Epichurus

Natação e cia…

O que faltou para os Millenials

Nada de coragem, perseverança ou resiliência. Recentemente entendi que paciência foi provavelmente o legado mais importante que a prática da natação me deixou. E nem me considero uma pessoa particularmente paciente… Mas estou convencido que nossa geração está bem neste quesito, graças a um vídeo do Simon Sinek sobre Millenials mandado pelo Pacheco recentemente. Que fique claro que não concordo que a galera nascida no meio da década de 80 tenha dado azar por terem sido educados com excesso de condescendência pelos pais. Ao menos esses caras puderam acumular uma sensação de pertencimento e empatia enquanto puderam. Se esse povo desperdiçou isso se viciando em mídia social, gratificação imediata e a noção de que todos seus sonhos seriam realizados, isso é problema deles. Aliás, aqui no Epichurus já se falou bastante que acreditar em sonhos simplesmente não é suficiente para quase nada, apesar de não ser necessariamente um ponto de partida ruim.

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Paciência para esperar o próximo por-do-sol desses…

Em retrospecto, contudo, vejo que treinar natação durante tantos anos deve ter nos ajudado a criar um autocontrole de ansiedade melhor. Praticamente zero da natação vem para aqueles que não esperam. Os treinos são longos e frequentemente silenciosos. Os bons resultados são infrequentes e os erros no final da temporada causam revezes de meses. Se você não desiste (o que é sempre uma possibilidade), fatalmente vai aprimorar a virtude da paciência. E adicionalmente, na nossa época não tinha essa de ganhar medalhinha de participação… por sinal, não vejo a hora de pararem isso no Judô dos meus filhos! Tenho certeza que esse tipo de metal gratuito não oferece muita motivação de qualquer jeito.

Ainda hoje vejo na maioria dos meus amigos da natação essa virtude quando esperamos que o Rrruy volte a treinar com os Pebas, uma competição, nossas férias ou a chegada do próximo swell de final de semana propício para o jacaré. E essa fórmula deve valer para basicamente qualquer esporte praticado competitivamente e com afinco. Arrisco a dizer que os Millenials que se dedicaram a um esporte terão bem menos risco de apresentarem desapontamento e depressão no mercado de trabalho descritos pelo Simon Sinek, por terem criado mais paciência. Quem diria que esses pobres jovens Millenials já estariam ensinando algo útil para a humanidade!

Brincadeiras à parte, acho que geração dos Millenials tem muito mais para ensinar além do uso impecável de dados para a tomada de decisão e naturalidade com a tecnologia. Dizem que essa geração pode nos ensinar que ganhar dinheiro não é tudo na vida e que causar um impacto positivo pode ser mais importante que uma carreira bem-sucedida. Não acho que isso possa ser ruim e vou ter que pagar para ver. Escrevendo de madrugada de uma convenção de trabalho em Las Vegas, no meio de férias da família, vejo que preciso me aprimorar nesse e em outros quesitos. Isso para não falar do receio da falta de paciência do Renato com relação ao eventual delay bauruístico de hoje…

Aproveito esse post para agradecer a paciência dos nossos leitores em mais um ano deste blog. Sei que não foi um ano fácil para muitos – como o Lelo já apontou por aqui – mas asseguro que está quase acabando. Nessa mesma nota, faço votos que todos tenham adquirido uma boa dose da dita cuja paciência, pois ao que tudo indica, 2017 ainda apresentará desafiados para todas gerações. Que boas surpresas recompensem nossa espera.

 

Sobre Rodrigo M. Munhoz

Abrace o Caos... http://abraceocaosdesp.wordpress.com

7 comentários em “O que faltou para os Millenials

  1. rcordani
    19 de dezembro de 2016

    Munhoz, eu vi o video e embora interessante eu o achei muito exagerado, e veja você que seu texto me dará razão:

    “paciência para chegada do próximo swell de final de semana propício para o jacaré.”

    A geração millenium NÃO PRECISA de paciência para esperar as ondas, a moçada tem o app do surfline no celular, e só vai para a praia na boa (como aliás fizemos neste último sábado).

    Enfim, acho que a geração vai sobreviver, eles apenas estão sofrendo o mesmo tipo de acusação que sofríamos das nossas avós, qual seja:

    “esses jovens de hoje falam muito ao telefone, não tem mais contato pessoal, na nossa época você tinha que ir até a casa do outro para combinar alguma coisa, você acabava entrando para tomar um café, hoje em dia você liga e já combina, não tem mais graça! Pobre geração!”

    • Rodrigo M. Munhoz
      20 de dezembro de 2016

      Com certeza o Sinek recorre ao exagero para passar o ponto dele, que é basicamente relacionado com a tristeza que esses Millenials estão passando no ambiente de trabalho. Claro que eles vão sobreviver, mas note que não estava falando de conflito de gerações (normal). Já foi dito que esta será a 1a geração do mundo contemporâneo que será na média mais pobre que a anterior. Se isso importa enormemente para os Millenials, não tenho certeza, mas certamente vai impactar o modo como se vive. Dificil saber o que farão os pais desses filhos que não conseguem se solidificar financeiramente… e as idades de aposentadoria… e os novos modos de ganhar a vida gerando impacto…
      Como não conseguimos tocar essa discussão no phutada, achei por bem documentar aqui.
      Abraços!

  2. Lelo Menezes
    19 de dezembro de 2016

    Boa Munhoz! Eu concordo com o Renato! Cada geração tem suas peculiaridades e é praticamente lei que a geração anterior ache que vão se dar mal na vida. A sociedade, no entanto, e consequentemente o mercado de trabalho tende a se adaptar as novas características. Vale lembrar que na geração dos nossos país, mulheres raramente trabalhavam e os homens tinham orgulho de trabalhar a carreira toda em uma única instituição. Hoje isso já não é a norma, muito pelo contrário e mesmo nós, que em média ficamos de 3-5 anos como colaboradores de uma empresa e depois partimos para novos desafios, já não nos acostumamos com a geração Y que em um ano já não tem mais “saco” pra permanecer fazendo a mesma coisa no emprego, mas temos que nos adaptar. ADAPT OR DIE!

    Enfim, que 2017 seja bem melhor que 2016

    • Rodrigo M. Munhoz
      20 de dezembro de 2016

      Novamente, não é o conflito de gerações o que me interessa, mas os efeitos dessa adaptação na vida de todo mundo. Mais um possivel impacto seria na politica. Como esses millenials – pragmaticos de um lado e sonhadores de outro – irão votar e se engajar politicamente?
      No idea…
      Abratz!

  3. Luiz Carvalho
    19 de dezembro de 2016

    Ótimo texto, eu Concordo com Sinek. Os millennials são talvez a geração menos preparada para lidar com essa coisa super estranha chamada realidade….

  4. Rodrigo M. Munhoz
    20 de dezembro de 2016

    Pois é, Chicão… ao mesmo tempo que são uma geração já inserida no modo de vida digital, com um ferramental analítico extenso, educação e capacidade de execução… parecem carecer de pragmatismo, o que acaba sendo agravado pela falta de paciência, na minha opinião. É duro ter um papo de carreira, envolvendo vários anos e evolução gradual com alguns dos representantes dessa turma. Felizmente, acho que o aprendizado pode e deve acontecer, advindo de erros e acertos e espero que o adaptar-se sugerido pelo Lelo seja a norma.
    Caso contrário teremos um monte de gente triste, desocupada e/ou frustrada no Mercado por um looongo tempo…
    Abraços!

  5. Fernando Cunha Magalhães
    19 de fevereiro de 2017

    Oi Munhoz,

    a tal medalha de participação também me incomoda.
    Ontem ganhei uma de um tamanho de uma medalha olímpica ao completar uma prova de aventura de 5km, um exagero.
    Como gestor de academia, não tenho forças para contrapor o ímpeto das famílias em receber e das professoras e coordenadoras em dar, em simples festivais.
    Há 1,5anos, quando optamos por um modelo de acrílico mais simples, fomos bombardeados. Ano passado retornamos aos lindos modelos metálicos com design exclusivo.
    Me entreguei ao sistema.

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Publicado às 19 de dezembro de 2016 por em Epicuro, Fim de Ano, Natação, PEBAs e marcado , , , .
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