Epichurus

Natação e cia…

Sobre piscinas e “piscinas”.

Correr tem algumas enormes vantagens sobre nadar. Para ex-nadadores, além da questão da eficiência mencionada nesse post, tem a simplicidade material, ou seja, basta um tênis e você está pronto. Vai viajar? Leva o tênis! Durante muitos anos mantive meu condicionamento (peba) na base da corrida, mas há uns dois anos fui empurrado para a natação de volta quando minha panturrilha faleceu deu claros sinais de que não estava mais a fim de correr.

Nadar também tem suas vantagens (sendo a questão do impacto muscular a mais importante) mas a logística é muito mais complicada, pois além de maiô e óculos (que são fáceis) requer também uma PISCINA, que nem sempre está à mão. Na cidade em que você mora em geral é fácil achar uma perto de casa e usar. Mas vai viajar a trabalho? Aí complica bem mais. Esse post é uma extensão do famoso post do Munhoz e mostra algumas piscinas que encontrei ultimamente.

A bizarra piscina redonda (100m) de Copenhagen (mas não tire fotos).

Essa é realmente diferente, trata-se de uma piscina circular com duas raias, uma por dentro e uma por fora, e cada volta nadada pela raia de fora tem 100m. Muito legal para dar umas braçadas, mas imagino que o treino de uma equipe deve ser impossível pela correnteza que deve criar.

Só que tem um problema. Eu nadei lá quatro dias em 2012. Como a piscina era muito bacana no último dia resolvi tirar uma foto. Um chegado viu e veio correndo dizer que era proibido tirar fotos. Eu disse “ok, sorry”, e guardei a câmera com a foto já tirada, mas o chegado foi além e contou para o salva-vidas, que contou para o cara da portaria, que chamou um gerente que ameaçou ligar para o presidente da república. Eles falavam em dinamarquês, mas pela pela entonação parecia que alguém tinha estuprado uma criancinha, e pior, esse alguém era eu. Nunca entendi a razão da ira, mas depois de muitos “ok, sorry” eles acabaram deixando quieto e eu fui embora, não sem antes reparar que havia um pequeno aviso de “não fotografar”. Bem pequeno, fiquei até com vontade de tirar uma foto para mostrar que o aviso era pequeno, mas achei melhor vazar o mais rápido possível. Nunca mais voltei lá, agradeço se alguém for e ver se a minha barra está limpa. Mas sem fotos, por favor!

A piscina do Mundial de Melbourne – 2007 (onde Cielo virou gente grande).

Em Melbourne achei uma piscina perto do meu hotel, mas não gostei da metragem de 30m, e além disso também tinha um aviso pequeno para não tirar fotos. Uia.

Pesquisei um pouco mais e achei a piscina perfeita, aquela na qual foi realizado o Mundial de Esportes Aquáticos de 2007, o Melbourne Sports and Aquatic Center. Para quem não sabe, esse foi o mundial que Cielo virou gente grande, ficando em quarto lugar a nove centésimos do OURO nos 100 Livre, assombrando a comunidade aquática brasileira (Cielo assombraria o resto do mundo um ano depois com o ouro olímpico em Pequim). Achei a piscina sensacional e nem tive que rodar ao contrário pois estava relativamente vazia (sim, na Australia roda-se ao contrário!). Eu me senti nadando na piscina do mundial, mas posteriormente verifiquei que eu estava equivocado, nessa piscina aconteceram os jogos de Pólo Aquático, e a natação em 2007 foi montada na Rod Laver arena, a mesma que abriga a final do Grand Slam de tênis.

(OBS: a piscina dos jogos olímpicos de 1956 não existe mais, do parque olímpico restou apenas uma sede e a placa da foto).

A piscina do Hotel de Bogotá.

Em Bogotá não tive muito tempo para achar uma piscina decente, então nadei na do Hotel mesmo (14m). O bom é que apesar de curta, a piscina cai sob medida para treinos pebas de altitude, já que Bogotá está a quase 3.000 e nadar nessa altitude é dificílimo.

Piscina de 14m. Na altitude é bom, pois acaba mais rápido.

Piscina de 14m. Na altitude é bom, pois acaba mais rápido.

A “piscina” dos Gladiadores.

Esta já relatei por aqui. Espetáculo.

As “piscinas” de  San Diego.

Quase todas as praias da California tem sinalização de bóias feitas especialmente para natação. A de Del Mar é a que mais uso pois é a mais perto aqui de casa, e já escrevi sobre ela nesse post.

As “piscinas” de La Jolla são especialmente boas para natação. A Children’s Pool já relatei aqui. Pertinho da Children’s Pool tem a La Cove, que eu considero o paraíso da natação de águas abertas. É um santuário ecológico onde não se permitem barcos e nem SUP (a não ser em uma pequena parte), e o mar é totalmente sinalizado com bóias por todo o percurso. Uma perna La Cove – Scripps Pier dá 1.5 milhas (uns 2.4 km), ou seja, ida e volta é um treino bem sinalizado de quase 5 mil metros. E ainda dá para observar garibaldis, tubarões-leopardo, arraias, dezenas de focas e leões marinhos e com um pouco de sorte, golfinhos. Sim, a água é um pouquinho gelada.

Fica a dica para uma temporada de treinos da seleção brasileira de águas abertas, uma das melhores do mundo.

A piscina de Solana Beach

Esta é a piscina que o Rafael está nadando no grupo dos Leopard-Sharks da Rancho San Dieguito swimming. Custa U$ 6 a hora, se tudo der certo darei umas braçadas por lá também. (Ou não, mas não conta para o Munhoz!)

E que tal dicas sobre piscinas ou “piscinas” bacanas para um legítimo peba? De preferência aquelas que sejam acessíveis para todos (ou mar ou pay per use), vale até colocar o link do site se houver.

Sobre rcordani

Palmeirense, geofísico e nadador master peba.

21 comentários em “Sobre piscinas e “piscinas”.

  1. Oscar Godoi
    21 de novembro de 2013

    Este e um post que eu me identifico muito, pois sempre que estou planejando minhas viajens tento encontrar locais para nadar ou correr, como em 2013 ja viajei mais de 300,000 milhas tenho algumas sugestoes, e se voces estiverem nos eua um grande site e o http://www.usms.org clique em places to swim e encontrara uma piscina perto de voce. Bom ai vai algumas das minha favoritas
    Munich a piscina do olympic park que por 3 euros voce tera a experiencia de nadar na mesma piscina que Mark Spitz espantou o mundo em 1972
    Londres hyde park uma raia de 100 metros fria mais bem legal
    Waikiki swim club uma piscina de 50 metros no mar e fantastica http://www.waikikiswimclub.org fantastica
    Universidade de Minnesota que fica disponivel depois das 6 da tarde por 5
    Bom muitas fora do brasil agora que estou de volta a terrinha ainda nao encontrei uma perto de Barueri para nadar. Abraco

    • Sidney N
      21 de novembro de 2013

      Pois é, parece mais fácil encontrar piscinas avulsas para nadar no exterior do que no Brasil, onde é preciso ser sócio clube ou frequentar academia. Pelo menos essa é uma dificuldade que sinto quando viajo pelo país.

      Uma piscina inesquecível foi a do balneário público de Aguas Calientes, perto de Machu Picchu. Não é um lugar necessariamente para se nadar, mas entrar naquele caldeirão numa noite fria, com a sensação de dever cumprido depois de mochilar pela trilha dos Incas, foi uma das melhores experiências que já vivi.

      • rcordani
        21 de novembro de 2013

        Opa, pelo jeito teremos um post sobre a natação em Machu Picchu 🙂

    • rcordani
      21 de novembro de 2013

      Incrível como é difícil achar piscina em São Paulo e arredores. E essa de Munique deve ser sensacional de nadar! Abraços

  2. Fernando Cunha Magalhães
    21 de novembro de 2013

    Essa piscina redonda tem marcação desencontrada na raia de dentro e na raia de fora, tipo pista de atletismo, para que dois atletas saiam ao mesmo tempo e tenham um só ponto de chegada após nadar a mesma distância?
    He he, achei bacana e diferente isso aí. Além, naturalmente, dos chiliques dos anfitriões.

    • rcordani
      21 de novembro de 2013

      Imagina uma turma de uns 40 nadando freneticamente, deve gerar uma correnteza imensa. Talvez até maior do que a raia 1 da piscina velha do CPM em 1989, que contava com David, Granjeiro, Messias, eu e o Lelo (este último no vácuo 🙂 ).

      • Fernando Cunha Magalhães
        23 de novembro de 2013

        Muito diferente para algumas experiências… agora, para nadar com frequência deve ficar chato.

  3. Rodrigo M. Munhoz
    21 de novembro de 2013

    Eu também curti esse post, pois gosto de explorar piscinas por onde viajo. É quase um ritual de imersão 🙂 na cidade. Concordo com o Oscar que a piscina do Olympia Park de Munique é uma das mais legais http://www.olympiapark.de/en/home/olympic-park/event-locations/olympic-swimming-pool/
    Aguas Calientes (Macchu Picchu )também foi uma legal, mas “pobrinha”. Adicionaria o conjunto aquático olímpico de Barcelona no alto da cidade e a piscina do Hotel Wynn de Las Vegas, com cerca de 100m, e que, apesar de não ter raias, é muito bonita e agradável de nadar. Se for nadar em horários de movimento, cuidado com os caras que tomaram um Martini ou seis a mais no Cassino…
    Bem louca essa piscina redonda, hein? Eu não cheguei a conhecê-la, mas quando em Copenhague nadei numa piscina totalmente feita de Aço Inox (no Hilton de Kastrup).
    Boa, Renato. Mas fiquei preocupado com a falta de treinos reportados… Você só entra na piscina e fica boiando aparentemente… Quer ser cortado é ?! 🙂

    • rcordani
      21 de novembro de 2013

      Realmente uma pena o fato de que após o crime da foto eu não possa mais aparecer na piscina, por outro lado é bem provável que eu não vá para Copenhagen nunca mais!

  4. Lelo Menezes
    21 de novembro de 2013

    Boa R. Eu não costumo nadar em viagens, mas dei umas treinadas em Tóquio, na piscina do hotel, de 25 metros. Piscina muito boa inclusive (parecida com essa de Bogotá). Aquela piscina em Salvador do Iate Clube também era sensacional! Ao lado do mar! Em Rosário fomos treinar uma vez numa piscina ao lado de um rio muito grande. Bem bonita mas de água bem gelada. A piscina de Flagstaff onde fazíamos treinamento de altitude no Arizona era muito bonita também, com umas janelas gigantes de vidro que davam uma visão meio surreal durante série de perna, porque a piscina era bem quente e lá fora nevava muito.

    Agora, do outro lado da moeda, tinha umas piscinas que eram horrorosas. A pior que já treinei foi a do Moura Lacerda em Ribeirão Preto. No inverno treinávamos lá já que a piscina da RECRA não era aquecida. A água era verde musgo e não se enxergava mais que alguns centímetros a frente, o que obrigava a gente a tirar a cabeça pra fora d’água antes das viradas pra não meter a cabeça na borda. Morcegos mortos e sapos eram constantes nas suas águas.

    • rcordani
      21 de novembro de 2013

      A pior que eu nadei competição importante foi mesmo a de Juiz de Fora (JD 1984), era super turva e a marcação ficava meio para trás, então era muito comum o sujeito dar a virada de crawl e não encostar na borda, aí era engraçado ver a moçada voltando no estilo “barquinho para trás” para não ser desclassificado…

      • Ricardo Firpo
        2 de dezembro de 2013

        Acho que o pior daquela piscina de Juiz de Fora era ser muito rasa….. No peito, após a saída, vc tinha que esperar um momento a mais para terminar a filipina. Se não, não dava para terminar a puxada, pois a mão ia no chão! Eu me lembro que era desesperador.

    • Ricardo Firpo
      2 de dezembro de 2013

      Muitos anos depois de parar, trabalhei em uma loja de piscinas, com químicos para a limpeza. Aí comecei a entender as cores da água que nadávamos. Já nadei em piscina de água transparente, azul clara, azul escura, verde clara, verde musgo, e até marrom. Já escrevi meu nome no fundo da piscina e ele ficou lá trÊs dias…..O problema é que usavam umas “bombonas” de cloro líquido para tratamento da água, que além de perigoso, pode ser difícil de acertar o “ponto” da limpeza. Aliás, vc sabe porque alguns tinham uma linha verde na raiz dos cabelos? Provavelmente pq usavam muito sulfato de cobre (aquele pó azul), como algicida…. já vi usarem aos quilos, quando o normal seriam gramas! Outra coisa: teus olhos ardiam? Teu cabelo ficava uma palha? Era cloro demais? Nem sempre…. isso tem mais relação com o ph desregulado… pode até ser culpa do cloro, recém colocado, mas – normalmente – é falta de ajuste (tem que estar próximo a 7,2). Também é bom observar que uma piscina clarinha nem sempre está limpa – já vi muito fundo de piscinas, com água clarinha, e que na marcação não “acusava” cloro… E sulfato de alumínio?
      Não quero ficar tagarelando, mas já vi muito “tratamento” de arrepiar os cabelos. Ou em certos casos, a palha dos cabelos….

  5. Daniel
    22 de novembro de 2013

    Muito bacana o post. Sempre que viajo a trabalho também fico caçando uma piscina. Por sorte a sede nos EUA da empresa onde eu trabalho tem uma piscina top de 25 jardas com direito a acessórios (palmar, nadadeira etc).
    Pay per use em Londres tem a da ULU, uma piscina de 33m (demorou meses para entender porque cada “chegada” cansava mais do que o normal lá): http://www.ulu.co.uk/energybase/

    Uma piscina bacana “na jurídica” foi a do Copacabana Palace, semi-olímpica.

    Não sei as condições atuais, mas conhecia uma turma que treinava na piscina olímpica do Pacaembu: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/esportes/estadio_pacaembu/centro_esportivo/index.php?p=746

    Grande abraço e continuem escrevendo, o blog é muito bacana.

    • rcordani
      23 de novembro de 2013

      Obrigado Daniel, continuaremos sim, enquanto houver assunto…

      Abraços

  6. Bruno
    27 de novembro de 2013

    Muito bom!
    Para quem estiver de passagem pela Holanda: toda cidade tem uma piscina pública (pelo menos uma 25m), afinal é obrigatório saber nadar.
    http://www.nederlandsezwembaden.nl/zwembad/
    Procurar por “zwembad-binnenbad” (piscina com raias).
    E ainda é possível escolher entre Holanda, Bélgica e Alemanha.
    Os preços são entre 4 e 6 euros. E os horário para treinos livres são geralmente de manhã (entre 7 e 9h) e de noite (entre 20 e 22h).

    • rcordani
      2 de dezembro de 2013

      Obrigado Bruno, bela dica! Boas braçadas.

  7. Pingback: Em terra de sapos, de cócoras com eles. « Epichurus

  8. Bruno Canalli
    27 de março de 2014

    Em F. Lauderdale tem uma ótima piscina, ou melhor, duas piscinas de 50m (que podem ser convertidas em raias de 25m), além de poço para saltos num mesmo complexo. As Piscinas são a céu aberto, 1 quadra da praia. No complexo esta instalado o International Swimming Hall of Fame (ishof), museu da natação, cobrindo desde os primórdios até os últimos jogos olímpicos. Porém, notícias informam q por “politicagem” o IShof pode ir pra Sta Clara, Califórnia em 2015. Agora se vai mesmo ou não, não sei.

    Na entrada há um quadro com os recordes americanos ou mundiais batidos nesta piscina. Bem inspirador. O preço é algo próximo a usd 5, e se não me engano era por caída na água e não por hora.

    O site é este aqui: http://www.ishof.org

    • rcordani
      27 de março de 2014

      Valeu Bruno. Conheci essa piscina em 1984 e já era muito bonita!

      • Bruno Canalli
        27 de março de 2014

        Nem fale. E ainda pegando um dia de céu azul, fica nota 10. No link q passei, tá ruim de fotos. Melhor procurar por “international swimming hall of fame” no Google Images q o pessoal vai ter uma noção melhor. Abraços!!!

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Publicado às 21 de novembro de 2013 por em Natação e marcado , , , , , , , , .
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