Epichurus

Natação e cia…

Gladiadores e Pebas Sob Frio e Chuva do Guarujá

Tomei umas broncas. Me disseram que Pebas não deveriam ser gladiadores. Mas confesso que tenho uma certa dificuldade de resistir a desafios do tipo “nadar 5K numa praia desconhecida do Guarujá”. No nosso caso, o convite veio do carioca Pedro Alquéres, lider dos Gladiadores  e primeiro atleta do Luiz Lima.  A receita era simples: Registro na FARJ pela equipe de natação no mar EC LL Gladiadores, inscrição na IV etapa  da Copa Brasil de Aguas Abertas da CBDA e eu e o colega Peba Renato Cordani já estávamos prontos para nadar pelos gladiadores.

Quer dizer, pronto mesmo eu não me sentia… faltavam apenas umas três semanas para o evento e o volume de treino não estava compatível com a distância da prova. Mas nada que a ilusão de uns treinos a mais e umas séries de 3-4 mil não ajudassem a dissipar. O importante numa travessia dessas – segundo o conselho do Renato – era “não entrar no anaeróbico”. Me lembrei que nas três últimas travessias, acabei caindo na empolgação da largada e subsequente “pancadaria” para posicionamento no pelotão… e me vi com o coração saindo pela boca e com vontade de parar nos minutos iniciais, algo nada recomendável numa travessia mais longa, de 5Km. O conselho me pareceu muito sensato e guardei o mantra “calma, não se empolga” para uso futuro.

Mas… chegamos no domingo 5 de Junho pela manhã no Guarujá e pensei que dificilmente excesso de empolgação seria um problema: Tempo nublado, vento, garoa intermitente e mar mexido. Pelo menos eu tinha meu poncho Alemão, presente do Dieter (e fruto de inveja cordanistica) e o local da prova era bacana: uma praia de acesso totalmente restrito, dentro de uma base militar. Protegida era eufemismo! Estacionamos sem medo e fomos dar entrada na prova e conhecer nossa nova equipe pessoalmente. Logo de cara já deu para ver que era uma galera simpática, do bem e fomos muito bem recebidos, participando inclusive da foto oficial antes da prova.  Epicuro aprovaria certamente. O Renato inclusive já conhecia alguns deles (história aqui) e me deu a boa dica de não tentar acompanhar o famoso Getúlio na prova – adversário do Djan nos anos 70 e exímio nadador de águas abertas. Outro que eu não iria tentar acompanhar obviamente seria o recém nomeado secretário de alto rendimento do Ministério dos Esportes, Luiz Lima, que estava de técnico e circulava tranquilo entre seus atletas. Aliás, se ele não estivesse com um daqueles trajes bacanas, eu nem acharia que estava prestes a nadar e ganhar mais uma travessia na sua longa carreira de fundista.

A prova em si foi dura pelo mar meio mexido, mas passou bem rápido. Num momento estávamos na praia e uma hora e pouco depois, chegamos. E sem anaeróbico. Circulando (meio perdido) na praia depois de chegar, vi um monte de meninos e meninas (magrinhos) passando mal de frio.  Foram três hipotermias reportadas, pelo que ouvi. Alguns desistiram da prova de 5K e também da etapa de 10K do brasileiro, que acontecia simultaneamente. Só ali, notei que não tinha sentido frio algum… agradeci pelos meus quilos a mais, tomei um chocolate, meti o poncho e fui bater papo com a galera com aquela sensação de dever cumprido típica de fim de competição. Foi legal conversar com um monte de gente conhecida e tive a impressão que a natação de águas abertas está em boas mãos: Na praia, representantes da CBDA prestavam atenção nos atletas que chegavam. A principal atração era a Poliana Okimoto – 1º nos 10K feminino, que (sorrindo) chegou surpreendentemente perto, apenas segundos atrás dos 3 primeiros homens: Victor Hugo Colonese, Luiz Gustavo Barros e Samuel de Bona.

Em cima de um tablado na linha da maré que subia e perto do funil de chegada, ficamos vendo a chegada dos 10K e batendo papo com os super experts em travessias Igor de Souza e Cristiane Fanzeres – ambos da CBDA e envolvidos com a preparação olímpica brasileira. Enquanto via o desenrolar da prova e esperava as cerimonias de premiação concluí que, apesar da popularidade atual, dos grandes nomes brasileiros na elite mundial e mesmo da boa chance de pódio olímpico nas águas abertas em Copacabana… precisamos de mais base jovem para garantir o futuro dessa modalidade.

O nadador de travessia é diferente do nadador de piscina. O elemento no qual se disputam provas de piscina e travessias pode até ser o mesmo, mas acho que as semelhanças param por aí. Mesmo os fundistas de piscina sabem disso. Os ventos que encrespam a superfície do mar ou correntezas mal interpretadas podem mudar radicalmente o resultado de uma prova longa. Como indica a filosofia dos amigos Gladiadores, a natação de águas abertas apresenta um desafio maior que o exercício físico e com certeza vai além da superação dos adversários, mesmo porque o poder da natureza com o qual tentamos nos integrar nessas longas nadadas, é um deles.

Finalizo dando a dica: Esses circuitos de águas abertas e essas travessias da CBDA de 5K são muito legais e valem a pena para quem curte uma nadada mais longa. Se você tem vontade de tentar, não pense muito. Prepare-se, inscreva-se e vá. E mais: Se você tem um filho (magrinho ou gordinho) com talento para natação, mas que não é super veloz nas piscinas, que tal incentivá-lo a fazer uma travessia como o próximo treino de fim de semana? No mínimo você vai poder adicionar um parceiro para uma nadadinha Peba.

Sobre Rodrigo M. Munhoz

Abrace o Caos... http://abraceocaosdesp.wordpress.com

19 comentários em “Gladiadores e Pebas Sob Frio e Chuva do Guarujá

  1. Marina Cordani
    13 de junho de 2016

    Nossa, parabéns! Vocês têm a minha admiração! Jamais seria capaz de tal proeza. Os 5 km tudo bem, consigo se minha vida depender disso. Mas o frio, impossível! Já me sinto ultra corajosa de ir para o trabalho, as 6:15, de bike, munida de cachecol, luvas e casacão. Bjs e parabéns novamente!

    • Rodrigo M. Munhoz
      13 de junho de 2016

      OI Marina,
      Como diria o William: “Frio é psicológico!” 🙂
      Mas agora sério: Claro que poderia estar mais agradável, mas não machucou nada.Você provavelmente passou mais frio hoje na sua bike do que a gente no Guarujá…

      Beijos!

  2. antonio carlos orselli
    13 de junho de 2016

    Munhoz – Corajosa e estimulante a sua participação numa prova tão dura e desgastante. No entanto, acho chute essa preparação em três míseras semanas. Você está escondendo o jogo, cara!

    • Rodrigo M. Munhoz
      14 de junho de 2016

      Grande Orselli! Esclarecendo: Apesar de ter diminuído o volume de treino, eu estava nadando. Então a resposta é: Realmente não dá pra encarar 5K com 3 semanas de treino não! Ou até dá, mas eu não recomendo…
      Abraços!

  3. Alexandre Lomonaco
    13 de junho de 2016

    Mais um belo post. Parabéns! Fico contente ao ler os comentários de que pelo menos nas águas abertas, na CBDA, o trabalho está sendo bem feito.

    • Rodrigo M. Munhoz
      13 de junho de 2016

      Valeu Alexandre. Acho que estamos com uma boa safra na elite de águas abertas atualmente. Espero que a base cresça para que a elite se renove, pois não são muito que aguentam essa vida de viagem + travessia no longo prazo.
      Abraços,

      Munhoz

  4. silvasidney1
    13 de junho de 2016

    Ta loco Rodrigo!! e o tubarão!!! Brincadeira rsrsr Parabens pelos novos desafios.

    • Rodrigo M. Munhoz
      13 de junho de 2016

      Boa, Sidão… Lembrei que vc tinha medo real de tubarão quando notei que um dos moleques que nadava ao meu lado fazia uma boa parte de costas… devia ser que nem vc?! Eu, pessoalmente, tenho mais medo de água poluída e lixo flutuante do que de tubarão… até porque, infelizmente, nem sobrou muito peixe nessa parte do litoral.
      Abraços!

  5. anonimo
    13 de junho de 2016

    Qual foi o tempo para o 5K?

  6. Lelo Menezes
    13 de junho de 2016

    Excelente a força de vontade de vocês. Eu sempre tive interesse nas travessias e gostava daquela de Santos, onde pulávamos da balsa. Por outro lado, é um esporte ainda iniciando sua trajetória e provavelmente de baixa procura pelos mais novos, que devem continuar procurando as piscinas antes de se aventurar nos mares e rios. Isso me faz questionar se não é prematuro te-lo em Olimpíadas, assim como o vólei de praia, mas isso é conversa pra outro post.

    Já os senhores abandonarem o PEBA pra nadar pelos Gladiadores, é uma atitude tão vergonhosa quanto o 7×1 da Alemanha e a desclassificação ontem pelo Peru da nossa seleção canarinha… tsk tsk tsk

    • Rodrigo M. Munhoz
      13 de junho de 2016

      Valeu, Lelo.

      Veja que o Lord Byron atravessou o estreito de Dardanelos no inicio do Sec XIX e as primeiras provas olímpicas de natação em Atenas 1896 foram na verdade em “águas abertas” logo, o lance nem seria tão novo assim… mas respeito seu ponto de vista que hoje a piscina seja talvez mais acessível que os mares e lagos para a prática desportiva. Sinal dos tempos. Meio triste isso.

      Nunca nadei essa “travessia da balsa” em Santos, mas tenho vontade. Vamos na proxima (se ainda existir)?

      Sobre abandonar o PEBA, não viaja: isso jamais. Sou PEBA até morrer!
      Por fim, não tecerei comentários sobre a performance da canarinho dessa vez. Eliminados na 1a fase da Copa América foi dureza.
      Abraços!

  7. Pedro Alqueres
    13 de junho de 2016

    Valeu Munhoz! Muito legal. Faltou dizer que você ficou em segundo lugar na sua categoria. Nadou bem demais. Abraço grande. Se animar, próximas etapas são no braço Nordeste: Fortaleza, Maceió e Salvador!

    • Rodrigo M. Munhoz
      13 de junho de 2016

      Valeu muito pelo convite, Pedro! Foi muito divertido e acho que essas próximas – por razões óbivas – parecem ainda melhores… Um abração a todos Gladiadores!

  8. rcordani
    14 de junho de 2016

    Boa Munhoz.

    Gostaria de dizer que não fiquei com nenhuma inveja desse poncho ridículo e ineficiente.

    Quanto à travessia, foi ótima mesmo, e 5k parece mesmo um bom target para a gente treinar para. Aliás, treinar para travessia de 5k é muito mais agradável do que treinar para 200 medley, ON?

    • Rodrigo M. Munhoz
      14 de junho de 2016

      Sei… o poncho era animal e era o traje oficial da base, só que no padrão camuflado!
      De resto, concordo. Treino para travessia foi o que eu (inadvertidamente) sempre fiz nos últimos anos (Forever Pace), então não muda muito.
      (Mas Ribeirão Preto é tradição e não se pode perder!)
      abrtz

  9. Fernando Cunha Magalhães
    14 de junho de 2016

    Boa Munhoz!
    Excelente programa para o domingão e muito legal desfrutarem do acolhimento dos Gladiadores.
    Gostei de ver o Christian nas fotos.
    Abraços

  10. Alvaro Pires Vreco
    16 de junho de 2016

    Que bacana o post Munhoz, as fotos estao muito legais e parabens pela disposicao sua e do Renato. E bacana fazerem parte do sub nucleo peba-gladiadores. hehe Como bom ex-velocista acho terrivel as provas longas e admiro o gosto por apenas nadar de vcs. Frio, chuva, distancia da prova, distancia do local de prova, horario etc etc etc, parecem apenas elementos coadjuvantes na sua narrativa alegre e bem humorada. Mantenham este espirito rapaziada !!! Esporte na minha concepcao eh isso em 1o lugar. Saude e cabeca boa. Pra fechar, parabens a guerreira Xirica pelo trabalho das aguas abertas da CBDA. Ela q sempre divulgou e fez muito por este esporte. Lembro demais dos treinos dela, nadava qq distancia no mesmo ritmo, nao cansava nunca ! E saia dos treinos sempre bem humorada. abs em todos

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