Epichurus

Natação e cia…

Nitroglicerina nas águas do Paraná

Histórias da minha rivalidade com João Ricardo Tramujas Von Borell Du Vernay

A discreta estreia em campeonatos brasileiros no final de 1979, relatada no post Melhorando que nem criança, não abria grandes perspectivas para minha trajetória como atleta, mas foi o suficiente para alimentar o sonho de prosperar no ambiente competitivo.

Gostava de ir diariamente ao Clube Curitibano, de encontrar os amigos, dos treinos, das viagens e adorava competir.

Regional Sul – 1º semestre

Um ano após a competição de estreantes, voltei ao Guarani Esporte Clube em Ponta Grossa para a primeira competição do ano de 1980 – meu segundo e último ano na categoria Infantil A. Tinha 10 anos de idade.

A primeira prova foi o 100m livre. Estava balizado lado a lado com Dado Borell, que havia me vencido por mais de 2 segundos no Maurício Bekenn, tinha baixa expectativa e me surpreendi quando me vi nadando de igual para igual, abrindo uma pequena vantagem após a virada dos 50m e garantindo uma vitória apertada com 1m09s0. Com esse tempo completei uma evolução de 11 segundos em um ano. A cronometragem era manual, os cronômetros de ponteiros e a precisão de décimos de segundo.

Gustavo Pinto completa o pódio da prova de 100m livre

Gustavo Pinto completa o pódio da prova de 100m livre

Nossa categoria tinha apenas provas de 100m de cada estilo. Dado e eu ainda nos enfrentávamos nas provas de borboleta e costas. A tônica do confronto era: ele leva o borboleta, eu o costas e no crawl, vamos ver o que é que dá.

Vitória na série fraca rendeu uma boa foto e um lugar no pódio

Vitória na série fraca rendeu uma boa foto e um lugar no pódio

Última piscina da prova de 100m costas

Última piscina da prova de 100m costas

Data do brasileiro

Já comentei que nessa época os atletas iam mudando de categoria conforme faziam aniversário. A primeira competição do ano mostrou que eu era muito competitivo como Infantil A, mas a realidade era que eu ainda não sabia se poderia nadar o brasileiro nesta categoria. Explico: sou do dia 7 de dezembro, data em que começara numa 6ª feira, a competição no ano anterior. Se houvesse uma postergação em uma semana, eu já seria Infantil B.

Sorte que 1980 era ano bissexto e o dia 7 foi parar no domingo. A competição foi marcada para Porto Alegre, no Grêmio Náutico União, entre os dias 5 e 7 de dezembro de 1980. Vibrei com as perspectivas, mas lembro que durante todo o ano ainda tive receio de que não me deixassem nadar no domingo.

Calendário de 1980

Calendário de 1980

Troféu Avelino Vieira

Essa competição acontecia no início do mês de maio no Clube Curitibano, em piscina longa. Patrocinada pelo Banco Bamerindus, era bem especial por diversos motivos: era a única competição tipo age group (atletas competiam apenas com atletas da mesma idade, como é hoje a divisão de classes) do nosso calendário, tinha desfile de abertura com hino nacional e banda, ganhávamos camiseta da competição, premiava os vencedores com lindas e enormes medalhas redondas, cada um só podia nadar duas provas individuais e sempre havia clubes convidados de fora do estado.

Como o Dado ainda tinha 9 anos em maio, houve uma pausa na rivalidade e cada um faturou suas provas individuais nas respectivas categorias.

Competição de estréia dos novos agasalhos de lã e detalhe da medalha

Competição de estréia dos novos agasalhos de lã e detalhe da medalha

Anos depois, o HSBC comprou o Bamerindus e felizmente manteve o patrocínio para o torneio. O nome mudou para Copa Mercosul, bem como alguns critérios, mas continua sendo disputado até hoje.

Regional Sul – 2º semestre

Setembro de 1980, piscina curta do Clube do Golfinho. Vamos ao relato do dia que para mim foi o mais tenso na rivalidade entre Curitibano e Golfinho.

014 (2)-001Novamente começamos pelos 100m livre. Eu me questionava se conseguiria repetir o 1m09s0 e se conseguiria vencer o Dado novamente. Caímos na água e nadamos juntos, mas dessa vez, ele sempre um pouco na frente, não consegui reverter e perdi de forma incontestável. Dado marcou 1m06s0 e eu, 1m06s4.

Ao sair da piscina recebi várias manifestações de apoio do tipo – “na próxima você dá o troco” e eu sabia que teriam muitas outras disputas pela frente. Na arquibancada, vivia um sentimento misto pela derrota e alegria absoluta com o tempo. Era cair na água e melhorar muito, eu queria mais era competir de novo.

acervo Luiz Fernando Graczyk.

acervo Luiz Fernando Graczyk.

Nessa hora, nosso diretor de natação – Antônio Augusto Chaves – assistia a competição em pé, na arquibancada oposta, próxima à entrada do Clube. Não sei se houve provocação, algum bate-boca ou se naquela altura o simples fato de ser do clube adversário já provocava a ira de alguns, mas vi a hora em que um pai de colegas do Clube do Golfinho desceu um degrau e mandou um direto no lado esquerdo do rosto do Chaves. Ele  desequilibrou mas não caiu. Sua reação foi contida por rápida ação da turma do deixa-disso. Todos no Parque Aquático olhando para o Chaves que vira em direção a nossa equipe e grita: “Vamo embora!!!” – ao mesmo tempo em que chama com a mão.

Três ou quatro colegas já pegam suas coisas e vão se encaminhando em direção a saída. Eu fiquei pensando de forma egoísta: “Será que vou, será que não vou, estou nadando muito… quero competir”. Nosso técnico, Jaime Pacheco, vai até a direção do Chaves, conversa por um tempo e retorna pedindo para que todos voltem e a competição reinicia.

Foi nesse clima que fui para os 100m borboleta. Dessa vez na série forte e pela 1ª vez nessa prova ao lado do Dado. Passei um pouco atrás e mantive a distância até os 75m, cresci nos últimos 25m e cheguei forte. De frente para a parede não tinha a menor condição de avaliar a chegada, mas meus colegas vibravam muito. Fora da piscina fui badalado como vencedor pela turma do CC. Quem tinha falado em troco, disparou: “ninguém esperava que fosse tão rápido e ainda mais em borboleta”. Nem eu. Melhorei 7 segundos. Nadamos para 1m16s. Eu era só alegria.

1ª chegada e 2ª chegada

Competições com cronometragem manual são suscetíveis a erros de manuseio do cronômetro. Depende do fator humano o rápido acionamento após o sinal de partida e a parada do cronômetro no exato momento da chegada. Ocorrem erros de centésimos de segundos e por isso, nessas circunstâncias, é fundamental a presença de juízes de chegada.

A decisão dos juízes de chegada é soberana sobre o cronômetro.

Quando o atleta apontado pelos juízes de chegada como vencedor tem um tempo mais alto que o segundo colocado, é considerado o tempo mais baixo como oficial para os dois atletas e ao lado dos tempos vem escrita a expressão: 1ª chegada e 2ª chegada, respectivamente.

A premiação

Os chamados para a cerimônia de premiação, vindos do alto falante sempre vinham na ordem da colocação: “Convidamos para premiação os atletas: João Ricardo Borell, Fernando Magalhães e …”. Gelei. Fui ao pódio e recebi a medalha de prata.

Sr. Chaves havia ido embora e Joel Ramalho Júnior, pai do meu amigo Renato, foi até a cabine de controle e voltou falando em rasura nas papeletas dos juízes de chegada. Amigos indignados, senti-me roubado. Fui até a grade em encontro ao meu pai e falei: “Pai, eu ganhei”. O sangue dele ferveu e disparou: “me dá aqui essa medalha”. Gelei de novo. Ele pegou a prata, foi até a cabine de controle e depois me contou o que aconteceu dessa forma: “É medalha que vocês querem?!?! Tá aqui a medalha!” e jogou a prata lá dentro – “eu vou comprar uma de ouro para o meu filho!”

Protestos

No dia seguinte o clima estava pesadíssimo. Garanti a vitória nos 100m costas e protestei no pódio.

Eu não tinha fotos dessa competição. Após a publicação do post "Um rival pra chamar de seu" recebi um email com algumas fotos do Dr. Ismail Sabedotti que ficou com o bronze nos 100m costas - "espero que ajudem sua memória. Cada vez que olho isto me empenho mais ainda para que meus filhos possam participar do mundo do esporte".E vejam a que ponto chegamos: Dadão de cara fechada e braços cruzados antes do anúncio da prata e eu tapando os ouvidos (não lembrava disso?!?!), mas não consigo pensar em outra hipótese senão como um protesto pelo dia anterior.

Eu não tinha fotos dessa competição. Após a publicação do post “Um rival pra chamar de seu” recebi um email com algumas fotos do Dr. Ismail Sabedotti que ficara com o bronze naquele 100m costas – “espero que ajudem sua memória. Cada vez que olho isto me empenho mais ainda para que meus filhos possam participar do mundo do esporte”.
E vejam a que ponto chegamos: eu tapando os ouvidos. Não lembrava disso e não consigo pensar em outra hipótese para o ato, senão como um protesto pelo dia anterior.

O Curitibano apoiou. Chamou a responsabilidade por repor o metal e mais do que isso. Como protesto, orientou todos os atletas juvenis que participariam do regional na semana seguinte a não comparecerem ao pódio nas premiações.

Nessa época o Golfinho era soberano na competição infantil. No ano anterior havia ganho a posse definitiva do Troféu Germano Bayer – campeonato estadual da categoria, ganhava quase todas as provas e a maioria das medalhas. Já no juvenil, havia mais equilíbrio, mas predominava a força do Curitibano.

Fui assistir a competição. A cada premiação, os insistentes chamados no alto falante: “Atenção Srs. Atletas… última chamada para a premiação, e o(s) degrau(s) do(s) atleta(s) do Curitibano permanecia(m) vazio(s).

Todos os juvenis e eu, recebemos medalhas compradas pelo Clube na festa de encerramento do ano, no local onde hoje existe o Salão Verde.

Amistosos

No segundo semestre tivemos duas competições muito bacanas.

A primeira no Minas Tênis Clube, piscina antes da reforma, com a aquele poço de saltos assustador. Além do Curitibano, também participou o Canto do Rio, de Niterói. Perdi os 100m livre para um carioca chamado Cláudio e fiquei aliviado ao saber que ele faria 11 anos antes de dezembro.

O outro amistoso foi na AABB da Lagoa, no Rio de Janeiro. Lembro da Daniele Ribeiro vencendo muitas provas nessa competição e pelos comentários do Epichurus já soube que os irmãos Veirano também nadaram essa.

Na AABB com Mauro Callil na premiação dos 100m borboleta

Na AABB com Mauro Callil na premiação dos 100m borboleta

O mais surpreendente aqui foi que nadei e venci os 100m peito com 1m30s.

Estadual

A última competição antes do brasileiro foi na piscina longa da UEL – Universidade Estadual de Londrina – 1a edição do Troféu Vicente Januzzi.

Classificação dos 100m livre:

1º lugar João Ricardo Borell Golfinho 1’07”8 1ª chegada
2º lugar Fernando Magalhães Curitibano 1’07”8 2ª chegada

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Dessa vez havia opiniões distintas entre meus colegas em relação a chegada e o único protesto foi do meu irmão, próximo ao pódio, antes da premiação: “Fer, fique atrás do 1º, onde é o teu lugar. E o Dadão retrucou: “Que é isso, o meu… tá com olho biônico?!”

Perdi de meio corpo nos 100m borboleta. Nos 100m costas ganhei meu primeiro campeonato estadual e bati meu primeiro recorde paranaense com 1m19s60, quebrando a marca que havia rendido o bronze para Eduardo De Poli no brasileiro do ano anterior.

Mais uma do acervo do Ismail. Com a prata, José Gustavo Parreira.No estadual recebíamos belíssimas medalhas hexagonais com a inscrição "Mens sana in corpore sano"

Mais uma do acervo do Ismail. Com a prata, José Gustavo Parreira.
No estadual recebíamos belíssimas medalhas hexagonais com a inscrição “Mens sana in corpore sano”

018

Dei minha primeira entrevista para a Rede Globo. Perguntado sobre os sonhos para o futuro, falei em competir no exterior e mencionei Moscou, influenciado pela medalha brasileira conquistada nos Jogos Olímpicos daquele ano.

O tempo que o Dadão e eu fizemos nos 100m livre era apenas 5 centésimos acima do recorde estadual e brasileiro que havia rendido o ouro e o melhor índice técnico ao Edu no ano anterior.

Ou seja, nessa altura eu só queria que o brasileiro chegasse logo, para cruzar com o Dado numa piscina com placar eletrônico e decidir quem seria o novo campeão brasileiro.

Na 5ª feira, eu conto o que aconteceu em Porto Alegre.

Forte abraço ao Dadão e a todos os leitores.

Fernando Magalhães

Sobre Fernando Cunha Magalhães

Foi bi-campeão dos 50m livre no Troféu Brasil (87 e 89). Recordista brasileiro absoluto dos 100m livre e recordista sulamericano absoluto dos 4x100m livre. Competiu pelo Clube Curitibano (78 a 90) e pelo Pinheiros/SP (91 a 95). Defendeu o Brasil em duas Copas Latinas. Foi recordista sulamericano master. É conselheiro do Clube Curitibano.

21 comentários em “Nitroglicerina nas águas do Paraná

  1. Lelo Menezes
    18 de fevereiro de 2013

    Excelente Esmaga! Saga sempre riquíssima em detalhes! Vou aguardar pra saber o que rolou em Porto Alegre! Aqui em SP tinha uma rivalidade forte no Infantil entre ECP e Esperia e no Juvenil entre ECP e CAP, mas nunca vi pais saírem no braço! O negocio em Curitiba era fogo pelo visto! Engraçado que nunca notei em JDs, JFs e TBs essa rivalidade toda enquanto o Golfinho existia!

    • Fernando Cunha Magalhães
      18 de fevereiro de 2013

      Legal Lelo.
      Como disse, relatei o dia mais tenso que presenciei. Não tenho notícias de outra situação em que tenha se chegado às vias de fato. Como contei em “Um rival pra chamar de seu”, houveram excesso mas a rivalidade foi a principal força motriz para a a natação paranaense chegar onde chegou.

  2. Rodrigo M. Munhoz
    18 de fevereiro de 2013

    Boa Esmaga! Mais um texto mostrando a prodigiosa memória…
    Interessante que meu primeiro pensamento foi algo como “Que baita stress pruma criança!”… mas aí lembrei que essas rivalidades em Curitiba fizeram a natação Paranaense evoluir muito rápido e criar alguns dos melhores talentos das piscinas brasileiras na década de 80 e 90… Mas ainda assim, acho que pro meu temperamento, uma menor exposição a este tipo de “relações explosivas” tenha sido melhor… sei lá.
    Abraços!

    • Lelo Menezes
      18 de fevereiro de 2013

      Eu concordo Munhoz! Por isso o ECP nao levava o Infantil A para o Mauricio Becken, exatamente para evitar o stress nas criancas. So ressalto um detalhe interessante e inconcebivel ao mesmo tempo: Grande parte do stress e cobranca que ocorre na natacao infantil vem dos proprios pais. Quantas vezes vi, enquanto infantil A, criancas apanhando ou tomando aquela bronca dos pais porque nao nadaram de acordo com suas expectativas. Me lembro de varios colegas que eram hostilizados em publico pelo pai. Vi um garoto apanhando atras das arquibancadas do ECP no Torneio da Fruta (algo que era quase uma recreacao) por ter perdido os 50m peito e tinha uma menina que o pai uma vez arremessou uma prancheta nela e que posteriormente chegou a ser ouro em Julio Delamare, mas todos eles, sem excecao, pararam de nadar antes dos 16 anos! Essa questao da pressao infantil merece um texto!

      • Fernando Cunha Magalhães
        18 de fevereiro de 2013

        Concordo com você, Lelo. Os pais tem um peso muito grande nesse processo. Essa do Torneio da fruta é o fim da picada. Também assisti muitas situações de pressão aos filhos, mas não nenhum pai bater no filho.,
        Da minha parte, minha mãe pressionou nas vezes em que eu tive preguiça de ir para a natação, mas nunca por resultados. Sempre depois das competições eu explicava se o tempo tinha sido bom ou não, ela não guardava nada. Ainda em relação aos resultados, a postura era de dar suporte aos meus sonhos e fazer tudo que estava ao alcance para me ajudar.
        Agora que o que ela cobrou pra valer (anos depois dos fatos citados nesse post) é que eu lutasse pelo reconhecimento para as minhas conquistas., naturalmente

    • Fernando Cunha Magalhães
      18 de fevereiro de 2013

      Munhoz,
      Como eu não tinha outra experiência para comparar, achava a competitividade e a rivalidade coisas normais. E hoje gosto de ter vivido isso e ter essas histórias para contar.
      Confesso que me incomoda um pouco minha expressão nas fotos. Dá uma olhada lá… as de pódio são todas de 1o lugar e aquela expressão fechada em todas.
      Acredito que seja somente em função da incrível timidez que só consegui controlar anos depois, mas talvez, lá no fundo houvesse influência do meio.
      Abraços.

  3. rcordani
    18 de fevereiro de 2013

    Muito bom Esmaga. Pena que eu já conheça o final dessa história, ficarei sem o suspense…

    Esse negócio de passar de categoria no aniversário era bizarro. No infantil A a gente era peba, peba, peba, e de repente todo mundo passava de categoria e a gente virava “bom” de uma hora para outra! E comigo isso aconteceu precisamente em 1980.

    Por último o lance dos juízes de chegada, isso aí decidiu até Olimpíadas. Nos 100 livre em 1960 o americano Larson estava com tempo menor que o australiano Devitt, mas os juízes de chegada deram o ouro para Devitt, provocando a ira da equipe dos EUA. Foi nessa prova que Manoel dos Santos ficou com o bronze.

    • Fernando Cunha Magalhães
      18 de fevereiro de 2013

      Caro Cordani,
      Mesmo sabendo o final, você vai gostar de alguns detalhes que o texto revelará.
      Sobre essa história de 1960, já havia lido no Almanaque Olímpico do Pateta, na época dos fatos do meu post, mas não lembrava o nome dos protagonistas.

  4. Beatriz Nantes
    18 de fevereiro de 2013

    Muito legal o post e os detalhes.
    Tive duas lembranças ao ler o relato
    1- nadei em Santos, no Saldanha da Gama, e a Copa Mercosul era a única competição fora do estado de que participávamos, além dos brasileiros (ao menos na minha época, no começo dos anos 2000). Muito legal saber que a competição tem tanta história! São as medalhas mais bonitas que tenho até hoje (enormes!).

    2- Uma tristeza: ainda peguei a época de torneios regionais com medalhas em Santos, e também lembro bem de minha trajetória enquanto era petiz (10 e 11 anos) e infantil (12 e 13 anos). Hoje em dia, além do Saldanha não existir mais, os regionais em Santos não tem pódio nem medalha. Pode parecer besteira, afinal essas competições existem mais para fazer índice para o estadual e o tempo importa muito mais do que a medalha, mas mesmo assim acho que faz falta, ainda mais para crianças. Subir no pódio é muito bom! Fiquei curiosa para saber como é hoje no resto do Brasil, se os regionais permanecem, como funcionam….

    Abs, o blog está ótimo.

    • Fernando Cunha Magalhães
      18 de fevereiro de 2013

      Oi Beatriz,

      1 – Gostei muito de você ter comentado sobre a Copa Mercosul. Isso porque sempre lembro de muitos detalhes em torno do foco principal do texto e às vezes questiono se eu deveria ser mais objetivo. Como gosto de histórias bem contadas para compreender o contexto, escrevo assim também e foi justamente num pequeno detalhe que sua emoção foi tocada. Muito legal.

      2 – Sobre medalhas para crianças: subir no pódio é muito bom, concordo com você, e uma medalha é um grande reconhecimento ao mérito. Por isso, eu não gosto do modelo de festivais que distribui medalhas de participação. Acho que deve haver um reconhecimento ao esforço, mas não medalha. Banaliza a performance dos primeiros.
      Nos regionais, uma medalhinha vai bem. Até porque criança adora medalha e a perspectiva de ter a chance de conquistá-las uma ou duas vezes por ano – no estadual e se o atleta tiver índice, no brasileiro, deixa o objetivo muito distante.

      Não sei como é hoje nos outros estados, mas na minha época regional dava medalhas, contava pontos e entregava troféu a equipe campeã. Também acho que não precisa de tanto.

      Obrigado pelo elogio e um abraço pra você.

      • Fernando Cunha Magalhães
        18 de fevereiro de 2013

        Outra coisa, Beatriz.
        Vai lá embaixo e olha que bacana as ideias da Marina Cordani sobre a premiação para crianças.

  5. Dado Borell
    18 de fevereiro de 2013

    Eitcha memória falubosa!!
    Lembro do fato da medalha, juro que nunca tive nada haver com estas coisas, mas acho que quem levou a “medalhada” foi meu pai. Mas não lembro que deu o sopapo no Chaves. Quantos pais não estragaram seus filhos com a vaidade… Eu procuro não colocar muita “pilha” no meu mais velho pela lembrança que tenho de alguns pais e mães…
    Meu querido Maga esta foto com o Ismail Sabedoti e José Gustavo Parreira está sensacional.
    Confesso que a leitura de hoje meu trouxe emoções bacanas. Primeiro a confirmação do tamanho da sua generosidade e simpatia, vc é um cara sensacional. Segundo trouxe memórias tão bacanas que algumas lágrimas vieram.
    Bicho… Confesso que foram momentos muito bacanas.
    Aguardemos cenas dos próximos capítulos, que apesar de saber com detalhes esta história toda, prefiro “viajar” através através seu ponto de vista destes acontecimentos.
    bj
    Dado Borell

    • Fernando Cunha Magalhães
      18 de fevereiro de 2013

      Dadão, obrigado pelos elogios.
      Essa história é parte das nossas vidas e pra mim é um prazer escrever sobre isso. Fico feliz que as pessoas estejam gostando e que tenha te emocionado.
      Bj e até 5a.

  6. Marina Cordani
    18 de fevereiro de 2013

    Fico pensando nessa história de medalha, medalha, medalha… Para crianças até, digamos 11 anos, acho que o ideal era o que faziam nos Estados Unidos (não sei se ainda o fazem.). Explico: nos torneios amistosos, a premiação eram/são aquelas fitinhas de menção honrosa, com a colocação escrita, e não somente até terceiro. Acho que tinha até um espaço para colocar o tempo e a prova. Além disso, havia/há premiação para o estilo mais bonito, mais técnico. Enfim, mais gente ganhando premiações, que não são medalhas. As medalhas podem ser motivação para quem consegue ganhá-las. Mas eu tive atletas com muito potencial (principalmente no masculino), que poderiam ter sido ótimos nadadores, que raramente (muito raramente) ganhavam medalhas. Isso também é bem desmotivante… Acho que medalha é super valorizada no Brasil. Também sou contra essas competições que dão medalha para todos os participantes, desde os 6 anos, e os pais saem todo orgulhosos da medalha do filho. Dê outro brinde, vale lanche, sei lá! Medalha não é brinde, tem que merecer. E também não é a coisa mais importante. A maioria de uma equipe não é formada de medalhistas! Então, os outros devem parar de nadar?

    • Fernando Cunha Magalhães
      18 de fevereiro de 2013

      Oi Marina,
      você escreveu bem melhor que eu na resposta ao comentário da Beatriz. Só um instante que eu vou ali em cima avisar para ela ler aqui embaixo.

      • Fernando Cunha Magalhães
        18 de fevereiro de 2013

        Voltando… gostei muito das fitas com os tempos. Elas enaltecem a performance individual e se guardadas, podem ser comparadas e construir uma percepção de sucesso mesmo que a criança não esteja no pódio.
        Adorei o prêmio para melhor estilo.
        Também não gosto de medalha para todos em festivais pelo mesmo motivo que você.
        Agora, sobre parar de nadar porque não ganha medalha, acho que é minimizar o arsenal de virtudes que a prática do esporte propicia. Aqui no blog falamos das disputas mais marcantes, mas os benefícios vão muito além, inclusive os maiores benefícios para a vida não são citados com frequência e independem das medalhas. Conheço centenas de exemplos desses. Ou seja, os outros não devem parar de nadar.

  7. Fernanda Athayde
    22 de fevereiro de 2013

    Que bacana Fernando !
    Esta sua história da medalha se parece com a minha , que aconteceu no final do ano passado em um campeonato de 10k de corrida do clube. Sonhei com o percurso da prova vários dias, sabia que podia ir bastante bem , mas naquele dia acabei correndo muito e fiz os 9750k (a prova era de 10 mas na verdade eram 9750) em 48min 34s. Cheguei muito na frente dos meus adversários ! Bom, resumindo um pouco, na hora da premiação as crianças, o Tide e minhas amigas , vibravam muito. Eu estava muito feliz !! Mas apesar de toda alegria eu não fui chamada ao pódio e sim minha concorrente que chegou 2min depois. Ela não se pronunciou apesar de ser do mesmo grupo de corrida que eu e supostamente minha amiga. Claro, quando todos haviam ido embora foi provado que houve erro e os troféus seriam entregues aos respectivos donos.
    Escrevi porque este episódio foi bastante ruim , mesmo eu sendo adulta , sem o minimo de ambição em prosperar competitivamente neste esporte. Posso imaginar a sua tristeza e da sua familia e multiplicá-la por mil se comparada à minha frustração nesta corrida !
    Parabéns pela memória de elefante !!!!

    Grande abraço,
    Fernanda

    • rcordani
      24 de fevereiro de 2013

      Oi Fernanda, excelente essa história da corrida, mas acredito que a frustração duradoura ficou mesmo para a sua “amiga”, correto? E as histórias pessoais dos outros são legais exatamente por isso, elas fazem a gente lembrar das nossas! Grande abraço.

    • Fernando Cunha Magalhães
      25 de fevereiro de 2013

      Oi Fernanda,
      48m34s é um tempaço diante do seu nível de dedicação ao esporte: parabéns!
      Que bom que o erro foi reparado e você recebeu seu troféu, mas compreendo perfeitamente a frustração do momento.
      Obrigado pela leitura e comentários.
      Um beijo,
      Fernando

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