade de mais 4 acho que seria mais adequado. Dois não dá nem para começar!

      • Fernando Cunha Magalhães
        4 de fevereiro de 2013

        Cordani,

        entendi que foi exatamente isso que o Veirano propôs com “(quem sabe conseguimos ter a saudável alternância de poder a cada 2 termos, no máximo)”. Acho que 2 termos devem ser 2 mandatos.

      • rcordani
        4 de fevereiro de 2013

        Obrigado Esmaga, você e o Veirano estão corretos, eu que li errado.

  15. Maviael Sampaio
    3 de fevereiro de 2013

    Caros amigos,

    Acho que com o meu comentário ficou a impressão de que eu apoio o continuismo. DE JEITO NUNHUM.
    Quando a UNN foi fundada, e lutamos para uma nova diretoria, o Dr Rubem Dinard estava à frente da CBN à doze anos (se não me engano…). Na época, pelos estatutos da entidade ele não poderia se reeleger mais. Portanto a “jogada” era eleger o seu filho (Rubem Marcio Dinard) para que tudo continuasse “em família”. O Dr Dinard (pai) tinha um cargo na diretoria do Rubem Marcio (se não me engano de vice-presidente).

    De lá pra cá os estatutos das Confederações Nacionais (e Federações Estaduais) foram TODOS modificados, seguindo o modelo do COB, que permite um número ilimitado de reeleições.

    Concordo plenamente com os meus companheiro Renato Cordani e Roberto Veirano (duzentosdepeitianos!!!) de que 4 mais 4 é o ideal, e acrescento ainda que as eleições deveriam ser feitas em outubro após cada Olimpíada, com a posse no dia primeiro de Janeiro.

    Acho que para esse ciclo Olímpico nada mais pode ser feito. O trabalho e o debate deve evoluir para as próximas eleições (2016 ?).

    Estando nos EUA desde 2000, e tendo sido técnico de Universidade por 9 anos, a agora técnico de clube à quase 4, adquiri um bom conhecimento/entendimento de como a natação americana funciona (e bem). NCAA, USA Swimming, ASCA, etc. Cada uma dessas entidades tem um modelo administrativo um pouco diferente. À seguir, me permitam acrescentar mais um ponto para futuros debates: o modelo administrativo da “futura” CBDA.

    – Presidente e Vices: o presidente e o seu “gabinete” (vices) devem ser eleitos de 4 em 4 anos, com direito à uma reeleição. Estes cargos não precisam ser necessáriamente remunerados. Eles seriam responsáveis pela filosofia de trabalho da entidade, e de fiscalizar o trabalho do CEO.
    – CEO: essa pessoa seria um profissional pago, e que conduziria a entidade administrativamente, seguindo as diretrizes dadas pelo presidente. Essa pessoa poderia ficar na CBDA por mais de 8 anos, caso esteja fazendo um bom trabalho. O CEO, junto com o presidente e os vices, formariam o resto dos cargos da entidade (diretores esportivos, administrativos, comissões, etc).

    Esse é o modelo administrativo da ASCA (American Swimming Coaches Association). A ASCA é uma potência, com uma linha de trabalho sensacional, e com um CEO que faz um trabalho fenomenal. Como coloquei acima, a pessoa nesse cargo poderia ser substituída à qualquer momento.
    Acredito que com esse modelo, uma entidade pode ter mudanças de trabalho/filosofias, mas também uma continuidade das coisas que são necessárias.

    Me desculpem pela longa mensagem, mas esse assunto me apaixona, e é uma das “chaves” para o futuro desenvolvimento do esporte no Brasil.

    Um abraço,

    Maviael Sampaio

    • rcordani
      4 de fevereiro de 2013

      Excelente Mavi. Parece um excelente modelo de administração. Quem sabe um dia…

      • Fernando Cunha Magalhães
        4 de fevereiro de 2013

        Na gestão atual, o Clube Curitibano implantou o modelo de gestão que o Mavi sugere. Presidente e diretores não remunerados e um gestor (ele mencionou CEO, aqui é Superintendente) responsável pela implantação dos planos de ação aprovados.
        Está dando muito certo.
        E caso não estivesse, o Superintendente poderia ser substituído a qualquer tempo.
        O que é diferente é que aqui são 3 anos de mandato para o presidente sem possibilidade de reeleição.
        Para a CBDA, prefiro 4 anos.
        Ainda tenho dúvida sobre a possibilidade de reeleição.

      • Rodrigo M. Munhoz
        4 de fevereiro de 2013

        Estou com o Mavi e você nessa, meu caro Esmaga.. Profissionalização é o caminho para eficiência e resultado…olhemos bons exemplos

  16. Alvaro Pires
    3 de fevereiro de 2013

    A discussao tomou um rumo muito bacana. ! Nosso nobre colega tricolor acrescentou muita coisa interessante. Com certeza, temos q fazer um modelo brasileiro novo, diferente de tudo q jah foi feito antes. E exemplos q dao certo em outros lugares podem e devem ser aproveitados. Nao me conformo de nao termos uma escola de tecnicos, a CBDA nao apoiar devidamente os clubes e nao participar de projetos de massificacao do esporte. E insisto q grande parte de nossos melhores resultados foram conseguidos pelos atletas treinando fora do Brasil. Nao vejo merito da CBDA nisso, muito pelo contrario. O inicio da adm do Coaracy pode ter sido bem melhor q a anterior mas de um bom tempo p cah as coisas nao estao boas. Cade os esortes aquaticos sendo praticados em todo o Brasil ??? Nao dah p admitir q c a grana q entra na entidade, a natacao feminina esteja nesta situcao, a masculina dependa de 3 ou 4 e os outros esportes aquaticos sejam praticados por alguns abnegados herois.
    gr ab Vreco

    • rcordani
      4 de fevereiro de 2013

      Exato Vreco, “as coisas não estão boas”.

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Publicado às 30 de janeiro de 2013 por em Natação, Olimpíadas e marcado , , , , , .
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