Epichurus

Natação e cia…

O que lhe disse seu técnico antes da prova da sua vida?

Vou contar um segredo para vocês: o mais legal deste blog é a caixa de comentários. Sim, eu adoro ler os posts dos colegas pebas, mas a interação com os leitores é ímpar. O Epichurus tem apenas dez meses de vida e já tem mais de 2300 comentários, e de minha parte posso afirmar que eles são nosso combustível. Temos comentários de técnicos, medalhistas olímpicos, pebas, semi-pebas, ultra pebas, craques, dirigentes, pais de atletas e ex-tudo-isso. Apreciamos cada comentário que chega!

E foi um desses comentários que me deu a ideia para esse post. Vejam aqui a sensacional descrição da Luciana Fleury sobre o que o Pancho lhe havia dito no dia do recorde, o qual transcrevo abaixo:

Pra mim a maior lembrança que eu tenho dessa data 06/12/1985, foi a conversa que tive com o Pancho pouco antes de nadar. Ele não falou da prova nem de natação. Ele me disse pra aproveitar aquele momento que eu estava tendo uma oportunidade de tão jovem ter um desafio, de lutar por alguma coisa que eu queria muito, que era uma oportunidade que muitas pessoas poderiam ter mais tarde no vestibular ou primeiro emprego e eu estava podendo vivenciar isso mais nova. Esse tipo de coisa é o que eu mais sou grata pela natação. Porque eu sei que esses ensinamentos e experiências que o esporte me deu, eu trouxe para a minha vida adulta e me ajudaram varias vezes ate profissionalmente.”

Foto da Luciana em 1985.

Foto da Luciana em 1985 (ao lado da Vaninha).

Esse comentário me fez lembrar (e o leitor atento do Epichurus talvez se recorde) que na parte I da Saga dos 200 Peito eu também descrevi um diálogo similar com o Pancho:

“Antes da final eu estava deveras tenso, e logo depois da tradicional soltura naquela piscininha gelada coberta, o Pancho veio falar comigo e fez em tom informal uma declaração crucial, algo como: “Renato, é claro que você tem chances nessa prova. Entretanto, ela não será a última: se você não for bem nessa, haverá inúmeras outras oportunidades!”. Aparentemente inocente, em uma revisão posterior considerei esse comentário muito inteligente, pois tirou boa parte da pressão que eu estava sentindo, e se no futuro eu nunca mais tivesse tantas chances (e pensando bem não tive mesmo!), a culpa certamente não recairia sobre o comentário.”

A partir daí eu consultei alguns chegados para ver se extraía mais exemplos desse tipo. Perguntei-lhes:

“O que lhe disse seu técnico antes da prova da sua vida?”

Muitos responderam que não lembravam e tal, imagine, que loucura, lembrar de uma coisa dessas! O Polaco por exemplo disse “Já falei que não lembro bulufas do que os caras me falavam antes das provas. Eu ia lá e nadava! ”, mas alguns outros (e até o Polaco posteriormente mandou uma história) lembraram de alguma coisa. A Marina (que além de atleta foi técnica) disse que não é praxe de todos os atletas conversarem com o técnico antes das provas (o que me deixou perplexo). Transcrevo algumas respostas que recebi.

Rodrigo Andrade de Barros (Barrão), atleta do Pancho:

Teve um ano que eu tive um problema no tornozelo durante a temporada. O problema, por ser no ligamento, era super grave e eu deveria ficar de gesso por 4 meses e sem por o pé no chão por mais de 6 meses, e consequentemente perderia o JD no final do ano que seria em São José. Fiquei de gesso por 1 mês e comecei a treinar só braço e sem dar impulso na virada. Também fiquei sem por o pé no chão até 1 semana antes do JD.

Antes da viagem o Pancho pediu para que eu levasse as muletas para a competição.

Minha primeira prova seria os 200 medley, e o Pancho pediu para que eu chegasse de muletas na piscina, aquecesse, e na hora da prova fosse de muletas até a baliza e solicitasse ajuda para o cronometrista para eu subir na baliza. Ele queria que os adversários achassem que eu não tinha chance. Eu nadei muito (melhorei meu tempo) e se não me engano fiquei entre os 8 melhores.

Isto me deu um baita ânimo para o restante da competição. Fiquei em quarto nos 100 costas perdendo na batida de mão para o Sabóia do Curitibano. Em primeiro ficou o Xuxa e em segundo um cara de Brasília que nunca mais nadou. Também fui bem nos 200 costas. Este JD foi uma das melhores competições da minha vida.

Barrão no JD de São José (1992).

Barrão no JD de São José (1992).

Maurício Buczmiejuk (Polaco), atleta do Alberto Klar, mas quem estava no barco que o classificou para o Mundial era o amigo (e hoje em dia Coach) Indiani.

Lembro o Indiani me incentivando muito (ele que foi no meu barco) principalmente quando estava com você na cola, tendo varias caimbras e tudo doendo, dei uma parada para comer e beber , ele me disse: Vamos lá Polacão, voce esta em segundo, o Renato na sua cola, concentra ai e vamos em frente, foco que em uma hora ou um pouco mais voce vai pro mundial…… Vamu Charalho……

Foi nesta hora, comendo uma goiabada regada a agua do mar, pensei… o Indiani esta la no barco mais tenso que eu , berrando e incentivando e falta so mais umas horas… Meti a cara na agua e fui em frente.

Nunca falei isso diretamente a ele , mas foi super importante para mim o incentivo dele no barco…

Marina Cordani, atleta do Pancho:

Campeonato Paulista 1982. Constâncio Vaz Guimarães. 400 livre. Olhamos o balizamento da final, Pancho e eu, e chegamos a conclusão de que dava para eu ganhar. Eu estava na raia 3 e havia nadado relativamente fraco na eliminatória. Havia duas meninas do interior, raias 4 e 5 com chances também. O Pancho traçou a estratégia: vá com elas, não deixe nenhuma abrir. Depois dos 250 metros, dê um tiro de 50 metros e as surpreenda. Daí, tente aguentar na liderança até o final. Ganhei os 400, e depois os 100. Na hora de nadar os 200, o Pancho disse: ter ganhado os 400 e os 100 não a obriga ganhar os 200, que é uma prova muito ingrata. Vamos repetir a estratégia: Dê um tiro depois dos 125 metros. Dito e feito. Ganhei a prova!

100l, 200L e 400L no Paulista de 1982. Cordinha preta = ouro.

100L, 200L e 400L no Paulista de 1982. Cordinha preta = ouro.

Ricardo Bonotti, atleta de Alberto Klar:

Para mim o comentario mais marcante antes de prova importante (4x100L no TB de 96).  O Alberto me chamou de lado e disse que, apesar de eu ter dado o 2o tempo do clube na prova, ele só me colocaria no rev. A se eu garantisse 51 (na longa). Minha leitura foi q ele não estava sentindo muita firmeza em mim, e achava que o Francês (e talvez o Magalhaes também, não lembro), apesar de terem perdido de mim na prova, podiam ganhar no reveza. Até porque naquele semestre eu tinha começado a trabalhar período integral e meu horário de treino tinha sido reduzido para 6:30 as 8:15am, o que significava um teto de 5.500m/dia..

Eu falei que GARANTIA e que como 2◦ tempo do ECP eu tinha que nadar o A!!! Após a prova o Albertinho me deu os parabéns e me deu o tempo de 51″98. Fui falar com o AK em tom de “Aí, não falei?” e ele, apesar de ninguém do B ter nadado melhor, simplesmente mandou: “O oficial foi 52″02, o qual até hoje não sei se era verdade pois na época os tempos do reveza não eram tão bem divulgados…. hehe

Danilo Pellegrino, atleta do Willian:

Eu lembro dos integrantes do REV Infantil B (Sassaki, Yonezaki e DabDab) ordenando que eu baixasse pelo menos 2s para ganharmos o Paulista…phusta pressão feladaputa…não baixei e mesmo assim ganhamos….isso é a essência de ser PEBA !! 

Rodrigo Munhoz, atleta do Sidão.

O Sidão disse ‘vai lá e faz a tua prova. Você sabe o que tem que fazer.’  E eu quase perguntei ‘E o que mais?!’, mas deixei quieto, Fui lá e nadei. Nem lembro qual prova foi, mas fui bem. Me marcou que no pós prova teve um aceno de cabeça do Sidão, logo de longe, como que dizendo ‘…tá vendo?!’  que me deixou mais feliz do que qualquer cumprimento ou tapinha nas costas. Acho que eu já estava mais maduro e isso me deu mais confiança. Ou pelo menos entendi melhor o sentido de que  fazer o melhor possível depende  sempre de mim.

Trofeu Ligado1987

Trofeu Ligado1987: Sidão à direita, Fabrício Pedro à esquerda (e o Munhoz vestido de sorveteiro).

Deixei para o final a frase mais engraçada, que veio do peba Alexandre Miyahara, na ocasião atleta do Pancho:

Uma Frase que me marcou do Pancho foi numa volta de Férias…

– O que voxê ta faxendo aqui? No te ligaran? te cortê carajo!!!

Te cortê, carajo!

Te cortê, carajo!

E você, leitor? O que lhe disse seu técnico antes da prova da sua vida?

Sobre rcordani

Palmeirense, geofísico e nadador master peba.

59 comentários em “O que lhe disse seu técnico antes da prova da sua vida?

  1. Rodrigo Munhoz
    21 de março de 2013

    Legal, Renato! A pergunta é interessante não apenas no contexto da melhor prova da vida, mas também como parte do processo de aprendizado e amadurecimento do atleta…. Até porque numa dada época é capaz de termos passado mais tempo na piscina ouvindo o técnico do que em casa com nossos pais. Mais uma razão para os pais escolherem bem os mentores esportivos dos filhos. Acho que neste fórum tivemos bastante sorte neste quesito, por sinal! Ótimas historias e tenho certeza que vem mais por aí.
    Abraços!

    • rcordani
      21 de março de 2013

      Exato Munhoz, tivemos sorte. Muita coisa mudou hoje em dia, não sei se há espaço para tanta proximidade na relação técnico – atleta. Aliás, acho que o termo “técnico” não se usa mais, hoje em dia é “Coach”!

  2. Marina Cordani
    21 de março de 2013

    Alguém pode entender errado o que o Renato escreveu: para mim, SEMPRE foi de praxe conversar com atletas antes das provas. O que acontece é que vinha cara de outros clubes nadar com a gente, e muitos não tinham esse costume no clube anterior. Eu tinha que ficar caçando os atletas, e alguns levavam bronca por não ter se apresentado antes da prova. Daí eles falaram que não sabiam que tinham que se apresentar. mas aprendiam rápido! Porém, nunca lidei com atleta junior e senior, meus mais velhos eram juvenis.
    Outra prática que “copiei” do Pancho eram as conversas no dia ou dias que antecediam a competição. Revisávamos as provas que cada um iria nadar, fazíamos previsões sobre os revezamentos, comentávamos sobre nossas chances como equipe, e muitas, muitas palavras de incentivo e encorajamento. Essas conversas, tenho certeza, também faziam diferença!

    • rcordani
      21 de março de 2013

      Essas reuniões eram sensacionais (eu pelo menos adorava, hoje percebo que talvez nem todos gostassem tanto quanto eu). A gente saía da reunião louco para competir!

      • Luciana
        21 de março de 2013

        Eh verdade! Eu lembro que essas conversas pre e pos eram muito legais nao so pela troca com o Pancho mas também principalmente, porque naquela hora, com toda a equipe amontoada em volta daquelas mesas redondas, os outros atletas também falavam, davam palpite, passavam a sua impressão da prova do outro (ria pra caramba)… Tinha uma troca muito grande com a equipe toda, era uma coisa muito aberto e democrática mesmo.

      • rcordani
        21 de março de 2013

        Uma reunião pós competição especial foi o pós Paulista de Inverno de 1993 no Saldanha, a equipe foi muito bem, mas o ponto principal foi que estávamos no auge da união, naquele time NINGUÉM nadava sem a torcida de TODOS os outros, do mais peba ao menos peba. Quem esteve lá lembra. Na tal reunião o principal assunto foi esse. Momento mágico, mesmo porque eu estava quase acabando minha carreira e sabia que aqueles momentos iam ser só memórias dali a bem pouco, e ainda bem que estão bem gravados.

  3. Indiani
    21 de março de 2013

    Ao ler a parte do Polaco, fiquei muito feliz pois era um “MOLEQUE” iniciando uma nova fase, incentivando outro “MOLEQUE” que tava no páreo pra um CAMPEONATO MUNDIAL ! Responsa a parte, obrigado Polaco pois ao ler seu depoimento vejo que sempre deixamos algumas boas coisas com bons amigos…
    Como Treinador, sempre disse e continuo dizendo aos Atletas : – Esta na hora da diversão ! Competir polido, raspado, com sua melhor sunga(traje tecnológico), oclinhos bala e tudo 100% e bom pra CHARALHAS ! Treinar e SODA, COMPETIR e puro TESAO e isso sim e que vale ! – VA SE DIVERTIR !
    Outra frase que usei muito com a molecada do Tio Sam foi sempre a mesma…
    Todo dia os Justins Beabers e as Megans Foxes(essa e boa) perguntavam: “-Hoje o treino e fácil?” e na LATA vinha a resposta mencionada acima: TREINO E COMO A VIDA… A vida e fácil? -Nao Coach ! -Entao… O TREINO E COMO A VIDA ! DIFÍCIL MAIS MUITO GRATIFICANTE AO FINAL !
    Abraço de Urso pro POLACO e pra GALERA PEBA(com muito orgulho) do EPICHURUS !

    • rcordani
      21 de março de 2013

      Olhaí Polacão, agora você já comunicou o Indiani. Boa Indiani, mas como assim “fiquei muito feliz”? A gente esperava aqui um balde de lágrimas!

      Aliás agora ficou a dúvida: não fosse por sua causa será que EU ia para esse mundial? hahahaha

      • Indiani
        21 de março de 2013

        BEM PORRA ! Fiquei feliz pra CHARALHAS mas nao derramei o BALDE, so uma canequinha ! Com certeza, EU fui decisivo na ida do POLACO… Treino, esforço, muscula, privações sexuais… nada disso contou, a diferença foi o COACH URSO PORRA ! Que nada o garoto do leste europeu estava na ponta dos cascos ! Parabens POLACO e CORDANI foi uma batalha muito boa !

      • Polaco
        21 de março de 2013

        Indiani, apesar de acharem que estava nos cascos, eu não achava isso não. Começando na siada da balsa, muita gente, pouco espaço, meio friozinho se não me engano. Ai veio o canal com o petroleiro literalmente no meio do caminho, passamos a primeira boia e tivemos que nadar contra correnteza no canal para passar na frente do navio… bem complicado, principalmente tendo que deixar todo meu cafe da manha para os peixes.Segunda boia e ai mar aberto (baia de caraguá), muita caimbra neste período e as dores começando a se apresentar. No momento que parei para tomar algo e comer a goibada, eu ja estava em estado de calamidade publica (pescoço doendo, perna doendo e com caimbra, etc) vem o maluco do indiani me incentivando…. creio que nestas horas, ter uma pessoa te direcionando , incentivando para que você mantenha o foco é super importante. Realmente , naquele momento, o Indiani conseguiu falar o que eu precisa ouvir… Valeu ai Indiani…. Renato, quando ele me falou que eu estava em segundo, fiquei surpreso, e ai ele veio com a frase…”mas o Cordani esta no seu pé” …. eu pensei comigo mesmo, PHODEU !!!! vai ser um longo final de prova.

      • Indiani
        21 de março de 2013

        GRAAAAAAANDE Polaco ! O intuito e esse…
        Você podia ate estar a beira de um colapso, mas de fora sempre acreditamos que da mais um “caldo” ! Por isso o incentivo e a gritaria.
        Em janeiro tive o prazer de guiar um garoto que treina no DAVIE NADADORES na travessia Mar Grande-Salvador(+ou- 14K), foi um flash back pois a gritaria foi intensa e se ele na dou 14 eu andei no barco 16 feito um bicho louco na jaula(coisa de Urso) e o resultado… SEGUNDAO !
        To começando a achar que e magico !
        Abraço e sucesso

      • rcordani
        21 de março de 2013

        Polaco o qual na ocasião usou mais uma vez a famosa técnica Bucmieijuk, e alegou ter ficado com hepatite e não ter treinado “quase nada”. Ahã.

        Essa prova para mim foi muito boa, é claro que eu tinha experiência anterior em travessia (era a minha terceira Ilhabela-Caraguá), mas eu estava treinando mesmo é 200 peito (ver saga parte IV). Eu fiz 2:30 na longa sem polir e raspar em um domingo, e exatamente UMA semana depois tentava a vaga para o mundial de travessias 25km! Acho que se eu contar para um coach hoje em dia o mesmo não acreditará…

  4. Ana Mesquita
    21 de março de 2013

    Adorei esse texto, Renato!
    Sabe, até hoje procuro me lembrar, sempre que bate um desespero por qualquer motivo nos descaminhos da vida, do que o Claudio me repetia durante a longa espera para a minha segunda tentativa do Canal: “Ana, quando todo passa uno se olvida” (o espanhol deve estar todo errado, perdoem, em português não soa igual, parece uma falsificação). Antes da prova era: “tranqui, Ana, quedate tranquila. Solo tienes que nadar!” Agora, me marcou muitíssimo, também, foi o que ele disse logo depois da minha desistência na primeira tentativa: “no estás cansada, verdad?” Às vezes é duro que te chamem a atenção para uma verdade assim, mas me ajudou tanto um ano depois…

    • rcordani
      21 de março de 2013

      Haha. Eu também quando lembro do Pancho volta e meia lembro do portunhol dele, a gente inclusive ficava imitando, ele achava engraçado até um certo ponto, e teve mais de uma vez que ele ficou bravo e mandou a gente parar!

      Quanto aos ensinamentos, muito bons. Veja que nos comentários do Pancho para mim e para a Luciana, bem como os do Claudio a você eram para minimizar a ansiedade, possivelmente nosso maior inimigo!

      E esse “no estás cansada, verdad?” ele não era seu técnico na ocasião, só foi no ano que você conseguiu, correto?

  5. Jorge Fernandes
    21 de março de 2013

    hehehe… tema muito interessante…
    acho q ao falar das provas mais importantes me traz uma nostalgia gostosa de relembrar a tensão antrior a qualquer prova, um misto de insegurança e gana misturado, que me faz sorrir em determinados momentos e tristeza em outros. Então deixem-me divagar um pouco…
    Tenho forte lembranças que vou dividir em 2 fases, TTC e pós TTC.
    Tendo começado em um clube de menor expressão (Tijuca) tive diversos técnicos até a chegada do Julinho (Jílio Balthazar). Na época eu e o Cyro treinávamos juntos, mas cada um em determinada parte/fase do treino fazíamos treinos separados (incrível né?) pois tínhamos características diferentes, não só de provas, mas também de mentalidade e enfoque (não cabe aqui relatar).
    Mas uma coisa que ele sempre procurava orientar era que deveríamos treinar pensando sempre em como vamos nadar nossas provas mais importantes, aplicando sempre as táticas de prova no treino ao longo de toda a temporada. E no dia das provas, um papo básico, mas um caso dessa época do TTC, foi em uma competição no FFC (torneio categoria adulto) que me marcou muito em aprendizado. Devia ter eu uns 15 anos. Eu na raia 4 e (na época) um tal de Marcos Goldenstein (sou franco em dizer que na época não conhecia e por isso foi uma grande lição) na raia 1, para uma prova de 100m.
    Saida dada e meu concorrente direto (pelo menos eu achava) seria o Mario Conde. Muito bem. Mário do meu lado esquerdo, saindo veloz e eu junto, respirando e olhando pra ele. Na altura dos 30m, resolvo respirar e ver a outra banda… vejo uns 5m à frente uma espuma vindo da raia 1… respirei de novo levantando mais a cabeça e confirmo, uma terceira olhada com os olhos arregalados, sem acreditar o que via (eu me esforçando pra segurar a arrancada inicial do Mário e um belo de um #@$%& no outro lado, me dando um vareio fenomenal), procurei retomar a calma, chegando a virada e mudando a estratégia, pra sair igual a um louco… por volta dos 75m já cheguei junto e ganhei com certa folga… chegando perto do Julinho, o vi às gargalhadas, e eu morto, ele disse: “isso que sirva de lição para o futuro em que voce deve não só se preparar físicamente, mas também conhecer seus adversários, sejam eles quais forem, e o que te salvou foi que voce treinou táticas de prova e conseguiu se adaptar”…
    Anos depois, Moscou (chegando na prova mais importante – fase 1), nós (eu, Cyro, Mattiolli e Djan) havíamos decidido já mais de 1 ano antes que o 4×200 quem abriria seria eu (nenhum outro sequer aventou a possibilidade de faze-lo)… sem o técnico, mas com o conselho:
    “voce treinou pra isso, sabe que sim, sabe da dedicação feita, basta focar, se concentrar que tudo vai sair do jeito que voces querem”… lógico a exatidão das palavras pode não ter sido essa (são mais de 30 anos) mas o conselho ficou, e deu no que deu…
    Fase 2 – após transferencia para o CRF 2º semestre de 1981…
    após um Cariocão horrível (atropelei o campeonato visando o TB em Sampa), chegou a minha 1ª prova, eliminatórias, e era os 100m, e eu tinha sempre o costume de dar 1 ou 2 tiros de 25m só pra testar o ritmo… fiz o 1º, o Alberto Klar marcando, e ele se recusa a falar, me manda soltar uns 400m e ir descansar… já do lado de fora, vem sério e me mostra o cronometro com o tempo, dá um sorriso e me manda ir descansar pois estava pronto pra tudo, só procurar fazer o que se treinou antes sem afobação… resultado da eliminatória 51s90… ao chegar, foi um silencio por uns segundos e só via o pessoal do CRF gritando q nem loucos e eu sem saber o que eu havia feito…
    resumindo:
    o que me falavam na hora das provas era sómente um lembrete de tudo o que fiz antes, visando aquele momento… qualquer coisa a mais, seria prejudicial… a motivação eu sempre tive que buscar dentro de mim, e claro não podemos esquecer a torcida (mesmo algumas vezes inaudível, mas visualmente estimulante) antes (e durante) das provas…
    desde cedo deve-se focar não sómente a parte física e técnica, mas principalmente as táticas das provas… sempre trabalhei (ou procurei faze-lo) em todo e qualquer treinamento, sempre conversando com os técnicos…
    o principal é conhecer-se não só no aspecto físico/técnico, mas no emocional que tem um grande percentual no exito/fracasso em qualquer disputa. E não menos importante: acreditar em si mesmo.

    mesmo não tendo sido um belo texto (o meu), foram 2 situações que me marcaram, e que mesmo com a troca de clubes, tive técnicos capazes e que instintivamente souberam direcionar os treinos da mesma forma como fazia anteriormente no TTC.

    • rcordani
      21 de março de 2013

      Excelente Jorge, essa da olimpíada foi inédita, muito pouca informação temos desse dia, quem sabe um dia desses você conta tudo o que lembra. E essa do Alberto Klar foi sensacional, nunca saberemos se você fez mesmo o tempo assombroso nos 25L do aquecimento ou se o AK usou essa tática para motivá-lo! Grande abraço.

      • Fernando Cunha Magalhães
        21 de março de 2013

        Jorge mandou muito bem. Ótimas histórias.
        Temos aqui uma coincidência no comentário do Cordani.
        Em 89 peguei Copa Latina e foi a única seleção que fui junto com o Jorge.
        Tinha 11 anos de natação e nunca tinha ouvido falar que algum técnico dissesse tempo abaixo do que o atleta realmente tivesse feito para motivá-lo.
        O Léo não foi a Nice e o Willian pegava minhas séries. Estava impressionadíssimo com meu rendimento nos treinos, porém, minha participação nos 50 livre foi horrorosa. Fiz um tempo pior que no último tiro de uma série de 4 de alguns dias antes, peludo, sem touca e com duas sungas.
        Só no Brasil que relatando isso a amigos, me disseram que o Willian tinha esse hábito. Senti-me iludido.
        Gosto muito do Willian, sou amigo dele, mas esse tipo de estratégia eu nunca usei nem usaria com ninguém. Acredito que precisamos de referências claras para lidar com as inúmeras variáveis de uma competição.

      • Lelo Menezes
        22 de março de 2013

        O cronometro do William sempre foi “amigo”!

  6. Miyahara
    21 de março de 2013

    Sensacional!!!! Essa fase foi boa na vida na piscina, muito lado B, tava meio de saco cheio de nadar acho, mas o Pancho foi decisivo nesta história, depois disso treinei bastante e acho que meus melhores treinos na vida foram com ele…

    Eu realmente estava cortado da equipe do Pinheiros, ou foi truco dele, mas até hoje ele fala que eu tava mesmo… mas com uma bela conversa de técnico, ainda prolongamos minha vida no ECP por mais uns belos anos, com o Alberto Klar, com quem me aposentei…

    Uma das coisas que me marcam nesta história eram as conversas pós férias ou antes de campeonato do AKlar, onde ele juntava todo mundo e contava um monte de histórias, desde Patrícia Amorim até Gustavo Borges, além de pesquisas da área… uma das que lembro é que é muito melhor tomar uma dose de uísque do que uma cerveja se for competir!!!!

    valeu R. excelente post!

    • rcordani
      21 de março de 2013

      Haha, o te cortê, carajo é impagável! E quer dizer então que no próximo pinguim de Ribeirão vamos pedir uísque? Imagina só a foto do brinde!

  7. rbonotti
    21 de março de 2013

    Muito bom, irmão!
    Ótimas citações, principalmente ao Pancho e ao Indiani!
    Dois ótimos motivadores, e pessoas sensacionais!

    • rcordani
      21 de março de 2013

      Indiaaaaaaani que foi nosso Coach no JUBS em 1995. Só alegria!

      • Miyahara
        21 de março de 2013

        indiaaaaaani foi meu coach no JUBs de 96, aliás a equipe era eu, ele e o marronzinho, 3 Alexandres… e ele me motivou muito lá em BH, principalmente nos bares da savassi…

      • Indiani
        21 de março de 2013

        Miyahara, mais precisamente no MAJOR LOQUE onde jogávamos dadinho com as garçonetes pra pegar o choop na faixa ! Lembrando que o empate era delas…

    • Miyahara
      21 de março de 2013

      Major Looooque!!! dadiiinhos… sen sa cio nal !!!!!!!

  8. Danilo
    21 de março de 2013

    Muito bom !! lembranças que deixam saudades…ótimos relatos !

    • rcordani
      21 de março de 2013

      E o sr. ficou de mandar uma foto e não mandou! Seu peba!

  9. Raul Magalhães
    21 de março de 2013

    Quando eu sai do Mirim pro Infantil A (com 10 anos), o Álvares Cabral-ES contratou um novo técnico, o Baixinho. Era um baiano arretado, que odiava perder e veio pra dar um jeito na equipe, mas a gente era peba, peba, peba de doer. Na primeira competição ele fez uma preleção pra toda equipe com seu sotaque carrrrrrrrrrecadissimo, que foi mais ou menos assim: “Não me façam passar vergonha! Se forem afundar, afundem direito. Dêem tudo nos primeiros 25 m, batam na frente e parem, comecem a tossir, digam que bebeu água. Assim, todo mundo na arquibancada vai achar que vocês poderiam ganhar a série. Entenderam?? Não me dêem vexame, seus cabras!”

    Lógico que ninguém fez isso e que era uma forma exagerada dele mostrar gana e nos incentivar. Em pouco mais de 3 anos ele já tinha vários campeões brasileiros de Infanti B na mão dele e não parou mais. Essa história virou mais uma lenda, que ninguém levou a sério. Mas que às vezes dava vontade…

    • rcordani
      21 de março de 2013

      Haha, excelente essa história! E se em três anos ele transformou os ultra-pebas em campeões, é que o método funcionou!

      Diz a lenda que o Alberto Klar quando saiu do CRF e foi para o ECP, em janeiro de 1988, ele juntou a turma para a reunião inaugural, o treino naquele dia iria ser apenas a apresentação do técnico novo. Ele fez um suspense, ficou o maior silêncio, e aí ele disse: “Eu não vim do RJ para SP de brincadeira. Eu vim para ser campeão. Sei que vocês não vão me decepcionar. Tchau.” hahaha.

      • Indiani
        21 de março de 2013

        Essa eu vou lembrar bem… A reuniaozinha, demorou +ou- o tempo da dinastia Ming ! “INTERMINÁVEL” ! O Alberto pontuou todos os racordes que Atletas sob seu comando superaram… Tipo: ” tenho X recordes em estaduais de categoria, Y recordes em estaduais absoluto, Z recordes em nacionais por categoria, W recordes em nacionais absoluto e por ai afora.
        Nao contente, disse que ao assumir a equipe nao sabia como estava nossa base aerobia e portanto teríamos o ano de 88 como um ano de BASE TOTAL !
        No semestre que seguia, toda semana na quarta era uma semana 1×3000 e na outra 1×5000 e o pau torando…
        Uma bela quarta ensolarada Cassiano subiu no bloco e antes de cair soltou:”TO COM O SACO POR AQUI(MOSTRANDO OS TORNOZELOS) DE TAMTO FAZER ESTES TIROS… Na seqüência Luis Osorio:”INACREDITÁVEL ! DENOVO !? E o tiro de misericordia veio da TULIPA:”EU NAO ACREDITO QUE ISTO ESTA ACONTECENDO! PRA QUE?”
        Depois de escutar estas 3… Reunião com todos fora da água por uma hora e meia. Frase final:”-Se eu nao estou agradando, me avisem pois vou daqui direto pro DP e me demito!” as meninas caíram aos prantos e nos cara de SHIT ! Na seqüência: “-Quem quiser treinar cai na água, quem nao quiser, TCHAU!” . Feminino na piscina e Masculino no vestiário ! O custo desta afronta, um mês sem atenção nenhuma nos treinos e competições. Alguns momentos o Auxiliar “Luiz BIGODE” vinha nos dar instrução.
        Professor Alberto… Colocou o ECP nos trilhos por muito empo ! Apesar de parecer engraçado, este Sr. foi GRANDE ! Obrigado Professor ALBERTO BERNARDO KLAR.

    • rbonotti
      21 de março de 2013

      Muito boa essa!
      Parecido com uma passagem minha. Eu era nadador de 50livre e já travava nos 100L. Em meu primeiro campeonato treinado pelo A. Klar, 1º ano de Juv. B, eu fui nadar os 200L na série final. Eu estava me sentindo bem e saí forte. Passei em 1º com 56″ e travei nos 125m. Cheguei em último com 2’03″… Na arquibancada fui falar com o Alberto e ele disse, puto da cara: “Nunca mais faça isso, rapaz. Você denigre a MINHA IMAGEM fazendo uma coisa dessas.” HAHAHAHAHAHA

      • Anna Paula Fumis Campos
        21 de março de 2013

        kkkkkkkk, Bonotti!!!! Dá prá ver a CARA do Alberto falando isso! Bem típico! Muito engraçado!!! (agora, né, na hora deve ter sido meio tenso…)

      • rcordani
        21 de março de 2013

        Imagem essa que o sr denegriu vááárias vezes ON?

  10. Miyahara
    21 de março de 2013

    lembrei de uma pssagem no JD de vitória, onde eu e o Bonotti fomos podium no 50L, o Alberto Klar chegou na gente e disse: não tem ninguém melhor que vcs, vão lá e nadem que essa prova é de vocês!

    pena que tinha o Rogério Branco no caminho… mas bonotti prata e eu bronze.

    • rbonotti
      21 de março de 2013

      Deve ter sido Goiânia isso aí, no nosso último JD. Em Vitória não fomos pódio…

  11. Luciana
    21 de março de 2013

    Hahahahaha!!!! A do Miyahara!!! Chorei…

    • rcordani
      21 de março de 2013

      Lu, dá para imaginar a cena, e ainda a mão do Pancho fechada com os cinco dedos da mão direita para cima, balançando: “No te ligarán?…”

  12. charlaodudo
    21 de março de 2013

    Lembro de uma competição no Ibirapuera onde depois de fazer o aquecimento eu achei que eu ia fazer os tradicionais tirinhos de 25, mas o Pancho veio falar comigo e disse: Carlão, acho que você precisa aquecer mais para render melhor na prova. Vamos fazer 3×400 forte agora. Fiz os 3 tiros em um ritmo muito bom e o Pancho disse, se você repetir esse tempo na prova você deve ganhar. Um pouco antes da prova o Pancho me chamou para conversar na parte embaixo da arquibancada do Ibirapuera e falou: Corra agora um pouco pois eu quero que você chegue cansado na prova. Corri uns quinze minutos e fui para a prova. Nadei muito bem (um pouco melhor que os tiros de baixo no aquecimento) e ganhei a prova. Acho que por isso eu me dava melhor em travessias do que na piscina.

    • rcordani
      21 de março de 2013

      Charlão, isso só pode ser 1984, correto?

      • charlaodudo
        22 de março de 2013

        Eu chutaria 82 ou 83, mas não lembro o ano.

  13. Anna Paula Fumis Campos
    21 de março de 2013

    Hahahahahahaha, morrendo de rir das histórias! Pode até ser verdade o que o Indiani falou aí em cima, mas não me lembro mesmo! Acho que ele confundiu Tulipa com Tulhão, mesmo pq. eu tinha medo do Alberto! Não lembro exatamente o que ele me falava antes das provas, mas tinha vezes que dava medo mesmo! As reuniões motivacionais pré competições importantes eram boas, algumas exageradas, ele berrava, cuspia, ficava vermelho, mas funcionava. A que mais berrou, que me lembro, foi a reunião depois da penúltima etapa do Finkel-Meningite, que fez todo mundo voar no dia seguinte de manhã, mas acabou como acabou, ou seja, não acabou.
    Mas lembro MUITO BEM o que ele me falou antes de começar o trabalho de verdade dele no ECP. Me chamou pruma reunião e queria saber quem era a Anna Paula Fumis, que tinha liderado um motim prá mandar um técnico embora antes dele… Nossa, que medo!!! Se ele tivesse conhecido o tal técnico, teria me dado parabéns, e não me fuzilado com o olhar de colega-técnico-solidário-ao-outro.
    E lembro que o approach do Marcião (Latuf) era completamente outro, mais prá irmão mais velho do que técnico, e sempre depois da prova, se tudo desse errado, era a descrição hilária de qual momento o “piano tinha caído nas costas” da gente.
    Que saudades de tudo isso!!!

    • rcordani
      21 de março de 2013

      Tulipa, eu presenciei alguns desses discursos motivacionais do Alberto no ônibus, eram muito impactantes mesmo!

    • rbonotti
      22 de março de 2013

      Sensacional, Tulipa, a revolucionária, sendo enquadrada pelo A. Klar!!!
      Deviam ter gravado isso
      Bjs Tulipa

  14. Lelo Menezes
    21 de março de 2013

    Gostei muito do texto! Bem light e eu já previa que os comentários seriam sensacionais! No meu caso, tenho uma conversa com o William que mudou radicalmente a minha maneira de encarar a natação. Meu próximo post é sobre ela, então farei mistério aqui!

    Eu nunca fui de conversar muito com técnico antes da prova. Preferia ficar no meu canto me concentrando. A conversa vinha sempre depois de nadar, pra ver onde acertei e onde errei!

    Do Alberto tenho uma historia inusitada. No sulamericano de 1989 cada técnico fez um discurso motivacional exaustando a honra de representar o Brasil. Já o Alberto focou na ódio entre brasileiros e argentinos nos pilhando para detonar os caras. Deu resultado porque cheguei na piscina com “sangue nos olhos” pra ganhar dos hermanos!

    Outra história é do Daltely. No Mundial de 1993 eu tava meio nervoso antes da estréia e acho que ele notou mesmo sem eu dizer nada! Sentou do lado e contou uma piada do malandro que chegou bêbado de madrugada em casa com um pacote de ostras e sem querer derrubou no chão. A esposa aparece brava e ele fala “eu ia chegar mais cedo, mas essas ostras andam tao devagar que acabei me atrasando!”

    E como esquecer da celebre frase do William durante relaxamento antes do treino “mente calma, tranqüila e sossegada. A medida que eu vou falando a sonolência vai se aprofundando!” e o famoso discurso antes das festas onde o “fígado de nadador é inimigo do álcool”!

    • rcordani
      22 de março de 2013

      Boa Lelo, ficaremos no aguardo do seu próximo texto com o prof. Willian. Aliás o Willian não usava o termo “técnico”, ele gostava de “treinador”.

  15. Fernando Cunha Magalhães
    21 de março de 2013

    Divertidíssima compilação, meu nobre.

    O Alberto me recebeu de braços abertos no Pinheiros em 91. Durante 3 semestres enviou semanalmente os treinos por fax e na noite de domingo ficávamos cerca de meia hora no telefone falando sobre os treinos da semana e como encarar a semana seguinte.
    Fiz excelentes resultados treinando assim. Mais tarde, sem tempo para a mesma dedicação, liberou-me para que eu mesmo preparasse meus treinos e sempre respeitou minhas possibilidades.

    Com o Léo foram 7 anos de uma parceria que considero de grande sucesso com a conquista da tríplice coroa e a chegada a seleção. Tudo foi planejado metro a metro, total dedicação de ambas as partes, aprendizado nos fracassos e celebração nas vitórias. Fizemos tudo que estava ao nosso alcance e tenho grande orgulho desse trabalho.

    • rcordani
      22 de março de 2013

      Esmaga, faltou o seu relato de alguma uma conversa específica que tenha te marcado, mas imagino que o sr. deve estar pensando nisso para um próximo post, correto?

      • Fernando Cunha Magalhães
        25 de março de 2013

        De fato, faltou.
        É interessante como ao preparar um post, lidar com os materiais e reviver as histórias, as sinapses vão sendo ativadas e lembramos de detalhes que não vem de bate pronto.
        Acredito que em posts futuros haverão alguns links para este.

  16. Coach Alex Pussieldi
    22 de março de 2013

    Animal o texto!

    Bob Bowman, famoso treinador de Michael Phelps, não gosta de fazer estas conversas pré-competitivas. Aliás, segundo ele revela, nas competições, fala com Phelps sobre assuntos diversos, nada relacionado com passagem, volta, estilo ou coisas assim. Bowman diz que tudo isso já foi falado tantas vezes no treinamento e na competição é só executar.

    Phelps também não tem aquecimento determinado ou regido por Bowman. Phelps nada a vontade e faz o que se sente melhor.

    Bowman diz que isso é pessoal, e para a Allison Schmitt, sua atleta campeã olímpica em Londres, utiliza uma estratégia diferente. Diz que até a metragem da soltura ele é que tem de dizer a ela.

    Eu, particularmente, não sou muito fã das conversas pré-competitivas. As palestras, reuniões de grupo sim, mas aquele toque final eu acho que muitas vezes só faz aumentar a tensão.

    Curto muito mesmo é o papo após as provas, e não só o que técnico viu, mas principalmente o que o atleta sentiu. Nós treinadores, temos uma tendência de falar mais do que escutar, e saber o que o atleta sentiu ao final da sua prova é fundamental.

    Adoro este Blog!

    • rcordani
      22 de março de 2013

      Muito obrigado pelos elogios, Coach. A gente não desgruda do seu blog também.

      Eu concordo com a estratégia do Bowman: dar a cada atleta o que lhe cabe melhor.

      Outro dia conversando com um amigo que é coach, ele disse que quando foi pegar um (a) atleta olímpico e super experiente para dar treino, ele achou que o (a) atleta já mais ou menos sabia o que gostava de fazer/treinar, a o (a) atleta disse “aí é que você se engana, na verdade não sei!”.

      Já outro tipo de atleta já sabe exatamente o que quer/vai fazer, aí o técnico tem que saber ouvir mais, correto?

      Grande abraço

  17. Alvaro Pires
    24 de março de 2013

    To rindo ateh agora c as historias. Me lembro de algumas do AK. Uma vez o Helio Marques (q foi campeao bras de 100L inf B em 85) cometeu o desatino de fazer a pergunta q o AK mais odiava. Jah depois de muito treino o Alberto mandou 200 solto e o Helio : “‘é p acabar professor ?”. Acho q nunca ouvi tanto palavrao de uma vez soh, depois fiquei rindo da cara do Helio. Comigo o Alberto queria q eu fechasse os ultimos 50m de todos os tiros c perna de 6 tempos e eu nao conseguia. Era reclamacao e esporro direto. Uma vez cheguei p o treino da madruga ainda sonado e ao ouvir a voz do Alberto fiquei repetindo vou tentar, vou tentar, vou tentar ! O Alberto p mim : to falando p trocar de roupa rapaz.
    E os tiros de 3,4,5 mil ? Algumas vezes o AK nos fez cronometrar os tempos do companheiro de 100 em 100m e anotar numa folha. Terrivel, p um velocista entao …
    Em 86 voltei a treinar c o Eleandro depois q ele se recuperou do cancer, soh q de madrugada continuava treinando c o AK. C o Eleandro (tecnico q ficou comigo varios anos) nunca conversei nada sobre treinos ou provas, tanto na fase ruim qto na epoca em q era o melhor da equipe. Depois do carioca em q ganhei os 100L, conversando c o Alberto sobre o JD e os possiveis adversarios, ele me disse q tinha o Michelena na frente e o resto tava no bolo. Depois da eliminatoria em q fiz uma forca enorme, repeti o tempo do carioca e fiquei apenas em 6o, o AK me perguntou como me sentia. Respondi q muito cansado. Ele me pediu p descansar o maximo q tudo daria certo no final. Depois do aquecimento p a final o Alberto me pediu p sair da arqibancada cheia e ficar em algum local sozinho me concentrando. Pediu p mentalizar a saida e bloquear no final. Olhando p tras hj vejo q isso foi fundamental. Sai muito bem e no final bloqueei soh pensando em chegar na frente dos dois concorrentes q estavam ao meu lado. Baixei 7 decimos e fiquei em 3o. Nos 50L nao fiz a mesma coisa e, apesar do 3o, sai c a sensacao de q poderia ter feito melhor, pelo menos uns 4 decimos mais baixo (q teria me valido o recorde carioca).
    Concordo c o Jorge de fazer na competicao o q foi treinado. Mas tb acho q tecnico bom eh aquele q conhece a cabeca do seu atleta.. Sabe a hora de falar alguma coisa e a hora q nao precisa falar nada.
    gr ab

    • rcordani
      25 de março de 2013

      Haha, essa foi boa, Vreco, “é pra acabar professor?” Eu me lembro da bronca que tomei do AK (uns 45min) no dia que puxei a raia para dar a virada em um 400pr solto…nunca mais o fiz, nem faço hoje quando treino sozinho!

      Uma coisa a gente tem que dizer, esses caras davam o sangue pelos nossos tempos, não é?

  18. Marcel Rossi
    24 de março de 2013

    Ja que o Indiani foi citado no post e em varios comentarios, nada mais justo do que eu deixar o meu proprio testemunho! Que o cara e’ PhD (Phoda Demais) para achar as palavras certas pra motivar os atletas antes da largada ja e’ de conhecimento coletivo, mas queria lembrar os recursos utilizados!!! Antes das grandes competicoes o cara tinha as manhas (e a delicadeza) de nos entregar um envelope com recorte-e-coles cheios de fotos, textos, frases motivacionais de grandes atletas, ate um mapa do Brasil para nos lembrar o que representava ser um dos melhores em um territorio gigante!! Mas nada chegou tao perto de me marcar quanto no dia em que ele nao so’ deu pra mim uma sunga de papel (alguem lembra disso??!) que ele usou junto com uma medalha que ele conquistou numa Copa ABC, em 1983 (ano que eu nasci!). Para alguem como eu que sonha em ser enterrado com as menhas medalhas no meu pescoco, esse foi O GESTO que o diferencia de qualquer tecnico que eu jamais conheci e conhecerei.

    Paizao, voce foi uma puta inspiracao para mim, como atleta, como tecnico (ainda em nivel pequeno-gafanhoto!!) e mais do que isso, como pessoa aguerrida!!! Minha personalidade foi forjada gracas aos anos em que tive a honra de ser seu atleta, e posso dizer sem medo que todas as minhas vitorias conquistadas desde entao tem um dedo seu, pois hoje eu sei que nao e’ o bastante lutar por um objetivo, VOCE TEM QUE SENTIR O TESAO DE LUTAR POR ESSE OBJETIVO!!!

    Muito obrigado por tudo paizao, de alguem que te ama PRA CHARALHAS do outro lado do hemisferio!!!

    Marcel

    • rcordani
      25 de março de 2013

      Valeu Marcel. Prevejo no mínimo outra caneca de lágrimas do Indiani. Abs

  19. Cristiano Michelena
    25 de março de 2013

    Não lembro bem palavras antes da prova da minha vida, mas segue uma das pérolas ditas por um dos meus queridos técnicos…

    Depois de ter perdido pela primeira vez on 100livres em um longo tempo em uma competição em São Paulo para um o meu técnico da época disse: “Nem se proocupe que esse garoto aí é fogo de palha e não vai chegar a lugar algum”. O garoto se chamava Gustavo Borges. O técnico eu não vou mencionar por respeito, pois no fundo ele queria elevar o me moral.
    Abraço Galera,
    Castor

    • rcordani
      25 de março de 2013

      Haha Castor, já contei aqui outro brilhante treinador (*) que disse “quero ver esse garoto quando chegar a temporada da piscina longa… não vai aguentar o ritmo!” – sobre o Gustavo Borges em abril de 1989.

      Agora, pensando alto aqui com meus botões, acho que a prova da sua vida foi os 400L de Indianápolis, 3:55 e prata com 16 anos. Pena você não ter tido saúde (ombros) para superá-la posteriormente.

      (*) o treinador era (é) realmente brilhante, quem surpreendeu todo mundo foi o Gustavo mesmo!

      • Lelo Menezes
        25 de março de 2013

        Essa que o Gustavo só seria nadador de piscina curta eu ouvi de mais de uma pessoa. Hilário!

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