Epichurus

Natação e cia…

Milhões desperdiçados, gestão pífia, declarações infelizes, poucas crianças na água, acusações de desvios: e nós, o que podemos fazer?

No início de 2013 escrevi aqui mesmo no Epichurus um texto (este) que teve bastante repercussão. Foi muito bom perceber o apoio de muita gente para a tese que eu estava defendendo, foi legal e tals, mas não adiantou nada, e sabem por quê? PORQUE A ELEIÇÃO JÁ TINHA PASSADO, não houve oposição e (mais uma vez) o sr. Coaracy Nunes foi eleito.

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Belas palavras do nobre candidato em 1984.

Aí o cidadão incauto vai dizer: “ah, mas se não teve oposição é porque está todo mundo satisfeito com a gestão, né?”. Errado, vamos por partes.

Satisfação com a gestão? A gente vê por aqui:

Decepção. Essa é o sentimento da natação brasileira ao final das competições no Jogos do Rio de Janeiro. O Brasil deixa a competição sem nenhuma medalha conquistada, algo que não acontecia desde Sydney, em 2004. E, pior, isso acontece depois de um investimento histórico no esporte. Um investimento de mais de R$ 122 milhões, para ser mais preciso.

Antonio Strini, da ESPN não está satisfeito (link):

Temos que ser humildes em admitir que o investimento não está sendo bem feito. O benefício do Bolsa Atleta, o contrato dos Correios, os treinamentos na altitude no Arizona (EUA) e México, as competições no exterior parecem não servir mais. Essa fórmula visivelmente está ultrapassada e temos que ir além. Temos que reorganizar, reinventar, só assim ficaremos livre da “sorte” de aparecer um talento para nos iluminar com uma medalha. Nós ainda falamos de Ricardo Prado, Gustavo Borges, Fernando Scherer, Cesar Cielo e Thiago Pereira. Vivemos de um passado esperando que a sorte apareça em um futuro breve.

Henrique Barbosa, nadador olímpico e atual recordista sulamericano dos 200 peito e 4×100 4 estilos, também não está satisfeito (link):

Não estou aqui exigindo medalhas. Estou, sim, pedindo que Ricardo de Moura preste contas de sua gestão, recheada de muito dinheiro público, que promova amplo debate para saber o que foi feito certo e o que não foi. Torcida e calor humano não sugam Milhões de dinheiro público.

Alberto Murray, ex membro do COB e da Corte arbitral do COI, tampouco está satisfeito (link).

Voltei

Opa, alguém falou em Ricardo de Moura? Vamos ver a prestação de contas que ele nos concedeu um dia antes do final das provas olímpicas da natação.

Então é isso. Ricardo de Moura, o atual candidato da situação, aquele que comandou o orçamento milionário e apresentou resultados pífios disse que tudo bem, o importante é a galera! Foram cento e vinte e dois milhões (sem contar 2016) e o legado é o calor humano do público, o qual forjado em cima de ídolos estrangeiros, como Phelps, Ledecky, Peaty e Katinka. Oi?

E sobre as competições da CBDA? Nesse ano (que não houve brasileiro de categoria) foram gastos – atenção – 739 mil reais para executar apenas uma competição, o Maria Lenk, sendo que desse gasto apenas os itens “Serviços de Terceiros” somados a “Outras Despesas” totalizam R$ 350 MIL REAIS. (aqui) Entidade nenhuma do mundo poderia apresentar um gasto de 350 mil reais sem discriminação. A CBDA, que usa maioritariamente dinheiro estatal, pode?

Vamos falar das outras modalidades, afinal a CBDA abarca cinco delas: as águas Abertas tiveram o alento do sensacional bronze olímpico obtido pela Poliana Okimoto, mas nem o mais ferrenho apoiador da atual gestão (os há?) diria que é mérito da CBDA. Além disso, tenho participado de travessias em nível nacional e vi de perto o DESERTO de participantes em geral e particularmente a ausência de novos talentos na categoria principal. No Pólo Aquático a coisa desandou: não vou entrar em detalhes, mas você pode ler mais sobre o imbróglio aqui, isso sem contar o absurdo de gastar milhões com atletas estrangeiros e velhos para compor a seleção olímpica, para fazer papel mediano em uma modalidade que não participávamos das olimpíadas desde 1984 (e pelo jeito vamos ficar mais 32 anos sem participar!). Nado Sincronizado e Saltos Ornamentais? Ambos à míngua em dinheiro, em participantes, em visibilidade.

E tem mais? Infelizmente tem. Some-se a tudo isso tudo o fato lamentável da investigação pelo Ministério Público Federal (aqui).

Enfim, é praticamente consensual: NINGUÉM AGUENTA MAIS ESSA GESTÃO DA CBDA.

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Esses óculos (U$300 cada) acabaram sendo mais uma papagaiada, e nossos atletas pioraram consistentemente à noite, ao invés de melhorar. Não era o caso de terem se preparado no horário para o qual as provas já estavam marcadas há mais de um ano, ao invés de usar esses óculos por apenas duas semanas?

 

Pois bem, voltando à pergunta inicial daquele cidadão incauto: então, se ninguém está satisfeito, como é que essa turma continua se reelegendo? Muito simples: os eleitores do presidente da Confederação são apenas os 27 presidentes das Federações Estaduais. Com mais de 30 anos de gestão de forma ininterrupta, e de posse da chave do cofre dos milhões (a maioria de dinheiro estatal), a Confederação conseguiu incutir MEDO nos estados, de tal forma que a situação foi se perpetuando. Eu não tenho provas, apenas relatos, mas digamos que, hipoteticamente, o presidente da Confederação ligue para o presidente de uma Federação falida de um pequeno estado (estão quase todas falidas, sem receitas e com pouca atividade), e diga “ou o sr vota na situação ou eu ferro com a sua Federação, e aliás, se você votar em nós eu te mando um computador novinho! Ah, e claro, sua credencial olímpica já está quase pronta!”. Multiplique esse esquema por quase trinta anos: o continuísmo prospera e os resultados… são os que vimos.

Mas não é só isso, ainda há as inacreditáveis manobras jurídicas. Para vocês terem uma ideia, nas últimas eleições a oposição SEQUER CONSEGUIU PARTICIPAR, pois a CBDA incluiu inadvertidamente e de última hora, sem avisar, uma cláusula nova em um alegado “Regimento Interno” e inexistente no estatuto segundo o qual a chapa de oposição teria que apresentar carta de intenção de cinco federações. Ocorre que o Estatuto está disponível no site (por lei), mas o tal Regimento Interno, ou seja, essa cláusula, não! (detalhes aqui). Essas manobras são infinitas, e por essas e outras que o Sr. Coaracy Nunes foi se reelegendo pelos últimos 28 anos!

Por fim, chegamos à atual situação desoladora em que nos encontramos, para usar palavras do então candidato de 1984. E só como um exemplo final, é estarrecedor acompanhar (leiam nesse post do Coach) a relação de Estados x Número  de atletas no Troféu José Finkel 2016, campeonato brasileiro absoluto, eliminatória para o mundial, competição que começa hoje:

São Paulo – 217 atletas – 61%
Minas Gerais – 44 atletas – 13%
Rio de Janeiro – 30 atletas – 8%
Rio Grande do Sul – 29 atletas – 8%
Paraná – 17 atletas – 4,7%
Santa Catarina – 12 atletas – 3,5%
Distrito Federal – 2 atletas – 0,05%
Espírito Santo – 2 atletas – 0,05%

Vejam os números acima: só OITO ESTADOS? Onde estão os outros DEZENOVE? Onde está o Nordeste, que já revelou Kaio Marcio, Ana Marcela, Joanna Maranhão e Edvaldo Valério, entre muitos outros? Onde está o Norte de Monica Rezende e Eduardo Picinini? E o Centro-Oeste, que já revelou Carlos Jayme? Será que só se pratica natação no Sul e Sudeste deste país? E olhem de novo a desproporção: 61% dos atletas estão em UM estado apenas, São Paulo, e vocês ainda acham “coincidência” que Gustavo Borges, Cesar Cielo e Poliana Okimoto sejam atletas da FAP? Bom, e se a natação está assim, imaginem os outros esportes…

Não quero cometer o mesmo erro de 3 anos atrás e tentar fazer algo apenas quando Inês já estiver morta. A eleição será nos próximos meses (não está claro como e quando pois a transparência não é o forte da atual gestão da CBDA), vai ter assembléia de mudança de regras eleitorais agora dia 28 de setembro e É HORA DE NOS MEXERMOS. O BONDE DA MUDANÇA VAI PASSAR, NÓS VAMOS PERDER MAIS ESSA OPORTUNIDADE?

Este espaço está aberto para discussão. Tenho algumas ideias, já expus algumas (É criança na água, estúpido!), e quero continuar na luta até a eleição. Tenho poucas armas, sou apenas um ex-nadador, não voto, não trabalho na área, não conheço nenhum presidente de Federação (fora São Paulo, claro), quer dizer, sou apenas um entusiasta dos esportes aquáticos que não aguenta mais ver essa situação sem poder fazer nada. Mas o que podemos fazer?

 

Sobre rcordani

Palmeirense, geofísico e nadador master peba.

50 comentários em “Milhões desperdiçados, gestão pífia, declarações infelizes, poucas crianças na água, acusações de desvios: e nós, o que podemos fazer?

  1. LAM
    12 de setembro de 2016

    quando Coaracy se apresentou como renovação os nadadores criaram a UNN que o apoiou na campanha por esta renovação… tenho absoluta certeza que nossos ídolos da época, que puxaram a galera, não se arrependem de sua iniciativa.
    por outro lado, tenho quase certeza de que eles queriam iniciar um processo que tornasse a gestão mais profissional e dinâmica, não simplesmente apear uma família do comando e substituí-la por outra.
    vou esperar, obviamente, que eles se manifestem por aqui e contem esta história para os mais novos.

    • rcordani
      13 de setembro de 2016

      UNN foi sensacional. Pena que os objetivos foram desvirtuados posteriormente…

  2. Lelo Menezes
    12 de setembro de 2016

    Não me preocupa tanta a falta de medalhas. Antes dos jogos olímpicos eu já sabia que nossa unica chance real era com o Fratus e mesmo assim seria uma “long shot”. Medalhas são consequência de um trabalho de longo prazo, algo que nunca foi feito no Brasil. Me preocupa o amadorismo dos nossos atletas em seus discursos pós prova, a falta completa de renovação da nossa natação que continua a mais velha do mundo, me preocupa o foco nas provas não olímpicas e no fraquíssimo e ultrapassado Panamericano, me preocupa a horrorosa forma de eliminatória para os jogos olímpicos. Enfim, fica claro que não basta ter dinheiro. A CBDA é realmente prova viva disso! Na minha época (década de 90) o Correios já liberava uma fortuna pra CBDA. O dinheiro sempre foi mal empregado, desde sempre! Não estou nem falando de desvio das verbas, que está sendo investigado, mas sim do investimento nos esportes aquáticos. O foco sempre foi nos (pouquíssimos) atletas de ponta e na cartolagem. Tudo errado! Nas competições internacionais de natação iam mais cartolas que atletas! Isso eu vivenciei em primeira mão. Alguns cartolas até trabalhavam, iam na piscina, dava pra ver que tinham comprometimento, Coaracy inclusive era um deles, assim como o Ricardo Moura, o Rodney Finizola, mas a gestão era amadora, focada nos talentos principais. Nunca tivemos incentivo ao esporte de base! Nunca! Na minha época, pelo menos, ainda tínhamos bons valores e bons clubes no Nordeste, Centro Oeste e Interior de SP. Hoje só de Minas pra baixo e só nas capitais. A natação depende dos grandes clubes…

    Precisamos dessa renovação já! Conte com meu apoio. Só que precisamos de uma renovação estruturada, profissional, focada em desenvolvimento dos esportes na base. O resultado virá, no médio e longo prazo, mas virá! O que não podemos mais aceitar é mais um mandato dessa turma que está aí, como também não podemos aceitar um mandato similar. Precisamos de uma gestão profissional e competente pra ontem!

    • rcordani
      13 de setembro de 2016

      Boa Lelo, e digo mais, se houver massificação provavelmente o resultado virá, mas nem isso é preciso. A massificação em si já é o mais importante, as medalhas são apenas o efeito colateral.

  3. laurivalshita
    12 de setembro de 2016

    Caro Renato,

    Infelizmente não acho possível tirar um destes amigos do Nuzman do comando das confederações Olimpicas, ninguém fica 30 anos no poder sem ter montado um muro de proteção da altura da lua.

    Não é a toa que o Nuzman vai novamente ser eleito sem oposição mesmo depois de uma participação muito aquém da prometida no Rio2016.

    Acho que a única chance de mudar este quadro é através do trabalho da LJ mas torço para estar errado e que finalmente tenhamos crianças na água.

    Noto porém que os atletas de ponta não parecem nem um pouco insatisfeitos com a atual situação o que no mínimo enfraquece a sua posição oposicionista.

    Boa sorte

    • Eduardo Hoffmann
      12 de setembro de 2016

      Laurival, quando o dinheiro secar (veja meu post abaixo), os atuais atletas de ponta podem vir a “acordar” numa nova realidade… E isso não vai demorar para acontecer…

      • laurivalshita
        12 de setembro de 2016

        Caro Hoffmann, concordo absolutamente com tudo que você escreveu mas como a eleição vai ser no final do mês o mais provável é que o candidato do Nuzman seja eleito através de alguma chicana juridica ou política.
        Na minha opinião a chance da oposição vencer é ZERO e acho até que isto é uma sorte pois quem assumir a CBDA vai estar assumindo uma bomba provavelmente muito maior do que nós imaginamos.
        Quem vai perder logicamente é a natação que vai ter que tomar vergonha na cara e começar a eleger gente honesta e capaz.

      • Eduardo Hoffmann
        12 de setembro de 2016

        Laurival, se entendi bem, das leituras anteriores, o que vai ser realizado ao fim do mês é a AGE, para alterações de estatuto, e de regimento… A data da eleição, em si, ainda será determinada…devendo, obrigatoriamente, ocorrer até Março de 2017. Além disso, com o MPF lá dentro, investigando, trazendo toda essa publicidade negativa, e grandes incertezas, duvido que escolham marcar as eleições logo. Haveria maiores benefícios para a situação em adiar as mesmas. Ganhar tempo… Por outro lado, esse “ganhar tempo” faria a nova realidade, de “vacas magras”, de dificuldade em obter novas fontes de receita (especialmente devido ao efeito negativo das investigações do MPF sobre qualquer tentativa de obter patrocínio) ficar cada vez mais explícita. Uma espécie de “sinuca” para a situação…

        Note que não estou nem levando em consideração que o MPF pode vir a encontrar elementos para a oferta de denúncia ao Judiciário, no curto prazo, o que, por si só, já representaria uma mudança tectônica de equilíbrio de forças… Mas isso é com o MPF.

        Não tenho dúvida que qualquer chapa de oposição enfrenta grandes obstáculos para ter sucesso. Entretanto, dado todo esse quadro, e de forma bastante realista, acredito que as chances de uma chapa de oposição vencer são muito maiores do que zero. E são crescentes… Isso não deve estar passando despercebido por parte dos presidentes de federações… Devem estar avaliando suas posições de forma muito mais cuidadosa do que em ciclos eleitorais anteriores.

        Quanto a assumir uma bomba, eu concordo. Haverá uma herança nada bendita a ser reestruturada… mas isso, até pelo bem dos esportes aquáticos, é bom que fique nas mãos de uma nova gestão. Uma gestão de continuidade (assumindo que o MPF não a inviabilize), teria baixíssimas chances de fazer o ajuste fiscal, a reforma administrativa, e outras mudanças de gestão imprescindíveis para salvar o futuro.

    • Eduardo Hoffmann
      13 de setembro de 2016

      Laurival, pelo que entendi, do que li, no fim do mês o que haverá é uma AGE, para mudanças no estatuto e regimento (inclusive, há mudanças exigidas pela legislação). As eleições, em si, ainda serão marcadas… obrigatoriamente para ocorrerem antes de Março de 2017. Dada a grande publicidade negativa das investigações do MPF, talvez haja um incentivo, por parte da situação, em “ganhar tempo”, marcando as eleições mais para a frente…pra ver se a poeira abaixa… Entretanto, quanto mais tempo passar, mais explícita ficará a nova fase de “vacas magras”, com a secura de recursos… É uma bela “sinuca” pra eles.

      Fora a possibilidade do MPF encontrar elementos comprobatórios de irregularidades, e oferecer denúncia ao Judiciário, o que provocaria mudanças tectônicas no cenário todo… Isso pode acontecer em prazo mais curto, o que seria decisório para o resultado das eleições, ou não, em cujo caso, permaneceria a “nuvem de suspeita”, que dificultaria a busca de patrocínios, por parte de uma gestão ainda sob investigação…

      Dado esse complexo quadro, eu acredito que os presidentes de federações devem estar analisando cuidadosamente o que fazer… Essa não é uma eleição como as anteriores… E, nesse cenário, podem muito bem concluir que lhes é mais interessante votar na oposição.

      Portanto, tenho que discordar da sua afirmação de que as chances de vitória da oposição seriam zero. Isso pode ter sido verdade até as últimas eleições, mas não vejo o quadro como sendo o mesmo. Acho que há chances palpáveis de vitória da oposição, desta vez.

      • laurivalshita
        21 de setembro de 2016

        Caro Hoffmann, obrigado por esclarecer que agora é uma AGE e não a eleição. Neste caso concordo que as chances da oposição são reais principalmente que o MP parece que já encontrou o caminho das pedras.

        Se esperarem muito para fazer a eleição periga nem ter candidato da situação…

    • rcordani
      13 de setembro de 2016

      Laurival, o Hoffmann está correto, no dia 28 de setembro tem uma assembleia extraordinária na CBDA, na qual serão ratificadas as regras eleitorais. A partir da assembleia tem um prazo mínimo para a realização das eleições, acho que são 60 dias. Então a eleição mesmo deverá ser entre o final de novembro e março.

      A dúvida é se haverá chapa de oposição. Da última vez, o Coaracy conseguiu impedir com manobras do tipo da que mencionei no post. Será que ele consegue barrar a existência da oposição de novo? Tentar ele certamente vai…

    • Eduardo Hoffmann
      13 de setembro de 2016

      Meu comentário saiu duplicado, pois ontem, quando tentei publicar, parecia ter ocorrido falha… E não apareceu no blog… Agora, vejo que ambos saíram publicados… Ficou repetido, com textos ligeiramente diferentes… Paciência.. .

  4. Eduardo Hoffmann
    12 de setembro de 2016

    São vários os pontos levantados aí acima, mas eu gostaria de concentrar meu comentário sobre dois, que estão relacionados: (1) o novo ambiente, que se anuncia, de “funding” para o esporte, e (2) a necessidade de alta eficiência de gestão, sempre muito desejável, mas que se torna imprescindível, nesse novo ambiente de “funding”.

    (1)

    A situação econômico-financeira dos Correios é catastrófica. O prejuízo estimado para 2015 é de 2,1 bilhões de reais, mais aproximadamente 700 milhões de prejuízo na primeira metade de 2016… A situação do caixa da empresa é terrível, e o mercado acredita que o caixa vá “secar” antes do fim de 2016, levando à necessidade de empréstimo emergencial, para pagamento de funcionários e fornecedores. Essa situação se repete em praticamente todas as empresas estatais, tradicionais patrocinadoras do esporte.

    Nessa nova realidade, é possível ver que, no futuro haverá grande redução de recursos alocados por parte dessas estatais, para o incentivo/patrocínio do esporte.

    Isso leva a crer que será fundamental buscar patrocínio por parte de empresas privadas, pois, mesmo tendo sendo essas, também, extremamente afetadas pela seríssima crise pela qual passamos, ainda estão, de forma geral, em situação muito melhor do que as estatais…

    Pois é aí que a “coisa pega”… Especialmente nesses tempos de grande atividade por parte da PF, do MPF, e do Judiciário Federal, o grau de importância de boas práticas de “compliance” foi ampliado. Há necessidade de muito mais transparência, e de reputação absolutamente acima de qualquer suspeita, para se passar no crivo da maioria das empresas privadas (e, crescentemente, até das estatais…).

    Será que essa investigação por parte do MPF, e a sua consequente “nuvem de suspeita”, conferem à atual gestão da entidade a capacidade de operar nesse novo ambiente de “fundraising”, muito mais exigente? Se essa investigação se alongar por muito tempo (como várias outras atualmente feitas pelo MPF), ou se resultar em denúncia ao Judiciário, o que será dos esportes aquáticos? Sem patrocínios, os esportes aquáticos sobreviverão?

    (2) Mesmo se houver uma substituição de recursos estatais, por recursos privados, é muito provável que essa se dê somente de forma parcial, ou seja, terá de ser feito “muito mais, com muito menos”, no futuro. Será importantíssimo operar com alto nível de eficiência de gestão, e baixo nível de despesas de “overhead”. Uma nova gestão da entidade vai precisar ser muito, mas muito eficiente… Um bom “benchmark” de eficiência seria a USA Swimming, que, de forma absolutamente transparente, disponibiliza, detalhadamente, suas fontes e usos de recursos, o que permite ver que opera com baixo grau de despesas de “overhead”. Os esportes aquáticos brasileiros precisam desse mesmo tipo de gestão. Feita em cima de um orçamento “base zero”. Sem gordura. E com “full disclosure”.

    • rcordani
      13 de setembro de 2016

      Boa Hoffmann, esse é o real legado da gestão. Não o calor humano da galera, mas a TERRA ARRASADA!

      Vai ser difícil para o próximo presidente, seja o de Moura, seja algum oposicionista. Mas se for nas bases que você preconiza, ou seja, gestão sem orçamento, sem gordura e com baixo overhead, é melhor que ganhe a oposição, pois esse certamente não é o estilo da turma que lá está há 29 anos…

  5. Ruy Araujo
    12 de setembro de 2016

    Ótimo post e ótimo comentário do Hoffmann. Os novos tempos já serão mais difíceis pelos desafios que o esporte deve enfrentar com restrição de investimentos e, sem mudança, a tarefa vai ficar muito mais árdua. O conceito de “sustentabilidade” que se busca passa não somente pela equação financeira mas, principalmente, pela gestão da natação brasileira. É preciso quebrar esse ciclo vicioso que se formou nas eleições da CBDA e se buscar nova relação entre as federações estaduais. Outros esportes (basquete, judo, se não me engano) também querem acabar com esse “modus operandi”. A chance de mudar a natação brasileira começa agora.
    Agora, uma reflexão que peço publicamente ao candidato da situação (Ricardo Moura?) se ler esse post:
    -Vale a pena brigar para se eleger e continuar tudo como está ou pior? Será que o lado pessoal seria muito prejudicado caso não ganhasse e/ou participasse da eleição?

    • rcordani
      13 de setembro de 2016

      É difícil entender tanta paixão por manter o poder, mas por outro lado com as investigações do MP de vento em popa nesse momento acho que a preocupação do Coaracy seja manter alguém da sua turma no controle, senão a coisa pode desandar, correto? Talvez seja por aí.

      • LAM
        15 de setembro de 2016

        esta parece ser a mesma tese da perpetuação no poder federal de um partido único, encobrir (ou corrigir) as mazelas (ou simples erros) das gestões anteriores

  6. Rodrigo M. Munhoz
    12 de setembro de 2016

    Boa, Renato. O encerramento de mais um ciclo olímpico deveria propiciar um ótimo momento histórico que poderia ser muito bem usado para a auto-crítica, reflexão e mudança. Infelizmente, já deu pra notar que o apego adquirido pela atual gestão não é pouco. O que me leva a pensar: A CBDA deve ser o melhor lugar do mundo… Entre os dois últimos presidentes apenas, há meio século de mandatos encadeados. Isso ou a confederação é muito ruim e ninguém quer essa bomba.
    Aliás, ironias a parte, não duvido que entrar na CBDA nessa época vindoura de vacas magras represente um desafio bastante complicado. Vai precisar de alguém não só fazendo um trabalho diferente, mas também com muita competência e visão estratégica. O que foi bom pra natação brasileira de ontem não vai garantir melhoras amanhã. Adicionalmente,como disse o Hoffmann, pra complicar, a grana acabou, Por fim, espero realmente que dessa vez tenhamos a possibilidade de caminhos alternativos, pelo bem do esporte e da democracia.
    Abraços!

    • rcordani
      13 de setembro de 2016

      Grato Munhoz, assino embaixo, e pra você que disse que a CBDA deve ser o melhor lugar do mundo também serve a resposta que dei ao Ruy.

  7. Fernando Cunha Magalhães
    12 de setembro de 2016

    Preocupo-me com afirmações do tipo “está tudo errado”…
    O técnico Ederley Scremin da Academia Gustavo Borges participou de um programa fantástico de desenvolvimento profissional promovido pelo COB que tem integração com a CBDA.
    Como resultado deste upgrade de capacitação, mudou as estratégias de treinamento aplicadas à equipe e os resultados são excelentes. A equipe está motivada e em crescimento.
    O processo de seleção para o curso foi sério, corpo docente e programa ótimos!
    Investimos na alimentação do nosso profissional durante os módulos que chegaram a levar três semanas. Os outros custos vieram do repasse de verbas de patrocínio.
    Logo, amigos, cuidado para não deixar que um péssimo hábito da classe política brasileira seja incorporado nesta causa: aquele de ter que pichar tudo porque se está ao lado da oposição.

    Aí podem me perguntar: está defendendo, então está do lado da situação?!?!

    Não, sou contra essa estratégia corporativista que perpetua grupos no poder. E acredito que o exemplo acima é uma demonstração de que podemos muito mais, investindo onde precisa ser investido.

    O objetivo principal do esporte, em minha visão é a educação. Desenvolver cidadãos com valores éticos apurados que reconheçam a importância de trabalho sério, persistência, foco, planejamento e entrega a uma causa com significado. Palmas para Flávio Canto!

    A massificação tem o poder de desenvolver uma sociedade e transformar vidas de forma consistente. É muito mais importante que medalhas olímpicas, que se vierem, serão muito bem vindas, mas que se não vierem, não tem problema.

    MUDA CBDA!

    • rcordani
      13 de setembro de 2016

      Excelente contraponto, você sempre muito educado. Concordo contigo que na parte de treinamento de alto nível houve avanços sim, principalmente até 2012. E já escrevi anteriormente bem sobre o Ricardo de Moura nessa área (aqui).

      A questão é que de entender de natação de alto nível para ser presidente e cuidar da gestão de uma confederação com 5 modalidades vai uma ENORME diferença.

      Por essas e outras, concordo com a sua conclusão final, expressa nas suas últimas duas palavras.

      • Fernando Cunha Magalhães
        2 de outubro de 2016

        Sim, sim, uma ENORME diferença.

  8. Ana Catarina de Azevedo Scherer
    13 de setembro de 2016

    Olá Cordani,

    Parabéns por iniciar a conversa bem “overdue”.

    Sou uma ex-nadadora Nordestina que teve sempre um “paitrocínio” e que escolheu sair do Brasil para atingir meus objetivos. Também tenho uma empresa bem sucedida e sou uma life/business coach que acredita no poder da visão clara do que se quer para poder atingir esse referido objetivo. Além dos meus “day jobs”, tenho o costume de assumir compromissos de trabalho estratégico e de arrecadação de fundos (fund raising) com ONG’s. Digo isso para contextualizar o que segue.
    Aprendi com minha carreira de nadadora, empresária, life coach e voluntária que a coisa mais importante para uma pessoa ou para uma organização ser vitoriosa é ter uma visão clara do que se quer. Vi inúmeras pessoas e empresas darem a volta por cima depois de acharem clareza sobre o que queriam, terem colocado isso no papel e comprometerem-se com o processo (mais importante!). Isso leva os dirigentes a tomar suas decisões sempre tendo essa visão em mente, e, não é surpresa alguma quando essa visão torna-se uma realidade.

    Uma vez definida a visão, passamos à segunda etapa: Passos práticos. Uma vez que se sabe o que se quer, é preciso AGIR. Sem ações nada sai do chão.
    Qual a visão da CBDA? Cito agora o Fernando Magalhães que começou a colocar muito bem no comentário acima o que a maioria de nós levou da natação; educação em vários sentidos, desenvolvimento de valores sólidos e que até hoje nos ajudam tanto, aprendizado e vivência da ética em sua totalidade, foco, planejamento… Enfim, e se esses valores fizessem parte da visão da CBDA? Uma vez definido que a CBDA é comprometida com a educação e o desenvolvimento holístico das crianças dentro do meio aquático, qual seria o resultado disso? Parcerias com escolas de natação, piscinas públicas ou privadas em todo o Brasil juntamente com patrocínio de empresas, bancos, governo onde, através de um método unificado, a natação seria ensinada ao maior número de crianças possíveis? Aliado a isso, existiria uma triagem daqueles que melhor se destacaram e seriam esses convidados a participar de um programa de treinamento nesses mesmos locais ou em clubes parceiros tendo em vista o desenvolvimento destes atletas a nível competitivo. Não esquecendo nesse processo, a transparência e a sustentabilidade. Como essas escolas podem ser auto-sustentáveis? Que incentivo podem oferecer às empresas e grupos patrocinadores? Como envolver os pais e os atletas em arrecadação de fundos ou o famoso “fund raising”? A responsabilidade da manutenção das equipes, deve ser dividida com os pais e com as crianças. Isso ensina a tal da RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL que é rara no Brasil e que é a chave para o crescimento de qualquer pessoa e, por conseguinte, de um país.

    A outra coisa que aprendi em minha vivências é que temos que fazer a tal da “due diligence”. Ou seja, temos que nos preparar legalmente para fazer mudanças e para manter a transparência. Saber os estatutos, as leis e usá-las a nosso favor. Antecipar as possíveis manobras (i)legais que podem acontecer em um processo de mudança e preveni-las de acontecer. Estamos vendo hoje no Brasil, uma série de situações que nos faz ter alguma fé na justiça. Temos que estar preparados antes de iniciar um processo de mudança desse porte.

    Agora, o mais importante das lições que trago para cá, é que ninguém faz nada sozinho/a. É preciso ter um grupo sólido, comprometido com a causa e que divida a visão. Todos precisam sentir-se parte de um processo onde o ganho individual não tem vez e os egos continuam sempre voltados para o ganho coletivo. Aceitar ajudas, dar a palavra ao outro, reconhecer o mérito das idéias e incentivar o grupo a vencer, são algumas das atitudes que precisam ser vivenciadas nesse processo de mudança.

    Tendo dito tudo isso, vamos agora ao que podemos fazer de imediato:
    1. Iniciar a conversa. E esse passo já foi tomado pelo Cordani aqui e por muitos outros em lugares distintos.
    2. Criar um grupo que encabeça a direção da CBDA. Uma chapa nova de pessoas comprometidas e que não tenham seus interesses próprios à frente da causa.
    3. Desenvolver uma visão clara a seguir onde todos estejam de acordo e prontos para colocá-la para frente. Ter clareza sobre os valores que regem a CBDA e desenvolver passos estratégicos para implementação das mudanças.
    4. Recrutar pessoas que estejam prontas para ajudar a causa. Advogados, estrategistas, empresários, contadores, juízes, atletas, técnicos, jornalistas; todas pessoas que possam contribuir de algum modo para que a mudança aconteça.
    5. Organizar as ações de acordo com uma timeline e deadlines. Algum grupo precisa ser responsável pela coordenação.
    6. Fazer barulho! Explicar a todos que são envolvidos com os esportes aquáticos; atletas, técnicos, pais, dirigentes de clubes e federações; essa realidade atual e o que o grupo novo pretende fazer. Usar a mídia social, as conversas do dia a dia no clube, artigos, enfim, chamar a atenção de todos para essa situação e para a possível solução proposta pelo grupo.

    Vivo longe do Brasil, mas de antemão ofereço-me para ajudar no que for necessário. Não sei quem está a frente dessa mudança mas espero que essa missiva chegue a ela/e. Há anos que não concordo com as políticas da CBDA e me vi muitas vezes prejudicada por ter sido explícita em jornais quando confrontei a atual administração da CBDA. Não me arrependo em absoluto mas fico feliz que chegamos a um ponto onde poderemos ter massa crítica para fazer a natação brasileira ser melhor do que é hoje.

    Agradeço aos que tiveram a paciência de ler até aqui e deixo meu abraço à você Cordani e a todos os amigos da velha guarda!

    Com energia,
    Ana Catarina

    • Patricia Angelica
      13 de setembro de 2016

      Ana Catarina, em um comentário seu, já virei sua fã! Assino embaixo de tudo o que você falou!

      • Ana Catarina de Azevedo Scherer
        14 de setembro de 2016

        Obrigada pelas palavras gentis Patricia!

    • rcordani
      14 de setembro de 2016

      Muito bom Ana, muito bom te ver de novo por aqui!.

      Sem dúvida nenhuma o caminho que você aponta é virtuoso, mas dificilmente teríamos tempo para amadurecer uma candidatura agora, temos poucos meses e a barreira de entrada para uma candidatura é muito grande. Talvez na próxima eleição?

      Enquanto isso, temos que ficar atentos à assembléia de agora dia 28 de setembro e ver como se configura a eleição, para tomarmos partido. Eu farei isso!

  9. JORGE MILER R. FILHO
    13 de setembro de 2016

    Amigos, gostaria de pontuar apenas duas questões: Ana Catarina – Kate para os colegas de raia do CRF, sempre tão lúcida e prestativa! Excelente comentário.
    O outro, uma experiência pessoal, morei alguns anos no Amapá – coincidentemente, terra do Coaracy Nunes. Fui voluntário num projeto social onde dava aulinhas de natação para crianças carentes. Vi um menino de 12 anos com um nado borboleta lindíssimo e um outro com 16 com um nado peito impressionante tecnicamente, ambos fazendo aulas lá.
    Entrei em contato com a federação local, com escolas de natação competitiva, até com o CRF tentei alguma coisa. Ninguém se interessou.
    Há talentos de sobra, falta visão e interesse na causa em si.
    A luta é válida e vai ser árdua. Mas, vamos lá. MUDA!

    • Ana Catarina de Azevedo Scherer
      14 de setembro de 2016

      Obrigada Jorge pelos comentário e pela lembrança! Concordo plenamente que os talentos existem em profusão. Imagine se houvesse um apoio sistemático a essas crianças! Seríamos uma potência esportiva! Grande abraço!

    • rcordani
      14 de setembro de 2016

      JMR, realmente mudar a cultura de um país é muito difícil. Meu filho é nadador, e da escola dele só ganha desincentivo para nadar. Em contrapartida, quando moramos 1 ano nos EUA, toda a escola não perdia uma oportunidade de facilitar a vida do esportista, inclusive elogiando-o em todas as oportunidades apenas por ser nadador. É muito diferente!

      Mas a gente pode tentar mudar, não? Vamos?

  10. mpacheco1
    13 de setembro de 2016

    E eu nem sabia dessa historia dos oculos!!!
    PQP!!!
    So no Brasil essas manobras juridicas podem acontecer assim, Que palhacada!!!
    FORA PILANTRA!!!!

    • rcordani
      14 de setembro de 2016

      Manobras jurídicas inacreditáveis! Atenção agora no dia 28-09!

  11. Patricia Angelica
    13 de setembro de 2016

    Compartilho de tudo o que diz respeito à mudança na CBDA.

    Fico meio besta ao saber que Coaracy tá dirigindo nossa digníssima Confederação pelo mesmo tempo que eu tenho de vida… HAHAHAHA

    Acho que Kate (a íntima) e o pessoal que explicitou a necessidade de se espelhar na USA Swimming estão cobertíssimos de razão… não é de hoje que eu falo isso: quem dera a USA Swimming desse uns “cursos” de como fazer o que ela faz… vamos mandar uns observadores pra administração deles (eu me candidato!)? =D

  12. rbonotti
    13 de setembro de 2016

    O cidadão dizer que o legado das Olimpiadas é o calor humano do publico é padrão PT de ignorância e cara-de-pau.
    Denota claramente que o Moura nao tem a minima capcidade para fazer uma gestão séria da confederação.
    É óbvio demais que é preciso mudança, “só” precisa convencer os nobres presidentes das federações, de acordo com as intenções dos mesmos, que nao tenho ideia de quais sejam….

    • rcordani
      14 de setembro de 2016

      Eu reconheço a competência do de Moura como supervisor técnico de natação (apesar das lambanças do último ciclo olímpico), mas jamais para presidente da CBDA.

  13. Wiliam Duarte
    16 de setembro de 2016

    Belas e sábias palavras Ana! Aproveito este espaço e este momento, para agradecer você, Eduardo e toda a sua equipe pelo apoio logístico que deram e tem dado não apenas a meu filho, mas a tantos atletas pelo Brasil afora que não possuem recursos. Isto é responsabilidade social! Ser Paitrocinador de atleta de auto rendimento é tarefa das mais árduas e sofridas quando não se tem recursos…
    Vou usar aqui o testemunho de meu atleta preferido (meu filho) para fazer uma breve análise de estrutura e de conjuntura.
    Via de regra, nesses últimos 40 anos, o Brasil jamais investiu na massificação do esporte especializado, isto pelo fato de que a visão de formação escolar e intelectual está completamente dissociada da formação esportiva. Logo, desde os primeiros anos de escolarização, nossas crianças pouco ou quase nada tem de conteúdo esportivo. Cabe os pais (sempre) estimularem seus filhos a praticarem esportes e descobrirem suas vocações). Neste mister, observamos que a monocultura do futebol, de tantos anos impregnada em nosso povo, se enraíza ainda mais, pois além de ser um esporte “acessível” (basta uma bola de capote, ou se não houver, serve uma bola de meia velha, ou até mesmo um coco para se praticar, no campo, na várzea, ou mesmo na rua), ainda vende a ilusão de que seus jovens praticantes se tornarão um “Neymar”!
    Aos esportes especializados, que requerem mais estrutura, logística e material humano devidamente capacitado e, por consequência, maior investimento, NADA!
    Além de não haver incentivo das escolas para o atleta, estas ainda ignoram completamente sua condição, estruturando seus currículos, planos de aula e métodos de avaliação de forma a excluir qualquer possibilidade do aluno atleta se manter na dupla jornada. Isto faz com que tenhamos uma sangria precoce de potenciais bons atletas, que se sentem obrigados a abandonar a prática esportiva. Aos que ficam e resistem, dificilmente conseguem levar as duas importantes escolas da vida, ficando prejudicada a formação acadêmica!
    A estrutura e infraestrutura que não existem na base, também são negligenciadas no alto rendimento, e os poucos clubes que conseguem minimamente se estruturar (quatro ou cinco no máximo no país), o fazem de forma também precária, ficando muito a quem dos grandes centros de formação e preparação de atletas de alto rendimento do mundo.
    Os recursos não chegam de forma equânime aos atletas, sendo privilegiados apenas os que já possuem resultados internacionais expressivos, ou os “amigos” do rei ! Aqueles que, mesmo nadando contra a maré, conseguem atingir um nível de excelência, mas não possuem uma boa interlocução ou não fazem parte da chamada “elite”, continuam amargando o descaso e a indiferença.
    Fala-se muito em responsabilização do atleta pelo pífio (será?) desempenho nestes jogos olímpicos, mas a grande verdade é que é muito mais fácil culpar atletas, que estão na ponta da corda, que avaliar toda a estrutura, incluindo aí não apenas a CBDA, mas as Federações, clubes e técnicos, todos com suas vaidades pessoais tão afloradas que fazem desmoronar qualquer possibilidade de constituição de uma verdadeira EQUIPE (alguém viu espírito coletivo em nossa seleção? Eu não).
    Para terminar, concordo que alguns sentirão com os tempos “magros” que ora se iniciam, mas apenas aqueles poucos já acostumados com as benesses e favores do “rei’. Aos meninos e meninas anônimos, porém batalhadores e financiados por suas famílias (grande maioria), pouco mudará, pois continuarão a sonhar, a nadar, a perseverar e a lutar por seus sonhos aqui mesmo nesta terra tupiniquim, mesmo que sem estrutura, mesmo que sem apoio, mesmo que sem salário, mesmo que sem valorização, até 2020!

    • Ana Catarina de Azevedo Scherer
      19 de setembro de 2016

      Obrigada Sr. William pelo reconhecimento. Desde o início da nossa empresa, nos comprometemos com o apoio aos atletas – desde os iniciantes até os de mais alto nível, sem esquecer dos paralímpicos. Por termos sido atletas no Brasil, sabemos bem o quanto é difícil seguir fazendo o esporte que se ama face às dificuldades enfrentadas no Brasil. Desejamos perseverança ao seu filho e muitas realizações sempre!

    • rcordani
      19 de setembro de 2016

      Excelente comentário de novo Willian, o qual assino embaixo. Obrigado por participar, e vamos tentar algo diferente nas eleições desse ano! Manteremos contato!

  14. Ana Catarina de Azevedo Scherer
    19 de setembro de 2016

    Obrigada Sr. William pelo reconhecimento. Desde o início da nossa empresa, nos comprometemos com o apoio aos atletas – desde os iniciantes até os de mais alto nível, sem esquecer dos paralímpicos. Por termos sido atletas no Brasil, sabemos bem o quanto é difícil seguir fazendo o esporte que se ama face às dificuldades enfrentadas no Brasil. Desejamos perseverança ao Ítalo e muitas realizações sempre!

  15. Eduardo Estefano Neto
    19 de setembro de 2016

    Muto boa matéria!

    A Natação precisa de mudanças. Colocar outro presidente do mesmo partido não vai ajudar em nada. Vai ser o “mais do mesmo”.

    Meu filho está agora participando nas competições da FAP e depois de muitos anos voltei para o circuito de Natação.

    Tenho bastante experiência em competições nos EUA e só tenho a dizer que fiquei muito impressionado com a organização dos eventos da FAP. Resultados em tempo real, transmissão ao vivo pela internet, aplicativo para celular, rapidez e fluidez nas competições, entre outras ações modernas implementadas pela gestão.

    E tudo com patrocinio privado, nada de Correioduto.

    É disso que a natação precisa.

    • rcordani
      19 de setembro de 2016

      Boa Dudu. Um pouquinho, só um mísero pouquinho da estrutura americana já seria um colosso por aqui! E de facto, a FAP está a léguas das outras federações!

  16. Ana Catarina de Azevedo Scherer
    20 de setembro de 2016

    Caro Cordani,
    E com essa tal investigação acontecendo, as eleições não poderão ser adiadas e o Ricardo de Moura desqualificado para concorrer? E como fica a questão de uma chapa de oposição visto que a situação está sob investigação?
    Grata,
    Ana

    • rcordani
      20 de setembro de 2016

      Oi Kate, que eu saiba por lei a eleição terá que ser até março de 2017. Não creio que a investigação terá impacto na participação do Ricardo de Moura, mas espero sinceramente que tenha impacto nos votos dele (que sejam poucos).

      Haverá uma assembleia no próximo dia 27/09 na CBDA, onde a data da eleição será marcada, bem como as novas regras (sim, novas regras, eles estão tentando mudar algumas regras para favorecer a chapa da situação. Um exemplo, eles estão tentando tirar do estatuto a regra de que quem depende das federações – ex. Ricardo de Moura – não possa concorrer…).

      Após essa assembléia o quadro ficará mais claro, e poderemos traçar juntos uma linha de ação.

      Abração

      • Ana Catarina de Azevedo Scherer
        21 de setembro de 2016

        Obrigada Cordani. Pelo que soube, o Ricardo de Moura também está sendo investigado pelo Ministério Público. Não faz sentido que essa assembléia aconteça! Podes me passar teu e-mail pessoal para que possamos conversar?
        Valeu!
        Kate

      • rcordani
        21 de setembro de 2016

        Oi kate meu email é renatocordani arroba gmail ponto com 😄

  17. Fernando Cunha Magalhães
    2 de outubro de 2016

    Ana Catarina deu um show em seus comentários.
    Parabéns pelo histórico de realizações e visão sobre o tema.

    Não acompanhei a sequência dos fatos… houve a assembleia?

    • Ana Catarina de Azevedo Scherer
      4 de outubro de 2016

      Obrigada Smaga pelas palavras. Um forte abraço!

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Publicado às 12 de setembro de 2016 por em Natação e marcado , , , , , .
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