Epichurus

Natação e cia…

Como não ficar louco…ou a diferença que Copacabana faz

Normalmente, a minha descrição de uma semana ruim inclui em algum momento o fato de ter sido impedido de dar uma nadada (ou “boiada”, como prefere provocar o Carlão). Uma boa semana, em geral, é aquela na qual consigo “molhar as guelras” regularmente, como alguns colegas de trabalho já haviam percebido no fim dos anos 90.

Como tantos nestes tempos bicudos, estou trabalhando muito ultimamente. Comecei há pouco em um novo emprego onde estamos executando mudanças interessantes e desafiadoras. Tudo isso requer muito aprendizado, agilidade e atenção ao negócio. Estou curtindo muito, mas acabo me envolvendo bastante com a rotina diária, o que em conjunção com o fato de que sou novo “na firma” e os compromissos familiares, acabam ameaçando a minha presença na piscina e até no Epichurus.

Mas essas semanas passadas foram boas para lembrar que tem dias que as coisas funcionam bem, mesmo com todo o trabalho, reuniões, brigas, flaming  emails, conference calls tardias, etc. Esses dias fazem a diferença e uma boa nadada em geral é parte deles.

Há mais de duas semanas sem chuva, e num  “calor senegalesco” o Rio estava  com cara de Caribe – como diziam alguns jornais. E eu, com sorte, estava lá para conferir, graças a uma viagem de negócios que começou em Curitiba.

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Nada mal para um despertador, hein?

Fiquei no velho e bom Othon Palace, em Copacabana. Mesmo tendo saído de São Paulo sem muitas esperanças de nadar, carrego sempre uma sunga e um par de oclinhos como parte de um “kit de fuga”, composto também por escova de dentes, pasta, desodorante, uma camiseta e cueca (Obs: Esse kit já me “salvou” algumas vezes, em conexões de malas perdidas, viagens de última hora e situações em que uma nadada era imprescindível). O Rio de Janeiro, com sol, calor e mar calmo é uma nadada imprescindível sempre, na minha opinião.

E foi assim que, acordado pelo sol (deixei a janela aberta), desci só de calção e carregando os oclinhos pelo lobby do hotel (a saída de praia ainda estava fechada) e saí pro meu treino. Num dia caí as 6am e no outro aproveitei que a 1a reunião era mais tarde, caí na água as 7am. No primeiro dia, esticando o “estilo” no mar liso que nem piscina, saí em direção ao Forte de Copacabana. Cheguei perto das pedras em cerca de 500 braçadas (menos de 15′) e me animei. Dei meia volta e mirei no prédio escuro da esquina da Av Atlantica com a Princesa Isabel, (antigo Le Meridién). Saí bem para o “fundo” e apesar da água meio turva (poluição/micro algas marrons) em alguns pontos, via as sardinhas embaixo de minhas braçadas, enquanto pensava no dia de trabalho que teria pela frente. Dava pra ouvir buzinas vindas da avenida de vez em quando. O carioca adora buzinar, caso contrário seria bem silencioso por ali. Enfim, me distraí completamente com a atividade. Quando cheguei mais ou menos numa perpendicular do Copacabana Palace, resolvi olhar no relógio e tomei um susto, pois já estava nadando há uns 60 minutos.

Tinha planejado nadar uns 30min máximo – como normalmente faço na piscina – mas me empolguei. Teria que dar um jeito de voltar pro hotel rápido, tomar um “lava-rápido”, colocar o paletó, engolir um café e ir para a minha primeira reunião asap.

Mirei na praia e acelerei o ritmo. Saí na areia e completei o treino com uma corridinha na areia e até o Hotel. Ainda assim levei uns 10′ para voltar. E atravessar a Av Atlantica nessa hora, requer atenção de paulista. No fim, deu tudo certo e cheguei na reunião no Centro com folga.

No dia seguinte repeti a dose, mas dessa vez fiquei mais atento e nadei só uns 30′ mesmo. Encaixei um pouco de peito na posição, começando o treino para a travessia do canal da Mancha boiando (ironia on). Infelizmente, em nenhum dos dias cruzei ou encontrei com os time dos gladiadores do Luiz Lima. Será que nadam mais cedo ainda? Caramba. De nadador mesmo, só vi um senhor de nadadeira e palmar (!) como testemunha do mar quase perfeito.

Nos dois dias em que trabalhei no Rio, apesar do paletó, me senti energizado. Já fazia um tempão que não nadava (boiava, desculpe) mais de 1 hora e achei que valeu.  De volta para a chuva diária de São Paulo ainda encaixei mais um treininho com os PEBAS na sexta e a sensação boa durou a semana toda.

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O começo de mais um dia de Rio quarenta graus…

Na semana seguinte, tive uma viagem para Belo Horizonte. Gosto da cidade, mas sem acesso ao MTC, não é fácil treinar. Ainda assim, encaixei uns 20′ (uns 1200?) na piscininha simpática, porém curta do Hotel Ouro Minas. Fiquei meio zonzo, mas tá valendo.

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Dá pro gasto e ajuda no dia, mas é um contraste e tanto…

Ficou o contraste com a experiência de Copacabana, porém. Voltei a lembrar daquele velho sonho de consumo que é morar de frente pra praia. Planos para um futuro de PEBA velho, quem sabe? Na melhor das hipóteses, vou ter que trabalhar muito ainda e provavelmente muitas semanas “ruins” me esperam antes de poder realizar qualquer coisa do gênero. Ainda mais com o hipervalorizado mercado imobiliário carioca… ou de qualquer cidade de praia minimamente decente.

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… vista do café da manhã. Nada mal.

Sobre Rodrigo M. Munhoz

Abrace o Caos... http://abraceocaosdesp.wordpress.com

21 comentários em “Como não ficar louco…ou a diferença que Copacabana faz

  1. Rogério Romero
    4 de março de 2013

    Munhoz, enquanto a piscina do CTE da UFMG não fica pronta, me avise que tento achar uma piscina em BH mais apropriada. Infelizmente o Minas não vai dar.

    Abraço,

    Piu

    • Rodrigo M. Munhoz
      4 de março de 2013

      Eh eh… obrigado, Piu! Note que citei o MTC só como exemplo… é a única piscina que conheço na cidade…e faz uns 20 anos que não apareço por lá.
      Abraços!

  2. rcordani
    4 de março de 2013

    Boa Munhoz. Copacabana inclusive favorece a possibilidade de um “day swim”, pois tem vestiários com armários ao longo da orla. Outro dia eu cheguei no Rio para uma reunião cedo, e a outra reunião era só de tarde, então deu para dar uma passadinha em Copacabana para uma nadada (de 30′, óbvio, pois eu estava alerta).

    • Rodrigo M. Munhoz
      4 de março de 2013

      Bem lembrado. Eu lembro quando você me contou dessa aventura. Até hoje não precisei usar os banheiros/vestiáriso de Copacabana, mas vejo essa possibilidade no futuro, já que muitas viagens para o Rio são bate e volta. Infelizmente geralmente não tenho tempo nem para pensar em nadar nesses dias. Inclusive notei que tem umas construções novas acontecendo na orla. Não sei se são mais quiosques (bonitos e eficientes) ou mais banheiros públicos. De qualquer forma, o Rio se prepara para os grandes eventos vindouros. Ou pelo menos tenta. Até mais!

  3. Gustavo Pedrazzi
    4 de março de 2013

    Legal Munhoz, bons relatos do cotidiano de um profissional atribulado e amante da natação que pretende não enlouquecer – será que é possível? Bom, pelo menos muitos costumes e sonhos são bem parecidos entre aqueles que gostam de dar umas braçadas (ou boiadas). Boa semana e abs!!!

    • Rodrigo M. Munhoz
      4 de março de 2013

      OI Pedrazzi!
      Não sei se é possível “não enlouquecer”, honestamente :-)…conheço poucos que, pelo menos temporariamente, não dão uma pirada. Mas, como profissional de saúde, você sabe que a prevenção é um bom investimento. E cada um tem suas maneiras de lidar com stress, rotina, pressão, etc. Eu tive sorte de descobrir algo que me ajuda muito cedo, mas são muitos os remédios para os sintomas da vida moderna. Cada um usa a combinação que pode/gosta.
      Abraços!

  4. Fernando Cunha Magalhães
    4 de março de 2013

    Belíssimo relato, Munhoz.

    Meu amigo André Caldeira, autor de “Muito trabalho, pouco stress”, certamente iria se orgulhar se sua personagem, Joe Labor, incorporasse esse seu olhar e a disposição de despertar as 6 am para não se privar de exercitar seu corpo e desfrutar desse íntimo contato com a natureza.

    Quanto a sunga e os óculos, também levo sempre, e ainda sem sucesso, tento criar essa consciência em minhas meninas.

    Espero que essa semana lhe permita as almejadas boiadas, digo, nadadas.

    Abraço.

    • Rodrigo M. Munhoz
      4 de março de 2013

      Fala Esmaga! Sabe que acordar cedo não tem sido um problema para mim? Minhas crianças tem me “trienado” nisso e em viagens eu geralmente durmo ainda menos. Então, eu tento aproveitar!
      Eu náo sou muito exigente quando o assunto é piscina em viagem: Já que não me importo de “boiar” quando não dá pra treinar, qualquer 10m de águas mais ou menos retas me fazem bem.
      Já teve uma vez que fiquei dando voltas numa piscina em forma de feijão, com uma “ilha de piratas” no meio, num hotel de Fargo, ND, só pra relaxar… e até que funcionou…

      • Lelo Menezes
        5 de março de 2013

        ND é o inferno na Terra! Para quem acredita em reencarnação, pisar feio na bola nessa vida é garantia de nascer em ND na próxima! 😉

  5. Ruy Araujo
    4 de março de 2013

    Belas fotos. Bom astral. Quando nadava pela manhã já ganhava meu dia. Nadar nesse mar ganha a semana como você colocou.

    • Rodrigo M. Munhoz
      4 de março de 2013

      É isso aí, Ruy!
      E você quando vai integrar a equipe Master dos PEBAs? Espero que se anime em 2013…
      Abraços!

    • Lelo Menezes
      5 de março de 2013

      Boa Ruy. Nadar nesse período de sol nascente era de fato especial!

  6. Lelo Menezes
    5 de março de 2013

    Bacana o post Munhoz! Eu peguei um certo trauma de ter natação na rotina do dia a dia. Foram anos a fio acordando de madrugada e essa rotina toda me marcou negativamente. Você inclusive é o único cidadão que conheço (do seleto grupo de ex-nadadores de sucesso) que tem gosto por nadar sem objetivo – para desespero do Renato. Mas concordamos num ponto fundamental: uma nadadinha surpresa geralmente é muito prazerosa e se essa for numa praia num dia de sol, então é sensacional!

    • Rodrigo M. Munhoz
      5 de março de 2013

      Pois é Lelo… Acho que eu não sou o único, mas sou um dos poucos da turma que curte realmente nadar por nadar (ou melhor “boiar por boiar”). Acho que alguns outros tem medo das críticas do Renato e não entram no mérito da questão :-). Como já disse antes, estou aqui para o longo prazo, ou assim espero.
      Quanto ao seu trauma, acho esquisito, até pq vc foi muito bem sucedido em quase tudo que se propôs (tudo bem que não foi Olímpico, mas os PEBAs são legais também). Sem quererr analisar demais, talvez você ainda se veja preso a uma necessidade de dar resultados ou de superação. Por um lado, entendo que pode ser difícil aceitar que essa parte da natação ficou pra trás, depois de tantos anos levando a atividade táo a sério… mas por outro lado, lembre-se que hoje em dia a grande superaçáo é simplesmente arrumar um tempo para si mesmo, fazendo uma atividade saudável e de preferencia, prazeirosa…
      E nesse ano continuamos contando com vc no PEBA, então é bom ir treinar um pouco, hein?! Abraços!

  7. Polaco
    6 de março de 2013

    Boa Munhoz,

    Copa realmente é espetacular para dar uma nadada/boiada pela manha. Ja fiz isso em algumas idas ao Rio de Janeiro a trabalho. Eu me coloco hoje facilmente na mesma posição que você, (para desespero do Renato) de nadar sem um objetivo, e quebrar a rotina trabalhistica é mais do que importante atualmente. Apesar de não conseguir nadar ou boiar atualmente, meus planos são de fazê-lo em um futuro breve, para inclusive conseguir nadar o 50+ com o Renato em alguns anos.

    • Rodrigo M. Munhoz
      13 de março de 2013

      Valeu, Polacão! Bom saber que teremos um novo integrante do PEBA em breve. E espero podermos dar uma nadada em Copacabana com a molecada,toda, que tal?

      • Polaco
        13 de março de 2013

        Estou sabendo, demorou mas enfim se rendeu ao PEBA. Ir ao Rio com a galera seria fantastico…

  8. Lia
    12 de março de 2013

    Olá, Rodrigo.
    Bom, pensei em te escrever em modo Tweeter : Rodrigo, gosto muito mesmo do que você escreve.
    Mas, aí, me peguei pensando que uma frase só não ia dar conta do que queria te dizer. Queria dizer isso : que gosto muito do que vc escreve e, hoje cedo, depois de ter lido sobre o seu “boiar” em Copacabana, eu me senti como se tivesse respirado livre, cheia da endorfina boa que nadar traz e da beleza do Rio… Até vi “as sardinhas”. lol

    Espero que nesta sua agenda carregada, você consiga ainda acomodar um pouquinho de tempo para continuar postando seus textos no Epichurus.

    Abs.
    Lia

    • Rodrigo M. Munhoz
      13 de março de 2013

      OI Lia! Que legal que você gostou! O objetivo é esse mesmo… e como não tenho a memória de outros amigos PEBAs, com certeza vou continuar tentando contribuir com textos desse tipo.no futuro próximo.
      Beijos!

  9. Pedro Alquéres
    9 de maio de 2013

    Parabéns pelo blog. Ele é muito legal, ótimas histórias !

    Já que falou, os treinos dos Gladiadores são as segundas e quartas, as 6:45 e as 8:00, e aos sábados as duas turmas se reúnem as 8:00. Sempre no Posto 6, no pé do primeiro quiosque, colado ao Forte de Copacabana.

    Apareçam por lá ”

    Abraços

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Publicado às 4 de março de 2013 por em Epicuro, Natação e marcado , , .
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