Epichurus

Natação e cia…

As Loucas Propostas do Tio Antonio!

O Tio Antônio, pai de um folclórico velocista paulista, não gostava muito de natação. De fato só gostava dos 50m Livre, curiosamente a prova do filho, embora o Tio Antônio deixasse bem claro que não tinha nada a ver com isso. Ele simplesmente achava que qualquer prova que durasse mais de 30 segundos enchia o saco.
Competições? Só assistia no Constâncio Vaz Guimarães, mais conhecido como DEFE do Ibirapuera e só ia no Verão. Lá dava pra tomar sol. Era absolutamente contra premiações. “As medalhas tem que ir pelo correio pô! Que saco parar a competição pra ouvir musiquinha e ver o atleta recebendo flores”. Esse era o Tio Antônio. Uma das figuras mais curiosas da natação paulista da década de 80/90, alem de advogado conceituado. Não tinha ninguém que não achasse inusitado ver um senhor de sunga e sapato social tomando sol na arquibancada do DEFE. Ah, mencionei que ele usava peruca?

Toninho tomando sol na arquibancada!

Toninho tomando sol na arquibancada!

Enfim, por mais peculiar que fosse o Tio Antônio, suas ideias não são tão diferentes da população em geral. Num mundo cada vez mais capitalista, o esporte precisa acompanhar essa onda de fazer dinheiro e cativar o público e convenhamos que a natação, em particular a brasileira, está longe de ser o esporte favorito da massa. E sendo muito franco, algumas provas longas, dependendo do nível de competição, tinham pouco interesse inclusive para nós nadadores, observando das arquibancadas. Quem tinha saco para assistir num Torneio Regional, nove series de 1500m Livre?

Uma vez criei coragem, sentei com o Tio Antônio e perguntei porque ele não gostava do esporte que eu tanto amava. “Veja bem, não é que eu não goste de natação. Eu só acho que ela não tem muito foco e tem provas demais”, explicou!

Perguntei o que ele queria dizer com isso.

“O intuito do esporte é escolher o melhor daquela atividade. No caso da natação, que tem 4 estilos, o intuito é descobrir quem é o mais rápido em cada um dos estilos. Então o correto seria ter apenas as provas de 50m, pois são elas que mais claramente definem o nadador mais veloz do mundo.”
“Ta certo, pra definir o nadador mais rápido de cada estilo, nada melhor que as provas de 50 metros”, respondi.
“Então estamos de acordo em abolir as provas de 100m?”, replicou. Eu obviamente não concordava, e retruquei “A natação não é só velocidade. Tem resistência e tem estratégia”.

“Ta bom” respondeu ele “você quer saber quem é o nadador mais resistente. Pra isso existe a prova de 1500 metros que demora, no mínimo, 15 minutos. Já cheguei a quase dormir em algumas delas. As meninas tem mais sorte e nadam somente 800m. Convenhamos que quem ganha os 800m vai ganhar os 1500m, então porque fazer a gente sofrer por 7 a 8 minutos a mais. Poxa, acaba com os 1500m e deixa só os 800m. Acaba também com os 400m livre. Se o cara nada só os 400m, significa que já é fundista. Que aprenda a nadar os 800m.”
Nessa hora o Tio Antônio já tinha exterminado as 4 provas de 100m, os 400m Livre e trocado oficialmente os 1500m pelos 800m. Uma economia de 950 metros.

Sun Yang vence os 1500m nas Olimpíadas de Londres com mais de 8 segundos de vantagem!

Sun Yang vence os 1500m nas Olimpíadas de Londres com mais de 8 segundos de vantagem!

“Satisfeito? Já escolhemos os mais velozes de cada estilo e o cara mais resistente da natação. Não ta bom?”, disse ele orgulhoso.
“O senhor esqueceu dos meio fundistas, aqueles que não tem a explosão do velocista, nem a resistência do fundista, mas que tem como ponto forte a estratégia de prova. São os nadadores de 200 metros.”, tentei convencê-lo puxando sardinha pro meu lado, nadador da mais nobre prova da natação, os 200m peito.

Curiosamente e talvez sabendo da minha especialidade, não polemizou, “ok, dou o braço a torcer pelas provas de 200m. Que fiquem no programa. Então ficamos com as 4 provas de 50m, as 4 provas de 200m e os 800m. 9 provas. Ta de bom tamanho!”.

“Espera só um minuto”, indaguei, “O senhor esqueceu das provas de Medley, que definem o nadador mais completo, aquele que é bom nos 4 estilos!”.

“Se o intuito é descobrir o nadador mais completo, aquele que é o mais rápido nos 4 estilos, ficamos então somente com os 200m Medley. Risca os 400m da competição. Alias pra mim o ideal seria os 100m Medley. Tai uma prova que eu adoraria assistir, mas como a piscina é de 50 metros, fica impossível né!” concluiu com propriedade. “E antes que você me pergunte dos revezamentos, o único que faz sentido é o 4x50m Medley. Ai se prova a melhor equipe de natação, que é aquela que tem os mais rápidos nadadores de cada estilo. Esquece os 4x100m Livre que se usarmos a lógica nos obrigaria a ter o 4x100m Borboleta, o 4x100m Costas e o 4x100m Peito pra concluir qual equipe é a mais rápida em cada estilo. Não tem o menor sentido pois prolongaria demais a competição. E falando nisso, existe prova mais sem nexo que os 4x200m? Qual a finalidade dessa prova? Deve ter sido inventada por algum pai de nadador de 200m Livre. Só pode ser!”

E com isso se levantou, como se a discussão estivesse encerrada!

Na época morri de rir das “loucas” propostas dele, mas hoje acho que o Tio Antônio tinha um pingo de razão. Me despindo de toda a minha historia, a historia da natação e todos os meus preconceitos sobre ela, acho que se eu pudesse reescrever o esporte do zero, incorporaria algumas sugestões do Tio Antônio. Talvez, quem sabe, a natação teria mais apelo pra massa e consequentemente mais praticantes se tivéssemos menos provas ou provas mais curtas. Certeza que pelo menos teríamos mais Antônios frequentando as arquibancadas das piscinas brasileiras. E o Jorge (Fernandes) que me perdoe, mas de fato qual a explicação logica para o 4x200m Livre?

35 comentários em “As Loucas Propostas do Tio Antonio!

  1. Lelo Menezes
    18 de abril de 2013

    Extraordinariamente deixo o primeiro comentário, apenas enfatizando que o post tem um forte intuito de comedia (então não precisam me apedrejar), embora eu concorde com parte da ideia por trás da cabeça do Tio Antônio!

  2. charlaodudo
    18 de abril de 2013

    Boa Tio Antonio! Para ficar melhor era só trocar as provas de peito por parafuso!

    • Lelo Menezes
      18 de abril de 2013

      Carlão, sei que seu sonho era ser nadador de peito, mas o cruel destino lhe fez ser nadador de borboleta! São difíceis esses golpes do destino, mas pense que podia ser pior. Você podia ter sido nadador de costas! Rsrsrsrs!

  3. Rodrigo M. Munhoz
    18 de abril de 2013

    Lendo o texto, eu bem que achei que o Charles iria comentar do nado parafuso! Batata…
    O “Tio Antonio” era peculiar, mas um cara bem legal e engraçado. Acho que uma parte das opiniões dele visavam polemica, mas outra parte era real e baseada no fato de que assistir a esmo provas de natação de PEBAs desconhecidos não devia ser muito interessante mesmo. Mas nas provas do filho dele ele se animava!
    Aproveito para dizer que a família do Tio Antonio foi uma das que generosamente me acolheu quando vim estudar na capital. Bons amigos, com quem tenho menos contato do que gostaria hoje em dia.
    Boa Lelo! Abraços!

  4. Marina Cordani
    18 de abril de 2013

    Hahahaha! Concordo com o tio Antonio! Mas iam sobrar para mim só as provas de 800 livre e 200 Medley…

    • Lelo Menezes
      18 de abril de 2013

      Pô Marina. Tem gente que reclama que tem que nadar 150m numa competição de 7 dias. Você nadando 1000m seria um exemplo!

  5. Eduardo Hoffmann
    18 de abril de 2013

    Legal o “post”. Meu pitaco: pra que introduzir provas não-Olímpicas de 50m (Peito, Borb. e Costas) no cardápio já longo da natação? Se fosse pra fazer uma lipoaspiração, podiam começar por aí… Essas provas ainda têm o nefasto efeito de incentivar nadadores com talento natural para esses estilos, mas com uma certa tendência à preguiça, a se concentrarem em provas “fictícias”, que os condenarão à obscuridade esportiva…rs… Senão, algum dia, algum masoquista por aí (linha oposta à do preguiçoso…rs) ainda inventa os 400 Borboleta. Pois sempre dá prá “justificar” algo assim… Saudações Tricolores à todos!

    • Lelo Menezes
      18 de abril de 2013

      Valeu Hoffmann! A proposta do Tio não era incluir as provas de 50, mas sim troca-las pelas de 100. Uma coisa é certa – se o intuito é descobrir o mais veloz, então as provas de 50m fazem mais sentido!

      E não de idéias que o Renato Cordani ta louco pra incluir os 400m peito. Rsrsrsrs!

      Abraços

      • rcordani
        18 de abril de 2013

        400 Peito seria tóis! Eu nasci para essa prova!

      • Lelo Menezes
        18 de abril de 2013

        Se tivesse 4x400m peito então seriamos penta olímpicos como o Piu hein!

  6. João Guilherme Menezes
    18 de abril de 2013

    Muito legal. Não lembro do Tio Antonio.

  7. Patricia Angelica
    18 de abril de 2013

    Sensacionais as propostas… KKK! Será q vale mandar pro Bureau da FINA??? =P

    • Lelo Menezes
      18 de abril de 2013

      Obrigado Patrícia! Se eu mandar pra FINA os fundistas colocarão um prêmio pela minha cabeça!

  8. rcordani
    18 de abril de 2013

    Eu tô mais com o Hoffman. Não introduzir as provas de 50 estilos já seria um bom começo, outra coisa que eu mataria seriam as semifinais. E nada de tirar a segunda prova nobre, os 400 medley!

    • Lelo Menezes
      18 de abril de 2013

      Realmente semifinais podiam ser abolidas, assim como finais B.

      • Patricia Angelica
        19 de abril de 2013

        Putz! Apoadérrimo, Renato! Nada é mais pé no saco do que Final B… “é bom porque junta ponto pros clubes”, ouvi uma vez do Cesinha (pai do Cesão). Mas é chato bagaray! KKK

  9. Patrick Winkler
    18 de abril de 2013

    Lelo – entendo perfeitamente que o texto tem um tom de comédia e tem o objetivo de diversão, mas segue analise:

    Referente a audiência : A prova que teve maior audiência na historia o país da natação (Australia) foi os 1500 L dos Jogos de Sidney 2000 entre Perkins & Hackett

    Referente a ídolos – os maiores heróis dos últimos 10 anos foram: Michael Phelps & Ian Thorpe (não são velocistas)

    Referente a inovação e novos eventos: não há como negar o “buuum” das maratonas aquáticas alinhando desafio e resistência

    Ou seja, nao da para considerar a Velocidade como O maior atrativo da natação, mas apenas como MAIS UM atrativo

    • Lelo Menezes
      18 de abril de 2013

      Boa Patrick!

      A audiência dos 1500m em Sidney tem muito a ver com os “pratas” da casa! Nos jogos olímpicos o nosso patriotismo vem a tona e quando tem compatriotas disputando medalhas, principalmente quando já sao ídolos, aí agente assiste o que não normalmente assistiria. Eu, por exemplo, assisti o Pentatlo Moderno em Londres por causa da brasileira. A chance de eu assistir novamente fora dos jogos olímpicos é zero!

      Um bom exemplo aconteceu aqui. Tenho certeza que o Brasil inteiro assistiu o Cielo nos 50m Livre. Já a audiência dos 1500m (que foi uma prova sensacional inclusive) deve ter sido baixíssima.

      Phelps e Thorpe atraem o publico porque são absolutamente sensacionais nadadores. Acho que o extraordinário sempre chamará a atenção. Mark Spitz, Matt Biondi e Popov eram todos velocistas e tinham o mesmo apelo.

      Eu acho que provas mais curtas sempre terão um apelo maior. O 100m rasos tem muito mais apelo que os 3000m. É da natureza humana. Em esportes onde o vencedor é definido pelo cronometro o mais rápido sempre terá mais apelo pras massas do que o mais resistente. Veja o caso do atletismo. Bolt é famosíssimo! Vai pros cantos mais afastados do Brasil e saberão quem ele é, mas pergunte do vencedor dos 800, 1500, 3000, 5000 e vai achar 1 em 1 milhão que sabe a resposta. It is what it is!

      Ah, e parabéns pelo blog. To acompanhando de perto! Esta bem legal!

      Abraços

  10. Fernando Cunha Magalhães
    18 de abril de 2013

    Muito bom, Lelo!
    Não lembro do Tio Antonio.
    Ao jovem Lelo ele contribuiu com a saudável prática do conceito de permitir-se questionar o status quo, coisa que a maioria das crianças e jovens adolescentes demoram a perceber que é possível. Além disso, ajudou a ampliar sua capacidade de argumentação. Rica e divertida experiência.
    Quanto ao programa olímpico, por exemplo, concordo com a extinção das semi-finais, sou contra incluir qualquer nova prova e manteria o 4x200m.

  11. Aécio Barcelos Amaral
    19 de abril de 2013

    Bom, na época em que fui Delegado da Federação aqui na Segunda Região de São Paulo, acompanhava todos os Torneios Regionais que organizava, e era muito claro que 99% das pessoas que estavam lá para ver eram pais de atletas. E quanto mais velhos eram os nadadores, menos pais estavam presentes.
    Ninguém quer assistir um evento que dura o dia inteiro. Penso que para popularizar a natação, as competições deveriam durar umas duas horas mais ou menos. Como um jogo de Volei, de basquete, de futebol.
    Enquanto continuar demorado e desconfortável, a natação será só para os nadadores mesmo, e dificilmente se transformará num negócio lucrativo.
    Então, acho que o Tio Antonio tinha uma certa razão, mas eu ainda não conheço solução para transformar uma competição regional em um show!

    Só para comparar, fui assistir meu filho mais novo jogar uma partida de futebol. Começou as 9:30, ele jogou o tempo todo (e não só um minuto e meio de um dia inteiro), e me diverti muito vendo os pais xingando o Juiz (não sabia que era ssim!!!! eles xingam o tempo todo), e as 11:30 já estava em casa.
    Na natação o cara levanta no sábado as 5 da manhã prá levar aquele bostinha no clube de onde ele sai no ônibus e você no seu carro. Na piscina não tem nem onde sentar. Sombra, então, nem pensar. A alimentação é só coxinha, esfiha e quibe.
    E para terminar o pesadelo, seu filho, que ainda é Petiz 1 e deve estar apavorado, cai do bloco na saída e é desclassificado sem nem ter nadado…… (Eu ví acontecer isso mais de uma vez!). Esse pai nunca mais vai querer voltar.
    E prá tornar a coisa ainda mais chata, tem Árbitro Geral que não permite que se toque música nem durante as provas de fundo……….

    • charlaodudo
      19 de abril de 2013

      Ótimos pontos Aécio!
      Meu filho também joga futebol e realmente os campeonatos são muito mais agitados.
      Lembro das competições no Ibirapuera onde meu pai dava longas cochiladas na arquibancada e um pouco antes de ir para o balizamento eu tinha que acordá-lo para ele não perder a minha prova.

    • rcordani
      19 de abril de 2013

      Boa Aecio, é verdade isso aí. Eu chuto que apenas a Australia tem torcedores de natação “não pais”. Se bem que a Patricia Angelica aí em cima é um exemplo de tordedora, será que isso pode mudar?

      • Aécio Barcelos Amaral
        19 de abril de 2013

        É pessoal, mas antigamente tinha um pouco de torcida…. Me lembro do início da década de 70, quando havia o Campeonato Colegial, uma disputa esportiva entre os colégios do Estado de São Paulo (públicos e privados). Durava uns 6 meses, e eram disputados vários esportes. Começava regional e depois havia a final estadual. As escolas levavam um ônibus com o time e mais dois com a torcida. Era muito bom, e como tinha briga entre as torcidas (as brigas faziam parte da festa, mas ninguém se machucava de verdade….). Quem participava como atleta num esporte participava como torcedor de outro junto com os não atletas, e havia um sentimento meio que “patriótico” entre a gente. Acho que muitos vão se lembrar disso.

      • Patricia Angelica
        19 de abril de 2013

        Renato, te conto uma boa sobre essa coisa de não ter nadadores na minha família (se bem que agora, tenho dois priminhos pequenos começando no esporte, mas ainda não competem):

        Maria Lenk de 2008, um ano depois de vir morar em Niterói (sou de Minas…), finalmente arrumei coragem pra sair sozinha pra lugares mais longe da minha casa. Lá fui eu pro Maria Lenk. Chegando lá, eu, que falo pra carmaba e adoro me enturmar, comecei a conversar com algumas mães que estavam na arquibancada. Daí, uma delas, a Dona Martha, mãe da Tatiana Lemos, me perguntou: “tu tem algum parente aqui? Quem é?” e disse: “tenho ninguém não… vim só pra torcer mesmo… :)”. E ela: “nossa… que raridade! seja bem vinda! =D”

        Tomara que surjam mais… até porque agora eu deixei de ser torcedora e virei jornalista, né? 😉

    • Lelo Menezes
      20 de abril de 2013

      Aecio! Excelente os seus pontos. Concordo com todos eles! Assistir a final dos 1500m nas olimpíadas é ótimo! Assistir 10 series de 1500m em torneio regional…not so much!

      Abraços

  12. Patricia Angelica
    19 de abril de 2013

    Aécio, na minha época de escola isso ainda rolava (me formei no Ensino Médio em 2005). Não sei como está hoje, mas acredito que esteja mais ou menos parecido… 🙂 Eu sempre fui groupie dos atletas e dos músicos… =P

    Uma pena que no circuito universitário não seja assim… :/

  13. Ruy Araujo
    26 de abril de 2013

    Bom ponto do Aecio. Me lembro de raras vezes fazermos competições dual meeting que era quase uma tomada de tempo no meio da semana. Na capital do Vale, me lembro de 1 competiçao especifica quando era infantil A em que foi a noite e a arquibancada estava lotada. Nao saberia dizer o motivo dessa lotação mas me marcou até os dias de hoje. Acredito que tenha sido uma competição com poucas provas também, afinal ninguém queria perder a novela.

  14. Pingback: Retrospectiva de um ano de Epichurus | Epichurus

  15. Lino Porto
    8 de novembro de 2013

    Eu não sei nem nadar, mas gosto de acompanhar a natação. Discordo do “tio”. Acho que quantos mais provas melhor. Não entendo por que não há os 1500 feminino e 800 masculino nas Olimpíadas. Eliminar as semi-finais, talvez, mas imagina o sujeito viajar, chegar no local, nadar 25 segundos e voltar pra casa… E ter que esperar mais 2 ou 4 anos para tentar de novo. O que falta é massificar a natação (assim como o futebol, cuja maioria dos jogos não vale muito, até que, num crescendo, chega-se às finais, sempre com estádio cheio). Faltam é mais torneios, o tempo todo. Só vejo o Cielo uma ou duas vezes por ano (isso quando ele não está machucado ou resolve tirar umas férias; imagina o Messi só jogando 2 vezes por ano! E olha que um jogo de futebol tem 90 minutos, sendo que os “melhores momentos” se resumem a 2 ou 3). O Ayrton Senna teve vitórias inesquecíveis, mas fez 150 provas, ganhando 41 (ou seja, teve bastante chance de errar, arriscar, perder). Com a natação a lógica é muito cruel (e a idéia do “tio” é torná-la ainda mais cruel), pois o atleta se prepara a vida inteira e, na hora h, uma largada em falso pode pôr tudo a perder. Deveria ser como na Fórmula Um, uma corrida a cada quinze dias (alternando-se piscinas ao ar livre e fechadas, 50 e 25 metros, variando países e continentes, contando pontos a cada prova). Falta à natação também um pouco de “misc-èn-scene”. Por exemplo: quem fez o melhor tempo na fase anterior deveria ser o último a ser apresentado na Final. Quem vê de fora, tem dificuldade para saber quem é quem, então que o atleta de cada raia tenha uma toca de cor diferente. O sujeito da raia 4 seria o bambambã de amarelo, o cara a ser batido… Outra: a largada deveria ser muito mais “ritualística”. Hoje, se a gente piscar o olho todos já estão na água (poderia haver um sistema de luzes verde e vermelha no pé da plataforma de saída). E uma diferença de 8 segundos nos 1500 (já vi finais de longa bem apertadas) equivale a 0,5 segundo nos 100m. O conceito de “mais veloz” está errado. O vencedor dos 1500 é o mais veloz desta distância, e não o “mais resistente”. Tenho outras idéias, mas deixa pra outra hora.

  16. wille
    9 de novembro de 2013

    Gostei das sugestões que surgiram no texto, mas gostar ou não de um esporte é algo muito pessoal, não sei se tem uma regra geral pra tornar um esporte atrativo pra massa.

    Eu por exemplo já tentei assistir partidas de Rugby. Acho o esporte interessante, mas o fato de o jogo parar várias vezes por minuto torna ele absolutamente chato pra mim. Apesar disso, o Rugby é bastante popular em vários países.

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Publicado em 18 de abril de 2013 por em Natação.
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