Epichurus

Natação e cia…

Muito mais do que só um jogo

Para o meu pai a história com o Palmeiras começou em maio de 1949, quando ele chegou de navio da Itália e imediatamente se tornou palmeirense. No final do ano já estava no Pacaembú de verde para a final do Campeonato Paulista de 1949, que o Palmeiras ganhou.

Já a minha história começou um pouco depois, em 1978, e abaixo vai meu TOP 12 (um para cada título nacional) da minha relação com essa agremiação. Escolhi propositalmente momentos bons e ruins, afinal, o futebol é uma metáfora da vida, e só existem os momentos bons por causa dos ruins, não é mesmo?

TOP 1 – a lambança do então ídolo Leão

1 - Leão 1978

A minha primeira lembrança mais forte foi em 1978, quando o então meu ídolo Leão achou por bem dar uma cotovelada na nuca do Careca dentro da área no primeiro jogo da final do brasileiro contra o Guarani. Ouvindo no radinho de pilha na orelha, eu torci em vão para o Zenon errar. Que nada, o bigode converteu e perdemos ali aquele brasileiro, não houve forças para reagir em Campinas no segundo jogo. Veja detalhes aqui. A foto peguei aqui:

TOP 2 – subiu Serginho é gol

2 - Serginho 1978

Ainda em 1978, agora pelo Paulista, ouvi no radio da belina azul a inacreditável cabeçada do são paulino Serginho (que ainda não era Chulapa) que tirou o Palmeiras da final contra o Santos aos 14 do segundo tempo da prorrogação, quando dava para ouvir até no rádio a torcida alviverde cantando “tá chegando a hora”. Lembro nitidamente de ouvir a torcida cantando, aí o Silvério entra e diz “cruzou subiu Serginho é gol”. Desliguei o rádio. A foto peguei nesse site

TOP 3 – gol de juiz vale?

3 - Gol do Juiz Aragão 1983

Foi no dia 9/10/1983. Vi ao vivo com o Caio Bianchi no Morumbi o gol de juiz do José de Assis Aragão, salvando o Palmeiras. O jogo (horroroso) pelo Paulistão estava 2×1 para o Santos e aos 46 do segundo tempo, na nossa última chance, chute de Jorginho, a bola bate no juiz e entra, empatando o jogo. Lembro bem dos santistas, Chulapa entre eles, cercando o juiz, que nada pôde fazer. Veja aqui. A foto peguei nesse site.

TOP 4 – Sócrates desequilibra

4 - Sócrates 1983

Naquela época era comum assistir os melhores jogadores do Mundo (Sócrates, Zico, Falcão) nos campeonatos locais. Seria o equivalente a ver o Neymar jogando aqui hoje. Esta foi a semifinal do paulistão de 1993, golaço de Sócrates, eu era um dos mais de 95.000 torcedores no Morumbi, assisti esse jogo na cativa do amigo do meu pai, o Dr. Wilson Aun. Desta vez o Leão estava do outro lado. O Palmeiras jogou muito melhor, e o zagueiro Marcio vinha fazendo um excelente trabalho em neutralizar um dos melhores jogadores do Mundo na época, o Dr. Sócrates. Porém aos 24 minutos vimos o doutor decidir o jogo em um único lance, fez a volta, driblou para o lado e meteu forte e rasteiro na altura da meia lua. Veja o vídeo aqui. A tristeza só não foi maior pois meu professor de matemática Belézia (corinthiano roxo) me encontrou por ali e disse que eu havia ido bem no textão. A foto peguei aqui.

TOP 5 – a primeira final ao vivo

5 - Inter de Limeira - 1986

Faz 30 anos, foi no dia 03/09/1986, Paulistão de 1986 contra o Inter de Limeira, minha primeira final, primeira derrota, o dia da famosa falha de Denys, veja aqui. Nesse dia pendurei a bandeira do Palmeiras no treino no Paineiras com o Nenê à tarde, jantei no 2S e de noite fui a pé para o Morumbi com meu pai, bandeira nas costas, chorei na volta, completávamos 10 anos na fila! Nenê lembra desse fato até hoje.

TOP 6 – agora eu vou soltar a minha voz!

6 - Evair "agora eu vou soltar a minha voz" 1993

A final do Paulista de 1993, 4×0 fora o baile. No primeiro jogo, perdemos por 0×1 e o Viola, que fez o gol do Corinthians, imitou um porco pejorativamente. No segundo jogo, precisávamos ganhar no tempo normal e levar o jogo à prorrogação, mas se isso acontecesse jogaríamos pelo empate. Nos treinos, gozações mil do Oscar e do Barros, que apesar de são paulinos torciam abertamente pelo Corinthians para a gente continuar na fila. Fiquei na arquibancada com meu pai, o Polloni e o Pancho (que nessa época era palmeirense no Brasil). Metemos 3×0 no jogo, e aí o jogo foi para a prorrogação. Tínhamos um homem a mais (Ronaldo havia sido expulso), e quando Evair converteu o pênalti o Corinthians estava mortinho da silva e o Palmeiras era campeão depois de 23 anos! Eu não ouvi pois estava no estádio, mas o José Silvério imortalizou a conquista com o mundialmente famoso “E agora eu vou soltar a minha voz”. Ouça aqui. José Silvério, torcedor do Cruzeiro e o melhor narrador de rádio de todos os tempos considera este o gol mais emocionante da sua carreira.

TOP 7 – show de Rivaldo, não deu nem graça

7 - Rivaldo e a máquina de 1994

A final do Brasileiro de 1994, 1×1 fora o baile. Essa foi fácil, ganhamos o primeiro jogo por 3×1 com show de Rivaldo, então o segundo jogo era tranquilo. Foi no Pacaembú, 18/12/1994, fui no estádio com meu pai, a Dora, o Quinta e a Bel. Lembro-me de ficar um pouco apreensivo com o gol de falta de Marcelinho logo no começo do jogo, mas a partir daí deu a lógica, empatamos e jogamos para o gasto até o título. Veja aqui. A foto peguei aqui.

TOP 8 – o golaço ali na minha frente, para desespero do Pancho

8 - Alex e a Libertadores de 1999

A semifinal da Libertadores de 1999, golaço do Alex. Fomos no Palestra com o Polloni, meu pai e um convidado ilustre, que no entanto era River Plate desde criancinha, o argentino Pancho. Dentre os gols mais importantes do Palmeiras, o gol de Alex é o mais bonito que vi ao vivo bem na minha frente (e olha que ele faria outro golaço ainda no mesmo jogo, o terceiro). Delicie-se aqui. A foto peguei aqui. A nota triste do jogo foi que o Pancho foi embora sem dar tchau…

TOP 9 – a defesa que valeu muito mais do que um gol

9 - São Marcos 2000

A semifinal da Libertadores de 2000, mais um dia de São Marcos. Tendo perdido o primeiro jogo por 4×3, o Palmeiras precisava ganhar o jogo para levar para os pênaltis. O problema é que o Corinthians de Luizão, Edílson e Marcelinho jogava mais bola que a gente, e só uma catástrofe (para eles) tiraria a primeira final de Libertadores da história do Corinthians. Eu era um dos poucos palmeirenses que pegavam dois gomos (de 12) no Morumbi, junto com meu primo Rodrigo e a Dora. Em campo, a soberba falou mais alto, os corintianos chegaram a trocar passes de calcanhar dentro da área quando estavam ganhando por 2×1 e o Palmeiras conseguiu virar no finzinho (3×2) com um gol de cabeça inacreditável de Galeano, e o jogo foi para os pênaltis. Mas o melhor ainda estava por vir: no penalti decisivo, nosso maior ídolo Marcos catou a bola do odiado Marcelinho Carioca, transformando aquele momento em um dos mais agradáveis de todos os tempos. Veja aqui (duvido que algum corinthiano vá clicar!). Peguei a foto aqui.

TOP 10 – o primeiro título de Copa do Brasil com pai e filho

10 - Copa do Brasil 2012

Campeão da Copa do Brasil 2012 sobre o Coritiba, mesmo time que nos tinha goleado no ano anterior. Essa assisti em casa pela TV, com pai filho, Dora, Lelo, Polloni. Priceless, veja o jogo aqui.  Eu sei, eu sei, nesse mesmo ano o Palmeiras seria rebaixado, mas assim é o esporte: vitórias e derrotas.

TOP 11 – noite de Prass na copa do brasil de 2015

palestra_2015

Noite de Fernando Prass, catou muito e ainda converteu o quinto e decisivo pênalti. Fui com o meu filhote, foi a primeira final no novo estádio, maravilhoso, mas que para mim continua a ser o velho Palestra Italia. Veja aqui.

TOP 12 – o melhor lugar do mundo é aqui e agora

palestra_2016

A cereja do bolo, afinal estar ali no Palestra campeão brasileiro de 2016 com o pai e filho não tem preço (a foto é do jogo Palmeiras 1×0 Botafogo). E como meu pai estava com a camisa do mundial de 1951, eu com a do bi-brasileiro de 1993-1994 e o meu filho com a camisa azul da Copa do Brasil de 2015 – e somos relativamente parecidos entre nós – não foram poucos que nos abordaram no Palestra para ressaltar as três gerações palestrinas.

Espremendo bem, entre vitórias e derrotas estamos equilibrando, e olha que somos o maior campeão brasileiro da história, imagine os outros!

E chego a ter pena de quem acha que futebol é só um jogo…

Sobre rcordani

Palmeirense, geofísico e nadador master peba.

11 comentários em “Muito mais do que só um jogo

  1. felipecasas
    28 de novembro de 2016

    que demais! ontem assisti o jogo nos arredores, independente de times, ate pq nunca me meti em outra torcida, mas ontem era uma sensação de “good vibrations” impressionante!

    e pra mim tem um sabor especial, meu filho nasceu em outubro do ano passado, ja viu o Palmeiras ser campeao da copa do brasil e agora brasileiro… espero que esses pezinhos quentes continuem 😉

    abraço

    • rcordani
      29 de novembro de 2016

      Pé quente! Embora (desculpa por isso) esses títulos para ele não valerão quase nada no futuro em termos emocionais, assim como os de 1972 e 1973 não significam nada para mim, apesar de eu estar vivo na ocasião. Grande abraço

  2. Marina Cordani
    28 de novembro de 2016

    Para você ter uma noção do meu descaso, não consegui nem ler seu post inteiro. Acho que foi o único que não li… Fico muuuuito entediada…
    Mas, deve estar bom, como os outros. E tá cheio de gente que vai ler!

  3. Rodrigo M. Munhoz
    28 de novembro de 2016

    Boa, Renato. O que vale mesmo são os momentos vividos e suas memórias provam que você os vive intensamente.
    E não precisa ter pena de quem acha futebol só um jogo – ente os quais me incluo – mesmo porque ainda assim é possível ocasionalmente vislumbrar a beleza do esporte nessas arenas. Alguns exemplos no seu texto.
    Parabéns pelo merecido título do seu clube e fico feliz de te ver tão empolgado novamente com o futebol. Aliás, como no significado do seu nome, em cada momento bacana desses devem “nascer de novo” muitos torcedores. Nada como um ano depois do outro.
    A ver 2017…
    Abraços!

    • rcordani
      29 de novembro de 2016

      Munhoz entendo seu desencanto: Noroeste, São Paulo, tsk tsk…

      • Lelo Menezes
        30 de novembro de 2016

        Torcer pro Rogério Ceni deve exigir um grau de resiliência, paciência e coragem que não consigo contemplar!

  4. Lelo Menezes
    30 de novembro de 2016

    Eu morei fora do Brasil de 1990 a 2002, exatamente na época “áurea” do meu time. Acompanhava tudo de longe e portanto não vivi as alegrias dessa época. Voltei com o Palmeiras rebaixado, tive um alento em 2009 e xinguei muito o Diego Souza pela queda de performance após a convocação pra seleção brasileira e consequentemente o fiasco palmeirense de nem conseguir chegar a Libertadores. Isso sem contar o ódio que peguei pelo Simon por anular aquele gol do Obina contra o tapeteiro Fluminense. De qualquer forma, sofri muito como torcedor durante muito tempo e invariavelmente sentia saudades da época de moleque quando era mais fanático e acompanhava de perto o Pedrinho, Jorge Mendonça, Jorginho e outros craques a partir do final da década de 70.

    Mas em 2012 veio o título da Copa do Brasil (foto no post). Tinhamos ido na semi-final contra o Grêmio na Arena Barueri, chovendo pra casseta e ganhamos com certa imponência, mesmo com um time pra lá de fraco. A final contra o Coritiba estava no papo!

    Em 2015 a campanha da Copa do Brasil foi espetacular e fomos em quase todos os mata-matas no Palestra, com enfase no jogo contra o Inter e obviamente a final, sensacional, contra os Sardinhas, meu primeiro título in loco, com gol do Prass nos pênaltis. Foi um momento inesquecível!

    Mas faltava o Brasileiro, que eu nunca tinha visto, pelo menos não de perto, porque os títulos da década de 60 eu não existia, em 72 e 73 eu basicamente era bebê e em 93 e 94 eu estava muito longe, acompanhando na era pré-internet pela Gazeta Esportiva, publicação que a Arizona State University recebia em sua gigantesca biblioteca. Mas cá entre nós, não tinha lá muita graça!

    Dessa vez não consegui ingresso! Assisti o jogo contra o “saudoso” Chapecoense em casa, sozinho, ao lado de cervejas Erdinger. Vibrei com o gol porque ali já senti que seriamos campeões e deu a lógica. Titulo pra lá de merecido e torço para jogarmos o último jogo, como propôs Paulo Nobre, com o uniforme do Chapecoense, no que seria uma bonita homenagem!

    E daqui pra frente é pensar mais alto, no Mundial, que estamos na fila desde 1951! Avanti Palestra!

    • rcordani
      1 de dezembro de 2016

      A anulação daquele gol do Obina foi um dos maiores absurdos do futebol mundial em todos os tempos! Avanti Palestra!

  5. LAM
    1 de dezembro de 2016

    viva Chape!

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