Epichurus

Natação e cia…

Um gato entre os pombos. Ou: um nadador entre os waterpolistas

Talvez um dos momentos mais marcantes da minha vida tenha sido aquele dia no Paineiras, fevereiro de 1987, eu cheguei de viagem e me aproximei da piscina de cima pelo corredor dos guarda sóis, aí percebi dois cidadãos tamanho GG correndo na minha direção. Esbaforidos, meus melhores amigos nadadores André Fernandes (Zega) e Rodrigo de Camargo Barros, dois metros cada um, anunciaram que tinham saído da natação e tinham ido para o Pólo Aquático, e que era para eu ir também! Demorei cerca de três segundos e meio para decidir que bem… eu não queria ir, mas a decisão deles já estava tomada.

André Fernandes foi um ótimo nadador, integramos o mesmo revezamento diversas vezes, inclusive batemos o recorde paulista do 4×100 Livre infantil B de curta em junho de 1983, mas fazia um tempo estava estagnado nos tempos e a mudança de esporte lhe parecia boa. Quem fechava esse revezamento era justamente o Rodrigo, o nosso craque, que depois foi campeão brasileiro em 1985. Bastou UM ano ruim na natação (1986) e ele seguiu o caminho dos irmãos Bento e Tebola, mudando para o Water Polo.

Acabei então ficando na natação e eles no WP, mas isso – e a amizade na escola com o Polloni –  acabou me aproximando desse outro esporte aquático. Naquela época os títulos paulistas de Water Polo se revezavam entre Paineiras, Pinheiros e Paulistano, e no front nacional a esses se adicionavam o Flamengo, Guanabara e talvez mais um ou outro clube carioca. Eu assisti a incontáveis jogos de WP, e a gente seguia o padrão da época, ou seja, comemorava os gols do Paineiras, vaiava  e xingava nos gols adversários e nossa principal “função” era pressionar o juiz. Sobre pressionar o juiz hoje em dia eu me arrependo – grande bobagem – mas fato é que foi muito legal acompanhar os times 67 (Tebola e Armando), os 69 (Paulinho Nogara, Mantega), os caras de 70 (Rodrigo, André, Belizia) e os 71 (Daniel Mameri e Guga), todos esses times comandados pelo Duda Abla. Alguns torneios depois e eu já me considerava um “expert” na modalidade.

É preciso esclarecer que no aspecto social as turmas de nadadores e de jogadores de pólo via de regra não são muito próximas. Sendo sincero, de uma forma geral, os “poleiros” costumam achar os nadadores “babacas”, já esses tipicamente acham os jogadores “metidos”. Tudo bobagem que o tempo apaga, e eu nunca entrei nessa, inclusive porque para quem praticamente morava no Paineras como eu, respirar Polo Aquático era natural. A gente estava sempre dividindo a piscina e o Duda adorava dar treinos nos finais de semana, aliás sendo esse o segredo de vários títulos brasileiros. E eu, função da amizade com o André, Rodrigo e Polloni, ficava mais próximo ainda.

Duda por sinal gostava muito de esporte, qualquer esporte, incluindo natação, e diversas vezes fui escalado pelas bochechas para treinar com o time ou com a seleção de pólo, naturalmente apenas a parte da natação. Ele me chamava para puxar os caras, sabendo que eles iriam estar loucos para ganhar de mim, e eu jamais poderia permitir. É claro que em peito ou medley eles não teriam chances, mas os treinos de Pólo eram de crawl mesmo, e aí eu tinha que suar. Lembro especialmente de treinar com a seleção brasileira principal em julho de 1989, o William deu férias depois do Finkel mas eu estava dando uma treinadinha para o JUBS do Maranhão, e eles treinando para algum mundial ou Panamericano. Lembro que ganhar do Coy Freitas nos tradicionais 10×100 era beeem difícil, e eu me incomodava muito com a “síndrome do Messias”, ou seja, quando eu conseguia abrir uma pequena vantagem os caras paravam na bandeirinha, esperavam eu virar e na volta saíam junto comigo. Até o Coy. Miseráveis!

Minha irmã Marina também praticou WP, e foi uma das precursoras dessa modalidade no Brasil feminino, chegou até a pegar seleção. Ou seja, embora eu nunca houvessse cogitado ter migrado para esse esporte, me considero um insider.

Foi nesse estado de espírito que pedi logo no primeiro sorteio os ingressos olímpicos para a semifinal e final olímpicas de Pólo Aquático. Informados, meus amigos nadadores tiraram sarro de mim, eles que em geral acham que “no Pólo só tem PEBA”, uma alusão ao fato de que muitos nadadores extremamente pebas na nossa época foram para o Pólo exatamente pelo fato de nadarem mal (para o nosso gosto), dentre eles inclusive o Polloni.

Mas eu consegui os ingressos, e vi quatro jogos sensacionais (vejam fotos abaixo).   Infelizmente não pude ver o Brasil, pois apesar do investimento eles pararam nas quartas de final.

É fácil hoje dizer que o investimento deu com os burros n’água, pois o Brasil não pegou medalha, na verdade passou longe, no jogo crucial das quartas de final contra a Croácia perdemos de 10×6 e não chegamos a emparelhar nenhuma vez… mas a grande crítica que faço é à FILOSOFIA do investimento, qual seja, “vamos dar dinheiro para as estrelas (brasileiros e estrangeiros) para eles virem aqui e jogarem pelo Brasil”. Assim como eu sempre advogo na natação, eu preferiria um investimento na BASE do Pólo Aquático brasileiro, mas já que outro dia fui chamado de “desconhecedor do esporte”, aproveito para destacar as palavras do Léo Vergara, o mais talentoso jogador de WP do Brasil de todos os tempos, e que vive há quarenta anos dentro do esporte. (Esse manja, Cabral?)

Nessa entrevista Léo Vergara solta a língua: “Era uma seleção fajuta, que não nos representa. Gastaram um dinheiro irreal para o polo aquático, trazendo jogadores de fora, naturalizando os jogadores, gastando dinheiro. Com a vã filosofia de que ganhando uma medalha, popularizariam o esporte. Começaram pelo topo da pirâmide, quando o trabalho real é na base. Aí você solidifica a modalidade, desenvolve e forma um time forte, uma seleção representativa.

UOL – Mas e a vinda do técnico croata Ratko Rudic não foi boa?

Léo Vergara – Boa para quem? No dia seguinte ao final da Olimpiada ele foi embora. Pergunte: ele ensinou a nós como se treina uma equipe, quais os segredos para ser um tetracampeão olímpico como ele? Treinou o time, pegou o dinheiro e se foi. Ele não falava com ninguém. Só deu uma clínica aqui em São Paulo porque eu berrei e gritei com a CBDA. Sabe sobre o que ele falou na palestra? Falou sobre a vida dele. Nada de ensinamentos. Não foi dar palestra ou treino no Amazonas, na Paraíba

E no final, Léo complementa:

O que você faria se tivesse uma empresa e o seu gerente brigasse com 10 dos 12 melhores clientes… no nosso caso, os clubes? Eu mandaria o cara embora. Só dois clubes estão com a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos”.

Léo Vergara Real Paraíba: entre os  melhores do Brasil desde 1982!

Léo Vergara Real Paraíba: entre os melhores do Brasil desde 1982!

É isso: a CBDA conseguiu brigar com 10 dos 12 dos melhores clubes onde se pratica WP no Brasil, forçando-os a formar uma liga (detalhes). Desse jeito, além de desagregar os praticantes, o presidente Coaracy Nunes conseguiu mais uma façanha: nas SETE olimpíadas em que encabeçou a CBDA não classificou o Polo Aquático para NENHUMA delas (a última tinha sido em 1984 sob Dinard), e na única que conseguiu, e apenas por ser país sede, fez lambança e não deixou nenhum legado, além, é claro, da galera. Realmente uma pena.

Mas divago. Essa não era para ser mais uma crítica à condução da CBDA nesses últimos 28 anos, ao contrário, era uma celebração desse maravilhoso esporte, pela primeira vez protagonista de um post aqui no Epichurus. Vida longa ao esporte coletivo de maior tradição olímpica!

Sobre rcordani

Palmeirense, geofísico e nadador master peba.

21 comentários em “Um gato entre os pombos. Ou: um nadador entre os waterpolistas

  1. ale steinberg
    7 de novembro de 2016

    Renato,

    O começo do artigo me lembrou quando eu tomei esta mesma decisão – parar de nadar e jogar WP – dois anos antes. Hoje reconheço que foi um burn out que encurtou minha carreira peba na natação.

    Curiosamente os dois que mais me zoaram por ir para o WP na época foram exatamente o Rodrigo e o André…

    Um abraço!

    • rcordani
      8 de novembro de 2016

      Grato Alê, realmante a migração para o WP na adolescência no CPM era bastante comum. Mas de facto o sr tem bem mais o perfil natação do que WP…

  2. Marina Cordani
    7 de novembro de 2016

    Eu fui para o pólo com mais de 20 anos. Primeiro parei a natação, e somente bons meses depois, mais de ano acho, mudei de esporte. Nunca me considerei jogadora, eu era mesmo nadadora. Engraçado que eu fui seleção brasileira de pólo e não cheguei nem perto de seleção de natação. Mas sempre foi muuuuuito mais fácil ser seleção de pólo, já que a concorrência na natação é 100 vezes maior (ou mais!). Apesar de ser nadadora peba, eu sabia que havia sido melhor nadadora que jogadora.

    • rcordani
      8 de novembro de 2016

      Naquela época era CPM, CAP e o ECP era bem peba, não? As precursoras do WP brasileiro.

  3. Rodrigo M. Munhoz
    7 de novembro de 2016

    Acho muito bacana quando identificam esses momentos de “encruzilhadas” no passado. Numa realidade paralela haveria um Cordani poleiro e marrento na borda da piscina do CPM hoje? Ou… o que teria acontecido com a vida dele se o André e Rodrigo o tivessem convencido a se mudar para o Polo? Jabutis estariam mais seguros? O Epichurus seria como?
    Sobre o tema, lembro de “brincarmos” de Polo na piscina da Luso em começos de temporada e era muito divertido. Bem mais interessante que o treino de natação. Mas claramente eu não servia pra coisa, apesar de sido bem avaliado num jogo da FEA contra ESALQ (só Pebas na água).
    Abraços!

    • rcordani
      8 de novembro de 2016

      Boa Munhoz, interessante que nunca imaginei esse momento como uma encruzilhada pessoal, já que hoje em dia eu vejo aquele momento como uma não-decisão, ou seja, era óbvio que eu iria escolher ficar, e escolhi mesmo.

      Mas agora que você mencionou, fico pensando se realmente eu cheguei a cogitar mudar de esporte, puxei pela memória e acho que sim. Na natação, meu ano de 1986 tinha sido pífio, e eu não poderia adivinhar que o de 1987 seria tão bom como foi. Ou seja, sim, foi uma encruzilhada!

      E elocubrando mais um pouco, sabe o que foi melhor para mim no ano anterior (1986)? Aquele tiro de 200 Borbola no aquecimento da competição que o Pancho marcou e que encerrou o meu ano em POA, e que fiz 2:16. De POA segui diretamente para a Italia, onde fiquei quase dois meses (meu pai estava passando um tempo em Milão na universidade de lá) e o dia que voltei foi exatamente esse que descrevo neste post. E cheguei para tentar o RP de 200B de curta, conforme mencionado no início da saga.

      Ou seja, não é totalmente viagem considerar que aquele tiro de 200B no aquecimento de POA fez com que eu não decidisse mudar para o WP e isso mudou a minha vida para sempre (para o bem ou para o mal).

      Valeu a reflexão!

  4. Sérgio Rossa
    7 de novembro de 2016

    Concordo que a maneira como feito o investimento foi errada. A solução, neste caso, é a mesma que vocês do “Epichurus ” sempre falam: É criança n’água!!
    E enquanto isso a a explosão dos E- games não para! Acho q o problema não é a molecada jogar oa games, e sim, aa crianças deixarem de fazer as atividades físicas. (Outro tema para ser discutido).
    Abraços e desculpa se fugi do tema.

    • rcordani
      8 de novembro de 2016

      Boa Rossa, como pais a gente quer ver as nossas crianças na água, e como cidadãos, queremos ver as outras. Se a gente deixar, perdemos fácil para os e-games.

      Abraços

  5. Lelo Menezes
    7 de novembro de 2016

    Eu convivi muito pouco com os poleiros. Quando nadava no Paulistano o contato era zero! No Paineiras, onde nadei pouco, um pouco maior pelo fato colocado no post, onde alguns poleiros eram ex-nadadores. Onde mais convivi com eles foi na seleção brasileira, onde sempre tivemos um bom relacionamento, com torcida de nadadores nos jogos de polo e torcida dos poleiros nas provas de natação. As piadas que no Polo só haviam PEBAs faziam parte da saudável provocação entre esportes, embora cá entre nós, a provocação era correta, visto que o Polo não ia para os Jogos Olímpicos desde 1984. (e deve ter ido somente devido ao boicote do bloco de ferro). kkkkk!

    De qualquer forma, eu nunca cogitei ir ao polo, nem nunca recebi convite, embora se tivesse recebido teria recusado na hora. Nunca senti apelo por esporte coletivo!

    Sobre a CBDA, a natação sempre foi a garota dos olhos e se a natação já era tratada bem meia boca, imagina os demais esportes. Quem sabe o Miguel muda isso!

    • rcordani
      8 de novembro de 2016

      Lelo, o sr não recebeu convite para o WP pois (1) o sr era muito peba, (2) muito fracote e (3) o sr joga muito mal futebol, e é percebido como uma pessoa sem visão de jogo.

      • Lelo Menezes
        8 de novembro de 2016

        O sr. está equivocado. Se eu fosse muito PEBA eu seria prontamente convocado para o WP, dado que todo PEBA era rapidamente convocado. Fracote eu até lhe concedo, pelo menos na época do CPM. Depois de 1990 quando fui para os EUA, eu fiquei forte pra casseta. E futebol eu jogava não apenas bem, mas com excelência. Ouso dizer que se tivesse optado por esse esporte, eu seria titular das copas de 1990, 1994, 1998, 2002 e 2006, tendo parado em 2007, mas novamente sido chamado pelo Dunga, para salvar o Brasil em 2010. Convite que eu infelizmente teria recusado

  6. Marcos peano
    7 de novembro de 2016

    Cordani
    Também fui para o pólo mas assim como sua irmã não era um grande jogador só nadava.
    Mas a minha ida se deu por conta de um tradicional problema do esporte brasileiro: faculdade. Quando estava no terceiro ano do colegial (desculpem as palavras as mas sou antigo) entrei no esquema de aulas o dia inteiro. Como o treino de natação era atarde e o de polo a noite acabei ficando com este. Mas me diverti bastante jogando na universidade sempre com o mestre Duda na beira da piscina.

    • rcordani
      8 de novembro de 2016

      Marcos, como disse o Marcelo no FB o sr não tem o menor perfil de jogador de Polo, devia ter ficado na natação mesmo.

      Aliás, o sr também não tem o perfil para o nadador de 50L que você havia se tornado (por preguiça), você devia nadar 100 costas, 200L, essas provas mais dignas, mas aí tinha que treinar mais e reclamar menos!

  7. Barros
    8 de novembro de 2016

    Eu sempre gostei de polo aquático.
    Uma vez o Duda me convidou para compor um time durante o treino, ele também estava jogando na equipe adversária. Num determinado momento do jogo eu me empolguei e fui pra cima dele com mais força, nesta disputa entre nadador e poleiro eu acabei com a sunga rasgada.
    Fiquei muito feliz de reencontra-lo durante as olimpíadas após um jogo de polo do Brasil, e chateado com o desempenho da seleção brasileira durante a competição.
    Assim como e estava torcendo mais para o Amendoim do que para os atletas da natação, eu também estava torcendo mais para o Duda do que para a equipe de polo aquático.

    • rcordani
      8 de novembro de 2016

      Barrão, imagino quão estabanado o sr foi para cima do Duda, que deve ter ficado imóvel e imobilizado o sr apenas com o polegar esquerdo. Daí o sr teve a sunga rasgada e deve ter ficado gaguejando por aí… ainda bem que o sr permaneceu na natação!

      • Lelo Menezes
        8 de novembro de 2016

        Duda o qual protagonista da famosíssima Guerra da Farinha de Rosário.

  8. Mauro Neto | Netinho
    8 de novembro de 2016

    Como a natação era muito competitiva e conquistar uma medalha cada vez mais difícil, mudar para o polo parecia divertido, já nadava e treinaria com uma bola…
    Total engano, os treinos do Duda, grande amigo, pareciam seleção natural, aprender aquela perna do polo matava e de fácil não tinha nada, treinos até 22hs em piscina aberta, mal aquecida e por aí vai.
    Além disso, nos primeiros campeonatos que participamos pelo Paineiras no time 67 perdíamos de lavada, algo como 20 x 1 para o Polé… Depois o time melhorou um pouco e nos saímos bem, além do Tebola e Armando, outros grandes nomes como o do João Caltabiano, Zolino Sá, Waldir também integraram esse grupo e recheavam as categorias acima.
    Grande época, muitos amigos, união e histórias boas para contar, essa é a lembrança principal desse grande esporte que carrego até hoje.

    • rcordani
      8 de novembro de 2016

      Boa Neto, realmente o Paineiras 67 depois melhorou bem, até quando os caras do 69 chegaram a completar o time.

      O horário dos treinos de WP eram horrorosos (acho que são até hoje). A gente (da natação) saía da piscina às 19:00, e vocês estavam entrando. Eu já achava tarde o nosso treino, imagina o de vocês. Sair da piscina 22:00, jantar, desligar, etc, passava da meia noite fácil!

  9. Marcos Bellizia
    8 de novembro de 2016

    Cordani, o seu blog é ótimo.
    mas nesta discussâo entre nadador e jogador de WP da linha o Goleiro não entra…..Grande abraço. ja no outro assunto eu concordo totalmente com o seu ponto de vista e do Léo que o investimento deve ser na base do esporte e não em importar o “goleiro” e outros `”jogadores” da Servia. Grande abraço. Bellizia

    • rcordani
      9 de novembro de 2016

      Grato Bellizia, hehe, goleiro não entra? e grande abraço para você também!

  10. Pingback: Que venha o sol! | Epichurus

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