Epichurus

Natação e cia…

O que mudou na nossa natação em um quarto de século? (veja o meu top ten)

Se você está lendo esse post é provável que tenha sido nadador, e seja de que idade for, é bem possível que você compare os tempos que você fazia com os nadadores atuais, ao menos eu e meus amigos (que paramos há um quarto de século) fazemos isso. E quanto mais velho você for, mais você se sente PEBA. Na época dos trajes a “desculpa” para a discrepância era óbvia (ah, esses caras são muito mais rápidos que nós devido aos trajes)… mas agora que os malditos foram abolidos,  como explicar a diferença?

Hoje em dia não dá mais para colocar a culpa nos trajes...

Hoje em dia não dá mais para colocar a culpa nos trajes…

Reparem que essa melhora evidentemente não ocorre apenas na natação, ela ocorre em todos os esportes, mas na natação (e no atletismo) a comparação entre épocas é muito fácil, basta comparar os tempos. Mas o que se passa em um quarto de século que torna os esportistas tão melhores?

Essa ótima palestra do David Epstein no TEDx (15 min) procura responder essa questão, e baseia a resposta em três pilares:

(A) inovação – melhoras em tecnologia, treinamento, alimentação, etc;

(B) democratização e biotipos – mais gente (em número de pessoas mesmo) pratica esportes, e os melhores acabam sendo selecionados entre mais gente, com biotipos mais adequados e especializados;

(C) controle da mente – mais conhecimendo do cérebro consegue “driblar” as limitações físicas impostas pelo nosso corpo como defesas naturais. Segundo o cara do TED, mentalmente conseguimos hoje ir muito além do que no passado.

Evolução do Recorde Mundial dos 100m rasos.

Evolução do Recorde Mundial dos 100m rasos.

Sendo mais específico: o que aconteceu aqui no nosso universo da natação semi-peba do Brasil em um quarto de século?

Para fazer a comparação escolhi os 200 Peito (a prova mais importante da natação) e duas competições similares na mesma piscina: o Troféu Brasil de 1990 comparativamente ao Maria Lenk de abril de 2014.

A piscina era a mesma, o Ibirapuera (se bem que deram uma bela garibada nas laterais que eram do tipo “caixote”, diminuindo a turbulência). O nível das duas provas é teoricamente similar, pois ambos os grupos de finalistas eram os oito melhores do Brasil na ocasião. Como explicar a diferença de tempos experimentada entre as duas competições?

Vamos aos fatos. Os filmes das provas estão aqui 1990 e aqui 2014, mas a gente já sabe que o leitor não tem muita paciência para filmes. Então, para o leitor atento (embora preguiçoso) eu montei um pequeno resumo:

Diferenças de tempo entre os finalistas dos 200P de 1990 e 2014.

Diferenças de tempo entre os finalistas dos 200P de 1990 e 2014.

Vejam na tabela que, em média, os finalistas atuais da prova de 200m peito no Brasil fazem 12.38 segundos a menos do que nós, ou seja, quando eles bateram na borda a gente (em média) ainda estava na cordinha de escape, a qual, por sinal, nem existe mais!.

(N. do A: esse tipo de melhora não é novidade, a evolução de 1990 com relação a um quarto de século antes também era absurda, perceba que cinco dos finalistas do TB de 1990 fizeram tempo menor do que o campeão olímpico de 1968. Já os de 1968 eram muito superiores aos da década de 40 e assim por diante.)

E finalmente chegamos ao cerne da questão: o que faz tão diferentes esses dois grupos de nadadores, em tese tão iguais, mas com resultados tão diferentes? Abaixo a minha lista de dez fatores, em ordem de importância:

1) Idade: a idade média dos nadadores de 1990 era 18.8 anos, enquanto que os nadadores de 2014 tinham em média 26.8 anos. Ou seja, em média, os nadadores de 2014 tinham OITO ANOS A MAIS do que nós! Acredito que esteja aí boa parte da diferença. Em 1990, os poucos que ainda treinavam sério durante a faculdade paravam logo que se formavam, pouquíssimos nadadores continuavam treinando forte após os 20 anos, mas em 2014 os caras continuam treinando e se aprimorando. O campeão de 1990 Carlos Victor Araújo ganhou esse TB com 16 anos, tendo sido esse o melhor resultado da sua vida.

2) Suplementação alimentar. Hoje em dia a quantidade de suplementação é brutal, e estou falando de substâncias lícitas apenas. A gente se virava com Supradyn e Cebion, se tanto. O nosso equívoco alimentar era ainda maior durante os treinamentos, em geral nem água a gente bebia durante os treinos de 10-12km. No meu caso o equivocado acompanhamento nutricional que eu contava na época estava ainda na fase do “não comer entre as refeições”, ou seja, a gente almoçava, ficava sem comer lanche, treinava 12.000m (sem comer), esperava a condução para casa (desesperado de fome) e chegava em casa em estado falimentar para destruir o jantar (ao menos a gente tem muita história para contar nesse quesito “comer muito”). Durante a competição a gente comia bastante macarrão pois era dito que daria carbohidrato para a prova, o que hoje sabemos ser falácia. Muitos usavam e abusavam de dextrosol, uma ignorância atroz, mas era o que tínhamos para o momento.

3) Treinamentos. Eu estou convencido que se houvesse prova de 1500 peito eu tinha treino para encarar. Olhando hoje, não tem o menor sentido imaginar os treinos que fazíamos na década de 80, 10-12km por dia, todo dia, para nadar provas de 2 minutos de duração. A partir da década de 90 o treinamento melhorou um pouco, mas a diferença para o que o pessoal faz hoje é muito radical.

4) Trabalhos fora dágua. Musculação e trabalhos de força específicos são muito mais valorizados hoje em dia. A gente até sabia da importância de ser mais forte, os americanos já priorizavam esse tipo de treino, mas aqui no Brasil a gente dava uma importância de cerca de 5% ao tema, sobretudo quem não era velocista. Perto de nós, os nadadores de 2014 parecem halterofilistas.

5) Técnica. Quando a gente fazia corretivo (ou educativo), a gente fazia rapidinho para acabar, era uma espécie de “descanso ativo” entre as séries fortes. Além disso os trabalhos específicos de força muscular fazem com que em peito a posição na água seja muito diferente, pode reparar, parecem estilos diferentes, a gente era muito mais afundado na água do que hoje em dia.

6) Geração PEBA. Em 1990, peito era talvez o estilo mais fraco do Brasil, e em 2014 está entre os mais fortes. O campeão de 1990 chegou perto, mas o recorde brasileiro do Luiz Francisco T. Carvalho, que era de 1984, seguiu firme.

7) Golfinhada permitida na filipina, na nossa época não podia. Pode botar aí 0.5s em cada filipina, ou seja, em longa eu calculo uns 2s de vantagem.

8) Baliza mais alta e saída com o pé na frente. Eu não sei quando descobriram que a saída com um pé na frente é melhor, mas na época a gente saía com os dois pés mesmo (grab start). Se alguém viesse com a “novidade” de colocar um pé na frente seria taxado de louco, além do que não existia o suporte para o pé de trás.

9) Bermuda apertada x sunga de papel. O nosso “must” era sunga de papel, um espetáculo, como a do Edmílson nessa foto abaixo (sqn)!

10) Amistosidade x competitividade: será que os caras de hoje conversam na banqueta amistosamente, ajudam o adversário colocar a touca (veja no filme de 1990 em 1:01 o Lelo me ajuda a colocar a touca, e em 1:14 eu coloco a dele) e ficam batendo papo no final? A gente fazia tudo isso.

Taí meu top ten, será que esqueci algum fator importante? E você, também se sente PEBA como eu quando assiste as competições de hoje?

Sobre rcordani

Palmeirense, geofísico e nadador master peba.

67 comentários em “O que mudou na nossa natação em um quarto de século? (veja o meu top ten)

  1. Aécio Amaral
    11 de agosto de 2014

    Tem mais um, são onze! Naquela época a técnica era diferente. Não podia afundar a cabeça, Se a água passasse por cima da cabeça haveria desclassificação. Hoje o nado de peito é quase um mergulho seguido de outro…… Penso que isso faz mais diferença que a pernada vertical nas saídas e viradas.

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Boa Aécio, mas isso só mostra que o sr. é mais velho que eu! Eu fui desclassificado um par de vezes por “nado submerso”, inclusive perdi uma final de JD por causa disso, mas em 1990 essa regra já havia caído. Mas obviamente não houve tempo hábil para a evolução do estilo de forma a aproveitar a regra nova, “um mergulho seguido de outro”, conforme você disse.

      • Aécio Amaral
        11 de agosto de 2014

        OOOppppsss!!!! De fato, sou um tanto mais velho mesmo. Parei de nadar em 1973. Naquele tempo o estilo mais importante da natação mundial se chamava “Clássico”. As saídas se davam com os braços girando após o tiro (tiro? isso mesmo, o Árbitro dava um tiro de festim com uma garrucha de dois canos!), as raias só eram usadas nas competições e eram “toquinhos” de madeira com um furo por onde passava a corda. As pranchinhas também eram de madeira e não existia um equipamento para travar as pernas no treino de braço. Uma vez nosso treinador mandou fazer alguns palmares no calheiro (de chapa galvanizada). A água era gelada em qualquer época do ano, o cabelo ficava verde e a gente cheirava a cloro. Parece que a gente tinha cheiro de piscina. Para passar no exame médico tinha que fazer “Teste de Mantoux” (isso acho que só o Orselli vai saber do que se trata….). Só conhecemos os óculos de natação em 1972, e até então vivíamos com os olhos completamente vermelhos. Nosso ídolo era o Fiolo, que nunca vimos nem em revista nem na TV. Era só de ouvir falar. Cara, ser nadador antigamente não era mole. E passando por tudo isso, ainda tinha que nadar rápido!

      • rcordani
        11 de agosto de 2014

        Opa, Aécio, fica devendo a explicação sobre o teste de Mantoux. E o Fiolo, não aparecia nas competições de caráter nacional?

      • Aécio Amaral
        15 de agosto de 2014

        Não consegui continuar após a tréplica do Cordani, então vai aqui mesmo….. Nós éramos nadadores infantis ainda, e o Fiolo devia nadar só os “absolutos”, onde nunca fomos. O tal teste de Mantoux era mais ou menos assim: O responsável pelo exame fazia um pequeno “ferimento” no ombro da gente e aplicava um produto na ferida. Conforme a reação alérgica de cada um seria possível detectar a Tuberculose….. É mole? Sem o teste de Mantoux, nada de entrar na piscina. Isso era a cada seis meses.

      • Aécio Amaral
        15 de agosto de 2014

        OOppsss de novo! O meu comentário entrou na sequência certa.

      • rcordani
        16 de agosto de 2014

        Inacreditável o teste de Mantoux!

  2. Luiz F. T. Carvalho
    11 de agosto de 2014

    As regras também mudaram. Na época a cabeça tinha que ficar acima da linha da água. Essa regra provocou uma mudança na posição do corpo, e o estilo hoje ficou bem diferente. Ótimo artigo! Abraço aos amigos!

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Grande abraço ao recordista na ocasião.

      E quanto à regra, veja o comentário respondido para o Aecio (acima).

      Uma coisa que teve da arbitragem foi o lance do Salinas, explicado nesse post.

      Abraços e um dia desses vou publicar sobre esse seu recorde.

  3. Miyahara
    11 de agosto de 2014

    ontem meu cunhado comentou sobre um aritogo que leu sobre atletismo e disse que a grande melhora dos tempos tb se deu pela tecnologia das pistas, então posso colocar mais um item ai que é a própria piscina e as raias “anti-marola”…

    ótimo artigo!

    vamo que vamo!

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Mencionei a melhora da piscina en-passant, mas de facto deve ter uma boa diferença. Aposto também que aquele chão do Ibirapuera meio rugoso foi substituído!

  4. Ricardo Firpo
    11 de agosto de 2014

    Como sempre, vou ser prolixo (ou pro-lixo)….
    Não tenho como lembrar destes resultados como vc, mas como ex-velocista, gostaria de uma comparação das provas de 100m – livre e golfinho, que sempre me pareceram potência pura! Sei que tb tiveram diferença, mas seriam tb significativas?
    Também concordo que certos aspectos do esporte de competição mudaram muito….
    Quanto a IDADE, não sei se a diferença entre 1990×2014 seria assim tão alta – talvez a diferença seja no tempo em que o velocista continua dando aqueles tempos. Lembre-se que já em ’90 começa a época dos patrocínios mais significativos, e o nadador pode se preocupar mais com treinos. Naquela época, ainda que eu já estivesse meio de saco cheio com treinos, tive que optar por um bom estágio na faculdade.
    Já quanto a ALIMENTAÇÃO, enquanto vc tomava Cebion e supradyn, eu tomava Targifor e slow-k. E o meu almoço de sábado (antes das competições) continua o mesmo até hoje: o que tiver de bom na panela, seja macarronada, filé a parmeggiana ou qualquer outra coisa parecida com o almoço de domingo.
    Nos treinos, a minha quilometragem também era muito alta… há uns dez anos, eu estava falando com o “peixe” (Marcelo Cruz) numa competição de master, e ele me disse que o que fazíamos na época dos treinos era totalmente ultrapassado, e que os atuais nadavam bem menos, estando muito mais preocupados com técnica. E não quero te gozar, mas eu fazia 12-14km por dia!
    E eu adorava musculação! E lá no VG, quase todos os velocistas levantavam TODO o peso no legpress! Aliás, minha série era 3x30repet, com tudo+20kg! Hoje, aos 47, a minha série na academia é 3x30x200kg… Sem muitos problemas aos 130kg, contra os 85 da minha época….
    E ainda se usa o extensor fora da água???
    E por último, a minha saída, mesmo para prova de velocidade, era com o pé atrás! mas eu fazia isso não como hoje. O problema foi o seguinte: eu era muito pesado e sempre “escapava” ou desequilibrava segurando o bloco com as duas mãos e pés na frente.
    Por isso, com o pé atrás, dava mais equilíbrio – mas na época eu jogava o corpo para trás para tentar uma impulsão mais alta. O problema era uma saída lenta, mas tentava compensar com um aproveitamento melhor. E me livrava de ser desclassificado – melhor atrasado do que chuveiro! isso lá em ’85.
    p.s.: explicar que a minha sunga era de “papel” para os amigos de escola ficava parecendo que eu chegava da prova peladão!!!!!!!

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Sim, Firpo, é verdade, os velocistas gostavam mais de “fazer peso”, ou “puxar ferro” do que nós, os meio-fundistas.

      Meu máximo de treino foi 16.000 (1987) mas nessa temporada de 1989 (com TB em 1990) era muito comum semanas inteiras com treinos de 12 mil todo dia, de segunda a sábado, competição no domingo e retorno aos 12 mil na segunda. Insano!

      • Ricardo Firpo
        11 de agosto de 2014

        Rapaz, era por isso que eu era velocista…… Numa clinica no Fluminense, inventaram de dar um treino de 10k, numa quarta. Era muita volta para minha cabeça com cérebro animalesco. Não apareci mais….

      • Ricardo Firpo
        11 de agosto de 2014

        Sempre disse que os fundistas eram mais inteligentes que nós, velocistas…. mas fazer um treino desses – vc tem minha admiração!!!! Aliás, nadar 1500 e 400 med exige um grau de dedicação absurdo…

      • rcordani
        11 de agosto de 2014

        Sem dúvida nenhuma que os velocistas eram menos inteligentes 🙂

  5. Beatriz Nantes
    11 de agosto de 2014

    Muito bom. Fico me perguntando como vai ser daqui a 14 anos…

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Uma hora a velocidade de melhora vai ter que cair, né Beatriz?

  6. marcelo rocha predolim
    11 de agosto de 2014

    Sensacional , retrato exato das diferenças, só acrescentar que lá atrás , poucos tinham piscina aquecida , parabéns !

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Verdade Predolim, vocês do interior tinham esse problema em meados da década de 80, mas dentre esses oito aí acima em 1990 eu creio que esse fator (piscina fria) não ocorria mais!

  7. Ruy Araujo
    11 de agosto de 2014

    Bom artigo, mas mudaria a ordem de importancia. Acho que treinamento (aliada a evolucao da tecnica) é o primeiro, seguido de alimentacao. Quando morava no Projeto futuro, o pessoal de atletismo vinha perguntar como havia sido meu treino. Falava “nadei 10 mil hoje” e eles respondiam “caramba, nós corremos isso hoje”. E nao preciso dizer qual treino era mais eficiente. E falar em estimulantes para a prova, me lembro do lelo chamando o pessoal para tomar um café 1 hora antes da prova. Hoje neguinho toma pilula equivalente a 20 doses diarias para treinar apenas.
    Definitivamente era um esporte amador naquela época.

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Sim, verdade, esporte mais amador que hoje, mas se comparássemos ao Orselli por exemplo (que parou em 1970) , éramos profissionais! E será que em 2039 (daqui a 25 anos) esses aí de 2014 serão considerados profissionais?

  8. Lelo Menezes
    11 de agosto de 2014

    Todas essas razões citadas pelo Renato fazem diferença sem dúvida, mas pra mim são 3 as que realmente mudaram o patamar do nado de peito. A primeira é a força. Como éramos magros e fracos! Impressionante como não tínhamos a noção de que o estilo peito requer muita força. Outro dia achei minha avaliação física de 1990. Eu tinha 1,83cm e pesava 63kg. Era um etíope praticamente! A segunda é tão importante quanto a primeira e são as 500 drogas (lícitas) que todo mundo toma hoje em dia. Como bem frisado no texto, na nossa época era viver de feijão e arroz e perto da competição: Macarrão. A terceira é de fato a mudança do estilo e não estou falando daquele ondulado que veio com Joseph Szabo na década de 90 e que me fez trocar minha técnica num processo demorado, mas sim o estilo atual, curto, bem diferente do estilo alongado da década de 1990.

    Ahh, e esse bronze aí foi bem legal. Minha primeira medalha de TB! Pena que esse tempo hoje é tempo de mulher! kkkkkkk

    • Lelo Menezes
      11 de agosto de 2014

      Alias, para futura referencia, direi que meu melhor tempo de 200m Peito na longa foi 2’13’28 (me reservando o direito de divulgar ou não que esse tempo é estimado no potencial de bronze do TB nos dias de hoje). kkkkkkkk!

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Sim, Lelo, um item importante do treinamento de hoje (e caro também) é a “suplementação” alimentar, mas a frequência de alimentação também é importante e a gente não fazia corretamente. Acho que a gente se beneficiaria bem de um gatoradizinho durante os treinos, né?

  9. Rodrigo M. Munhoz
    11 de agosto de 2014

    Gostei muito desse texto e dos comentários que está gerando. Muto bom, Renato! Ainda bem que vc não fez a comparação com 100 peito ou eu me sentiria ainda mais PEBA.
    Acho que tem mais um ponto, talvez relacionado com a “idade”… Noto que os nadadores finalistas de TB hoje são bem mais profissionais e em grande parte vivem de verdade de natação, algo impensável em nossa época para quem não era Top Olimpico. Sem entrar no mérito se isso é bom ou ruim para a vida do cara, acho que botam mais foco na natação que a gente… Difícil de imaginar, eu sei, mas provavelmente fato.
    Abraço!
    Munhoz

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Mais foco e durante mais tempo, tipo OITO anos a mais de foco, imaginou?

  10. Ruy Araujo
    11 de agosto de 2014

    Natação profissional + creatina. Quando parei de nadar, estava começando a aparecer creatina e isso ajudou a prolongar a carreira de alguns de nossa época. Cheguei a tomar 6 meses de creatina no master e era incrível a diferença que fazia em aguentar o treino. Talvez quem tenha começado a tomar creatina “depois de velho” poderia escrever se realmente ajudou a adiar a aposentadoria.

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Creatina apareceu no final da década de 90, será que hoje em dia o pessoal ainda toma? Vai ver, já está ultrapassado!

  11. Coach Alex Pussieldi
    11 de agosto de 2014

    Sensacional! Até postei uma chamada para este post, muito bom mesmo. Parabéns Cordani.

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Obrigado Coach, como sempre ajudando a gente.

  12. Marina Cordani
    11 de agosto de 2014

    Muito legal! E, como disse a Beatriz, como será no futuro? Quanto mais conseguiremos melhorar (não nós, os pebas, os atletas do futuro!)? Qual o limite humano?

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Difícil imaginar que vão continuar melhorando sempre, alguma hora isso aí deve estabilizar, ao menos em parte, né?

  13. Leonardo Ribas Gomes
    11 de agosto de 2014

    muito bom o texto Cordani, ainda que os 200 tetas estejam longe de ser a prova mais importante… hehe. Realmente éramos muito amadores naquela época. Gostaria de ver essa comparação no costas, este sim o estilo mais importante da natacao… abs

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      O estilo de costas era muito bom mesmo, bom para o pessoal de peito descansar e alongar para as próximas provas! Se bem que ultimamente eu tenho nadado mais costas, principalmente para ganhar uns gatorades do Barrão! Por sorte, daqui a quatro meses eu mudo de categoria e fujo do sr!

  14. jorge fernandes
    11 de agosto de 2014

    boa…concordo com os 10, fazendo adendo em alguns:
    1) certo que os velocistas gostavam de puxar um ferro mais pesado, mas o principal nisso foi que as técnicas conseguiram transferir boa parte dessa força adquirida, para os treinos e por conta disso os tempos nas competições foram melhorando constantemente;
    2) voce falou que 10km era muito… na minha época era pouco… kkk… quando no brasil treinava por baixo, uns 14km (quando o treino era sómente 1 vez, batia os 8km), sem contar corridas e trabalhos de peso… e aí entrava a dificuldade de transportar toda a carga adquirida nos treinos fora d´água para dentro (complementando assim meu item nº 1);
    3) acho que o surgimento dos torneios “Grand Prix”, e consequente premiações, ajudaram em muito a evolução dos tempos de forma mais acelerada, pois o atleta, com as novas técnicas de treinamento, acabava conseguindo ter 3 a 4 picos dentro da mesma temporada, pois competia forte, obtendo excelentes tempos com treinos fortes… tipo esticando uma borracha… qto mais tempo voce conseguir segurá-la no limite, voce acaba sempre conseguindo que ela estique um pouco mais… e assim vai…

    agora… devido a excelencia desse blog, sinto-me obrigado a engolir em seco e meio repugnado quando dizem sobre uma tal prova nobre da natação, de um estilinho mequetrefe… kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    abraços a todos…

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Sim, tinha essa, a gente dava um “pico” principal por ano e outro secundário no meio do ano! Hoje em dia são 5, 6 por ano. Mesmo em ano olímpico nego “raspa” algumas vezes antes da olimpíada.

      Agora, a competição parava para ver os 200 peito, isso eu lembro bem! Haha.

      Grande abraço

  15. Patrick Winkler
    11 de agosto de 2014

    Cordani,
    Excelente Texto

    Em todos os pontos, foram modificações que ajudaram na performance do nadador.
    Mas houve modificações que deixaram a natação mais lenta (mas pelo bem da modalidade a FINA agiu corretamente).

    Submerso
    Na decada de 80 o norte americano David Berkoff assombrou o mundo ao nadar 35 metros submerso e foi recordista mundial da prova. Na seqüência a FINA limitou em 15 metros

    Queimar
    Ainda na decada de 80/90 a saída da natação podia ter 2 queimadas e só na terceira vez que o nadador era desclassificado.

    • Ricardo Firpo
      11 de agosto de 2014

      2 queimadas se o juiz não achasse que vc estava de sarro com a cara dele…. Cansei de me botarem para fora loga na primeira…..Ah, estou te ouvindo na rádio. parabéns!

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Podicrê, Patrick, os 100 costas na olimpíadas de Seul foram ridículos, dava a saída, a gente ficava olhando sem ver quase nada, os caras apareciam para dar a virada e reapareciam no finzinho da prova.

      E essa da saída também foi uma boa, era horrível quando alguém queimava uma, duas, etc.

  16. Samuel Tocalino
    11 de agosto de 2014

    Renato, muito legal!
    Um aspecto lateral desse post: sempre que eu vejo essas comparações de tempo e performance através das décadas, o que me vem a cabeça é o que o Vladimir Salnikov fazia na década de 80.
    O RM dele de 1982, 14:56, daria (com todos os fatores acima atuando contra ele) final olímpica em Londres 2012!
    Os recordes dele sempre me impressionaram demais.
    Abs

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Alguns tempos duraram mais do que outros, o Salnikov foi um, o Ian Thorpe é outro, a Janet Evans, e outros absurdos por aí. Esses são os monstros dentre os monstros!

  17. Vreco
    11 de agosto de 2014

    Acho interessante tb uma comparacao c os tempos em outras idades. Acho q comparando mirins, petizes e infantis de hj c 30 anos atras a dif seria bem menor. Pelo menos a gente passa menos vergonha, hehe. Outro dia tava fazendo um exercicio de comparacao e vi q os tempos de uma final de brasileiro juv A q participei estavam semelhantes c garotos de 14 anos hj (1 ano a menos q na epoca), isso na prova nobre da natacao os 100L. Bacana o post Renato.

    • rcordani
      11 de agosto de 2014

      Nas categorias menores alguns recordes ainda permanecem, veja esse post antigo do Charlão.

      Agora, os 100 livre sempre foram superfaturados e superinflados, é um absurdo existir revezamento de 4×100 Livre e não 4×200 Peito por exemplo!

      • Ricardo Firpo
        12 de agosto de 2014

        vai matar a torcida de tédio….. Mas tirando a brincadeira, o que eu achava legal do peito era com a torcida fazendo barulho. Era um barulho enorme quando subia, contrastando com aquele silêncio da braçada. E o barato de ouvir a respiração dentro da cabeça? Será que só acontecia comigo?

      • rcordani
        12 de agosto de 2014

        Ouvir a respiração dentro da cabeça? Isso aí eu não fazia não!

  18. Omar Gonzalez
    12 de agosto de 2014

    Muito boa essa materia,e uma soma de coissas que ajudarom na melhora dos resultados,acho que a posibilidades de ganhar dinheiro com a Nataçao tbm tv sua ajuda,antes eram poucos hj rola muita grana e disso todos gostamos,abs

    • rcordani
      12 de agosto de 2014

      Sem dúvida, Omar, com certeza o dinheiro é que faz os caras ficarem tanto tempo nadando, né?

  19. Fernando Cunha Magalhães
    12 de agosto de 2014

    Cordani, meu caro,
    achei o texto sensacional.

    Tópicos bem explorados pelos comentários anteriores, mas faltou um… quando vejo os caras de hoje, tenho forte convicção que se eu treinasse nos dias de hoje, com os recursos de hoje, estaria entre os melhores e com tempos muito abaixo dos que fiz anos atrás.

    • rcordani
      13 de agosto de 2014

      Valeu Esmaga, sabe que eu não tenho tanta certeza disso? Acho que eu seria peba mesmo…

      Uma coisa quase certa é que se eu vivesse em outra época eu seria nadador de 400 medley, e não de 200 peito. Ainda hoje meu tempo de 400 medley é índice para Maria Lenk, já meu tempo de 200 peito não.

      • Fernando Cunha Magalhães
        21 de agosto de 2014

        O ingrediente comportamental, pré-requisito para se chegar lá, nós tínhamos na nossa época e teríamos hoje.

        As atuais ferramentas para desenvolver o talento dos atletas estariam a nossa disposição. Por isso, minha crença.

  20. Christian
    13 de agosto de 2014

    Cordani ,
    Hoje em dia, além de toda a tecnologia mencionada, que engloba todos os aspectos, existe a busca da qualidade extrema de cada braçada. Por exemplo: os meus nadadores de borboleta só podem nadar borboleta com estilo de competição , se vejo que a qualidade técnica diminuiu , eles não tem direito de continuar nadando . Se peço um tempo e eles não alcançam , são convidados a tentar no outro dia.
    Dois pensamentos : O impossível é a soma dos possíveis, e um estilo nadado erradamente pelo cansaço não serve para nada!

    • rcordani
      13 de agosto de 2014

      Excelente contribuição Christian, obrigado.

      E é inevitável imaginar quantas braçadas ruins desperdiçamos durante nossos treinamentos antiquados! Eu me lembro que tipicamente a minha braçada de peito só encaixava no polimento, ou seja, TODO o período de treinamento era feito com técnica totalmente diferente daquela da competição!Segundo o seu comentário, praticamente nossos treinos não serviam para nada… ao menos a gente emagrecia (veja a foto) – hehehe.

      • Luiz F. Carvalho
        14 de agosto de 2014

        Concordo. Muito pouco do treinamento era feito a 100%. Fiz muitos 10x400m peito, pouquissimo intervalo…

    • Samuel Tocalino
      13 de agosto de 2014

      Como eu ouvia nos meus treinos de Judô: “A prática não leva à perfeição. A prática perfeita leva à perfeição.”

      • rcordani
        14 de agosto de 2014

        Boa, uma pena não termos aplicado isso aí antes…

  21. Éder Luiz Martins
    14 de agosto de 2014

    Cordani boa noite. Acho que está realmente bem explicado as mudanças. Porém existe uma questão difícil de discutir que é o doping. Sabemos dos casos clássicos das Alemãs Orientais; por exemplo fiquei sabendo que Petra Scheinder, recordista durante anos dos 400mts medley hj precisa de ajuda para não morrer pq seu fígado não funciona. Aliás sobre esse assunto algo que nunca me convenceu foi atribuir em 1976 a vitória das americanas no revezamento 4×100 livres a apenas sua própria determinação. Como só determinação consegue ganhar de dopadas????? Mas gostaria de sugerir que a mudança na medicina esportiva, capaz de recuperar atletas em tempo recorde tb contribui para essa revolução, além é claro da pesquisa genética: Ian Thorpe e Inge de Brujin que o digam. Parabéns.

    • rcordani
      15 de agosto de 2014

      Valeu Éder.

      Sim, o doping, mas preferi deixá-lo de fora (1) porque naquela época também existia (vide Alemanha Oriental e etc) e (2) porque não tenho nenhuma evidência de que os finalistas de ambas as provas (1990 e 2014) tomaram alguma coisa, ao contrário.

  22. Pingback: Os Campos de Provas Éramos Nós « Epichurus

  23. Raul Crespo de Magalhães
    18 de agosto de 2014

    Tenho uma história boa sobre alimentação. Minha mãe costumava preparar o lanche na janta. Quando eu chegava muito cansado do treino, ela ficava com pena e preparava os mistos quentes. Nada muito elaborado: pão de sanduíche branco, manteiga, presunto e queijo. A medida que eu fui crescendo, o número de sanduíches também. Comecei com “apenas” 5, e foi aumentando (sempre de 2 em 2, mania esquisita que tenho até hoje. Comprar dois CDs, duas calças, comer duas frutas, enfim…). No dia do meu auge, pedi e devorei, pra surpresa de todos, 11 sandubas, na boa. Hoje eu olho pra um saco de pão e dou risadas do absurdo. Com certeza, uma alimentação mais variada me ajudaria a recuperar melhor as forças. Todo mundo que nadou tem histórias como essas, com rodízios de pizza e por ai vai. No meu caso, dei azar de ter um colega da escola indo até a minha casa na noite dos 11 mistos. Claro que ele não entendeu nada, claro que ele achou tenebroso. E claro que eu virei chacota no colégio. rsrs

    • rcordani
      18 de agosto de 2014

      Boa Raul, todo mundo da nossa época tem histórias desse tipo. 11 sandubas o pessoal deve comentar até hoje! Meu feito mais notável foram 25 pedaços de pizza, veja aqui.

      • Raul Crespo de Magalhães
        21 de agosto de 2014

        ahahahaha. 103 pedaços é incrível! Coitado do dono da pizzaria.

      • Ricardo Firpo
        21 de agosto de 2014

        Infelizmente, isso ainda parece pouca coisa…… Eu já tinha tentado te falar disso aqui, mas o comentário não saiu.
        Lá me ’86, o Vasco fazia um treino na praia do Leme às segundas. E, às vezes, o pessoal ia comer num rodízio ali pertinho. E quase sempre, rolava uma competiçãozinha de quantidade. Como nessa época eu me recuperava de um acidente, eu mesmo não vi isso, mas contavam que o número era uma coisa meio anima. Tiravam o Marcão Veiga (hoje técnico) da competição pq parece que ele “estava um degrau acima” de todos, pois comia 36 meros pedaços. Ao que parece, sem muito esforço.
        A seguir, vinha uma galerinha com 32 pedaços para baixo…. Tirando o Durval Monteiro (hoje Juiz da Farj) que era mais parrudo, os comilões eram todos magrinhos. Tipo o Marcelo Gonzalez e o Marcio Rego – um fundista e um nadador de costa!!!!
        Hoje, eu tenho mais de 100kg e não consigo fazer isso!

      • rcordani
        22 de agosto de 2014

        Podicrê, a gente que é paulista também ia nesse rodízio de pizza do Leme aí! E em São Paulo, íamos em uma de qualidade assaz inferior, o Grupo Sérgio.

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Publicado às 11 de agosto de 2014 por em História da natação, Natação e marcado , , , .
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