Epichurus

Natação e cia…

JEBs84

As aventuras da Seleção Paranaense no planalto central

brasilia_parlamento1 Os jogos escolares e universitários compõem uma parte diferente do cenário competitivo nacional. A  disputa é entre seleções estaduais ao invés de clubes. Integração com atletas de outros esportes. Menos  pressão, mais divertimento. Permanência na cidade dos jogos, vários dias após o término das  competições.  Em julho de 1984, aconteceu minha única participação em Jogos Escolares Brasileiros, em  Brasília – DF.

 

Convocação

Para nadar o JEBs não havia índice, cada estado podia inscrever dois atletas por prova. Eu não estava ranqueado entre os dois primeiros do estado em nenhuma das provas, porém, também havia o limite de duas provas individuais por atleta, e aí, na combinação dos técnicos Reinaldo Souza Dias e Leonardo Del Vescovo, ficou escalado para nadar os 200m livre junto com André Vicente Gomes e os 400m livre, com Luiz Fernando Grackzyk.

Viagem

O embarque dessa vez não foi no Clube Curitibano, mas na Praça Santos Andrade, no centro de Curitiba, entre o prédio histórico da Universidade Federal do Paraná e o Teatro Guaíra. Surpreendi-me ao me deparar com os cinco ônibus se enfileiravam ao lado da praça.  Uma grande agitação e muita gente que eu nunca havia visto. Demorou, mas saímos para um dia inteiro de viagem. A equipe de natação foi num ônibus junto com a equipe de Handebol. Já era noite e o gelo ainda não havia sido quebrado. Tudo começou muito calmo.

No dia seguinte, a medida que subíamos no mapa, o calor aumentava e com 40 adolescentes confinados, não havia gelo que resistisse. Foi muito animado. Nossos novos amigos tinham um repertório incrível de músicas – batuque e cantoria ajudaram a fazer o tempo passar. Já era alta noite quando chegamos a Brasília.

Alojamento

Ficamos hospedados em uma escola pública com ótimas instalações. As salas de aulas ganharam beliches e viraram quartos. Banheiros e refeitório com pisos de granitina estavam sempre limpos. A biblioteca tinha alguns tabuleiros e jogamos muitas partidas de Dama naqueles dias.

Competição

As provas de natação aconteceram logo nos primeiros dias. O parque aquático tinha uma estrutura com piscina olímpica e piscina de saltos. Arquibancada dos dois lados. Ponto negativo para a temperatura da água: meu amigo, estava de trincar!

Senti isso, não nadei bem os 400m livre. Fiz 4m31s e não passei pelas eliminatórias. Grackzyk venceu a final.

Os 200m livre foram bem diferentes. Classifiquei em 4º e fiz minha melhor marca na final – 2m05s71 – e mantive a posição. Perdi o bronze para o Gomão na prova vencida por André Pereira. Foi legal rever o resultado 30 anos depois e encontrar os nomes do Vladimir Ribeiro, Ronaldo Herzenhaut, Claudio Rosa e Paulo Fernando Almeida do 5º ao 8º. Nomes fortes, fiquei orgulhoso.

No 4x200m juntei forças com os algozes de sempre, Eduardo De Poli e Grackzyk. Fizemos conta para tentar ganhar do Rio, mas não deu. Mesmo assim fiquei muito contente com a prata.

Entre meus colegas de clube a grande sensação foi o André Caldeira com dois ouros nas provas de costas, mas muita gente ganhou medalha.

400m medley - Rebollal (RJ), Ramalho (PR) e Ricardo Barreto (CE)

400m medley – Rebollal (RJ), Ramalho (PR) e Ricardo Barreto (CE)

Fomos campeões gerais no masculino.

Confira os resultados de todas as provas. Vários ícones da nossa natação presentes em Brasília.

Confira os resultados de todas as provas. Vários ícones da nossa natação presentes em Brasília.

Integração com atletas de outros esportes

Ficamos em férias em Brasília e um dos melhores programas era embarcar no ônibus junto com colegas de delegação e ir torcer por companheiros de outros esportes. O time de handebol era muito aguerrido e foi campeão. Assistimos basquete, vôlei, judô e uma das etapas da GRD – Ginástica Rítmica Desportiva – representada por dedicadas meninas de Londrina.

Kamakawa, colega do judô

Kamakawa, colega do judô

Após o jantar, pessoal ficava conversando e no dia seguinte estávamos sempre ansiosos para saber como os colegas haviam se saído. Certo dia, ouvimos a chegada das meninas da GRD cantando: “82, não! 83, não! 84, é campeão, é campeão, é campeão!” – todas com ouro reluzindo no pescoço foram badaladas pelos colegas de delegação.

Dia seguinte, a tranquilidade foi quebrada, dessa vez por um coro grave: “82, não! 83, não! 84, não! 85, não! 86, não! 87, não! 88, não!…” – eram os atletas do time de basquete, eliminados das disputas por medalha. Colegas de outros esportes rindo e levando na brincadeira, o coro já passava do ano 2000 quando o técnico dos rapazes surgir com uma expressão de transtorno, levou o time para a biblioteca e protagonizou o maior esporro que eu já havia visto na vida: “Com mentalidade de perdedor, vocês sempre serão perdedores!” – o papo e a choradeira foram longe.

Turismo

Atleta viaja muito e na maioria das vezes não conhece os lugares que visita. Em Brasília foi diferente. Os responsáveis pela delegação organizaram passeios e nos levaram para conhecer todos os principais pontos turísticos da capital Federal. Cultura, entretenimento e uma ótima oportunidade de estreitar a amizade com os colegas dos clubes rivais.

Em petit comité, André Caldeira, Renato Ramalho e eu ainda recebemos autorização para sairmos com Bruno Victor Veiga, amigo do Felipe Malburg, que morava por lá.

Fim dos Jogos

Na última noite ainda tivemos uma festa bem animada para fechar essa experiência bem diferente.

E você, disputou algum JEBs?

Estava em Brasília em 1984?

Divida suas lembranças conosco (reserve as dos JUBs para o futuro) nos comentários abaixo.

 

Forte abraço,

Fernando Magalhães

 

Sobre Fernando Cunha Magalhães

Foi bi-campeão dos 50m livre no Troféu Brasil (87 e 89). Recordista brasileiro absoluto dos 100m livre e recordista sulamericano absoluto dos 4x100m livre. Competiu pelo Clube Curitibano (78 a 90) e pelo Pinheiros/SP (91 a 95). Defendeu o Brasil em duas Copas Latinas. Foi recordista sulamericano master. Trabalha como gerente da Academia Gustavo Borges e consultor da empresa Vendas 3i. É conselheiro do Clube Curitibano.

23 comentários em “JEBs84

  1. rcordani
    5 de maio de 2014

    Eu nunca fui convocado para JEBs, não sei se era por ser PEBA ou se a partir de 1985 não teve mais. Teve?

    • Fernando Cunha Magalhães
      5 de maio de 2014

      Então, não lembrava de ter ouvido, mas o Vreco acaba de nos informar que teve, num formato diferente.

  2. Vreco
    5 de maio de 2014

    Em 88 eu fui no Maranhao mas na natacao nao teve delegacoes de muitos estados (SP,MG e PR inclusive). O dificil era concentrar nas competicoes, tamanha festa q era nossa hospedagem e fora dela. Foi c certeza uma das mais legais competicoes q participei. Neste ano de 88 podia nadar varias provas e o destaque foi o Mauricio (Cunha) c 7 medalhas de ouro e varios recordes. Eu pebisticamente aproveitando o fato da competicao estar mais fraca ganhei os 100L e fiquei em 2o nos 50L. Mas fiquei mais feliz por termos batido o recorde dos 4X100M. Me trouxe boas lembrancas. abs

    • Fernando Cunha Magalhães
      5 de maio de 2014

      Legal Vreco – super campeão brasileiro estudantil.

  3. Mauricio Niwa
    5 de maio de 2014

    Maga, lendo seus posts, fiquei curioso com o fato de você nadar provas de fundo e meio fundo nas categorias de base. Sei que você é velocista. Quando foi que você passou a se concentrar mais nas provas de velocidade? No master, não me lembro de ter visto o sr. em uma prova de mais de duzentos.
    Abraço!

    • Fernando Cunha Magalhães
      5 de maio de 2014

      Niwa,
      em 83 e 84 eu tinha certeza que minha melhor prova era 1500m e estava ansioso por chegar numa categoria em que ela entrasse no programa.
      A 1a vez que nadei nacionalmente foi um grande sucesso no Sulamérica relatado em meu último post.
      Só que no ano de 85 eu melhorei 0 segundos em 1500m, 1s em 400m e 3s em 100m. . Aí comecei a desconfiar que era velocista, mesmo assim, ignorante que era em relação a fisiologia, treinei com a turma de fundo até 88. Detalhe curioso que só em 86, por muita insistência do Léo, que aceitei começar a participar das provas de 50m.
      Abraços

      • Mauricio Niwa
        5 de maio de 2014

        A evolução de 85 é até engraçada… Ainda bem que o Léo insistiu!
        Abraços!

      • Fernando Cunha Magalhães
        5 de maio de 2014

        Nem me fale… abraços!

  4. Marina Cordani
    5 de maio de 2014

    Eu fui ao Jebs um ano antes, 1983. Meu nível de memória é outro: lembro que tinha piscina, lembro que eu fiquei muito feliz de integrar os revezamentos, minhas únicas chances de medalha (tenho 2!), lembro das bagunças no alojamento/escola, e lembro do passeio na piscina de ondas!! Não faço a menor ideia dos meus tempos, sei que nadei mal. Aliás, nem lembro que prova nadei…Acho que estava frio. Outro dia, há um mês mais ou menos, postei várias fotos dessa viagem no face, com meus companheiros da equipe paulista!

    • Fernando Cunha Magalhães
      5 de maio de 2014

      Legal Marina,
      também foi em Brasília?

      • Marina Cordani
        5 de maio de 2014

        Sim, em Brasília.

  5. Polaco
    5 de maio de 2014

    E fui em um Jebs, mas nao lembro o ano. Memoria boa a minha……..

    • Fernando Cunha Magalhães
      5 de maio de 2014

      Que vergonha, Polaco.
      Abraços

  6. charlaodudo
    5 de maio de 2014

    Também estive nesse JEBS de 84 em Brasília. Foi a primeira e única seleção que peguei na vida. A viagem foi muito legal mesmo.
    Nadei os 1500 livre e perdi até do Túlio. Que papelão! Lembro que não nadei bem e saí da prova com bastante dor de cabeça pois a piscina estava muito gelada.
    Também fomos de ônibus de São Paulo para Brasília e ficamos alojados em uma escola.

    • Fernando Cunha Magalhães
      5 de maio de 2014

      É, chequei os resultados.
      Túlio em 8o e você não figurou entre os 8, marcando algo acima de 18:03:24

      • charlaodudo
        5 de maio de 2014

        Acho que foi 18:05 ou 18:10.

  7. Tite Clausi
    7 de maio de 2014

    JEBS!!! Acho que eu era o Peba dos Pebas nesta época. Fui convocado uma ùnica vez e provavelmente por uma destas combinações de número de provas por atleta + atletas desistentes ou sei lá o que .E lá fui eu para Brasília. Fui para nadar somente os 200 costas. Nadei mal e nem classifiquei,em uma piscina horrivel na qual escorreguei na saída e até tenho uma recordação em foto daquele momento “trash” guardada em algum lugar rsrsrsr
    Algumas das poucas lembranças que tenho são o bandejão do almoço que era bem horrível (dia 1 bife duro / dia 2 picadinho duro / dia 3 macarrão a bolonhesa – sempre desconfiei que era aproveitamento de um dia para o outro . kkkk) e as piadas contadas pelo Custódio Ribeiro enquanto esperavamos todos acabarem o almoço para ir para o alojamento.

    Gostaria de ter mais memória das coisas que vivi… acho q estou ficando velho …rsrsrsrsrrs
    Abraços aquáticos.

    Tite Clausi

  8. Julio Rebollal
    11 de maio de 2014

    Nadei os JEB`S de 83 e 84 e, juntamente com os JUB`S, foram as competições mais descontraídas que já participei.

    Em 83 eu e o Cícero Torteli resolvemos não participar de uma clínica de treinamento intensivo que o Ricardo Moura, técnico do Fluminense, havia programado para o mês de julho, para participar od JEB`S. A equipe ficou treinando cerca de 20.000m por dia (isso mesmo, fora corrida, alongamento e musculação!!) e nós fomos para Brasília. O Ricardo não gostou muito, mas não ligamos. Zero de arrependimento!! Resultado: quando chegou em outubro a maioria da equipe estava cansada e nós estávamos inteiros, tanto é que nadamos muito bem o JD e TB no início de 84.

    Tanto em 83 como em 84 ficamos em escolas. Em 83 o interessante foi que a alimentação foi servida em canecas pois não haviam pratos disponíveis! Na volta, os ônibus foram separados em masculino e feminino, divisão que só durou até a primeira parada quando aconteceu a mistura!! 22 horas de viagem!!

    É isso aí Maga! Interessante ver a sua evolução, bem como a do Ramajal!!

    Forte abraço.

    • Fernando Cunha Magalhães
      28 de maio de 2014

      Legal Julinho, excelente essa troca dos treinos de 20.000m pelo JEBs.
      Quanto a evolução do Ramajal – impressionante 5.03 no JEBs, 4.50 no JD em Dezembro, 4.47 em Campinas no TB e 4.41 no sulamericano. Foi incrível.
      Eu demorei um pouco mais.
      Abraços.

  9. Pingback: 1984 « Epichurus

  10. Marcio Bianchi
    28 de dezembro de 2015

    Fui ao JEB’S 84 e venci a prova dos 2000 steeple chase no atletismo.
    Muito feliz.
    Saudade sem saudosismo. Só lembranças boas!

    • Fernando Cunha Magalhães
      1 de fevereiro de 2016

      Boa Marcio! Posta uma foto de pódio, aí.

      • Marcio Bianchi
        2 de fevereiro de 2016

        Marcio Bianchi Coordenador de Esportes e Eventos Clube de Campo Pouso Alegre CREF 85.802-G/SP (35)3422-3366 / (35)99956-5877

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