Epichurus

Natação e cia…

Rio de Janeiro, cidade olímpica.

Quase todo paulista que vem para o Rio fica com inveja e jura que um dia ainda vem morar aqui, comigo aconteceu de novo. Estou no Rio de Janeiro para um Congresso, mas como o dia tem 24 horas ainda deu tempo de aproveitar um pouco do clima esportivo que definitivamente tomou conta do Rio (ou serão meus olhos?).

Gladiadores

Estou familiarizado com o esquema “assessoria esportiva”, que em São Paulo é muito forte em corrida, eu mesmo já fui da equipe do Butenas e do Mario Silva. Mas de natação no mar era uma novidade, e eu estava louco para conhecer a famosa equipe dos gladiadores, comandada pelo olímpico Luiz Lima no posto 6, extremo Sul da praia de Copacabana, e para lá me dirigi na segunda feira 07:00 da manhã.

Fui logo recepcionado pelo Dorival Caymmi, que estava saindo de uma pescaria trazendo um peixe bom e agradecendo a deus do céu. Também obtive uma ultra calorosa recepção do chefe Luiz Lima e de toda a equipe, alguns inclusive eram leitores assíduos deste humilde blog, casos do Pedro Alquéres e Helio de la Peña.

Na água evidentemente ninguém queria dar muita colher de chá para paulista, então fui dolorosamente massacrado pelos gladiadores Marcelo Nissenbaum e José Getulio Fonseca Filho. A derrota foi mais acachapante pelo fato de um ser bem mais velho do que eu (Getúlio) e o outro estar na dobra do treino (Marcelo). Acho que preciso treinar mais…

Nas fotos a seguir imagens da cinzenta madrugada que me fez sentir um genuíno gladiador.

Só tenho a agradecer ao Luiz Lima e a todos os gladiadores por me permitirem curtir um pouco mais esse esporte sensacional. Não atrapalhou EM NADA saber que precisamente ali será disputada a maratona olímpica em 2016. Poliana, Ana Marcela, Allan, Samuel: deixei lá no mar meu “boa sorte” a vocês.

Maracanã e Mundial de Judô

Eu estou hospedado no saudoso hotel Guanabara, onde ficávamos para competir na piscina do Julio de Lamare. Pois bem, logo que cheguei aqui (sábado), notei atletas de todas as nacionalidades, macedônios, egípcios, congoleses, argentinos, kosovanos, ganeses, gregos e quetais, todos comendo que nem animais no refeitório. Me senti na Universíade! Fui ver e BINGO! Mundial de Judô no Maracanazinho. “Preciso dar um jeito de assistir algum dia”, pensei.

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Babel no refeitório!

Hoje na saída do Congresso não me custou mais do que R$ 6,40 (metro ida e volta) para dar um pulo no Maraca. Eu tinha lido que não havia mais ingressos, mas resolvi conferir, na pior das hipóteses eu dava uma olhada no estádio por fora, uma espiada na piscina e voltaria para o Hotel.

Ao me aproximar do Maracanazinho, notei uma fila homérica. Resolvi ir embora, porém quando estava dando a volta passei por outra bilheteria completamente vazia e perguntei:

-Tem ingressos para o mundial de judô?
-Sim, quantos você quer?
-Um só, quanto custa?
-Nada não, a entrada é ali.
-Ué, mas e essa fila é para que?
-Ah, merrmão, isso aí é para o jogo do Flamengo amanhã…

Bom, já sabemos que isso aqui é o país do futebol, mas mesmo assim a gente sempre se surpreende! Não que eu seja muito diferente, já fiquei muito em fila de ingresso para jogo do Palmeiras e tal, mas afinal era uma final de mundial e havia dois brasileiros nas semifinais!

No Mundial de Judô o dia hoje era para as categorias -52km fem e -66km masc. Assisti às duas derrotas de Charles Chibana, e à vitória e derrota que deram a medalha de prata para Érika Miranda. Ressalto alguns pontos:

  • A torcida era quase toda “contratada” pelo Bradesco ou pela Petrobrás. Não pareceu que tinha muito torcedor independente como eu.
  • Na luta final feminina os contratados do Bradesco ensaiaram vaiar a campeã mundial Majlinda Kelmendi, mas foram contidos a tempo. De noite ainda encontrei-a no refeitório. Muito simpática.
Majlinda, eu e a sua medalha de ouro.

Majlinda, eu e a sua medalha de ouro.

  • A competição pareceu muito organizada e bonita de ver.
  • Enquanto esperavam pelo pódium, a japonesa que foi bronze no fem e o japonês que foi bronze no masc estavam torcendo na luta pelo ouro no masc que tinha outro japonês, mas em vez de olharem a luta ao vivo que estava a uns 10m deles, optaram por assistir no telão! Estranho isso!
  • Foi esquisito o juiz dar o ippon para o Chibana e depois transformá-lo em Vazzari. Li no UOL que ele culpou o falso ippon pela derrota. Parece uma reclamação procedente.
  • Os lutadores e lutadoras do pódium foram muito cordiais entre si, conversando animadamente sobre suas lutas e feitos durante o dia.
  • E o melhor da noite para mim foi o orgulho de ver a medalha de prata no peito brasileiro.

Na saída ainda dei uma fotografada em um cantinho da piscina do JD (confirmei que ainda está de pé) e no areião do Celio de Barros, hoje transformado em moradia para gatos. Foi a nota triste da noite.

Resumo da ópera: quer viver o esporte olímpico? Venha para o Rio de Janeiro!  Mas cuidado, é capaz de você acabar querendo ficar por aqui…

Sobre rcordani

Palmeirense, geofísico e nadador master peba.

14 comentários em “Rio de Janeiro, cidade olímpica.

  1. Rodrigo M. Munhoz
    27 de agosto de 2013

    Pelo estilo do texto notei que o astral do Rio te contagiou hein, Renato?! Sensacional poder unir trabalho e vida numa cidade assim… Realmente um lugar especial, que pode fazer a diferença numa semana… Que a semana continue boa !

    • rcordani
      27 de agosto de 2013

      A kosovana jantando no restaurante do hotel com a medalha de ouro no bolso foi um HL da noite ON?

  2. Lelo Menezes
    27 de agosto de 2013

    Sensacional! Muito bacana esse esquema dos gladiadores que o Luizinho montou aí em Copacabana. As vezes ia ao Rio a trabalho e sempre me dava uma boa saudade quando passava pelo hotel Guanabara.

    Agora, eu senti que o senhor esta um pouco receoso na foto com a Majlinda. Seria medo de um wazari da donzela?

    • rcordani
      27 de agosto de 2013

      Sim, um certo “receio”, mas na boa, se ela assim o desejasse eu tomaria logo um ippon. Felizmente ela estava bastante calma e pacata, nem parecia que havia conquistado o título mundial há menos de duas horas! Mas falando sério, será que esse pessoal não sai para comemorar?

  3. Marina Cordani
    28 de agosto de 2013

    Pois é, repito meu comentário após férias no Rio nesse último julho: por que alguém mora em São Paulo se existe o Rio de Janeiro?

  4. Fernando Cunha Magalhães
    2 de setembro de 2013

    Que post bacana.
    Gostaria muito de assistir uma competição de altíssimo nível de judô ao vivo.
    E que sorte cruzar com a campeoníssima. Quando vi na foto pequena antes de ler o post, pensei que fosse a Sarah Menezes.
    Luiz Lima, sempre num alto astral e cheio de simpatia. A gente percebe só de ver a foto.
    Bem legal vc ter ido ao encontro dos Gladiadores.

    • rcordani
      4 de setembro de 2013

      Treinar com os gladiadores foi sensacional.

      Já ver competição de judo ao vivo foi legal uma vez como experiência, mas não é recomendável, pela TV é muito melhor – ioff. Veja os japoneses que preferiam ver pelo telão!

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Publicado às 27 de agosto de 2013 por em Epicuro, Natação, Olimpíadas e marcado , , , , .
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