Epichurus

Natação e cia…

Raspar ou não raspar? Eis a questão

Janeiro de 1984. Logo após o almoço, Renato Ramalho, Gustavo Pinto e eu recebemos a visita de Newton Kaminski em nosso quarto no Hotel Bragança no Rio de Janeiro. Era o intervalo entre eliminatórias e finais do primeiro dia do Troféu Julio de Lamare.

Gustavão havia classificado em 4º lugar para a final dos 100m peito e o intuito do Kaminski era convencê-lo a raspar as pernas para a final: “imagina, claro que não” – respondeu o finalista convicto, enquanto o Kaminski, indignado, disparou – “pô, se eu tivesse chance de medalha, raspava tudo e colocava uma sunga tão justa que teria que costurar o tecido na pele! O cara não raspa e ainda vai de calção “chapéu”!” – nome que escolheu na hora pra dizer que a peça era menos justa e mais larga do que deveria.

Até essa competição, nenhum dos meus colegas de clube havia se raspado para competir. Observei a cena, incentivei, mas na verdade eu também não me sentia confortável com aquela perspectiva. Coisas da insegurança de adolescente: “como vou contar para o meu pai?”, “o que vão achar se eu aparecer na praia com as pernas raspadas?” eram apenas duas das dúvidas que passavam em minha mente.

Gustavão não raspou e chegou em 5º na final.

Não tenho foto da premiação dos 100m peito, mas dois dias depois, Gustavo voltou a final - agora nos 200m peito e ficou em 6o. Foto do acervo de Carlos Sedda - prata nesta prova.

Não tenho foto da premiação dos 100m peito, mas dois dias depois, Gustavo voltou a final – agora nos 200m peito e ficou em 6o. Foto do acervo de Carlos Sedda – prata nesta prova.

Na semana seguinte, eu já estava em férias em Balneário Camboriú e o Newtinho Kaminski raspou para o Troféu Brasil. Melhorou bastante todos os seus tempos, fez várias finais com recordes paranaenses e coroou sua participação com a medalha de bronze na prova de 100m peito, no primeiro pódio masculino de um atleta do Clube Curitibano em Troféu Brasil.

Não tenho nenhuma foto do processo de raspagem mas encontrei uma de Michael Phelps, que fez sua primeira raspagem bem mais jovem que Kaminski. A foto está publicada no livro AMAZING PACE do jornalista Paul McMullen e foi cedida pela mãe de Michael, Debbie Phelps. "Um rito de passagem para os meninos nadadores", registra o autor.

Não tenho nenhuma foto do processo de raspagem mas encontrei uma de Michael Phelps, que fez sua primeira raspagem bem mais jovem que Kaminski. A foto está publicada no livro AMAZING PACE do jornalista Paul McMullen e foi cedida pela mãe de Michael, Debbie Phelps. “Um rito de passagem para os meninos nadadores”, registra o autor.

Quando retomamos os treinos após as férias e ao longo da temporada do primeiro semestre, raspagem foi um assunto muito comentado na equipe. Em julho, disputaríamos o Troféu José Finkel no Pinheiros em São Paulo e todos queriam melhorar como Kaminski.

Na segunda-feira, dois dias antes do embarque, entrei na sala do Léo e o Tite Clausi estava lá entusiasmadíssimo. Conversara com sua mãe no fim de semana e ela havia recomendado o uso de um creme depilatório para auxiliar no processo – “Superflu! Um creme a base de enxofre. Você aplica, espera alguns minutos, as raízes apodrecem e você remove com um palito de madeira. Sai tudo!” – ele testara o produto no joelho direito que estava lisinho, no meio daquele monte de pelos.

Na viagem o assunto estava em todas as rodas, junto com as expectativas de conhecer o novo parque aquático do Pinheiros, de ver Ricardo Prado em ação algumas semanas antes dos Jogos Olímpicos de Los Angeles e das performances que estavam por vir.

Na véspera, reconhecemos e nos encantamos com o Parque Aquático. Fomos jantar no Grupo Sérgio e lá na mesa, ficou definido. Após o jantar, quase toda a equipe masculina invadiu a farmácia que havia em frente e acabou com o estoque de Superflu – a embalagem era num tom de rosa antigo, havia a foto de uma bela mulher com o braço esquerdo levantado, o braço direito cruzava a frente do corpo protegendo o seio direito enquanto a mão direita segurava uma margarida protegendo o seio esquerdo – uma pérola do design, pena que não tem a foto no google images.

Chegando ao alojamento do Ginásio do Ibirapuera, todos deixaram as bagagens no quarto e seguiram de sunga, chinelo, Superflu e gilete para o banheiro comunitário. Acredito que todos os leitores saibam que enxofre tem cheiro de ovo podre, então imaginem no que se transformou aquele ambiente quando mais de 10 caras aplicaram o conteúdo das suas bisnagas em suas pernas. Fedia muito! Ninguém aguentou esperar o tempo necessário e o produto não teve a mesma eficiência atestada por Tite.

Passou-se então para a gilete!

Confesso que foi estranhíssimo presenciar aquela dinâmica – os contorcionismos para alcançar a parte posterior da coxa e os constantes “ais!” seguidos do anúncio – “tirei mais um bife!”. A falta de habilidade deixou muitas cicatrizes.

O processo levou horas e no início da madrugada estava quase toda a equipe raspada. Quase, porque nem todo aquele movimento de grupo me convenceu. Olhava e avaliava “eu nem tenho tanto pelo assim… acho que não vai fazer tanta diferença”, mas me constrangia ao apresentar minha justificativa aos colegas, então tomei a ridícula decisão de raspar a parte posterior da panturrilha e a frente da coxa. Só!

Foi legal ver o time raspado. O maior impacto no visual de André Caldeira e Felipe Malburg, que precisaram de várias giletes para completar o serviço. No aquecimento, ouvir dos colegas as percepções da enorme mudança de sensibilidade do corpo na água e o entusiasmo da sensação de estar inteiro na competição, com a certeza de ter feito tudo que estava ao alcance para uma grande performance. Porém, eu não me sentia daquela forma.

A competição foi ótima. O critério de participação no Finkel era de dois atletas por clube, por prova. Alguns dos principais clubes do país não participavam e o nível técnico era bem diferente do Troféu Brasil. Isso não era problema nosso, então curtíamos cada melhora de tempo, cada final conquistada, cada uma das medalhas e fomos a loucura na inesquecível final dos 200m medley com a sensacional dobradinha Kaminski – Malburg no topo do pódio.

Em dezembro de 84, também num banheiro coletivo, agora do Colégio Granbery em Juiz de Fora, fiz minha primeira raspagem completa. Surpreendi-me muito com a mudança de sensibilidade na água, até estranhando a falta de apoio de pernas e braços. Não melhorei, aliás, sequer repeti meus tempos, mas houve outros fatores que contarei posteriormente no post sobre essa competição.

O Granbery vários anos antes da minha passagem por lá.

O Granbery vários anos antes da minha passagem por lá.

A partir daí, raspei em todas as competições importantes da minha vida. Com a habilidade adquirida, o tempo necessário para realizar o trabalho ficou em pouco mais de uma hora. Período esse em que ao invés de ficar batendo papo eu preferia ficar quieto, concentrado, pensando na competição e em realizar o que havia planejado com meu técnico.

Respondi dezenas ou centenas de vezes a curiosidade de amigos leigos, do bairro, da faculdade, na praia – “mas vale a pena mesmo? Faz tanta diferença assim?” e eu respondia – “mais do que você imagina. A pele lisa tem menor coeficiente de atrito, com o mesmo esforço aplicado você tem maior deslocamento. Nadando numa mesma velocidade demora mais para juntar ácido lático no músculo, além disso, em nível de alta performance qualquer diferença é uma gigantesca diferença. No aspecto psicológico, o processo de raspagem é equivalente ao do índio: a preparação começa muito antes, mas é só com a pintura no corpo que ele está pronto para a guerra!”

E você, caro leitor, raspou o corpo e a cabeça para competir?

Quem era o Tony Ramos da sua equipe?

Compartilhe alguma das suas experiências conosco.

Forte abraço,

Fernando Magalhães

Finalizando com a controversa afirmação...

Finalizando com a controversa afirmação…

Sobre Fernando Cunha Magalhães

Foi bi-campeão dos 50m livre no Troféu Brasil (87 e 89). Recordista brasileiro absoluto dos 100m livre e recordista sulamericano absoluto dos 4x100m livre. Competiu pelo Clube Curitibano (78 a 90) e pelo Pinheiros/SP (91 a 95). Defendeu o Brasil em duas Copas Latinas. Foi recordista sulamericano master. Trabalha como gerente da Academia Gustavo Borges e consultor da empresa Vendas 3i. É conselheiro do Clube Curitibano.

36 comentários em “Raspar ou não raspar? Eis a questão

  1. rcordani
    18 de novembro de 2013

    O post todo é muito legal e voltarei mais tarde para maiores comentários, mas o final da sua resposta ao pessoal da escola é sensacional: “No aspecto psicológico, o processo de raspagem é equivalente ao do índio: a preparação começa muito antes, mas é só com a pintura no corpo que ele está pronto para a guerra!”

    Saudades de nadar polido e raspado, a última vez foi há mais de 15 anos!

    • Fernando Cunha Magalhães
      18 de novembro de 2013

      É bem isso, meu caro Cordani.
      E eu, de tantas saudades, resolvi raspar para um meeting de másters em abril desse ano.
      Polido também estava, com média de 1,5 treinos por semana.
      Pena que não estava bem preparado, mesmo assim, foi bem bacana.
      Aguardo os maiores comentários.

  2. Rodrigo M. Munhoz
    18 de novembro de 2013

    Eu debati sobre raspar para nadar em Ribeirão neste ano… Decidi não fazê-lo, pois odeio raspar e não achei que teria tempo antes para isso… Realmente cheguei tarde com a família e acho que foi um bom trade off não ficar no banheiro com uma gilete até o meio da madrugada. Um chopp do Pinguim foi bem melhor.
    A 1a raspada de que me lembro foi no M Beken de Vitória. Acho que meu melhor resultado por lá foi um 5o, mas foi uma boa competição em que me aproximei da galera do Paineiras – meu futuro clube em SP. Me lembro também de vários bifes tirados e cicatrizes no tornozelo e lateral do joelho que duravam todo o verão as vezes.
    Mas a sensação daquele primeiro pulo na piscina era sensacional e tenho saudades dessa parte do ritual de raspagem! Bom post!

    • Fernando Cunha Magalhães
      18 de novembro de 2013

      Bem lembrado Munhoz, haviam posições críticas em que o risco de tirar o bife era bem mais acentuado. Além das que vc citou, bem na frente da canela também era uma posição clássica.

  3. Christiane
    18 de novembro de 2013

    bacana o seu post Fernando, são muitas histórias como essas que vão ressurgindo na memória…nós meninas que já temos o hábito da depilação não imaginamos o quanto deve ter sido estranho pra vocês no começo. Mas tudo em prol de baixar tempos, eu mesma usava um produto que minha mãe mandava vir da Alemanha que era passado no corpo, em spray, pra digamos assim, impermeabilizar a pele e reduzir o atrito, se dava resultado mesmo, não sei, mas era mais um recurso emocional talvez e acabava dando uma sensação de nadar com alguma ajuda extra
    .

    • Fernando Cunha Magalhães
      18 de novembro de 2013

      Legal Chris,
      seu comentário me trouxe outra recordação.
      Em 87 o Carlos Candeloro apareceu com um produto semelhante.
      Chamava-se TIME OFF – tinha um cheiro forte e não podia ser passado com as mãos que “patinava” na certa.
      Usávamos a touca – se houvesse algum silk, aquilo tirava a tinta… imagine só?!
      Usamos algumas vezes… lembro que no TB88 no Golfinho, após o 4×200, saí da piscina e fiquei batendo papo, com a água aquilo brilhava, o Celio Amaral passou por mim, deu um tapinha nas costas e disparou: “vai se enxugar Fernandinho…”.
      Em julho, no Finkel, o Renato passou. Queimaram na prova dele e ele voltou para o bloco de partida brilhando, lá tinha mais luz, a Globo gostou e usou aquela imagem na chamada para o bloco seguinte do Esporte Espetacular, que passava depois do Fantástico.
      Me matei de rir…

      • Christiane
        19 de novembro de 2013

        é isso aí Fernando, não lembrava o nome, era esse mesmo…Time Off, e tinha um cheiro horrível…e saíamos da água bem brilhantes sim. Acho muito legal estes seus posts, bacana relembrar todas estas histórias, acaba me dando uma saudade enorme daquele tempo. Abraço

      • Fernando Cunha Magalhães
        19 de novembro de 2013

        Obrigado… conto com seus comentários nos próximos. Um beijo.

  4. Jorge Fernandes
    18 de novembro de 2013

    é Esmaga… voce (bem como todos os integrantes do Epichurus) com sempre conseguem reavivar lembranças interessantes…

    minha primeira raspagem não foi tão tranquila assim… foi em 78, eu com 16 e no meu primeiro Sul Americano Adulto…
    Véspera do último dia, Brasil já campeão no feminino e disputando o título no masculino, mesmo sem ter ganho 1 prova… época de Jorge Delgado (grande nadador de golfinho do Equador) e finalista em diversas competições internacionais, Conrado Porta (Argentina) e outros mais… acredito que eu era o mais novo…
    Teóricamente quem nadaria a final do reveza 4 estilos seria o Mangini, mas não sei porque acabei sendo escalado…
    o Ian Fontoura chega e pergunta quando eu iria raspar, e eu disse: que porra é essa !!! vou raspar merda nenhuma !!! vou nadar assim mesmo… ele tenta argumentar, explica, fica uma hora tentando me convencer e nada… ele sai do quarto, e eu penso: ufa, me livre de boa…
    como fui ingenuo….
    minutos depois, batem à porta, e eu abro…
    me vem o Ian e mais uns 3 ou 4 do pólo aquático, já dizendo: viemos aqui te raspar…
    imaginem a minha cara de desespero, vendo o Ian com aquela cara de sádico, e os brutamontes atrás invadindo o quarto…
    me pegaram, imobilizaram, e aí já era… não tinha mais nada a fazer… e olha que eu na época quase não tinha pelo…
    o engraçado era ver a cara de satisfação do fdp do Ian raspando as minhas pernas… pqp… e os putos do pólo me segurando e rindo…
    mas vou dizer uma coisa engraçada… quando caí para o aquecimento na final, parecia que estava nas nuvens… que podia encarar qualquer um…
    conclusão: precisávamos de um 3º para ganhar no masculino e com isso o Geral… festa total… acho que consegui fechar em 2º… nadei como nunca (acho que recebi em 4º, não lembro muito)…
    hehehe… não é preciso nem dizer que a comemoração foi uma loucura total…
    todos os atletas de todas as modalidades estavam lá na final, torcendo por nós…
    foi um show a parte…

    cada vez que penso no fato, fico pelo menos uns 5 minutos rindo sózinho… rsrsrs

    • Fernando Cunha Magalhães
      18 de novembro de 2013

      Sensacional essa história, Jorge.

      Na Copa Latina de Nice, vc já tinha me contado que o Ian era terrível com os calouros e mais jovens.

      E bem legal sua percepção: “quando caí para o aquecimento na final, parecia que estava nas nuvens… que podia encarar qualquer um…” – ajuda a registrar a incrível diferença que é estar raspado.

      • Jorge Fernandes
        18 de novembro de 2013

        é verdade… só que geralmente em competição de seleção adulta, nunca se fez nada contra os calouros, com uma única exceção em uma Copa Latina, que contra a minha vontade, acabou acontecendo, e fui o único (entre atletas e técnicos) contra… mas isso não é assunto de agora… hehehe…
        abraços…

      • Ricardo Firpo
        19 de novembro de 2013

        Nadei com o Ian no FFC – Para quem lê os posts acima e não conhece a “peça”, dá a impressão que ele era enorme de forte…. O problema era que ele devia ter, mal e mal, 1,70m!. Apesar de nadador de borbola, não o achava tão forte assim. E me lembro o quanto eu fiquei impressionado quando o vi botar a equipe toda para fora do vestiário com uma toalha molhada na mão. Dá para ter uma visão da coisa quando o Jorge fala que foi o Ian o responsável – caramba, o Jorge tem quase 1,90m! O cara era totalmente maluco – mas engraçado, também o vi em momentos de enorme lucidez e responsabilidade, sabendo exatamente o que ia fazer numa prova.
        Por fim, a vingança dos calouros: ele subia no bloco, e a galera gritava: O avião, patrão – o avião! (lembra da “Ilha da Fantasia”?)…. Ele terminava a prova,e subia para a arquibancada IRADO. Nessa hora, os mais sabidos desciam para aquecimento…..

      • Fernando Cunha Magalhães
        19 de novembro de 2013

        Pela descrição do Firpo o Ian foi um borboletista com um biótipo semelhante a grandes craques que vieram depois: Pradinho, Piccinini, Moita, Sperb, Mauricio Cunha. Todos de estatura mediana mas muito eficazes na piscina.

        Pelo comportamento, não sei se lembro de alguém. Pelo jeito ele era um “terror”!

        Alguém tem o contato? Quem sabe ele nos brinda com um comentário…

  5. mpacheco1
    18 de novembro de 2013

    Boa essa comparacao com os indios.
    A sensacao ao cair na agua era mesmo de uma diferenca enorme! Psicologica ou nao, who cares?

    pacheco

    • Fernando Cunha Magalhães
      18 de novembro de 2013

      Isso mesmo Pachecão… who cares?

  6. Lelo Menezes
    18 de novembro de 2013

    Boa Esmaga! Sem dúvida a raspagem era um ritual de passagem para o nadador. A minha primeira foi no meu primeiro Julio Delamare. A sensação de pular na piscina raspado era impressionante! Engraçado é que eu sempre raspava na noite anterior ao primeiro dia de competição. Tradição essa quebrada uma única vez, no Finkel de 1995, quando resolvi raspar depois do almoço do dia anterior. A lembrança mais surreal que eu tenho das “raspagens” é justamente no aquecimento no final de tarde (era quase noite mesmo, já estava escurecendo) na piscina do Internacional de Santos. A piscina estava praticamente vazia e eu fiquei em cima do bloco de saída durante alguns minutos antes de pular na água. Quando pulei, a água com a temperatura perfeita e o deslize aparentemente gigantesco me deu uma sensação única de que eu ia detonar no dia seguinte. Tenho aquele dia muito vivo na memória!

    • Fernando Cunha Magalhães
      18 de novembro de 2013

      É Lelo, tem mesmo algumas passagens que são muito marcantes.
      A minha, equivalente a sua de Santos, foi em POA 86.
      Raspei dos joelhos para cima após o almoço e deixei as canelas para depois da nadada da véspera.
      Caí na água e senti as pernas fortes, descansadas e em cima da água. Não queria que aquela sensação saísse de mim e no dia seguinte ela era melhor ainda. Sabia que iria nadar bem, só não imaginava quanto.

  7. Tite Clausi
    18 de novembro de 2013

    Eis a questão….
    A primeira vez que tive conhecimento de raspagem foi no primeiro ano do Torneio Banco Republica em Montevideo. Encontramos os argentinos se depilando no vestiário e comentamos… esses argentinos são umas bichonas..hahaha
    No ano seguinte estavamos todos na mesma onda.
    A sensação da primeira queda após a depilação é algo surreal. Mágico. Nas quedas seguintes vai se perdendo aquela magia. Já tentei redepilar no segundo ou terceiro dia de uma competição longa e foi frustante. Só machuca a pele…rssrsrsrs
    Histórias não faltam.. como aquela vez q o Andre Caldeira depilou só uma perna um dia antes da viagem e chegou no onibus mostrando. E na volta queria esconder do pai para não levar xporro e a galera foi seca dedurar..rsrsr
    O que sei é que vale muito a pena… Estou indo na semana q vem nadar o Sulamericano do Chile e se bobear vou passar a gilete.. Apesar de estar em péssima forma, pelo menos é uma desculpinha a mais para tentar melhorar…
    Grande abraço. Tite

    • Fernando Cunha Magalhães
      18 de novembro de 2013

      Até agora ninguém falou do desconforto dos pelos encravados quando começavam a crescer.
      Teve gente que ficou doente com a inflamação. A re-raspagem aumentava o risco disso acontecer.

      Re-raspei algumas vezes, uma foi para a final dos 50 livre do Finkel de 89, que nunca houve, que nadaríamos juntos e que tem uns 4 ou 5 que garantem que venceriam… hehe.

      Agora, Tite, passa a gilete lá no Chile… para entrar mais no clima da competição e desse reencontro com as águas.

      Eu fico na torcida.

      Abraços e boa sorte!

  8. Marina Cordani
    18 de novembro de 2013

    I must be a real woman! I like shaved legs! Mas acho que fora do meio das que foram nadadoras, ou ciclistas, ou triatletas, etc, não há muitas, não!

    • Fernando Cunha Magalhães
      18 de novembro de 2013

      Valeu o registro e o palpite, Marina!

  9. Ricardo Firpo
    19 de novembro de 2013

    Os meus problemas: muito pelo, pouca experiência e timidez exagerada….
    Minha primeira vez foi aos 14…. Quando me disseram para fazer, eu achei aquilo ridículo, mas acabei convencido. Eu tinha muito pelo! Para primeira vez, foi complicado: Seis horas e oito “prestobarba” cegos! O negócio só melhorou lá pelos 17 – um tio meu, quando soube que tinha que fazer isso, me ensinou o pulo do gato. Ele era ex-militar, e ainda fazia a barba com aqueles barbeadores com gilette antiga (a famosa platinum blonde). Bem, ele me deu o aparelho dele, e ensinou que deveria tirar a parte de baixo do aparelho, travando a gilete com um palito de fósforo, e para não deixar a gilete “bamba”, pois era isso que tirava “bife”…. Com isso, a coisa ficou rápida, mas nunca menos de duas horas e pouco….. e com retoque sexta à noite!
    Depois, era passar as férias todas explicando para meus amigos – de fora da natação – o pq daquilo….

  10. Ricardo Firpo
    19 de novembro de 2013

    Uma lembrança que não tem nada a ver com tempos e desempenho:
    Durante o TB de 86, eu tive um sério acidente de carro. Eu tinha me raspado para nadar. Terminado o campeonato para mim, na madrugada de sábado para domingo, resolvi encarar um poste ou algo parecido (não lembro grande parte da noite…). No atendimento de emergência, rasgaram minha calça, para o curativo. E depois me deixaram na maca! Peladão!!!!
    O problema era que, para me raspar, eu ficava de sunga, Raspava do lado, e terminava a partir dali…. Porém, sem ela, ficava o “desenho” embaixo! Daí, que tive que contar a mesma história NOVE vezes, explicando para as enfermeiras que passavam no corredor pq o paciente da maca estava raspado – além de aguentar os comentários. Na época, não era normal um cara daquele tamanho aparecer assim no hospital……

    • Fernando Cunha Magalhães
      19 de novembro de 2013

      Engraçada essa, Firpo.
      De fato o contraste da região coberta pela sunga com a descoberta ficava bem grande e não de se estranhar o impacto que causou na turma do hospital.

    • rcordani
      20 de novembro de 2013

      Hahaha, essa foi sensacional!

  11. Sidney N
    19 de novembro de 2013

    Legal o post Esmaga. Fazia mais de vinte que não raspava até que voltei a nadar no master com regularidade em 2010. Quando participei de uma competição importante e vi quase todo mundo sem pelo, percebi o quanto o pessoal continuava a levar o assunto a sério.

    Por isso resolvi fazer um teste este ano: nadei os 50 costas duas vezes, antes e depois da raspagem, e a diferença foi pequena (0,1s). Entretanto, nos 100 costas, embora não tenha podido fazer a comparação, baixei quase 2s em relação ao melhor tempo que tinha desde o retorno à natação competitiva, Sem dúvida, o aspecto psicológico deve teri sido tão ou mais importante quanto o ganho hidrodinâmico.

    Abraços

    • Fernando Cunha Magalhães
      19 de novembro de 2013

      É Sidney, por essa amostragem, dá para avaliar que o ganho hidrodinâmico não é tão significativo, mas parece que fisiologicamente, o retardo do acúmulo de ácido lático pode ter te ajudado nos 100m.
      “Não é tão significativo…” na conjuntura atual porque ter feito 0,1s a menos nas provas em que nadei ao longo da carreira traria como resultado algumas alterações de resultados bem importantes. De bate pronto me vem mais 3 medalhas em Finkel ou Troféu Brasil e duas pratas que virariam ouro em Julio de Lamare.

  12. Cristiano Viotti
    20 de novembro de 2013

    Boa Smaga, a raspagem não era assunto trivial e merecia mesmo um post. Minha primeira vez (rsrsrsr) foi no JD do Vasco em 83. Se não me engano no Hotel Argentina, dentro do chuveiro. Eu também hesitei, achava bobagem. Mas depois de cair na água e “voar baixo”, expressão que ainda me intriga, nunca mais abandonei o processo, chegando a raspar a palma da mão para tirar a pele morta. As axilas ficaram intactas, não me lembro de ter raspado. Se valeu a pena? Lógico que sim, cada bife e cada dor quando entrava em ambiente com ar condicionado alguns dias depois da raspagem. Arrepiar os tocos de pelo era de doer! Aha, o urso do nosso time era o Ricardo Ramos Chrcanovich, peludo até no pescoço, único lugar que ele não raspava. Imaginem a figura! Grande abraço a todos e o Jorge deu a dica para um tema que vai ferver no Ephicurus: trotes.

    • Fernando Cunha Magalhães
      21 de novembro de 2013

      Alô Cristiano,
      legal você dividir com nossos leitores sobre sua primeira vez.
      Veja que a sensação da 1a raspagem surpreendeu a todos, é muito diferente do que se poderia imaginar.
      E lembro bem do Chrcanovich na situação citada.
      Tinha gente que de tanto pelo, desistiu das giletes, começava na máquina e partia para a depilação: ô coragem!
      Sobre os trotes, assunto delicado, eu nunca gostei de aplicar e fui vítima de poucos.
      Não tenho muito para contar.
      Abraços.

  13. Alvaro Pires Vreco
    21 de novembro de 2013

    A primeira vez foi em 84 e nao achei q fez grande diferenca (o Alberto Klar incentivou e disse q faria uma dif grande). Pra mim foi bastante desagradavel pela timidez e por eu achar aquilo ridiculo. Mas depois disso a diferenca foi ficando cada vez maior entre raspar e nao raspar. Realmente o pessoal de escola nao perdoava. A sorte eh q os brasileiros do final do ano eram nas ferias, o prob maior era no meio da ano. Lembro uma vez no carioca de 87 (nunca raspava em cariocas) q nadei muito mal na elim, quase s conseguir me classificar. Conversei c o Alberto depois da prova de 100L de manha, dizendo q tava me sentindo cansado e muito mal na agua. O Alberto falou p eu raspar e ver como me sentiria. Raspado a tarde baixei 2s e quase ganhei (perdi de um australiano – Jay Deacon – q soh vi naquela competicao).
    Legal o nome do equatoriano de borboleta Jorge Delgado, uma mistura dos nossos craques velocistas. Agora eu entendi um pouco do sadismo do meu veterano amigo Jorge Mineral Ice Egg Fernandes, ela tava descontando o q tinha passado anteriormente … gr ab Maga

    • Fernando Cunha Magalhães
      23 de novembro de 2013

      Quase 2s é uma baita diferença… certamente, além do tempo e colocação naquele dia, causou um impacto em sua confiança para a sequência dos treinamentos até o brasileiro.

      Lembro desse Jay Deacon, chegava aos brasileiros com ótimos tempos de balizamento, causava preocupação, mas não lembro dele ter repetido. Talvez nadasse bem o Cariocão e sentisse a pressão do nacional.

      Legal que vc trata com ironia e tranquilidade as lembranças provocadas pelas ações do JMIEF.

      Abraços.

      • Jorge Fernandes
        12 de dezembro de 2013

        Uma palavrinha rápida sobre os trotes…
        Normalmente muitos pensavam que seria uma molestação e menosprezo aos “calouros”… mas desde meus tempos do TTC, sempre procurei realizar este “evento” de forma que sempre houvesse uma interação entre os participantes, descontração, e sem brutalidades físicas…
        E só havia trote praticamente para o Julio De Lamare, e depois alongou-se para o TB… no Finkel era difícil de fazer… a tradição maior era do De lamare…
        Servia tb como uma forma de “aproximar” os mais velhos da geração mais nova, incentivando uma relação amistosa onde nós os mais velhos inclusive treinavamos no mesmo horario do pessoal mais novo, quando dava fazia-se o mesmo treino… Eu encarava (e procurava passar aos outros) não de forma pejorativa o trote… mas como uma passagem e “aprovação” por parte de toda a equipe…
        E tinha gente que inclusive escolhia o tipo de corte…
        Quanto ao “mineral ice” quero deixar bem claro aqui, que eles se “auto aplicavam”… eu nunca me aproximei… só fornecia o material a ser utilizado… kkkk… sabe lá o que voces podem pensar… rsrsrs
        abs

      • Fernando Cunha Magalhães
        13 de dezembro de 2013

        Que bom, Jorge, que vc, apesar de ter tardado, não falhou em seus esclarecimentos. Já tinha imaginado a cena.

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